domingo, 29 de Agosto de 2010

Curtas


- Hulk está a dar-se bastante bem com a Jabulani. Vai continuar a resolver de forma individual vários jogos. Veremos de que forma Villas Boas extrairá as qualidades individuais do brasileiro para o colectivo;

- Segundo um dos mais conceituados jogadores com quem Paulo Sérgio já havia trabalhado, o técnico leonino é apenas razoável na parte táctica do jogo, mas um verdadeiro ás na vertente motivacional e na de liderança. Poderemos ter um Sporting mais forte nas competições a eliminar do que numa prova de regularidade?

- Aimar voltou;

- Meireles foi uma óptima transferência. Não faria sentido ter no mesmo plantel quatro jogadores conceituados para dois lugares;

- Roberto deu pontos ao Benfica. Com tamanha injecção de confiança, surgirá finalmente o "sim ou sopas". Se era apenas questão mental, o Benfica ganhou um guarda redes. Se voltar a falhar, é uma questão de (falta de) qualidade. Aquela parada ofereceu 3 pontos ao Benfica, porém suscitou uma série de dúvidas na mente de quem lidera. E o mercado encerra 3a feira;

- Domingos segue imbatível na pedreira. Não perdendo no Dragão na próxima jornada, teremos de incluir o Sporting de Braga no lote de candidatos ao titulo maior;

- Makukula por Stoijkovic seria um negócio bastante produtivo para Benfica e Sporting. Mas, somente se não fossem competidores directos. Ambos resolveriam os problemas mais prementes de um e outro;

- Yebda segue para o Napoli. Continuamos a crer que tem qualidade para jogar no Benfica;

- Finalmente um pouco de Nico Gáitan. Tem qualidade que nunca mais acaba. Aquele corredor esquerdo do SL Benfica será bastante melhor esta época, agora que são dois a participarem em todos os processos;

- Pongolle foi sempre um caso bastante estranho (o seu "não" rendimento). É que ainda é difícil aceitar que alguém com o seu percurso tenha tão pouca qualidade quanto a que denotou em Portugal. Ficará por desvendar;

- Com o confuso início do SL Benfica (depois de uma pré-época novamente perto de brilhante), o FC Porto surge como mais candidato. Não que não se reconheça mais qualidade no SL Benfica, e que não se espere mais goleadas atrás de goleadas. Porém, a margem para errar é nula. É determinante não deixar aumentar a distância. E segue-se Guimarães, Sporting, Maritimo e Braga no caminho de Jorge Jesus...;

- Ridículo o clube que Quaresma escolheu para prosseguir a carreira. Ou então, ridículos os clubes que não deram oportunidade a tamanho talento. Assim como ridícula foi a sua ausência no Mundial;

- Como o meu chapéu se Guardiola perder a Liga Espanhola para Mourinho...;

- Simão pode ter saído por discordar da balbúrdia que se transformou a selecção nacional. Mas, é certo que também já não caberia nas primeiras escolhas.

terça-feira, 24 de Agosto de 2010

À atenção do Sporting 2011/2012


Ainda não foi possível assistir a qualquer jogo do Sp. Braga na nova época. Olhando para os seus resultados, apenas um pensamento poderá passar pela mente dos mais atentos. Confirmando-se o que começa a ser cada vez mais difícil desmentir (com a devida ressalva de quem não teve oportunidade de assistir à justiça e à categoria de tais resultados), parece haver por aí uma possibilidade do Sporting voltar a subir para perto do patamar dos adversários...

E sim. A sugestão é feita, porque se parte do princípio que 2010/2011 não será uma época profícua em Alvalade.

domingo, 22 de Agosto de 2010

You follow me down, you follow me down


domingo, 15 de Agosto de 2010

Por onde começar, Paulo ?


Problemas colectivos:

- Defensivamente não há coordenação entre o sector defensivo e o meio campo. Qualquer bola colocada nas costas dos médios (e lembre que basta recorrer a jogo directo, não perdendo a primeira bola, para o fazer) e temos situação de apenas 4 defesas atrás da linha da bola. Quando a bola é colocada no avançado adversário, quem sai para pressionar, ou disputar a bola no ar, é um dos centrais. Pelo que, sobrarão somente três defesas numa linha mais recuada. Quando tal sucede, os laterais devem fechar no corredor central o mais rápido possível. Por vezes não vão a tempo de fechar e fica um vazio incrível no centro da defesa, sucedendo o que aconteceu por mais de uma vez na Mata Real, possibilidade de um jogador vindo de trás ou da ala, aparecer no corredor central isolado na cara do guarda redes leonino. Quando os laterais juntam rapidamente ao defesa central, deixa de ser possível explorar a profundidade nas costas da defesa. Porém, sobra espaço para os extremos adversários receberem a bola sem oposição, com tempo mais que suficiente para servir quem vai aparecer em zonas de finalização. Quantas vezes contou lances idênticos no jogo com o Paços de Ferreira? Em suma, dê por onde der, não há equilíbrio defensivo. Recentemente defendemos que o Benfica não poderá ser o mesmo defensivamente, porque o 6º defensor (Ramires) já não voltaria para trás da linha da bola. Imagine então o que pensamos da forma de defender do Sporting, que coloca, demasiadas vezes, apenas quatro jogadores atrás da mesma.

- Ofensivamente, os extremos estão bastante longe da equipa. O apoio (Maniche) está muitas vezes longe do portador da bola, pelo que resta a opção de procurar o lateral que desmarcou nas costas (em campos reduzidos, tal por tão previsível, o melhor que resultará será em ganhar uns lançamentos de linha lateral junto da área adversária), ou forçar as situações de 1x1. Sempre de resultado imprevísivel e cujas perdas de bola poderão, a qualquer momento originar contra-ataques perigosos.

Problemas individuais:

- Evaldo corre muito e tem bastante força, é obviamente um upgrade em relação a Grimi, mas não deixa de ser demasiado limitado em termos técnicos. Para se jogar no Sporting não basta ligar o motor da locomotiva e ganhar uns lançamentos de linha lateral.

- Liedson. Basicamente, não joga absolutamente nada. Não acerta um passe, nem ganha uma bola. Como também parece ter-se esquecido de como fazer golos, a fé é a única explicação possível pela qual ainda joga de início. Curioso que Paulo Sérgio até referiu antes do jogo, que de todos os avançados era o que menos entendia a dinâmica colectiva.

A rever:

- Matias Fernandes. Tem tanto de bom jogador quanto de desaproveitado pelos treinadores que tem tido em Portugal. Sabe sempre quando e para onde soltar a bola. Bastante inteligente também na forma como invade sempre o corredor central, quando conduz a bola. É nesse espaço que se multiplicam as opções. Foi vitima da má segunda parte de todos.

- Jaime Valdés. Não entrou no jogo. A culpa não foi sua, contudo.

- Hélder Postiga. É certo que se movimenta bastante bem. Cria espaços e concede opções (linhas de passe) ao portador da bola. Porém, para quem joga tão adiantado no campo de jogo, não é normal ter tanta dificuldade para finalizar. Quando o resultado não agrada, é sempre das perdidas que nos lembramos.

Interrogação:

Poderá o Sporting com esta forma de jogar amealhar muitos pontos fora de casa?

Até poderá acontecer. Contudo, a única certeza é que cada partida fora de Alvalade será jogo de tripla. Literalmente. Tal como está, as probabilidades de vencer não são bastante maiores que as de perder...

P.S. - Já se viu algo bastante parecido com isto do outro lado da segunda circular... Mas, Paulo Sérgio tem mais do que o plano A e por certo que irá reavaliar as suas ideias iniciais. Não é, mister?

sábado, 14 de Agosto de 2010

Blog de Ouro



Um obrigado muito grande ao excelente Big Sousa, autor de um blog de referência, o dornomenisco, por nos ter nomeado.


Este selo possui quatro regras:


1º Colocar a imagem do selo no nosso blog
2º Indicar o link do blog que nos indicou
3º Indicar 3 blogs para receber o selo
4º Comentar nos blogs indicados ao selo

Então, cá estão nomeados:


Iliada Benfiquista, dos amigos Mavs e JAS


A Norte de Alvalade, de não um, mas de vários Leões


Entre Dez, do Nuno e do Gonçalo

domingo, 8 de Agosto de 2010

Partidos ao meio. Mérito ou demérito?

É muito ténue a fronteira que separa o mérito do demérito de uns e outros. Na partida da Supertaça, houve obrigatóriamente muito de ambos.

Mérito:

- Excelentes saídas do FC Porto para contra-ataque. Hulk e Varela servem como boas referências para receber o primeiro passe após a recuperação da bola.

- Varela. Não simpatizamos com o jogador, aquando do momento de organização ofensiva. Porque tem dificuldades técnicas e visíveis deficiências na recepção de bola. Em espaços curtos tal é determinante. Porém, com meio campo quase totalmente livre e espaço para correr de sobra, é e foi um verdadeiro perigo. Foi o MVP do jogo de Aveiro.

- João Moutinho. Só alguém muito mal intencionado pode considerar que alguém que cumpre épocas a fio sem falhar um único jogo, jogando sempre a um ritmo elevado é mau profissional. Só um jogador que treina sempre nos limites consegue esta performance desportiva. Não só não é mau profissional, como é um caso único em jogadores portugueses. Uma espécie de Lampard do ponto de vista da entrega à profissão. É o melhor médio do FC Porto, e fez um jogo enorme. Ahhh e Queirós é um asno!

- Falcao. Raçudo e verdadeiro homem de área. Pode fazer golos a qualquer momento.

- Belushi. É bastante criativo e não se coíbe de cumprir as tarefas defensivas. Quando sair para entrar Micael, o FC Porto ficará a perder.

Demérito:

- Jorge Jesus. Fábio Coentrão tem de jogar a lateral esquerdo. É nessa posição que faz a diferença, mesmo em termos ofensivos.

- Carlos Martins. Perdeu demasiadas vezes a posse da bola. Em termos defensivos, não tem como competir com Ramires. Já aqui o haviamos referido, sem o queniano, o Benfica parte-se em dois. Ficam somente 5 jogadores para defender e o sexto (Ramires) já não vai aparecer... A principal razão para tantos e tantos contra-ataques adversários prende-se com esse facto. Com Martins a equipa está sempre próxima de sofrer golos. Não jogando com um jogador capaz de assegurar uma boa transição defensiva, os jogos do SL Benfica fora de casa serão bastante mais interessantes.

- Jara. Terrível no período que esteve em campo. Perdeu a bola de todas as vezes que a tentou receber.

- César Peixoto e Hulk. Duelo de horrores. Peixoto move-se à velocidade de um caracol. Toda aquela capacidade técnica e inteligência já não são suficientes para assegurar um lugar no onze de uma equipa que pretenda sagrar-se campeã. Porém, que dizer de Hulk? Não ganhou um único lance de 1x1 contra o defesa mais lento da história. E se ele persistiu e forçou essas situações...

Notas finais:


- O FC Porto demonstrou uma superior capacidade nas transições ofensivas. Tal não significará necessáriamente que a equipa está no ponto para atacar a Liga. Relembre que será em organização ofensiva que o FC Porto terá de desbloquear 90% dos jogos...

- O SL Benfica, independentemente de uma exibição péssima, continua a ser a melhor equipa em organização ofensiva, e continua muito provavelmente, a ser o principal candidato ao titulo. Porém, há que corrigir a transição defensiva. Agora que Ramires partiu, muito dificilmente Jesus terá uma época com tantos jogos tranquilo.

sexta-feira, 6 de Agosto de 2010

Paulo, eu não ia por aí. E João, abre os olhos. Síntese rapidissima do primeiro susto.


Por ainda não ter sido possível ver muitos jogos, fica difícil desde logo perceber o modelo de jogo do Sporting, e perspectivar o que poderá seguir-se. Uma certeza, porém. Com apenas dois médios no corredor central, não parece que o Sporting venha a ser tão dominadora como Paulo Sérgio pretende, nem parece que consiga deixar de estar demasiado exposta às equipas com boa capacidade ofensiva, com avançados inteligentes, capazes de baixar um pouco no campo de jogo, para explorar todo aquele espaço entre os defesas e os médios.

Quanto às possíveis insuficiências tácticas do modelo, essas ficarão para mais tarde, depois de percebida a dinâmica imposta.

Quando à inexistente coordenação defensiva entre o sector defensivo e o do meio campo, se alia a desconcentração de uma das peças, os sustos acontecem.


Sporting 1-1 Nordsjaelland

Simão MySpace Video


Somente o mau posicionamento defensivo de João Pereira permitiu aos dinamarqueses a possibilidade de explorar o espaço entre o central e o lateral direito. Pereira deveria estar ao lado de Daniel Carriço e não mais à frente. Apenas a sua desconcentração justifica o seu posicionamento aquando do passe. Quando se chega a um clube com as responsabilidades do Sporting, não basta conferir dinâmica ao momento ofensivo. E é decisivo que Paulo Sérgio tenha a coragem para corrigir da forma que o tiver de fazer, quem por distração compromete o sucesso colectivo.

quinta-feira, 5 de Agosto de 2010

Ramires, o queniano?


Percebe-se a analogia. A figura esguia, e a passada rápida e larga justificam-a.

Pelo seu sentido colectivo, por dar primazia à circulação da bola e pela ausência de necessidade de ser a figura central da equipa, poderia ser o argentino.

Porém, é Ramires, o brasileiro. Percebe-se facilmente, pela sua capacidade técnica e agilidade.

Manuel Fernandes, na antevisão do jogo com o SL Benfica, garantiu que Ramires iria valer muito dinheiro ao Benfica. Não se enganará. Não tanto, pelo menos, como Ramires, que sugeriu prolongar o seu contrato (de 5 anos). Não se sabe se por cortesia, se por ingenuidade.

Homem, com tamanha qualidade, não nasceste para jogar (nem jogarás mais de um, dois anos) nesta Liga!

Texto recuperado de Setembro de 2009.

segunda-feira, 2 de Agosto de 2010

Este Benfica não é para velhos.


Amesterdão, Guimarães (x2), Toronto, Albufeira, Guadiana (x2), Eusébio Cup, Taça da Liga e Campeonato Nacional. Em pouco mais de um ano, o futebol do SL Benfica de Jorge Jesus arrecadou dez troféus. Ok, os troféus de pré-época têm o valor que têm. Mas, indiciam algo. Não dúvide!

A equipa de Jesus pretende derrubar todas as premissas que se tinham por verdadeiras. Os defesas são para defender. Os avançados para marcar golos. Só se obtém profundidade com extremos, que servem para driblar e cruzar. O número dez, deve procurar incessantemente passes de ruptura. O avançado deve permanecer na área, e todas as equipas precisam de alguém que corra inúmeros kms (os carregadores de piano de Jaime Pacheco), para que os artistas possam render.

Esqueça tudo.

Não há tarefas fixas. São dez jogadores de campo, e todos podem aparecer em qualquer lado. Desde que se efectuem as necessárias compensações. É por isso que cada vez mais, é frequente vermos David Luiz sair com a bola para o ataque (Airton ou Javi ocupam o lugar ao lado de Luisão quando assim é). Quando David transporta a bola, ele não mais é um defesa central. Os centrais nesse momento são Luisão e Javi Garcia. Não há extremos? Há tantos! Saviola, Fábio, Jara, Gáitan, Amorim, Martins, Aimar. Dê-se ao trabalho de contabilizar quantos jogadores diferentes, em momentos distintos surgem a conferir profundidade e linha de passe sobre o corredor lateral. Esta mobilidade constante de toda a gente, é a mais forte arma que se pode ter, perante equipas que defendem ao homem e que não povoam o espaço defensivo à frente dos centrais.

Se pensava que a partida de Di Maria enfraqueceria o Benfica no momento ofensivo. Enganou-se. O argentino é um talento fantástico e que conseguia, por várias vezes, desiquilibrar individualmente. Porém no futebol, 11 é sempre melhor que 10+1. O que poderá ser este Benfica em termos ofensivos, agora que não tem um jogador a perder a bola dezenas de vezes por jogo?

Curtas do Guadiana

- Jara tem feito, e muito, por modificar a nossa opinião inicial. Não é forte na decisão, facto que o leva a perder inúmeras vezes os timings correctos para soltar a bola. Porém, a base está lá. É rápido, tem técnica e uma agressividade extraordinária. Nas mãos de Jesus, poderá, porque tem potencial para isso, tornar-se um caso muito sério.

- David Luiz está num momento estupendo. Cada vez mais a equipa está preparada para compensar as suas subidas, e cada vez mais, o brasileiro o faz de forma assertiva. É o primeiro avançado da equipa.

- Martins está bastante bem no momento ofensivo. Menos complicativo, também ele já entra no jogo de posse e tabelinhas da equipa. Não tem a mesma velocidade, inteligência e disponibilidade de Ramires para os momentos defensivos (seja em organização ou em transição).

- Fábio Coentrão é um desiquilibrador. Outro que sem dar muitos toques na bola, joga e faz jogar.

- Aimar e Saviola são o centro da equipa. Se dúvida, reveja os últimos 30 minutos da partida de ontem. Aqueles em que os argentinos não jogaram. É a capacidade técnica e inteligência táctica extraordinária de ambos que permite as saídas para o ataque pelo corredor central.

- O pé esquerdo de Cardozo é uma maravilha. Não só pela forma como finaliza, mas como também participa nas tabelinhas e no jogo ofensivo. Mesmo com limitações evidentes, é um jogador extraordinário e decisivo.

- Por lesão, ou não, Nico Gáitan mostrou-se pouco. Esteve bem na forma como serviu, algumas vezes, a velocidade de Fábio Coentrão.

- Airton está bem, mas Javi confere algo que o brasileiro não. A capacidade de passe do espanhol é francamente boa. É outro dos responsáveis pelos bons passes verticais a explorar, desde logo, os avançados.

Pode este SL Benfica não ser bem sucedido? Pode. Se Ramires partir, o Benfica ficará mais vulnerável em termos defensivos. Mas, que leva um grande avanço dos demais...

A competência do encantador Benfica é táctica


Post recuperado de Novembro e posteriormente de Dezembro. Amanhã, crónica ao torneio do Guadiana.

Pós Atenas, a interrogação. Como reagiria o Benfica? Nesta semana, muitos foram os que voltaram a questionar a capacidade do actual SL Benfica para reagir a um resultado adverso.

Estas potenciais dúvidas surgem na mente dos que creêm que a forma no futebol é fisíca e/ou anímica. Tais factores são fulcrais no jogo moderno. Mas, estão longe de ser a principal alavanca para o sucesso.

Na temporada passada, e perante as injustas críticas, alusivas à falta de atitude, ou motivação de que os jogadores do SL Benfica foram sofrendo, sempre fomos referindo que esse estava longe de ser o problema. Bem pelo contrário.

Ao contrário do que uma larga maioria deduz, o actual bom momento não passa por uma questão de mentalidade. Não está na atitude ou na perseverança a diferença do actual SL Benfica para o do acéfalo Quique Flores.

A competência do actual Benfica é táctica. A equipa é extremamente competente no principal factor de rendimento do jogo. O físico e o anímico poderão ajudar ou prejudicar. Porém, quando a principal qualidade passa pela ocupação / reocupação dos espaços e pela tomada de decisões, facilmente se obtêm níveis elevados de confiança, pois está-se sempre mais próximo do sucesso.

P.S. - O Belenenses e o Sp.Braga de Jorge Jesus foram, do ponto de vista táctico, as melhores equipas da Liga nas épocas passadas. A expectativa sobre o que poderia fazer Jesus com jogadores de maior qualidade era grande. Não nos enganámos. Somente as dúvidas sobre as capacidades de liderança e comunicação, nos impedem de o catalogar, desde já, como um dos melhores da Europa. Talvez esteja na altura de aprender inglês.

Post recuperado de 6 de Novembro

Há muito que o SL Benfica não demonstrava uma superioridade tão clara sobre o FC Porto. A diferença de qualidade? Táctica, claro.

Na ocupação do espaço, o FC Porto continua uma equipa extremamente competente. É, no entanto, ao nível da tomada de decisão que a situação se inverteu. O FC Porto perdeu duas referências incontornáveis (Lucho e Lisandro). No momento ofensivo, não há um pensar colectivo. Antes, um cada um por si, previamente condenado ao insucesso.

O SL Benfica é, como nunca, uma equipa bem posicionada no campo, com vários processos bem definidos, que lhe permitem jogar mais à frente no campo, mantendo sempre o equilíbrio. Porém, a qualidade táctica não se esgota na vertente da ocupação dos espaços. É na tomada de decisão que o SL Benfica tem feito a diferença. Impressiona a forma simples e eficaz como com poucos toques na bola, retira a bola das zonas de pressão adversárias. Ter onze jogadores em campo, com a mesma ideia de jogo, é uma vantagem. No classico, foi bom não ter Di Maria em campo.

P.S. - É tipica do treinador português a opção por, em jogos de elevado grau de dificuldade, dotar de melhores atributos físicos a sua equipa. Jesualdo fá-lo incessantemente, esquecendo-se que o talento e a inteligência são os atributos mais louváveis no jogo moderno.