quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

Os bons e os melhores. Onde Sálvio é rei.

A diferença entre os bons e os melhores estará sempre nisto. Sabendo-se que as qualidades técnicas e físicas de Sálvio são de top, é uma pena que o cérebro não o acompanhe na devida proporção. Assim, será sempre um bom jogador, quando poderia figurar na mesma galeria dos melhores. A diferença tem um nome: tomada de decisão. Procura incessante do corredor lateral, procura constante de inferioridades numéricas, vertigem e precipitação. Busca pela notoriedade.
Os melhores, serviam-no numa bandeja para Gaitan. Sálvio é isto. Os melhores, ainda que seja a notoriedade a estar em causa, e sobretudo quando o resultado ainda está por fazer, oferecem as luzes aos colegas. Os bons tentam aparecer na ribalta. Os melhores dão o golo, os bons tentam fazer golo. Depois de um lance fantástico, Gaitan merecia aparecer a finalizar, Gaitan merecia que o lance tivesse tido outro final. 
Sálvio será sempre um jogador a ter em conta, e conseguirá sempre em campeonatos como o português ser rei. Mas, compensará o seu rendimento as centenas de vezes por jogo em que compromete a equipa?! Fica a questão.

Quintero e Tello, num grande golo do FC do Porto, pelo corredor central. Os golos sofridos pelos portugueses.

No primeiro golo do F.C.Porto, algo raro no futebol dos Dragões esta época. Isto sim é futebol adequado à qualidade dos executantes. O lance começa com uma triangulação entre Herrera, Casemiro e Quintero. Herrera inicia o movimento de aproximação à linha defensiva. Quintero, que fica com a bola, procura por soluções de passe próximas/válidas para tabelar, e iniciar o ataque ao bloco adversário sem bola. Encontra Tello, que poderia ter tentado o lance individual pelo corredor lateral sendo que se encontrava num 1x1. No entanto, toma a mais difícil decisão e execução do lance, e enquadra Quintero com um toque de frente para a última linha adversária. Depois disto, 90% do golo está feito. Quintero dentro do bloco, continua na busca por soluções de passe, fugindo (desta vez) a notoriedade, enquanto Jackson inicia um movimento de ruptura, arrasta o defesa, e abre espaço para Herrera receber e finalizar num 1x0. Quintero facilmente o descobre, e coloca-o na cara do golo. 
Fantástico!


"A bola está dentro, vem para fora pra voltar para dentro" e golo.

Quando Quintero perceber que o seu futebol deve assentar nisto, em acções colectivas, tornar-se-à um jogador marcante no futebol mundial. É esse o nível a que ele se candidata, dada a sua qualidade técnica e física.

Note que as coberturas do Bilbao estão orientadas por forma a fechar os corredores laterais. Pelo que a penetração central se torna quase que obrigatória. É sobretudo pelo movimento de Jackson que se percebe que a intenção de Lopetegui não é penetrar de forma apoiada pelo corredor central, mas sim explorar desde logo os corredores laterais e cruzar, ou colocar em Jackson na profundidade. Na altura em que Herrera começa a penetração central, na procura da profundidade (se fosse intenção de Lopetegui procurar envolvimentos frontais) Jackson deveria fazer o movimento oposto, saindo em apoio, surgindo como apoio frontal, para tabelar ou enquadrar. No dia em que Lopetegui deixar de tratar Jackson como se fosse Slimani o futebol do Porto dará um salto qualitativo brutal. O dia em que ele se preocupar em replicar mais este tipo de envolvimentos, privilegiando a criatividade por espaços interiores o Porto será absolutamente demolidor.

No golo sofrido, erro individual de Herrera (grande culpado) no início da construção. E de Maicon. Sabendo que se tratava de um lance difícil de travar, e que provavelmente daria golo na mesma, não soube piorar as condições para o jogador do Bilbao finalizar, melhorando também as condições para o seu Gr ter um papel fundamental no lance. Deu o espaço interior, quando deveria ter tentado empurrar o adversário o mais para fora possível.
Na Alemanha, o primeiro golo sofrido pelo Sporting incompetência da zona defensiva que não ganha a bola parada, e depois erro de Patrício, que teve a infelicidade de hoje ficar ligado ao resultado negativo do Sporting. No segundo golo sofrido, a já habitual incompetência da linha defensiva leonina. Desta vez até se encontrava junta, mas demasiado longe dos restantes sectores, para conseguir evitar danos maiores. É uma linha que não tem a mínima ideia de quando deve encurtar para reduzir espaços, ou baixar para proteger espaços fundamentais. No terceiro golo nova abordagem falhada da zona defensiva, em novo livre lateral. Demasiados erros para quem quer pontuar na Europa.

terça-feira, 21 de Outubro de 2014

Na Liga dos Campeões...

...os erros são mais notados, porque a qualidade dos executantes é superior. Isso implica uma maior velocidade de jogo, e menos tempo para se executar (com ou sem bola) aquilo que se pretende. É um jogo de xadrez em contagem regressiva. Cada decisão pede menos tempo de processamento, o que exige que os jogadores sejam extremamente competentes dentro daquilo que o treinador lhes pede. Como se sabe, Maurício não sabe o que é defender zona, dentro de uma equipa que o tenta fazer (?). Se não existir nenhum adversário na sua zona, normalmente, ele cumpre com o posicionamento mais acertado. Se por algum acaso aparece um jogador com a camisola de uma cor que ele não reconhece, de imediato passa a funcionar como segurança privado perseguindo-o para todo lado. Isso resultará, na maior parte do tempo, em menos tempo para corrigir as alhadas em que demasiadas vezes coloca a equipa, que se notam mais pela pouca competência dos seus companheiros de sector. A falta de competência de alguns colegas é um dos factores que não está a permitir que William evolua no sentido certo ao nível do posicionamento, por se ver de forma constante a apagar fogos em todas as zonas do campo. Também por isso, o Sporting passará a Champions a sofrer: por ter uma linha defensiva que por vezes não o é, e quando o é não percebe demasiadas vezes a que distância deve estar da bola (controlo de profundidade).

Marco Silva terá muito trabalho, numa época onde se exige como nunca em anos recentes no Sporting e a qualidade continua a não ser assim tão superior.

sábado, 18 de Outubro de 2014

O que é isso, Jonas?!

Que jogador encontrou o SL Benfica já depois do término do mercado!

Aquilo é tudo o que se idealiza como avançado! Qualidade técnica assombrosa, movimentação entre sectores e inteligência a procurar também as costas. Maravilhoso. Segura, espera, prende, temporiza, solta, sempre com um trato fantástico na relação com bola. Sempre de cabeça levantada a ver tudo o que o rodeia. 

Impossível não notá-lo, ali, no meio de tanta medíocridade. Cada toque a diferenciar-se de todos os outros. Cada decisão a mostrar que o seu campeonato é outro. Se Jonas é isto tudo, o Benfica está servido, próximo de como esteve quando Saviola passou por Portugal.

Porque colectivamente o Benfica é fortíssimo não se percebe a falta de qualidade em muitos dos seus jogadores quando apenas se substituem uma, duas peças no onze. Juntos sobressaem lacunas. Bebé é um Sálvio na gestão da bola e da posse. Sem os golos e as assistências do Argentino. Ou seja, é zero. Oliveira é o que mostrou no primeiro toque. Possibilidades de fazer golo daquele enquadramento inferiores a 1 em 1000. Nao se coibiu de rematar, porém. Linha defensiva com dificuldades em todas as vertentes do jogo. Mal posicionados, com muitas dificuldades técnicas. Benito um terror. Almeida sem a protecção do colectivo, fraco como sempre. César e Lisandro idem. Salva-se Pizzi. O português é o novo projecto de Jesus. Pela aparição percebe-se quem está a crescer na sombra para suceder a Enzo. Curiosas as semelhanças na forma como gere o jogo e progride com espaço, queimando linhas. Na forma como aparece mais à frente. Todavia, jamais terá a agressividade e a capacidade para chegar mais rápido ao espaço que Enzo tem. Porém, garantidamente que ofensivamente dará uma opção muito interessante.

Festival no Dragão

O Sporting é uma equipa! Traído muitas vezes pela falta de conhecimento e de experiência de / do jogo dos seus centrais. Mais uma vez, três, quatro bolas que o adversário recebe nas costas em situação de criar algo. Patrício defendeu uma. Deu golo na segunda e penalty na terceira. Fora as outras que entraram mas direccionadas para o corredor lateral. Mas, uma equipa. Os jogadores movem-se juntos. Bloco compacto. Atacam e defendem próximos.

Tudo o que o FC Porto não é. Dez jogadores soltos no campo esperando que o fabuloso Jackson consiga disfarçar a pobreza que é o colectivo azul e branco. 

"Saí para dar oportunidade aos adeptos do FC Porto apreciarem outro tipo de futebol" Vitor Pereira. 

Espera-se que agora os noventa porcento que nunca perceberam porque Vitor Pereira foi sempre aqui tido como um treinador de nível  mundial comecem finalmente a tentar entender um pouco o jogo. Vai acontecer igual em Lisboa quando Jesus decidir partir. Fica o aviso.

Jogo absolutamente perfeito de William. Sempre a sair com qualidade. Construindo e dando início à criação. Simplicidade a queimar linhas. A par de Nani é o cérebro que guia a equipa. Sem pressa, sem ansia. Esperando sempre pelo melhor.

O que mais impressiona em Nani não é sequer aquela classe que nunca se esgota, a capacidade de finalização, de criação ou construção ao alcance de muito poucos no futebol mundial. Não foi o golo, ou o passe a rasgar para Slimani. É na forma como temporiza, chama a si todos os adversários, prende, sempre com a confiança de que todos serão insuficientes. Maravilhoso o porto de abrigo da posse do Sporting. Há um lance aos 48 (se não me engano) que atrai quatro jogadores do FC Porto e faz a bola chegar ao corredor esquerdo já com o adversário totalmente desequilibrado. Cada acção que tem no jogo difere-o de todos os outros. Desde Pablo Aimar ao seu melhor nível que em Portugal não havia um jogador de nível tão mundial como o português. Oito anos a lutar por Ligas dos Campeões, agora interrompidos por um a contornar pinos numa Liga sem nível para si. Nem mesmo no palco mais complicado de todos. O dragão. Com Nani o Sporting, não sendo favorito é candidato a tudo em Portugal.

Clássico ao intervalo

- Porto zero colectivamente. Sem ligação entre sectores, nem no próprio sector. Zero com bola e pouco mais sem bola. Pouco de positivo para além das poucas vezes em que Adrian recebeu entre sectores e conseguiu enquadrar;

- Jackson. Com um Sporting péssimo no controlo da profundidade, o colombiano pode aparecer a fazer golos a qualquer instante. É soberbo na desmarcação de ruptura e enfrenta centrais sem a miníma noção do jogo de controlo de profundidade. Não são acasos os 1x0 que todos os jogos Rui Patrício enfrenta;

- William enorme. Maturidade sem bola, na forma como vai travando os ataques. Ou em recuperação ou em faltas sempre úteis. Incrível qualidade com bola, sempre naquele estilo vagaroso que acaba sempre por descobrir a melhor opção. 

- Nani. Festival de cuecas, mais cuecas e outras cuecas e cabritos. Golaço, e azar numa bola no poste. Prende adversários. Enfim, quarenta e cinco minutos de festival num estádio que não deve recordar uma exibição desta categoria em qualquer outro jogador adversário nos tempos mais recentes. Hoje os pinos estão a vestir de azul.

quinta-feira, 16 de Outubro de 2014

Prévia do Clássico na Taça de Portugal.

Assim foi o clássico de Alvalade durante praticamente toda a segunda parte. E tratava-se de um jogo para o campeonato. Imagine-se como será um jogo de Mata-MataDivertido, com certeza. Sobretudo para se perceber quem treina melhor situações de igualdade/superioridade, ou situações em que há tempo e espaço para acelerar contra a linha defensiva adversária. Com o jogo partido, poder-se-à expectar um grande lucro para as casas de apostas, sabendo-se em quão aleatório o resultado se poderá tornar.
Deixando as ironias de lado, espero que as duas equipas tenham evoluído muito nas suas respectivas organizações, para que se possa assistir a um jogo menos intenso e com mais qualidade. Pelo menos com qualidade colectiva ao nível dos melhores executantes em campo. Por favor não transformem isto num treino do ataque contra a defesa.




















Os melhores que o jogo me deu.

A história do jogo ditou que os dois melhores que o mundo já viu tivessem de se cruzar e construir juntos o maravilhoso futuro do jogo.
E assim foi, durante largos anos, a simbiose perfeita. Messi criava para Guardiola aplaudir.

O futebol pertence aos futebolistas...

Eu quando era futebolista sentia que quando eu tinha a bola nos pés eu é que dominava o jogo...

Nós o controlámos daqui (referência à apresentação táctica que esteve a fazer), e está tudo bem, recebo aplausos. Mas depois o árbitro apita, iniciamos o jogo, e aí "tu pintas quadros"...

O futebol pertence a eles. Nunca, nunca, nos podemos esquecer disso...

Nós os dois ganhamos muito, mas não poderíamos ter ganho tanto sem ele...

Tu podes controlar tudo isto (mais uma vez referindo-se ao que é táctico - trabalho do treinador) mas chegas perto da área, recebe uma bola rodeado de 4 e mete-a no ângulo... Que influência tenho eu nisto?!



Outro depoimento (e que depoimento), aqui.

quarta-feira, 15 de Outubro de 2014

"De muletas..."

...e nem assim o apanham!

O melhor Central português da história, aos 36 anos de idade ainda é o melhor central português em actividade. É verdadeiramente impressionante a diferença de nível entre Carvalho e os outros.
Cumpre com todos os requisitos defensivos de um defesa moderno, e acrescenta qualidade com bola, na primeira linha, sem paralelo no futebol de Portugal.
A inteligência não tem idade, nem preço. A competência para jogar futebol também não. Hoje, tem de ser sempre Carvalho e mais três. E assim deverá continuar, enquanto for o melhor. E o amanhã? O amanhã logo se vê.

terça-feira, 14 de Outubro de 2014

"São os jogadores que jogam" Fernando Santos

Aproveitar as palavras de Fernando Santos para recuperar um texto antigo

"Avaliação do trabalho dos treinadores. O processo e o resultado.

Desde sempre, mas talvez com maior relevância desde o fenómeno Mourinho que o público em geral tem a tentação de elevar os treinadores à condição de deuses. Não necessariamente no bom sentido, mas no sentido de que as vitórias e as derrotas passam apenas pela sua performance, ignorando que são homens / mulheres que jogam o jogo e não máquinas comandadas por estrategas.

É por isso que nas caixas de comentários continuam os argumentos de que X é bom porque venceu 3 campeonatos, ou Y é mau porque em 5 anos apenas venceu 2. Como se o jogo fosse treinadores contra treinadores, quando são jogadores contra jogadores.

O treinador deve ser avaliado pelo processo. Pela organização da sua equipa. Nunca pelo resultado, não ignorando que com organização garantidamente que obterá bons resultados para o contexto que exerce.

Na época transacta, por exemplo, viu-se Jorge Jesus ser considerado responsável pelos únicos pontos que perdeu em toda a segunda volta até se sagrar campeão nacional. Num jogo em que o seu avançado falha um penalty no último minuto. E se Cardozo tivesse acertado na rede. O treinador era bom? Ou o exemplo perfeito. Quando há dois anos Vitor Pereira foi incompetente durante uma época inteira depois de Jackson ter perdido 4 pontos em penaltys, para voltar a ser um bom treinador, depois de Artur Moraes ter tornado um belíssimo treinador num incompetente (que perdeu um jogo em trinta e contra uma das melhores equipas de toda a história em Portugal, que alinhava com Hélton, Danilo, Alex, Mangala, Otamendi, Lucho, Moutinho, Fernando, James, Jackson, Varela. Coisa / Milhões pouca / poucos). Para o público em geral só há um treinador bom por cada Liga. E só se percebe quem é o bom quando acaba o campeonato. Nada mais errado, obviamente. Estes erros de avaliação grosseiros revelam não só um total desconhecimento do que é o trabalho do treinador, como surgem maioritariamente associados a uma incapacidade gritante para perceber a qualidade dos jogadores. Normalmente os “seus” jogadores são todos craques e melhores que os do adversário. Logo, a incompetência será sempre do treinador. Por exemplo, Jesus foi tornado réu por não ter sido campeão num ano em que do seu plantel inteiro só um, dois, máximo dos máximos três jogadores do seu onze entrariam na equipa de quem se sagrou campeão. Claro que na altura bateram muito por aqui. Sobretudo quando se elegia James como estratosférico e o melhor da Liga. Hoje, apenas porque alguém pagou um valor estapafúrdio talvez já seja bom. Antes não era…

Ao treinador compete dar armas (organização) para que os seus atletas sejam mais do que individualidades no campo, mas que se saibam relacionar entre si, com princípios colectivos. Que ocupem o espaço e se movimentem com e sem bola, ofensivamente e defensivamente, de acordo com ideias comuns. Neste espaço valorizamos os que para além de conseguirem criar estes princípios, o façam em todos os momentos do jogo. Tratem todos os momentos com a devida importância, e que como tal tenham a equipa preparada para jogar o que o jogo der. Conseguindo isso, o melhor treinador do mundo pode perfeitamente perder com o pior. É que são humanos que jogam o jogo.

E é em função disso, que ainda na época passada, naquilo que será garantidamente um choque para quem não vê o jogo com olhos de ver, declarei aqui que Jorge Jesus é bastante superior a José Mourinho enquanto treinador de futebol. Porque as suas equipas estão muito mais preparadas para o jogo que as do mais titulado treinador português.

Se alguém se der ao trabalho de analisar jogos de um e outro perceberá facilmente que ofensivamente as equipas de Jesus têm movimentações que permitem mais linhas de passe ao portador, que oferecem mais, mais variadas e mais próximas soluções para prosseguir as jogadas (em apoio, em ruptura, à esquerda, à direita, em cobertura). Que defensivamente o jogo de controlo da profundidade que permite a equipa manter-se mais compacta, mais próxima e ainda assim não consentir bolas nas costas é bastante superior em Jesus do que o que é nos últimos vários anos de Mourinho. O controlo da largura. Não há um momento do jogo em que Mourinho se superiorize a Jorge Jesus. Mourinho que continua ano após ano a pescar jogadores saídos dos colectivos de Jesus, para que pouco depois pareçam apenas banais nas suas equipas.

E é porque a generalidade do público não percebe o que é o trabalho do treinador que o futuro de Marco Silva no Sporting pode tornar-se preocupante. Em poucos dias, viu-se organização. Ideias. Jogar colectivo. Enfim, competência. Todavia, a herança pontual e de classificação é demasiado grande para a qualidade individual da sua equipa. Se Leonardo Jardim entrou (e saiu) na hora perfeita, Marco Silva fá-lo num dos anos mais difíceis de agradar à massa adepta leonina. Não interessa se naquilo que o treinador controla Marco mostra credenciais. Se pela qualidade individual que têm os jogadores do Sporting não conseguirem a percentagem de pontos da época transacta (e tal não se afigura nada fácil), o mais fácil será pedir-se responsabilidades a um treinador que até apresenta mais argumentos que o seu antecessor. Não desprezando qualidades óbvias que Jardim tem.

Quem segue o blog há muitos anos recordará os textos com imagens a expor a falta de organização do Sporting de Sá Pinto. Tudo aleatório, jogadores sem se relacionarem entre si, enfim, tudo à deriva. Total desvalorização das individualidades porque não haviam ideias. Bastava ver aquela organização para se poder classificar de mau o trabalho do treinador. Independentemente do resultado dos jogos. Marco Silva por seu lado mostra qualidades precisamente porque naquilo que controla mostra organização. Se há décima jornada tiver zero pontos, a opinião será a mesma. Há organização. Naquilo que o treinador controla o treinador do Sporting é bom. Mas, não é o treinador que joga. Falta só perceber-se os detalhes (restabelecimento de equilíbrios, um pouco de maior encurtamento do espaço em largura, e jogo posicional de controlo da profundidade na última linha, defensivamente. E número de caminhos (movimentações) para a baliza adversária, ofensivamente) que são no fundo o que separa os bons dos óptimos.


P.S. - Mourinho gera amores e ódios. Não tome a opinião actual sobre o trabalho de Mourinho, como algo relacionado com a sua personalidade. Apenas o que mostra no campo. Para que perceba que não há amores / ódios, basta consultar as etiquetas com o seu nome para perceber a influência grandiosa que teve em tudo o que por aqui se escreveu / escreve desde sempre.  E era mais fácil elogiá-lo agora que priva quase diariamente com um dos autores que iniciou o blog comigo."

P.S. - As considerações à qualidade individual da equipa do Sporting são anteriores à chegada de Nani. É apenas um jogador, mas e como referiu o treinador do SL Benfica, faz toda a diferença no jogar de toda a gente.