segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Mais e Menos da Semana


MAIS

Jorge Jesus

Sim. Há Saviola, Aimar, Cardozo, Di Maria e Ramires. Contudo, a mais proveitosa alteração do SL Benfica, foi a troca de treinador. A exibição foi, novamente, sublime. Já aqui, havia sido referido. Mais goleadas surgirão. Na época transacta, ainda no Sp. Braga, já impressionava a capacidade para circular a bola. A capacidade para colocar jogadores em zonas de finalização, sem nunca desiquilibrar a equipa. Com actores de nível bastante superior, Jorge Jesus vai seguindo o trajecto esperado.

MENOS

Carlos Azenha

É difícil perceber os treinadores que mudam o sistema táctico, em determinado jogo. Uma boa equipa, tem o seu modelo de jogo bem interiorizado. Princípios definidos, movimentos colectivos (a defender e a atacar. Com e sem bola) pensados. Mudar o sistema, de jogo para jogo, só poderá significar que não há uma ideia colectiva pensada. Só não havendo ideias claras, sobre uma identidade colectiva, se justifica a alteração no sistema táctico. Por todas as condicionantes, o Vitória de Setúbal, ainda é uma equipa a rever.

MAIS OU MENOS

Yannick Djaló

Um golo. Alguns bons lances. Yannick tem o condão de "agitar" o jogo. Tem alguns traços bastante positivos. Infelizmente, é bem capaz de ser, técnicamente, o pior jogador da Liga Sagres. Em Coimbra, inúmeros foram os lances, em que não conseguiu isolar-se, somente pelo seu péssimo toque de bola. De cada vez que recebe a bola, precisa de mover-se uns metros, para a manter na sua posse. Não será, seguramente, com esta idade que incrementará, de sobremaneira, a sua técnica individual. É pena.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Tu és a razão.


Noventa minutos para matar saudades.

O nome "Lateral Esquerdo", resultou de um processo de escolha bastante simples. Em Portugal, raras são as equipas (formação ou adultas), onde os laterais não são os piores jogadores das suas equipas. E o blog, não foi criado, com maior ambição, do que tal.

Quantos laterais contratou o FC Porto nos últimos anos? E quem são os piores jogadores do Sporting? E na selecção? Bosingwa fez toda a formação como médio centro, Miguel e Paulo Ferreira como extremos. Consegue lembrar-se de um único defesa lateral, português, que não o assuste?

Porém, ninguém iguala Luís Filipe.

Em Luís Filipe tudo é mau. Poderá até, pensar-se, que há alguma capacidade técnica para realizar as diferentes acções. Contudo, mesmo essas são, persistentemente, mal efectuadas. Quem sabe, se por uma total ausência de neurónios. Os timings e locais para passar e para onde passar a bola, são terríveis (Se vai a correr para a frente, o mais provável é que Luís Filipe endosse a bola para trás. Se está rodeado de quatro adversários, prepare-se, Luís vai entregar-lhe a bola. Se pensa que Luís Filipe é o portador da bola, esteja atento. É provável que desista dela, por pensar que você a vai buscar).

Porém, nem tudo é mau. Que espectador não agradece a recorrente emoção, e incerteza que caracterizam os jogos em que participa? Quem não aprecia, tão exemplar bode expiatório?

P.S.- Luís Filipe, autor do primeiro golo, no jogo com o Manchester United, na inauguração de Alvalade, garantiu um lugar na história do Sporting. Quem se orgulha disso?

P.S. II - Se Luís Filipe tem lugar no plantel do SL Benfica, imaginar o valor (actual) de Patric, é exercício que nem se deve tentar fazer...

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

José Mourinho. XIX


“Acho que fundamentalmente houve demasiada precipitação. Quando uma equipa tem jogadores a mais, os espaços criam-se com naturalidade e em função de um controlo de posse de bola, às vezes deve-se exagerar na posse de bola, e os espaços surgem”.

Sobre o Portugal - Inglaterra. Campeonato do Mundo 2006.

“Imediatamente após a Inglaterra ficar com 10 jogadores, viu-se o Petit a rematar de 30 metros, o Maniche a rematar de 25 metros, o Cristiano Ronaldo a agarrar na bola, a driblar e a rematar de imediato. Tem que se fazer exactamente o contrário, temos que jogar com os jogadores abertos e aumentar a distância entre as linhas. Podiam ter feito melhor. Mas é uma carga emocional muito grande, só quem está lá dentro é que sabe. Muitas vezes as emoções sobrepõem-se à razão e ao conhecimento e posicionamento táctico. Não é fácil. A Inglaterra, quando ficou a jogar com 10, juntou duas linhas de quatro (4+4+1), e sob o ponto de vista defensivo não é muito diferente”.

Ainda, sobre o Portugal - Inglaterra. Campeonato do Mundo 2006.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Recordas-te? V


segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Mais e Menos da Semana


MAIS

Domingos Paciência

Não foi só o resultado. A exibição foi bastante positiva. Muita maturidade e inteligência. A capacidade para circular a bola, permitiu ao Sp. Braga sair sempre, de forma jogável, para o ataque. Ao longo de todo o jogo, o Sporting nunca pareceu capaz de pressionar a equipa bracarense. Mérito para a organização e para as boas decisões dos jogadores arsenalistas. Mérito para o seu treinador.

MENOS

Liedson e Caicedo

Dupla de horrores. Liedson está bastante menos ágil e sem capacidade de aceleração. Ainda assim, persiste, em forçar o enquadramento com a baliza adversária. Mesmo que esteja de costas para esta, e com um adversário bem próximo. Resultado, perdas de bola, atrás de perdas de bola. Seria importante, que alguém lhe explicasse, que nesses momentos, impõe-se que sirva de apoio, e que endosse a bola a um colega, mais recuado no campo e de frente para o jogo. Para Liedson, rever o jogo, centrando a sua atenção nas acções de Meyong, poderia ser produtivo. Caicedo, tem poucos minutos de jogo. Qualquer avaliação, poderá tender a incorrer em erro. Porém, a desilusão é grande. Parece pouco hábil, pouco ágil e pouco rápido. Aguardasse o seu enquadramento no colectivo, para futuras opiniões.

MAIS OU MENOS

Ramires

Um cabeceamento soberbo, valeu os três pontos ao SL Benfica. Ramires tem muita qualidade. É inteligente, bastante rápido, e com boa técnica. Será, indubitavelmente, um jogador importante na Liga. Contudo, em Guimarães, vários foram os momentos em que pareceu desenquadrado dos processos colectivos da equipa. A rever.

sábado, 22 de agosto de 2009

Redondo. Quem fala assim... foi o melhor médio defensivo da história do jogo!


"Gosto muito de Bolatti, é um futebolista que entende bem o jogo, o que é muito importante";

"É um jogador que recupera bolas sem ter de fazer falta, fá-lo naturalmente, porque coloca-se muito bem no campo";

"... seria-o também no Barcelona, com Xavi e Iniesta, que são o motor da equipa. Eles mostram que não é preciso ser-se fisicamente sobredotado, mas que é uma questão de inteligência e mentalidade.";

"Surpreende-me a capacidade de definição, com tranquilidade, e isso é muito difícil", sobre Messi;

"Gosto muito, se bem que é um jogador diferente de Messi. Mas também é desequilibrante. Não é um Zidane, um criador de jogo, mas vai desequilibrá-lo. Essa é a sua grande virtude. Depôs, é lindo vê-lo jogar porque o faz de modo simples. Faz coisas difíceis de maneira fácil." sobre Kaká.

"Às vezes, desgasta-se em certos sectores do campo nos quais não é necessário" sobre Cristiano Ronaldo.

A percepção que, uma boa percentagem, de futebolistas argentinos têm do jogo, é algo de fantástico. No futebol, importa contribuir com algo para a equipa. As boas equipas, não vivem de impulsos individuais. A capacidade para tomar (boas) decisões, em todos os momentos, a forma como definem as jogadas, e os excelentes timings, com que se executam as acções, são apanágio dos melhores jogadores do mundo. Ainda que, se continue a valorizar, somente, quem dá nas vistas.

Jogadores, verdadeiramente, complicados de substituir nas suas equipas? Fernando, Raúl Meireles, Matías, Izmailov, Aimar e Saviola.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Admirável Benfica novo.


Di Maria, Aimar, Fábio Coentrão, Saviola e Cardozo, em campo. Simultaneamente.

É possível que, para quem possui conceitos futebolístisticos que pararam na década de 80, o onze inicial, que Jorge Jesus fez subir ao relvado, faça uma enorme confusão.

Se Luis Sobral já tinha o texto preparado, "Como se pode vencer um jogo, sem músculo? Sem carregadores de piano?", Jaime Pacheco deve ter chegado, mesmo, a brandir aos céus, "São bons com bola, sem ela não correm".

É crença, relativamente comum, numa grande maioria de treinadores, que, com jogadores com traços defensivos mais acentuados em campo, a equipa defende melhor. São célebres, os treinadores portugueses, que defrontando adversários de grande valia, compõem o seu meio campo, com três ou quatro jogadores, cuja principal apetência é correr muito e serem agressivos.

Nada mais errado.

A chave, está, na ocupação dos espaços. Um treinador capaz de organizar um colectivo forte, uma equipa que defende e ataca com os 11, uma equipa, onde, os 11 jogadores estão encarregues de controlar o seu espaço defensivo, não precisa de recorrer a caceteiros para garantir um bom método defensivo. Se a equipa for capaz de defender como tal, não sobra muito para correr a cada um.

Se a chave, está na ocupação dos espaços, a inteligência, sobrepõe-se, claramente, ao músculo. Já espreitou o meio campo do Barcelona? Talento, velocidade e inteligência.

Quando consultar as estatísticas finais, repare quem mais correu. A probabilidade de tais jogadores, estarem na equipa mais desorganizada, é enorme. As loucas correrias são precisas, para compensar o mau trabalho colectivo.

Se Fábio Coentrão e Di Maria, continuarem a evoluír, e mostrarem-se capazes de perceber a movimentação defensiva global. Se forem capazes de ocupar, correctamente, o espaço, porque não poderão coabitar? A velocidade de passada, de ambos, até poderá revelar-se decisiva, na transição ataque-defesa. Na forma como a equipa reagirá à perda da bola.

P.S. - Em organização ofensiva, o SL Benfica, ainda encontra algumas dificuldades. Facto, contrastado, com a fantástica transição defesa-ataque. Os ataque rápidos do SL Benfica (que sucedem, após a recuperação da bola), são de uma qualidade impressionante. Aimar e Saviola são perfeitos, quer na condução dos mesmos, quer nos timings com que executam as suas acções (quando soltar, ou prender a bola? para onde a soltar?). Também, o talento de Di Maria e de Fábio Coentrão, jogadores, por ora, bastante confiantes, muito tem contribuído, para o sucesso do contra-ataque encarnado.

P.S. II - Colocando-se em situação de vantagem, o SL Benfica de Jorge Jesus, poderá tornar-se demolidor. Se lhe garantir que, mais goleadas, irão surgir, acredita?

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

José Mourinho. XVIII


"Acho que se jogássemos com esta defesa noutro campeonato ou na Champions, não havia problema. Mas neste país toda a gente é alta e tem bons finalizadores. A bola é colocada na grande área e nós não dominamos o jogo no ar."

Depois de empatar o último jogo da Premiership, a dois, contra o Fulham FC (2006)

"Prefiro ganhar por 2-0 do que por 6-5 porque o 2-0 reflecte organização e eficácia a todos os níveis do jogo, enquanto o 6-5 reflecte talento, se calhar, mas também reflecte seguramente desorganização num aspecto fulcral do jogo, que é a defesa. Para mim, o jogo tem que ser feito de equilíbrios"

Entrevista ao Correio Sport (2006)

Sporting. Falhas tu, ou falho eu?


Em situação defensiva, há alguns princípios que devem ser cumpridos. Contenção (pressão, mais ou menos activa, sobre o portador da bola), cobertura defensiva (apoio ao colega que pressiona o portador da bola, numa linha mais recuada no campo, por forma a garantir que o adversário, portador da bola, encontra sempre situações de 1x2, em todos os momentos do jogo), concentração (não mental, mas sim, alusiva à proximidade entre defensores) e... o restabelecimento de equilíbrios (de que forma reagir, perante o colega de equipa que foi batido, ou que saiu à bola, desocupando o seu espaço natural?).

Numa equipa bem mecanizada, as acções dos jogadores em campo, surgem de forma natural. As várias situações que os jogadores irão encontrar no jogo, estão decoradas e treinadas.

Porém, várias são as equipas (em Portugal, serão, porventura, a maioria), cujo seu jogo passa pela inspiração do momento. Não há um pensamento colectivo. Cada um, tem as suas ideias, e age consuante a sua própria percepção, de cada lance.



Numa equipa de Jorge Jesus, seria fácil perceber os equívocos. Teria havido displicência de Miguel Veloso. O lance é confuso, e por vários momentos, fica a sensação de que o Sporting fica com a bola. Contudo, assim que Polga sai ao portador da bola, caberia a Veloso, restabelecer o equilíbrio defensivo, recuando para o lado de Daniel Carriço. Abandonar essa posição, só mesmo, quando Polga lá chegasse...

No Sporting, não se sabe, ao certo, quais as ideias concretas de Paulo Bento, tão díspares, são, os comportamentos de jogador para jogador. Pelo que, somente o treinador leonino, saberá analisar o que correu mal. Sendo certo, que ainda assim, se verificou, um claro (habitual) facilitismo de Veloso (o Miguel, deve ocupar o espaço com o corpo, e não com os olhos...!).

P.S. - Ontem, os dois defesas laterais do Sporting acabaram substituídos. Tão, tão, tão prevísivel.

P.S. II - Com tamanha falta de tranquilidade, e eventualmente, qualidade, no sector defensivo (por estranho que pareça, nunca houve intenção de o reforçar), o jogo em Itália será de uma dificuldade atroz.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Recordas-te? IV


segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Mais e Menos da Semana


MAIS

Daniel Carriço

Minuto 54 da partida com o Nacional. Finalmente, a notoriedade para Daniel Carriço. Curioso, como foi necessário, presenciar-se um lance, que não define, de todo, a categoria de um jogador, para que o grande público, finalmente, o louve. Um lance, algo atípico em Daniel. Um corte em esforço. Carriço é classe e leveza. Estranho público, o que só aprecia um defesa, quando os seus calções tocam a relva.

MENOS

Hulk, Cardozo e Polga

Hulk, já se sabe. Tudo o que tem para oferecer são iniciativas individuais. E, tudo isso, é pouco. Para Jesualdo, urge, melhorar o processo ofensivo dos dragões. Tabelinhas, triangulações, aclaramentos de espaços. Só num campeonato muito estranho se poderá obter sucesso, sem soluções colectivas.

Cardozo é um exímio finalizador e a maior esperança encarnada, para um titulo, de melhor marcador, que foge à mais de uma dezena de anos. Na jornada inaugural, o paraguaio pareceu demasiado nervoso. Muito perdulário, foi um dos principais responsáveis pelo empate.

Polga há muito que não é um jogador de nível indiscutível. Vai somando erros atrás de erros. Sejam técnicos, sejam tácticos, ou simplesmente de desconcentrações psicológicas. Com ele em campo, o quarteto defensivo do Sporting, nunca parece ter sossego.

MAIS OU MENOS

Carlos Carvalhal

O resultado foi óptimo. O Maritimo, um dos grandes candidatos ao 4º lugar, mostrou ter assimilado os conceitos defensivos de Carvalhal. Defesa zonal, muito compacta e concentrada sobre a bola. Notou-se que o jogo foi bastante bem preparado. A opção por jogo directo, por forma a nunca desiquilibrar a equipa, garantindo que o SL Benfica nunca teria oportunidade de explorar os ataques rápidos (e que qualidade têm, quando conduzidos por Aimar ou Saviola), foi uma boa estratégia. Porém, a incapacidade para sair, por uma única vez que fosse, para o contra-ataque, bem como o horrível anti-jogo, são manchas no jogo da equipa madeirense. Não, no resultado. Claro.

sábado, 15 de agosto de 2009

Depois de Carvalho, Daniel Carriço


Texto recuperado de Novembro de 2008

Bem sei, que ao afirmá-lo depois de 4a feira, muitos esboçarão um desaprovador sorriso. Estaremos por aqui, daqui a uns anos, para o confirmar.

Antes de visualizar o video, esqueça o erro de Polga (que deveria ter feito a cobertura defensiva (colocando-se entre Daniel e a sua própria baliza), em vez de ficar a cortar uma qualquer linha de passe) e troque mentalmente Tonel por Daniel Carriço.



Exacto. É canto para o Barcelona, e todos os adeptos do Sporting estão um pouco mais felizes (todos, excepto o infeliz espectador que, por azar, estava no lugar da bancada, em que o balázio de Tonel foi parar).

Que importa isso? Exclamam. Com Tonel, estaria 0 a 0. Quase que se pode afirmar, tratar-se de um facto. Daniel Carriço é jovem. Com a idade ele corrige, pensam. Nada mais errado. Não é da idade, é da personalidade.

Carriço é jovem, sim. Mas, não está destinado a ser apenas mais um defesa central de uma qualquer Liga Sagres. Tem talento às carradas, boas características físicas e uma personalidade forte. É um jovem fino no trato, bem educado e extremamente inteligente. Em suma, o sonho de qualquer treinador.

Sim, aquela bola fugiu. Mas, não vai fugir muitas vezes. Daqui por uns bons anos, de Daniel guardaremos a imagem daquele central, que desarma, e inicia ele próprio o processo ofensivo da sua equipa. Aquele jogador que nos orgulhamos de dizer que tem classe até a andar. Quem com ele trabalhou ao longo de dias / meses / anos a fio, não tem dúvidas. Futuro central da selecção, o sucessor de Ricardo Carvalho. Porque tem lá tudo e porque merece!

P.S. - Confesse, é preciso ser-se mesmo diferente, para tentar sair com a bola controlada, dum lance disputado com Messi, não é? Das duas, uma. Daniel é louco, ou então, sabe que consegue fazê-lo, apesar de ter tido um deslize. Eu, sei que é a segunda, e sei também que não o veremos muitas vezes a cometê-los.

P.S. II - Voltando à época actual. Não merecerá, Daniel, colegas de sector ao seu nível? Polga cada vez está pior, e começa a duvidar-se, seriamente, de que alguma vez volte a ter nível para ser uma opção credível. Dos defesas laterais, estamos conversados...

P.S. III - Entende-se as declarações de Pedro Barbosa, alusivas a César Peixoto. Contudo, a serem verdade, espelham uma política de contratações bastante deficiente. Por tão irrisória (??) verba, resolvia-se, problema tão latente.

P.S. IV - A foto de Daniel Carriço, envergando a braçadeira de Capitão, não foi escolha aleatória. Ainda que, dificilmente, tal venha a suceder. A Europa espera por ele.

Aimar. Outra vez.




"É um jogador de um nível diferente. O toque na bola, a inteligência e a maneira como se movimenta impressionam." Ramires.

Não há como negar. Jogadores como Aimar, Saviola, Matias, Lucho e Lisandro, capazes de, aos excelentes atributos técnicos, aliar os intelectuais, serão sempre valorizados neste espaço.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Javi Garcia e Jorge Jesus.


"Há muito tempo que não via um treinador parar e falar tanto tempo com os jogadores, explicando-lhes os movimentos, explicando-lhes o que têm de fazer em campo. Já aprendi bastante, até parece mentira. Está a notar-se muito a mão do mister".

Pese embora toda a cortesia, por certo, presente nas palavras de Javi Garcia, nada surpreende (somente, a revelação de que nos clubes espanhois, dos quais fez parte, não há/houve um trabalho, do ponto de vista colectivo, efectivo).

Bem antes de chegar ao SL Benfica, já aqui havia sido referido. Em termos tácticos, as equipas de Jorge Jesus são extremamente bem organizadas. Dentro do campo, não se apresentam numa espécie de cada jogador por si (apanágio de uma larga maioria de equipas portuguesas), onde a figura central é, unicamente, o portador da bola (enquanto os restantes 10, aguardam que este invente algo). Todos os jogadores são formatados, num modelo de jogo, onde percebem e sabem que opções podem e devem tomar (sejam com ou sem bola). Que espaços devem ser ocupados, e em que determinados momentos fazê-lo.

Jorge Jesus, garantiu, recentemente, apenas ter havido tempo para trabalhar o processo defensivo. A excelente ligação, já existente, entre o quarteto defensivo e Javi Garcia (que tem sido o elemento que garante o equilíbrio defensivo) tem garantido, desde cedo, uma boa coesão defensiva (que dependerá sempre, também, da capacidade dos interiores re-ocuparem o seu espaço, com celeridade).

P.S. - Se Jorge Jesus não tem sido, propriamente, uma surpresa ("Aprendi a defender, com Jorge Jesus" Hugo Leal.), Javi tem impressionado. Parece reúnir todas as boas qualidades, aqui apreciadas, de Yebda, e denota ser mais rápido, não só a decidir, como a executar.

P.S. II - Sabia que na época transacta, o Sp. Braga, sofreu menos onze(!?!?) golos que o SL Benfica, na Liga Sagres?

P.S. III - Sabia que na época transacta, o Sp. Braga, mesmo tendo realizado mais 8 jogos europeus que o SL Benfica, sofreu menos 5 golos que a equipa de Lisboa?

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

José Mourinho. XVII


"A melhor maneira de parar Messi é jogar com 11 jogadores".

Março 2006, na antevisão da eliminatória da Liga dos Campeões.

"As selecções nacionais prepararam-se de uma forma tão disparatada que é difícil encontrar um critério em tudo isto. Uma vez mais está instalada a confusão, uma vez mais estou com o coração nas mãos."

Novembro de 2005.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Recordas-te? III


segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Mais e Menos da Semana


MAIS

Rui Patrício

O melhor guarda redes português foi o heroi inesperado, na pré-eliminatória de acesso à Liga dos Campeões. Apesar da sua juventude, Patricio é cada vez mais, um guarda redes experiente e experimentado. De Camp Nou a Old Trafford, passando pelo Olimpico de Roma, poucos são os grandes palcos europeus que ainda não pisou. É difícil compreender como não faz parte do lote de selecionados por Carlos Queiróz.

MENOS

Domingos Paciência

Após nove vitórias, em catorze jogos europeus, na época transacta, o Sporting de Braga passou para duas derrotas em dois jogos. O adversário, o Elfsborg. Pior seria impossível e impensável. Alguém quer apostar que os 50 pontos obtidos na edição anterior da Liga Sagres, serão meta inatingível para Domingos?

MAIS OU MENOS

Farías

Farías é um goleador. O ratio golos por minuto é elevadíssimo. Contudo, tem limitações que o impedem de ser muito dado ao colectivo. É lento, pouco tecnicista, e no fundo vale pelos movimentos na área. Onde, é um jogador de excelência. Apesar de se perceber o porquê de não integrar as escolhas iniciais de Jesualdo Ferreira (mas, não em detrimento de Varela. Claro.), é difícil compreender a contratação de um jogador (Falcão), com as mesmas características, mas com, previsivelmente, menos qualidade. A incessante procura, no mercado, por um novo avançado, é uma forma bastante injusta de menosprezar o que Farías pode dar ao FC Porto.

Yebda. Entrou para marcar Ronaldinho.


A frase é de um tal de Sobral. Cronista de Desporto no Correio da Manhã.

Não se sabe, exactamente, a formação dos cronistas desportivos de tal jornal. Uma certeza, porém. Habilitação para falar do jogo de futebol, zero.

A generalidade dos adeptos, crê que os jogos são somas de duelas individuais e que o vencedor, é, por norma, a equipa que mais duelos individuais venceu no jogo. Tal premissa, enganadora, é comum, porque na realidade, vários, ainda são, os treinadores que assim pensam. Cronistas, serão, porventura, todos.

Ainda que seja pouco crível que estas palavras cheguem a quem de direito, é importante informar o tal Sobral (para que não continue a enganar, ainda que por ignorância, os leitores) que nas equipas de Jorge Jesus, jamais alguém entrará em campo, para marcar quem quer que seja.

Posto isto, explicar de forma bastante sucinta, a zona defensiva do SL Benfica (não no seu todo. Somente na ligação entre quarteto defensivo e trinco. Seja Javi Garcia, seja Yebda).

Na sua mente, Jorge Jesus, pretende sempre, ter um minimo de 5 jogadores (esquecendo o guarda redes) numa linha mais recuada no campo, em relação à bola. O quarteto defensivo e o trinco. Uma linha de 4 jogadores alinhada na horizonal (nem sempre paralela à linha de fundo) e alguém à frente da dita linha defensiva, na contenção, pressionando o portador da bola.

A dinâmica, quando a bola está próxima da área encarnada, é a seguinte. Ao adversário com bola, sai quem está mais próximo. Em função de quem saiu, o trinco deverá ajustar a sua posição, por forma a garantir uma linha, sempre, de 4 jogadores. O quinto elemento, é quem pressiona o portador da bola.

Exemplo simples. Imagine que o avançado adversário recua no campo de jogo e recebe a bola numa zona em que o jogador mais próximo do SL Benfica é Luisão. Será Luisão a ir pressiona-lo, e a Javi Garcia, caberá recuar uns metros no campo, por forma a juntar-se à linha defensiva (sempre de 4 jogadores. Independentemente de ser formada pelos 4 defesas originais. Lá está. O trinco equilibra a equipa, porque se posiciona em função da bola e dos seus colegas. Não por correr 13 kms, tão pouco por ser demasiado viril).

P.S.- Fizeram história os dois neurónios de Jaime Pacheco. Fosse ele o único, dentro da indústria, sem que dela, nada perceba...

P.S. II - Como pode esta gente, avaliar a prestação dos futebolistas, se não comprendem, sequer, o jogo, e as tarefas que os jogadores estão incubidos de cumprir? Percebe agora, porque, Pablo Aimar, provavelmente, o jogador mais inteligente da Liga, garante não ler nos jornais, nada sobre futebol?

sábado, 8 de agosto de 2009

Maxi depois de Veloso


"O joelho de Maxi Pereira estragou o verão a 6 milhões de portugueses". A frase é da autoria de Leonor Pinhão.

Cresci com Veloso a defesa direito e / ou esquerdo de um SL Benfica (1980 a 1995, ou seja nos meus primeiros 16 anos de vida) repleto de grandes jogadores. Mas, a Veloso nunca vi um drible, não recordo uma assistência, nem tão pouco um golo, além de que desde os seus 25/26 anos, era tido como "velho". Na escola, os intervalos / recreios eram passados, ou a desancar em Veloso (exercício muito bem cumprido pelos adeptos do Sporting), ou sem saber como o defender (tarefa impossível, a cargo dos adeptos do Benfica, lá está).

Hoje, o lugar de defesa direito do SL Benfica é de Maxi Pereira, um uruguaio que se tem revelado perfeito na ocupação dos espaços, bem como no cumprimento de todos os outros princípios defensivos do jogo. Tem denotado ser veloz q.b., e suficientemente agressivo, abegnado e astuto para, por um lado não se deixar bater pelos adversários, e pelo outro, não andar a bater em tudo o que mexe (incluindo a sua própria sombra).

Parece ser, claramente, e até à data, o defesa de maior rendimento e utilidade do SL Benfica (e, exceptuando o fenómeno que foi Miguel, provavelmente o melhor defesa direito pós Veloso). No entanto, apesar de já o ter sido visto a marcar um golo, continuamos sem ver um drible, um toque de calcanhar, ou um pontapé de bicicleta! Para completar o ramalhete, há ainda aquele sinal na face, extremamente parecido com o, do agora benfiquista, Emplastro!

Quão difícil deve continuar a ser a vida dos adolescentes benfiquistas na escola!

Texto datado de Outubro de 2008. Quando, tal frase, proferida por Leonor Pinhão, seria impensável.


P.S. - O SL Benfica perdeu, por dois meses, o seu defensor com mais qualidade. Na Eusébio Cup, frente ao AC Milan, percebeu-se bem, a falta que fará...

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Jaime Pacheco. Uma entrevista soberba (do ponto de vista dos tipos que fizeram os comentários na TVI ao Twente - Sporting).


As citações são retiradas de uma entrevista de Jaime Pacheco. Poderiam ter sido retiradas de outros seis ou sete pseudo-treinadores que ainda vegetam pelo futebol em Portugal.

"O plantel tinha bons jogadores que podiam ter produzido mais mas tínhamos muitos jogadores com as mesmas características: o José Pedro, o Wender, o Silas, o Saulo, o Marcelo, o Roncatto dentro dos mesmos padrões. Tinha jogadores que não sabiam tocar bombo. Com a bola, jogavam todos jogavam bem. Sem ela, acabou! A nossa equipa era muito frágil a defender. Melhorou com as entradas do Ávalos e do Diakité".

É sabido que o adepto comum partilha e se revê em tais ideias. Para atacar são necessários 4 ou 5 jogadores talentosos, e para defender, 2 ou 3 africanos, e/ou sul americanos, cheios de força, capazes de, por um lado, correrem 13 kms por jogo, e por outro, dar umas valentes cacetadas em tudo o que mexa.

Talvez não fosse má ideia, alguém explicar ao Jaime Pacheco (e a tantos outros) que sem bola, o propósito do jogo, é defender a sua baliza. E não, defender os adversários.

Jaime, tu não precisas de onze africanos a correr atrás dos adversários! Onze Silas e/ou Zé Pedros seriam suficientes. A ideia é ocupar, de forma correcta, o espaço. Em função da bola, garantir a proximidade de todos os jogadores da equipa. Com os onze a ocupar correctamente o espaço, não sobra muito para correr a cada um...

Na época imediatamente antes, com Jorge Jesus e com Silas, Roncato e Zé Pedro a defenderem, a equipa sofreu menos 20 golos. E rever alguns conceitos sobre defesa, não?

"Mais uma vez. Se bem se lembram, há três anos, numa equipa com o Meyong, o Ruben Amorim e outros o Belenenses também desceu. Portanto, o problema ali é de fundo."

O problema do Belenenses até pode ser de fundo. Porém, durante duas épocas não se notou nada (inclusivé foi possivel jogar quase de igual com adversários do nível do Real Madrid e Bayern). Será que a diferente (in)competência das equipas técnicas, poderá servir de justificação, para tal dicotomia?

"Olhemos para a última época. Entre os três grandes, qual a equipa na qual os três avançados mais trabalhavam em termos defensivos? Depois se vê quem ganha.."

Exactamente. São precisos os onze (nos quais se incluem os avançados). Para defender e, também, para atacar. Mas, repara. Correr de um lado para o outro, mostrando os dentes, não é propriamente defender com qualidade. Depois do elogio aos avançados do FC Porto, seria interessante que também se procurasse perceber a forma como os onze jogadores azuis ocupam o espaço defensivo...

"Também gosto muito do Luisão se ele jogar à sua maneira. É alto, feio, intimida mas tem de jogar simples."

Exacto. É bom porque é feio e intimida.

"o Gattuso no Milan, o Bonini na Juventus, o André no FC Porto, o Essien no Chelsea, o Petit no Boavista e no Benfica... As melhores equipas do mundo têm sempre este tipo de jogador que nem sempre agrada muito mas que equilibra as equipas."

Jaime, para equilibrar a equipa, não são precisos trolhas. Sao precisos jogadores que ocupem correctamente o espaço. A chave está no modelo de jogo preconizado pelo treinador, e na mente de quem está dentro do relvado. Repara, o Rúben Amorim não equilibrava a equipa do Benfica, porque corria kms. Equilibrava porque percebia o posicionamento defensivo a adoptar. Se tivesses sido capaz, poderias ter colocado o Silas a equilibrar a equipa. A questão está na ocupação do espaço (pelos onze!!!) e não nas loucas correrias (que dois ou três são forçados a dar, para compensar o mau posicionamento de 5 ou 6). Isso de meter os trincos a correr a largura toda do campo (enquanto que os extremos e os interiores ficam encostados ao seu adversário directo), é capaz de ser uma ideia um bocado estapafúrdia.

O Essien e o Gattuso equilibram a equipa, porque são inteligentes e porque estão integrados em modelos de jogo que fazem sentido. Sabem ocupar o espaço. Não equilibram a equipa por correrem mais do que os outros...

P.S. - Tivessem tais citações, sido retiradas, de uma qualquer entrevista na década de 80, e teriamos Homem (ainda assim, longe da vanguarda)!

P.S. II - Ainda hoje, muitos crêem, que uma equipa para ter sucesso, necessita de 2 ou 3 jogadores, capazes de correrem inúmeros kms, 2 ou 3 capazes de fazer uns dribles engraçados, outros tantos, com capacidade para fazer carrinhos (!?) e, claro, um que sirva de estátua, na grande área, esperando por um possível lance para finalizar. Tudo normal. Lamentável, é, ainda, haver gente a treinar equipas (somas de jogadores...) de futebol, com este pensamento.

P.S. III- Ver uns videozinhos das melhores equipas mundiais nunca fez mal a ninguém e, mesmo parecendo que não, qualquer um, consegue aprender algumas coisas...

P.S. IV - Por favor, não venha relembrar o titulo de campeão nacional. Esse campeonato, teria sido ganho pelo Boavista, até, com o plantel de 1987/1988 do Arrentela, e com o António Variações ao leme.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Futebolistas de uma vida. XXII


Braga ficou sem Jesus. Veio o Domingos... ...Paciência...

Quer-nos parecer que em Braga Domingos terá dificuldade em aquecer o lugar... Quando o próprio veio elevar a fasquia de tal forma, tendo para isso inferiorizado o trabalho realizado na época anterior (com Jesus ao leme da equipa), das duas uma, ou estava com as expectativas demasiado elevadas, ou então foi algum recado que lhe foi "encomendado" via FCP.

Dificilmente Domingos perderá a sua conotação com FCP. De qualquer forma, o trabalho realizado na Académica prometia bem mais que este início paupérrimo...

A vida não está fácil para quem prometia um Braga melhor do que aquele que o ano passado, na sua opinião, poderia ter feito bem melhor...

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Solteiros contra Casados. Na TVI.


De repente o Twente não pareceu nada bem organizado. Incrível como com somente 10 jogadores, foram capazes de ocupar correctamente o espaço, contrastando com o comportamento adoptado no jogo da Holanda.

O Sporting realizou uma exibição absolutamente miserável (colectivo sem ideias, e as individualidades a não demonstrarem um pingo de qualidade). Yannick (será, tecnicamente, o pior jogador da Liga Sagres?!?) e Liedson (perdeu todas as bolas em que tocou. Alguém lhe explica, que quando recebe a bola de costas para a baliza, com um adversário imediatamente atrás, deve funcionar como apoio, e não forçar o enquadramento com a baliza adversária?), principalmente, realizaram um jogo grotesco.

Contudo, e por incrível que pareça, o maior destaque pela negativa, para quem assistiu ao jogo pela televisão, só pode ser um. A equipa de comentadores da TVI.

Pérolas atrás de pérolas.

Ficámos a saber que no futebol vence quem tem mais atitude, garra e raça. Reparámos, também, que Derlei estava a fazer falta. Se pensou que seria por oferecer outras opções, colectivas, à equipa, desengane-se. Fez falta, porque tem uma entrega inexcedível ao jogo, claro.

O ponto alto da transmissão televisiva, foi a solicitação de mais "músculo" para o meio campo do Sporting. "Dar uns passos atrás, para depois poder dar uns à frente". Brilhante. Como forma de desbloquear um resultado, perante uma equipa ultradefensiva, foi sugerida uma maior aposta em trolhas.

"Os jogadores do meio campo do Sporting estão a marcar mal". O que estariam eles a marcar mal? As linhas do campo, ou os adversários? É que, é suposto marcarem tanto as linhas, quanto os seus adversários.

Parece que essas coisas estranhas, apelidadas de talento, velocidade e inteligência estão sobrevalorizadas. O que resolve jogos e o que faz falta (a animar a malta!?!?), é gente para correr a maratona e dar umas cacetadas.

P.S. - Entretanto, o Lateral Esquerdo apurou que, Jorge Jesus, que assistia ao jogo, ouvindo tão sábias recomendações, requereu o regresso de Bynia. Parece ser o substituto ideal de Aimar, para jogos destas características.

P.S.II - As atrocidades proferidas pelo duo de artistas da TVI, foram de tal forma ridículas, que seria impensável deixa-las passar em claro. Mesmo, não sendo esse, o foco deste espaço.

José Mourinho. XVI


"No "flash interview" ouvi falar de quebras físicas e logo dei por mim a pensar que a minha cruzada vai ser mesmo difícil. É que não consigo mesmo que se perceba que isso não existe. A forma não é física. A forma é muito mais que isso. O físico é o menos importante na abrangência da forma desportiva. Sem organização e talento na exploração de um modelo de jogo, as deficiências são explícitas, mas pouco têm a ver com a forma física".

Janeiro de 2005. Comentando o jogo, Sporting X SL Benfica.

"É muito difícil treinar existindo contradições entre as ideias do treinador e as características da equipa e, neste sentido, há treinadores que, chegando a meio da época, têm tarefa extremamente difícil. Provocar rupturas, mas lutar pelas suas ideias, adaptar-se à realidade existente fugindo das suas crenças ou uma situação intermédia em que se modifica progressivamente o modelo existente (quando existe!)? Assim deve ser com Vítor Pontes, que defende um futebol completamente diferente daquele que recebeu. Contra o Porto vi uma equipa a pressionar alto como Pontes gosta, com defesas a "contradizerem" o movimento e a ficarem sentados no primeiro terço; vi uma equipa a tentar ser criativa e a utilizar a posse como o Leiria fazia, com alguns jogadores a construírem directo; vi jogadores que perceberam em pouco tempo como se bascula, misturados com outros a pensarem o jogo de forma primitiva. Acredito que Pontes vai vencer, porque acredito na qualidade de trabalho, porque acredito em futebol estruturado e pensado, porque acredito na inteligência. Mas não vai ser fácil."

Revista 10, 9 de Janeiro de 2006

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Recordas-te? II


Simon, Hulk e Di Maria.



"Corro, pressiono, tento fechar espaços." Di Maria.

Se crê que o acréscimo exibicional de Di Maria se deve a factores físicos, ou à maior predisposição para correr e pressionar, está enganado.

Em termos defensivos, a chave está na ultima afirmação. Fechar espaços. Com os 11 jogadores preocupados em fechar o seu espaço, os momentos para pressionar surgem, quando o portador da bola está no seu espaço. O tempo para correr, é essencialmente sem bola. Em sprints nas transições (momentos que se seguem à perda ou recuperação da posse de bola), procurando, chegar rápidamente ao seu espaço. Em passada larga e/ou curta, garantindo opções (linhas de passe) ao portador da bola e conferindo mobilidade à equipa, nos momentos ofensivos. Basculando, com os colegas, em função da bola, nos momentos defensivos.

Jorge Jesus afirmou, convincentemente, de que os jogadores se valorizariam consigo. Para Di Maria, não se consegue imaginar nada melhor, para o progresso da sua carreira, do que ter a oportunidade de ser treinado por alguém com tantos conhecimentos tácticos. Aguarda-se confirmação, da sua evolução.

"Nem Paulo Bento, nem ninguém me pode mudar." Simon Vukcevic.

É pena.

Simon tem traços individuais fantásticos. Tem talento, é muito forte, executa rápido e é explosivo. O seu potencial, vai muito para além da Liga Portuguesa. Porém, persiste em viver à margem do colectivo.

Simon afirma não gostar de futebol. Essa será, porventura, uma possível explicação para que não se entregue, verdadeiramente, à equipa. Do jogo, Vuk, parece querer, apenas, divertir-se. Finta e remata. Finta e cruza. A imprevisibilidade é positiva. Quando são os adversários, a serem incapazes de discernir as suas opções. Quando os próprios colegas não compreendem os timings das acções que realiza, algo tem de ser mudado.

Quem sabe, um dia, quando abrir a sua mente, Vuk entenderá, que não há diversão igual, à que se retira, quando se faz parte de uma equipa que não vive de impulsos individuais.

"Hulk impressiona mais os adeptos que os treinadores". Jesualdo Ferreira.

As características individuais são soberbas. Velocidade de passada e de execução, explosão, força e capacidade técnica.

Hulk é o heroi da pequenada. Mas, não do seu treinador (pudera. Quem teve Lucho e Lisandro...). Apesar da enorme evolução obtida, continua a ser bastante limitado na tomada de decisões. Hulk entende que os jogos se resolvem por iniciativas individuais. Tivesse jogado na década de 70 ou 80 e, quem sabe, não perduraria na história do futebol.

Só Jesualdo saberá, se Hulk continua com vontade de se tornar melhor jogador. O facto de ser, tal como Quaresma, bem sucedido (fruto da sua extrordinária capacidade individual), por diversas vezes, mesmo tomando opções erradas, poderá retirar-lhe predisposição para aprender (ainda para mais, depois de elevado a super estrela, face à partida dos enormes argentinos).

Se mesmo por caminhos errados, Hulk, por vezes, encontra o sucesso. Que jogador seria se desenvolvesse o lado intelectual? É nessa perspectiva de evolução, que Jesualdo encara Hulk. Um produto limitado numa vertente decisiva no jogo moderno. Mas, não acabado.

P.S. - Os três jovens talentos, poderão ser, quem mais entusiasma os adeptos. Porém, estão bastante longe de serem os melhores jogadores das suas equipas. Paulo Bento, Jesus e Jesualdo, sabem-no!

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Mais e Menos da Semana


MAIS

Aimar e Saviola

A exuberância de Di Maria e a capacidade finalizadora de Cardozo, até podem ser a face mais visível de tanto caudal ofensivo. Porém, é nas botas de Aimar e Saviola que tudo nasce. São de outra realidade. Extraordinária capacidade técnica e essencialmente táctica (na vertente da boa tomada de decisões. Os timings para prender, ou para soltar e para quem soltar a bola, são perfeitos). Os ataques rápidos conduzidos pelos argentinos são de uma qualidade incrível. Que prazer retiram do jogo, quando estão juntos...

MENOS

Domingos Paciência

Com as criticas proferidas a Jorge Jesus, percebeu-se que não entendia a realidade que encontrou. Não reparou que o ponto mais forte do Sp. Braga era o seu colectivo. Tal facto, para um treinador, deveria ser, no mínimo, confrangedor. Depois de na época transacta, ter vencido a Intertoto, depois de ter jogado de igual para igual, em Itália, com o poderoso AC Milan e no AXA com o campeão alemão, depois de ter vulgarizado uma equipa inglesa e de ter eliminado o campeão belga, o Sp Braga está a um pequeno passo de ser eliminado, ainda na pré-eliminatória, por uma qualquer equipa sueca.

Aguarda-se, com expectativa, o percurso na Liga.

MAIS OU MENOS

Colectivo do FC Porto

Em termos defensivos (apesar de um ou outro deslize pontual), o FC Porto denota um nível bastante elevado. Há boas individualidades (ainda que seja determinante que Bruno Alves não saia), e bons princípios colectivos. Porém, o processo ofensivo, à data, carece de boas combinações ofensivas, de boas soluções colectivas. Chegar ao golo é uma tarefa de todos (dos onze!) e não de dois ou três. Garantindo que Hulk, impressiona mais os adeptos que os treinadores, Jesualdo Ferreira demonstra perceber o que há para mudar. Como treinador competente que é, acabará, provavelmente, por conseguir criar uma ideia colectiva, que não existe (desde a partida de Lucho e Lisandro), para o ataque. Não o fazendo, Hulk até poderá ser vendido por 40M. Chegar aos troféus é que será mais complicado.

domingo, 2 de agosto de 2009

Uma defesa caótica.


"O importante é que ninguém entre em euforias, dado que os jogos do campeonato português são muito diferentes destes da pré-época. Mais: os treinadores portugueses são mais espertos e conseguem colocar outros problemas aos adversários." Jorge Jesus.

À atenção de João Querido Manha,

Uma defesa caótica é tudo aquilo. Olhos centrados, a todo o momento, nos adversários directos e marcações cerradas, a todo o lado para onde qualquer jogador de encarnado se dirigisse. Ausência de coberturas defensivas e de trocas racionais de funções. O posicionamento dos jogadores ingleses foi sempre determinado, pelos jogadores do Benfica.

O comportamento defensivo do Portsmouth assemelha-se a um qualquer grupo de amadores, que se reúne ao fim de semana para jogar futebol. Jaime Pacheco não conseguiria pior.

Entretanto, e apesar de tamanhas facilidades, o SL Benfica realizou uma exibição sublime. Muita, e rápida circulação de bola, como tem sido apanágio nesta pré-época. Constante mobilidade dos 5 da frente (Di Maria, Saviola, Cardozo, Amorim e Aimar), aclarando espaços. Condução de bola, sempre na direcção do corredor central e constantes apoios frontais dos avançados (contrastando com a incessante procura do espaço nas costas da defesa, tão em voga no Benfica de Quique Flores).

Claro destaque, para a capacidade de construção de jogo ofensivo que Aimar, em conjunto com Saviola, empresta ao jogo encarnado. As várias linhas de passe, a todo o momento (enorme Saviola), facilitam o processo de tomadas de decisão a Di Maria. Javi Garcia continua a impressionar e Sidnei é o melhor central do Benfica.

P.S. - Confirmando-se a gravidade da lesão de Maxi Pereira, Rúben Amorim, assim o deseje, é o homem certo...

P.S.II - Na época transacta, o SL Benfica teve um adversário, em tudo, idêntico a este Portsmouth. O Belenenses (em Belém). Não foi capaz de marcar um único golo...

sábado, 1 de agosto de 2009

Keirrison. Será?


"Não fico muito tempo a pensar no que vou fazer. Tenho a facilidade de pensar e executar de forma rápida. Muitas vezes ao primeiro toque. Sou muito decidido e raramente fico com a sensação de ter tomado uma má opção durante um jogo."

As declarações revelam uma invulgar maturidade, para um futebolista de 20 anos. Não pelos habituais chavões, mas, pela capacidade de compreender o factor mais decisivo do futebol europeu. As boas decisões.

Aguarda-se confirmação. No relvado.