sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Agressividade defensiva. De Enzo a Pizzi. E Cristante.

Desde sempre que neste espaço foi sendo referida a agressividade como uma característica determinante no futebol moderno. Todavia, o sentido de agressividade totalmente oposto ao que comumento é interpretado. Ser agressivo no sentido importante do termo não é bater mais no adversário, ou entrar mais duro. Tão pouco adoptar uma postura intimidatória. Ser agressivo é ser mais rápido sobretudo mentalmente antecipando cenários, não se coíbindo de colocar depois as capacidades condicionais ao serviço das acções que a mente vislumbra.

Porque em jogos recentes Pizzi foi ao chão duas ou três vezes para recuperar bolas, nas caixas de comentários surgiram algumas opiniões de que o português estava a melhorar nesse sentido e que a sua diferença para Enzo estava a esbater-se. Não está e dificilmente estará. A agressividade de Enzo é de facto mais perceptível quando observamos o seu gesto motor. A forma como acelera na direcção do portador da bola, e como vai ao chão se tal for necessário para recuperar a bola. Porém, é na leitura do jogo que o argentino é e será muito mais agressivo que qualquer outro. Na forma como antecipa cenários.

Recuperemos o golo da vitória bracarense no Estádio da Luz.



Pardo pega na bola com Pizzi e Cristante bem dentro da situação de jogo. Atrás da linha da bola e com demasiado tempo para participarem na situação de jogo que incorporam.

Vejamos o video do golo

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Sempre a um ritmo lento Pizzi não chegou sequer a defender. Mais grave ainda Cristante. A passo, nem procurou sequer sair ao portador, nem procurou baixar para a linha defensiva, para que quando um dos defesas saísse ocupasse o seu lugar. 

Agressividade defensiva é isto. Ou melhor, não é. Quer Pizzi quer Cristante são em termos motores e físicos capazes de correr a uma velocidade bastante superior aquela a que se moveram na situação que culminou com o segundo golo bracarense. O problema é que as suas mentes não foram sufientemente inteligentes para perceber a situação de jogo e adoptarem posicionamentos e reagirem em função desta. Qualquer um deles se antecipa o lance tê-lo-ia resolvido. Pizzi incomodando o portador. Cristante ou saindo ao portador ou não o fazendo, integrando a linha defensiva para que um dos centrais pudesse sair. 

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

A falta de espaço de técnicos brasileiros na Europa

O Brasil sempre foi um grande exportador de jogadores para a Europa. Espalhados pelo mundo inteiro, os casos de sucessos foram tantos, que jogadores brasileiros se tornaram sinal de bom futebol. Para técnicos, porém, a mesma lógica nunca funcionou. Alguns treinadores brasileiros famosos já deram entrevistas reclamando da falta de espaço no Velho Continente, ou sinalizando um possível preconceito contra técnicos sul-americanos. Mas será mesmo que os problemas são esses?
Técnicos argentinos, por exemplo, não encontram tantas dificuldades para fazerem suas carreiras na Europa. Bons e recentes exemplos, estão em Diego Simeone e Marcelo Bielsa. O primeiro, comandando o Atlético de Madrid, escreveu seu nome na história do clube. Conquistou a Europa League 2011-12 e a La Liga 2013-14, desbancando os gigantes Barcelona e Real Madrid e deixando de lado todas asapostas que diziam que não conseguiriam. O segundo assumiu o Athletic Bilbao em 2011, e fez um trabalho muito positivo com uma equipe menor. Atualmente, comanda o Olympique de Marsella, e é líder isolado da Ligue 1 com o melhor ataque da competição.
Exemplos de técnicos sul-americanos na Europa não faltam. O chileno Manuel Pellegrini, que atualmente comanda o Manchester City, teve grandes passagens pelo Villarreal e Málaga, apesar de ter vivido um mau momento no Real Madrid. O argentino Pochettino é a cabeça pensante do Tottenham.
Outro problema comum alegado na falta de sucesso de técnicos brasileiros na Europa é quanto ao idioma. É possível ver uma relação dos melhores trabalhos de técnicos argentinos serem justamente na Espanha, afinal, compartilham o mesmo idioma. Mas Pochettino, por exemplo, trabalha na Inglaterra e quando estava no comando do Southampton, não dava uma única entrevista coletiva sem o auxílio de um interprete. O idioma não é uma barreira tão difícil assim de ser superada.
A questão, talvez, esteja muito mais na maneira como os técnicos brasileiros encaram suas funções do que um possível preconceito ou barreiras linguísticas. No Brasil, o futebol é um esporte completamente passional, e isso se estende aos técnicos de futebol. As relações que nutrem com seus atletas no vestiário são muito mais íntimas, e até mesmo fogem de um âmbito estritamente profissional. É diferente da maneira como seus compatriotas sul-americanos regem seus times.
Historicamente, o Brasil é reconhecido pela técnica e habilidade de seus jogadores. A aplicação tática sempre esteve em segundo plano. Na Argentina, conquistas históricas como a Copa do Mundo de 1986, estão muito ligadas a disposição e aplicação tática de seus jogadores. Essa diferença na natureza do futebol brasileiro exige que seus técnicos também sejam diferentes. E isso se torna uma muleta. Se torna uma desculpa.
O treinador brasileiro muitas vezes parece ter dificuldade em se adaptar a outras culturas. Foi claramente o caso de Vanderlei Luxemburgo, no Real Madrid, e Felipão, no Chelsea. Não aconteceu uma procura por parte deles em entender como a dinâmica dos clubes funcionava, seja no vestiário ou nos treinamentos. São poucos os treinadores brasileiros que se atualizam e estudam o futebol. Ficam presos em suas ideias de futebol passional e táticas ultrapassadas.
Mano Menezes, em 2009, no comando do Corinthians, trouxe algo de diferente ao futebol brasileiro: a equipe jogava de maneira mais compacta, com os setores mais próximos, se ajudando no ataque e voltando para defender. Na mídia brasileira, se berrou que o futebol do Corinthians era “o mais Europeu do Brasil”, e apostavam no time como favorito nas competições em que entrou. Tudo isso por um estilo de futebol que chegou ao Brasil com anos e anos de defasagem.
No Brasil, as equipes são comandadas por treinadores ultrapassados, que se recusam veementemente a se atualizarem. Qualquer um que traga algo minimamente novo, que estude nem que seja um pouco, domina as competições nacionais e sul-americanas, como foi o caso de Tite, com o Corinthians, e é o caso atualmente de Marcelo Oliveira, no Cruzeiro. É de se notar que Marcelo Oliveira e Mano Menezes são de uma safra nova de técnicos brasileiros. Tite, apesar de mais antigo, é um dos poucos técnicos que não se recusou a se atualizar e se reinventou dentro do futebol brasileiro.
Essa visão de futebol que se importa com a aplicação tática de seus jogadores, chegou ao Brasil apenas recentemente. Os futuros novos técnicos brasileiros serão os primeiros que entrarão no esporte “nascidos” dentro dessa percepção. É o caso de Sylvinho e Antônio Carlos Zago.
Sylvinho, caso quisesse, já poderia ser técnico em equipes de médio porte no Brasil. Mas o ex-jogador, que teve sua carreira quase que inteira na Europa, procurou ser auxiliar técnico no Brasil primeiro, entender a rotina e se preparar antes de assumir o comando de alguma equipe. Recentemente, anunciou que será auxiliar técnico de Roberto Mancini, na Internazionale. Já o ex-zagueiro Zago, como auxiliar técnico, acompanhou a Roma na temporada passada, e atualmente exerce a mesma função no Shakhtar Donetsk.
Se darão certo, é outra história. Mas são dois exemplos que enxergam o atraso brasileiro taticamente, e estão estudando futebol para um dia assumirem suas posições como treinadores.
por André Medeiros

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

O que é que Jesus e qualquer treinador vê mais que todos?

O modelo de jogo, obviamente. Como seria de esperar, Jesus, em jogos decisivos, a jogar sempre de acordo com a sua ideia de jogo. Sempre com gente que tem mais tempo de trabalho com ele, e que por isso, conhece melhor os movimentos ofensivos e defensivos da equipa. Sabendo-se que era um jogo onde o Benfica não ia ter muita bola, era vital que todas as peças fossem bastante competentes no momento defensivo. Talisca e Samaris com mais tempo de trabalho, e mais jogos, dentro da ideia de jogo de Jesus. Lima absolutamente fundamental dentro disso. Independentemente de marcar golos, ou não, ainda que seja avançado. O que mais importa para um treinador com ideias e um modelo bem definido nunca serão os golos ou as assistências. Mas sim o cumprimento individual das tarefas colectivas.

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"Mas sabia que ele ia fazer as coisas melhor que qualquer um deles, principalmente quando a equipa não tivesse bola"

domingo, 14 de dezembro de 2014

Individualidades a ganharem todos os duelos... individuais, mas foi o colectivo a sair com três pontos da partida.

Eis o melhor resumo do jogo.

Jogadores do FC Porto a passarem fácil em todas as zonas (excepção onde pisava Enzo) e o magnífico restabelecimento de equílibrios, conteções e coberturas da equipa de Jesus. Um Benfica inexistente ofensivamente, muito porque, já se sabe, contra laterais top, Salvio perde, perde, perde. Lima idem, Talisca idem.

Mais do que nunca foi possível perceber a diferença entre FC Porto e SL Benfica. Grandes individualidades (Como cresce Óliver!) contra um grande colectivo.

Ainda que na luz more um milagreiro, a partida de Enzo será suficiente para deixar tudo completamente em aberto. Pouco sobrará de nível top na equipa de Jorge Jesus. 

Júlio César e a fortuna.

Hoje, muita sorte na forma como o Benfica sai do dragão com um resultado positivo. Do ponto de vista ofensivo, um Benfica inexistente. Com as individualidades do Porto a demonstrarem o que já se sabia - muito melhores, a vencerem constantemente os duelos. O Porto com algumas chances de golo criadas, entre o azar dos postes, e uma organização defensiva competente de Jesus, fica um Júlio César bastante diferente de Fabiano, sobretudo nos lances de golo para uma e outra equipa.

Hoje não há o que criticar em Lopetegui, porque não foi inferior ao adversário. Criou mais, concedeu menos, não finalizou. Não se engane porém, o Porto não fez o melhor que poderia fazer para desmontar o Benfica.

Deu para perceber o que é Oliver Torres?!

sábado, 13 de dezembro de 2014

Clássico - Prévia

Os colectivos

O Porto com um treinador novo, que ainda pouco conhecemos, mas com dinâmicas muito interessantes. Gosto muito da ideia de ter muita bola, de jogar com a linha defensiva bem subida no terreno, da pressão que exerce sobre o adversário. Gosto da tentativa agressiva de recuperar assim que se perde a bola. Gosto, também, do facto de tentar aproveitar a qualidade que tem nos corredores laterais. Gosto da circulação que faz em largura, fora do bloco adversário. Gosto do facto de trabalhar as bolas paradas ofensivas. Não gosto da forma como organiza as linhas de profundidade e largura na saída de bola. Não gosto do facto de não aproveitar a circulação em largura para provocar pelo corredor central. Não gosto da pressa com que tenta chegar ao golo, forçando penetrações, pelo corredor lateral, quando o adversário está organizado. Não gosto da forma como defende as bolas paradas. Não gosto da distância que existe entre os elementos da linha média.

O Benfica, com um treinador por muito conhecido e estudado por nós. Gosto muito da equipa em organização e transição defensiva, no mundo não vejo muitas melhores. Gosto da forma como organiza a saída de bola, e as linhas de passe consequentes nesse momento. Gosto do facto de tentar aproveitar a qualidade dos seus médios ala. Gosto da organização defensiva e ofensiva das bolas paradas. Gosto muito da qualidade e organização que sai em transição ofensiva. Gosto da velocidade, e dinâmica com que ataca quando encontra espaço. Não gosto do sistema de jogo com que joga, por não ter a elasticidade suficiente para impor uma dinâmica de posse. Não gosto da pressa e velocidade com que ataca em quase todos os lances. Não gosto do facto de não saber jogar e gerir as expectativas do adversário, quando em posse.

As individualidades

Jackson - Provavelmente passará muito por aqui o sucesso do Porto neste jogo. Qualidades a todos os níveis. Avançado de um nível bem superior ao campeonato português. Não terá vida fácil porém. Os centrais do Benfica garantem segurança pelo corredor central.
Brahimi - Fantástico em tudo quando a equipa está em posse. Criação de linhas de passe, mobilidade, imprevisibilidade. Tanto segue pelo corredor central, como aproveita o corredor lateral. Tanto procura uma tabela, como vai pra cima e desequilibra no 1x1. Velocidade. Qualidade na execução das bolas paradas. Dificuldades em interpretar a organização defensiva.
Tello - Velocidade, qualidade técnica. Menos amplitude de movimentos que Brahimi (ao nível da mobilidade), mas maior aproveitamento dos espaços nas costas, e maior verticalidade (procura incessante da baliza). Problemas na tomada de decisão, nos lances de maior notoriedade.
Quintero - Verticalidade, na procura do último passe ou do remate. Qualidades físicas e técnicas de top. Imprevisibilidade. Execução fantástica nas bolas paradas. Dificuldades em interpretar a organização defensiva. Entre sectores, com ou sem espaço, criará sempre perigo.
Oliver - O melhor médio do campeonato a par de Enzo. Criatividade. Se aparecer com espaço entre sectores, matará o Benfica em poucos lances.
Casemiro e Herrera - Poderão ter dificuldade em parar Enzo, pela dificuldade de posicionamento. agressividade sobre a bola. Verticalidade de Herrera, na procura de explorar o espaço nas costas da defesa.
Danilo e Alex Sandro - Não terão vida fácil, porque os alas do Benfica são ferozes. Mas têm mais que qualidade para não os deixar jogar. Qualidade com bola, capacidades técnicas e físicas do melhor que há no mundo. Poderá estar muito aqui, o desequilíbrio de forças no Clássico. Tanto na defesa, como no ataque.
Maicon, Indi e Marcano - Dificuldades em interpretar o momento defensivo. Dificuldades em dar seguimento ao momento ofensivo (Maicon o melhor nesse aspecto).

Enzo - Muito do sucesso do SLB passará por uma grande exibição de Enzo, se conseguir com as suas arrancadas explorar o corredor central e desequilibrar em condução.
Jonas - Critério entre sectores, inteligência nas acções. Permitirá ao Benfica ter mais bola, e criar mais e melhor pelo corredor central.
Gaitan - Ainda que não esteja ao seu nível, poderá ser o jogo certo para engatar e fazer "esquecer" tudo o que fez até então. Se estiver no jogo, ainda que com oposição de respeito, será muito difícil de parar. Sobretudo se procurar de forma incessante explorar o corredor central. Qualidade defensiva.
Talisca - Qualidade de execução. Qualidade nas bolas paradas. Passada larga, inteligente na forma como se coloca para aparecer em zonas de finalização. Muito por evoluir na compreensão do jogo, com e sem bola.
Lima - Conhecimento total das ideias de jogo do treinador, para atacar e para defender. E só por aí, deverá ser indiscutível neste jogo. Não atravessa a melhor fase, mas o treinador da-lhe confiança e tranquilidade para continuar a jogar.
Sálvio - Verticalidade. Qualidade nos movimentos de profundidade, qualidade de execução, 1x1, remate. Velocidade, frieza e qualidade nos recursos técnicos para a finalização. Problemas ao nível da tomada de decisão. Agressividade defensiva sobre a bola, e sobre o espaço. Não terá vida fácil contra laterais do nível dos do Porto.
Samaris - Qualidade técnica. Melhorias ao nível da compreensão das tarefas defensivas, mas com um longo caminho a percorrer até se tornar verdadeiramente fiável.
Luisão e Jardel - Segurança defensiva. Jogo aéreo. Dificuldades em dar seguimento ao momento ofensivo (Luisão menos).
Maxi - Qualidade com bola. Procura apoios, e combinações para desequilibrar. Cinquenta anos a trabalhar com Jesus, e não é 100% fiável do ponto de vista defensivo. Comido muitas vezes para dentro, não controla da melhor forma a profundidade.
André Almeida - Qualidades físicas e técnicas banais. Inteligência, contudo. Pouca profundidade ofensiva, que deverá deixar Gaitan menos apoiado quando tiver bola. Competências defensivas fantásticas.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Como é que se treina isto?!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Lateral Esquerdo a observar em Stamford Bridge

Missão impossível quando o desnível entre as forças é tão elevado. Mourinho tem ao seu dispor qualidade individual que apenas encontra paralelo em Madrid, Barcelona e Munique.





quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Dupla jornada em Londres, com o " Lateral Esquerdo" presente

Muito mau para já. Cobham, Chelsea fx training ground muito longe de ver os jovens leões rugirem.