domingo, 1 de março de 2015

FC Porto x Sporting. Curtas.

- Primeira parte fabulosa de William Carvalho, contrastando com Adrien. Um recuperava e entregava sempre com uma qualidade incrível. Adrien até na condução demonstrava lacunas. Dos seus pés, a bola seguia sempre para os rivais e se o Sporting na primeira meia hora conseguia sempre sair em construção, nunca criava pela falta de qualidade do seu médio mais móvel;

- Excelente Lopetegui na decisão de lançar Tello. O Espanhol é extraordinário nas demarcações de ruptura. Não é só a velocidade mas também os timings e movimentos. Contra um rival incapaz de controlar o espaço nas costas, Tello apenas cumpriu algo que se poderia prever. Três golos em 1x0;

- Jackson. Melhor que Falcao. É o ponta de lança perfeito. Fabuloso em todos os momentos, em todas as fases;

- Tobias Figueiredo. Assustador. A análise cinge-se apenas ao clássico. Ai, Tobias foi confrangedor. Ora tropeçava, ora era contornado como se nem estivesse por perto. Terrível com bola. Mas, foi nos posicionamentos que maiores lacunas evidenciou. Fica o terceiro golo como amostra. Faz o passe para o jogador do FC Porto e continua imóvel até ver que a bola ia entrar em Tello. Como se o posicionamento defensivo fosse igual ao ofensivo. Como se o posicionamento defensivo com bola no corredor lateral fosse igual ao com bola no corredor central. Foi a última pessoa do planeta a perceber o que se estava a passar, sendo incapaz de controlar o espaço nas costas. A bola mudou de posse, na posse mudou de jogador, mudou de espaço e Tobias ficou sempre imóvel como se de um expectador se tratasse;

- Comportamentos colectivos da última linha do Sporting a revelarem-se muito maus nos jogos cuja velocidade a que as situações se sucedem foi muito mais rápida. Marco Silva disse pós Wolfsburg que treina muito defensivamente os lances em que sofreu golos, sugerindo insuficiências individuais dos seus defesas. Sacudir água do capote? Culpas repartidas por ambos? 

- Nani sem bola e com bola sem criar. Apenas preservar. Danilo e Alex são do melhor que há pelo mundo nas laterais defensivas. 

- Os golos do FC Porto a sairem pelo corredor central, onde podes jogar em qualquer lado, crias a dúvida e aumentas a dificuldade no posicionamento adversário. Mas sempre em momentos muito específicos e não contra a habitual organização defensiva adversária, com mais de uma linha entre bola e próprio guarda redes.

Um clássico. Rápida do clássico.




É difícil recordar um jogo do Sporting em que os adversários não tenham a possibilidade de finalizar na oportunidade mais clara de todas. Contra 0.


Ainda em Setembro foi escrito aqui:


"A profundidade controla-se tendo em conta alguns princípios simples.


Pressão sobre o portador. Mais subida se há, mais baixa se não há.
Distância para a bola. Que será sempre bem mais longa se não houver pressão sobre o portador, para que o passe nas costas para passar entre a última linha tenha de ir com força suficiente para chegar ao guarda redes ou ir para fora.

"Eu acho o Jesus fantástico na forma como comanda a defesa, mas digo-lhe já, a maneira como ele trabalha é difícil de seguir. Não é mesmo para toda a gente. Ele exige muito com a história da bola coberta bola descoberta: se o adversário que tem a bola está com alguém por perto, a equipa não se mexe, se o adversário que tem a bola está sem ninguém por perto, a equipa tem de recuar" Quim

É certo que os centrais do Sporting fazem lembrar o filme "Dumb and dumber", mas não é menos certo que nos "pormaiores" há pouquissimos treinadores no futebol mundial ao nível do treinador do SL Benfica. E Marco Silva não é um deles.

P.S. - E em praticamente todos os jogos da presente época Patrício vai resolvendo no 1x0. Também um dos melhores a nível mundial nessa pequena situação de jogo."

Várias semanas depois, as situações sucedem-se, jogo após jogo.

Os centrais do Sporting não têm a minima noção do que é um bom posicionamento, e não estão a mostrar melhorias com o tempo."

O post é de Novembro. Qualquer semelhança com o clássico de hoje, não é coincidência. 

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Tempos de prática, especialização precoce e o foco nos processos colectivos em idades precoces.

Há não muito partilhei neste espaço a apresentação da formação interna que decorreu no clube.


Muita da preocupação dos treinadores de jovens da actualidade deve estar centrada nos tempos de prática dos nossos miúdos. E por tempo de prática, penso sobretudo no tempo de empenhamento motor e não na duração total da unidade de treino! O tempo em que o atleta passa efectivamente na tarefa. De nada serve inventar exercícios mirabolantes quando depois de espremido os miúdos estão mais tempo em espera, ou quando em actividade, a realizar gestos que em nada se assemelham ao jogo.

Na procura de organizações colectivas especializadissimas em idades muito precoces, onde quem brilha é o treinador, está um dos maiores erros da actualidade. Todos queremos ser o Mourinho. Porém, quem trabalha com camadas jovens tem de perceber que o foco tem de estar no potenciar da individualidade e não do colectivo. Nesse sentido, a qualidade técnica associada à tomada de decisão terá de ser sempre uma prioridade. Portanto, não importa que os miúdos sejam extraordinários na ocupação do espaço se depois não lhes damos tempo com bola para se desenvolverem. Não importa ganhar jogos de Benjamins, Infantis e Iniciados pela organização, não "espremendo" as individualidades ao máximo para que possam atingir todo o seu potencial.




Na dita formação este foi o exercício apresentado e discutido.

E estas as conclusões, segundo os critérios que mais valorizo na construção de um qualquer exercício / jogo:

- Tempo de empenhamento motor: A cada 56'' cada atleta soma 7'' de prática. Em dez minutos de exercício cada atleta terá feito cerca de dez remates. Em que sentido podemos afirmar que fazer isto é melhor que deixar o miúdo sozinho na sua rua a chutar à parede? Ai, em 10 minutos teria somado cerca de 100 remates. E é na repetição e tempo de prática que está a chave de tudo!;

- Não tem oposição! Desenquadrado do jogo. Pouco estímulo para haver adaptações;

- Objectivo apenas técnico (remate / passe / recepção);

- Não junta momentos de jogo (organização / transição);

- Tem sistema de pontuação! (Único ponto positivo)!.


Pensar e operacionalizar exercícios desta natureza, dar tareias físicas quando se poderia estar a jogar futebol, ou tareias "tácticas - teóricas" são o maior flagelo na formação de jogadores em Portugal. Os miúdos já não jogam na rua. Pouco jogam na escola, e chegam ao clube e continuam sem jogar. Em que sentido é correcto afirmar que ter treinador, quando este os submete a este tipo de organização de treino é melhor do que não ter? Sem treinador os miúdos por si próprios dividiriam-se e jogariam futebol. Aumentariam o tempo de prática e logo ai já seria tempo despendido de forma mais interessante. 

Duma realidade diferente da nossa (Alemanha) chega um estudo interessante 




"National Team differed from amateurs in more non-organised leisure football in childhood, more engagement in other sports in adolescence, later specialisation, and in more organised football only at age 22+ years. Relative to numerous other studies, these players performed less organised practice, particularly less physical conditioning, but greater proportions of playing activities. The findings are discussed relative to the significance of playing forms and variable involvements and are reflected against the deliberate practice and Developmental Model of Sport Participation (DMSP) frameworks."

Quando vir o seu filho de nove, dez, onze, doze ou treze anos entregue a uma equipa técnica toda metódica com exercícios todos demasiado elaborados, desconfie. É dos que ocupam o treino a jogar (2x2, 3x3, 4x4, 5x5 etc etc) que eles gostam mais. Tão mais que chega a ser preferível ficar na rua com os amigos que ir para um treino tão elaborado, mas que "espremido dá 10 ou 15 minutos de prática".

PS - Obrigado ao João Marinho pela partilha do estudo.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Henry sobre a importância do primeiro passe, de cada passe.


Discussão sobre a saída de bola de dois jogadores que foram educados de forma completamente diferente. Duas formas diferentes de ver o jogo, que causa a diferença de opinião e a defesa de cada dos pontos de vista o melhor que se sabe. Henry a mostrar conhecimento, e sobretudo a percepção do efeito que pode ter um defesa central (em zonas recuadas) enfrentar um avançado e tentar sair com ela controlada, no lugar do tradicional bater sem critério na frente.

O que Carragher não percebe: 

- Se bates a bola não é de ninguém. Obrigas o teu colega a lutar por uma bola que quando saiu dos teus pés era vossa.
- Se enfrentas o avançado com sucesso, ultrapassando aquela linha, terá de sair alguém da linha média, ganhando-se espaço e tempo para um dos médios da tua equipa.
- Por vezes nem precisas de o enfrentar. Atacas o espaço e o efeito é o mesmo. Ultrapassas a primeira linha de pressão e ganhas tempo e espaço para algum colega mais adiantado.

Carragher tem mais medo de perder a bola do que coragem para a manter.

O que Henry percebe:

- Se essa primeira linha for ultrapassada ficarão menos jogadores para quem receber a bola enfrentar.
- Sabe que, por ter jogado na frente, cada bola lançada sem critério é mais difícil de ganhar.

No fundo, Henry percebe que não só ele receberá a bola em melhores condições (sem que se exija um duelo, ou um gesto técnico complicado), como também terá mais espaço e tempo para executar. Henry percebe que as acções de jogo estão todas ligadas umas com as outras, e o que cada acção resulta numa situação mais ou menos favorável, de maior ou menor complexidade, para resolver. Henry, como inteligente que sempre foi, percebe que o primeiro passe é fundamental para criar as condições necessárias para que o último seja melhor executado. E por isso, Henry, encorajaria o seu central a sair com bola - a enfrentar o avançado, ou o espaço - caso estejam reunidas as condições para tal.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Falta de oportunidades? "É no treino que têm de demonstrar".

Por certo que não há quem nunca tenha tecido considerações sobre a falta de oportunidades (em competição) que determinado(s) jogador(es) têm / tiveram.

O argumento habitual é sempre o de jogador X não demonstra qualidade porque o treinador não lhe dá a oportunidade de jogar. Se não jogar como pode mostrar credenciais? 

Quando se critica com base neste(s) argumento(s) o treinador, ignora-se porém, o mais importante de tudo. O treinador vê o jogador em questão jogar todos os dias. Muitas horas. A oportunidade para ter minutos em competição tem de ser ganha nos treinos semanais. Ai todos têm oportunidade de demonstrar as suas competências, mesmo que os adeptos não o possam ver. É falso que jogador X ou Y não tenha tido oportunidades. Têm-nas todos os dias.

Como todas as pessoas que apreciam futebol tenho as minhas preferências sobre as individualidades. Porém, nas equipas cuja organização colectiva é tão identificável é-me cada vez mais complicado criticar as escolhas técnicas dos treinadores. Naquelas que não se identificam muitos princípios e um jogar que se pretende comum a todos, é sempre mais fácil de arriscar com alguma probabilidade de não estar errado que jogador X deveria / poderia jogar em deterimento de Y porque traria isto ou aquilo à sua equipa. Contudo, em equipas cujos posicionamentos não são aleatórios, é complicado contrariar as escolhas do treinador. Afinal, as ideias colectivas são dele e ele melhor que ninguém saberá quem cumpre tacticamente o que idealiza. 

"É nos treinos que ele também tem de demonstrar o que nós queremos, não é meter onze jogadores em campo e cada um corre e joga como quer. Comigo as coisas não funcionam assim. " Jorge Jesus.

Muitos dos atletas que apregoam falta de oportunidade de demonstrar qualidades, estão errados. Tiveram a sua oportunidade sim, ao longo de toda uma época diariamente. Se não tiveram mais tempo na competição, tal é geralmente fruto de falta de qualidade comparativamente aos seus colegas, dentro das ideias que o treinador idealiza para o seu jogar.

Por isto, é totalmente compreensível que Marco Silva se lamente da ausência de Slimani. Num modelo de jogo preconizado por outrém provavelmente o argelino não teria muito tempo de jogo que não num possível plano B. Todavia, dentro das ideias tão claras que o treinador do Sporting tem para a sua equipa como se pode afirmar que a preferência por Slimani em detrimento de Montero é errada? Não é. O número de vezes que é solicitado o avançado centro no pé em apoio é tão diminuto que ninguém pode afirmar que Montero deve jogar na vez de Slimani. Sobretudo quando "Slimani dá mais profundidade e jogo áereo". 

Podemos discordar das ideias do treinador. Não podemos / devemos discordar das opções porque para aquilo que Marco Silva pretende, o treinador leonino que trabalha diariamente com todos saberá quem servirá melhor a equipa. Nas suas ideias.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Jogadores que não olham ao jogo pelo resultado (...) percebem o processo.

Houve ainda quem tenha ficado com dúvidas da excelência da exibição dos comandados de Lopetegui, na Suiça, no que toca ao controlo do jogo. Diz-se, e bem, que a equipa de Jesus em organização defensiva é quase imbatível. Mas eu digo, e penso que bem, que a melhor organização defensiva é ter a bola. Porque é essa a única forma de garantir com a máxima certeza que não se sofre golo. E a exibição do Porto contra o Basileia mostra precisamente isso. Domínio absoluto do jogo, de todas as acções ofensivas e defensivas. Tendo apenas permitido que o adversário criasse uma ocasião de golo, a jogar em casa, porque defensivamente esteve muito bem - Teve a bola.

- Ah, ó Baggio, mas isso de ter a bola por ter não serve para nada. É preciso fazer alguma coisa com ela.
- Serve, serve! Serve para garantir que não sofres golo. Serve para defenderes da melhor forma que se pode fazer. E a isso chama-se trabalho do treinador. Processo colectivo forte. Dá muito trabalho formar uma equipa onde a melhor forma defender está no momento ofensivo, sem descurar a forte reacção à perda. Não só as individualidades são muito diferentes em termos de qualidade, mas também colectivamente o Porto foi muito superior, como aliás já o disse Paulo Sousa. Só assim se explica, com um processo ofensivo forte, que uma equipa que não é exímia a defender em organização, e com individualidades que não são fortes do ponto de vista defensivo como Herrera, Casemiro, Maicon, Marcano, e Fabiano - no corredor central - não permita que o adversário crie.

"Sinceramente, não tinha visto uma equipa tão forte neste estádio nos últimos dois ou três anos.
Nem mesmo no jogo do Bernabéu em que perdemos 5x1. O Real é incrível do ponto de vista individual, mas colectivamente o FC Porto é mais impressionante.
A forma como eles correm, como crescem, como são do ponto de vista técnico… É difícil acompanhá-los. Conseguimos não perder conta uma equipa assim forte. Por isso, quem sabe? Talvez possamos aumentar o nosso nível na segunda mão"
Fabian Frei, médio do Basileia.

Este ano passou por lá o actual campeão Europeu Ancelotti com o Real Madrid, e o Liverpool de Rodgers.
No ano passado esteve presente o Chelsea de José Mourinho.
Há dois anos o Chelsea de Benitez, e o Tottenham de André Villas-Boas.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Porto muito superior. Mais que favorito para passar a eliminatória.

Apresentou-se hoje na Suiça com uma superioridade tal, que o sucesso nesta eliminatória é muito fácil de prever. Superior colectivamente nos princípios que apresentou em organização ofensiva, tirando a bola ao Basileia, e dessa forma anulou a maior arma de uma equipa que gosta de ter bola. Obrigou-os a correr como nem o campeão da Europa, Real Madrid, o fez. E isso é marca de Lopetegui. Tendo a bola, o adversário que gosta de a ter não joga, não cria ocasiões de golo, sofre, desespera. Individualmente a diferença entre Porto e Basileia é gritante. Surpresa por o Porto não ter conseguido acabar com a eliminatória já. Sobre a qualidade do jogo ofensivo do Porto, no que toca a desorganizar o adversário, fica a impressão de que o Porto tem de fazer melhor para chegar mais longe na prova. Noutro tipo de jogos, onde precise de ganhar, com o que apresentou hoje (sendo que o adversário não marcará por o Porto ter a bola), prevêem-se dificuldades.

Paulo Sousa no final a pedir calma aos seus jogadores, para jogarem curto, para não desistirem de jogar, é a imagem que fica hoje de um treinador impotente para fazer melhor contra uma equipa com dez vezes mais qualidade. Pelo menos tentou jogar, e notou-se no treinador essa intenção.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Pizzi na voz de Jorge Jesus e do ... Lateral Esquerdo.

Ainda em Agosto referiamo-nos a Pizzi aqui

"....Pizzi é de facto um jogador que se diferencia bastante de Bebé e Sálvio sobretudo pela constante procura da melhor opção. Pelo toque refinado na bola e a cabeça levantada. Algumas dúvidas sobre a sua capacidade para ser fiável nos momentos defensivos, porém."

Em Dezembro os seus atributos defensivos aqui:


"Desde sempre que neste espaço foi sendo referida a agressividade como uma característica determinante no futebol moderno. Todavia, o sentido de agressividade totalmente oposto ao que comumento é interpretado. Ser agressivo no sentido importante do termo não é bater mais no adversário, ou entrar mais duro. Tão pouco adoptar uma postura intimidatória. Ser agressivo é ser mais rápido sobretudo mentalmente antecipando cenários, não se coíbindo de colocar depois as capacidades condicionais ao serviço das acções que a mente vislumbra.

Porque em jogos recentes Pizzi foi ao chão duas ou três vezes para recuperar bolas, nas caixas de comentários surgiram algumas opiniões de que o português estava a melhorar nesse sentido e que a sua diferença para Enzo estava a esbater-se. Não está e dificilmente estará. A agressividade de Enzo é de facto mais perceptível quando observamos o seu gesto motor. A forma como acelera na direcção do portador da bola, e como vai ao chão se tal for necessário para recuperar a bola. Porém, é na leitura do jogo que o argentino é e será muito mais agressivo que qualquer outro. Na forma como antecipa cenários.
...

Agressividade defensiva é isto. Ou melhor, não é. Quer Pizzi quer Cristante são em termos motores e físicos capazes de correr a uma velocidade bastante superior aquela a que se moveram na situação que culminou com o segundo golo bracarense. O problema é que as suas mentes não foram sufientemente inteligentes para perceber a situação de jogo e adoptarem posicionamentos e reagirem em função desta. Qualquer um deles se antecipa o lance tê-lo-ia resolvido. Pizzi incomodando o portador. Cristante ou saindo ao portador ou não o fazendo, integrando a linha defensiva para que um dos centrais pudesse sair." 


Depois da muito boa exibição do português frente ao Vitória de Setúbal, o seu treinador referindo-se a Pizzi nos exactos mesmos moldes a que o haviamos feito.

"Ele não conhece muito os momentos defensivos de um jogador naquela posição. Está melhor neste aspecto porque ofensivamente tem muita qualidade. É um jogador que em cinco passes falha um. Às vezes digo-lhe isto a ele "Se o futebol fosse como o Andebol, era sempre Pizzi e mais dez. Quando estivermos a atacar jogas sempre, mas quando estivermos a defender sais" Jorge Jesus.

"Defensivamente é pouco agressivo, mas com estas equipas não precisamos de um jogador tão forte nesse processo" Jorge Jesus.

Domingo no Futsal

Sem jogo no Domingo, fui assistir a uma eliminatória da Taça da AF Lisboa de Futsal sem qualquer tipo de expectativa. Não sendo um grande seguidor e conhecedor da modalidade não deixei desde o início de pensar que aquilo, o Futsal, com aquelas dimensões, num relvado qualquer, deveria ser o início de toda a formação no futebol. GR+4x4+GR. Parece um exercício de treino, e assim também deveria ser a competição nos primeiros escalões por tudo de bom o que isso traria a quem o estivesse a praticar.

Com aquelas dimensões o volume de pratica de cada um dos jogadores seria enorme, mesmo em competição - estariam sempre em jogo, no centro de jogo a atacar e a defender. Acção-Reacção.

Com o aumento do número de vezes que se toca na bola está-se a valorizar a relação com ela - o gesto técnico sai reforçado pela repetição.

O espaço para atacar é curto, independentemente do adversário pressionar em cima ou esperar atrás. E isso potencia o aumento da velocidade de execução e de decisão - Com isso obriga-se os jogadores a ver antes, por não terem muito tempo para decidir e executar.

Com o tamanho das balizas, a finalização deve ser precisa. Deve haver intencionalidade de colocar a bola "ali" sob pena de bater sempre no GR. O que potencia a procura de fixar o GR e tira-lo do lance, colocando o outro colega em condições mais favoráveis para finalizar - Busca de situações mais simples de finalização.

Para se ter qualidade no ataque organizado é obrigatório abrir o campo, por forma a conseguir o máximo de tempo e espaço para atacar, e colocar o adversário em maiores dificuldades quando pressiona - O conceito de campo grande vai depender de todos porque todos estão em jogo. E como tal, obrigará a uma maior capacidade de concentração por parte de quem joga, por ser directamente responsável pelo sucesso de cada lance.

Gostei de ver a valorização do gesto técnico por ninguém tentar fazer coisas a toa, e a intencionalidade das equipas que procuravam a organização, abrir as linhas de passe, e depois sair para o ataque. Também procuravam a transição, mas só quando a superioridade era clara. Em igualdade, esperavam. Gostei da paciência com que procuravam encontrar espaços, a mobilidade, o ficar com a bola até surgir o desequilíbrio. Gostei muito da forma super correcta com que resolviam as superioridades - fixam e soltam com facilidade, abrem as linhas de passe certas, tiram o adversário do lance com o passe. Só um dos lances de superioridade não terminou num 1x0+GR. Quase todos os jogadores presentes com capacidade de engano, de ludibriar o adversário para criar espaço para eles (1x1) ou para a entrada de colegas (2x1).

Gostei das equipas compactas a defender, a fechar as linhas de passe próximas da contenção e a defender a profundidade um pouco mais longe por não existir fora de jogo. Gostei de ver a competência com que defendiam no 1x1 em contenção, com a proximidade certa do portador da bola para não deixar entrar o remate ou o passe. Só vi uma vez um jogador com os apoios mal orientados, sem proteger o centro do terreno, ou a baliza - posição de base defensiva. Gostei da agressividade com que defendem, pelo campo ser tão curto todo o espaço dado ao adversário é perigoso, logo deve sempre sair alguém na bola, com o cuidado de não ser batido porque aí o adversário aproveita logo a superioridade. Gostei do limite de faltas, porque valoriza o espectáculo, e obriga a tentar defender bem.

No final alguém ganha e alguém perde. É assim no desporto, não podem ganhar todos. Mas são todos esses os valores que gostaria de ver implementados na formação. Não me canso de pensar que os meninos deviam estar a treinar para jogar Futsal num piso adequado ao futebol.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Marco Silva como Leonardo Jardim. Ligação dos momentos de jogo - Ofensivo influencia o defensivo. Regressão.

O Sporting de Marco Silva parecia estar encaminhado para crescer de forma sustentada, naquilo que uma grande deve ser marcante - organização ofensiva. As ideias do jovem treinador, para o ataque, tinham mais qualidade que a do seu antecessor e iam mais de acordo ao jogo que um grande é obrigado a praticar, sendo que vai assumir em posse a esmagadora maioria dos jogos que vai disputar. Marco jogava por fora, e por dentro. Ia ao corredor para construir sem risco, e aí (normalmente em 3x2) procurava sair por fora em combinações ou vir dentro em passe para o médio mais ofensivo, ou avançado. Hoje, o Sporting já não o faz, não o quer fazer, optando invariavelmente pelo cruzamento a fazer lembrar Leonardo Jardim. Tal escolha, em termos ofensivos, parece-me ter pouco a ver com as ideias para o ataque e muito com as ideias para a defesa. As escolhas que se fazem para determinado momento do jogo influenciam os restantes, e organizar a equipa para atacar dessa forma influencia a forma como se vai defender em caso de perda. Então, Marco Silva optou por estancar a transição ofensiva do adversário, uma vez que no corredor lateral os contra-ataques são mais fáceis de controlar, e parar. E por isso, opta por atacar sem risco, fazendo o Sporting regredir no caminho que o voltaria a tornar num grande. O Sporting tem hoje melhores centrais que no início da época, e está um pouco mais organizado do que antes. Mas o verdadeiro motivo para que sofra menos golos assenta no facto de não consentir perdas no corredor central, por optar por não fazer a bola circular com objectividade por aí, por não sofrer contra-ataques vindos do corredor central. Como uma equipa pequena, que não sabe defender-se das perdas com uma reacção agressiva sobre o portador da bola, e uma rápida recuperação dos restantes para posições mais conservadoras, como um treinador de equipa pequena que não consegue - sabe - defender com poucos, o Sporting esconde a sua qualidade, e não tira o melhor proveito dos seus jogadores, voltando a jogar um futebol fácil, pouco elaborado, e sem risco. Numa fase da época em que Jesus e Lopetegui muito evoluíram a organização das suas equipas em todos os momentos do jogo, por não jogarem competições europeias, o Sporting de Marco Silva volta ao passado e regride.