sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Dificuldades do FC Porto em organização ofensiva


Ajude o professor. Um rebuçado para quem apontar as principais causas, para tamanha dificuldade em chegar ao golo, por parte do FC Porto, aquando do momento de organização ofensiva.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

A lição de Jesus


Crendo como verdadeira, a esfarrapada desculpa de Jorge Jesus para os quatro dedos no ar, é inegável que sobra uma lição, que se aprendida, poderá, eventualmente, catapultar Machado para outros voos.

Aprender com a interpretação que Jesus sugeriu para o gesto, seria produtivo para Machado. É que, de facto, é assim que se deve posicionar uma defesa a 4. Os quatro defensores devem permanecer alinhados (na horizonal, ou ligeira diagonal), formando uma linha de jogadores próximos entre si. Se assim for, o comportamento do adversário, não cria rupturas no sector defensivo. Mantendo o alinhamento e a proximidade entre os quatro, o adversário dificilmente será capaz de explorar a profundidade nas costas da defesa. O adversário, portador da bola, encontrará sempre uma barreira de defesas entre a bola e a baliza.

Quando se troca o comportamento zonal pelo perseguir do adversário, o posicionamento defensivo é quase aleatório. É definido pelos avançados. Não há linhas. Há uns jogadores mais à frente, outros mais atrás. No sector defensivo, há buracos, a todo o momento. Criados pela mobilidade e aclaramento de espaços dos jogadores adversários.

Numa perspectiva de evolução, talvez Machado deva mesmo ser anjinho e interpretar o gesto da forma como Jesus o expôs. Retirando daí o máximo possível. Quem sabe, quando souber organizar defensivamente a sua equipa, Manuel Machado não esteja em condições de chegar a uma equipa com outras ambições?



Pare a imagem no momento em que Aimar recebe a bola, de frente para o jogo. Repare no posicionamento dos defensores madeirenses. Tudo preso a marcações individuais. Ocupando o campo de forma ridicula. Uma linha de dois defesas (ao nível de Cardozo). Depois mais um e por fim, outros dois. O passe de Aimar entra, precisamente onde deveria estar colocado o defesa direito (mas, este estava mais preocupado em chegar o mais próximo possível do adversário directo...). Ao longo de todo o jogo, inúmeros foram os passes bem sucedidos, a explorar a profundidade nas costas dos defesas da equipa de Machado.

P.S. - O Benfica de Jorge Jesus, consentiu o seu 1º golo na Liga, fruto de um passe em profundidade para as costas da sua linha defensiva. Apesar da vantagem injusta de que o avançado madeirense beneficiou (ter partido de uma posição que o colocava mais próximo da baliza de Quim, que qualquer dos defensores encarnados), alguns erros foram cometidos. Javi e Luisão estão demasiado afastados, e David Luiz demora um pouco, a ocupar a posição de Fábio Coentrão (alinhando com os restantes três colegas de sector. Sendo também a demora de David Luiz, a causa principal para o facto de Javi não ter juntado mais cedo a Luisão).

Golo aqui

José Mourinho. XXVIII


"Ontem fizeste 800 metros em 8 minutos. Das duas uma: Ou tens um problema na cabeça e precisas de o resolver, ou tens um problema físico, e continuas a precisar de arranjar uma solução. Por isso vais treinar com a equipa B e quando achares que a cabeça ou o físico já não têm problemas vens ter comigo"

Palavras dirigidas a Maniche, castigado por José Mourinho, aquando da sua passagem pelo SL Benfica. Retirado de "José Mourinho" por Luís Lourenço.

"É evidente que foi feio. Não foi uma situação institiva da minha parte, por isso reconheço a justiça da minha expulsão. Não tive 'fair-play', para além de ter tido uma intervenção directa no jogo. Loga na altura, pedi desculpa ao Castroman e ele a sorrir respondeu-me apenas 'Mister, é futebol'"

Sobre a forma como impediu Castroman de marcar rapidamente um lançamento de linha lateral, quando a sua equipa estava desiquilibrada no relvado. FC Porto - Lázio. Retirado de "José Mourinho" por Luís Lourenço.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Mais e Menos da Semana


MAIS

Farías e Saviola

O argentino do FC Porto é um goleador de excelência. Perfeito para os jogos que se complicam. Não precisa de muitos minutos, tão pouco de muitos toques na bola, para chegar ao golo. Fica a dúvida sobre quantos obteria se jogasse mais tempo. Com a Académica foi verdadeiro Ás de trunfo.

De Saviola não sobra muito para dizer. Se Lisandro era/é um avançado encantador, El Conejo ainda mais. Ter um jogador com tamanha qualidade na Liga Sagres é um cenário quase surreal. Há que disfrutar.

MENOS

Manuel Machado

Em surdina sugere-se, quem sabe se pelo sucesso de Jorge Jesus no SL Benfica, a hipótese Sporting para o prosseguir da carreira de Machado. Para o Sporting, seria uma tragédia. As equipas de Manuel Machado são muito interessantes nas saídas para o contra-ataque. Nota-se que é um treinador com alguma sapiência nos processos ofensivos. Contudo, do ponto de vista defensivo, é uma lástima. Os seus jogadores perseguem, quais baratas tontas, os adversários para toda a parte. Não há o formar de linhas defensivas. Cada um, joga por si. O método defensivo é um autêntico buraco. Equipas com mobilidade e qualidade técnica facilmente desmontam as equipas de Machado. Tenta compensar as lacunas defensivas, utilizando um sistema táctico mais defensivo (5-3-2), que acaba por prejudicar, também, a equipa, quando em situação de ataque organizado. A goleada na luz era esperada. Equipas perdidas no campo, consentem a todo o momento, que seja explorada a profundidade nas costas do seu último elemento.

MAIS OU MENOS

Hulk

Os dois golos na champions dão-lhe a notoriedade que tanto ama. Permitem-lhe ser, cada vez mais, o heroi da pequenada. Porém, continua a faltar-lhe cultura colectiva. No jogo da Liga, realizou uma exibição risível. Das poucas vezes que decidiu fazer a bola circular, fê-lo de forma desajeitada, e quase sempre para o adversário. Perante equipas capazes de delimitar os espaços, Hulk é menos um. Compreendem-se os assobios no Dragão.

Recordas-te? XIV


segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Aimar & Saviola





Juntos, poderiam jogar numa cabine telefónica para sempre. E serem felizes. Por cá, tal como Diego Maradona, pagariamos para ver.

P.S. - A propósito de golos e assistências. Consegue catalogar o passe de Fábio Coentrão e a finalização de Cardozo, como o mais importante e decisivo do lance? Percebe porque não se pode/deve quantificar o rendimento, em golos e assistências (principalmente)?

P.S. II - Já aqui havia sido dito (ainda bem antes do SL Benfica x Vitória de Setúbal). Equipas com o método defensivo baseado em referencias HxH (Homem X Homem) sairão todas goleadas da luz.

domingo, 25 de outubro de 2009

André Villas Boas. Uma pedrada no charco?


"Para mim não existem marcações individuais. Não acredito nesse tipo de marcação. Prefiro zonas de pressão e limitação de espaços. Se pressionar como pretendo e limitar as zonas de acção dos jogadores adversários, então percorremos meio caminho para conseguir um resultado positivo".

Pelo teor das afirmações de André Villas Boas, a Académica promete passar de uma das mais desorganizadas equipas da liga (sob o comando de Rogério Gonçalves), para uma das mais competentes.

Na Liga Sagres, pouquíssimas equipas são capazes de colocar os seus onze jogadores a moverem-se em conjunto. Ocupando o campo de forma criteriosa e sob princípios colectivos. É comum, a forma aleatória (em função do adversário directo), com que os jogadores se deslocam no campo, quando a sua equipa não tem a posse de bola. Não há qualquer definição de linhas defensivas (sejam alinhadas na horizontal, ou na diagonal). Há defesas "esburacadas" pela mobilidade do ataque adversário. Os conceitos defensivos da larga maioria dos treinadores da Liga, passam pelo incutir de maior agressividade, como forma de minimizar o mau posicionamento. Crê-se que o defesa precisa de ser melhor (mais forte, mais rápido) que o avançado para o poder anular. Nada mais falso.

Se Villas Boas demonstrar capacidade para transmitir os seus conhecimentos. Se for capaz de passar as suas ideias, a Académica, ainda que, em termos individuais, seja das mais débeis, poderá tornar-se numa das mais interessantes equipas da Liga.

P.S. - Confirmando-se a sua capacidade táctica, e não menos importante, capacidade para, pela prática (exercícios em situação de treino) implementar as suas ideias, a partir de Dezembro, os jogos da Académica poderão tornar-se bem mais interessantes de seguir...

P.S. II - Também Carlos Azenha garantira que a sua equipa defenderia como o Milan de Arrigo Sachi. Contudo, não pareceu sequer, que tenha havido uma tentativa, de pelo menos, adoptar os mesmos princípios.

P.S. III - Importante será perceber, também, a capacidade intelectual dos jogadores da briosa. O caminho idealizado promete ser o mais correcto. Mas, não o mais fácil de perceber.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Saviola. Porque os avançados não se medem ao golo.


Post recuperado, como tributo a (mais) uma exibição "assombrosa" de El Conejo.


"Weldon pressiona Saviola".

A frase, sugerindo a saída do 11 do argentino, é retirada do Correio Sport. O nome do seu autor (Luís Sobral), não é relevante. Uma dúvida porém. Tal frase, revelará, uma mesquinhez tão própria do português (quão interessante é desvalorizar o que é bom, somente porque é caro) ou apenas ignorância?

Apesar de fácil, catalogar o rendimento dos jogadores por golos e assistências, é errado.

O jogo passa por várias fases, e a finalização, ainda que seja a mais visível, é apenas mais uma. Só possível se todas as outras tiverem sido bem sucedidas. Da mesma forma que o último passe, é somente um passe. Tão importante e decisivo quanto todos os anteriores.

Exemplo simples. Nuno Gomes beneficiou de um excelente cruzamento de Fábio Coentrão para marcar. Porém, se o passe de César Peixoto, para Fábio, não tivesse sido, exactamente como foi (para o espaço vazio, aproveitando o corredor lateral livre), dificilmente, teria havido cruzamento. E quem solicitou Peixoto, se tivesse errado o passe?

Javier Saviola não será, seguramente, o melhor marcador da Liga Sagres. Como tal, poucos perceberão a sua extrema importância no SL Benfica. Poucos perceberão que é o melhor avançado em Portugal. Muito rápido, muito dotado técnicamente e bastante astuto, El Conejo joga e faz jogar. Sem ele em campo, as combinações ofensivas, a rápida circulação de bola e a constante mobilidade, não parece ser possível.

Imagine o seguinte cenário. Ontem, no lugar de Saviola, teria jogado qualquer outro avançado da Liga Sagres (Hulk. porque não?). Mesmo que o avançado que imaginou, tivesse alcançado um hat-trick, acredita mesmo que a equipa marcaria oito golos?

Os golos são da responsabilidade de todos. E com Saviola em campo, podem surgir a qualquer momento. Mesmo que o último toque nunca seja do argentino. Mesmo que, Saviola lhe pareça ausente.

P.S. I - Alguns jogadores, ainda que com evidentes limitações, acabam por justificar a presença no jogo, pelo interessante ratio de golos que obteem (Liedson e Cardozo, são exemplos claros). Porém, pelo que não são capazes de criar, não são os melhores jogadores das suas equipas.

P.S. II - Cardozo, Falcao e Liedson poderão terminar com 30 golos cada. Ainda assim, Saviola será sempre melhor e mais decisivo.

P.S. III - Sabia que Lisandro Lopez, o melhor avançado da Liga Sagres das últimas épocas, marcou, na liga transacta, metade dos golos do melhor marcador (Nené)?

P.S. IV - Com o Everton, Angel Di Maria, mostrou, quem sabe se pela primeira vez, boa capacidade de definição das jogadas. Continuando a evoluir neste aspecto, e com todo o talento que tem, grandes feitos o esperam.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Futebolistas de uma vida. XXXIII


Hulk resolve o jogo


Para a crítica é sempre bastante fácil catalogar as exibições individuais. Marcou dois golos, resolveu o jogo. É uma visão que se pode aceitar. Ainda que não seja, de todo, a mais correcta.

Poder-se-à, com razoável indíce de maldicência, afirmar-se que o atraso de bola desconexado do jogador do Apoel, teve ainda maior relevância, para o destino da jogada, que o último toque aplicado por Hulk.

Porém, por cá, não somos assim tão mal intencionados. Se é importante reconhecer mérito a quem o tem, é inegável que o timing para o passe, e o exacto local para onde Falcao endossa a bola, é mais de metade do golo. Aquela é a forma de resolver situações de vantagem numérica.

Relembrando. A notoriedade é sempre de quem faz o golo, mas os melhores jogadores serão sempre os que com a sua forma mais eficiente de resolver todas as situações, permitem à sua equipa estar em todos os momentos, mais próxima de chegar ao golo e ao triunfo. Mesmo quando não fazem as capas dos jornais.

Falcao, para além de temível goleador, é também, um jogador inteligentíssimo.

P.S. - Permite-me a pretensão de afirmar, que se a bola tem sobrado para Hulk, e não para Falcao, as probabilidades de o lance terminar em golo ter-se-iam reduzido substancialmente?

P.S. II - Excelente finalização de Hulk.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

José Mourinho. XXVII


"Nesta fase do campeonato a minha equipa já decidia com perfeição o que deveria fazer e neste esquema, o Costinha foi um jogador fundamental, com decisões sempre acertadas. Portanto, quando se dizia que nós estávamos melhor preparados fisicamente que os outros, ou até que a nossa preparação era diferente, eu sempre respondi que não se tratava nada disso..."

Retirado de "José Mourinho", por Luís Lourenço.

" - Diz aos jogadores onde estou. Quero que olhem para mim antes do jogo
- Deco a pegar no Liverani, não pode deixar jogar.
- Maniche não pode apertar tão longe, Maniche não vai ao Liverani. Quando Paulo aberto, Aleni tem que estar fechado no Maniche.
- Hélder a dormir. Tem de acompanhár o César.
- O meio tem de estar preenchido na posse de bola e sem ela. Maniche apoio atrasado.
- Se um dos centrais sai na lateral, Maniche compensa o espaço do central.
- Manter a posse. O Deco que não invente e jogue mais.
- Marcar nos cruzamentos. Aleni inclusive, tem de seguir o Stankovic.
- Mais protecção ao Nuno Valente. Ele não está bem, Aleni perto, central perto quando eles entram com a bola.
- O Deco que pare de inventar.
- Digam ao Deco que tou fodido, tem que produzir muito mais.
- Aquece Marco Ferreira.
- Marco depende de Derlei. Se bem, Marco senta.
- Começa a dizer que só faltam 5 minutos.
- Volta a avisar tempo. Concentração total.
- Pressão ao fiscal. Toda a gente.
- Atenção ao Lopez. Saber onde está, cuidado com a profundidade e também quando ele descola para receber.
- Derlei na barreira em vez do Postiga.
- Para Oddo subir em profundidade, o Gianni está a ficar como terceiro defesa, Aleni tem que saltar no Oddo, já que o Gianni fica em posição. Muito importante!
- Deco mais fixo, deixou de ser 2ndo ponta de lança, tem de fechar para o Aleni bascular.
- Aquece Tiago e Marco.
- Ricardo cuidado, Lazetic rápido.
- Troca os homens do aquecimento por outros. Não deixem os gajos entusiasmarem-se, concentração total.
- Troca suplentes.
- Dino Baggio. Muita atenção nas bolas paradas.
- Tiago na posição do Aleni, Aleni na posição do Deco, Deco fora. Ensina o Tiago a rodar na barreira com o Victor.
- Troca os homens do aquecimento.
- Jankauskas por Derlei com iguais funções nas bolas paradas, incluindo barreira.
- Jankauskas aguenta, apenas ao minuto 40.
- Avança com o Jankauskas, Derlei sai.
- Pedro Emanuel livre, atrás dos dois centrais. Sai Aleni, Maniche, Paulo Ferreira e Tiago fixos no meio campo."

Indicações de José Mourinho para o banco de suplentes (estava na bancada, castigado) na semi final da Taça Uefa. Lazio - FC Porto. 0 a 0. Retirado de "José Mourinho" por Luís Lourenço.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Recordas-te? XIII


Mais e Menos da Semana


MAIS

Paulo Sérgio

O bom trabalho desenvolvido na capital do móvel, projectou-o para patamares mais elevados. Pela organização e primazia por uma cultura de colectivo, aplicada no Paços de Ferreira, parece merecer a aposta. O primeiro jogo correu bastante bem. Aguarda-se aposta nos mais talentosos (Rui Miguel, Nuno Assis, João Alves e Douglas) em detrimento dos que para além de correrem , só servem para perder a bola (Targino e Jorge Gonçalves). Com benefícios para o Vitória, que tem qualidade individual mais que suficiente para lutar pelo quarto lugar na Liga.

MENOS

Fernando Sequeira (Presidente do FC Paços Ferreira)

A contratação de Ulisses Morais é somente mais um caso de "baralha e volta a dar" no futebol português. Não se percebe ao certo quem toma e porque toma estas decisões. Contudo, não duvide que esta é mais uma das razões para que a maioria das equipas portuguesas se apresentem a jogo de forma quase arcaica.

MAIS OU MENOS

Paulo Bento

De regresso às vitórias. Porém, começa a faltar paciência para assistir aos jogos do Sporting. Suplício do princípio ao fim. Muito há para mudar no estilo de jogo leonino, e não parece que Paulo Bento seja capaz de o fazer. Terá a equipa atingido o limite dos seus indices motivacionais? A passividade constante de todos os jogadores, assim o sugere.

sábado, 17 de outubro de 2009

Treinadores e Jogadores. Who made who?


"Temos de defender melhor" Nelo Vingada.

A forma é óbvia. O conteúdo inexistente. Defender melhor, sim. Mas, como? No momento de defender, todo o Vitória de Guimarães era desnorte e mau posicionamento no relvado. Muitas marcações individuais, expõem em demasia a equipa, face à movimentação inteligente do adversário (para "romper" numa equipa que defende ao homem, basta ter mobilidade no ataque). São os avançados que determinam o posicionamento dos defesas, pelo que lhes é possível aclarar espaços, em zonas frontais à baliza, para que os médios / extremos / defesas possam aparecer.

“A pressão deve exercer-se sobre a bola, não sobre o jogador” Cruyff (2002).

"Quem marca ao homem corre por onde o rival quer. Essa caçada tem por fim capturar um inimigo, mas o meio usado converte o marcador em prisioneiro” Valdano (2002).

Custa a aceitar que um dos treinadores responsáveis pela versão portuguesa dos princípios do jogo, não tenha tido capacidade para os implementar na sua totalidade (uma equipa que defende com base nas marcações individuais, só se mostra capaz de cumprir o princípio da concentração (proximidade entre jogadores), de forma aleatória, e somente quando o adversário é o suficientemente atabalhoado, para que tal aconteça).

Como explicar? Nelo Vingada não acredita nos seus conhecimentos, e não os tentou implementar? Não foi capaz de transmitir e operacionalizar o que pretendia? Ou perante o hábito daquela que tem sido a vivência dos jogadores do Vitória, estes não se mostraram disponíveis para a mudança? Fica a dúvida. Somente Vingada poderá responder.

Como forma de transmissão e operacionalização das suas ideias, José Mourinho recorre a um processo denominado como "descoberta guiada", garantindo a implementação das mesmas, e a satisfação dos seus atletas, pela forma activa, como participam no processo.

“Jogadores com este nível não aceitam o que lhes é dito apenas pela autoridade de quem o diz. É preciso provar-lhes que estamos certos. A velha história do mister ter sempre razão não é aqui aplicável. (...) O trabalho táctico que promovo não é um trabalho em que de um lado está o emissor e do outro o receptor. Eu chamo-lhe a descoberta guiada, ou seja, eles descobrem segundo as minhas pistas. Construo situações de treino para os levar por um determinado caminho. Eles começam a sentir isso, falamos, discutimos e chegamos a conclusões. Mas para tal, é preciso que os futebolistas que treinamos tenham opiniões próprias. Muitas vezes parava o treino e perguntava-lhes o que eles sentiam em determinado momento. Respondiam-me, por exemplo, que sentiam o defesa direito muito longe do defesa central. Ok, vamos então aproximar os dois defesas e ver como funciona. E experimentávamos, uma, duas, três vezes, até lhes voltar a perguntar como se sentiam. Era assim até todos, em conjunto, chegarmos a uma conclusão. É a esta metodologia que chamo a descoberta guiada”.

O sucesso / insucesso (não o ocasional) de uma equipa não pode nunca ser dissociado da dinâmica que se estabelece entre treinadores e jogadores. Para além da competência, a disponibilidade de ambos para a mudança (depois de em situação de exercício / jogo, comprovadas as vantagens da mesma) tem de ser total. A atitude ditatorial de alguns treinadores, incapazes de modelar as suas ideiais iniciais, não percebendo que as mesmas, independentemente da sua qualidade ou não, poderão não se aplicar em determinado contexto, e a indiponibilidade, por parte dos jogadores, para interpretar o jogo de forma diferente, é um dos maiores entraves (para além da ausência de conhecimentos e /ou incapacidade para os operacionalizar) ao desenvolvimento de um jogar colectivo.

P.S. - Post ao Santana, Simão, Berhan, Noronha, Botelho, António Almeida, Godinho, Mouro, Proença, Ramos, Coti, Pedro Santos, Rui, João Silva, Gonçalo, Luís, Saraiva e ao Malaquias.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

José Mourinho. XXVI


"Logo no início da semana comecei os treinos a ensaiar as jogadas do adversário e a nossa forma de as anular. E eu sabia que o Camacho, sempre que estava a perder, trocava o Zahovic pelo Sokota. Ora quando iniciei os treinos, fi-lo exactamente nesse sentido, de preparar a minha equipa contra as investidas atacantes do Sokota. Até que um jogador meio surpreendido me disse 'Mas, mister, eles não jogam com o Sokota, jogam com o Zahovic. Era o que eu queria ouvir, para de imediato responder: 'Jogam com o Zahovic quando estão a ganhar. Contra nós vão ter de jogar com o Sokota, que é a opção do Camacho quando estão a perder'".

Sobre a preparação do SL Benfica - FC Porto no Estádio da Luz. 0 - 1. Golo de Deco. Retirado do Livro "José Mourinho" de Luís Lourenço.

"São períodos de 15 minutos. Se marcarmos, faltam poucos para levarmos a taça e temos de morrer em campo a defender. Se sofrermos, jogam directo para o Capucho. Capucho: 'Tens de perder a primeira bola propositadamente para que os médios possam ganhar a segunda e assim massacrarmos a partir dessa posição.' Se não houver golos, joguem como bloco, com o cansaço que já existe não podemos esticar a equipa e deixar de ter as linhas juntas. Vou colocar o Marco daqui a uns minutos. Ponham-no a correr. Marco: 'Faz diagonais, muitas diagonais de fora para dentro. Não me lixes a pedir a bola no pé. Se for para jogar com a bola no pé deixo ficar o Capucho".

Estratégia para o prolongamento na Final da Taça Uefa. FC Porto 3 Celtic 2. Curiosidade: O 3º golo do FC Porto, resulta de uma diagonal de Marco Ferreira. Retirado de "José Mourinho" de Luís Lourenço.

Tomadas de decisão. O Futebol como um jogo de probabilidades.


Num momento em que o jogo é do ponto de vista técnico e físico, cada vez mais equilibrado (longe vão os tempos em que só os grandes clubes treinavam), as tomadas de decisão surgem como um dos traços mais decisivos no jogo moderno.

Por tomadas de decisão, deve entender-se, as opções que cada jogador toma a cada momento (com ou sem bola). Para onde deslocar? A que velocidade o fazer? Que espaço ocupar? Para onde desmarcar? Quando soltar a bola? e para onde? Quando progredir com a bola?

Cada situação de jogo tem uma forma mais eficiente de ser resolvida. Tal não significa que optando pelo pior caminho, se estará sempre condenado ao insucesso. Tão pouco que, optando bem, se será sempre bem sucedido. Significa somente que, optando bem, está-se sempre mais próximo de ser bem sucedido.

Exemplo simples. Numa situação de 2x1, o portador da bola deve progredir com a bola no pé, no sentido da baliza, soltando a bola, no timing correcto (bem próximo do defesa), para que a bola saia para as costas do defesa. O passe deve ser efectuado para o espaço (e não para o pé do colega, por forma a que este não trave a corrida). Ou seja, de uma situação de 2x1, pretende-se passar para uma de 1x0.

Se em dez situações de 2x1, o portador da bola (no momento inicial, antes do passe), for capaz de as resolver dessa forma, provavelmente a sua equipa fará 8,9 golos, ainda que nenhum marcado por si (uma vez que acabará por fazer o passe para o colega de equipa).

Se na mesma situação, o portador da bola optar por driblar o defesa, e mesmo partindo do princípio que os seus traços individuais são bastante bons, provavelmente, em dez lances, marca 4,5 golos.

Os jogos em que, optando mal, se chega ao golo, são óptimos. Porém, em termos globais, a equipa sai prejudicada. Os 5 golos marcados dão notoriedade aos olhos do comum adepto. Mas, não são o que de melhor poderia ter dado à equipa.

Quem toma as melhores decisões a cada momento, tem a sua equipa, sempre mais próxima do objectivo (marcar, não sofrer, ganhar). Mesmo que não obtenha tanta notoriedade.

A situação descrita é uma situação de finalização, por ser de mais fácil compreensão. Porém, é importante perceber-se que as decisões se aplicam em todas as situações do jogo. Por mais banais que lhe pareçam. É que, para se chegar a uma situação de finalização, há todo um trabalho prévio, tão importante quanto o último momento (que nunca surge, quando a fase que antecede a finalização não é eficiente).

Numa equipa desorganizada, talvez seja interessante ter jogadores que, jogando só para si, sejam capazes de, tempos a tempos, criar algo. Num colectivo que se pretende forte, tal não faz sentido.

Já consegue perceber porque o mais talentoso jogador do Paços de Ferreira (Cristiano) deixou de ser, assim tão importante, para o seu treinador?

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Recordas-te? XII


segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Mais e Menos da Semana


MAIS

Cristiano Ronaldo

Do jogador, sobram adjectivos. Enquanto homem é alvo de crítica fácil. Percebe-se porquê. Expõe-se demasiado. Os minutos que jogou (determinantes, pela forma como participa no primeiro golo. Apesar de a exibição não estar a ser positiva. Novamente, demasiado individualismo) foram de um sacrificio enorme, em prol de um grupo, de um país, que tanto o critica. O Mais, premeia a vontade de vencer, quem sabe única, de Cristiano. As consequências, já são conhecidas. Mais uma longa paragem.

MENOS

Diego Maradona

Quem não percebe o porquê de uma das mais talentosas selecções mundiais estar em apuros, provavelmente, é porque ainda não viu a equipa jogar. No plano ofensivo, o talento, a velocidade e a inteligência de tantos e tão bons jogadores, é suficiente para produzir várias oportunidades de golo. É no plano defensivo, que incomoda observar tamanho desnorte. Não há a minima coordenação colectiva. Cada jogador, parece ocupar de forma quase aleatória o campo de jogo. Digno de uma equipa de amadores. A ligação dentro do mesmo sector (defesa) é inexistente. A ligação entre sectores (defesa-meio campo) idem. Que dor causa ver, tão nobre selecção em tal situação.

MAIS OU MENOS

Carlos Queiróz

É certo que a selecção está bem próxima do apuramento. Ainda assim, não mudamos uma virgula na nossa opinião sobre o seleccionador nacional. Aguarda-se adversário acessível no Playoff.

domingo, 11 de outubro de 2009

Porque é que Carlos Queiroz é tão nabo?


A resposta é bastante simples.

Porque precisou de ter um defesa central (que até tem imensa qualidade na sua posição) castigado, para colocar a jogar como trinco, alguém que contribua de sobremaneira para o (bom) futebol da equipa. Mais que enorme e agressivo, o trinco deve ser inteligente e bastante rápido, quer na forma como faz a bola circular, quer nas decisões que toma (por onde rodar a bola?). Se ao talento se juntar o físico, óptimo. Atrocidade é colocar à frente dos centrais, alguém cujos únicos traços para o lugar são as capacidades físicas e morfológicas (Pepe).

P.S. - O apuramento para o Mundial parece, finalmente, mais que uma miragem. Porém, ir à Africa do Sul com Queiroz ao leme, continua a ser uma tristeza.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Lateral Esquerdo na Revista Futebolista



"São conhecidos como: PB, Rodrigo Rodrigues, Sir Luís e Pmcr, os criadores de 'Lateral Esquerdo' (http://lateral-esquerdo.blogspot.com/). Este blogue procura fazer uma análise mais profunda do futebol, do jogo propriamente dito, através de leituras tácticas que surpreendem até os mais conhecedores. É um espaço que se demarca pela qualidade das opiniões publicadas e pela abordagem diferente que faz de um tema já muito gasto em Portugal.

1. Quais as razões que vos levaram a criar o 'Lateral Esquerdo'? E porquê a escolha deste nome?
O blogue nasceu fruto de uma tarde sem nada para fazer. Sem qualquer tipo de pretensão. O nome está relacionado com uma antiga brincadeira, dos tempos de faculdade. Quando jogávamos futebol, tentávamos empurrar o(s) colega(s) para a posição de defesa lateral (porque é nossa crença que é lá que joga, sempre, o pior jogador da equipa).

2. Podiam explicar, para que os nossos leitores percebam um pouco melhor, as diferenças existentes entre este blogue e os demais blogues sobre futebol?
No nosso blogue procuramos, essencialmente, desenvolver a parte táctica. Demonstrar que o jogo é um pouco mais complexo do que o que a maioria das pessoas pensa. O sucesso só é passível de ser alcançado por quem melhor domina a tal vertente táctica, não só de posicionamento, mas também de tomadas de decisão. Ou seja, não só onde ocupar o espaço, ou para onde desmarcar, mas também, quando, para onde e para quem passar a bola. Não estamos ligados a nenhuma cor clubística. Temos gente que já fez parte da prospecção do SL Benfica, outro do futebol de escolas do Torrense, temos gente do Sporting e até um elemento que actualmente é profissional da estrutura do Fulham FC! Só nos interessa o jogo em si.

3. Este é um espaço de opinião que aborda diferentes temas da actualidade futebolística. Julgam que, independentemente de clube, instrução ou idade, este é um blogue para todo o tipo de leitor?
Sim. Claramente. Ainda que nos pareça que, por vezes, possa ser difícil perceber as nossas ideias. Quem connosco já trabalhou mais facilmente assimila o que pretendemos transmitir.

4. Tendo em conta a importância crescente que a internet vai tendo no dia-a-dia da maioria das pessoas, acreditam que os vossos textos podem influenciar de alguma maneira a opinião pública geral?
Não temos essa pretensão. Cremos até que a maioria dos treinadores de futebol ainda não partilham da visão que temos do jogo.

5. Existem alguns blogues que tenham por hábito visitar frequentemente e que vos sirva de inspiração para a escrita dos vossos textos?
A (excelente) Ilíada Benfiquista está intimamente ligada à criação do nosso blogue. Foi o primeiro contacto que tivemos com a blogosfera. Há, também, o 'A norte de Alvalade'. E, claro, o 'Observatório do Futebol', que é um projecto recente (de análise/relatórios de observação que pretende ser mais direccionado para profissionais) e que conta agora com a nossa colaboração."


Já lá vão vários anos, desde que, contribuimos de forma muito activa (como frequentávamos o mesmo café de Augusto Inácio, resolvemos entregar-lhe, rabiscado num guardanapo, uma sugestão para o onze inicial do Sporting) para o primeiro campeonato ganho pelo Sporting, pós longo jejum. Ainda assim, o grupo mantém-se unido, e como sempre, convencido que teve parte activa no sucesso de Acosta e seus pares.

Bem haja, a quem, estranhamente, nos vai lendo.

José Mourinho. XXV


"Não estejas para aí aos saltos, que isto ainda não acabou"

Para Sérgio Markarian, treinador do Panathinaikos, depois da derrota, em casa, por um a zero, na primeira mão, dos quartos de final da Taça Uefa. Retirado do Livro "José Mourinho" de Luís Lourenço.

"Houve uma situação que foi, talvez, fundamental na nossa vitória. Recordo-me bem que uma das armas do Sporting se prendia com as subidas constantes do César Prates. Pelas dezenas de videos que vi, consegui constatar que as preocupações defensivas do César eram quase nulas porque estava habituado a que o ala esquerdo contrário fosse um segundo defesa esquerdo que o acompanhava nas incursões ofensivas. A minha ideia foi, a partir daí, criar uma situação de vantagem para nós. Como? Em vez de ser o Miguel, nosso ala esquerdo a acompanhar o Prates, optei por deixar esse serviço aos médios. Assim, quando o Sporting subia no terreno, eles basculavam à esquerda e faziam o acompanhamento e defesa das incursões do jogador do Sporting. Esta situação permitia ao Miguel ficar livre e subir no terreno de forma a explorar o buraco criado com a subida do lateral direito do Sporting. Daí resultou que o Miguel criou imensos desequilibrios, e a partir de determinado momento do jogo, o Prates deixou de atacar. Isto influenciou o próprio meio campo que deixou também de bascular à esquerda, o que criou um novo desiquilibrio nessa parte do terreno. No outro lado da defesa do Sporting, invertemos a situação. O Carlitos baixava no terreno para abrir caminho à subida do Rui Jorge. Este ao subir, obrigava a que o André Cruz, um jogador pouco veloz, se tivesse de desdobrar nesse lado. Ficava aí um grande espaço de terreno sem a cobertura dos jogadores do Sporting, que era uma oportunidade para explorarmos. Estas foram algumas das situações que me levaram a concluir que tacticamente, preparámos muito bem o jogo com o Sporting".

Sobre o SL Benfica 3 Sporting 0. Último jogo como treinador do Benfica. Retirado de "José Mourinho" por Luís Lourenço.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

De que massa é feito um Capitão de equipa?




Ponto prévio: antes de continuar a ler este texto, façam o seguinte:

1.º ver o tributo a Figo num texto mais abaixo;
2.º encontrem na nossa selecção um jogador com perfil de capitão;
3.º vejam se a vossa escolha (caso encontrem um) é a mesma do(s) seleccionador/jogadores;
4.º Pois é... a Figo (apreciem ou não) ficava-lhe mesmo bem a braçadeira...

A escolha do capitão de equipa é de vital importância para a equipa. Ao pensarmos neste papel, não só no futebol, mas na maioria dos desportos colectivos, a nomeação para este "cargo" deverá ser criteriosa...

Esta selecção tem de ter em conta as especificidades de cada modalidade, e, podemos encontrar vários critérios e tradições:
- a idade, o jogador mais antigo do plantel, a experiência, o número de internacionalizações, a vedeta, o jogador mais apreciado pelos colegas, a forma como demonstra "sentir" o clube, ter bigode...

Depois surge também a dúvida (e quem não se lembra do episódio entre Hélder e Simão em 2003): -"deve ser eleito pelo grupo?; escolhido pelo treinador?; por indicação da estrutura directiva ou presidente do clube?"...

No seu segundo ano teve o caso da braçadeira, com Simão, no polémico estágio de Jerez de la Frontera...
... falo disso à vontade, toda a gente sabe como foi: o Benfica tinha perdido o capitão, Drulovic. Camacho entendeu que devia votar-se três capitães. Ganhei, mas o Simão não aceitou. 90 por cento dos jogadores não queriam que o Simão fosse capitão. São águas passadas, hoje percebo que talvez ele precisasse desse estatuto para poder render, mas na altura a nossa amizade ficou beliscada e eu, mais tarde, talvez tenha perdido a minha posição no Benfica devido a esse episódio. O Simão renovou, tornou-se a imagem do Benfica, veio apoiar-me mais tarde, eu tive respeito por ele, mas aquilo marcou--me. Não fiz campanha, apenas viram em mim a pessoa para liderar o balneário. Se alguém do clube me tivesse dito que "o Simão vai renovar contrato, será a imagem do clube, precisa de ser capitão", isso seria outra coisa.

por Filipe Duarte Santos, Publicado em 19 de Setembro de 2009(www.ionline.pt)

Entendemos que o capitão assume extrema importância numa equipa, sendo o principal factor, o objectivo principal - o sucesso do grupo e o seu funcionamento como uma organização.
Desta forma, resta-nos concluir que a escolha recaia sobre a equipa técnica, tendo o treinador principal, um papel de relevo nessa mesma decisão, uma vez que é ele o "gestor" do grupo, conhecendo as particularidades de cada um dos seus elementos.

Contudo, há ainda treinadores que vêm o capitão de equipa como aquilo que alguns baptizaram de "corta-fitas", assim, no exercício desta função, o elemento designado para esta tarefa tem a função de cumprimentar os árbitros, o capitão da equipa adversária, escolhe campo ou bola, troca galhardetes, e... ostenta a braçadeira... depois... é vê-lo a discutir (mais do que os colegas - porque tem esse estatuto) com os árbitros...

Pelo menos, para quem está habituado a acompanhar o futebol jovem, a todos os níveis, verifica com facilidade, primeiro pela cópia do futebol dos adultos e depois pelo contexto que ainda se vive, que o capitão de equipa (que é o filho do director, ou de um pai fanático/influente) já mostra esses "tiques" no que toca a falar com os homens do apito...

No entanto, considera-se que continua a não existir um desenvolvimento de metodologias respeitantes à forma de escolha do capitão, bem como do desenvolvimento das "competências" desse mesmo elemento e "educação" de todos os intervenientes na equipa sobre o papel do mesmo...

Ao Capitão, melhor que a braçadeira, deve assentar-lhe a qualidade de LIDERANÇA! Para além de ser um líder, deve exercer essa liderança com inteligência e acima de tudo, com naturalidade, sabendo sempre os terrenos que pisa. A forma como usa essa liderança, deve estar muito relacionada com a comunicação. Ele deve funcionar como um "PBX", muitas vezes tendo de "filtrar" informação entre grupo, staff técnico, dirigentes e massa adepta.

A essas qualidades deve juntar-se um forte carácter, aqui não no sentido de ser um tipo sério ou "patrão" da equipa, mas no sentido da forma como lida com momentos de pressão... como ajuda a liderar a equipa nos bons e nos maus momentos, sabendo influenciar os colegas num espírito consistente e ganhador...

- Será também fundamental que entre o capitão e o treinador, exista um clima de total confiança pessoal;
- O capitão deve para além das competências acima mencionadas, possuir uma boa capacidade de lidar com conflitos, agindo com a maturidade de alguém que já os viveu e ultrapassou anteriormente (mesmo que nunca se tenha visto nessa situação), competências estas que são treináveis...;
- A sua imagem dentro e fora do campo deve ser coerente com a de um líder (segundo Curado,2002, possuir os 3 C´s - Concentração, Compostura e Confiança) abstendo-se de comportamentos inadequados (deverá ser um integro respeitador do regulamento interno do clube, no qual este deve ter papel activo na sua elaboração e aprovação);
- Será importante que os colegas de equipa, enumerem as qualidades que um capitão de equipa deverá possuir, e, que as revejam no "seu" capitão".

Ainda sobre este tema, no passado sábado, 3 de Outubro, Carlos Queirós, em entrevista à RR, referia-se a Cristiano Ronaldo e ao processo da escolha do capitão. Sobre esta escolha os argumentos baseavam-se em:

1- CR já fazia parte da lista dos capitães de Scolari;
2- Como treinador que o treinou de "dia e de noite" conhece-o muito bem, pelo que CR tem todas as qualidades de um capitão;
3- Queirós em 30 anos de carreira já treinou muitos capitães bons e muitos maus, muitos jogadores bons e maus, mas nunca viu nenhum com a capacidade de trabalho e de profissionalismo de Cristiano Ronaldo (aqui parece que o exemplo do trabalho de CR é consensual);
4 - depois apresentou um argumento que se relaciona com a projecção mediática de CR, e aqui já mais discutível, na medida em que o atleta estrela apresenta muitas preocupações, muitas delas de âmbito egocêntrico que não compatíveis com a de um capitão e líder de um grupo de jogadores;
5 - A experiência internacional do atleta...

(entre outros)

Resta-nos saber se o grupo concorda com esta escolha e se revê em CR a imagem de um capitão... quanto ao argumento do exemplo pelo profissionalismo, não há dúvida, CR é um obstinado pela perfeição, pela repetição e pelo trabalho...

mas será que nos momentos de liderar ele apresenta essa competência?

aguardam-se comentários...



Recordas-te? XI


Mais e Menos da Semana


MAIS

Falcao

Três golos decisivos, numa só semana. Quem finaliza com tanta mestria, especialmente no jogo aéreo está sempre bastante próximo de ter sucesso na Liga Portuguesa. O colombiano movimenta-se com critério (não só na grande área), e é uma das revelações da Liga (para quem não o conhecia. claro).

MENOS

Paulo Bento

À sétima jornada, o Sporting já não parece capaz de lutar pelo objectivo de se sagrar campeão nacional. Será injusto atribuir, todo o demérito ao treinador leonino. Porém, dada a situação (a acomodação e apatia dos jogadores em campo, é assustadora), parece que só a sua saída poderá mudar algo no Sporting. Em causa, já não está a competência de Paulo Bento. Mas, o facto de no contexto actual, já não ser o homem certo para o lugar (num passado tão recente, O SL Benfica, não agiu a tempo, com Quique Flores. Com os resultados que se conhecem).

MAIS OU MENOS

David Luiz e Hulk

No intervalo das asneiradas, trazem coisas positivas às suas equipas. Jogadores com tanto potencial, é um desperdício não desenvolverem, pelo menos de forma mais rápida, o lado cognitivo, que também é exigido no jogo de futebol. Hulk esteve em vários lances de ataque, que se revelaram perigosos e David Luiz, foi um autêntico pronto socorro na lateral esquerda da defensiva benfiquista. Porém, ambos são incapazes de se apresentarem em grande nível, em todo o tempo. Sempre com consequências. As de David Luiz são mais visíveis, somente pela posição que ocupa no campo. Mas, não mais decisivas que os ataques que Hulk condiciona.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Descobre o erro.





Já se sabe que o adepto de futebol, venera jogadores com traços individuais (físicos e técnicos, essencialmente) soberbos. Esquece, porém, que o mais decisivo é a integração num colectivo. Nos movimentos que a equipa faz. Na forma como os onze se devem mover em simultâneo. Ou no caso do video, na forma como a linha defensiva reage a determinada situação.

O lance documentado no video é fácil de se perceber. Perante o avançado que se prepara para receber a bola no corredor central, Luisão sai (contenção) e os restantes elementos da defesa, sobem um metro no relvado, por forma a encurtar o espaço. Porém, há um elemento que se esquece de acompanhar o movimento colectivo (que teria deixado o jogador pacence, que fez a assistência para o golo, em fora de jogo).

Sim. David Luiz tem imensas qualidades. Contudo, e vão 4 em 4 (4 golos sofridos na Liga, fruto de desatenções, de um defesa central, que tem de facto um potencial tremendo).

P.S. - Como é óbvio, o que está em causa, não é a falha na intercepção. Tal, seria passível de acontecer a qualquer um.

P.S.II - No intervalo das "brancas", é inegável que o brasileiro, se exibe a altíssimo nível.

P.S. III - Quem já teve oportunidade de assistir a algumas sessões de treino de Jorge Jesus, sabe o quanto, situações como esta (forma como a equipa reage à recepção de bola, pelo avançado adversário, no corredor central), estão treinadas. A falta de concentração (mental) é o principal defeito de David Luiz.


domingo, 4 de outubro de 2009

Samuel Etoo. A vantagem de ter cérebro.


Nem de propósito.



"A forma como se resolvem situações de superioridade numérica é bastante simples. Conduzir a bola, atacando o defesa. Obrigá-lo a parar (a tendencia natural do defesa, será, recuar alguns metros no campo, tentando ganhar tempo, até que chegue a ajuda), e depois fazer o passe, para qualquer um dos seus colegas. O passe terá de sair para o espaço e não para o pé (por forma a que o colega não trave a corrida. Facto que o fará perder segundos preciosos), e para as costas do defesa (para que este fique fora do lance)."

No video documentado, a situação não é de 3x1, mas de 3x3 (de resolução sobejamente mais difícil). Mas, não é Hulk quem conduz o ataque...

sábado, 3 de outubro de 2009

O treinador português e os princípios do jogo.


É possível que não haja, em Portugal, treinador que não tenha ouvido, ou lido nada, sobre os princípios do jogo. Outro facto, quase tão comum aos treinadores portugueses, quanto o conhecimento de que tais princípios existem, é a desvalorização dos mesmos. O preconceito de que o jogo de futebol nada tem que saber, ou a desvalorização da teoria (que valida a prática), leva a que uma larga maioria de treinadores ignorem os ditos princípios. Não percebendo, que tais, são a base de todos os comportamentos tácticos a adoptar num jogo de futebol.

Na Liga Sagres, poucas são as equipas, que no campo, mostram dominar os princípios do jogo. No plano ofensivo, a progressão (sempre no sentido da baliza adversária), a cobertura ofensiva (apoio ao portador da bola, numa linha mais recuada no campo de jogo), o espaço (largura X profundidade) e a mobilidade. E no plano defensivo, a contenção (pressão, mais ou menos activa sobre o portador da bola), a cobertura defensiva (apoio ao colega em contenção, através do posicionamento, numa linha mais recuada no campo), a concentração (proximidade entre jogadores. No mesmo sector e entre sectores) e os equilíbrios (troca racional de funções. Quem sai à contenção? quem compensa a saída do colega?), são apanágio das melhores equipas europeias.

Quando Jorge Jesus compara a Liga Sagres ao campeonato italiano e enaltece as qualidades do treinador português, está somente a ser cortês. Em Portugal, espera-se que, na fase defensiva do jogo, a agressividade desmesurada (quase sempre com a complacência dos árbitros), resolva os problemas defensivos. Os ofensivos, estão entregues à inspiração individual. Obviamente. Para muitos, o golo depende sempre da inspiração de uma individualidade.

Jesus sabe que não está a ser verdadeiro. Sabe, perfeitamente, que as suas equipas, são das poucas em Portugal, capazes de cumprir todos os princípios de jogo (derivará a sobranceria no discurso, dessa mesma percepção?). Sabe, que os conhecimentos adquiridos em Barcelona com Johan Cruyff, e em Itália, com Alberto Malesani, não são passíveis de ser aprendidos com José Mota ou Rogério Gonçalves.

P.S. - Um ex jogador do Estrela da Amadora (onde fez praticamente toda a carreira), confessou-nos que, em toda a sua carreira (mais de dez anos a jogar na primeira divisão), Jorge Jesus foi o único treinador que teve, com ideias. Com um pensar colectivo. Todos os outros, esperavam pela inspiração do momento. "Cada um por si, e vamos lá ver o que dá isto".

P.S.II - Em Portugal, os melhores treinadores, continuam a estar na formação.

P.S. III - A esperteza, na qual muitos dos treinadores portugueses são férteis, é a saloia. Queimar tempo, simular lesões, resolver os problemas à cacetada e defender com 11 na grande área, não é inteligência. Para além de estupidez, é o reconhecer de uma incapacidade, quase atroz.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009