sábado, 30 de Maio de 2009

FC Barcelona. Os outros 10 minutos.


"Iniesta e Xavi podem guardar a bola para sempre". Alex Ferguson.

O culto da posse de bola é a face mais visivel e encantadora do jogo do Barcelona. A excelência técnica, a inteligência suprema e a total ausência de egoísmo de um vasto lote de jogadores, encabeçados por Xavi e Iniesta assim o viabiliza.

Mas, há mais. Também do ponto de vista defensivo, Guardiola organizou uma equipa absolutamente incrível na ocupação dos espaços e no cumprimento dos princípios defensivos do jogo.

Sem posse de bola, os quatro defensores aproximam-se, posicionando-se em função do lado da bola, garantindo a concentração defensiva. O triângulo do meio campo, originalmente com dois vértices ofensivos, por vezes inverte-se. Quando Xavi sai ao médio adversário, garantindo a contenção, Iniesta recua, aproximando-se de Busquets, para uma dupla cobertura defensiva. À troca de bola do adversário, o meio campo culé responde com um restabelecimento do equilibrio, através da troca de funções entre os dois médios interiores. Contenção - Cobertura.

Na final de Roma, e com o Barcelona em organização defensiva (várias foram as vezes em que Busquets integrou a linha defensiva, que momentaneamente se tornava de 5 jogadores, por forma a aumentar a concentração defensiva, respondendo ao jogo a toda a largura do campo, do United), apenas, por uma única vez, o Man Utd conseguiu colocar a bola no espaço entre o quarteto defensivo e os médios centro Catalães.

Se trocar a bola em passe curto, não parece ser solução para colocar dificuldades, a quem tem tanta facilidade no restabelecimento de equilíbrios, quanto o Barcelona. Aos passes longos, a equipa de Guardiola responde com uma rápida basculação (colectiva e consequentemente de toda a equipa), que lhe permite em pouquíssimos segundos, garantir a concentração defensiva no lado da bola.

Interessante mesmo, seria assistir a uma final FC Barcelona - FC Barcelona. É que se, por um lado, parece ser uma tarefa hercúela, para quem defronta o Barcelona, servir um avançado posicionado no corredor central, por outro, os apoios frontais dos avançados culés, e a facilidade com que recebem a bola no mesmo espaço, para posteriormente servirem um dos médios, é, a combinação ofensiva, mais efectiva do Barcelona de Guardiola.

P.S. - Parece óbvio, que o talento, não mais acaba, no FC Barcelona. Mas, Guardiola é único. Garantindo que os seus jogadores seguem estritamente os seus ensinamentos, terá sucesso em qualquer equipa do mundo.

quinta-feira, 28 de Maio de 2009

quarta-feira, 27 de Maio de 2009

José Mourinho. O tal. VI


"É um dos melhores do mundo. É o melhor da nossa equipa. É super rápido e quando chega a altura de passar a bola, ou rematar, normalmente decide bem."


Declarações recolhidas por Danny Fullbrook, Daiily Star, 25 de Outubro de 2004, referentes a Arjen Robben.


"Não acredito na palestra clássica, em que o treinador debita informação. Acho que ao fim de 5 minutos, já não ouvem. Gosto de estar e ver um determinado video, parar e perguntar como vamos resolver este problema."


Rui Gomes, O Jogo, 24 de Outubro de 2002.

terça-feira, 26 de Maio de 2009

Ramires. Declaração de qualidade.

"Jogo no máximo a dois, três toques."

As referências já prometiam. As declarações aumentam a expectativa.

Com Yebda, Rúben Amorim, Pablo Aimar e Ramires no plantel, será crime não pensar num triângulo (Yebda ou Amorim como pivot defensivo, Aimar e Ramires como vértices mais ofensivos) ou num losango (Yebda como pivot defensivo, Ramires e Amorim como interiores, e Aimar no vértice mais adiantado) para o meio campo.

Permanecer num modelo que somente contemple dois médios centro, é de tal forma absurdo, que por si só, deveria ser motivo para uma rescisão contratual com justa causa.

segunda-feira, 25 de Maio de 2009

Mais e Menos da Semana


MAIS

Jorge Costa

O Algarve volta a estar representado na Liga Portuguesa. Jorge Costa é o principal obreiro. Poucos treinadores portugueses terão a astúcia táctica de Jorge Costa. Os muitos anos de prática, vendo sempre o jogo pela frente, e a oportunidade de ter sido orientado por José Mourinho, contribuiram de forma decisiva para lhe aumentar o leque de conhecimentos sobre o jogo. Desconhece-se se é capaz de aplicar e transmitir, tudo o que sabe. Se for capaz de operacionalizar os conhecimentos que tem, o futuro, enquanto treinador de futebol, será, por certo, risonho.

MENOS

Ulisses Morais

A Naval é uma das equipas da Liga, com alguma qualidade individual. Se é certo que conseguiu, a espaços, produzir um futebol agradável, acente em transições rápidas para o ataque, pelos corredores laterais, explorando o talento de Davide e a velocidade de Marinho, terminar a prova num 13º lugar, fica muito áquem das expectativas iniciais.

MAIS OU MENOS

Manuel Machado

Se é certo que terminou a época à frente do seu eterno "amigo", Jorge Jesus, o jogo de Alvalade, demonstrou, claramente, que Machado está a anos luz de ter capacidade para voos mais altos. O processo ofensivo é bem trabalhado. As movimentações, combinações ofensivas e transições são boas. Contudo, o processo defensivo é lastimável. A caça ao homem que incute nas suas equipas, esperando que o central livre, faça todas as coberturas defensivas, tornam-as demasiado frágeis. Muito facilmente se encontram soluções (através da mobilidade dos jogadores da frente) para fazer golos a quem assim defende. Os golos de Derlei são o espelho do quão frágil e mal posicionada pode ficar uma defesa que usa referências individuais a todo o instante.



domingo, 24 de Maio de 2009

Só se não quiseres, Ninja.


"Não posso consentir que ele corra quaisquer riscos. Se pudesse, colocá-lo-ia numa redoma de vidro".

Seis anos volvidos à pública demonstração do quão decisivo Derlei se tornara na equipa de José Mourinho, e com lesões, troféus, golos e passagem pelos rivais de Lisboa pelo meio, o Ninja pensa em terminar a carreira.

Entrega, disponibilidade física, inteligência e um querer, acente no seu enorme profissionalismo fazem de Derlei uma referência incontornável na última década no futebol português.

Se no FC Porto almejou troféus e notoriedade, no Sporting, e apesar de a sua carreira já ir longa, conseguiu tornar-se no melhor complemento que Liedson teve.

A lamentar, somente a breve passagem pelo SL Benfica. A sua débil, à data, condição física, associada à escassez de oportunidades, impediram-o de triunfar. A certeza, porém, de que teria, assim desejasse, qualidade suficiente para integrar o plantel de qualquer um dos clubes portugueses na época vindoira.

Neste momento, um término na carreira, justificar-se-ia, somente, pelo desejo de não querer continuar.

SL Benfica de Quique Flores resumido num lance




Pare a imagem no 5º segundo. Observe o posicionamento dos jogadores encarnados.

Desde a primeira jornada que assim é. Sempre que o SL Benfica perde a posse da bola, a equipa está totalmente desiquilibrada no campo, e sempre próxima de sofrer golo. A pouca qualidade individual que vamos tendo na Liga Sagres é a razão pelo qual o Benfica "só" sofreu 32 golos em 30 jogos.

Um exercício, potencialmente interessante, seria imaginar uma equipa tão desiquilibrada, a jogar numa liga como a espanhola. Raro seria o jogo em que não sofresse 4, 5 golos.

Inadmissível como na última jornada de um campeonato, a transição ataque-defesa da equipa de Quique, ainda se assemelhe à de um qualquer grupo de amigos que se reúne ao fim de semana para jogar à bola.

Flores parte com seis meses de atraso.

quinta-feira, 21 de Maio de 2009

quarta-feira, 20 de Maio de 2009

José Mourinho. O tal. V


"Não é fácil para um treinador gostar de um jogador que tem uma média absurda de foras de jogo, que não sabe que, quando a bola está na posse do adversário, tem de fechar o espaço interior e não ficar aberto, que não sabe o que é relação posicional e ocupação equilibrada do espaço e que, fora de casa, quando lhe mostram os dentes... foge"

Declarações recolhidas por Nuno Ferreira, Record, 11 de Novembro de 2000, sobre Sabry

"No campeonato, quero jogar sempre igual, seja qual for o rival. A minha ideia é ter um padrão de jogo definido, capaz de jogar de olhos fechados. Na liga portuguesa, poucas vezes vamos defrontar equipas superiores a nós"

Augusto Leite, Record, 31 de Janeiro de 2002

segunda-feira, 18 de Maio de 2009

Mais e Menos da Semana


MAIS

Goleadores

De Liedson a Cardozo, não esquecendo Farias e Lisandro. A semana foi profícua para os avançados.

Liedson, continua a somar golos atrás de golos (e que golos), Cardozo a provar que foi um erro não o ter enquadrado na equipa, Farias a demonstrar que é temível dentro da grande área e Lisandro, que apesar de não ter um número elevado de golos (na Liga), continua a mostrar, a cada momento, que é o melhor avançado da Liga Sagres.

MENOS

Eduardo

Eduardo tem qualidade. É possívelmente, o melhor GR que um clube português, que não tenha o titulo nacional como objectivo, possa ter. No entanto, está demasiado longe de possuir qualidade internacional. De cada vez que a pressão aumenta, Eduardo tende a claudicar. Não parece servir como titular da Selecção Nacional, ainda que não exista nenhum português de nível indiscutível. Fica ligado à (pesada) derrota bracarense.

MAIS OU MENOS

Moreira

Voltou à titularidade, com uma exibição muito serena. A personalidade parece ser o ponto forte do Guarda Redes benfiquista. Porém, não é um valor seguro. O joelho parece ter-lhe diminuido uma carreira que muito prometia.

domingo, 17 de Maio de 2009

Lateral Esquerdo, ainda antes de Jorge Jesus


"O treinador do Sp. Braga, Jorge Jesus, deu uma lição de táctica, explicando que o jogo tem cinco momentos. Um deles nunca tinha sido falado por qualquer técnico, garantiu o próprio. Aprenda com Jesus." in Maisfutebol

6a feira, dia 15 de Maio de 2009.

PS - Jorge, poderá ter sido o primeiro treinador a mencionar o 5º momento do jogo, mas antes, já o Lateral Esquerdo o tinha enunciado (aquando da análise ao SL Benfica de Quique Flores e ao FC Porto de Jesualdo Ferreira).

Confira o video:


Jorge Jesus. O mestre da táctica.


São inúmeros os jogadores que lhe tecem os mais rasgados elogios. Todos, enaltecendo a mesma vertente. A táctica.

Hugo Leal, jogador com uma vivência extraordinária, nomeia Jesus, quando questionado sobre qual o melhor treinador da sua carreira. Em 6 meses aprendeu mais sobre o jogo, do que em toda a carreira, diz. Gonçalo Brandão, recém internacional, afirma que foi com Jesus que aprendeu a ocupar o espaço no campo de jogo. Silas compara-o a Mourinho em termos tácticos e lamenta não ter sido seu jogador uns bons anos mais cedo.

Os estágios no FC Barcelona e em Itália, com alguns dos melhores treinadores mundiais, aliados à sua sede por conhecimento, muito contribuiram para que Jesus se tornasse num dos maiores conhecedores do jogo em Portugal.

Características das equipas de Jesus e o SL Benfica

Jorge Jesus prepara ao mais ínfimo pormenor cada momento do jogo, sendo notórios, os princípios comuns às suas equipas.

Defesa

A linha defensiva funciona de uma forma muito próxima à de Quique Flores. Linha de 4, com referências zonais. Posicionamento em função da bola e dos colegas de equipa. Diferencia-se de Quique Flores por preocupar-se com a ocupação do espaço defensivo, à frente dos defesas centrais. As suas equipas jogam sempre com um trinco, (preferência por alguém com estatura alta e excelência na leitura táctica. Presumivelmente, Yebda será um dos mais importantes jogadores de todo o modelo de jogo encarnado, na posição de 6) e com dois médios interiores (Amorim ocupava o lado direito do meio campo do Belenenses, nas épocas de Jesus), responsáveis pelas coberturas defensivas aos laterais.

Ataque

Quando em ataque organizado, os laterais assumem um papel importante, por conferirem largura e profundidade aos corredores laterais. As suas equipas caracterizam-se sempre por uma excelente capacidade de posse de bola, fruto dos inúmeros apoios que são dados ao portador da bola, garantindo que, este, tem sempre, várias opções de passe. Temporizações, apoios frontais dos avançados e constante movimentação colectiva são imagens de marca, bem como a capacidade para colocar imensos jogadores nas zonas de finalização, após cruzamentos.

Transições

As suas equipas têm, regra geral, um avançado rápido e bastante móvel, responsável pelo conferir de largura, aquando do momento da transição defesa-ataque e outro, mais fixo, procurando explorar mais as zonas de finalização.

Nas transições defensivas, raramente as suas equipas demonstram debilidade. Ao contrário do Benfica de Quique Flores, as equipas do Jesus, garantem sempre o equilibrio defensivo, precavendo as eventuais perdas de bola. Não é por acaso que são sempre das menos batidas da liga.

(Um) Presumível 11



P.S. - O Benfica de Quique Flores foi um rotundo fracasso, pela sua incapacidade táctica. Jorge Jesus, corrigirá, por certo, as enormes lacunas do actual SL Benfica. Contudo, aguarda-se, também, com alguma expectativa, uma demonstração de capacidade, ou não, nas demais variantes. Liderança e comunicação, essencialmente.

P.S.II - Confirmando-se o cenário, deixará Jesus de jogar Playstation?

quinta-feira, 14 de Maio de 2009

quarta-feira, 13 de Maio de 2009

José Mourinho. O tal. IV


"Não gosto de jogar em 4-4-2 em duas linhas. Gosto do jogo entre linhas e dos jogadores com criatividade dinâmica para o fazer."

Declarações recolhidas por Mark Honigsbaum. Observer, 1 de Agosto de 2004.

"As vitórias não caem do céu. Saem dos nossos corações, das nossas pernas, da nossa inteligência."

Martin Lipton. Mirror, 8 de Novembro de 2004.

segunda-feira, 11 de Maio de 2009

Mais e Menos da Semana



MAIS

Jesualdo Ferreira

É o principal responsável pelo sucesso do FC Porto. A sua equipa é um verdadeiro colectivo, onde (quase) todos sabem o que deve ser feito em cada momento. Mais do que qualquer individualidade, o titulo é obra do "professor".

MENOS

Quique Flores e Jaime Pacheco

Um, tem conhecimentos, mas a sua personalidade narcisista, impediu-o de alterar algumas das más ideias decorrentes do modelo de jogo que preconizou para o Benfica. O resultado foi sempre previsível e está à vista.

O outro, é, muito provavelmente, o pior treinador da Liga Sagres. Incapaz de compreender o futebol actual. É o tipíco adepto, mas, num cargo de treinador. Pensa que os médios defensivos é que têm de correr kms, que os avançados apenas servem para fazer golos e que os defesas para cortar ataques adversários. Pensa que a chave para os jogos são factores relacionados com a atitude, quando não o são, de todo. É um jogo de inteligência.

MAIS OU MENOS

Domingos Paciência

Surpreendeu numa entrevista. Enunciava princípios de jogo, explicava de forma clara as ideias que tinha para o modelo de jogo da Académica. Pressupostos interessantes para uma equipa com individualidades muito débeis. A duas jornadas do fim, a sua Académica surge a somente 3 pontos do 6º lugar. Porém, possuír uma imagem demasiado associada a um clube poderá ser um entrave nas opções profissionais. Ou não.

quinta-feira, 7 de Maio de 2009

FC Porto e os diferentes momentos do jogo.


O FC Porto 08/09 nos 5 momentos do jogo.

Ataque

O momento mais débil do FC Porto ao longo de toda a época. Em particular, no decorrer da primeira volta. A tendência de Rodriguez para procurar os espaços interiores (mesmo na fase de construção), aliada à ausência de um lateral que conferisse largura e profundidade no corredor lateral esquerdo, prejudicou imenso o volume ofensivo do FC Porto. Perante equipas que defendem com os sectores próximos e com aglomeração de jogadores no corredor central, o FC Porto revelou-se, demasiadas vezes, incapaz de contornar as adversidades. As más decisões de Hulk (perdendo a bola quase de todas as vezes que a tocava), quando o adversário está em organização defensiva também não ajudaram.

A 2nda volta demonstrou-se bastante mais profícua. A chegada de Cissokho conferiu largura ao ataque portista, a maior utilização de Farías (melhor finalizador do FC Porto) e Mariano (tão mal amado, quanto inteligente na abordagem a cada lance), permitiram ao FC Porto contornar algumas das dificuldades da primeira volta.

Defesa

O excelente pressing que o colectivo portista consegue realizar (por estar bem posicionado no campo, e não porque os seus jogadores correm e lutam mais do que os adversários, como é crença comum dos adeptos adversários), permitiu e permite que o FC Porto passe muito pouco tempo de jogo em organização defensiva. A equipa consegue, demasiadas vezes, recuperar a bola num ápice. Raros foram os jogos em que o FC Porto se viu remetido ao seu meio campo defensivo. Quando tal sucede, a excelente capacidade táctica de Lucho, Fernando e Meireles, quer nas coberturas defensivas, quer no restabelecimento de equilíbrios, em conjunto com o acerto de Bruno Alves no jogo aéreo, permitiu, ao longo de toda a temporada, evitar sobressaltos de maior.

Transição Defesa-Ataque

O momento do jogo em que o FC Porto é mais forte. Neste momento, Hulk é mesmo incrível (partindo do corredor lateral, em direcção ao central), Lisandro é fabuloso (como em todos os momentos), Lucho é de uma inteligencia suprema, Rodriguez é rapidissimo e Mariano muito astuto.

Os excelentes e bem coordenados movimentos colectivos, idealizados por Jesualdo Ferreira, são cumpridos a uma velocidade de execução e de passada sublime. Procurar assumir o jogo em ataque contínuo contra o FC Porto é quase um suicídio para as equipas da Liga Portuguesa. O número de golos marcados fora de casa, são um bom indício.



PS - A astúcia de Mariano fica bem patente nesta transição rápida do FC Porto. Em situação de vantagem numérica (ao contrário do comportamento a adoptar quando se está em desvantagem) impõe-se a condução de bola, até bem próximo do defesa, fazendo o passe para as costas deste, por forma a deixá-lo fora da jogada. Exactamente como Mariano demonstra no video. Quão bem decide Mariano!

Transição Ataque-Defesa

A forma como Jesualdo Ferreira prepara o processo ofensivo, garantindo em todos os momentos coberturas ofensivas (apoios ao portador da bola, numa linha mais recuada no campo de jogo), em conjunto com a forma organizada como a equipa se movimenta no espaço, por forma a reagir à perda de posse de bola, permitiu ao longo de toda a época que o FC Porto fosse uma equipa pouco susceptível aos ataques rápidos dos adversários.

As transições são um dos pontos mais bem trabalhados do FC Porto de Jesualdo. Raras são as vezes em que a equipa se encontra desiquilibrada no campo.

Bolas Paradas

Parece ser, claramente, um dos momentos em que o FC Porto poderia ser mais forte. Não sendo um momento em que seja particularmente débil, e se é certo que somente Bruno Alves, Rolando e Rodriguez, dos jogadores mais utilizados, pareçam especialmente aptos para este tipo de situações, poderia haver, no plano ofensivo, um melhor aproveitamento da incrível capacidade de impulsão de Bruno Alves. Porque não bloqueios e aclaramento de espaços, procurando criar situações de finalização para Bruno Alves?

Futebolistas de uma vida. IX



quarta-feira, 6 de Maio de 2009

José Mourinho. O tal. III


"5-4 é um resultado de hóquei, não um resultado de futebol. Não vi o jogo, mas mesmo assim posso dizer-vos que os defesas foram uma desgraça. Durante os treinos, muitas vezes,faço jogos de três contra três e quando o resultado atinge esses números mando os jogadores para o balneário porque não estão a defender convenientemente. Então, ter um resultado como este num jogo de onze contra onze, é uma desgraça."

Sun, 15 de Novembro de 2004. Alusivo ao Arsenal - Tottenham.

"Não acredito nos sistemasa de jogo que têm a sua origem no gabinete, na reunião, na palestra com os jogadores. Acredito no treino, na explicação, na repetição sistemática."

Eugénio Queirós e Jorge Barbosa, A Bola, 26 Julho de 2002.

Mais que um clube


Nos dias que correm, ser adepto do Barcelona parece ser bem mais estimulante do que sair com a Gisele Bundchen.

Pepe Guardiola, que fez toda a sua formação no Barcelona, conseguiu recriar, como nunca, o verdadeiro espirito e mentalidade "Culé".

O futebol é tudo aquilo. 2, 3 toques, passes, recepções, desmarcações, apoios frontais, temporizações, movimentos de apoio e de ruptura. Assistir a um jogo de uma equipa com tal velocidade de execução e de raciocínio é bem capaz de ser o maior espectáculo do mundo.



E você, conseguiu ficar indiferente ao remate de Iniesta?

PS - Desde Atenas, em 1994, quando AC Milan e Barcelona se defrontaram, que uma final da Liga dos Campeões não era tão ansiada.

terça-feira, 5 de Maio de 2009

Mais e Menos da Semana


MAIS

Jesualdo Ferreira

Os resultados estão à vista. Sem vários dos habituais titulares, o rendimento mantém-se. É que, uma das grandes virtudes do FC Porto, é, ser, em vários momentos do jogo, uma verdadeira equipa. Capaz de encontrar as melhores soluções enquanto conjunto, sem ter necessidade de recorrer aos desiquilibrios individuais. Mérito do treinador. Abdicar de Jesualdo, será um risco e quem sabe a oportunidade de um dos rivais se aproximar do FC Porto na época vindoura.

MENOS

Quique Flores

Os recentes sucessos, foram, obviamente, fruto do acaso. A derrota na Choupana era previsível. Os problemas colectivos continuavam (e continuam) lá todos. O seu insipido modelo de jogo, que não contempla a ocupação do espaço à frente dos defesas centrais, jamais terá sucesso na Liga Sagres.

MAIS OU MENOS

Paulo Bento

Na semana em que parece ter perdido de vez a possibilidade de se sagrar campeão, acabou por garantir mais um 2ndo lugar. Com um orçamento muito inferior aos adversários e sem possibilidades de investir no plantel, não se pode considerar uma prestação negativa. Terá, porventura, faltado Liedson em grande parte das derrotas leoninas. (Num total de 4 derrotas, Liedson não pôde dar o seu contributo (a tempo inteiro) em 3.

domingo, 3 de Maio de 2009

O fabuloso minuto 55 na Choupana




Decorria a época 93/94, quando o SL Benfica se deslocou a Setúbal para defrontar o Vitória local. Após uma humilhante (5-2) lição de bem contra-atacar, Toni afirmou que não mais o seu Benfica jogaria sem um médio defensivo (que ocupasse o espaço à frente dos defesas centrais). Nos jogos seguintes, surgiu Kulkov em tal posiçao. O SL Benfica acabaria, uns meses volvidos, por se sagrar campeão.

No SL Benfica actual, ainda que possa ser difícil de perceber, as causas para o anunciado insucesso, não se prendem com o posicionamento Rúben Amorim, David Luiz, Aimar ou Maxi Pereira. Antes, com um sistema táctico e dinâmica de jogo, obsoleta para a realidade nacional.

Com o passar dos jogos, criou-se a ilusão de que bastaria Amorim ocupar uma das posições de médio centro e o SL Benfica mudaria para melhor. Criou-se o mito de que era por jogar com dois médios defensivos (Katsouranis e Yebda) que a equipa era incapaz de produzir no plano ofensivo. O próprio Quique parece ter-se convencido de que o problema estava nos jogadores. Só assim se explica o afastamento de Yebda, Katsouranis, entre outros e das imensas duplas de médios que já testou.

O Benfica vence em Setúbal, derrota o Maritimo e parecia ser consensual que havia melhorias. Claro. Quique Flores finalmente colocara Amorim como médio centro e Nuno Gomes ao lado de Cardozo. Como se o cerne da incapacidade deste Benfica estivesse nas suas peças.

Por vezes, no futebol há uma terrível incapacidade de ver para lá da montanha (dos resultados). Há muito que se percebera, que, dificilmente este SL Benfica, teria capacidade para ombrear com os seus rivais. Braga e Nacional são, incomparavelmente melhores equipas que o Benfica de Quique Flores, que se vai valendo somente das individualidades (que por terem tanta qualidade, conseguem disfarçar, amiúde, a total ausência de um colectivo forte e equilibrado).

É inconcebível que a quatro jornadas do término da Liga, uma equipa ainda não seja capaz de se manter coesa, com os sectores próximos e a participarem com iguais responsabilidades no processo ofensivo e defensivo. É inconcebível que uma época volvida o SL Benfica tenha uma transição ataque-defesa ao nível de um qualquer grupo de amigos que se reúne num domingo à tarde para jogar à bola.

Porém, mais grave que tudo isso, é ter um treinador que, ainda assim, nada altera.

Há 16 anos atrás, Toni foi bastante mais astuto que Quique Flores. Bastaria ocupar aquele espaço para incrementar a qualidade de jogo da sua equipa.


P.S. - As substituições, a par da escolha do 11 inicial, são, provavelmente, das tarefas menos importantes de um treinador. Pelo que, habitualmente, são pouco decisivas. Porém, ao minuto 55, substituir Katsouranis por Di Maria foi uma ideia absolutamente genial. Um minuto depois, dava frutos. Em cheio. Aguarda-se o dia em que Quim é substituído por Mantorras. Com o público em delírio, claro.

P.S. II - Nunca antes se percebera, tão facilmente, que muito do que está mal, é passível de ser corrigido pelo treinador. Que nunca o faz.

P.S. III - Desde o jogo em Belém, que não faz sentido ter Flores como treinador. O desfecho do que se seguiria foi sempre prevísivel. Prevísivel é, também, o que acontecerá na próxima temporada, se se persistir no erro.

P.S. IV - Custa admitir que Rui Costa, que sempre se destacou, entre outras coisas, por uma leitura táctica bestial, não perceba o que está mal neste Benfica.