sábado, 30 de Outubro de 2010

Diz que os contos de fadas são assim

A 29 de Agosto, depois do penalty de Hugo Leal, foi aqui referido:

"- Roberto deu pontos ao Benfica. Com tamanha injecção de confiança, surgirá finalmente o "sim ou sopas". Se era apenas questão mental, o Benfica ganhou um guarda redes. Se voltar a falhar, é uma questão de (falta de) qualidade. Aquela parada ofereceu 3 pontos ao Benfica, porém suscitou uma série de dúvidas na mente de quem lidera. E o mercado encerra 3a feira;"

De lá para cá tudo parece um conto de fadas. Roberto tornou-se um Robertazo. Falta contudo perceber como reagirá quando surgir novo deslize.

P.S. - Elogiar a qualidade de um guarda redes não é, por norma, sinónimo de que tudo esteja bem...

sábado, 23 de Outubro de 2010

Imparáveis

Com meio campo para correr. Situação de 3 (Hulk, Falcao, Varela) x 4 (defesas adversários). Ou seja, contra-ataque. O FC Porto é absolutamente imparável.

Há duas épocas atrás, Quique Flores em pleno Estádio do Dragão, abdicou do ataque organizado, por forma a não conceder situações de transição ofensiva ao FC Porto e a Hulk (que é tão fantástico com espaço quanto catastrófico sem ele). Não correu mal.

Este SL Benfica, com esta transição defensiva, a assumir o jogo no dragão e a entregar a posse de forma tão leviana, facilitando as tais situações de 3x4 (bem próximo daquilo que foi a segunda parte na Supertaça), será trucidado.

sexta-feira, 22 de Outubro de 2010

Soltas de Lyon. Meio campo, qual meio campo?

O principal problema é o de sempre. Mesmo quando ainda estávamos maravilhados com a qualidade ofensiva do seu jogo, já o referiamos. Os jogos fora de casa seriam agora bem mais interessantes. O SL Benfica tem uma transição defensiva demasiado fraca para poder competir na Liga dos Campeões. Como sempre afirmámos, nunca foi Javi o equilíbrio da equipa. É bom jogador, e o que faz, faz muitissimo bem. Contudo, não faz nada de extraordinário. Nada que outro jogador, com boa leitura táctica não o fizesse. Quem garantia de facto a boa performance defensiva era Ramires. Era a sua cultura táctica, velocidade e disponibilidade que assegurava com assertividade e clarividência a transição defesa-ataque. Era pela sua velocidade a re-ocupar o espaço defensivo, que a equipa de Jesus conseguia colocar tantos jogadores em situação ofensiva, sem nunca se desiquilibrar no campo de jogo.

Mas, Ramires não está, nem voltará a estar. Cabe a Jesus tomar decisões. A equipa não pode continuar a querer colocar tantos jogadores em zonas próximas da baliza adversária, se depois não há quem tenha capacidade para voltar.

Carlos Martins não pode ser tido como uma boa solução para médio interior, precisamente porque para além de ser incapaz de chegar rápido ao espaço defensivo, tem a desfaçatez de perder duas, três bolas por jogo em zona proibida.

Porém, Amorim, a melhor solução para médio interior direito, está lesionado. Além de que, é também a melhor solução para defesa direito. E Salvio está bastante longe de mostrar capacidade para jogar numa equipa que se pretende ganhadora.

Por fim, não há Cardozo. Alan Kardec é bastante mais móvel e é indiscutível que oferece outras soluções. Não tem contudo, a fantástica técnica de Cardozo, que mesmo pouco ágil e demasiado lento, das vezes que recebe a bola, coloca-a com grande assertividade onde pretende. Ao contrário do paraguaio, Kardec não garante à equipa capacidade para segurar a bola e manter a posição. E acredite que Cardozo é francamente bom quando participa no jogo ofensivo. As suas limitações físicas impedem-o é de participar mais vezes.

sexta-feira, 8 de Outubro de 2010

Quatro treinos, três pontos.

O título não pretende sugerir que Paulo Bento é tão qualificado que quatro treinos foram suficientes para vencer o mais conceituado opositor do grupo H. Apenas validar a crença de as características de um bom treinador de clubes, não são necessariamente as mesmas das de um treinador de selecções.

Sem tempo para treinar (a excepção é o estágio pré grandes competições), a competência táctica deixa de ser o ponto mais decisivo para chegar ao sucesso. A um seleccionador cabe escolher bem. Boas e independentes escolhas é o factor primordial para chegar ao sucesso. Os traços enquanto líder e a capacidade para mobilizar todos os jogadores em torno de um objectivo comum, são também características a não descurar.

Paulo Bento, por tudo o que se conhece do seu profissionalismo e da sua personalidade, tem tudo para ser o homem certo. No imediato, é inegável que a selecção voltou a conquistar o respeito de todos nós.

P.S.- Em relação às opções técnicas, explique quem souber. Porque é que poucos meses volvidos Portugal apresenta (e bem) um onze com três jogadores que não estiveram sequer no Mundial. E porque é que voltámos a ter um centrocampista à frente dos defesas centrais (parece finalmente não haver obrigatoriedade de Bruno Alves jogar de início). Das duas uma. Queiróz não era um treinador independente, capaz de pensar e decidir por si. Ou é um incompetente. Qual dos traços é mais abominável, decida você.

P.S. II - João Moutinho joga muito. Tudo o que precisa é de uma equipa ao seu nível.

P.S. III - Discutir se Ronaldo é o melhor jogador português é uma discussão nada absurda. Então se comparada com a dúvida sobre quem é o melhor do mundo, faz até imenso sentido.

P.S. IV - "Os jogadores estão contentes".


segunda-feira, 4 de Outubro de 2010

Os avançados do Sporting. Quantas más noticias quer?

As (más) noticias do presente:

- O único que finaliza com qualidade é o que pior joga. Fala-se de Liedson, claro;

- O que faz jogar, é um desastre no momento de finalizar. E quando fica a faltar um golo, todos nos lembramos de quem falhou as oportunidades. Fala-se de Postiga.

As do futuro:

- Se você crê que nos anos vindouros Wilson Eduardo poderá vir a resolver algum problema, talvez deva adquirir uma poltrona bem confortável, não vá a espera tornar-se demasiado agoniante. Mas que desastre de jogador. Estar na primeira divisão é bem capaz de poder ser o ponto alto da sua carreira.

domingo, 3 de Outubro de 2010

Como Saviola desbloqueou um jogo que estava bem difícil


O propósito não é enaltecer a qualidade da assistência. De dificuldade bem menor que o gesto técnico de Carlos Martins no acto de remate, diga-se.

Antes, voltar a mencionar a excelência da inteligência da movimentação do argentino. É um hábito muito seu, procurar receber a bola, em apoio frontal, na zona entre o central e o lateral.

Mas afinal, que vantagem retira o Benfica da movimentação do seu avançado?

Quando Saviola recebe a bola naquela zona, há sempre uma indecisão no adversário sobre quem deve sair à bola? O central ou o lateral? Quando sai o lateral, abre imenso espaço no corredor lateral, onde Coentrão ou Maxi surgem com tempo e espaço para criar um lance potencialmente perigoso. Quando sai o defesa central, a tendência natural é procurar o outro avançado para tabelar. Quando a defesa adversária "fecha" bem o centro através do aproximar dos restantes três defesas (laterais e central que ficou) acaba sempre por ceder demasiado espaço no lado exterior.

A solução defensiva para tal situação passará pelo recuar do médio defensivo para a linha defensiva. Com quatro jogadores na última linha, é possível cobrir toda a zona defensiva com maior largura. Porém, quase nenhuma equipa em Portugal opta por o fazer.

Quanto do golo há da decisão de Saviola em receber a bola naquele espaço (que lhe permitiu ter uns segundos para enquadrar com a baliza, enquanto o central não chegava, e que permitiu abrir mais espaço sobre o exterior da defensiva bracarense)? No minímo tanto quanto o que valorizou no remate e na assistência. Sem aquela decisão, nada se teria feito.

sábado, 2 de Outubro de 2010

O que é que me está a falhar aqui?


sexta-feira, 1 de Outubro de 2010

Adivinha quem voltou

Dois pontos prévios.
i) O Levski Sófia pode ter parecido um docinho. É certo que não é uma equipa competente. Todavia, não duvide que é bastante superior a dois terços das equipas da primeira liga portuguesa.

ii) Por vezes, resultados desnivelados sucedem, só porque sim. Porque em determinado dia se esteve mais feliz na finalização. Sem que isso traduza necessáriamente uma alteração no jogar da equipa. Essa foi a razão que me levou a rever a gravação do jogo. Procurar confirmar diferenças substanciais na tendência de jogo do Sporting.

E provou-se. A diferença foi tão grande quanto o resultado demonstra. A tradicional saída da defesa para o ataque tão prevísivel e tão fácil de defender (bola no lateral, que passa para o extremo, indo desmarcar pelas costas na esperança de receber a bola mais à frente para cruzar para a área) do Sporting dos últimos tempos, não foi utilizada mais de duas, três vezes.

As saídas para o ataque passaram a ser feitas numa primeira instância pelo corredor central. Do central, a bola saía sempre para um dos três médios centro. Ao que se seguia diferentes comportamentos, dependendo do médio.

Zapater jogou mais simples (procurava mais Matias ou Maniche). De forma intermitente recorreu ao passe longo. Pouco feliz nesse aspecto, todavia. Maniche exagerou nos passes longos. Demasiadas vezes mal sucedido. E Matías foi o homem do jogo. Foi dos seus pés que a saída defesa ataque saiu de forma mais fluida e assertiva. Essencialmente pela sua decisão de trazer a bola na direcção do corredor central e pela primazia pelo passe curto, procurando à sua direita Postiga (que baixava e bem, no campo, servindo de apoio frontal), ou à esquerda Salomão, ou Evaldo.

Uma das grandes vantagens de sair pelo corredor central, é que mesmo que o adversário consiga pela concentração tapar o caminho para a baliza, forçando a opção pelo passe para o exterior (corredor lateral), este quando sucede, encontra o lateral ou o extremo, livre de oposição e com bem mais tempo para receber e enquadrar.

Curiosa também a boa opção pela mobilidade entre lateral e extremo, que resultou demasiadas vezes na forma como confundia o adversário. Quando Matías baixava e recebia a bola (sempre entre o corredor lateral esquerdo e o central), Salomão baixava também um pouco para receber a bola (sobre o lado esquerdo de Matías), trazendo consigo o lateral direito, ao mesmo tempo que Evaldo subia no relvado aproveitando o espaço libertado pela movimentação de Salomão. Relembre que defrontando equipas que centram o seu processo defensivo nas marcações individuais, os movimentos de mobilidade são absolutamente decisivos.

Notas individuais:

- Matías. Por tudo o que foi referido anteriormente;

- Postiga. O Sporting voltou a jogar com onze. O avançado não serviu somente para aparecer em zonas de finalização. O segundo golo nasce de um apoio frontal de Hélder Postiga, que com o corredor central ocupado solicitou Simon na direita. No terceiro assiste Salomão. O quarto golo é da sua autoria. E curiosamente é um lance onde nem sequer decide de forma assertiva. A jogada nasce novamente nos pés de Matías, que serve Salomão. O jovem tabela com Postiga e preparava-se para aparecer isolado na cara do guarda redes adversário, assim recebesse a bola. Importante perceber que a decisão de rematar de tão longe, ao contrário da opção mais correcta, que teria sido colocar Salomão numa situação de 1x0, não será alheia ao facto do jogo estar ganho e de, por certo, haver um normal sentimento de que havia que corar uma boa exibição com algo que fosse mais agradável aos olhos do público;

- Maniche. Não tem a mesma capacidade do colega do lado, e abusa demasiadas vezes do passe longo, que mesmo que bem sucedido, pode não trazer nada de novo. Contudo, mostrou-se bastante dinâmico. Beneficia imenso por ter um médio mais defensivo em campo, isto porque tem facilidade em aparecer nas imediações da grande área adversária;

- Simon e Salomão. Excelente a decisão de trazer a bola para o corredor central de todas as vezes que a recebem. Simon bastante melhor, pois foi sempre capaz de dar seguimento às suas jogadas. Menos bem Salomão. Demasiados ataques perderam-se nas suas botas. A primeira parte foi catastrófica. Porém, com a confiança de ter feito um golo, incrementou bastante a sua prestação;

- Evaldo. Em termos individuais foi um dos grandes beneficiados pelo facto de a bola deixar de sair pelos seus pés. Sem a responsabilidade de ter de iniciar a saída defesa-ataque, onde a sua pouquíssima técnica o expõe ao erro, Evaldo apareceu no momento ofensivo numa fase mais tardia. Quando recebia a bola, estava já bem próximo da área adversária e esta vinha do corredor central. Com tempo e espaço para o fazer, parece logo um jogador diferente. A sua boa capacidade física permitiu-lhe aparecer inúmeras vezes solto no corredor lateral. Infeliz nos cruzamentos, todavia.

P.S. - A propósito do golo de Postiga. Muitos de vós irão garantir que quando se marca um golo, é sempre porque a opção foi boa. Não é assim. A resposta está aqui. Pelo que não debaterei sequer esse assunto. Quando se decide bem, somos felizes mais vezes. Quando se decide mal, menos. Mas, tal não significa necessáriamente que seremos sempre felizes quando a decisão for boa, ou que uma má decisão esteja sempre condenada ao insucesso.