sexta-feira, 31 de julho de 2009

O gosto dos outros. Curtas.


Apesar de algumas saídas importantes (Nené, Alonso e Maicon), o Nacional continua com algumas individualidades interessantes. As equipas de Manuel Machado, são, por norma, exímias nas situações de ataque rápido e pouco organizadas no processo defensivo (facto compensado com a tendência para defender com muitos). Se forçado a assumir os jogos em ataque organizado, prevê-se uma época com performance bem distinta da anterior.

Para o Sp. Braga, a certeza de que a extraordinária época transacta (50 pontos na Liga e oitavos de final da Taça Uefa), não se repetirá. O maior responsável por tal feito, já não mora no Minho. O apuramento para a Liga Europa, independentemente da pontuação obtida, é o mínimo exigível. Porém, não é certo que tal suceda.

Dificilmente, Leixões e Académica, repetem proezas antigas. O Leixões, há muito, que perdeu Wesley (meia equipa) e a briosa nada terá a ganhar (relativamente ao passado recente) com a chegada de Rogério Gonçalves.

Em Guimarães, abunda qualidade. A resposta pouco convicente de Nelo Vingada, quando questionado, sobre a possível conciliação de Nuno Assis e Rui Miguel no mesmo 11, assustou, até, os mais optimistas. Com tamanha qualidade, a Europa é meta obrigatória. Aguarda-se demonstração de capacidade de Nelo Vingada.

No Maritimo, Carvalhal vai ter oportunidade de iniciar a época. Resgatado o velho conhecido Pitbull, a equipa madeirense, pelo treinador e por algumas individualidades que possui no plantel, terminará na primeira metade da tabela. A possibilidade de apuramento, para uma prova europeia, é real.

De Paços de Ferreira e Rio Ave, só pode esperar-se, uma intensa luta, até à última jornada, pela manutenção.

Vitória de Setúbal e Belenenses, são dois históricos, que dificilmente ocuparão a parte superior da tabela classificativa. A menos que Azenha e /ou João Carlos Pereira mostrem argumentos, a manutenção tornar-se-à no objectivo mais premente.

Da Naval, esperava-se mais, na época transacta. Com Ulisses Morais pronto para iniciar mais uma época, será importante que os reforços, resgatados em França, mostrem qualidade. Caso contrário, aguardasse mais uma época sofrível.

Do Olhanense espera-se boa organização e audácia. Pelo treinador que tem, a manutenção é objectivo viável. Já a União de Leiria, é uma incógnita, que dependerá, em demasia, do que as suas individualidades possam acrescentar ao jogo.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Futebolistas de uma vida. XXI


Sporting. Problemas co(laterais)


Ponto prévio: O Twente surpreendeu pela boa organização defensiva. Defesa à zona, concentrada no lado da bola, boa capacidade para promover equilíbrios, através das permutas entre médios e defesas. Conseguiu garantir, em grande parte do jogo, uma estrutura coesa (João Querido Manha, apelidou a defesa holandesa de caótica. Teria sido interessante ter argumentado).

Deduzir-se que jogar contra 10, torna o jogo mais difícil, é um absurdo. No jogo de Alvalade, a partir do momento da expulsão, não mais o Sporting teve oportunidade para explorar as transições rápidas para o ataque. Contudo, uma equipa de nível e com aspirações, não pode cingir-se aos ataques rápidos. Com tanto tempo de jogo, realizado, em ataque organizado, o Sporting poderia e deveria ter desbloqueado o resultado.

Jogando contra 10, uma possível forma de tentar desorganizar o adversário, poderia ter surgido, através de constantes mudanças (rápidas, e de pé para pé, pelos centro campistas) de corredor de jogo, procurando fazer a bola chegar às zonas com menor concentração defensiva adversária, por forma a realizar, o maior número de cruzamentos, próximos da área adversária. Ter mais jogadores em situação de finalização (os 2 avançados, Matías e o médio interior, do lado contrário à bola, deveriam surgir na grande área) teria ajudado.

Contudo, para tal, ajudaria ter defesas laterais com maior qualidade (mais rápidos, com mais técnica e mais astutos). É que Caneira e Pedro Silva...

No Sporting actual, a ausência de laterais de nível (na vertente ofensiva e defensiva), deveria ser a principal preocupação de quem decide e forma o plantel.

P.S. - E pensar que César Peixoto anseia mudar-se para Lisboa (ele que, seria, também, uma opção bastante interessante, como centrocampista).

P.S.II - Paulo Bento lamentou a ausência de Izmailov. Óbvio.

P.S. III - O "toque de bola" de Yannick...

P.S. IV - Perto de se tornar internacional português, Liedson a um passo de completar 32 anos, pareceu menos ágil.

P.S. V - Apesar do insuficiente resultado, a eliminatória continua ao alcance.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

José Mourinho. XV


"Quero saber tudo. Procuro saber tudo sobre os jogadores, procuro conhecer a forma como pensará o treinador da oposição, como reagirá em determinados momentos chave."

Recolhidas pelo Sunday Times, 18 de Maio de 2003

"As melhores equipas que vi jogar e que, nos tempos livres, revejo sempre no vídeo, foram o Milan de Sachi e o Barcelona de Cruijff."

Eugénio Queiroz e Jorge Barbosa, A Bola, 26 de Julho de 2002

terça-feira, 28 de julho de 2009

Recordas-te? I


Nova rubrica neste espaço. À terça feira. Momentos ou jogos inesquecíveis.

FC Porto. O suspeito do costume.


Jesualdo continua a ter o quarteto defensivo mais competente da liga. Não só em qualidade individual, mas essencialmente na sua vertente colectiva. Bem posicionados, sempre em função de si próprios, do espaço e da bola, e articulados com enorme mestria com a linha média (Fernando e Meireles, particularmente), que é, também, a mais segura, defensivamente, em Portugal.

O plano ofensivo é, à data, uma incógnita. Apesar da movimentação ofensiva similar à do passado, as perdas de Lucho e Lisandro retiraram argumentos ao FC Porto, no processos atacantes. O que antes, era facilmente atingido, através de um bom trabalho colectivo (combinações ofensivas, aclaramento de espaços, desmarcações de apoio e ruptura), é, por ora, obtido, por iniciativas individuais. Não evoluír colectivamente, na fase ofensiva, tornará o FC Porto mais previsível, e mais fácil de anular. Hulk não irá resolver sempre. Que soluções para desbloquear os jogos, sempre que as individualidades não estiverem totalmente inspiradas?

P.S. - É comum afirmar-se, com relativa assertividade, que a defesa vence campeonatos. E se o FC Porto, está um passo à frente nesse dominio, é também, importante, perceber-se, que urge melhorar o processo ofensivo. É impensável depender de forma tão evidente, do que os alguns jogadores (Hulk e Rodriguez, à cabeça) possam fazer no plano individual.

P.S. II - Quão interessante seria, para Jesualdo, que as características de Falcão se aproximassem mais de Lisandro, que de Farías (Exímio finalizador).

P.S. III - Apesar da, natural, pouca intensidade, a boa organização mantém-se.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Mais e Menos da Semana


MAIS

SL Benfica de Jorge Jesus

FC Barcelona, Arsenal, Lázio, Manchester United, Ajax e SL Benfica. Pelo rol de vencedores, percebe-se o prestigio do Troféu Cidade de Amesterdão.

Com menos de um mês de preparação, Jorge Jesus, parece já se ter afirmado perante a exigente massa adepta benfiquista. Um sistema táctico bem mais consentâneo com aquela que é a sua realidade, permitiu ao SL Benfica crescer exponencialmente, comparativamente à epoca transacta. Bastou ocupar o espaço à frente dos centrais (Javi Garcia impressionou), e ter Aimar de frente para o jogo. Quique Flores não o havia percebido. Nem, com um ano de trabalho.

Para uma equipa, que pouco antes, exibicionalmente, se aproximava do zero, as declarações de Martin Jol, treinador do Ajax, são sintomáticas. "Estou há muito tempo sem trabalhar na Holanda. Espero não encontrar na liga, equipas do nível do Benfica".

Ainda assim, a dinâmica, que se pretende incutir, ainda necessita de um longo aperfeiçoamento.

MENOS

Sidnei

Inaceitável a noticia, de que se apresentou com mais 5kg de massa gorda. Sidnei é um jogador talentoso, com bons traços físicos e muito interessante em termos posicionais. Seria, previsivelmente, titular na equipa encarnada. Tal desleixo, prejudica-o. Prejudica o seu clube, e deveria ser passível de uma punição.

MAIS OU MENOS

Varela

A pré-época tem sido profícua. Aproveitando a ausência de Rodriguez e a decisão de Jesualdo Ferreira, em colocar Hulk como avançado centro, o português garantiu, pelas suas interessantes exibições, um lugar no plantel do FC Porto. Numa época, que se prevê, mais equilibrada, Varela poderá tornar-se útil. Contudo, parece impensável que retire minutos de jogo a Rodriguez, Mariano e/ou Hulk. Ser parte, regular, das convocatórias, será uma vitória pessoal.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Matías Fernández




Mais que o excelente remate, impressiona a forma simples como retirou a bola da zona de pressão vitoriana, endossando-a a um colega que estava de frente para o jogo (Pereirinha), e a diagonal a procurar o espaço vazio.

Continuando a garantir as boas decisões, às quais complementa, a sua excelente técnica individual, Matías trará, de volta, o entusiasmo às bancadas de Alvalade.

P.S. - Apesar do propalado histerismo, não parece que o Sporting não parta com uma grande dose de favoritismo para o duplo confronto com o Twente.

José Mourinho. XIV


"Por exemplo, tenho exercícios de dominante psicológica. Quando os exercícios que se apresentam são premeditadamente de fácil resolução, sem que eles se apercebam, fazem tudo bem. Isto acontece, se no final da semana chegar à conclusão de que os objectivos, por qualquer motivo, não foram cumpridos. Como estamos a um, dois dias do jogo, sei que não tenho tempo de rectificar nada, logo, o trabalho, bem ou mal, está feito. Aí eu modifico os últimos dois treinos da semana, em relação ao inicialmente previsto e faço exercícios fáceis no sentido de atingir outros objectivos, neste caso, conseguir subir os níveis de confiança e motivação, que ficaram abalados pela semana menos conseguida."

Retirado de "Liderança, As Lições de Mourinho" Luís Lourenço e Fernando Ilharco.

O jogo joga-se fundamentalmente com a cabeça. A mente tem de estar sempre presente, em relação a tudo, e o jogo tem de começar por ser um fenómeno pensado."

Retirado de "Liderança, As Lições de Mourinho" Luís Lourenço e Fernando Ilharco.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Mais e Menos da Semana


MAIS

Saviola

Com dois golos apurou o SL Benfica para a final do Torneio Guadiana. Eleito o melhor jogador da prova, El Conejo mostra credenciais. Técnicamente dotado, rápido a executar e a pensar, será, com Aimar, absolutamente decisivo na fase de construção de jogo ofensivo.

MENOS

Lesão de Izmailov

O Russo é um dos mais importantes jogadores da nossa Liga. A sua longa paragem retira argumentos ao Sporting, e qualidade ao nosso campeonato. Muito provavelmente, só Paulo Bento saberá o quão lamentável, é a ausência de Izmailov.

MAIS OU MENOS

Domingos Paciência

O início de carreira tem sido bastante interessante. Particularmente, as épocas na Académica. A época 09/10 marca a sua chegada a um clube com objectivos mais interessantes. A viver um bom momento pessoal, as suas recentes declarações são lastimáveis. Quase não há memória de um treinador se referir de forma tão negativa, sem razão aparente, a um colega de profissão. Domingos garante que Jorge Jesus deveria ter feito bem melhor. Aguarda-se, com enorme expectativa, o novo Braga.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Carlos Martins, Zidane na mente


Na mente dele, claro.

Esse será, porventura, o seu maior defeito. Claro que eleger o maior defeito de Carlos Martins é um exercício ambicioso e de difícil resolução, tantos são os seus pontos negativos. Todavia, corrigindo esse, a sua prestação poderia subir vertiginosamente.

Se no plano defensivo, a sua incapacidade para cumprir os princípios do jogo pode ser minimizada quando joga como médio direito (é mais fácil compreender as suas tarefas, quando joga mais próximo do corredor lateral), no momento ofensivo do jogo, Carlos Martins continua o desastre de sempre.

No fundo, há duas leituras que podem ser feitas, e ambas terminam com uma avaliação negativa para Carlos Martins.

Se percebe o jogo, não tem qualidade técnica para o executar. Se tem qualidade técnica, não o percebe. Só assim se justifica que jogo após jogo persista em passar a bola sempre para o adversário. Quando a bola está nos seus pés, já só se pode esperar que siga para a outra equipa. Claro que os adeptos de futebol adoram a expressão "ai se ela passa", mas, quando sai dos pés de Carlos Martins, nunca passa.

Poderá não ser, apesar de tudo, um caso perdido, desde que perceba as suas limitações. No entanto, Carlos, é no momento, a antítese de Aimar. Só complica. Qual jogador de rua, para Martins, a única possibilidade é o espaço vazio, o passe longo (sempre condenado ao insucesso), é o ser protagonista maior, não conseguindo compreender que lhe falta talento para tal. E claro que, não compreendendo isso, acaba por tornar-se também um jogador terrível ao nível das tomadas de decisão.

Até à data, tem sido sempre o pior, ou dos piores jogadores do Benfica em campo. Mas, isso não escandaliza, diria até, que é normal. Estranho é o cartel que este jogador tem. Aparentemente, com uma boa imprensa, até Bynia seria comparável a Eusébio (desde que, obviamente, tratasse daquele cabelo). Mas claro, compreende-se que seja fácil para o comum adepto gostar dele. O que há para não gostar? Só passa para a frente ("para trás mija a burra", dizem os sábios), corre que nem um louco, gesticula imenso, entregasse ao jogo e festeja os golos como ninguém. No fundo, joga como um adepto! Mas isso, não é mau... é péssimo!

Por esta altura, já se percebeu que dificilmente Carlos Martins será solução. A questão que se coloca, é, se se tornará problema.

P.S. - Infelizmente não tenho estatisticas dos jogos realizados por Carlos Martins, mas seria interessante verificar a percentagem de passes errados (de certeza absoluta, bem acima dos 50 porcento) e de asneiradas, em qualquer um dos jogos realizados.

P.S. II - Se a ideia é valorizá-lo pelos livres laterais e cantos, esqueça. São importantes sim, mas não definem a categoria de um futebolista, e ter em campo alguém incapaz de fazer um passe correcto, esperando por um livre, nunca compensou.

P.S. III - Carlos, tu não tens os pés do Zidane, pah!!

POST RECUPERADO DE NOVEMBRO (2008). NÃO PODERIA ESTAR MAIS ACTUAL.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Marat Izmailov


Um futebolista é tudo aquilo.

Capacidade técnica, fantástico na vertente táctica, quer na ocupação dos espaços, quer na tomada de decisões, fisicamente muito interessante, abegnado e sempre disponível para contribuir para o sucesso colectivo. Ainda que tal, lhe possa dar menor notoriedade aos olhos do comum adepto.

A sua grave lesão, parece passar despercebida. É que Izmailov vale dez vezes, o valor que lhe é atribuído. Paulo Bento sabe-o.

Boas opções não faltam no plantel do Sporting. Pereirinha transpira qualidade, e Vukcevic, poderá ser, também, uma excelente opção. Assim o deseje. Porém, e apesar das imensas opções, para a posição de médio interior (e todas com qualidade individual), nenhuma iguala Izmailov.

Na Liga Sagres, vários são os jogadores com bons traços individuais. Outros tantos, não tendo tanta qualidade técnica ou física, possuem uma estrutura mental, suficientemente interessante, para que, em prol da equipa, abdiquem da fama. Izmailov, enquadra-se, no restrito lote dos que têm lá tudo.

P.S. - Com Pereirinha, Moutinho, Matías Fernández e Vukcevic, e apesar do enorme contratempo, não parece que o Sporting precise mais de um médio, que de um bom defesa lateral...

José Mourinho. XIII


"A Liga Italiana é uma liga táctica. A espanhola, técnica. A inglesa, tem a ver com paixão. Quando pensei que poderia ter sucesso aqui, é porque pensei que poderia misturar essa paixão, com a organização táctica, para assim, a nossa equipa se tornar táctica. Enfadonha para alguns, não sei porquê. Mas, táctica. Para ser justo, penso que somos a melhor equipa da história, porque batemos o recorde."

BBC Sport, 4 de Julho de 2005, depois de ter ganho a Premiership com 95 pontos (novo recorde).

"O segredo não reside no período de tempo em que os jogadores trabalharam em conjunto, mas sim no facto de todos nós trabalharmos juntos. E a ambição é a arma que nos faz jogar bem."

News of the World, 2 de Maio de 2004

Pablo Aimar


"Tenho mais bola. Estou feliz."



Também nós, Pablo. Também nós.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

O dobro, Jesus?


Mete o triplo nisso.

Pouco mais de uma semana de trabalho, seria pouco expectável começar a perceber-se, desde já, uma ideia colectiva para o Benfica. Puro engano. Muito há para definir e para evoluír, mas já é notória a tal ideia colectiva.

Sem bola, o Benfica já se mostrou capaz de efectuar uma pressão efectiva. Bastante bem posicionados (os onze jogadores), a encurtarem o espaço, onde quer que o adversário tivesse a bola, e a cortarem todas as possíveis linhas de passe, o SL Benfica obrigou o Shaktar, ora a perder imensas bolas, ora a abusar do pontapé longo, logo na saída para o ataque. A cada troca de bola do adversário, correspondia uma basculação colectiva, capaz de manter, em todos os momentos, os ucranianos sem opções para jogar em futebol apoiado.

Em fase ofensiva, simplicidade de processos. Muita posse, muitas linhas de passe ao portador da bola (quem não a tem, desmarca. Em apoio, ou em ruptura), circulação rápida e a poucos toques, surpreendendo a organização defensiva adversária.

Em termos individuais, Aimar de frente para o jogo, é uma opção óbvia. O argentino realizou uma exibição soberba. Di Maria não está tão complicativo (continuando a melhorar a tomada de decisões, terá condições para seguir para uma liga mais competitiva), ao contrário de Carlos Martins (perderá o lugar para Ramires, Amorim, ou até Urretaviscaya), que continua, a procurar, sempre o espaço vazio, mesmo quando se impõe que jogue no pé. Yebda é o jogador certo, no lugar certo. Na linha dos enormes trincos franceses. Tem qualidade para fazer uma excelente época (aquela é a sua função. Em organização ofensiva, servir de apoio ao portador da bola, numa linha mais recuada no campo de jogo. Jogar a dois, três toques, fazendo a bola circular, de corredor a corredor. Sem bola, contenções aos médios adversários e coberturas defensivas aos médios interiores e laterais). No ataque, tudo como seria expectável. Cardozo (evoluiu bastante no jogo aéreo) fixo no corredor central, e Saviola mais móvel, aparecendo nos corredores laterais, oferecendo mais linhas de passe. Patric, frágil em termos posicionais, no momento de defender, e com bola, a tomar demasiadas más opções.

Só por ter decidido ocupar o espaço à frente dos centrais, jogando com um pivot defensivo e por ter enquadrado, correctamente, Aimar na equipa, Jesus já elevou a sua equipa, para patamares de rendimento que o SL Benfica jamais obteria com Quique Flores.

P.S. - Para o SL Benfica, jogar o triplo da época transacta, não é garantia de sucesso.

Mais e Menos da Semana


MAIS

Jorge Jesus e Pablo Aimar

Com pouco mais de uma semana de preparação, já cumpriu uma promessa. O seu SL Benfica jogou mais do dobro, que o da época anterior. A primeira parte foi bastante boa. Futebol apoiado e curto. Muita posse e rápida circulação de bola. Futebol a dois, três toques, e nem Di Maria destoou.

Pablo Aimar, com Jorge Jesus, será, provavelmente, o melhor reforço encarnado. No jogo de Sion, várias foram as vezes, em que, recebendo a bola fora das zonas de pressão, tendo tempo e espaço, para enquadrar com a baliza adversária, iniciou combinações ofensivas muito interessantes. Os seus cinquenta e sete minutos em campo, foram o suficiente, para se perceber que manter Quique Flores teria sido um erro, só comparável com a contratação de Artur Jorge, na década de noventa.

MENOS

Eficácia do ataque leonino

Quando Liedson não marca... Vários foram os jogos, na época transacta, em que tal se verificou. Independentemente da capacidade para criar ou não, lances de finalização, o Sporting parece sempre, demasiado dependente da capacidade finalizadora do Levezinho. Liedson, é quem, por norma, traduz, a superioridade em golos. Quando não o faz, os jogos do Sporting, terminam, demasiadas vezes, a zero.

MAIS OU MENOS

Yebda

Jogo bastante bom do francês. Fantástico em termos posicionais, garantindo sempre as coberturas (ofensivas e defensivas) aos colegas de equipa. Fisicamente muito forte e culto tacticamente, será dele a posição 6 no sistema táctico de Jorge Jesus. Isto se, não cometer deslizes individuais, como o que o ligam ao primeiro golo do Sion.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

David Luiz, trinco?


Os traços individuais são bastante bons. Fabuloso do ponto de vista físico (características que, inclusive, lhe valeram uma surpreendente comparação com Maldini) e bastante evoluído técnicamente, para aquela que é a realidade dos defesas centrais, David Luiz tem no seu principal defeito, a indisciplina táctica.

Quem sabe, se por ser jovem, se por não ter tido uma boa formação, as dificuldades por que passou, na última época, em termos posicionais, foram enormes.

Tal como Quique Flores (bastante elogiado pelos jogadores que compuseram o quarteto defensivo), também Jorge Jesus, não abdica dum posicionamento zonal, aquando do momento defensivo do jogo. Não evoluíndo, nesse aspecto, David Luiz, estará sempre longe de ser um jogador de nível elevado. Tão elevado, quanto o seu potencial indicia.

Como trinco, as responsabilidades tácticas continuarão a ser enormes. Sem bola, o respeito pelas coberturas defensivas, equilibrios e contenção aos adversários será decisivo. Para o processo ofensivo, a sua capacidade técnica (recepção e passe, essencialmente) e velocidade de execução, podem fazer de si, um jogador de referência.

Pelas suas debilidades tácticas (na ocupação dos espaços), David Luiz terá, actualmente, tanta apetência para jogar como defesa central, como para ser o médio mais defensivo da equipa. Determinante, será a sua evolução. A Jorge Jesus caberá potenciar as suas capacidades, especializando-o numa posição. Defesa ou Médio, indiferente (precisamente porque o background enquanto defesa central, não foi produtivo). Decisivo será, depois de feita a escolha, especializá-lo no modelo de jogo que pretende implementar.

P.S.- Naquele que poderá ser o ano zero da sua carreira, David Luiz, aparentemente, poderá ser mais útil como defesa central. É que Yebda, tornar-se-á indiscutível.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

quarta-feira, 8 de julho de 2009

José Mourinho. XII


"Pensa-se que ao se reduzir a complexidade do jogo no treino se está a tornar as coisas mais fáceis. Estamos apenas a criar condições de sucesso ao jogador somente em trenio! Ao fazê-lo depois não se encontra qualquer transferibilidade para o jogo. Por exemplo, há dez anos, o Eusébio era treinador de guarda redes do Silvino no Benfica. O Eusébio colocava a bola à entrada da área e rematava com o intuito de treinar o guarda redes. O problema é que o Silvino não conseguia treinar porque as bolas entravam todas na baliza. Ele simplesmente não treinava porque os remates eram descontextualizados daquilo que é o jogo. Quando trabalho a finalização dos meus jogadores, coloco-lhes oposição, porque é isso que acontece no jogo. Ou seja, antes de rematar, os meus jogadores tiveram adversários pela frente."


"A minha descoberta guiada não tem tanto que ver com o perceber mas sim com o sentir. Ou seja, com o que eles sentem em determinado tipo de situação ou de movimentação. Eu pergunto-lhes o que eles sentem a nível de experimentação... vamos experimentar e sentir a nível posicional... estou apoiado... a nível mental não tenho medo de errar porque isto está coberto... é daqui que partimos, executamos em treino e recebo o feedback que me permite mudar de acordo com isso. Tenho essa elasticidade, que é ter a capacidade de promover alterações dentro do próprio exercício em função daquilo que me dizem. Se entender, pelo que me dizem, que o exercício não está adequado à situação, altero-o logo ali na altura. às vezes,, ao fim de três minutos, já introduzi uma nova regra no exercício de forma a adaptá-lo àquilo que os jogadores estão a sentir. No fundo, isto é a operacionalização da descoberta guiada."


Em "Liderança. As lições de Mourinho", por Luís Lourenço e Fernando Ilharco.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Mais e Menos da Semana


MAIS

Matías Fernández

A expectativa é enorme. Após o primeiro jogo com a camisola do Sporting, a imagem não podia ser melhor. Excelentes pormenores técnicos e um golo. A rever.

MENOS

Bruno Carvalho

O candidato mais ridículo, de que há memória. Frases absolutamente geniais, marcaram a campanha. Entre outras, Carvalho afirmou que se os jogadores fossem bons não aceitariam jogar no clube que queria presidir. Garantiu que Jesus seria o treinador mais curto da história (após intensas criticas à instabilidade), e prometeu Reyes e Nuno Gomes (jogadores, por si, tão criticados uns tempos antes). Hilariante também, a escolha para mandatário de campanha (Petit. Que havia garantido, uns meses antes, ser boavisteiro). A cereja no topo do bolo, foi a tentativa de ir sozinho a sufrágio. Louve-se, ainda assim, a coragem. Só um louco ousaria, tentar presidir um clube de futebol, contra a vontade de todos os seus sócios. Os votos em branco, sem site, sem mandatário e sem lista, dobraram-lhe a votação.

MAIS OU MENOS

Negócio Falcão

O Colombiano, poderá até, ser um excelente futebolista. Porém, ninguém acredita, que no Benfica de Jorge Jesus, possa ser mais importante, do que seria José Antonio Reyes. Tanta insistência num novo avançado, parece indiciar que alguém poderá estar de partida...

quinta-feira, 2 de julho de 2009

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Raúl Meireles e Lucho


"Recepção dirigida para a baliza adversária, e jogar o mais simples possível. Dois, três toques. Faze-la chegar o mais rápido possível aos avançados." Raúl Meireles.

Na simplicidade de processos (Defensivos. Contenção aos médios adversários, coberturas aos colegas de equipa e restabelecimento de equilibrios. E ofensivos. Primazia pela circulação rápida da bola e pelo garantir de apoios (linhas de passe, numa linha mais recuada, no campo de jogo) ao portador da bola) dos centro campistas, residiu o ponto mais forte do FC Porto, nas últimas épocas.

Lendo a afirmação de Meireles, percebe-se que, provavelmente, qualquer jogador profissional seria capaz de o fazer. Contudo, raros são os que possuem esta capacidade intelectual de jogar unicamente em prol do colectivo. Também, porque em muitas equipas, não há uma ideia colectiva para o jogo. Apenas onze jogadores soltos, que tentam criar algo. Cada um por si.

Para Jesualdo Ferreira, reagir à perda de Lucho será, provavelmente, o seu maior desafio desde que chegou ao Porto.

P.S. - Após a partida de "El Comandante", para o FC Porto, perder Meireles, seria, seguramente, mais trágico, do que ver partir Bruno Alves, Lisandro, e/ou principalmente, Hulk.

P.S. II - Incrível como Lucho e Meireles, passam pelos jogos, tendo a bola na sua posse, somente, por breves minutos por jogo, e ainda assim, são o suporte de toda a equipa, não é? É que, quando em organização ofensiva, menos toques na bola, corresponde, geralmente, a mais qualidade.

José Mourinho. XI.


"Se nós dividissemos o jogo em três fases de construção, veriamos que o trabalho de Bobby Robson incide essencialmente na última fase. A da finalização. É aí que ele se concentra. Eu tentei, neste caso, dar um passo atrás. Ou seja, manter a primazia por um futebol de ataque, procurei no fundo, organizá-lo melhor e essa organização parte, muito justamente, da defesa."

"Trata-se daquilo a que eu chamo, descansar com bola. É necessário, com o ritmo de jogo que nós impomos, descansar, caso contrário, ninguém aguenta uma partida. A melhor maneira de o fazer, correndo menos riscos, é descansar quando temos a posse de bola. No jogo com o Nacional conseguimos fazer isso de uma forma bastante eficaz. Quase perfeita. No fundo, trata-se de alternar os momentos de grande intensidade e pressão, com períodos de descanso com a bola, que não é mais que fazer posse de bola, mas com o intuito de repousar. É a posse pela posse, nada mais. Não há objectivo de chegar ao golo. Tenho a bola nos pés, tenho o jogo controlado e não corro, fico só a trocar a bola e a descansar."

Em José Mourinho por Luís Lourenço