segunda-feira, 2 de agosto de 2010

A competência do encantador Benfica é táctica


Post recuperado de Novembro e posteriormente de Dezembro. Amanhã, crónica ao torneio do Guadiana.

Pós Atenas, a interrogação. Como reagiria o Benfica? Nesta semana, muitos foram os que voltaram a questionar a capacidade do actual SL Benfica para reagir a um resultado adverso.

Estas potenciais dúvidas surgem na mente dos que creêm que a forma no futebol é fisíca e/ou anímica. Tais factores são fulcrais no jogo moderno. Mas, estão longe de ser a principal alavanca para o sucesso.

Na temporada passada, e perante as injustas críticas, alusivas à falta de atitude, ou motivação de que os jogadores do SL Benfica foram sofrendo, sempre fomos referindo que esse estava longe de ser o problema. Bem pelo contrário.

Ao contrário do que uma larga maioria deduz, o actual bom momento não passa por uma questão de mentalidade. Não está na atitude ou na perseverança a diferença do actual SL Benfica para o do acéfalo Quique Flores.

A competência do actual Benfica é táctica. A equipa é extremamente competente no principal factor de rendimento do jogo. O físico e o anímico poderão ajudar ou prejudicar. Porém, quando a principal qualidade passa pela ocupação / reocupação dos espaços e pela tomada de decisões, facilmente se obtêm níveis elevados de confiança, pois está-se sempre mais próximo do sucesso.

P.S. - O Belenenses e o Sp.Braga de Jorge Jesus foram, do ponto de vista táctico, as melhores equipas da Liga nas épocas passadas. A expectativa sobre o que poderia fazer Jesus com jogadores de maior qualidade era grande. Não nos enganámos. Somente as dúvidas sobre as capacidades de liderança e comunicação, nos impedem de o catalogar, desde já, como um dos melhores da Europa. Talvez esteja na altura de aprender inglês.

Post recuperado de 6 de Novembro

Há muito que o SL Benfica não demonstrava uma superioridade tão clara sobre o FC Porto. A diferença de qualidade? Táctica, claro.

Na ocupação do espaço, o FC Porto continua uma equipa extremamente competente. É, no entanto, ao nível da tomada de decisão que a situação se inverteu. O FC Porto perdeu duas referências incontornáveis (Lucho e Lisandro). No momento ofensivo, não há um pensar colectivo. Antes, um cada um por si, previamente condenado ao insucesso.

O SL Benfica é, como nunca, uma equipa bem posicionada no campo, com vários processos bem definidos, que lhe permitem jogar mais à frente no campo, mantendo sempre o equilíbrio. Porém, a qualidade táctica não se esgota na vertente da ocupação dos espaços. É na tomada de decisão que o SL Benfica tem feito a diferença. Impressiona a forma simples e eficaz como com poucos toques na bola, retira a bola das zonas de pressão adversárias. Ter onze jogadores em campo, com a mesma ideia de jogo, é uma vantagem. No classico, foi bom não ter Di Maria em campo.

P.S. - É tipica do treinador português a opção por, em jogos de elevado grau de dificuldade, dotar de melhores atributos físicos a sua equipa. Jesualdo fá-lo incessantemente, esquecendo-se que o talento e a inteligência são os atributos mais louváveis no jogo moderno.

1 comentário:

Bimbosfera disse...

Visto não haver comentários a estes dois posts, e depois de ler os já mais recentes escritos depois deste(s) pergunto se, o Di Maria de Março ou Abril faria ou não falta a este Benfica no clássico de Dezembro. Não fez, pois ganhámos, mas, já que se fala de tomada de decisão, Di Maria, ainda que seja olhado de lado por ser jogador de desequilíbrio no 1x1, sabia, e soube, a maior parte do tempo com Jesus, que parece ter trabalhado isso com ele, quando deveria assumir essa sua vantagem individual e quando deveria participar no jogo de forma colectiva. Penso, por isso, que o melhor Di Maria talvez fosse o de Março/Abril, já mais maduro na tomada de decisão, e por isso pergunto se esse, de início, ou em Dezembro, tinha feito falta ao Benfica nesse jogo, ou se teria até tirado o protagonismo do primeiro terço da época que Coentrão teve, ainda antes de se assumir como defesa-esquerdo, ou lateral-esquerdo, quando entrava a substituí-lo e fez grande parte dos seus passes/assistências nessa altura... É um exercício interessante de se pensar... ou não! Deixo a dica.

Abraço

Márcio Guerra, aliás, Bimbosfera

Bimbosfera.blogspot.com