quinta-feira, 30 de abril de 2009

quarta-feira, 29 de abril de 2009

José Mourinho. O tal. II


"Contrariamente aos outros, não considero a estabilidade numa equipa como factor para que o conjunto tenha sucesso. Uma equipa tem de ser ensinada de forma correcta pelo treinador, para que possa jogar à imagem dele e para saber desempenhar a sua função suficientemente bem para a executar de olhos fechados - e isto não implica ter as pessoas a trabalharem em conjunto durante anos. Trata-se de o treinador fazer as coisas certas, de trabalhar arduamente e de as sessões de treino serem proveitosas"

Declarações recolhidas por Jim Keat, News of the World, 2 de Maio de 2004

"O futebol é um jogo baseado na emoção e na inteligência. Qualquer pessoa pode ser inteligente. O truque é não pensar que o outro tipo é estúpido."

Jim Holden, Sunday Express, 18 de Abril de 2004

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Belenenses. De Jorge Jesus a Jaime Pacheco


Cruel é o adjectivo que de melhor forma sintetiza a decisão de, menos de um ano depois de perder Jorge Jesus, contratar Jaime Pacheco para o mesmo cargo. Cruel para toda uma massa associativa, mas essencialmente cruel para o lote de jogadores belenenses que transitaram de uma época para a outra.

As diferenças são enormes. Enquanto um é apelidado, por vários seus ex-jogadores como o treinador que mais lhes ensinou, em termos tácticos (ocupação dos espaços e tomadas de decisão) ao longo de toda a sua carreira. Um, em particular, eleva-o, em termos tácticos ao patamar de José Mourinho. O outro, parece que, única tarefa é organizar peladinhas, exercícios de finalização e escolher onze jogadores ao fim de semana.

Para qualquer jogador ambicioso, perder alguém capaz de corrigir posicionamentos ao metro, explicar e treinar os comportamentos a adoptar nos vários momentos do jogo, por um treinador, que nem os princípios do jogo conhece, é no minimo, passível de uma desmotivação atroz.

De uma época para a outra, o Belenenses, perdeu as referências zonais, para se lançar numa caça ao homem (“quem marca ao homem corre por onde o rival quer. Essa caçada tem por fim capturar um inimigo, mas o meio usado converte o marcador em prisioneiro” (Valdano, 2002.)), em termos defensivos. Perdeu as excelentes transições rápidas, que lhes eram características, e os seus jogadores perderam todo o prazer que retiravam do jogo.

A descida de divisão para uma equipa que há bem pouco tempo se batia quase de igual para igual com o Bayern Munique, é uma realidade cada vez mais forte. É que as equipas fortes, não são construídas à base de discursos de "motivação" e "raça", nem tão pouco usando cachecois ao pescoço. Ainda que a empatia (com os adeptos), seja algo de importante, a competência táctica é a principal chave para o sucesso.

Quem tomou tais decisões, merece. E por vezes, por um... pagam todos.

Mais e Menos da Semana


MAIS

Carlos Manuel

Facilmente se elegeria os avançados Liedson (mais uma vez), Cardozo, Lisandro ou até Nuno Gomes pelo desempenho nos seus jogos da Liga Sagres. Porém, a grande surpresa, pela positiva, da semana foi Carlos Manuel. O heroi de Estugarda. Ao contrário do habitual, uma das estações televisivas, optou por ceder o lugar de comentador a alguém, que demonstrou perceber realmente de futebol. O Carlão, pode não ser um comunicador por excelência, mas ouvir falar em "apoios frontais", "desmarcações nas costas" e "contenções", ao mesmo tempo que se enuncia as vantagem de cada uma das acções, explicando que decisões deveriam ser tomadas e a que momento (claro que corrigir Di Maria, é um exercício relativamente fácil), foi uma lufada de ar fresco a este nível. Desde as aparições televisivas de José Mourinho e Carvalhal que não mais tinha valido a pena deixar o som da TV ligado.

MENOS

Minuto 58 no Estádio do Dragão.

Mais um prego na putrefacta indústria do futebol português. Se os clubes tendem a acabar, a culpa não pode ser, somente, atribuída à má gestão dos dirigentes. O futebol em Portugal há muito que deixou de ser atractivo para quem tem princípios. Vai morrendo lentamente. Adeptos, quase que nem vê-los. Se há algo que a mulher de César não pareça ser, é séria.

MAIS OU MENOS

Quique Flores

O SL Benfica voltou a vencer. Aparentemente com uma boa exibição. Finalmente foi possível ver boas combinações ofensivas, um futebol ofensivo envolvente e bons golos (o 2ndo é fabuloso. A antítese do que foi o Benfica ao longo da época). Contudo, nem tudo foi louvável. A transição ataque-defesa voltou a ser demasiado sofrível. A equipa voltou a partir-se ao meio. Na 2nda parte, em demasiados momentos, sobravam somente 6 jogadores para defender. A entrada de Katsouranis ajudou um pouco (Carlos Manuel referiu que o grego, por diversas vezes, chamou Reyes e Di Maria, corrigindo-os, obrigando-os a contribuírem para o encurtamento do espaço), mas a equipa continua sem a segurança necessária que um candidato ao titulo tem de apresentar. Mais uma vez, o jogo tornou-se uma lotaria.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

SL Benfica de Quique Flores e os diferentes momentos do jogo.



O Benfica de Quique Flores nos 5 momentos do jogo.

Ataque

Um dos momentos em que a equipa é mais débil. No início da época, a saída mais comum para o ataque era feita com um passe do defesa lateral para o avançado (Aimar) que procurava receber a bola no corredor lateral. A partir do jogo no Dragão, o futebol directo, ora procurando Reyes no corredor lateral, ora procurando um dos avançados, que recuava no relvado, para disputar a 1a bola, tornou-se a saída mais usual no SL Benfica.

Ter no plantel jogadores do nível de Aimar, Reyes, Yebda, Katsouranis, Rúben Amorim e Di Maria, e raramente conseguir chegar com a bola dominada ao último terço do terreno de jogo, só é passível de acontecer quando em termos colectivos o nível é fraco. Escasseiam combinações ofensivas e mobilidade, além de que não se verifica um trabalho efectivo de cada jogador para receber a bola. Simples simulações de corpo, dando a entender que se vai procurar a profundidade, recuando logo de seguida, para receber a bola no pé seria suficiente para um melhor controlo da posse de bola.

Defesa

Excepção às bolas paradas, parece ser o melhor do Benfica de Quique Flores. Quando organizado, é muito difícil conseguir criar situações de finalização perante o SL Benfica. Yebda, Katsouranis e Rúben Amorim são eximios na leitura que fazem das situações de jogo. Os laterais têm sempre garantidas as coberturas defensivas. O quarteto defensivo, posiciona-se (salvo raras excepções) correctamente. O colectivo tem capacidade para encurtar o espaço de jogo aos adversários. Há, um grande mérito de Quique, na boa capacidade que o SL Benfica demonstra, em organização defensiva.

O jogo no Dragão, onde abdicou do ataque, garantindo não perder a posse de bola, enquanto desiquilibrado no campo, evitando dessa forma, a transição defesa-ataque do FC Porto, e obrigando os dragões a jogarem em ataque organizado, foi, a par dos jogos em Guimarães, o ponto mais alto do SL Benfica neste momento do jogo.

Transição Defesa-Ataque

O movimento tipico, até ao momento em que pôde contar com Suazo, foi sempre a saída rápida pelo corredor lateral esquerdo, onde Reyes facilmente se libertava do seu adversário directo, acabando, quase sempre por solicitar Suazo em profundidade. A transição era simples e eficaz. Até ao momento em que se tornou compreendida pelos adversários. Esta transição era tudo o que de positivo o Benfica conseguia no plano ofensivo. Basear todo um processo ofensivo nos 20,30 segundos que se seguem após a recuperação da posse de bola revelou-se uma insensatez. Particularmente, para um clube que pretende ser dominador.



Transição Ataque-Defesa

Foi, até ao jogo no Estádio do Dragão, o ponto mais fraco do SL Benfica. Os extremos conferiam, não só, largura ao ataque, mas também profundidade. Fruto desse posicionamento, a equipa como que se partia em dois. Aquando do momento da perda da posse de bola, a equipa estava sempre desiquilibrada no campo. Sobravam 6 jogadores para defender. Os 4 da frente, estavam demasiado longe do meio campo defensivo e do corredor central, pelo que raras vezes recuperavam a tempo de participar no processo defensivo.

A má transição Ataque-Defesa, tornou-se a principal justificação para a utilização de Amorim como médio direito.

Na 2nda volta da Liga Sagres, optando por futebol directo, a equipa tornou-se menos exposta aos contra-ataques adversários. Porém, perdeu, ainda mais, capacidade ofensiva.



Bolas Paradas

No plano ofensivo, é o ponto mais forte do SL Benfica. Reyes e Carlos Martins executam tais lances com muita mestria. Ajuda, imenso, ter Cardozo, Yebda, Katsouranis, Luisão, Sidnei e David Luiz para finalizar.

No plano defensivo, até à 6a jornada, optando por defender HxH nestes lances, o SL Benfica sofreu demasiados golos (Rio Ave, 3 em Paços e outro do Leixões). Depois da 6a jornada, Quique Flores corrigiu de forma bastante eficiente, aquela que estava a ser a forma mais comum de marcar ao SL Benfica. Passando a defender os livres laterais e cantos, de uma forma zonal (uma primeira linha de 4 jogadores, seguida de uma de 3 e logo depois uma de 2), o SL Benfica reduziu substancialmente os dissabores sofridos nesse tipo de lances (Vit.Setúbal e Sporting marcaram, em lances um pouco atípicos e após o SL Benfica ter conseguido, num primeiro momento, tirar a bola da grande área. A Académica foi a excepção).

quinta-feira, 23 de abril de 2009

quarta-feira, 22 de abril de 2009

José Mourinho. O tal. I


Porque José Mourinho, compreende o futebol como ninguém. Porque desmistificou um sem número de falsas ideias sobre o jogo. Porque o vê como um jogo colectivo, onde todos são responsaveis por todas as tarefas, seja em que momento do jogo for (ofensivo / defensivo). Porque sabe, ao contrário de, ainda, muitos treinadores portugueses, que o jogo não são 11 duelos de 1x1. Porque nas suas equipas os avançados não servem só para marcar golos, nem os extremos só para fazer cruzamentos. Porque nas suas equipas, a relevância das tarefas ofensivas e defensivas, são igualmente importantes para qualquer jogador, independentemente da posição que ocupa em campo. Porque, para além de ser extremamente dotado de conhecimentos, ainda tem a capacidade de os sistematizar e fazer compreender aos seus jogadores, Mourinho foi sempre, o TAL, para o Lateral Esquerdo.

Em homenagem à inspiração que concede a todos que como ele, procuram compreender todos os factores de rendimento, individuais e essencialmente colectivos, o Lateral Esquerdo, publica semana a semana, duas das suas frases mais marcantes, que ajudam a perceber algumas das suas ideias e visões sobre o futebol.

"O seu jogo tem duas faces. Uma bela e uma outra de que eu não gosto. Ainda tem muito para aprender. Muito. Após o golo dele, precisei de onze jogadores para defender e só contei com dez. Ele não é suficientemente bom para mim."

Declarações recolhidas por Mark Fleming, Daily Express, 2 de Maio de 2005, sobre Joe Cole, que se limitou a marcar o golo da vitória sobre o Liverpool.

"Não gostaria dele. É um bom jogador, mas em Inglaterra não se pode jogar a meio campo com dois jogadores com um metro e setenta de altura. Com Makelele, não seria uma boa combinação."

BB5 Sport 5, 5 de Julho de 2004, sobre Edgar Davids.

Pepe e a Liga Portuguesa




Felizmente que Pepe guardou estes actos para a Liga Espanhola. Ainda que, o exercício de imaginar o comportamento de um árbitro português perante tal cenário, seja algo extremamente interessante. Interessante seria, também, perceber as influências que seriam movidas, para ilibar tais gestos.

Indesculpável.

domingo, 19 de abril de 2009

Mais e Menos da Semana


MAIS

Derlei & Liedson

Em Guimarães, com o Sporting, em vários momentos, bem próximo do K.O., foram os inevitáveis avançados leoninos que pela enésima vez se tornaram decisivos. Actuando lado a lado, pela mobilidade, disponibilidade e poder de finalização que entregam ao futebol do Sporting, têm sido de uma utilidade absolutamente incrível. Garanta Derlei uma boa condição física, e o Sporting deverá, indubitavelmente, propor-lhe a renovação de contrato.

MENOS

Hulk

Promovido a super-estrela. Apesar de ter evoluído bastante na ocupação dos espaços e até na tomada de decisões, Hulk continua com limitações que o tornam bem menos jogador que muitos outros colegas de equipa. Perante equipas com capacidade para encurtar os espaços, as suas acções individuais parecem condenadas ao insucesso. E como de momento, Hulk, poucas soluções oferece, para além das suas galopadas...

Para Jesualdo, permanecendo no FC Porto 09/10, será sempre mais traumático perder Lucho, Meireles, Bruno Alves, Lisandro e até Fernando do que Hulk. Perguntem-lhe.

MAIS OU MENOS

Quique Flores

O resultado foi óptimo. Porém, os problemas continuam os mesmos. Ainda que se possa pensar que a colocação de Amorim como médio centro traga outra vitalidade ao futebol do SL Benfica, ou que Nuno Gomes deva mesmo alinhar ao lado de Cardozo (também jogaram juntos nas duas jornadas anteriores...), nos últimos tempos a única decisão interessante foi mesmo a colocação de Aimar fora das zonas de pressão adversárias. O Resultado no Sado, é um engano. Uma espécie de "Com papas e bolos..." Por quanto tempo. Eis a questão.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Hulk. O incrível.


Em Hulk, o que há de mais incrível?

A) A sua velocidade;

B) O valor que a imprensa lhe atribuí;

C) A sua potência;

D) A sua incapacidade para tomar boas decisões, sempre que tem a bola nos pés;

E) O seu remate;

F) A quantidade de ataques do FC Porto que prejudica, pela ausência de um correcto timing para realizar as suas acções;

G) O seu potencial;

H) O quanto, ainda assim, Jesualdo, o tem feito evoluir no domínio cognitivo;

I) A sua incapacidade para produzir algo de positivo, perante equipas, que defendendo à zona, são capazes de encurtar os espaços;

J) O valor da transferência, que o FC Porto, eventualmente, acabará por receber;

K) A sua força;

L) Todos os anteriores.

A discussão prossegue na caixa de comentários.

Futebolistas de uma vida - VI


terça-feira, 14 de abril de 2009

Mais e Menos da Semana


MAIS

Liedson e Lisandro

Lisandro não acrescentou golos ao seu interessante pecúlio na Liga dos Campeões, mas demonstrou, mais uma vez, desta feita em Old Trafford, que é um jogador notável.

Liedson, semana após semana, aparece no que de melhor o Sporting produz. Alguém se lembra do último golo leonino que não tenha tido a sua participação? Se não marca, assiste. Ao contrário do que se poderia supor, os anos têm sido benévolos para o Levezinho. O Sporting agradece.

MENOS

Quique Flores

Já há muito se percebeu que, em relação ao rumo adoptado, há alterações que devem ser tomadas. Num momento em que todos os objectivos parecem inalcançáveis, persistirá Quique Flores com as suas inflexíveis ideias?

MAIS OU MENOS

Pablo Aimar

É um futebolista notável. Porventura, o melhor da Liga Sagres. O modelo de jogo do SL Benfica não o potencia. Contudo, aparecendo a receber a bola fora das zonas de pressão, como se tem verificado nos últimos jogos, torna-se mais preponderante e a espaços, percebe-se a sua infindável qualidade. Mal aproveitado. Porém, não é o maior responsável por esse facto.

domingo, 12 de abril de 2009

O fabuloso destino do Benfica de Quique Flores


Não estará, porventura, traçado. Segue-se uma intensa luta pela manutenção do 3º lugar. Sim. Analisando o que há para jogar, pensar em melhorar a actual posição na tabela classificativa é uma utopia. O Braga de Jesus, tem sido, ao longo de toda a prova bem mais equipa que o Benfica. Porém, nunca teve Suazo, nem Reyes.

Previsível.

Se foi notória a evolução enquanto equipa, que o Benfica sofreu até ao mês de Novembro, surgindo jogo após jogo, com novas correcções em relação ao que havia sido feito anteriormente, daí para a frente, somente uma confrangedora estagnação.

No mês de Dezembro, ficou perceptível tudo o que poderia vir a acontecer. Quique Flores não aproveitou a pausa natalícia para implementar as alterações necessárias, que pudessem conduzir a sua equipa ao sucesso. Seguiu-se o fatidico mês de Janeiro, onde para além da perda da liderança, ficou claro que só uma mudança (ou no sistema, ou nas dinâmicas) poderia tornar o Benfica uma equipa competitiva.

Quique permaneceu indiferente a todos os sinais. O caminho trilhado não se alterou. O mesmo caminho que todos haviam percebido estar condenado ao insucesso. Pós Belém, Rui Costa deveria ter actuado. Não seria tarde.

Por teimosia, ou falta de lucidez, foi Quique Flores que, preferindo manter-se fiel ao seu insípido modelo de jogo, conduziu o SL Benfica a exibições e resultados pouco condizentes com toda a qualidade individual que tem à sua mercê.

Continuidade por continuidade, quando não há evolução não faz sentido. Quando se percebe que há uma clara teimosia em forçar a acontecerem ideias que jamais resultarão no contexto do SL Benfica, a continuidade será um crasso erro.

Se pode ter sido um erro abdicar de Fernando Santos e de Ronald Koeman, uma vez que as suas equipas, apesar não terem saído vencedoras, mostraram alguns bons indícios, passíveis de serem potenciados com mais um ou dois anos de trabalho, persistir em Quique Flores é um absurdo. Flores já mostrou, não estar disponível para mudar nem um pouco o seu trajecto inicial. E também já se percebeu que aquele tipo de futebol, jamais obterá sucesso na Liga Sagres.

P.S.I - E pensar que Quique, com toda a sabedoria que tem, bem poderia ter sido o treinador que o Benfica tanto necessita. Pena a incapacidade para moldar as suas ideias à realidade vivida.

P.S.II - Alguns textos de Dezembro e Janeiro, quando se percebeu o destino do Benfica 08/09.

http://lateral-esquerdo.blogspot.com/2008/12/benfica-15-benficos-dias-de-pausa.html

http://lateral-esquerdo.blogspot.com/2009/01/quique-flores-pelo-menos-3-pontos.html

http://lateral-esquerdo.blogspot.com/2009/01/ateno-de-quique.html

sexta-feira, 10 de abril de 2009

O Sporting de José Peseiro


Tal como o Benfica de Fernando Santos, o Sporting de Peseiro poderá não perdurar na história como uma equipa vencedora. Porém, jamais será esquecido.

Poderá José Peseiro, que acabou escurraçado de Alvalade, e que é tido pela generalidade dos adeptos, independentemente das cores clubísticas como um problema, e nunca uma solução, ter sido vitima de uma tremenda injustiça?

Apesar do indesmentível excelente futebol proporcionado pelo Sporting da época, os criticos garantem haver uma dicotomia. Jogar bem, em oposição ao vencer. Tal permissa, falsa quanto judas, foi sempre a principal forma de inferiorizar a qualidade do trabalho de Peseiro.

Contudo, é importante perceber, que no futebol, jogando-se melhor, está-se sempre mais próximo de vencer. Ainda que em determinados momentos possa não acontecer.

Na vertente táctica, a falta de equilibrio que por vezes a equipa exibia, foi sempre um dos principais defeitos no modelo de jogo adoptado. Em cada minuto, em cada ataque, parecia não haver meio termo. Ou marca ou sofre. Se por um lado, os pressupostos ofensivos inerentes a tais ideias permitiram aos adeptos leoninos, festejar, só no campeonato nacional, mais 27 golos que o FC Porto. Sim, 27. Por outro, terminar a Liga apenas como a 8a melhor defesa da prova, foi uma "proeza" quase impensável para um candidato ao titulo.

Peseiro sai com a imagem de um fraco perfil de liderança, fruto de diversos episódios absolutamente lamentáveis com alguns importantes jogadores.

Tão importantes quanto ingratos. Claro. Muitos, se tiveram oportunidade de disputar uma final europeia, a Peseiro devem agradecer.

Não acrescentou troféus às vitrines de Alvalade. Certo. No entanto, se questionarem qualquer adepto leonino, sobre a melhor memória das últimas décadas, Alkmaar, com Peseiro ao leme, por certo, jamais será esquecido. Não valerá tal memória bem mais que uma qualquer Taça da Liga ou Supertaça?

Na mente de Peseiro, três lances, que definem uma época inteira, perdurarão eternamente como "SES".

- E se Liedson não comete, nos últimos momentos do jogo que antecedeu a visita á luz, o (estranho) disparate de pontapear, propositadamente, uma bola para longe? Disparate esse, que lhe valeu a ausência no mais decisivo jogo do campeonato. Mas, que por outro lado, lhe permitiu estar um pouco mais disponível físicamente para a final da Taça Uefa...;

- E se Ricardo, a 6 minutos do fim da partida na Luz, na penúltima jornada do campeonato e com o Sporting em 1º lugar, tem decidido socar a bola?;

- E se a bola rematada por Rodrigo Tello, 20 segundos antes do 3º golo do CSKA, após bater nos dois postes de Akinfeev, nobre guardião Russo, tem entrado na baliza?

quinta-feira, 9 de abril de 2009

quarta-feira, 8 de abril de 2009

O SL Benfica de Fernando Santos


Ponto prévio. O texto não pretende tecer juízos de valor sobre a competência de Fernando Santos. Nem tão pouco dar a entender, que o seu regresso, seja uma opção interessante para o SL Benfica.

Nos últimos anos, quando as coisas não parecem correr bem com a equipa de futebol, a massa adepta do SL Benfica parece dividir-se entre os saudosistas de Fernando Santos e os que desde sempre lhe alimentaram um ódio quase visceral.

Bom sinal para Fernando Santos. Quando foi contratado, ninguém pareceu confiar nas suas capacidades. Pensar que muitos ainda recordam a sua época, é, claramente, uma vitória sua.

Alguns dados. Uns mais objectivos que outros.

- SLB termina em 3º lugar, entra na última jornada com (remotas) chances de se sagrar campeão;

- SLB atinge os Quartos de Final da Taça Uefa (onde é eliminado de forma injusta, após ser, previamente, eliminado na Liga dos Campeões, onde estava inserido num grupo relativamente acessível);

- SLB realiza a sua melhor época em termos exibicionais pós 93/94 e consegue 2/3 de vitórias nos jogos do campeonato nacional (tudo isto, com uma pré-época semi boicotada por decisões estranhas. A possível venda de Simão, que o impediu de treinar por um mês, o atraso na contratação de Miccoli e as constantes lesões de Rui Costa e também do italiano, foram grandes handicaps).

Méritos de Fernando Santos:

- O futebol praticado era extremamente atractivo. O SLB tinha a capacidade para criar oportunidades de golo em catadupa. Em vários jogos marcava muitos golos. Em outros tantos, desperdiçava-os. Porém, situações de perigo em jogadas de futebol apoiado e envolvente, nunca faltaram. Faltou, talvez, um goleador.

- O bom futebol em termos ofensivos, era mérito de Fernando Santos. As combinações ofensivas e transições rápidas para contra-ataque (a decisão de colocar Simão como nº10 no losango foi fantástica e possibilitou-lhe realizar, em termos exibicionais, a melhor época da sua carreira) foram movimentos pensados, ensinados e treinados por si. Claro que ajudava ter Simão e Miccoli na equipa.

- Soube sempre perceber o contexto em que estava inserido e moldou a táctica e a dinâmica, às características dos jogadores que compunham o plantel.

Deméritos de Fernando Santos:

- O método defensivo (marcações HxH) impediu o SL Benfica de ir mais longe. Os golos sofridos eram sempre muito similares. Quase sempre, fruto do mau posicionamento defensivo de Nélson. Luisão, surgia quase como o defesa direito da equipa. Tivesse conseguido ou tentado, explicar e colocar em prática uma zona defensiva, em vez das tradicionais marcações HxH, teria melhorado de forma bastante acentuada a prestação do quarteto defensivo. (Luisão, refere-o sempre, como o grande mérito de Quique Flores);

- A incapacidade para se impor perante a direcção, de todas as vezes que o seu trabalho foi semi-boicotado.


Fernando Santos poderá não ser um treinador de excelência, mas percebe-se o porquê do saudosismo. À falta de vitórias (cuja responsabilidade tem de ser repartida por ínumeras pessoas), havia futebol. E bom.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Licha e Lucho, outra vez


No colectivo reside a virtude. A evolução que Jesualdo promoveu em Rodriguez (bastante melhor jogador na ocupação dos espaços. Que andou Camacho a fazer um ano (quase) inteiro, na época 2007/2008?), e em Hulk (ainda assim bastante longe do jogador que se quer fazer crer. Afirmações, proferidas, também pelo próprio Jesualdo) muito tem contribuido para os bem sucedidos, ultimos meses do FC Porto.

Contudo, na imparável dupla Licha e Lucho, reside a grande força do FC Porto. Jogadores sublimes em termos tácticos (ocupação de espaços e tomadas de decisões), muito bons em termos técnicos e com atributos físicos interessantíssimos.

Depois de Madrid, Old Trafford. Parece impossível que a Europa continue indiferente aos argentinos.

Para o FC Porto, a ter de perder alguém no final da época, seria importante que as possíveis transferências não envolvessem Lucho, Licha, Jesualdo e até, eventualmente, Raúl Meireles.

P.S. - A ausência de Lucho, em Guimarães, só comprova a primeira afirmação. No colectivo reside a virtude. Porém, é impossível ficar indiferente à categoria do argentino. Um (enorme) futebolista é tudo aquilo.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Mais e Menos da Semana


MAIS

Jesualdo Ferreira

Pode parecer repetitivo, mas o trabalho de Jesualdo no FC Porto, tem sido soberbo. Em Guimarães, o FC Porto entrou com 6 jogadores no seu primeiro ano de FC Porto. Dos 5 com mais de um ano de trabalho com Jesualdo, dois (Mariano e Farias) nunca foram escolhas consensuais.

Mais que o excelente resultado, notou-se um entrosamento fantástico. Todos os jogadores a perceberem como ocupar os espaços em cada momento. Futebol apoiado, jogos de coberturas, desmarcações de apoio e ruptura. Movimentos harmoniosos e previamente ensinados e treinados. A evolução colectiva do FC Porto é notória. O responsável maior, parece estar de partida. Será um erro.

MENOS

José Mota

Em quase todas as épocas, há equipas sensação. A justificação é simples. Umas, como o Vitória de Setúbal de Carvalhal, da época passada, são extremamente bem orientadas. Outras, porque têm vários interessantes valores individuais, acabam por se destacar com resultados inesperados. Como o Leixões de Wesley.

As primeiras resistem à debandada de individualidades. É que o valor está no colectivo. No treinador e na forma como organizou a equipa. As segundas, acabam sempre por voltar à normalidade. Ou porque os melhores valores sairam, ou porque fisicamente e psicológicamente não estão tão disponiveis.

O Leixões 08 / 09, independentemente das fantásticas proezas obtidas, nunca foi uma verdadeira equipa. Sempre um conjunto de individualidades interessantes. E no fim, os colectivos terminam sempre à frente das individualidades.

MAIS OU MENOS

Manuel Cajuda

As ideias ofensivas que sempre incute nas suas equipas, são interessantes. Nunca o poderão acusar de ter uma mentalidade defensiva. A forma descomplexada como as suas equipas encaram qualquer jogo, pode ser tida como uma virtude. Porém, não é. Saindo para o intervalo a vencer, e sabendo da dificuldade que o FC Porto tem em superar equipas que defendem com os jogadores bem próximos (retirando dessa forma, espaço aos velozes Hulk e Rodriguez), Cajuda falhou rotundamente na estratégia a adoptar na 2nda parte do jogo. Estar a vencer o FC Porto, e consentir situações de 3x3, 4x4, em 50 metros, com Hulk revela uma total inaptidão táctica, que dificilmente seria passível de ter sucesso.

domingo, 5 de abril de 2009

Quique Flores. Mais que 3 pontos.


Mais que os três pontos em cada jogo, a Quique Flores deveria ser exigido:

- Uma saída para o ataque em futebol apoiado. Porquê não colocar os centrais em cada vértice da grande área e sair a jogar com a bola no pé, em vez do tradicional chutão, indigno de um clube que se pretende dominador?;

- Que a equipa fosse capaz de conseguir 3 passes consecutivos. Seria possível, com um melhor jogo de coberturas, e com um melhor trabalho para receber de cada um dos jogadores;

- Que as bolas paradas não fossem a única forma de entrar na área adversária;

- Que a largura conferida ao ataque, não se cingisse aos movimentos de Maxi Pereira e ao posicionamento dos médios alas. Porquê não surgem os avançados a oferecer opções de passe nos corredores laterais? Como no jogo como o Napoles na luz, onde Di Maria o fez tão bem;

- Que o portador da bola tivesse em todas as situações várias opções (o jogo de coberturas ajudaria, assim como uma maior mobilidade);

- Que percebesse que na Liga Sagres, treinando um dos três tradicionais candidatos ao titulo, um modelo de jogo cujos pressupostos ofensivos acentam essencialmente em saídas rápidas para o contra-ataque é inadequado (Ainda para mais, nem as ditas transições têm resultado);

- Que a sua boa zona defensiva, tivesse um apoio mais eficiente do sector do meio campo;

- Que a equipa não dependesse tanto da qualidade individual de Reyes;

- Um maior aproveitamento de Aimar. Colocá-lo fora das zonas de pressão pareceu uma boa opção. Porém, sair para o ataque em futebol directo, prejudica-o. Colocá-lo em zonas de aproximação à 1a bola é parvoíce. Para quê talento, se não há intenção de fazer circular a bola pela relva?

sábado, 4 de abril de 2009

Nuno Assis, claro


Saiu do SL Benfica, sem ninguém ter lamentado. Naquele momento, Assis, seria provavelmente, o único que sabia ter lugar no plantel do SL Benfica. Compreende-se a injustiça que sentiu.

Para o comum adepto, Assis não deixa saudades. Como poderia? Não recorre a dribles, nem tão pouco é dado a loucas correrias com a bola. Para Assis, futebol, é a bola a circular. E quão belo é o jogo, quando dessa forma é interpretado.

Infelizmente para Assis, nem todos percebem o alcance e o interesse de um jogador que nunca perde a bola, de um jogador capaz de decidir bem em todas as situações. Fantástico nas tomadas de decisão, na ocupação dos espaços e com talento q.b., a Nuno Assis terá faltado, porventura, quem lhe potenciasse as capacidades físicas. Terá sido essa lacuna, que o impediu de se tornar num dos mais influentes jogadores no SL Benfica. Mesmo, não esquecendo as boas (meias) épocas com Trapattoni e Fernando Santos.

Seguir os jogos do Vitória, quando Assis está na plenitude das suas capacidades físicas, torna-se sempre num exercício bem mais interessante.

E pensar que Bynia e Carlos Martins ocupam lugares no plantel do SL Benfica que bem poderiam ser de Nuno Assis... (Ainda que se perceba as potenciais dificuldades perante o modelo de jogo adoptado por Quique Flores).

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Final da Taça da Liga. Saídas para o ataque. Boas ou más opções?


Ainda a Taça da Liga.

No jogo do Algarve, Paulo Bento e Quique, um pouco contra a natureza daquela que tem sido a filosofia de Sporting e Benfica ao longo da sua história, decidiram-se por sair para o ataque, através de futebol directo.

Ao longo de todo o jogo, o Sporting optou por colocar o seu Guarda Redes, a marcar o pontapé de baliza, de forma directa para o meio campo adversário. A opção passou por colocar a bola na zona de João Moutinho, que foi o jogador mais solicitado para disputar a 1a bola. Uma opção, algo estranha, tendo em conta a morfologia de Moutinho, mas que teve o seu momento alto, no lance que culminou com o golo de Pereirinha. Tal como em quase todos os pontapés de baliza leoninos, Moutinho recuou alguns metros para disputar a 1a bola, ao mesmo tempo que Vukcevic e Derlei ocuparam o espaço entre os defesas e os médios encarnados. Moutinho ganhou a 1a bola, colocando-a nos pés de Vukcevic. Uns segundos depois, o Sporting inaugurava o marcador.

Importante referenciar também, a principal oportunidade do Sporting, para além do golo obtido por Pereirinha, construída de forma similar. Pontapé longo de Tiago, Moutinho de cabeça serve Vukcevic, que recebe a bola no mesmo espaço (entre os defesas e médios do SL Benfica), e termina a servir Liedson, para um remate que David Luiz acaba por cortar próximo da linha de golo.

Tal como Paulo Bento, o treinador do SL Benfica, optou por uma saída em futebol directo para o ataque.

Se na primeira parte, o alvo terá sido o corredor lateral direito, na procura de Reyes, para a 1a bola, na segunda parte, a estratégia alterou-se.

O lance comum a quase todas as saídas para o ataque do SL Benfica na segunda parte, foi o pontapé de Quim, dirigido para o corredor central, onde Suazo recuava uns metros, e disputava a 1a bola. Enquanto isso, Nuno Gomes primeiro, Di Maria depois, procuravam a profundidade, nas costas da defesa do Sporting e Reyes, Aimar e Katsouranis aproximavam-se da zona onde a 1a bola era disputada. Os primeiros ainda próximos dos corredores laterais, o grego, garantindo a cobertura ofensiva a Suazo.

Também o golo do SL Benfica, nasce na sua saída típica para o ataque. Pontapé longo de Quim, Suazo ganha a 1a bola, colocando-a no caminho de Di Maria.

Se é certo que este tipo de estratégia pareça promover mais contacto físico, intensidade e emotividade ao jogo, também não se pode dissociar a qualidade reduzida de jogo na final da Taça da Liga, das opções dos seus treinadores.

Ter talento na equipa, e optar por futebol directo, é sempre uma decisão lamentável. Ainda que em determinados momentos, se perceba a ideia.

Futebolistas de uma vida - IV