quinta-feira, 17 de Abril de 2014

Cristiano, a que se deve essa melhor performance?


"Tomo mejores decisiones en el campo, el hecho de haberme convertido en padre me ayuda a tener más sangre fría, a ser más paciente"



quarta-feira, 16 de Abril de 2014

Enzo e Nico

Coração e talento dos jogadores do ano em Portugal numa reviravolta altamente improvável. Depois da terrível asneira de Siqueira.

Mais uma lição defensiva.


O FC Porto sofre dois golos de duas rotinas ofensivas habituais do SL Benfica. Já tinha acontecido o mesmo em Alvalade. O cruzamento ao 2ºPoste, bem como a entrada de um 3ºhomem na área depois de uma combinação no corredor lateral, como no grande golo de André Gomes são muito vistos na equipa de Jesus.
Com superioridade numérica, ficaram visíveis as dificuldades na construção e criação do Porto.
A excelência defensiva do Benfica, como continuou a pressionar, subindo o lateral do lado da bola, deixando uma linha de 3 atrás para ganhar superioridade na zona da bola.

Contenção. Agressividade. Adaptação.

Vítor Pereira, numa de muitas entrevistas, disse que as ideias têm que servir os jogadores. Dando claramente a entender que, todos os princípios que ele colocava no seu modelo de jogo deveriam ir de encontro às melhores qualidades dos seus jogadores. Assim, percebe-se que os bons treinadores se adaptam aos jogadores que têm. Não quer isto dizer que a linha que guia o processo de jogo e de treino mude completamente o seu rumo, de acordo com jogador X, ou Y. Quer apenas dizer que há várias formas de interpretar os mesmos princípios de jogo, de acordo com o contexto.
Veja-se por exemplo os processos defensivos utilizados por Jorge Jesus e por Vítor Pereira. São dois processos de grande qualidade. Os dois guiam-se pela defesa à zona, com contenção e cobertura. Processos semelhantes nos grandes princípios, mas muito diferentes pequenos princípios. No pormenor percebe-se isso.

Para esta análise vamos focar no trabalho da linha defensiva, e linha média. Pode-se dizer que a forma como as equipas defendiam era consequência do sistema de jogo que utilizavam. O que não deixando de ser verdade, me parece algo redutor. Isto porque o Porto sempre foi mais agressivo, na contenção, que o Benfica. Tanto na linha média, como na linha defensiva. Mais do que conter a progressão do adversário, o objectivo era precipitar a decisão do portador da bola. O Porto pressionava, e era agressivo, porque tinha jogadores que lhe permitiam esse tipo de comportamento defensivo. Tinha monstros físicos (Moutinho, Fernando) e inteligentes, com uma capacidade de leitura das situações e ajuste posicional fora do comum (Lucho, Moutinho, Fernando). Por outro lado, os jogadores da linha média de Jesus, não tendo a capacidade física dos jogadores do Porto (capacidade de ocupar os espaços e ajustar tão depressa quanto os outros), também não tinham a inteligência na leitura dos lances deles (Matic como excepção). Por isso mesmo, Jesus opta por uma abordagem defensiva menos agressiva, com menos situações de adaptação rápida, com menos ajustes, logo permite que os seus jogadores tenham situações menos complexas de ler, com mais tempo para analisar e agir sobre os lances.
Essa adaptação das ideias aos jogadores, também é visível no trabalho das duas linhas defensivas. A do Porto sempre a agredir o portador da bola, a do Benfica posicionando-se por forma a tapar a progressão. A do Porto sempre mais perto da linha média, com mais espaço entre eles e o GR, com menos preocupações com o controlo da profundidade. A do Benfica, muitas vezes, com algum espaço para a linha média, com menos espaço entre eles e o GR, tudo isto resultante de uma maior preocupação com a profundidade. Jogar com jogadores que, do ponto de vista morfológico, mesmo errando, conseguem recuperar e chegar a todas as bolas, pela proximidade entre si (Mangala, Alex Sandro, Danilo, Otamendi), é completamente diferente de jogar com jogadores que, sendo ultrapassados, nem eles nem os seus colegas conseguirão recuperar, pela morfologia de cada um deles (Luisão, Garay, Maxi, Melgarejo).

Comparando as alterações que Jesus foi fazendo ao longo do tempo, essas modificações tácticas são fáceis de observar. No seu primeiro ano, com Ramires, Di Maria, Javi Garcia, Coentrão, D.Luiz, sentia-se mais confortável para pressionar no campo todo, procurando precipitar o erro. Nos anos seguintes, a abordagem foi sempre diferente, consoante os jogadores que iam entrando e saindo. Por exemplo, este ano, consegue que a linha defensiva jogue mais subida que no ano anterior. Isto porque, tem dois monstros físicos na frente (Rodrigo e Lima), que garantem pressão à toda largura e profundidade do meio campo ofensivo. Sendo que, o trabalho deles é essencial para causar o máximo constrangimento possível, ao adversário, não o deixando jogar directo, com qualidade. Assim, a linha defensiva tem menos preocupações com a profundidade, podendo ficar mais perto da linha média, e mais subida no terreno.

terça-feira, 15 de Abril de 2014

Um dia o Pirlo vai deixar de jogar. Mas é a tua ausência que mais sinto...

E o Riquelme e o Gerrard. E o Xavi e o Iniesta. Todos deixarão.

O Scholes que foi uma referência para muitos deles já deixou.

Demasiadas vezes é assim que sinto os anos a passarem. O Cantona, o Futre e o Van Basten foram os ídolos de menino, depois de me ter enamorado por ti. 

O Messi que é o melhor de sempre, porque é estupidamente perfeito em todas as acções que faz não humilha os adversários porque sim. Fá-lo sempre para aproximar a sua equipa do golo. Não bate nos adversários nem nos adeptos. É tudo demasiado perfeito, e eu não consigo apaixonar-me por alguém assim.

O Balotelli tem os seus momentos, mas não vai embora com a bola. O Ronaldo chuta bem mas há muito que é apenas uma máquina perfeita de marcar e vencer. Sem sentimentos. 

Não nascerá mais ninguém que me prenda à televisão a ver jogos do Sevilha. Gordinho como te recordo em Espanha, a fazer o que mais ninguém conseguia, ainda assim. Mais tarde ver-te aos dez anos a confessar os dois desejos secretos. Jogar um Mundial e ganhá-lo. Tinhas os mesmos dez anos quando o teu irmão garantiu que nunca iria ser como tu. Porque já ai eras um extra-terrestre. Como é possível adivinhar-se toda uma vida aos dez anos, penso.

Os miúdos do Benfica que ontem jogaram a primeira final europeia de futebol jovem talvez não precisem de nascer dez vezes para mais tarde representarem no escalão seguinte o seu clube. Mas o Messi, o Ronaldo, o Xavi, o Pirlo e o Riquelme, nem que nasçam cem criarão um momento destes.


“Balón para Diego, ahí la tiene Maradona, lo marcan dos, pisa la pelota, Maradona, arranca por la derecha el genio del fútbol mundial. Y deja el tercero, puede tocar para Burruchaga… siempre Maradona. ¡Genio, genio, genio! Ta, ta, ta, ta, ta … ¡Gooooooool gooooooool!
¡Quiero llorar! ¡Dios santo, viva el fútbol, golaaaazo! ¡Diegoooool!!! Maradona! Es para llorar, perdónenme. Maradona, en una corrida memorable, en la jugada de todos los tiempos,barrilete cósmico, de qué planeta viniste para dejar en el camino a tanto inglés?, para que el país sea un puño apretado gritando por Argentina. Argentina 2 – Inglaterra 0. ¡Diegol, Diegol!, Diego Armando Maradona. Gracias, Dios, por el fútbol, por Maradona, por estas lágrimas, por este Argentina 2 – Inglaterra 0."

segunda-feira, 14 de Abril de 2014

Lyon - Juventus. Primeiro quarto de hora.


Os primeiros 15 minutos foram bastante animadores. Sobretudo porque percebeu-se a intenção da Juve em jogar, como faz habitualmente, ainda que se trate de uma eliminatória a começar fora de casa. Pelo que isso abre boas perspectivas para o SLB, na procura dos espaços, uma vez que, abordando o jogo da mesma forma, não terá a Juventus afunilada em 30/40 metros constantemente, a tentar jogar apenas em transição.



Sobre a construção da Juventus, pouco a dizer. Nestes primeiros 15 minutos, seguiram aquilo que é o seu padrão normal nessa fase do jogo:

1- Procura dos alas no corredor lateral. Quando o consegue, tem no máximo um apoio ou uma cobertura. Se recebe no último terço, solução é o cruzamento. Nota-se isso pelo movimento dos médios a avançados assim que o ala recebe a bola nessa zona do campo. Ocasionalmente poderá surgir alguma combinação com um avançado, ou o jogar na cobertura por parte de um médio, ou do central do lado da bola. Quando recebe no segundo terço do campo, tem o apoio, normalmente de um médio. 
Pelo que, dá para aproveitar a falta de apoios que o ala tem (no máximo um, muitas vezes sozinho), criando superioridade nessa zona para recuperar a bola, e sair rápido em transição.

2- Procura da profundidade. Quer pelos avançados, quer pela entrada de médios vindos de uma segunda linha. Nesse momento, poderá haver movimento de aproximação do avançado para contrastar com o de ruptura do médio, por forma a confundir a linha defensiva.
Rodrigo e Lima serão muito importantes neste momento do jogo, para condicionar o momento de construção. A minha solução passaria por pressionar os centrais, obrigando-os a jogar nos alas, que sem apoios seriam "presas fáceis" para a recuperação de bola por estarem entregues à sua capacidade individual.


Nos próximos dias, analisaremos o que sobra deste jogo.
Sobre as individualidades, já analisadas, aqui.

"Listen! This is gone! We go Norwich! Exactly the same! We go together!"

RESPECT

Porque as grandes equipas têm grandes lideranças e grandes senhores.


Criatividade e desequilíbrios entre sectores. Markovic e Gaitán.

"Com Salvio e Sulejmani em simultâneo o que ganha em condução para a profundidade e capacidade de finalização, perde e muito em criatividade e inteligência no espaço entre linhas o Benfica. Uma espécie de trocar dois extremos móveis, modernos, capazes de desequilibrar em todo o espaço intersectorial adversário, por dois extremos mais tradicionais, mas que ainda assim finalizam. " Aqui.


Exemplo prático:



domingo, 13 de Abril de 2014

Um entre vários pardos no Braga



A inteligência de Barbosa, Viana, Mossoró foi substituída pelas correrias de Agra (já transferido), Pardo e outros que tais. Talvez sejam vistosos os reforços que o Braga trouxe para a presente época. O problema é que isso está bastante longe de ser uma mais valia. 

O Braga hoje é um ataque de década 80 ou 90. E a classificação reflecte a bem menos qualidade individual face ao passado recente.

Liverpool. Os melhores 45 minutos da Premier.


Dez vitórias consecutivas na Premier, o corolário do trabalho de duas épocas com a hipótese de lutar pelo campeonato até ao fim. Sendo que, tendo vencido o Manchester City fica com o título nas suas mãos, o maior desafio está ainda por chegar. O Chelsea, de Mourinho, é a equipa mais competente do campeonato inglês, em organização defensiva. Pelo que será difícil parar um Chelsea que se preparou durante toda à época para este tipo de jogos. Os jogos dos detalhes, da estratégia, e onde quem defende melhor (com e/ou sem bola) costuma vencer.

As semelhanças:

Carências ao nível da organização da linha defensiva e da linha média. City e Liverpool precisam de melhorar muito a sua organização defensiva, para que no futuro possam competir por títulos europeus. Competições essas que estão talhadas para o detalhe, sendo que a organização defensiva é um "detalhe" muitíssimo importante nessas provas.

Ao nível da organização ofensiva, são duas equipas que procuram construir para criar no corredor central. Como aqui defendemos, a predilecção pelo corredor central é a melhor forma de criar situações de golo por ter mais e melhores opções. Não quer isto dizer que as duas equipas não tenham optado por jogar pelos corredores laterais. Quer apenas dizer, que na maior parte do tempo, na criação, a bola entrava/saia do corredor central.


Em transição defensiva, a intenção das duas equipas é tentar recuperar a bola na zona onde ela foi perdida. Mais o Liverpool que o City. Talvez por uma melhor apreensão por parte dos seus jogadores daquilo que o treinador pretende, por estar no seu segundo ano no clube.

Duas equipas com criatividade, e construídas de forma a que os mais criativos se possam expressar da melhor forma.

As diferenças:

Sobretudo a transição ofensiva. O Liverpool procura/ou sempre explorar as transições de uma forma muito vertical. Acelerou invariavelmente para a baliza contrária assim que recuperava a bola. Ainda que fossem lances de bola parada, Mignolet procurava lançar sempre o contra-ataque assim que agarrasse a bola.
Ao nível da organização ofensiva, o Liverpool procura jogar em ataque rápido. Troca bem a bola, procura o corredor central, mas na maior parte do tempo em "explosão".

O Manchester City, mais calmo ao nível da transição ofensiva, com um bom critério entre saídas para contra-ataque, ou para organização ofensiva. Mais paciente na forma como organiza o ataque, procurando empurrar o adversário para os últimos metros, e depois decidir o melhor rumo para o ataque seguir.

O Jogo:

O Liverpool tem os melhores 45 minutos da Premier League. Entra sempre muito pressionante, no campo todo, com transições fortes (ofensivas e defensivas), e com critério na forma como constrói os seus ataques em organização. Não é de estranhar o elevado número de golos que consegue marcar, consecutivamente, antes do intervalo. É no entanto impossível manter os índices de agressividade por mais tempo do que isso, sem que a equipa se revele competente na gestão do jogo, com bola. O Liverpool não o sabe fazer. Sai sempre em contra-ataque, ou em ataque-rápido, pelo que os jogadores estão constantemente em grande esforço físico, e mental.
Assim, emerge o City na segunda parte, com uma entrada mais calma do Liverpool em jogo. Com menos pressão, com linhas mais baixas, o City, com a qualidade individual que tem, e com os bons princípios ofensivos ao nível da construção e criação, tomou conta do jogo.

Individualmente podem elogiar-se, no Liverpool, Mignolet, Glen Johnson, Suarez, Gerrard e Sterling. Coutinho e Sturridge estiveram longe do nível que têm demonstrado, sobretudo ao nível das decisões nas zonas de criação. As suas más decisões poderiam facilmente ter custado a vitória à equipa. Por outro lado Suarez mostra-se cada vez mais competente na relação com os colegas, e não se poupa a esforços para os servir. Sterling mostra muita qualidade técnica, e física. Procura espaços interiores, assim como o corredor lateral, mas sempre com a cabeça levantada na procura dos colegas. Gerrard enorme com e sem bola. Fundamental em zonas recuadas de construção, e nos ajustes quando a equipa perde a bola. No City pode falar-se de Kompany, Silva e Nasri. Todos ao seu nível habitual.

Resta-me desejar sorte a quem, com muito menos recursos, consegue desafiar as probabilidades e operar um verdadeiro milagre, ao nível da qualidade de jogo e dos resultados.

sábado, 12 de Abril de 2014

Que a sorte sorria aos corajosos

Que sorria a Lito Vidigal.

Com pouquíssimo tempo para impor e trabalhar novas ideias, soltou lá para dentro os mais inteligentes, os mais talentosos. Os melhores.

Tiago Silva, Fernando Ferreira e Miguel Rosa sempre em simultâneo. Não há Bilhetes de Identidade nas escolhas.

Tudo é possível porque a mudança foi feita mesmo no limite. 

sexta-feira, 11 de Abril de 2014

Galderisi, Galderisi... Qualidade individual e qualidade colectiva.


"O Benfica é uma equipa rica em qualidade. O facto de muitos dos seus jogadores serem muito bons individualmente não afeta o seu jogo coletivo." Galderisi, treinador do Olhanense.

Galderisi, claro que não afecta. Mas, talvez devas rever o conceito do que é um bom jogador individualmente. Todavia, é garantido que a tua afirmação cai bem aqui, depois das discussões mais recentes.

Nós ajudamos, Galderisi. É óbvio que os muito bons jogadores individuais não afectam o jogo colectivo. Os que afectam o colectivo são aqueles que não são bons jogadores individuais, mas que o disfarçam bem...



Pensar como um dez. Hummels.

Uma grande aula de construção, tomada de decisão, criatividade, e qualidade técnica, do fabuloso DEZ alemão. Tenho aprendido e apreendido tanto com as soluções que este tipo de jogadores encontra. Incrível! Quanto a mim, com bola, o melhor central da actualidade. Não se compreende é muito bem, como é que os grandes "tubarões" europeus ainda não tentaram a sua contratação. Anda tudo a dormir.
Aqui, o Maldini explica: O passe que antecede a assistência, e o passe que antecede o passe que antecede a assistência. Tão importantes quanto a assistência. Mesmo que com menor notoriedade.



Erro ofensivo


Sobre o 2º golo do Sevilla, para mim, erro ofensivo do Fabiano. Sem qualquer tipo de erro defensivo evidente. Sem grande culpa para Danilo. A bola de Fabiano foi uma treta.

quinta-feira, 10 de Abril de 2014

De sola, Neymar? Adoro! E o talento que tem de ir ao Brasil.

Maravilhoso lance de Neymar.

Mister Paulo, e ir a Madrid negociar com esse menino o regresso? William, Tiago e Moutinho. É esse o meu meio campo.

quarta-feira, 9 de Abril de 2014

Pensar como um dez. O passe que antecede a assistência, e o passe que antecede o passe que antecede a assistência. Tão importantes quanto a assistência. Mesmo que com menor notoriedade.

"Remato pouco porque procuro sempre a melhor opção. Penso sempre o jogo como um dez" Gaitán.

Curiosa a afirmação sobre as suas decisões com bola. Pensa sempre como um dez. É esta a diferença que temos apregoado desde o início do blog há seis anos atrás, do futebol idealizado nas décadas passadas para o jogo moderno. 

O pensar como um dez é uma óptima afirmação num sentido figurado. Na actualidade, todos os que pisam o relvado devem ter tal preocupação. Pensar como um dez. A cada momento em posse ao atleta cabe perceber qual o melhor caminho. Importante interpretar o "pensar como um dez" com o anterior "procuro sempre a melhor opção" e não como o pensamento de Carlos Martins e outros que tais, sobre como deve pensar um dez. Isto é, só ver e procurar passes de ruptura e notoriedade a cada posse.

Os melhores laterais, os melhores centrais, os melhores trincos, os melhores avançados, os melhores extremos. Os melhores jogadores. Todos pensam como um dez. Se há quem esteja em melhor posição (mais dentro? menos oposição? mais espaço? mais tempo?) para receber a bola, esta tem de entrar lá. 

Pensar como um dez, não é de forma alguma restringir a individualidade e ou criatividade. De facto, quem nos segue há bastante tempo percebe que o que está em causa não é o discordar com o drible ou com a iniciativa individual. Pelo contrário, tais iniciativas devem até ser estimuladas, desde que integradas num contexto colectivo. Porque se elogia tanto a progressão de Enzo? O que está em causa é integrar as acções onde elas devem ser inseridas. Identificar o tempo e espaço óptimo para as acções. Sejam elas o passe, a condução ou o drible.

Pensar como um dez deve ser apanágio dos onze jogadores de cada equipa. Procurar sempre a melhor opção significa garantir melhores possibilidades de sucesso. Por vezes tal afasta-te da notoriedade. Porém, aproxima a equipa do golo. Um exemplo muito grande no último jogo do SL Benfica é até o passe que antecede a assistência de Gaitán. Sílvio, provavelmente involuntário, porque pareceu uma má recepção, mostrou o melhor caminho. Com milhares de outras equipas e outros jogadores, sabe o que teria acontecido? O lateral recebia, esperava pela desmarcação do extremo para a linha. O extremo desmarcava pelas costas, recebia e cruzava para um qualquer corte de um defesa. Naturalmente que tal caminho teria sempre algumas probabilidades de terminar em golo. Porém, imagine vinte vezes o lance a seguir por ai e outras vinte a seguir pelo caminho que os jogadores encarnados lhe deram. Qual aproxima muito mais a equipa do golo? Decidir bem, é uma questão de aumentar as probabilidades de fazer feliz a equipa.

Pensar como um dez é valorizar toda e qualquer acção que aproxime a equipa do golo e não procurar a notoriedade a cada toque. Não procurar ficar na ficha do jogo a qualquer preço. Mais do que qualquer outra característica a diferença dos grandes para os medíocres é a forma como privilegiam o sucesso colectivo independentemente da notoriedade pessoal.

José Mourinho. Modelo de jogo. Incongruência. Evolução?!


A primeira de muitas, efusivas, e mais célebres manifestações de alegria por parte de José Mourinho tiveram um significado especial na minha formação enquanto treinador. Desde que chegou ao Benfica, tendo passado pelo Leiria, pelo Porto, tendo tido continuidade no Chelsea, foi um treinador que sempre me impressionou por tudo o que fazia. Pelo método de treino, pelo rigor no seu trabalho, pelo "circo" que montava na imprensa, pela defesa dos valores da equipa e protecção dos seus jogadores. Mas, aquilo que mais me impressionou, desde sempre, e que para mim era a grande bandeira do brilhante treinador português, foi sempre o modelo de jogo distinto. Organização colectiva de grande qualidade, em TODOS os momentos do jogo. Defensivamente fortíssimo, com zonas de pressão fantásticas. Em transição ofensiva letal, pela sistematização desse tipo de lances no treino, e pela qualidade na tomada de decisão dos seus jogadores. Em organização ofensiva, como poucos no mundo. Futebol de posse, posse de qualidade, criatividade, superioridade numérica constante no meio campo, onde os médios eram (a excepção de Costinha) elementos de grande capacidade cognitiva e qualidade técnica. No fundo, a superioridade do modelo de Mourinho para outros era tão grande, que não foi de estranhar a avassaladora conquista consecutiva de títulos, em Portugal e fora de portas. Mourinho mostrava o futuro do futebol. Mourinho era, então, o melhor treinador do mundo, por larga margem.

"Quero alcançar melhores resultados com um futebol mais alegre"

"Para mim, a beleza no futebol passa sobretudo por ter o controlo do jogo através da posse de bola, dos ritmos de jogo, trocas de passe e os jogadores criativos terem preponderância dentro do colectivo." 
Mourinho, in A Bola.


Mourinho dizia-me: "Assumir sempre os jogos, não se descaracterizar perante os adversários, é uma característica das minhas equipas. Já o era quando treinava o União de Leiria, que era uma equipa que não tinha essa obrigação. Para mim, o mais importante é sempre a nossa própria equipa e não o adversário"

"Ter um modelo de jogo perfeitamente definido e não fugir dele, acreditar nele, é um aspecto marcante das minhas equipas. E é fundamental que assim aconteça"
"Eu não vou para nenhum jogo em que a organização defensiva me exija mais do que a organização ofensiva. Assim como não vou para nenhum jogo sem que todos os jogadores tenham a sua função ofensiva e defensiva. Inclusivamente, o guarda redes tem a sua função ofensiva."

"Não consigo dizer se o mais importante é defender bem ou atacar bem, porque não consigo dissociar esses dois momentos."


"Acho que a equipa é um todo e o seu funcionamento é feito num todo também."

"Penso que isso tudo está demasiado interligado para eu fazer essa separação"

"Numa equipa que quer ser de topo, todos os jogadores têm de participar nos quatro momentos do jogo... guarda redes incluído"

"Algo que para mim também é muito claro é que, para se assumir o jogo, é necessário ter a bola. Assumir o jogo é ter a bola e usufruir dela."

"A minha ideia táctica principal passa por termos noção clara da coisa mais importante do futebol moderno para além de marcar golos: ter a bola."


"Campo grande a atacar, linhas juntas a defender; uma reacção forte à perda da posse de bola; uma estrutura fixa em termos posicionais e uma estrutura móvel, ou seja, há jogadores que têm posições fixas no campo e há outros que, pela sua dinâmica, têm mobilidade, apesar de haver sempre equilíbrio posicional"

"Gosto que a minha equipa seja uma equipa com posse de bola, que a faça circular, que tenha muito bom jogo posicional e que os jogadores saibam claramente como se posicionam. 
Aliado a isso, defender bem e ter qualidade individual também são aspecto cruciais."

"Há equipas exageradamente preocupadas com o aspecto defensivo e, muitas vezes, no jogo, têm grande dificuldade em sair de uma situação de pressão para uma situação de posse. Esse é um aspecto que eu trabalho imenso: a saída após recuperação da posse de bola. Isto é, ter a capacidade de jogar de uma forma a defender e, depois, em posse de bola, modificar aquilo que é fundamental: a recuperação das posições em campo, o tirar a bola da zona de pressão, etc."

"Para além da posse e circulação, outro grande princípio que facilmente se identifica nas minhas equipas é o «pressing» alto zonal. E, para mim, o pressing não é mais do que um meio para se recuperar a posse de bola e só faz sentido se depois a equipa souber fazer uso dessa posse."

"Quando cheguei ao Leiria, a União jogava com muita gente atrás da linha da bola, num sistema de contra-ataque ou ataque rápido, e a sua organização ofensiva era muito fugaz. A minha intenção era torná-lo numa equipa mais dominadora, com mais tempo de posse de bola, com mais iniciativa de jogo, com mais controlo sobre o jogo e que jogasse mais em continuado. E, nessa perspectiva, a equipa teria que defender bem, mas sem utilizar o principio da «povoação», porque há equipas para as quais defender bem significa «povoar» muito. Portanto, as dificuldades que se criam ao adversário não são pela qualidade do jogo defensivo, mas sim pela aglomeração dos jogadores. Se uma equipa da terceira divisão com maus jogadores, mas onze jogadores todos eles em situação defensiva no primeiro terço do campo, for jogar contra o Real Madrid, o Real Madrid vai ter sempre algumas dificuldades. Agora, aquilo que eu quero é defender bem, mas não pelo princípio da aglomeração de jogadores."

"Para mim, defender bem é defender pouco, é defender durante pouco tempo, é ter a bola o mais tempo possível, é estar a maior parte do tempo com a iniciativa de jogo, não tendo necessidade de estar em acções defensivas. Para outros, defender bem é defender de uma forma compacta, é defender, por exemplo, com todos os jogadores atrás da linha da bola, retirando espaço aos seus adversários. Para outros ainda, defender bem é anular, sob o ponto de vista individual, os jogadores fundamentais da equipa adversária. Para mim, defender bem é uma mistura de «pouco», em termos de quantidade de tempo, mesclado com o momento da perda da posse de bola."


"Pode-se defender bem em qualquer lugar. Agora, eu prefiro defender longe da minha baliza, porque, quando recupero a bola, estou mais perto da baliza do adversário, que é o meu objectivo no jogo."

"Há quem diga que os jogadores mais criativos - aqueles com grande potencial ofensivo - devem ser poupados ao nível das tarefas defensivas. Eu penso que quem disse isso percebe pouco de futebol! Quem diz isso ou é o adepto comum, ou é o jornalista ou o crítico que, como quase todos, sabe pouco de futebol, ou é o treinador que ainda não chegou ao topo ou que já esteve e já desapareceu. Porque, no futebol de hoje, esses conceitos estão completamente mortos. Os onze jogadores têm que saber o que fazer em posse de bola e os onze jogadores têm que saber o que fazer quando o adversário tem a posse de bola."
Citações retiradas do livro de Bruno Oliviera, Nuno Amiero, Nuno Resende, e Ricardo Barreto, de 2006: Mourinho. Porquê tantas vitórias?

Assim, nesta época, o treinador português encheu-me de esperança ao ouvir no início da época, as suas intenções para com o modelo de jogo do Chelsea.


Mas as incongruências desde cedo se vislumbraram. Veja-se as mudanças que operou contra o Everton, uma equipa sem qualidade individual que se compare ao Chelsea. No qual o treinador também está no seu primeiro ano de trabalho. Mourinho mudou demasiadas vezes o seu modelo, para que as regularidades que dizia querer se manifestassem com qualidade, consecutivamente. Tudo em nome de uma ou outra vitória, onde a equipa foi tendo reforço positivo de comportamentos, que contrastavam com as suas intenções iniciais.



Depois do jogo de ontem, que não vi, é o treinador com mais presenças em meias finais da Liga dos Campeões (8). Depois desta época, é um treinador talhado para provas a eliminar. Que trabalha o seu modelo para os jogos "grandes". Mais uma vez, depois do Chelsea, Mourinho constrói uma equipa que não se sente confortável quando está em posse, em organização ofensiva (aqui). Assim, nas suas palavras, a equipa não quer assumir o jogo. Não joga como os grandes. Espero que o próximo ano traga as mudanças que Mourinho prometeu no início da época. Espero que depois do mundial eu tenha "o meu" Mourinho de volta. Aquele que não muda em nome de vitórias esporádicas. Aquele que no longo prazo, em provas de regularidade, demonstra superioridade ao nível de jogo, sobre todos os outros. Aquele que no final, vê isso mesmo reflectido na tabela classificativa, sem que equipas de menor valia individual consigam beliscar o seu percurso. Integrando isso na mais valia que é a forma como prepara os grandes jogos, e a consequente vitória no campeonato em que participa.


terça-feira, 8 de Abril de 2014

Tomada de decisão / Critério. Gaitán, Markovic e claro, Enzo.

"...era difícil contrariar, frente a uma equipa com a qualidade do Benfica. O Benfica define com muito critério" Nuno Espirito Santo.

E tudo feito a uma velocidade incrível para aquela que é a realidade do campeonato português. Foram 45 (os que pude assistir) minutos de enorme qualidade. Defensiva, no pressing asfixiante que valeu inúmeras recuperações de bola alta, e ofensiva na forma como após a recuperação o Benfica chegava rápido e bem às imediações da área adversária. 

Gaitán e Markovic completamente "domados" ("se ele me cria uma vez e perde a bola, se me cria duas vezes e perde a bola, sistematicamente colocando em causa o que é o colectivo, ai isso para mim não é criatividadePara mim ele está a recrear, não está a criar para a equipa." Vitor Pereira) deram um salto qualitativo enorme. O argentino de época para época faz o seu melhor ano no SL Benfica (há não muito havíamos referido que ter perdido tudo num curto período de tempo e a desilusão inerente a tal, fez o argentino crescer enormidades. Finalmente percebeu prioridades). E impressiona que um miúdo de 19 anos, primeiro ano de sénior, com tantas qualidades individuais tenha tido a humildade de perceber que o mundo não gira à sua volta e se tenha entregue à equipa da forma como Markovic o fez. Será uma estrela do futebol mundial se mantiver as prioridades direitas. 

Não há no futebol do Benfica quem o emperre. Mesmo que por vezes as decisões não sejam as melhores, todos procuram jogar para a equipa e não para si. A bola circula em largura, em profundidade. A todo o instante se procura o colega em melhor posição para receber, e a todo o instante há várias opções de passe, fruto de um modelo extremamente bem trabalhado e consolidado. Excelência total de quem o idealiza (ao modelo) e momentos de excelência de quem o interpreta.

Os génios somam. Estão no colectivo. São onze jogadores, e não 10+1.

E depois há...o melhor de todos. Enzo Perez. É quem mais desequilibra. A facilidade com que quebra a primeira linha de pressão é assustadora. É o argentino quem desequilibra todo o adversário, porque a si chama sempre jogadores de outros espaços que tiveram de sair e compensar quem foi ultrapassado. Jogando contra Perez, cortar linhas de passe não é opção porque o argentino pega na bola e vai embora em condução. Pressioná-lo é deveras complicado e deve ser feito com pinças. Uma abordagem mais reactiva e fica-se para trás porque ele sai pelo lado contrário, sempre em condução. Somando tudo à sua agressividade defensiva e cultura posicional e temos o melhor jogador da presente Liga. 


segunda-feira, 7 de Abril de 2014

Silva vs Gaitan



Estava a ver o jogo com o Maldini e lembrei-me logo disto

Quando chegou, Gaitan era um brinca na areia com um potêncial tremendo. Com o passar dos anos transformou-se num jogador fantástico, que cada vez mais dá tudo pela equipa. Sabe que o colectivo é o mais importante e percebeu que o sucesso da equipa é também o seu sucesso.

domingo, 6 de Abril de 2014

Segundo golo do FC Porto. Ghilas, está lá tudo. E não esquecer o primeiro nem o terceiro.

Maravilhoso Ghilas. É assim que se ultrapassa de forma mais fácil as linhas adversárias. Uma tabela. Quem dá a bola e inicia o movimento de ruptura acabará sempre por receber na frente porque vai em corrida, contrastando com o posicionamento dos defesas, parados e de costas para a zona onde a bola será endossada no segundo passe. 

Desequilibrar é isto. Procurar as melhores soluções a cada momento para chegar ao golo. Ghilas não é só o melhor ponta de lança da Liga. É também e com larga margem, o melhor extremo do FC Porto. Não sendo extremo.

Maravilhosa toda a envolvência do primeiro golo do FC Porto bem cedo na partida. Uma felicidade para o treinador do FC Porto que a bola não tenha nunca caído nos pés de quem estrague 9 a cada 10 bolas que toca. Fácil a decisão no terceiro golo, de jogar em quem está em apoio, numa posição mais central, em melhores condições de ser bem sucedido e conferir mais imprivisibilidade à continuação da jogada. Três golos em 45 minutos numa equipa que desde Janeiro se habitou a marcar muito pouco.

Golos podem ser vistos aqui.

sábado, 5 de Abril de 2014

Definição de classe

Poderia ser esta. Tornar muito fácil o que é difícil. É isto que William faz de cada vez que toca a bola. E sempre de cabeça levantada. 

David Silva

Quando o talento está acompanhado de capacidade cognitiva o futebol torna-se fácil.

David Silva mostra, numa situação onde recebe dentro da área, com possibilidade de remate com o seu melhor pé, o que é a tomada de decisão. É facilitar o caminho para o golo. Criar melhores condições de ataque. Tornar a acção que se segue mais provável que a anterior. Ou alguém é capaz de dizer que o facto de ter temporizado para a entrada de Nasri, permitindo ao seu colega finalizar em melhores condições que as dele, não é mais provável que se tivesse rematado logo?

Ainda que Nasri tivesse falhado o golo, Silva fez por aproximar ainda mais a sua equipa do objectivo (golo), aumentado as hipóteses de êxito. Pelo que fez o melhor para a equipa, ainda que a possibilidade de fazer golo (rematando) lhe pudesse dar mais notoriedade. Utilizou a sua qualidade individual em prol do colectivo.
Tomada de decisão é isto. Não garante, mas melhora.

E para os que perguntavam sobre como defino criatividade, este lance é um exemplo. A grande maioria dos jogadores rematava. Silva encontrou uma muito boa solução (melhor que a minha), diferente daquilo que "vem nos livros".

A teoria é a reflexão da prática

Há quem pense que, por não ter formação académica, Jesus é um treinador que pouco conhecimento teórico tem, sobre o jogo. E por isso, por Jesus ter sucesso, desvaloriza em absoluto a vertente teórica do jogo. E esse pensamento está, do meu ponto de vista, errado. Percebe-se que Jesus é um obstinado pela teoria, não só pela forma como a sua equipa joga, mas sobretudo pela sua mensagem. Quem diz algo como, "quem só pratica repete, e quem repete não evolui", deixa evidente a necessidade de teorizar de forma constante sobre o treino, e sobre o jogo, para que não seja ultrapassado pelos seus rivais. Ainda que sem formação académica, Jesus diz que teoriza todos os dias, no final de cada treino, no final de cada jogo. Discute tudo com os elementos da sua equipa técnica. E tenta, com essas conclusões teóricas, melhorar o nível da sua equipa.

Muitos também pensarão que, 99% dos artigos aqui expostos têm índices teóricos demasiado elevados, para que isso se possa traduzir na prática. Nada mais errado. O que fazemos aqui no blogue, 99% das vezes, são reflexões que usamos no nosso dia-a-dia, com o objectivo de melhorar as performances das nossas equipas. São discussões que temos uns com os outros, com outros colegas, com jogadores, com dirigentes, com adeptos. São conclusões que encontrámos todos os dias, como forma de resolver os problemas que o jogo traz ao nosso quotidiano. São estratégias de feedback que utilizaríamos com os nossos jogadores. No fundo, analisamos cada equipa, cada jogador, cada modelo de jogo e de treino, como se fosse nosso. E assim, mostrámos teoricamente como resolveríamos os problemas na prática. Como se enquadrariam os erros nos exercícios de treino. Como abordávamos o jogador (equipa) relativamente à performance no jogo anterior.

Aqui, neste espaço, ao contrário do que alguns pensam, fazemos reflexões cujo grau de aplicabilidade na prática, tendo em conta o nosso entendimento do jogo e do treino, é de 100%. A reflexão do jogo e do treino é feita de forma igual, independentemente do escalão que treinas, ou competição que enfrentas. É uma análise contextual, sobre os factores que mais nos ajudam (treinadores) a tirar rendimento do treino, para o jogo. Seja qual for o objectivo do treino (desenvolvimento/formação, criação de ferramentas que permitam o sucesso colectivo, valorização de jogadores).

Se estamos certos ou errados, com o tempo se verá. Mas ninguém nos tira a convicção, dada a nossa constante reflexão sobre o jogo e sobre o treino, que daqui por mais 10/20 anos o que aqui escrevemos seja absolutamente óbvio para todos.

O poder de um grande colectivo

Defender encurtando ao máximo o espaço quando portador da bola adversário sob pressão. Baixar momentaneamente a última linha controlando a profundidade com bola descoberta. Pressionar em bloco, campo muito curto. Após a recuperação da bola, afastar rápido, com toda a gente a saber exactamente onde estarão os colegas. Ofensivamente oferecer sempre quatro linhas de passe próximas ao portador. Movimentação / mobilidade, ao redor do portador, garantindo que com opções, este não fica exposto, permitindo-lhe não ter perdas, e no momento em que as tem assegurar uma transição defensiva eficaz pela proximidade de jogadores no espaço onde a bola é perdida. 

Num post recente não ficou bem claro o que se pretendia dizer. Jorge Jesus não é bom porque pode chegar a três semi finais europeias em cinco anos. Chega lá porque é bom. É diferente. E é bom porque as suas equipas são em toda a Europa do futebol das que revelam traços mais acentuados. Identidade mais visível do que é o trabalho de um treinador. E bom. Por isso o Benfica passou de uma percentagem inferior a 60% de vitórias nos jogos que disputava (sendo que por eliminado cedo em todas as provas, o grau de dificuldade era sempre menor), para uma percentagem superior a 70%. Não é por ganhar que é bom. É por ser bom que ganha quase todos os jogos. Por esta altura é bem capaz de já ter vencido mais jogos fora em competições Europeias que todos os outros ex Benfica juntos nos últimos trinta anos. Já era bom na época passada em que não venceu qualquer troféu.

Tudo isto a propósito da magnífica entrada de André Almeida no meio campo do SL Benfica em Alkmaar. André é um jogador pouquíssimo talentoso. Não é criativo, tão pouco revela qualidades na relação com bola. Na verdade, excepção à leitura que faz dos lances em termos posicionais, não se conseguem perceber grandes qualidades em Almeida. Todavia, inserido num grande colectivo, tudo se desvanece. É curioso que hoje há quem pense que ter Fejsa em detrimento de Matic valeu ao SL Benfica um salto qualitativo. Já havia sido assim com bastantes outros jogadores que acabaram transferidos. A qualidade individual não aumentou. O colectivo é que segura as individualidades. Os dois Andrés da segunda divisão chegaram a internacionais em menos de uma época. E é curioso verificar que fora do seu habitat (o colectivo do SL Benfica) não têm conseguido mostrar qualidades. Gomes, num Mundial sub 20, apenas a defrontar miúdos da sua idade, foi uma enorme decepção. 

No campo oposto, e após toda a perda de um jogar magnifico, é curioso verificar o que jogam hoje Danilo, Alex Sandro, Mangala, Otamendi (entretanto partiu), entre outros. Imagine que opinião se teria hoje de qualquer um dos valiosos jogadores azuis e brancos, se não tivessemos num passado recente, quando inseridos num grande modelo, percebido a enorme mais valia que todos são. O melhor, individualmente, quarteto defensivo da Liga hoje parece um grupo de desalinhados. 


sexta-feira, 4 de Abril de 2014

O mito do maior talento em Portugal

Ricardo Quaresma é mais talentoso que Cristiano Ronaldo. Só não é o melhor do mundo, por não ter cabeça. É essa a tese que os que mais gostam do extremo usam, para justificar os sucessivos fracassos. E é bem verdade. Mas não no sentido que se confere ao termo "ter cabeça. Quaresma não tem cabeça, para pensar futebol! Não é por bater nos adversários, não é por ser mauzão, por querer mandar no treinador, por ser mau colega, por querer bater nos adversários, por não se cuidar fora do treino, ou ser indisciplinado dentro dele, que Quaresma não teve sucesso. Ele não o teve, porque não joga nada. Uma batata pensa mais no jogo do que ele. Assim, aos que defendem Quaresma na selecção, eu digo não obrigado. Há extremos nos juvenis do Porto mais aptos a jogar futebol que ele.


Peço desculpa, por vos ter obrigado a perder quase 4 minutos da vossa vida com um artigo que de futebol tem muito pouco, num espaço onde vocês procuram por mais e melhor futebol.