sábado, 30 de janeiro de 2010

É sempre um prazer ver-te, Nuno.



Nuno Assis, claro.

Sim, o SL Benfica está a jogar enormidades. Porém, a figura que mais classe espalhou na luz, vestia de preto.

Saiu do SL Benfica, sem ninguém ter lamentado. Naquele momento, Assis, seria provavelmente, o único que sabia ter lugar no plantel do SL Benfica. Compreende-se a injustiça que sentiu.

Para o comum adepto, Assis não deixa saudades. Como poderia? Não recorre a dribles, nem tão pouco é dado a loucas correrias com a bola. Para Assis, futebol, é a bola a circular. E quão belo é o jogo, quando dessa forma é interpretado.

Infelizmente para Assis, nem todos percebem o alcance e o interesse de um jogador que nunca perde a bola, de um jogador capaz de decidir bem em todas as situações. Fantástico nas tomadas de decisão, na ocupação dos espaços e com talento q.b., a Nuno Assis terá faltado, porventura, quem lhe potenciasse as capacidades físicas. Terá sido essa lacuna, que o impediu de se tornar num dos mais influentes jogadores no SL Benfica. Mesmo, não esquecendo as boas (meias) épocas com Trapattoni e Fernando Santos.

Seguir os jogos do Vitória, quando Assis está na plenitude das suas capacidades físicas, torna-se sempre num exercício bem mais interessante.

E pensar que Bynia e Carlos Martins ocupam lugares no plantel do SL Benfica que bem poderiam ser de Nuno Assis... (Ainda que se perceba as potenciais dificuldades perante o modelo de jogo adoptado por Quique Flores).


Texto recuperado de Abril 2009

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Mais e Menos da Semana


MAIS

Cardozo

O paraguaio nunca foi muito citado por aqui. A justificação é bastante simples. Não valorizamos tanto assim quem não participa com muita qualidade no processo de criação de jogo ofensivo. Quem se limita a ter qualidade no último toque. Para que seja possível o tal último toque, há obrigatoriamente todo um trabalho prévio, não raras vezes de muito maior dificuldade e exigência. Respeitamos e admiramos os finalizadores natos, mas por dependerem em demasia do que os colegas podem fazer por eles, não os consideramos o que de melhor e mais importante há em cada equipa.

Cardozo sempre se enquadrou neste grupo, até à presente época. Já a semana passada o haviamos referido. Cardozo está diferente. Procura a cada momento oferecer opções ao portador da bola, seja pela qualidade dos seus apoios frontais (em Vila do Conde o golo de Di Maria, nasce de um excelente apoio frontal do paraguaio), ou até pela forma como aparece nos corredores laterais (movimento que antecedeu a assistência para o golo de Carlos Martins). O paraguaio, dentro das suas evidentes limitações (velocidade de passada e de execução) é um avançado extraordinário.


MENOS

Beto

Não façam do guardião azul um herói. Se defendeu vários penaltys, foi porque com duas más intervenções colocou o FC Porto em tão delicada situação. É sem dúvida um guarda redes de reflexos rápidos. Porém, tem demasiadas limitações. É bastante difícil imaginá-lo como titular de um clube grande. A sua presença na selecção em detrimento de Rui Patricio ou Quim é um absurdo.

MAIS OU MENOS

Christian Rodriguez

Rodriguez é o típico jogador que gosta de transportar a bola. E fá-lo com relativa qualidade. Acontece porém, que cada vez mais se percebe, que a progressão no campo de jogo (excepto em situações de vantagem númerica, onde se impõe a condução de bola até bem próximo do adversário) deve ser feita através de constantes passes e desmarcações. Mais de três toques na bola já poderá ser demais. Não dúvide que o uruguiao é um excelente extremo. À moda antiga, contudo. Em Belém salvou a eliminatória, terminado expulso posteriormente. Num lance em que, percebe-se agora, voltou a salvar a eliminação. Ainda que com qualidades, é um dos jogadores que nos desagrada pela forma como entende o jogo.

sábado, 23 de janeiro de 2010

O Éder Luiz é táctico


A frase é da autoria de um treinador de futebol brasileiro, que segue o Lateral Esquerdo.

Espreitando os videos, percebe-se a técnica e a velocidade. Falta provar competência no mais importante. Na vertente táctica, quer na decisão, quer na ocupação dos espaços.

"O mister tem-me orientado e jogo como gosto, em função dos companheiros, o que se encontra em poucas equipas. O treinador é diferente, pede uma grande movimentação e isso facilita quem está com a bola e principalmente quem está sem ela".

"Bons jogadores, de toque rápido e inteligentes". Éder Luiz sobre os colegas.

As frases poderão indiciar a tal qualidade na interpretação do jogo. Se há algo que um jogador pouco dotado na decisão não compreende, é a importância de tal factor no jogo.

A expectativa, que não era muito elevada, diga-se, aumentou de sobremaneira. Esperemos para ver.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

O dia em que o futebol português morreu


Por sermos minimamente inteligentes, sempre suposemos que tais situações, provavelmente, teriam mesmo acontecido (continuam a acontecer?!?). Contudo, por amarmos este desporto, quisemos sempre acreditar que tudo era falso.

O propósito do blog é, e será sempre, discutir o principal factor de rendimento no futebol moderno. A vertente táctica.

É lamentável perceber que em Portugal, tal factor, poderá não ser assim tão primordial.

Não nos magoa minimamente, tais comportamentos não serem punidos. Magoa sim, saber agora, que temos vivido, intensamente, uma falsidade.




















P.S. - Se pactua com falsidades, não venha encher a caixa de comentários. A moderação estará mais activa do que nunca.

P.S. II- Por razões óbvias, foi a primeira vez, e também a última que foram aqui discutidos assuntos absolutamente indignos e putrefactos.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Quanto vale Domingos Paciência?


Da sugestão para desmistificar a nossa desconfiança sobre o valor de Domingos Paciência, nasce o presente post.

A primeira vez que neste espaço se falou de Domingos, foi após uma excelente entrevista a um qualquer jornal desportivo. "Surpreendeu numa entrevista. Enunciava princípios de jogo, explicava de forma clara as ideias que tinha para o modelo de jogo da Académica. Pressupostos interessantes para uma equipa com individualidades muito débeis".

É falso que por aqui se afirme que Domingos é um treinador sem valor. Mas, é bem verdade que iremos esperar mais algumas épocas para lhe conceder o crédito, que possívelmente já merece ter.

Isto porque,

É inegável que todos os jogadores do seu Sp. Braga (Viana é a excepção. Mas, também não precisava) beneficiaram imenso, em termos de conhecimentos tácticos, com a aventura da época passada. É inegável que o Braga de Domingos está bastante mais próximo do Braga de Jesus, que da Académica de Domingos. É inegável que o comportamento defensivo (concentração sobre o lado da bola, distância de posicionamento para a bola e jogo de coberturas) do actual Braga (melhor defesa da Liga e factor primordial para o actual primeiro lugar) foi aprendido na época passada, e é também inegável que foi com Jorge Jesus que praticamente todos os jogadores do Sp.Braga se tornaram melhores jogadores (a propósito. A frase do dia, ainda que inúmeras vezes repetida por seus ex jogadores, é de Javi Garcia: "Nunca aprendi tanto como nesta época" ).

Ninguém neste espaço nega que Domingos poderá ser um treinador de eleição, e já aqui foram feitas previsões que se confirmarão erradas (suposemos que este Braga não atingiria os 50 pontos). Porém, e apesar dos bons indícios desde o tempo da Académica, continuamos a precisar de ver algo mais.

P.S. - Jorge Jesus, que é para nós, em Portugal, e a seguir a José Mourinho, a maior referência táctica, é treinador há mais de vinte anos, e somente quando passou pelo Belenenses nos começou a conquistar. Não há pressa, portanto.

P.S. II - Ver algo mais não será, necessariamente, atingir resultados extraordinários. Obter com outros jogadores a mesma performance defensiva será suficiente. Quando se refere "performance defensiva" fala-se essencialmente em comportamento da equipa dentro de campo, quando não tem a posse da bola, e não numa quantificação do número de golos sofridos.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Mais e Menos da Semana


MAIS

Miguel Veloso, Cardozo e Domingos

É oficial. Veloso está um jogador diferente. Para além de toda a qualidade técnica que lhe é reconhecida, está mais confiante, mais dado à equipa. Pareceu mais rigoroso na forma como ocupou o espaço. Incrementou também, de sobremaneira, a agressividade (na forma rápida como sai para a contenção ou cobertura. Não, pelo número de vezes que suja os calções), sempre importante para quem ocupa tão fulcral espaço. O novo (velho?) Miguel Veloso poderá estar de volta.

As suas capacidades de finalização são sobejamente conhecidas. Estranhamente, não é esse o traço do seu futebol a ser aqui reconhecido. Esta é a melhor época do paraguaio. Não só pelos imensos golos, mas pela forma activa como participa nos ataques do SL Benfica. Tem sido um excelente apoio frontal, capaz de segurar e entregar, de forma jogável a bola. Não mais as combinações ofensivas terminam nos seus pés. Está um jogador diferente. Para melhor. O lance do segundo golo na madeira, é um bom exemplo.

Poder-se-ia pensar que o Sp. Braga não passaria em Coimbra. Porém, mais uma vitória, num jogo de dificuldade acrescida. O Sp. Braga é no momento, o principal candidato a tirar a previsível glória ao seu ex treinador. Fantástico! Ainda que continuemos desconfiados do real valor do seu treinador (Quem saberá, quanto da boa época, é fruto da excelente aprendizagem a que os jogadores do Sp. Braga foram sujeitos na temporada passada?), é impossível não lhe conceder crédito (até porque, aquando da eliminação da Liga Europa, teve a ombridade de mudar o sistema táctico, e adoptar princípios comuns aos da temporada passada).

MENOS

Jesualdo Ferreira

Este poderá ser o "Menos" mais injusto de sempre. De facto, apetece-nos criticar negativamente quem construiu o plantel, e não é certo que Jesualdo tenha uma palavra muito activa no processo. De Jesualdo, já o dissemos. Tem bastante competência táctica. Se está a ser difícil manter o ritmo de outros, isso deve-se, muito provavelmente, à camioneta de sul americanos sem valor que compõem o plantel. Ainda que se goste de afirmar que o Sporting tem uma equipa demasiado fraca (uma falsidade), não se percebe onde é que, do meio campo para a frente, o FC Porto está melhor servido...

MAIS OU MENOS

Jorge Costa

A vitória permitiu ao Olhanense sair dos lugares de despromoção. Esperava-se, no entanto, bastante mais de Jorge Costa. Quem teve a oportunidade de trabalhar de forma tão intensa com José Mourinho, deveria tentar implementar alguns dos conceitos tácticos, apreendidos com o mestre. Porque defende o Olhanense de forma tão primitiva? Para quando uma zona defensiva? Para quando um trabalho efectivo de concentração defensiva sobre a bola, e para quando coberturas defensivas em função da situação de jogo, não deixando esse tipo de função sempre para o defesa central livre?

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Que forma de defender é essa Jesus?


Nos últimos sete jogos da Liga Sagres, apenas o Olhanense conseguiu marcar golos ao SL Benfica. Notável. Naval, Sporting, Académica, FC Porto, Rio Ave e Maritimo não foram capazes de o fazer.

Competência individual? Sim. Seguramente. Luisão é por ora um jogador bastante mais seguro, Maxi Pereira continua com uma cultura posicional fantástica. Peixoto, ainda que débil na abordagem às situações de 1x1, interliga-se com grande qualidade com os restantes colegas, e David Luiz cresceu enormidades na ocupação do espaço.

Porém, são os indicadores colectivos que fazem a diferença.

O quarteto defensivo ocupa o espaço com base em referências zonais. São a bola e o posicionamento dos próprios colegas que determinam o posicionamento. Já assim o era na temporada passada. Difere essencialmente na forma como o sector defensivo se coordena com o meio campo. A base para todo o posicionamento é o criar de uma linha formada por 4 jogadores, alinhada de forma horizantal e paralela à linha de fundo. A tal linha, pretende contar sempre com quatro jogadores. E é essa a principal diferença para o método defensivo de Quique Flores. Na temporada passada, sempre que um defesa era obrigado a sair para a contenção (sair ao portador da bola), a linha passava a três jogadores, e demasiadas vezes se tornava insuficiente para cobrir toda a largura do campo de jogo. Com Jesus, o trinco articula com a linha defensiva. Se o defesa sai da linha, o trinco baixa, garantindo o necessário equilíbrio. Entre a bola e a baliza de Quim, há sempre alguém na contenção, e a tal linha de quatro jogadores, que pela sua proximidade entre si, garantem que a bola não passa no espaço entre ambos, impedindo assim os avançados adversários de serem servidos na profundidade.

Torna-se, igualmente importante, salientar a fantástica pressão efectuada logo na saída de bola do adversário, que permite à equipa jogar bastantes metros mais à frente, em relação ao que era habitual. Dificilmente, nos jogos do SL Benfica, encontramos um adversário com tempo para pensar e executar com assertividade.

P.S. - Na última Liga Sagres, o Sp. Braga sofreu menos onze golos que o Benfica. Na Liga Europa, e ainda que tenha realizado mais oito jogos europeus, a antiga equipa de Jesus, também sofreu menos golos que a de Quique. Cinco a menos. Sintomático, não?

P.S. II - Para quem no início da época, teve a oportunidade de seguir um treino do SL Benfica, cujo objectivo era precisamente a aprendizagem das referências zonais, e a percepção sobre os comportamentos tácticos a adoptar a cada nova situação (como reagir quando um colega é batido? Como reagir quando a bola entra na zona de outro defensor?), a performance defensiva da equipa de Jesus não surpreende minimamente.

P.S. III - Por maior injustiça que possa estar a ser cometida ao afirmá-lo, é impossível não associar, a mesma excelência táctica defensiva do Sp Braga, à passagem de Jesus pela Cidade dos Arcebispos, e à consequente aprendizagem de que todos os jogadores do Braga beneficiaram. Estaremos cá para nos retratar, assim que Domingos o repita com outra equipa. Com o FC Porto, por exemplo.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Entrada de Carlos Martins em campo estraga post divertidíssimo


A ideia era lembrar, que até os seis a zero de Quique Flores ao Maritimo, Jorge Jesus havia batido.

As substituições não o permitiram. Martins, mesmo num jogo de onze contra nove, falhou mais passes que os que acertou. O homem até o Cardozo quer servir na profundidade. Fantástico, não?

sábado, 16 de janeiro de 2010

Liiiiiiiiiiiiiiedson!


Depois de se levar 57 minutos, com Postiga em campo, também se torna mais fácil dar valor a quem finaliza com tamanha facilidade.

Os seus primeiros três toques na bola definem o jogador que é. Na área, dois golos. Fora dela, uma perda de bola.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Recordas-te? XXV


terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Mais e Menos da Semana


MAIS

Jorge Jesus e Carlos Carvalhal

A segunda parte do SL Benfica em Vila do Conde foi de uma competência fora do comum. Adiantando-se cedo no marcador, poderia esperar-se que a equipa recuasse e sofresse para garantir tão preciosos pontos. Nada mais falso. Terrivelmente dominador, o Benfica de Jorge Jesus faz-se valer pela soberba pressão com que condiciona todas as saídas de bola do adversário. Na segunda parte, contaram-se pelos dedos de uma mão, o número de vezes que o Rio Ave transpôs a linha do meio campo. Tacticamente sublime. Jesus prova, a cada jogo, ser o senhor para o lugar.

A melhor exibição da época. Haviamos referido aqui. Na aventura de 2010, Carvalhal não precisará de vencer troféus, para ser bem sucedido. Incrementar a qualidade do futebol, ajudar a compor as bancadas de Alvalade, e aumentar a auto estima leonina, já seriam marcas interessantes, passíveis de o reconduzirem a nova aventura, na época vindoura. Frente ao Leixões, o Sporting foi pela primeira vez, uma equipa totalmente dominadora. Independentemente do minuto a que o golo foi obtido, é inegável que facilmente se adivinhava o desfecho de tal partida.

MENOS

Relvado do Estádio dos Barreiros

Quem viu o jogo, percebe o que se pretende aqui transmitir. Perante tais condições, a única decisão possível deveria ser o adiamento do jogo.

MAIS OU MENOS

Helton

Valeu, no último fôlego, três importantes pontos. Poder-se-à dizer, com relativa segurança, que foi a última defesa do jogo, a que manteve o FC Porto ligado à corrente. Porém, parece menos seguro do que quando tinha a concorrência de Vitor Baia. É francamente mal batido no primeiro golo. Ainda que não seja um lance nada fácil. Continua, no entanto, a ser dos melhores da Liga.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Temos Sporting


Boa circulação, decisões rápidas, passes curtos e assertivos, capacidade para tirar com relativa facilidade, a bola das zonas de maior concentração de adversários, grande facilidade em chegar à grande área adversária, imensos ataques e percentagem de posse de bola avassaladora. Temos Sporting.

Com João Pereira, a dinâmica do corredor lateral direito, é totalmente diferente. A sua opção por progredir, sempre que possível, na direcção do corredor central é excelente. As opções de passe multiplicam-se e o Sporting torna-se dominador.

Progredir no campo de jogo pelo passe curto, ou pela condução de bola, sempre na direcção do corredor central, conferirá ao Sporting uma dinâmica de futebol de ataque bastante interessante.

Se nos jogos em Alvalade, parecem estar reunidas, finalmente, condições para se ver bom futebol e consequentemente vitórias (Sim. Jogando bem, está-se sempre mais próximo de ganhar), fica a faltar provar igual competência nos jogos fora de casa. E continuidade, claro.

P.S. - Oh Mister, enquadre lá o Matias na equipa, se faz favor!

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

A fraude e o defraudado.


"Uma decepção quanto a comportamento, atenção e a como se vive a profissão. Teremos que ajustar coisas e responsabilizar-nos pelo que se passou";

"O que conseguimos até aqui não pode ir por água abaixo. Eu responsabilizo-me, mas tenho que procurar o tipo de jogador que não me defraude mais". Quique Flores.

No seguimento deste post, vimos agora expressar o nosso lamento pelo facto do espanhol nunca ter tido a possibilidade de trabalhar com bons jogadores.

Flores, enquanto treinador, foi provavelmente, a maior decepção de que há memória. Continua a preferir ir ao fundo com as suas ideias originais, a trocá-las por um milímetro que seja. Quando assim é, são sempre os outros que estão mal e enganados.

Que não volte à Liga Portuguesa! Continuamos a preferir os que sendo mais limitados, são também bastante mais humildes.

P.S. - Quão interessante seria poder voltar atrás, ver o SL Benfica optar pela sua permanência e ter agora uma visão do que teria sucedido.

Recordas-te? XXIV


segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Mais e Menos da Semana


MAIS

Saviola

Não seria dificil que a previsão proferida em Junho se tornasse real.
De Saviola sempre esperámos habilidade, criatividade e inteligência. A enorme quantidade de golos que vem somando é, contudo, uma semi surpresa. Para além de Cardozo, ninguém mais em Portugal somou tantos golos. El Conejo prova ser decisivo em todos os momentos do jogo. É a par de Schmeichel, o único estrangeiro que passou pela Liga Portuguesa, consagrado no Jubileu da Fifa como um dos cem melhores futebolistas da história do jogo. Percebe-se porquê.

MENOS

Carlos Martins

A exibição contra o FC Porto havia sido uma agradável surpresa. Perante o Nacional, voltou o habitual Carlos Martins. Um dos mais bem pagos jogadores do futebol nacional, é também um verdadeiro desastre nos mais decisivos factores de rendimento.

MAIS OU MENOS

Miguel Veloso

Para além do fantástico remate, é um jogador talentoso e inteligente. Tem na falta de agressividade (sobre o espaço, na forma como sai para a bola, ou para as coberturas. Não sobre os adversários), e quem sabe, por vezes, na falta de disponibilidade, o principal handicap. Demasiadas vezes ocupa o espaço somente com o olhos. Quando se tornar mais rigoroso (e se ele, como quase qualquer formando do Sporting, compreende o jogo...), estará apto para assumir o lugar na selecção. O estupendo golo, e o alegado interesse dos colossos europeus, devolvem-lhe a aura. Que não páre de evoluír...

domingo, 3 de janeiro de 2010

A apresentação que nunca ninguém se lembrou de fazer.


Carlos, isto é um passe: "acção de enviar a bola a um companheiro ou determinado sector do espaço de jogo" (Ferreira). "O passe é a acção mais comum e frequente numa partida de futebol e o encanto mais apreciável do jogo" Zappa (1947).

Passe, este (o de vermelho na foto) é o Carlos.

Apresentações feitas, será possível que se entendam?

Tomadas de decisão. O futebol como um jogo de probabilidades.



"Não sou contra ser-se pragmático, porque é pragmático fazer um bom passe, e não um mau. Se eu tiver a bola, o que devo fazer com ela? Pode alguém argumentar que uma má solução como um chuto para a frente é pragmático simplesmente porque, de vez em quando, resulta?" Arsène Wenger.

"O denominador comum nas equipas de sucesso é que os jogadores são inteligentes. Isso não significa, necessariamente, que sejam educados. Podem analisar um problema e encontrar uma solução. O denominador comum numa pessoa de alto nível de rendimento é que pode avaliar objectivamente o seu desempenho. Se falar com um jogador depois de um jogo e lhe pedir para avaliar seu desempenho, se ele analisar bem, você sabe que ele é o tipo de jogador que vai a conduzir para casa e a pensar "eu fiz isto errado, fiz aquilo bem". A sua avaliação será correcta e, da próxima vez, ele corrigirá. Este jogador tem uma oportunidade. Aquele que jogador que tem um jogo de altos e baixos e diz que acha que foi fantástico, é o jogador com quem temos que nos preocupar. E isto é verdade muito para lá do futebol." Arsène Wenger.

Num momento em que o jogo é do ponto de vista técnico e físico, cada vez mais equilibrado (longe vão os tempos em que só os grandes clubes treinavam), as tomadas de decisão surgem como um dos traços mais decisivos no jogo moderno.

Por tomadas de decisão, deve entender-se, as opções que cada jogador toma a cada momento (com ou sem bola). Para onde deslocar? A que velocidade o fazer? Que espaço ocupar? Para onde desmarcar? Quando soltar a bola? e para onde? Quando progredir com a bola?

Cada situação de jogo tem uma forma mais eficiente de ser resolvida. Tal não significa que optando pelo pior caminho, se estará sempre condenado ao insucesso. Tão pouco que, optando bem, se será sempre bem sucedido. Significa somente que, optando bem, está-se sempre mais próximo de ser bem sucedido.

Exemplo simples. Numa situação de 2x1, o portador da bola deve progredir com a bola no pé, no sentido da baliza, soltando a bola, no timing correcto (bem próximo do defesa), para que a bola saia para as costas do defesa. O passe deve ser efectuado para o espaço (e não para o pé do colega, por forma a que este não trave a corrida). Ou seja, de uma situação de 2x1, pretende-se passar para uma de 1x0.

Se em dez situações de 2x1, o portador da bola (no momento inicial, antes do passe), for capaz de as resolver dessa forma, provavelmente a sua equipa fará 8,9 golos, ainda que nenhum marcado por si (uma vez que acabará por fazer o passe para o colega de equipa).

Se na mesma situação, o portador da bola optar por driblar o defesa, e mesmo partindo do princípio que os seus traços individuais são bastante bons, provavelmente, em dez lances, marca 4,5 golos.

Os jogos em que, optando mal, se chega ao golo, são óptimos. Porém, em termos globais, a equipa sai prejudicada. Os 5 golos marcados dão notoriedade aos olhos do comum adepto. Mas, não são o que de melhor poderia ter dado à equipa.

Quem toma as melhores decisões a cada momento, tem a sua equipa, sempre mais próxima do objectivo (marcar, não sofrer, ganhar). Mesmo que não obtenha tanta notoriedade.

A situação descrita é uma situação de finalização, por ser de mais fácil compreensão. Porém, é importante perceber-se que as decisões se aplicam em todas as situações do jogo. Por mais banais que lhe pareçam. É que, para se chegar a uma situação de finalização, há todo um trabalho prévio, tão importante quanto o último momento (que nunca surge, quando a fase que antecede a finalização não é eficiente).

Numa equipa desorganizada, talvez seja interessante ter jogadores que, jogando só para si, sejam capazes de, tempos a tempos, criar algo. Num colectivo que se pretende forte, tal não faz sentido.

Texto recuperado de 14 de Outubro. Excepto as declarações do treinador francês.

P.S. - Agradecimento ao João Mira, que nos deu a conhecer a entrevista de Wenger.

sábado, 2 de janeiro de 2010

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Recordas-te? XXIII