terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Carlos Carvalhal responde ao Lateral Esquerdo - queres ser como os Grandes, faz como eles!

Ao contactar o Mister Carvalhal para que nos possibilitasse esta série de questões, voltámos a encontrar um treinador do alto rendimento extremamente receptivo ao nosso apelo. Tenho a agradecer-lhe, por isso, a disponibilidade que mostrou desde logo, e o tempo que perdeu com estas antigas glórias do futebol mundial. Agradecer ainda mais pela forma como educa quem o ouve e lê, tornando sempre mais rica a cultura de quem quer saber mais e é, como nós, apaixonado pelo jogo da inteligência e qualidade técnica, da organização colectiva, em sobreposição ao resto. Estamos muito orgulhosos por saber que nos lê, que nos segue, que partilha alguns dos nossos pensamentos.

Lateral Esquerdo (LE)  - Quem é o melhor jogador que viu jogar? Se não quiser especificar um, construa o seu onze de sonho...

Carlos Carvalhal (CC) - Maradona. A minha infância foi preenchida pela magia de Maradona. Num destes dias conheci-o aqui no Dubai. Falei com ele, fiz-lhe uma comunicação sobre o nosso trabalho no Al Ahli e tirei umas fotos. Senti-me um menino feliz ao pé do meu ídolo de adolescência.
Por ironia do destino, conheci Zico aqui também. Falta conhecer Cruyff...

LE - Existe algum/ns momento/s do jogo que considera mais importantes do que outros?

CC - O jogo é “Uno”, “Indivisivel” e fluído. Não há momentos mais importantes do que outros, todos são importantes porque estão ligados uns com os outros.

LE - Quais são as suas referências ao nível do treino, e do jogo?

CC - As nossas referencias são sempre as melhores equipas do mundo. Quando treinávamos na terceira divisão (por exemplo o Leixões) os nossos referenciais eram sempre as equipas de top. As vezes poderia custar uns pontos no nosso campeonato, mas era aquilo que perseguíamos. Talvez devido a esse facto chegámos na altura à final da Taça de Portugal. Continuamos na mesma esteira ainda hoje... “queres ser como os Grandes, faz como eles”.

LE - Quais foram as principais dificuldades nos países fora de portugal ao nível de treino e de aquisição? O que foi mais difícil de ensinar?

CC - O treinador Português é muito evoluído e adapta-se com facilidade ao meio onde está a trabalhar. Para além das competências tácticas e técnicas o treinador luso é muito forte na componente emocional, cria laços com facilidade e isso também contribui para fazer a diferença. A dificuldade muitas vezes é a ideia arcaica do jogar que persiste em alguns países. As dificuldades, algumas vezes, passam por convencer os jogadores e a estrutura que há outros caminhos para preparar uma equipa para jogar. Passando a fase da desconfiança, o treinador português marca claramente a diferença.

LE - Há alguma coisa que considere que seja transversal em todos os modelos?

CC - Cada treinador imprime uma impressão digital nas equipas que organiza. Podem existir alguns aspectos que sejam comuns, mas no detalhe serão sempre diferentes. E no detalhe é que está a diferença para melhor ou pior.

LE - Quando chega a um clube novo, quais são as principais preocupações ao nível da operacionalização? Quais são (normalmente) as apostas para que a equipa fique o mais rapidamente possível a jogar como quer?

CC - O único caminho para modelar uma equipa é o treino. Desde o primeiro minuto de treino, procuramos através de exercícios Específicos incorporar a nossa Ideia de Jogo, de forma a chegarmos à ideia utópica da nossa forma ideal de jogar. Utópica porque nunca lá chegaremos... Ao modelarmos a equipa através dos Princípios do nosso Jogo para os 4 momentos de jogo - sem nunca esquecer a ligação entre estes - há sempre algumas coisas que podemos melhorar, e outras coisas que se vão perdendo no decorrer do tempo e jogos. No fundo, modelar uma equipa é uma permanente construção/reconstrução.

LE - Exemplifique algum princípio que queira ver sempre e tenha sempre conseguido implementar. Ou o inverso, um relato de algo que ele queira mas que em determinado momento não tenha dado. E o porquê?

Pela minha experiência, o mais difícil de incorporar nos jogadores que chegam às nossas equipas pela primeira vez é o momento de transição defensiva. Ter a posse da bola e perde-la exige uma mudança mental muito brusca para a voltar a recuperar. Exige muito treino e muita paciência para chegar a um nível elevado. Se for para reagir e voltar à “posição” é fácil, mas se queres em função da identificação do momento do jogo uma reacção organizada, Intensa e com qualidade, vai exigir muito dos jogadores e principalmente de ti. Ter a bola para atacar é mais atrativo para os jogadores, logo será mais fácil pelo lado emocional a absorção dos princípios de jogo. Ganhar a bola para atacar (transição ofensiva) é igualmente atrativo, e os jogadores chegam ao que queremos com relativa facilidade. A forma como trabalhamos a nossa organização defensiva é muito bem recebida pelos jogadores, principalmente pela eficácia das ações. Esta, por ser muito complexa leva algum tempo incorporar os pormenores (sub dos sub princípios) mas como o fazemos com complexidade crescente o entusiasmo e a evolução é constante.

LE - Resuma cada momento do jogo, do seu modelo de jogo, em duas palavras no máximo. 

CC - Bolas paradas ofensivas e defensivas – Concentração e Eficácia.
Organização ofensiva – Talento e Inteligência.
Transição defensiva – Interpretação e Intensidade.
Organização defensiva – “Rede” e Organização.
Transição ofensiva –  Interpretação e Primeiro passe.

LE - Como é pensar como mostrou no seu livro - Recuperação é muito mais do que recuperar - jogar zona, e encontrar jogadores que toda vida conheceram o h-h? Quais são as principais dificuldades no ensino de comportamentos zonais, e como as ultrapassa?

CC - Para quem tem um passado de muitos anos a jogar HxH não é fácil modelar um jogador para ter um comportamento zonal. Este, tem como principal referencia o jogador adversário, a sua “anulação” e muitas vezes faz perseguições ao adversário direto para fora da sua zona de ação. Modelar um jogador para um comportamento zonal pressupõe em primeiro lugar fazê-lo interiorizar as vantagens desta forma de abordagem: deixa de ser um comportamento “individual” para ser um comportamento de interdependência. Não só com os seus colegas de setor, mas entre toda a equipa (a equipa joga em “rede”); as referencias deixam de ser individuais e passam a ser “colectivas”; a posição da bola passa a ser o referencial mais importante para ajustar posicionamentos; depois há um conjunto enorme de sub-princípios relacionados com esta forma de abordagem que carecem de muito tempo para maturar (distancia entre jogadores, pressão sobre o portador da bola e adversário, coberturas, etc).
Ultrapassar os obstáculos carece de muito treino e paciência. Se calhar o exemplo dado por Menoti em determinada altura ajuda, e muito, a entender as vantagens e desvantagens de jogar “individual” ou jogar "zona"... “Uma casa estava guardada por 2 cães, ao ser assaltada um dos ladrões chamou a atenção dos cães e logo estes ”atacaram” o ladrão e perseguiram-no abandonando a casa, o outro ladrão entrou nela sem dificuldade. Numa outra casa que tinha dois cães “guardiões”, os ladrões utilizaram a mesma estratégia, os cães mostraram-se na mesma agressivos mas não largaram a porta da casa...

LE - Qual é, para si, a característica mais importante de um jogador de futebol moderno?

CC - Ontem hoje e amanhã... inteligência. O jogo de futebol é um exercício de inteligência. Não inteligência académica, mas sim inteligência na ação, em movimento... Lamento que muitos estejam a destruir a importância do talento e criatividade (associados à inteligência). Mas por muitas voltas que quiserem dar, os melhores, aqueles que marcam a diferença e fazem as pessoas irem aos estádios, serão sempre os mais talentosos. Não os que correm mais rápido ou que que saltam mais alto...

LE - Como é que conheceu o Lateral Esquerdo? Qual é a sua opinião sobre o blogue?

CC - Conheci o vosso blogue nas redes sociais. Parei um dia a ler um artigo e pensei... este tipo (ou tipos) jogaram futebol... fiquei um leitor assíduo pelo conhecimento específico do que analisam. Parabéns.

LE - Fantástico Mister Carvalhal! e para quem, como nós, quiser seguir o mister Carlos Carvalhal é só carregar aqui.

domingo, 25 de janeiro de 2015

Jogar dentro do bloco adversário. Lopetegui.

Porquê?

Porque se um médio recebe nas costas dos médios adversários, no corredor central, vai chamar a si um elemento da linha defensiva adversária (se não houver descoordenação que poderá até levar ao atrair de mais do que um adversário). Porque se recebe ai, geralmente só terá quatro adversários atrás da linha da bola. Porque se recebe ai, alguém tem de sair, a última linha defensiva do adversário mesmo que reaja bem ficará mais curta (com três elementos). Porque o portador terá uma infinidade de soluções (à direita, à esquerda, pelo meio) para chegar à baliza adversária, tornando o próximo movimento / passe imprevisível. 

Porquê tanto elogio também ao jogo ofensivo do SL Benfica? Porque esconde sempre 5 a 6 jogadores dentro do bloco adversário, que constantemente se mostram para receber. Se não dentro, fora, para voltar a tentar receber dentro do bloco.

Quantas vezes na partida da Madeira houve sequer a intenção do FC Porto jogar ai? Onde consegues desorganizar completamente o adversário? Quase tudo se resume a tirar a bola do centro de jogo para o corredor lateral oposto e procurar cruzar ou combinar no corredor lateral. Quantas bolas tiveram os jogadores do FC Porto de frente apenas para a linha defensiva adversária? Nas costas dos médios adversários? 

Afirmar que com treinadores trocados o FC Porto teria hoje como vantagem a desvantagem que já leva foi a frase mais assertiva da vida de António Oliveira. 

sábado, 24 de janeiro de 2015

Superioridade numérica. Progride - Fixa (atrai) - solta.

Começar a visualizar ao vigésimo segundo.

Ramires recupera, em superioridade progride até ficar o adversário, fazendo o passe para as costas deste, eliminando-o da jogada. Tudo o que envolvesse soltar mais cedo coarctaria possivelmente decisivamente as possibilidades de a bola terminar na baliza. 

Destaque óbvio também para a assistência para o brasileiro depois do portador atrair também o adversário (esperar que este saia com os apoios direccionados para o portador).

Tudo demasiado simples, mas tão bem definido. Quantos milhares de jogadas potencialmente perigosas não chegam sequer a sê-lo ou a terminar em lances de finalização porque o portador da bola não sabe tomar decisões assertivas.



quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Cruyff - Inteligência, faz toda a diferença


Xavi - Cruyff from Football Hunting on Vimeo.

Um pedacinho de algo que promete muito!

Se já andar por ai, é favor partilhar onde se consegue ver isto

Jonas, Óliver e Nani têm pausa e os outros grandes destaques individuais da primeira volta

Jonas. Não enganou, de facto. Logo nos primeiros minutos mostrou o jogador que é. Abriu a Liga com um cabrito nos primeiros minutos que somou na Liga, e tudo o que prometeu logo ai cumpriu. Está no top 3 com Nani e Óliver da primeira volta. Um jogador completo é isto. Não se medem pelos traços individuais, mas pelo que dão ao jogo em todos os seus momentos e fases. Verdadeiramente soberbo na criação, pela qualidade técnica impressionante e forma como gere os timings de todas as suas acertadas acções. Grande qualidade na finalização, independentemente da forma como finaliza. A percentagem de acerto de todas as suas acções, independentemente do espaço que ocupa, momento, ou fase do jogo é impressionante. Avançados deste nível nas últimas três décadas em Portugal contam-se pelos dedos de uma mão. Jonas está lá.

Óliver. Não importa o quão vistoso possa ser ou não ser. Não importa que por vezes possa passar despercebido. Como Jonas e Nani, tudo o que faz envolve uma decisão acertada. Tão novo e tanta maturidade. A construir, a criar e recentemente até a finalizar, o espanhol é um prodígio a prazo numa Liga demasiado pequena para tanto talento. Óliver joga e faz jogar. Prende, segura, atrai, solta, tudo sempre com o critério, e com uma qualidade técnica invulgar. Sabe tudo sobre o jogo e a velocidade a que interpreta cada situação de jogo é entusiasmante. "Eu tinha tudo na cabeça" referiu Zidane há não muito tempo. O espanhol é esse tipo de jogador.

Nani. Muito foi falado neste blog sobre o internacional português. Não são os dribles ou os desequilíbrios constantes que provoca que o tornam elegível. É o facto de saber enquadrar sempre as suas acções com aquilo que o jogo pede. É um desequilibrador nato que não força. Que sabe esperar, perceber os timings das suas acções. O Sporting cresceu exponencialmente em termos ofensivos com a sua presença. Mais um jogador completo pelo que oferece em cada fase do ataque. Qualidade com bola em qualquer espaço, a construir, a criar, e também a finalizar. Jogador fantástico cujo impacto foi, tal como se previu, imediato.

Gaitán. Talvez o mais apaixonante de todos os jogadores da Liga. Mas, não o melhor. Apaixonante porque transpira criatividade por todos os poros. Parece sempre capaz de inventar algo que não imaginávamos. Tem o condão de surpreender e tal tem um valor incomensurável. Não figura no top 3 porque ao contrário dos restantes três a percentagem de acções positivas não será tão alta. Arrisca sempre e nem sempre percebe que vai ser mal sucedido. Mais fantasista menos cerebral. Mas um jogador notável.

Brahimi. Mais um grande talento que chegou na presente época a Portugal. Impressionante a forma "fácil" como desequilibra partindo do corredor lateral. A demonstrar qualidades na finalização, também, teve impacto imediato. Mais vertical e menos fantasista que Gaitán. Tão objectivo como Sálvio, bastante menos cerebral que Nani. O argelino precisa de estar a um nível elevadíssimo fisicamente e tecnicamente (confiança) pois faz dos desequilíbrios constantes o ponto forte do seu jogar. Não é porém, o tipo de jogador que recorra ao 1x1 apenas porque sim. Percebe o enquadramento que as suas acções individuais devem ter, e também por ai é bem sucedido.

Jackson. O velho Jackson do costume. No final da época terá três bolas de prata em três participações na Liga. Notável a movimentar-se nas zonas de finalização. Seja a procurar a ruptura ou a responder a cruzamentos, o colombiano é com Falcao o grande goleador da última década em Portugal. A cada instante pode aparecer para desbloquear o resultado. Sabe tudo sobre movimentação e mostra também qualidade a receber e a entregar entre sectores. Ainda que tenha bastante qualidade para além da finalização, é ai que é verdadeiramente assombroso.

Salvio. Procura demasiadas vezes soluções individuais, mas a grande verdade é que é geralmente bem sucedido. Está integrado num modelo cujo jogo (linhas de passe) entre linhas é muito forte. Num modelo que acautela bastante bem as suas perdas. É um caso de sucesso num modelo que o potencia ao máximo. Com Nani e Brahimi forma o tridente de extremos com incrível facilidade em chegar ao golo. Pela forma como ataca as zonas de finalização quando a bola está no corredor oposto, e pela qualidade tremenda a finalizar. Tecnicamente e fisicamente muito dotado para uma Liga onde os laterais adversários simplesmente não têm argumentos para o travar individualmente se por trás não houver uma equipa organizada.

«Ninguém me defende»

Declaração do mister Conceição numa das suas já famosas conferências de imprensa. Mas Sérgio, nem tu te defendes. Depois da miséria que foi a organização ofensiva e transição defensiva de uma equipa que jogava com mais dois elementos em campo, vir dizer que se não fosse Hélton o resultado tinha sido histórico, é no mínimo hilariante. Depois de infinitos cruzamentos, seguidos pela regra do água mole em pedra dura, com toda equipa do Porto a defender na área (como se impunha), tanto deu que não furou. É o cúmulo da falta de criatividade colectiva, da falta de treino de princípios ofensivos de qualidade, para quando a equipa se veja obrigada a assumir o jogo - contra adversários de menor valia individual e contra equipas em inferioridade numérica. A culpa normalmente é do árbitro, e hoje do Hélton, quando tudo o que se limitou a fazer foi facilitar a vida ao Gr do Porto, que sem dúvida fez uma boa exibição. Independentemente da sua mais valia individual, o Porto com 9 ter conseguido duas saídas em transição que acabaram na área do Braga, diz muito do que é a equipa em organização ofensiva. Que tal falar menos nos árbitros e trabalhar a equipa com princípios de maior valia? Queremos atacar pelos corredores, certo? Então vamos lá encontrar uma forma diferente de desequilibrar aí, sem ser o pontapé para dentro do galinheiro sem critério... Vamos tentar ser um pouco mais imprevisíveis, por forma a deixar o adversário um pouco mais desconfortável no jogo. Isso exige trabalho, exige muito treino, muita repetição, novos condicionalismos, evolução.

Posicionamento inicial
O nome do exercício de treino é zonas de atracção. O objectivo é trabalhar o ataque posicional em superioridade numérica, por forma a levar o adversário a fazer movimentos que nos vão servir como referência para acelerar, pelos corredores. Dura 40 minutos. O critério de êxito é o número de entradas com a bola controlada dentro da grande área - 10x8+GR. A equipa em superioridade deve procurar colocar 4 jogadores dentro do bloco adversário, por forma a cumprir com o objectivo de atrair o adversário para determinadas zonas. Deve manter dois jogadores constantemente largos pelos mesmos motivos. Atrás da linha da bola, o portador da bola, e os dois centrais.No total, 4 jogadores posicionados atrás da primeira linha de pressão do adversário, para garantir uma transição defensiva mais segura. A equipa em superioridade não tem Guarda-Redes para garantir pressão na bola assim que se perde, uma vez que o adversário pode fazer golo de qualquer posição do campo. A equipa em inferioridade defende, de forma zonal, tentando colocar pressão no portador da bola, apenas quando ele se aproxima do local onde o bloco está posicionado. Quando recupera a bola tenta fazer golo. É preciso muita atenção ao marcadores, para que a equipa não perca a paciência e só acelere quando as referências aparecerem. Fazer mover o adversário, e aproveitar esse movimento para atacar pelos corredores laterais.

O principio é provocar a saída de elementos da linha defensiva. Para isso deve-se jogar a bola dentro do bloco adversário. O portador da bola escolhe por onde circular, e quando alguém se sentir confortável para jogar entre-sectores joga. O exemplo é o nr10, mas pode servir para qualquer outro. Se não houver espaços entre os jogadores, conduz para fixar um elemento da primeira linha, e solta no espaço que ficou livre.
Se tiver espaço/tempo para enquadrar, enquadra. Conduz, fixa o lateral e solta no jogador a entrar por fora. Um ataca o primeiro poste, outro o segundo poste. O jogador que executa coloca-se para um passe atrasado. Lateral do lado da bola em cobertura. Lateral do lado contrário entra na área para o caso da bola sair mais longa. Um dos médios fora do bloco aproxima. Ficam 3 atrás.
Se quem recebe dentro do bloco é pressionado pelo central, 11 faz movimento de ruptura nas costas do lateral para atrair a sua atenção, e depois posiciona-se para receber passe atrasado.. Lateral do lado da bola entra na área para receber a bola nas costas da linha defensiva. Quem entrega no apoio frontal posiciona-se para receber um passe atrasado. Lateral do lado contrário entra na área para uma bola que seja mais longa. médio que faz o passe aproximada zona da bola. Ficam 3 atrás.
Se for o lateral a pressionar, 11 mantém posicionamento porque pode receber bola. Lateral do lado da bola aproxima da área para receber passe em profundidade. Se a bola entra no 3, tudo igual à situação anterior. Se a bola entra no 11, 3 posiciona-se na cobertura.
Colocar a bola no lateral no pé, e lateral conduz para a linha de fundo, por forma a movimentar o bloco para dentro da área. Quando conseguir que o adversário esteja dentro da área, toca numa das coberturas, para que fique alguém enquadrado com a baliza, de frente para o bloco adversário. Dois jogadores dentro da área, outros ficam como se fossem receber um passe atrasado.
Mal consiga enquadrar alguém, aproveitar o movimento da defesa que sobe e colocar a bola na profundidade de jogadores que surgem de uma linha atrasada (11-10-8-2).
A diferença entre isto e o cruzamento para a área é a dificuldade que causa a quem defende. Se com o cruzamento simples apanha-se na maior parte do tempo o adversário posicionado no sítio certo e de forma adequada para atacar o lance de frente, desta forma tenta-se fazer por explorar a pouca profundidade que ainda resta, colocando a bola nas costas da defesa, causando maior desconforto a quem defende por quase nunca conseguir atacar a bola de frente, ou conseguindo-o fazer estar sempre no movimento contrário ao da bola.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Bebé - Pensei que estavam a gozar.

«Aprendi muito com Alex Ferguson no Manchester United. O que falhou? Estava sozinho e precisava de mais experiência para enfrentar essa situação. O meu melhor futebol viu-se no Paços de Ferreira. Ali comecei uma nova vida, joguei muito, era isso que precisava, e respondi. Depois fui para o Benfica e vi que não ia ter tanto espaço como gostaria. Por isso, pedi para sair e vir para aqui. Agora estou feliz e com muita vontade de dar tudo pelo Córdova. Tudo é perfeito para, desta vez, acerte», disse o avançado português, vincando a ideia que pretende-se afirmar-se em definitivo no emblema da Andaluzia.

«Esta é a minha oportunidade. Já tive outras mas, quem sabe, não estava preparado. Agora sim. Em Manchester era um rapaz e estava sozinho. Cresci e sou uma pessoa diferente. Penso que é agora que vou aproveitar. O Córdova é uma grande oportunidade para mostrar o meu valor e penso que estou a responder bem», acrescentou.

Bebé falou ainda da relação com o empresário Jorge Mendes: «É como um pai. Tenho esta oportunidade graças a ele. Ajuda-me a fazer as coisas e estou-lhe muito agradecido. Foi graças a ele que joguei em grandes clubes e nos melhores campeonatos. Nunca me vai faltar nada.»

O jogador contou ainda como conheceu o empresário: «Cinco jogos depois de ter chegado a Guimarães foi a minha casa, falámos e tudo me pareceu perfeito. Aceitei que fosse o meu representante. Tinha um contrato com uma cláusula de rescisão de 9 milhões de euros e, em dois dias, já havia clubes interessados em pagá-la. Fui para o Manchester United mas pensei que estavam a gozar.»

O Efeito Jorge Mendes é uma coisa impressionante.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Guardiola e as noventa sessões que podem valer ouro para o maior dos ladrões.

90 Sesiones Entrenamiento Fc Barcelona de Guardiola y Tito Vilanova
Poderá ser um exercício muito interessante para o treino mergulhar nestes noventa dias de Guardiola em campo.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

"Ronaldo máquina de execução ... técnica"

"Ronaldo formatou à base de “ hard work “ o seu corpo para se tornar uma máquina de execução técnica que lhe permite estar a um nível altíssimo na execução e antecipação de situações de finalização".

A afirmação é de Fernando Valente, e é difícil recordar alguém que anteriormente se tenha referido ao bola de ouro de forma mais assertiva.

É muito comum, e também verdadeiro ouvirmos centrar muito do sucesso de Ronaldo na forma como evoluíu / caminhou fisicamente. 

Todavia, ainda que Ronaldo seja de facto um monstro físico, é ser um monstro de execução técnica que o separa do comum dos mortais. Quantos outros futebolistas não são tão ou mais rápidos, não têm tanta ou mais força, ou não são mais ágeis que o prodígio português? A forma persistente como trabalha fisicamente para ser cada vez melhor é louvável. Mas, quantos não o farão em igual proporção? 

Ronaldo fisicamente é tudo o que se diz. Mas e como tão bem referiu Fernando Valente é por se ter tornado uma máquina de execução técnica que tem o sucesso que tem. Que marca a infinidade de golos que marca. É na excelência do seu gesto técnico, sobretudo a finalizar (e com qualquer superfície de contacto com que toca a bola!!) que Ronaldo é absolutamente estratosférico! Foi no evoluír do seu gesto técnico a finalizar que atingiu e atinge marcas outrora impensáveis. E não no incrementar das suas capacidades físicas. Ser mais rápido e mais forte não garante sucesso na hora em que o pé toca na bola.



Madrid no Bernabéu.

Com esta proposta de jogo ofensivo, percebe-se bem o porquê do treinador campeão europeu achar que o Atlético é a equipa que melhor defende na Europa. Mas é o Atlético, e qualquer outra que enfie 8 jogadores dentro da área, e não deixe rematar de média distância. Como não nos cansamos de dizer, o Real Madrid é uma equipa com grandes individualidades, com as melhores do mundo. Mas colectivamente, nos momentos de organização ofensiva e defensiva, está longe de ser top. Ontem, Ronaldo não chegou. Atacar pelas "bandas" tão pouco. O que se seguirá, mister? Para onde vai evoluir o Madrid? Haverá evolução?




Sérgio Ramos. Um dos mais queridos meninos do futebol. A forma como oferece a bola, sem pressão, no primeiro e segundo golo de Torres, bem como a forma como coloca os apoios no primeiro, e não oferece cobertura a Pepe no segundo, diz tudo sobre o futebol de Ramos. 

Contenção, não Pepe?!