sábado, 22 de Novembro de 2014

Há rival para Nani e não é Brahimi nem Gaitán

Completamente absurda a percentagem de acções positivas de Jonas. Cada toque parece sempre acrescentar algo. Criatividade, inteligência e incrível qualidade técnica. Que classe de jogador! E sempre dentro do bloco onde o espaço não abunda e o raciocínio tem de ser muito veloz. 

Lições de Guardiola, terceira parte

Quem joga são os jogadores.
"Eu posso analisar o rival e distribuir-vos tacticamente da melhor forma (...)Mas a partir desse ponto, rapazes, a responsabilidade é vossa."







Não há tempo para treinar nas fases decisivas da época, onde joga de três em três dias. Chegada a essa fase, ou a equipa tem competências colectivas ou não as terá até ao final. Não há tempo para corrigir os erros do jogo anterior no treino. O que faz Guardiola nesses momentos? Usa imagens e vídeos giros, um pouco como se faz por aqui. Inclusivamente vídeos individuais, onde analisa a tomada de decisão de cada jogador.

O que faltou dizer sobre o jogo com o Arsenal:
"São dez minutos de nervos para Guardiola, incapaz de perceber como é que jogadores de tanta qualidade insistem em jogar bolas longas em vez de esconder e proteger a bola como ele havia planeado (...) - Por que é que a equipa não cumpre de forma tão evidente com as instruções iniciais? «Porque isto é futebol - explica Guardiola no dia seguinte, mais sereno - Porque somos homens e não robots. Porque queremos, mas nem sempre sabemos ou acertámos. Porque um treino é relaxado e um jogo é tenso. Porque o adversário também joga e tem qualidade ainda que haja muita gente que despreza o adversário... Porque isto é futebol»

Qualquer semelhança entre estas pequenas descrições do livro Herr Pep de 2014 e algumas pequenas coisas que vão sendo escritas e ditas por aqui é pura invenção nossa. Aí está o melhor do mundo, para mim da história, a relatar o que nós intuímos há muito. Se tiver dúvidas, consulte as etiquetas...

Boa leitura!

sexta-feira, 21 de Novembro de 2014

Guardiola II

Coisas giras e o último parágrafo na senda de textos recentes. "Pero no ocurre nada parecido". Culpa do treinador de certeza ou não me digam que os jogadores não são marionetas do seu treinador e que quem joga são mesmo os jogadores?!

E o texto inicial aqui.

"Desde sempre, mas talvez com maior relevância desde o fenómeno Mourinho que o público em geral tem a tentação de elevar os treinadores à condição de deuses. Não necessariamente no bom sentido, mas no sentido de que as vitórias e as derrotas passam apenas pela sua performance, ignorando que são homens / mulheres que jogam o jogo e não máquinas comandadas por estrategas.

É por isso que nas caixas de comentários continuam os argumentos de que X é bom porque venceu 3 campeonatos, ou Y é mau porque em 5 anos apenas venceu 2. Como se o jogo fosse treinadores contra treinadores, quando são jogadores contra jogadores.

O treinador deve ser avaliado pelo processo. Pela organização da sua equipa. Nunca pelo resultado, não ignorando que com organização garantidamente que obterá bons resultados para o contexto que exerce.

Na época transacta, por exemplo, viu-se Jorge Jesus ser considerado responsável pelos únicos pontos que perdeu em toda a segunda volta até se sagrar campeão nacional. Num jogo em que o seu avançado falha um penalty no último minuto. E se Cardozo tivesse acertado na rede. O treinador era bom? Ou o exemplo perfeito. Quando há dois anos Vitor Pereira foi incompetente durante uma época inteira depois de Jackson ter perdido 4 pontos em penaltys, para voltar a ser um bom treinador, depois de Artur Moraes ter tornado um belíssimo treinador num incompetente (que perdeu um jogo em trinta e contra uma das melhores equipas de toda a história em Portugal, que alinhava com Hélton, Danilo, Alex, Mangala, Otamendi, Lucho, Moutinho, Fernando, James, Jackson, Varela. Coisa / Milhões pouca / poucos). Para o público em geral só há um treinador bom por cada Liga. E só se percebe quem é o bom quando acaba o campeonato. Nada mais errado, obviamente. Estes erros de avaliação grosseiros revelam não só um total desconhecimento do que é o trabalho do treinador, como surgem maioritariamente associados a uma incapacidade gritante para perceber a qualidade dos jogadores. Normalmente os “seus” jogadores são todos craques e melhores que os do adversário. Logo, a incompetência será sempre do treinador. Por exemplo, Jesus foi tornado réu por não ter sido campeão num ano em que do seu plantel inteiro só um, dois, máximo dos máximos três jogadores do seu onze entrariam na equipa de quem se sagrou campeão. Claro que na altura bateram muito por aqui. Sobretudo quando se elegia James como estratosférico e o melhor da Liga. Hoje, apenas porque alguém pagou um valor estapafúrdio talvez já seja bom. Antes não era…

Ao treinador compete dar armas (organização) para que os seus atletas sejam mais do que individualidades no campo, mas que se saibam relacionar entre si, com princípios colectivos. Que ocupem o espaço e se movimentem com e sem bola, ofensivamente e defensivamente, de acordo com ideias comuns. Neste espaço valorizamos os que para além de conseguirem criar estes princípios, o façam em todos os momentos do jogo. Tratem todos os momentos com a devida importância, e que como tal tenham a equipa preparada para jogar o que o jogo der. Conseguindo isso, o melhor treinador do mundo pode perfeitamente perder com o pior. É que são humanos que jogam o jogo.

E é em função disso, que ainda na época passada, naquilo que será garantidamente um choque para quem não vê o jogo com olhos de ver, declarei aqui que Jorge Jesus é bastante superior a José Mourinho enquanto treinador de futebol. Porque as suas equipas estão muito mais preparadas para o jogo que as do mais titulado treinador português.

Se alguém se der ao trabalho de analisar jogos de um e outro perceberá facilmente que ofensivamente as equipas de Jesus têm movimentações que permitem mais linhas de passe ao portador, que oferecem mais, mais variadas e mais próximas soluções para prosseguir as jogadas (em apoio, em ruptura, à esquerda, à direita, em cobertura). Que defensivamente o jogo de controlo da profundidade que permite a equipa manter-se mais compacta, mais próxima e ainda assim não consentir bolas nas costas é bastante superior em Jesus do que o que é nos últimos vários anos de Mourinho. O controlo da largura. Não há um momento do jogo em que Mourinho se superiorize a Jorge Jesus. Mourinho que continua ano após ano a pescar jogadores saídos dos colectivos de Jesus, para que pouco depois pareçam apenas banais nas suas equipas.

E é porque a generalidade do público não percebe o que é o trabalho do treinador que o futuro de Marco Silva no Sporting pode tornar-se preocupante. Em poucos dias, viu-se organização. Ideias. Jogar colectivo. Enfim, competência. Todavia, a herança pontual e de classificação é demasiado grande para a qualidade individual da sua equipa. Se Leonardo Jardim entrou (e saiu) na hora perfeita, Marco Silva fá-lo num dos anos mais difíceis de agradar à massa adepta leonina. Não interessa se naquilo que o treinador controla Marco mostra credenciais. Se pela qualidade individual que têm os jogadores do Sporting não conseguirem a percentagem de pontos da época transacta (e tal não se afigura nada fácil), o mais fácil será pedir-se responsabilidades a um treinador que até apresenta mais argumentos que o seu antecessor. Não desprezando qualidades óbvias que Jardim tem.

Quem segue o blog há muitos anos recordará os textos com imagens a expor a falta de organização do Sporting de Sá Pinto. Tudo aleatório, jogadores sem se relacionarem entre si, enfim, tudo à deriva. Total desvalorização das individualidades porque não haviam ideias. Bastava ver aquela organização para se poder classificar de mau o trabalho do treinador. Independentemente do resultado dos jogos. Marco Silva por seu lado mostra qualidades precisamente porque naquilo que controla mostra organização. Se há décima jornada tiver zero pontos, a opinião será a mesma. Há organização. Naquilo que o treinador controla o treinador do Sporting é bom. Mas, não é o treinador que joga. Falta só perceber-se os detalhes (restabelecimento de equilíbrios, um pouco de maior encurtamento do espaço em largura, e jogo posicional de controlo da profundidade na última linha, defensivamente. E número de caminhos (movimentações) para a baliza adversária, ofensivamente) que são no fundo o que separa os bons dos óptimos.



P.S. - Mourinho gera amores e ódios. Não tome a opinião actual sobre o trabalho de Mourinho, como algo relacionado com a sua personalidade. Apenas o que mostra no campo. Para que perceba que não há amores / ódios, basta consultar as etiquetas com o seu nome para perceber a influência grandiosa que teve em tudo o que por aqui se escreveu / escreve desde sempre.  E era mais fácil elogiá-lo agora que priva quase diariamente com um dos autores que iniciou o blog comigo."

Guardiola


Bayern pressing vs Roma from Premiere Touche on Vimeo.

 Fazer o que ainda não foi feito.


domingo, 16 de Novembro de 2014

O Jesus mudou a táctica nos 5 a 0


Mudou?

sábado, 15 de Novembro de 2014

Portugal 1-0 Arménia

Destaque. Fernando Santos. Treino. Desde a chegada do novo seleccionador que tenho dado especial atenção as declarações dos jogadores, sobretudo antes do jogo. E das mesmas retiro uma grande mudança na selecção no que à gestão do tempo de trabalho diz respeito. Sempre dissemos que não há tempo para treinar grande coisa na selecção, e que por isso é fundamental ter os melhores em campo. Mas não ter tempo para treinar grande coisa é diferente de não treinar nada como se fazia com o antigo seleccionador, que só treinava o seu modelo de jogo antes das grandes competições. As declarações de Nani (entre os jogos com a França e a Dinamarca) e agora de Moutinho, mostram que o seleccionar quer implementar uma ideia de jogo, ainda que não tenha muito tempo para gerir esse processo. Treinar alguma coisa é bem melhor do que não treinar nada e lançar os jogadores soltos em campo.
Coragem. Fernando Santos gosta de um bom futebol de ataque. E vai de certeza, ainda que não garanta melhores resultados, divertir quem como eu gosta de bom futebol. Mas alguma vez alguém pensou em escalonar no mesmo onze inicial Raphael Guerreiro, Bosingwa, Tiago, Moutinho, Nani, Danny, Ronaldo e Postiga? Então e o jogo aereo, fica todo para Carvalho e Pepe?! Como disse o seleccionador, e bem, nestes jogos pede-se que a selecção jogue na maior parte do tempo em 3x3x4. Porque vai ser dominante, porque tem mais qualidade que o adversário, e como tal, devem jogar aqueles que mais qualidade têm no momento em que a selecção vai jogar na maior parte do tempo. A escolha deste onze não foi um acaso, e poder-se-à esperar o mesmo atrevimento contra adversários do mesmo perfil.

Gostei. Raphael Guerreiro. É craque. Qualidade técnica, tomada de decisão, velocidade. Procura de desequilíbrios em apoio, procura do corredor central ainda que o lance não acabe com um granda cruzamento. A minha única dúvida prendia-se com a sua personalidade, no que toca a responder com qualidade à responsabilidade de um jogo desta natureza. Não desiludiu. Este não engana.

Não gostei. Éder. Mas será possível que nem depois de quatro toques a bola fique redonda?! Mostra debilidades em todos os jogos que faz pela selecção. Ali, no meio dos melhores, a jogar contra os melhores, percebe-se que não está ao nível que se exige.

Nota. Hoje percebe-se melhor que os atritos dos jogadores com Paulo Bento, e dele com os jogadores retiraram muita qualidade a selecção. Carvalho, Danny e Bosingwa acrescentam muito, são titulares de caras. E com Tiago, ainda que não se tratasse de um problema, deveria ter-se feito o mesmo que com Figo no passado.

PS: O facto do mais criativo em campo ser um arménio não deveria preocupar os portugueses? Principalmente os portugueses que formam...

Ser de nível Champions é isto

Lançámos o desafio e o João Saro aceitou e deu uma grande ajuda.

Um qualquer jogo da Champions. Construir um video com todas as acções de Nani, Salvio, Gaitán e Brahimi.

Chega primeiro o de Nani. Talvez com video e explicação de cada jogada se perceba o porquê de com uma distância estratosférica de todos os outros o português seja o melhor (óbvio que um jogo isolado não quererá dizer nada. Todavia, notar que não seleccionei o jogo. O desafio foi precisamente, escolham um jogo ao acaso de cada um deles na Liga dos Campeões). Do Nani chegou um jogo bastante atípico, porque desde a primeira parte o Sporting viu-se reduzido a dez jogadores e Nani deixou de ter opções viáveis para prosseguir as jogadas. Mas, deu-se mal com isso? Veremos.

27 acções na partida.

Aos 46' de jogo!!! primeira perda!!! e em que condições!! Minuto 1'30 do video. "a primeira perda de bola! Recebe dum lançamento. Apertado por dois consegue sair mas acaba por perder. Não tinha opções!"

Nas 27 acções soma apenas 4 perdas, tendo na grande maioria das acções procurado (e conseguido) desequilibrar. Todas as perdas surgiram com a equipa reduzida a 10, e apenas numa delas tinha opção bastante melhor que forçar. Diga-se que nessa, o Sporting tinha sofrido o quarto golo segundos antes e tinha um minuto mais para jogar.

Mas, há acções que valem mesmo a pena seguir com atenção. Fica a legenda construida a rever os lances, destacando todas as vezes em que atraiu vários adversários a si para depois jogar com os colegas. Sempre, sempre, sempre a procura do passe que elimina mais linhas. Sempre a procura da situação de jogo mais vantajosa para a sua equipa e nunca o mais fácil e básico.


0’6 – apertado por 3 adversários ,sem uma única linha de passe (sem qq opção!) que não a de um colega em fdj, consegue manter a posse e ainda remata com relativo perigo
0’12 apertado no cl. Perante contenção, cobertura e o aproximar de um 3º elemento, descobre William no corredor central. Com um passe coloca 5 jogadores do Schalke à frente da linha da bola e bola no corredor central, fora da pressão
0’16 com pressão nas costas, não força o enquadramento e de primeira e com grande precisão coloca num colega que está de frente para o jogo
0’20 recebe no corredor lateral, e podia ter jogado dentro mais cedo. Leva para dentro, como se impõe depois de não ter solto mais cedo, dribla o primeiro e não passa no 2ndo. Mas mantem a posse.
0’28 recebe do lateral e sofre / faz falta
0’31 recebe – joga dentro – volta a receber – sem boas opções para prosseguir a jogada temporiza sem progressão (marca dos astutos) e volta a jogar dentro. Sempre, sempre, sempre as melhores opções
0’43 recebe – atrai 2 tenta jogar dentro, é interceptado, ganha lançamento
0’51 recebe bem junto à linha apertado e sem opções, sai a jogar para dentro por baixo das pernas do adversário. Bola chega ao colega em melhores condições para a receber… por um caminho que nem existia antes. Criatividade!
0’57 Golo.
1.08 recebe, dribla dois e chama um terceiro! Sempre dentro! E faz a bola chegar ao seu colega que obrigou um central a sair! Desequilibrou toda uma estrutura defensiva que estava completamente equilibrada quando a bola lhe chegou aos pés
1.13 recebe apertado, não força o enquadramento e joga no lateral que está de frente para o jogo
1’20 atrai dois adversários e joga no corredor central!
1’25 volta a atrair dois adversários a si, e joga no apoio frontal eliminado o meio campo alemão
1’30 a primeira perda de bola! Recebe dum lançamento. Apertado por dois consegue sair mas acaba por perder. Não tinha opções!
1’35 recebe rodeado por 3 adversários sem uma única linha de passe e acaba por perder
1’40 recebe no corredor lateral, no seu meio campo, não tem uma única opção para jogar enquanto progride pelo campo todo, rodeado por 2 adversários, e acaba por ganhar o canto.
1’56 recebe, temporiza pelo movimento do colega para que receba em melhores condições e faz o passe
2’04 joga dentro, desmarca na frente, o passe do colega não era para si mas bateu-lhe na bota enquanto desmarcava para receber mais à frente
2’13 recebe na linha, não tem uma única opção para jogar e cruza
2’16, No meio de vários adversários progride, ultrapassa um, fixa outro e novo passe à procura do apoio frontal do colega avançado que não consegue combinar da melhor forma.
2’25 recebe no corredor lateral e com um passe dentro a rasgar sectores ultrapassa os 4 médios do Schalke e deixa Adrien só com a linha defensiva alemã  à sua frente
2’30 recebe do GR, atrai 3 adversários e joga dentro no corredor central para um colega em melhor posição para finalizar / prosseguir a jogada
2’46 recebe dentro, vê que não é possível servir com sucesso a desmarcação de ruptura do colega que vem da direita para dentro e congela a bola, força o drible perante dois adversários e perde
2’55 recebe no corredor lateral, sem opções para jogar, progride e ganha lançamento
3’00 recebe dentro, volta a atrair dois adversários e joga no único colega que estava disponível para receber
3’14 – A perder no último minuto dos descontos força a jogada, ultrapassa 3 mas perde.
3’16 – de calcanhar joga com o colega que está no corredor central


Se não estiver a conseguir ver o video, está disponível aqui.

quinta-feira, 13 de Novembro de 2014

Conversas de Café


segunda-feira, 10 de Novembro de 2014

Di Maria

Depois de setenta e cinco milhões, e de um arranque em grande estilo, Van Gaal parece começar a perceber as limitações da antigo extremo do Benfica. É um jogador fortíssimo a conduzir a transição ofensiva, pela facilidade com que se livra da contenção, e velocidade de condução da bola. Tem atributos técnicos interessantíssimos, mas é mais um que vê a qualidade do seu jogo limitada às acelerações de que vive. É um extremo como Jesus gosta. Desequilibra com espaço, explode sem temporizar, joga na vertigem.

"Ele teve muito pouco espaço e é um jogador de fintas, mas às vezes não se pode fintar e é necessário fazer passes. E o Di María não é um futebolista que queira passar a bola quando ela lhe chega aos pés"

"Nesta partida, a equipa precisava de fazer um jogo de passes e não de dribles. Por isso é que ele perdeu a bola tantas vezes. Isso não foi nada bom para o equilíbrio da equipa"

O que Van Gaal critica em Di Maria e o que lhe valeu tantos pontos no início estonteante do argentino, quando tudo saia bem, chama-se tomada de decisão. Chama-se jogar de acordo com o contexto. Chama-se perceber quando, e como, é que se deve colocar os fantásticos traços individuais ao serviço do colectivo. Di Maria, não percebe que com pouco espaço deve utilizar os colegas para progredir, para aproveitar outras zonas do campo menos povoadas. Não percebe que, com pouco espaço a margem de sucesso do seu jogo (drible) diminui de forma drástica. E com isso parece ter prejudicado a equipa de tal forma, que leva o seu treinador a fazer tais críticas.

Os especialistas dirão que o treinador deve preparar a equipa para as perdas de bola do argentino, porque as suas acções individuais mais tarde ou mais cedo acabam por beneficiar o colectivo (aquilo que se diz sobre Jesus, com Sálvio e Gaitan). Eu digo que nenhum colega é capaz de correr tão rápido quanto eles, para que quando ficam atrás tenham possibilidade de acompanhar quem acelera constantemente desta forma. A equipa recupera a bola, solta neles, eles vão para cima sem dó nem piedade, e os restantes colegas ainda a tentar adoptar o melhor posicionamento face ao novo contexto e esse mesmo contexto se volta a alterar, por mais uma perda de bola. E mesmo que conseguissem, valerá pedir aos outros sete o quadruplo do desgaste a que estão habituados, para proteger tais acções? Ou será que os jogadores em questão deveriam ter obrigação de perceber o contexto, temporizar, esperar que a equipa chegue e crie uma rede de apoios (coberturas) que permitam uma recuperação mais eficiente das acções de risco? E existindo essa possibilidade, como é que se ensina um jogador com 15 anos de sucesso em cima de uma forma de jogar, que há mais para lá do que sempre fez com o seu futebol?

Controlo da profundidade. Sporting jogo sim jogo sim a dar tiros nos pés.

É difícil recordar um jogo do Sporting em que os adversários não tenham a possibilidade de finalizar na oportunidade mais clara de todas. Contra 0.

Ainda em Setembro foi escrito aqui:

"A profundidade controla-se tendo em conta alguns princípios simples.

Pressão sobre o portador. Mais subida se há, mais baixa se não há.
Distância para a bola. Que será sempre bem mais longa se não houver pressão sobre o portador, para que o passe nas costas para passar entre a última linha tenha de ir com força suficiente para chegar ao guarda redes ou ir para fora.

"Eu acho o Jesus fantástico na forma como comanda a defesa, mas digo-lhe já, a maneira como ele trabalha é difícil de seguir. Não é mesmo para toda a gente. Ele exige muito com a história da bola coberta bola descoberta: se o adversário que tem a bola está com alguém por perto, a equipa não se mexe, se o adversário que tem a bola está sem ninguém por perto, a equipa tem de recuar" Quim

É certo que os centrais do Sporting fazem lembrar o filme "Dumb and dumber", mas não é menos certo que nos "pormaiores" há pouquissimos treinadores no futebol mundial ao nível do treinador do SL Benfica. E Marco Silva não é um deles.

P.S. - E em praticamente todos os jogos da presente época Patrício vai resolvendo no 1x0. Também um dos melhores a nível mundial nessa pequena situação de jogo."


Várias semanas depois, as situações sucedem-se, jogo após jogo.
Os centrais do Sporting não têm a minima noção do que é um bom posicionamento, e não estão a mostrar melhorias com o tempo.




O golo do Paços em Alvalade e o comportamento da última linha. Completamente oposto ao que deve ser adoptado. Se num primeiro momento sobe em função do baixar no terreno do adversário, é inconcebível que mantenha o mesmo comportamento quando o adversário começa a "comer" metros no campo em posse. O critério para subir ou descer é inexistente e por muito que a equipa ofensivamente melhor, Marco Silva não está a conseguir trabalhar a última linha para que esta não acabe por trair toda a equipa jogo após jogo.