sexta-feira, 31 de Outubro de 2014

Futebol é isto

Jogas, competes, trabalhas durante a semana para melhorar, e ganhas, empatas ou perdes.

Seguramente um dos melhores treinadores do mundo na actualidade. Seguramente o treinador que mudou completamente o rumo do Dortmund. Poderá ser dito, e é verdade, que nunca houve tanto investimento na equipa como actualmente. Mas também, nunca tinha sido conseguida uma percentagem tão elevada de vitórias sobre derrotas e empates, com a televisão a cores.

Todos os anos o Dortmund tem perdido os seus melhores jogadores, para os grandes (do ponto de vista financeiro) europeus. Todos os anos Klopp lhes diz que, lá não vão aprender mais do que aqui. Não são clubes melhores que o Dortmund, apenas pagam mais. E assim, o treinador, ano após ano, procura inventar soluções e procurar alternativas para colocar o clube a competir, e tentar ganhar, sem as mesmas condições de outros.  O Dortmund forma, para os grandes levarem quando eles tiverem prontos para render todos os jogos. No ano passado, uma devastadora onda de lesões. Este ano, os problemas iniciais com os seus melhores jogadores. O modelo de jogo está lá, tem imenso valor, é ofensivo e defende com qualidade. É de difícil interpretação para os jogadores, pela grau de exigência ao nível do posicionamento. É o segundo melhor plantel, ao nível da qualidade individual do seu campeonato, mas está muito perto de entrar em zona de despromoção na tabela classificativa. Não obstante disso, tem três vitórias na Champions, sem qualquer golo concedido (15 sofridos no campeonato em 9 jogos).

O que se diria de Klopp se estivesse no campeonato em Portugal? Que só ganha os jogos contra adversários de maior ou igual valia individual?! O que se diria de Jesus se estivesse quase a pisar os lugares de despromoção, e fosse em primeiro lugar na Champions, tendo pelo caminho ganho o jogo contra o Sporting?
É só mais um ano onde Jesus, como Klopp, não tem a melhor equipa a nível interno, não tem tantas soluções como os seus adversários, tem muitos problemas com lesões dos seus melhores executantes, e ainda assim se acha que eles podem competir em todas as frentes de igual forma.

Em Portugal ainda se pensa que os treinadores usam de fórmulas mágicas, e que têm poderes sobrenaturais, que os fazem jogar pelos jogadores. Um dos efeitos negativos da arrebatadora passagem de Mourinho por Portugal. Hoje, pergunta-se a Mourinho sobre a sua história, e ele responde: no Porto, no Chelsea e no Inter tinha a melhor equipa. Tinha de vencer o campeonato, porque não tinha ao nível interno adversários para competir. E assim foi. 
E quando há adversários do mesmo nível? As vezes ganhas, as vezes empatas, as vezes perdes. E quando o adversário é superior? Ganhas poucas vezes, empatas algumas, perdes a maioria. E o que importa, aí, é que consigas competir. São dinâmicas do desporto, do futebol, dos jogos.

Seguramente que Jesus é melhor do que muitos dos candidatados seleccionados pela FIFA. Seguramente que Klopp também o é, não tendo conseguido uma tão forte dinâmica de vitórias na época anterior. Nos últimos cinco anos, Jesus e Klopp andaram juntos pelo TOP dos treinadores mundiais, e talvez só sejam reconhecidos quando começarem a ser de forma regular COMPRADORES, e mantiverem todos os anos os seus melhores jogadores. Talvez, quando treinarem quatro/cinco jogadores que lutem pela Bola de Ouro se consiga perceber a real qualidade destes dois fantásticos treinadores.

O culto da tomada de decisão promove a robotização do jogo. Será?



Educar para a melhor decisão limita a criatividade e mata os jogadores. Os "novos Mourinhos" estão tão preocupados com a tomada de decisão que não dão liberdade para os jogadores fazerem coisas novas e fugirem do correcto.

E depois o Pjanic faz este passe, e entre outras opções que não eram más (passe para a direita que era onde havia menos defesas e o colega ia ter espaço e tempo para decidir, provavelmente progredir e aproximar a equipa do golo) a escolha do menino foi "comer" 8 adversários e meter um colega em situação privilegiada para finalizar.

Esta é sem dúvida a melhor decisão. Só está ao alcance de predestinados, porque nem toda gente tem a capacidade para realizar aquele passe, mesmo que o identifiquem.

quinta-feira, 30 de Outubro de 2014

O melhor do mundo, o melhor da europa, o melhor do universo... e Deus!




Quando era mais novo vi um documentário que mostrava imagens de uma Igreja muito pouco comum. "Iglesia Maradoniana".  Na altura achei piada.. Quanto mais tempo passa, mais sentido faz.

No fundo, somos todos praticantes.

quarta-feira, 29 de Outubro de 2014

Individual ao serviço do colectivo. Brahimi.

«Não mudei o meu estilo de jogo, mas adaptei-me aos meus colegas. É sempre mais fácil jogar ao lado de grandes jogadores, como é o caso no FC Porto»

Que cena é essa do futebol de agora, que faz o Brahimi pensar que tem de se adaptar aos colegas? Que pateta este tipo. Melhor mesmo era continuar a jogar cada um por si.

«O meu estilo de jogo é baseado no um para um, nas qualidades técnicas, mas ao serviço da equipa»

Este gajo está cada vez mais atrevido. 1x1 e qualidade técnica ao serviço do colectivo? O que é isso? Só pode estar doido este tipo. Então ele não vê o Quaresma e o Sálvio?

Criatividade. Qualidade individual nos últimos 30 metros

Sonho com o dia em que Klopp pense em colocar todos os seus criativos em campo, ao mesmo tempo. Com isso, talvez o futebol do Dortmund passasse a ter alguma utilidade. E mesmo que não ganhasse, como agora, ao menos divertia os adeptos. Hummels, Reus, Gundogan, Mkhitaryan e Kagawa, esse é o meu sonho. Porque no último terço, na forma como idealizo o jogo, quem manda é a qualidade individual do jogador. É esse o início do fim da influência do treinador. O treinador cria condições para os jogadores criarem no último terço. Este primeiro golo do Dortmund é criatividade pura. Expressa por jogadores que entendem o jogo como ele é.

terça-feira, 28 de Outubro de 2014

O futebol é singular...

...E é sobre uma dessas singularidades que me apetece deixar duas linhas.

1- O futebol deve ser a única área de trabalho onde se atribui o grau de excelência (com unanimidade) à profissionais que não têm conhecimento da matéria de trabalho. A nomeação de Diego Costa (o mais mediático, entre outros da mesma lista) é mais um exemplo disso.
Imagine você, patrão, distinguir um empregado por não saber o que fazer na secção em que opera. Imagine, você, colega de trabalho, ver um colega que não sabe como fazer o trabalho distinguido pelo chefe.

2- A tomada de decisão não é mais do que isso: saber o que fazer. Cada situação de jogo, com ou sem bola, exige isso mesmo. Saber o que fazer, quando fazer, como fazer.
O primeiro passo é aprender como fazer (técnicas do jogo). O passo seguinte é aprender a perceber, perante cada situação, o que fazer, quando fazer.

Os futebolistas, como outros profissionais quaisquer, devem ter conhecimento do trabalho sobre o qual vão operar. Se não o tiverem, como em qualquer outra área, não têm o essencial. É assim que se entende o jogo por aqui. E como tal, por aqui, nunca será considerado excelente quem não tiver o fundamental.

O melhor do mundo para Mourinho.

Sobre um tema recorrente no blogue, e sobre aquilo que consideramos ser o traço mais importante do futebol moderno, decidimos entrevistar Mourinho. E sem mais, mister, pode explicar-nos em um minuto quem é o melhor do mundo? Porquê? Qual a importância do contexto actual, em comparação com o passado, em comparação com as primeiras fases de aprendizagem? O que é afinal decidir bem?
Muito obrigado, mister, por ter conseguido uma explicação clara, sucinta e de fácil entendimento mesmo para crianças. Crianças minimamente inteligentes, claro.

segunda-feira, 27 de Outubro de 2014

Linha defensiva do Benfica

Prévia: não vi o jogo. Pelo que tudo que estou a concluir do mesmo é baseado no resumo alargado disponível na Internet. Pelo que não vou inventar, nem tecer qualquer comentário sobre o jogo, por não estar habilitado a tal.
Contudo, era um jogo em que o SLB tinha obrigação de ganhar, por ser superior do ponto de vista individual. Mas, sempre fomos dizendo, por aqui, que a classificação do Benfica não reflectia em termos de resultados as verdadeiras dificuldades pelo qual a equipa está a passar. Dificuldades essas que se devem, na sua maioria, ao tempo que os novos jogadores têm de trabalho com Jesus. O Benfica não é tão forte do ponto de vista colectivo como vai ser daqui por um par de meses.

Quem, como adepto, estiver insatisfeito com o método de trabalho e modelo de jogo de Jesus, que faça o pedido de demissão do treinador. Não pode é festejar de forma efusiva cada vitória do modelo, e quando ele falha (porque todos os modelos falham) dizer que não presta. Se não presta, é quando ganha e quando perde.

- Eliseu. Dificuldades absurdas no 1x1. Sabendo-se que noventa e cinco por cento das equipas que enfrenta exploram, predominantemente, os corredores laterais (e tudo em transição) dá para entender o porquê de tanto lance de perigo criado no seu corredor de pressão. Ainda assim, mostra melhorias significativas ao nível do posicionamento.

- Maxi Pereira. As dificuldades defensivas habituais. O deteriorar da capacidade física que o distingue.

- Lisandro. Mau em tudo que é defensivo. Posicionamento dele ou o acompanhar dos colegas, leitura de jogo, abordagem defensiva no 1x1. Nem no timing para atacar a bola ele acerta. Para já, Jardel continua a ser muito superior. No futuro, logo se vê.

- Luisão. Safa-se o capitão encarnado.

O Porto que Lopetegui quer, no segundo golo dos Dragões

É seguro que o treinador do Porto está a posicionar-se por forma a ir de encontro à algumas das qualidades dos seus jogadores. Sabe-se que no Dragão militam jogadores muito fortes em todo o comprimento ofensivo. Mas sobretudo nas alas, a qualidade técnica e a velocidade são exuberantes. Lopetegui quer ir de encontro aos um contra um. Quer criar situações o menos complexas possível para os seus extremos desequilibrarem pelo corredor lateral. Sempre que o treinador adversário não tiver a preocupação em criar superioridade ali, noventa por cento dos jogos do Porto estão ganhos. Mas quando o adversário colectivamente for melhor pior será o seu rendimento. 
Não estará a limitar demais, ao potenciar a criatividade em apenas dois dos três corredores? Fica mais uma questão.


Curtas de Alvalade

- A importância da vitória: "Uma equipa que joga bem e não ganha vai deixar de jogar bem".
É muito isto, este início de época. É o não deixar fugir as expectativas iniciais, e procurar construir um modelo em cima de vitórias. Para que os jogadores sintam mais confiança no processo, para que a aquisição dos comportamentos pretendidos seja mais fácil e célere.

- Rui Patrício. Fenómeno. Haverá algum jogo onde ele não tire duas, três bolas de golo ao adversário? Haverá algum jogo onde ele não seja absolutamente decisivo para um resultado positivo do Sporting? Anseio por esse dia.

- Nani. Mais do mesmo. Num campeonato de pinos, demasiado fraco o estímulo competitivo para um jogador desta qualidade. Resta saber como será o seu rendimento no futuro, num contexto onde os pinos se movem um pouco mais.

- Maurício. Contenção. Ahn?!

- Montero. Poderá com o fantástico golo que marcou ter ganho a confiança necessária para se assumir de vez no onze do Sporting. Resta saber se o treinador lhe dará confiança para isso, ou se continuará a queima-lo na primeira oportunidade que surgir. Para já, parece-me que o seu treinador continua a remar no sentido contrário ao dele, e ao que ele precisa: "Um avançado vive de golos, embora seja tecnicamente evoluído e trabalhe muito para a equipa. Era muitas vezes notícia a falta de golos e isso mexia com ele, pelo que é importante que os golos apareçam"
Marco Silva

- Marco Silva. Ouvi-o, pela primeira vez, falar dos erros de posicionamento que o Sporting tem tido. Interpreto isso como um sinal de que está a trabalhar para os corrigir. Urge corrigir as avenidas que o Sporting tem permitido aos seus adversários, pelo mau controlo da profundidade da linha defensiva, pela dificuldade em controlar o corredor central por ter extremos que ficam na frente quando a bola está do lado contrário, e um médio ofensivo que não chega a tempo depois da pressão nos centrais. E aí, chegará o dia em que Rui Patrício não será mais fundamental. O maior desafio do treinador do Sporting é o de retirar o protagonismo do seu guarda redes.

- Conversa de café. Fala-se em maior controlo emocional, em melhor gestão das expectativas, em maior controlo do jogo quando se consegue uma vantagem daquelas. Tudo muito fácil. Mas qualquer equipa que não esteja habituada às andanças europeias vai sempre ter essa dificuldade. Sobretudo porque no seu contexto competitivo tem apenas 4,5 jogos ao nível do que se exige na Europa. O problema é o foco. Tem um estímulo competitivo muito forte ao nível europeu, segue para o campeonato e consegue uma vantagem confortável ao intervalo: nem o mestre Mourinho os impediria de descomprimir. Há muita coisa que os treinadores não controlam, e a concentração/descompressão e a cabeça dos jogadores é deles, e de mais ninguém.