quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

Os apoios frontais que tanto me apaixonam... e Gundogan.

Veja-se a qualidade, e criatividade do médio do Borussia. Que falta tem feito ao futebol de Klopp este brilhante médio.
De realçar o 442 clássico como o de Jesus, no último terço e com a bola no meio com 4 homens nos 4 defesas adversários. Dois por dentro, dois por fora, com intenção de penetrar pelo corredor central. O objectivo é abrir espaços na linha defensiva adversária. Portador da bola com uma cobertura (o perigo reside nisto, que não permitirá uma forte reacção à perda se for interceptada no corredor central).
A partir do minuto 1:28.

Para os leitores. Escrutinem Jesus.

Este artigo é dedicado aos nossos leitores. Alguns dos quais se mostram muito indignados com as prestações das equipas de Jorge Jesus na Champions. Com razões para isso algumas vezes, mas noutras, como neste ano, sem razão nenhuma aparente.

Então aqui, e agora, para quem aguentar: 

1- Que alterações são essas que fariam ao nível dos jogadores que entravam em campo, e porquê? Que características esses jogadores acrescentavam na relação com os colegas, adversário e individualmente.

2- Que substituições são essas que fariam de outra forma, e porquê? O que é que isso mudava no jogo, por que é que  mudava em relação às opções de Jesus. O que trariam de positivo que não estava a acontecer, o que traria de negativo.

3- E expliquem-me, por favor, que alterações são essas na ideia de jogo do Benfica. Que sistemas tácticos com e sem bola dividido em momentos do jogo, e zonas do campo. Tarefa individual de cada jogador por sector. Objectivo colectivo de cada sector, objectivo colectivo de todos os sectores. 

4- Como é que implementariam isso ao nível de treino (com que exercícios, com que feedback, com que tempos, com que descanso). Como é que o explicavam aos jogadores (vídeo, palestra, papel, de que forma). Como é que garantiam que com o tempo para treinar, para este/s jogo/s em específico (que é o que está em causa), que haveria aquisição de uma ideia de jogo diferente da habitual.

5- Como é que sabem que essas alterações (ao nível da ideia de jogo) não iam resultar em confusão para a cabeça dos jogadores, sabendo-se de tudo o que treinado e assimilado anteriormente.

Espero por vocês aqui, com total abertura (excepcional) da minha parte para comentar tudo e todos.

Até já!

Nani, Salvio e Gaitán explicado para miúdos

- Maldini, porque é que o Nani esteve oito anos num clube a lutar por Ligas dos Campeões e o Salvio no final de cada uma das épocas na Liga Espanhola, numa equipa que na altura era de Liga Europa, foi despachado, se cá em Portugal eu nem consigo ver muitas diferenças entre eles?

- Porque o Nani é top mundial e o Salvio é apenas top de Liga Portuguesa. Tu não consegues ver diferenças entre eles porque isto nota-se naquilo que tu não dominas. Por isso não percebes. O Nani joga com o cérebro. Analisa o contexto, e decide em função dele. Tem mil soluções diferentes. Sabe quando segurar, ir para cima, soltar ou prender. O Sálvio vai sempre para cima mesmo que esteja em 1x3. Quando me falas do impacto que o Salvio não teve numa Liga mais forte, a razão é precisamente essa. Ele não usa a massa cinzenta e só tem uma solução. Ir para cima. É top na nossa liga porque enfrenta jogadores fracos e a sua percentagem de sucesso talvez acabe por ser compensadora. Mas se reparares sempre que no Benfica joga contra melhores equipas, melhores adversários ele é sempre péssimo. Recordas-te de algum bom jogo contra o FC Porto enfrentando um jogador fisicamente do seu nível como Alex Sandro? ou nas competições europeias? Claro que não. Porque ele só tem aquilo para dar. É forçar a jogada individual. Quando apanha adversários fisicamente ao seu nível o número de perdas é ainda maior! Sendo que já nem o coelhinho tira da cartola para as compensar. Agora imagina-o a jogar numa Liga onde todos os fins de semana os adversários são muito fortes. Pois, é uma fonte de problemas as transições defensivas a que força a equipa, para além de não criar nada, porque o insucesso no lance individual é gritante. O Nani não. O Nani é top. Joga o que o jogo lhe dá. E quando parece apagado é porque os adversários lhe sabem fechar o espaço e ele faz a bola rodar por espaços mais livres. Não força o que lhe dará insucesso. Mesmo sendo em criatividade e níveis técnicos bem superior ao argentino. Para ti está apagado individualmente porque não partiu os adversários, mas colectivamente se calhar deu coisas boas à equipa fazendo a bola entrar noutros espaços. Revê o jogo na Luz, por exemplo. Não perdeu uma bola e quando surgiu o momento, colocou o Slimani na cara do Artur. Foi uma em um. É por isso que provavelmente no final da época estará de regresso ao United para o seu 9º ano e o Salvio nem dois consecutivos conseguiu fazer na Liga Espanhola.

- Maldini, mas eu lembro-me que consideraste o Nani o melhor extremo em Portugal. Estás a ignorar o Gaitán. Deliras com as cuecas do Nani, mas viste ontem o Gaitán?

- O Gaitán é top. E recordo que já fiz muitos posts com ele e com o Enzo. Não podemos de forma alguma colocar o Gaitán no lote do Salvio. Tu avalias os jogadores pelo jogo de cabeça, drible, pé direito, pé esquerdo, velocidade e força. Eu não. Eu pego nos momentos e nas fases do jogo e vejo o que rende cada um deles. Portanto independentemente das capacidades individuais de cada um deles, eu olho para o Gaitán e vejo uma classe incrível. Um jogador fabuloso na criação. Na construção cada vez mais criterioso e com maior qualidade, mas não deixo de sentir que volta e meia pode haver ali uma perda por irresponsabilidade ou excesso de confiança, e na finalização muito banal para o poder incluir no top mundial. Sai com uma qualidade tremenda nas transições, mas sinto-o a desperdiçar ainda muito lance que o top dos tops não desperdiça. Adoro vê-lo em organização. Tem uma relação com bola e criatividade fantástica. E aqui Nani não o consegue acompanhar. Sobretudo na criatividade. Mas o português é mais forte na construção. Cria com a mesma facilidade. Menos forte em organização, mas mais forte na transição. E sobretudo é muito mais apto na finalização que o argentino. Portanto, sim, eu considero o Nani o melhor em Portugal. Mas devo confessar que de uma forma bastante simplista o Gaitán está muito próximo do seu nível, mas perde na finalização. E também me parece que ainda que seja hoje um jogador totalmente diferente do que quando chegou, continua mais susceptível às perdas que o Nani.

- Eu confesso, que me fez confusão os teus prontos elogios ao Nani ainda antes dele chegar. Mas, a verdade é que parece que o impacto dele ainda é maior do que o que tu previste. Porque achas que percebeste logo isso, ao contrário de quase toda a gente?

- Isso tem sobretudo a ver com o nível da nossa Liga. E com a percepção que as pessoas têm do nível da nossa Liga. É por isso que depois exigem às nossas equipas na Europa coisas que elas não estão preparadas para fazer. Por falta de qualidade e de intensidade (no estímulo). O Nani é extremamente talentoso, isso creio que nunca ninguém o negou. Passa oito anos a treinar diariamente contra os melhores do mundo. Passa oito anos a competir com um estimulo competitivo incrivelmente alto. Se eu passasse oito anos a treinar naquele contexto e depois viesse fazer uns jogos a um campeonato como o português, até eu era jogador de futebol. As pessoas não têm qualquer noção. Eu não sei, mas desconfio que se tirássemos os três grandes, nenhuma equipa portuguesa conseguiria a manutenção numa liga inglesa, alemã ou espanhola. Nós tendemos a crer que os nossos é que são os grandes craques, porque nos habituamos a vê-los jogar com adversários muito fracos. Depois aparece um Leverkusen com um naipe de jogadores que tu desconheces mas onde do teu lote de craques se calhar não metias um no onze inicial deles. As pessoas não têm noção do quão fraca é a nossa liga. Há não muito tempo uma pessoa com um cargo importante num dos grandes do futebol português disse-me que lá fora os próprios jogadores dizem que o futebol na Europa acaba em Badajoz.

- Mas, Maldini, o Nani foi ultrapassado pelo Valência e pelo Young.

- Eu não sei porque isso aconteceu. Se calhar depois de oito anos o Nani não tinha um estimulo motivacional suficientemente forte para se apresentar ao seu nível. Mas, é óbvio que o Nani é muito superior a eles. E se calhar não podemos dar como garantidas as boas opções do United desde que perdeu Ferguson, não é? Mas, ainda bem que falas no Valência e no Young. São muito inferiores ao Nani e quando os vemos na Liga Inglesa chega a ser confrangedor. Mas, dúvidas de que na Liga Portuguesa teriam sempre um impacto do nível do do Salvio? É o mesmo perfil de jogador. Um Young ou um Valência teriam sempre um impacto forte numa liga onde a qualidade individual dos intervenientes é baixa. É a mesma história do Salvio, percebes?

- Ou seja, Maldini. Tu afirmas que o Salvio é pouco inteligente e portanto só tem impacto numa Liga onde os adversários são muito fracos. E mesmo assim tens dúvidas de que tanta perda, tanto condicionamento do ataque seja realmente compensador para o número de golos ou assistências que produz. E que o Nani é muito melhor que o argentino porque joga o que o jogo pede, e não se limita a um único perfil de decisão. Dizes-me ainda que o Nani está um nível acima do Gaitán porque como este também tem qualidades óbvias a construir e a criar, mas finaliza bastante melhor. É isto?

- Sim, de uma forma rápida e sucinta, creio que é isso mesmo que tentei explicar.

quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

Os bons e os melhores. Onde Sálvio é rei.

A diferença entre os bons e os melhores estará sempre nisto. Sabendo-se que as qualidades técnicas e físicas de Sálvio são de top, é uma pena que o cérebro não o acompanhe na devida proporção. Assim, será sempre um bom jogador, quando poderia figurar na mesma galeria dos melhores. A diferença tem um nome: tomada de decisão. Procura incessante do corredor lateral, procura constante de inferioridades numéricas, vertigem e precipitação. Busca pela notoriedade.
Os melhores, serviam-no numa bandeja para Gaitan. Sálvio é isto. Os melhores, ainda que seja a notoriedade a estar em causa, e sobretudo quando o resultado ainda está por fazer, oferecem as luzes aos colegas. Os bons tentam aparecer na ribalta. Os melhores dão o golo, os bons tentam fazer golo. Depois de um lance fantástico, Gaitan merecia aparecer a finalizar, Gaitan merecia que o lance tivesse tido outro final. 
Sálvio será sempre um jogador a ter em conta, e conseguirá sempre em campeonatos como o português ser rei. Mas, compensará o seu rendimento as centenas de vezes por jogo em que compromete a equipa?! Fica a questão.

Quintero e Tello, num grande golo do FC do Porto, pelo corredor central. Os golos sofridos pelos portugueses.

No primeiro golo do F.C.Porto, algo raro no futebol dos Dragões esta época. Isto sim é futebol adequado à qualidade dos executantes. O lance começa com uma triangulação entre Herrera, Casemiro e Quintero. Herrera inicia o movimento de aproximação à linha defensiva. Quintero, que fica com a bola, procura por soluções de passe próximas/válidas para tabelar, e iniciar o ataque ao bloco adversário sem bola. Encontra Tello, que poderia ter tentado o lance individual pelo corredor lateral sendo que se encontrava num 1x1. No entanto, toma a mais difícil decisão e execução do lance, e enquadra Quintero com um toque de frente para a última linha adversária. Depois disto, 90% do golo está feito. Quintero dentro do bloco, continua na busca por soluções de passe, fugindo (desta vez) a notoriedade, enquanto Jackson inicia um movimento de ruptura, arrasta o defesa, e abre espaço para Herrera receber e finalizar num 1x0. Quintero facilmente o descobre, e coloca-o na cara do golo. 
Fantástico!


"A bola está dentro, vem para fora pra voltar para dentro" e golo.

Quando Quintero perceber que o seu futebol deve assentar nisto, em acções colectivas, tornar-se-à um jogador marcante no futebol mundial. É esse o nível a que ele se candidata, dada a sua qualidade técnica e física.

Note que as coberturas do Bilbao estão orientadas por forma a fechar os corredores laterais. Pelo que a penetração central se torna quase que obrigatória. É sobretudo pelo movimento de Jackson que se percebe que a intenção de Lopetegui não é penetrar de forma apoiada pelo corredor central, mas sim explorar desde logo os corredores laterais e cruzar, ou colocar em Jackson na profundidade. Na altura em que Herrera começa a penetração central, na procura da profundidade (se fosse intenção de Lopetegui procurar envolvimentos frontais) Jackson deveria fazer o movimento oposto, saindo em apoio, surgindo como apoio frontal, para tabelar ou enquadrar. No dia em que Lopetegui deixar de tratar Jackson como se fosse Slimani o futebol do Porto dará um salto qualitativo brutal. O dia em que ele se preocupar em replicar mais este tipo de envolvimentos, privilegiando a criatividade por espaços interiores o Porto será absolutamente demolidor.

No golo sofrido, erro individual de Herrera (grande culpado) no início da construção. E de Maicon. Sabendo que se tratava de um lance difícil de travar, e que provavelmente daria golo na mesma, não soube piorar as condições para o jogador do Bilbao finalizar, melhorando também as condições para o seu Gr ter um papel fundamental no lance. Deu o espaço interior, quando deveria ter tentado empurrar o adversário o mais para fora possível.
Na Alemanha, o primeiro golo sofrido pelo Sporting incompetência da zona defensiva que não ganha a bola parada, e depois erro de Patrício, que teve a infelicidade de hoje ficar ligado ao resultado negativo do Sporting. No segundo golo sofrido, a já habitual incompetência da linha defensiva leonina. Desta vez até se encontrava junta, mas demasiado longe dos restantes sectores, para conseguir evitar danos maiores. É uma linha que não tem a mínima ideia de quando deve encurtar para reduzir espaços, ou baixar para proteger espaços fundamentais. No terceiro golo nova abordagem falhada da zona defensiva, em novo livre lateral. Demasiados erros para quem quer pontuar na Europa.

terça-feira, 21 de Outubro de 2014

Na Liga dos Campeões...

...os erros são mais notados, porque a qualidade dos executantes é superior. Isso implica uma maior velocidade de jogo, e menos tempo para se executar (com ou sem bola) aquilo que se pretende. É um jogo de xadrez em contagem regressiva. Cada decisão pede menos tempo de processamento, o que exige que os jogadores sejam extremamente competentes dentro daquilo que o treinador lhes pede. Como se sabe, Maurício não sabe o que é defender zona, dentro de uma equipa que o tenta fazer (?). Se não existir nenhum adversário na sua zona, normalmente, ele cumpre com o posicionamento mais acertado. Se por algum acaso aparece um jogador com a camisola de uma cor que ele não reconhece, de imediato passa a funcionar como segurança privado perseguindo-o para todo lado. Isso resultará, na maior parte do tempo, em menos tempo para corrigir as alhadas em que demasiadas vezes coloca a equipa, que se notam mais pela pouca competência dos seus companheiros de sector. A falta de competência de alguns colegas é um dos factores que não está a permitir que William evolua no sentido certo ao nível do posicionamento, por se ver de forma constante a apagar fogos em todas as zonas do campo. Também por isso, o Sporting passará a Champions a sofrer: por ter uma linha defensiva que por vezes não o é, e quando o é não percebe demasiadas vezes a que distância deve estar da bola (controlo de profundidade).

Marco Silva terá muito trabalho, numa época onde se exige como nunca em anos recentes no Sporting e a qualidade continua a não ser assim tão superior.

sábado, 18 de Outubro de 2014

O que é isso, Jonas?!

Que jogador encontrou o SL Benfica já depois do término do mercado!

Aquilo é tudo o que se idealiza como avançado! Qualidade técnica assombrosa, movimentação entre sectores e inteligência a procurar também as costas. Maravilhoso. Segura, espera, prende, temporiza, solta, sempre com um trato fantástico na relação com bola. Sempre de cabeça levantada a ver tudo o que o rodeia. 

Impossível não notá-lo, ali, no meio de tanta medíocridade. Cada toque a diferenciar-se de todos os outros. Cada decisão a mostrar que o seu campeonato é outro. Se Jonas é isto tudo, o Benfica está servido, próximo de como esteve quando Saviola passou por Portugal.

Porque colectivamente o Benfica é fortíssimo não se percebe a falta de qualidade em muitos dos seus jogadores quando apenas se substituem uma, duas peças no onze. Juntos sobressaem lacunas. Bebé é um Sálvio na gestão da bola e da posse. Sem os golos e as assistências do Argentino. Ou seja, é zero. Oliveira é o que mostrou no primeiro toque. Possibilidades de fazer golo daquele enquadramento inferiores a 1 em 1000. Nao se coibiu de rematar, porém. Linha defensiva com dificuldades em todas as vertentes do jogo. Mal posicionados, com muitas dificuldades técnicas. Benito um terror. Almeida sem a protecção do colectivo, fraco como sempre. César e Lisandro idem. Salva-se Pizzi. O português é o novo projecto de Jesus. Pela aparição percebe-se quem está a crescer na sombra para suceder a Enzo. Curiosas as semelhanças na forma como gere o jogo e progride com espaço, queimando linhas. Na forma como aparece mais à frente. Todavia, jamais terá a agressividade e a capacidade para chegar mais rápido ao espaço que Enzo tem. Porém, garantidamente que ofensivamente dará uma opção muito interessante.

Festival no Dragão

O Sporting é uma equipa! Traído muitas vezes pela falta de conhecimento e de experiência de / do jogo dos seus centrais. Mais uma vez, três, quatro bolas que o adversário recebe nas costas em situação de criar algo. Patrício defendeu uma. Deu golo na segunda e penalty na terceira. Fora as outras que entraram mas direccionadas para o corredor lateral. Mas, uma equipa. Os jogadores movem-se juntos. Bloco compacto. Atacam e defendem próximos.

Tudo o que o FC Porto não é. Dez jogadores soltos no campo esperando que o fabuloso Jackson consiga disfarçar a pobreza que é o colectivo azul e branco. 

"Saí para dar oportunidade aos adeptos do FC Porto apreciarem outro tipo de futebol" Vitor Pereira. 

Espera-se que agora os noventa porcento que nunca perceberam porque Vitor Pereira foi sempre aqui tido como um treinador de nível  mundial comecem finalmente a tentar entender um pouco o jogo. Vai acontecer igual em Lisboa quando Jesus decidir partir. Fica o aviso.

Jogo absolutamente perfeito de William. Sempre a sair com qualidade. Construindo e dando início à criação. Simplicidade a queimar linhas. A par de Nani é o cérebro que guia a equipa. Sem pressa, sem ansia. Esperando sempre pelo melhor.

O que mais impressiona em Nani não é sequer aquela classe que nunca se esgota, a capacidade de finalização, de criação ou construção ao alcance de muito poucos no futebol mundial. Não foi o golo, ou o passe a rasgar para Slimani. É na forma como temporiza, chama a si todos os adversários, prende, sempre com a confiança de que todos serão insuficientes. Maravilhoso o porto de abrigo da posse do Sporting. Há um lance aos 48 (se não me engano) que atrai quatro jogadores do FC Porto e faz a bola chegar ao corredor esquerdo já com o adversário totalmente desequilibrado. Cada acção que tem no jogo difere-o de todos os outros. Desde Pablo Aimar ao seu melhor nível que em Portugal não havia um jogador de nível tão mundial como o português. Oito anos a lutar por Ligas dos Campeões, agora interrompidos por um a contornar pinos numa Liga sem nível para si. Nem mesmo no palco mais complicado de todos. O dragão. Com Nani o Sporting, não sendo favorito é candidato a tudo em Portugal.

Clássico ao intervalo

- Porto zero colectivamente. Sem ligação entre sectores, nem no próprio sector. Zero com bola e pouco mais sem bola. Pouco de positivo para além das poucas vezes em que Adrian recebeu entre sectores e conseguiu enquadrar;

- Jackson. Com um Sporting péssimo no controlo da profundidade, o colombiano pode aparecer a fazer golos a qualquer instante. É soberbo na desmarcação de ruptura e enfrenta centrais sem a miníma noção do jogo de controlo de profundidade. Não são acasos os 1x0 que todos os jogos Rui Patrício enfrenta;

- William enorme. Maturidade sem bola, na forma como vai travando os ataques. Ou em recuperação ou em faltas sempre úteis. Incrível qualidade com bola, sempre naquele estilo vagaroso que acaba sempre por descobrir a melhor opção. 

- Nani. Festival de cuecas, mais cuecas e outras cuecas e cabritos. Golaço, e azar numa bola no poste. Prende adversários. Enfim, quarenta e cinco minutos de festival num estádio que não deve recordar uma exibição desta categoria em qualquer outro jogador adversário nos tempos mais recentes. Hoje os pinos estão a vestir de azul.

quinta-feira, 16 de Outubro de 2014

Prévia do Clássico na Taça de Portugal.

Assim foi o clássico de Alvalade durante praticamente toda a segunda parte. E tratava-se de um jogo para o campeonato. Imagine-se como será um jogo de Mata-MataDivertido, com certeza. Sobretudo para se perceber quem treina melhor situações de igualdade/superioridade, ou situações em que há tempo e espaço para acelerar contra a linha defensiva adversária. Com o jogo partido, poder-se-à expectar um grande lucro para as casas de apostas, sabendo-se em quão aleatório o resultado se poderá tornar.
Deixando as ironias de lado, espero que as duas equipas tenham evoluído muito nas suas respectivas organizações, para que se possa assistir a um jogo menos intenso e com mais qualidade. Pelo menos com qualidade colectiva ao nível dos melhores executantes em campo. Por favor não transformem isto num treino do ataque contra a defesa.