domingo, 22 de maio de 2016

Que qualidade tem o menino!

Grande qualidade técnica, capacidade para perceber o momento de pedir em ruptura ou em zonas de finalização e os momentos para baixar e receber no pé. E com que qualidade recebe no pé! O gesto técnico no golo do empate personifica a exibição.  De classe. Quão mais poderia dar numa equipa com um jogo mais pensado!


P.S. - Para já, pagou caro a opção por abdicar de jogar, a equipa bracarense.

Final da Taça de Portugal. Contra quem prefererias jogar?



sábado, 21 de maio de 2016

Lógica Cruyffiana

Portugal acaba de arrecadar o troféu no europeu de sub17, e está de parabéns por isso. Sempre tendo claro que a importância das vitórias nestes escalões é muito pouca, e que estes torneios devem servir essencialmente para desafiar, testar, evoluir, os jogadores desta categoria que necessitem deste tipo de estímulo. Mais do que a prestação portuguesa, ou espanhola, importa-me destacar aquela que, para mim, foi a melhor exibição individual da final de hoje. Manu Morlanes. Médio do Villarreal e capitão da selecção espanhola. Cruyyf dizia que o mais difícil no futebol é jogar simples, e este jogador espanhol encarna na perfeição esse modo de pensar. É impressionante porque com a idade que tem joga para as decisões. Não dá nem mais um toque do que aqueles que precisa para decidir o lance. E para tal, para jogar tantas vezes ao primeiro toque, de frente ou de costas, com ou sem pressão, é preciso ver antes. Estar sempre atento ao que está a acontecer à sua volta, ao posicionamento dos colegas, e ao posicionamento dos adversário. Por isso, consegue ser mais rápido do que todos os outros em campo: é o primeiro a ver. Foi incrível ver exibição tão madura e tamanho acerto nas decisões - só me lembro de ter falhado uma. Isto tudo associado a grande qualidade técnica, claro. Só falhou um passe para os colegas - bola no pé ou no espaço, passe curto ou longo -, e só me lembro de ter perdido duas bolas no jogo inteiro, numa das quais apenas falhou a execução. Conduziu quando devia, variou o centro de jogo no momento adequado, pediu dentro e fora do bloco, colocou quase sempre os colegas em melhores condições para dar seguimento ao lance. Portugal e Espanha tinham muito talento em campo, alguns deles um patamar acima de Morlanes, mas nenhum do estilo deste médio espanhol. Joga o futebol de passe, de recorte técnico, das decisões, e da criatividade que Sérgio Busquets e Xavi nos habituaram. Poderá estar aqui o próximo grande 6 espanhol.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

A final da Taça de Grimaldo

A final de Ederson, Gaitán e... Grimaldo!

A confirmação da enorme qualidade de Ederson e a classe bem evidente de Grimaldo.

Qualidade técnica e de decisão bem patente a cada toque na bola do lateral espanhol. Grande potencial ofensivo do jovem ex Barcelona, que demonstrou como poderá já na próxima época ser mais um jogador com grande desequilibrio individual, mas sempre ligando o seu jogo com as melhores decisões ao colectivo! Incrível como sai da pressão sempre de bola dominada e cabeça levantada. Um jogador com perfil made in Catalunha.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Melhores da Liga

Ederson; Maxi, Lindelof, Coates, Layun, Fesja, Adrien, Rafa, João Mário, Jonas, Slimani.


terça-feira, 17 de maio de 2016

O Ferrari de Rui Vitória corta a meta em primeiro lugar

Quem treina um grande arrisca-se sempre a ser campeão. A frase adaptada é de Jesualdo Ferreira e ilustra bem uma realidade que muitos esquecemos, porque no futebol quem ganha os jogos são sempre os jogadores. Ainda que o treinador seja brilhante, dentro de campo mandam eles. Sempre foi assim, e sempre será. E sendo que os grandes em Portugal não têm comparação com as restantes, estar num grande significa sempre a possibilidade de vencer o campeonato. Foi assim com Mourinho, com Jesualdo, com Vítor Pereira, com Jesus, ou com Rui Vitória. A diferença, o que define o treinador, é a forma como se ganhou. Não pelos recordes batidos, mas pelo comportamento das equipas em campo. O Ferrari de Rui Vitória é fantástico, tem muita qualidade individual. Mas, desenganem-se os que pensam que foi só a qualidade individual a triunfar. Não. Há mérito do treinador na forma como a equipa cresceu defensivamente. Também teve momentos ofensivos brilhantes, aí devido à grande criatividade que tem ao seu dispor. Mas a chave está no crescimento defensivo, e num adversário que os motivou sempre e obrigou a focarem-se na luta. Como Mourinho um dia venceu a melhor equipa de sempre batendo todos os recordes, para Rui Vitória bater a melhor equipa do campeonato só batendo todos os recordes. É um grande mérito bater Jorge Jesus na regularidade, sendo Jesus o monstro que é, e tendo o Sporting apresentado a qualidade de jogo que apresentou. O que vai definir Rui Vitória será a próxima campanha. Irá cair como caiu o Madrid da liga dos Recordes? Ou irá continuar a disputar o campeonato até ao final (vencendo ou não) como Jesus e Pereira nos habituaram no passado?

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Carlos Carvalhal a 180 minutos da Premier League.

Poderá até não ter a felicidade de obter o que tanto procura. 

Uma certeza, porém. A qualidade do treinador português mais uma vez expresso nas ideias e na operacionalização de Carlos Carvalhal e do excelente restante staff português. Orgulho em todos!

O número 10 no Azerbaijão

Pelo número reduzido de jogos observados, no Euro Sub17, não foi possível fazer uma análise mais extensa a todos os jogadores de todas as equipas. Sendo que do Grupo C, só foi observado um jogo. Por isso fica aqui uma pequena lista daqueles que considero o Top3, tendo em conta o que consegui ver.

Brahim Díaz, o número dez espanhol. Qualidade técnica ímpar. Velocidade de execução, agilidade que lhe garante facilidade nos espaços reduzidos, condução de cabeça levantada, drible, velocidade. O que mais me impressionou nele é o facto de ser tão melhor que os colegas (neste momento), tão mais adiantado, que poderia desequilibrar o jogo todo sozinho, mas não. Opta constantemente por decidir bem, esteja no corredor lateral, no corredor central, dentro ou fora do bloco. Mostra competência para jogar em qualquer posição do ataque, e como médio ofensivo. A forma como procura constantemente associar-se aos colegas para ultrapassar adversários, as decisões dentro do bloco de costas para a baliza, foram notáveis.

Sam Schreck, o número dez alemão. Poderia passar despercebido pelo menor tempo de exposição que teve, e pelo seu perfil de jogo. É discreto, mas incrivelmente maduro. Não faz a dois toques o que pode fazer a um, segura apenas se for necessário. Faz a equipa jogar, a bola correr. Criativo nos espaços reduzidos, e com a qualidade técnica do novo futebol alemão. Dá as linhas como deve, onde deve, quando deve. É incrível a qualidade de futebol que ele já tem, tendo em conta a tenra idade. Já joga o futebol dos adultos.

Domingos Quina, o número dez português. Muita qualidade técnica, e atributos físicos bem acima dos colegas (neste momento). Tem agilidade, e velocidade, mas chama a atenção pelo toque de bola distinto. Pouco confortável a jogar dentro do bloco, mas com características técnicas e agilidade que o favorece nesse espaço. Nota-se que prefere receber de frente a jogar de costas com a possibilidade de ser pressionado por todos os lados. Mais fora do que dentro, impressiona porque não usa do seus atributos físicos para desequilibrar. Poderia ser visto em condução, a tentar quebrar linhas, porque tem essa possibilidade e certamente teria muito sucesso. Mas procura e privilegia o passe para receber em melhores condições, em zonas mais adiantadas, de forma mais segura. Tecnicamente faz o que quer, e tem uma capacidade de remate assinalável. Com a qualidade que tem poderia pensar-se que não é um jogador que se dá à equipa nos momentos defensivos, mas o ele vai buscar a bola tão depressa quanto a pede. Joga os momentos todos.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Treino - Do fechado ao aberto

A responder ao Diogo Santos, num dos posts anteriores   surgiu o treino fechado como limitador da criatividade e o que podemos ir alterando para o tornar mais facilitador da identificação de estímulos que ajudem a decidir melhor.
Na primeira situação, o exercício tem zero (ou aproximado de zero) possibilidades de coisas novas. Esta definido pelo treinador, tudo o que os jogadores têm de fazer. O jogador da direita dribla 3 cones e cruza, sendo que o da esquerda passa as escadas e as barreiras e aparece sempre no mesmo sitio para finalizar. Sim, pode finalizar de cabeça ou com os pés, sendo que isto pode também ser manipulado pelo treinador para fechar ainda mais a situação.
Na segunda situação,  adicionando um defesa, que deve ir escolhendo o cone em que aparece, vai obrigar em primeiro lugar ao atacante escolher outro sitio para aparecer, e a quem cruza perceber onde o colega vai aparecer para la tentar colocar a bola. Uma pequena modificação, que torna o exercício um pouco mais aberto, possibilitando aos jogadores identificarem estímulos de jogo.
Na terceira situação, ao adicionar um guarda da linha com tabela, voltamos a aumentar os estímulos de decisão. O jogador que vai cruzar tem um problema a frente, que pode ultrapassar com drible ou com tabela com um colega, e só depois tem o outro problema a resolver - para onde passar, em função do posicionamento do defesa e do atacante.
Na quarta situação, adicionamos duas balizas pequenas no corredor central. Se por acaso algum dos defesas ou o guarda redes ganharem a bola, a situação deixa de ser (2v1)+(2v1+gr) para ser GR+2v3, com a óbvia transição defesa ataque (e ataque defesa)

Isto são situações muito muito básicas, mas que permitem perceber onde se pode ir mexendo para abrir as possibilidades de decisão e acção dos jogadores. No fundo, nunca deixa de ser uma situação de cruzamento para a área, mas na situação 1, foi desenhada para robots, para treinadores que querem dominar TUDO o que se passa no treino e no jogo, enquanto que na situação 4, muita coisa pode acontecer que pode fugir ao controlo do treinador, mas que obriga a que os jogadores identifiquem estímulos para poderem decidir o que é melhor ou pior a qualquer momento.

terça-feira, 10 de maio de 2016

O Bulo é do Bayern.

Ainda júnior tornou-se uma referência na equipa principal do Benfica.

Tende-se a esquecer tal facto. Renato é de 97 e já é indiscutível no líder do campeonato português. Traça-se o potencial e elogia-se tantos outros mais velhos que ainda nem se conseguiram impor totalmente e por vezes parece querer-se ignorar o potencial de Renato. Ainda esta semana se ouviu Jorge Jesus garantir que Semedo, de 94 e que só na presente época garantiu lugar no seu clube, será a kms o central da selecção. E por vezes parece que tudo se faz para ignorar e desvalorizar o quão extraordinário é haver um míudo com idade júnior que está à beira de chegar aos dois mil minutos na Liga. Nem em clubes de menores aspirações surgem miúdos ainda júniores a impor-se com esta importância. Mais extraordinário se torna quando se fala de uma das equipas pretendentes ao titulo em Portugal.

Não tem a tomada de decisão dos melhores, como nenhum dos melhores tinha enquanto junior. E pelo perfíl de jogador que demonstra ser é bem provavel que nunca chegue a ter a classe de outros.  Não vê mais além e erra demasiadas vezes em posse. E até sem ela, como todos os melhores com a sua idade o faziam. O que não se pode ignorar são as qualidades absolutamente invulgares que já possui nos dias de hoje. Não apenas o lado atlético que lhe permite comer metros muito rapidamente e vencer duelos individuais. Mas sobretudo o que com bola demonstra potencial para chegar. Com tanto erro, já progride e quebra linhas com uma facilidade assombrosa. E cada vez mais, num jogo tão mecânico e robotizado, ter alguém que no corredor central é capaz de desorganizar a estrutura adversária só pela forma como em progressão ultrapassa adversários é uma vantagem que pode muito bem ser explorada a preceito em qualquer modelo de jogo. 

O rendimento actual de Renato está bastante longe dos trinta e cinco milhões. Todavia, na actualidade paga-se ao potencial. E negar o potencial que tem o jovem português é crime.