terça-feira, 13 de setembro de 2011

Ainda o Sporting. A protecção dos médios interiores ao corredor central e o consequente menor número de intervenções defensivas de centrais e trinco.

"Falemos do momento do jogo, e do comportamento mais aprazível, em termos tácticos do FC Porto.

A dinâmica do trio do meio campo, aquando da organização defensiva.

Sem posse, o triângulo passa a ter dois vértices defensivos. A ocupação do vértice mais ofensivo, depende da zona do campo onde a bola está. Se sobre o lado direito, Meireles sai à bola (contenção), ocupando o vértice mais ofensivo do dito triângulo. Atrás de si, numa linha paralela à linha de fundo, Fernando (sobre o lado direito) e Guarin (à esquerda de Fernando) realizam uma dupla cobertura. Após cada passe, há um reajustar de posições. Se a bola, é passada para um adversário, posicionado no lado direito do corredor central, Guarin sai rápido para a contenção, ocupando ele o vértice mais ofensivo, enquanto que Meireles baixa rapidamente para a linha que Fernando ocupa no campo.

O importante é, a todo instante, garantir o tal triângulo, e impedir, pela proximidade dos jogadores em questão, que a bola entre no espaço formado pelos três centrocampistas do FC Porto. Sem falhas posicionais, e respondendo rápido (pela troca de funções. Contenção - Cobertura) à troca de bola adversária, garante-se que o espaço onde tudo acontece (corredor central) é praticamente inviolado."




O texto é do último dia do ano de 2009, e pretende dar a perceber o porquê de haver defesas centrais que passam pelos jogos quase sem serem notados nos momentos defensivos, e porque há outros que integrados em modelos que não os beneficiam, por não terem médios próximos que sejam os primeiros jogadores da equipa a sair à bola, são forçados constantemente a ter de desarmar o adversário.

Não admira portanto os dados obtidos também nas recuperações de bola.

- No Sporting, são 27 por cento do total de recuperações da equipa, as bolas que os centrais recuperam, e 16% as recuperações obtidas pelo trinco. O eixo central defensivo, composto por três jogadores é responsável pela recuperação de quase metade dos ataques adversários.

- No FC Porto, são apenas 18 por cento as bolas que os centrais recuperam, e 11% as recuperações obtidas pelo trinco. Não chega, por pouco, a um terço do total de recuperações do FC Porto, as que são feitas pelo eixo central.

- No SL Benfica, são 21 porcento as bolas recuperadas pelos defesas centrais e também 11% as recuperações do trinco. Pouquíssimo mais que um terço das bolas recuperadas pela equipa são fruto de recuperações dos três jogadores do eixo central.

Alguns dados ainda sobre as faltas.

Sporting 68 faltas cometidas;
FC Porto 71;
SL Benfica 55.

Percentagem de faltas cometidas pelos defesas centrais do Sporting - 20%
Percentagem de faltas cometidas pelos defesas centrais do FC Porto - 8%
Percentagem de faltas cometidas pelos defesas centrais do SL Benfica - 9%

Percentagem de faltas cometidas pelo trinco do Sporting - 17.6%
Percentagem de faltas cometidas pelo trinco do FC Porto - 12.6%
Percentagem de faltas cometidas pelo trinco do SL Benfica - 5%

Percentagem de faltas cometidas pelo eixo central defensivo do Sporting - 37.6%
Percentagem de faltas cometidas pelo eixo central defensivo do FC Porto- 20.6%
Percentagem de faltas cometidas pelo eixo central defensivo do SL Benfica - 14%



Tivessem estas pequenas curiosidades validade, e somando o elevado desnível percentual quer de recuperações, quer de faltas cometidas (consequente não recuperação) pelo eixo central defensivo de uma e outras equipas, percebe-se o quão desconfortável deve ser ocupar as três posições centrais mais defensivas do Sporting. A equipa simplesmente não é capaz de os proteger e os três estão sistematicamente em jogo.

Os dados relativos às recuperações de bola e faltas foram retirados do Site do Jornal A BOLA, e tal como no texto anterior, há que reforçar "que o estudo tem validade zero. Depende de demasiados factores (desde características dos e do adversário, características dos próprios jogadores, dos árbitros, até às características do próprio jogo) para que possa ser válido. Em suma, mais que um estudo é somente uma pequena curiosidade, cujo resultado pode ou não estar relacionado com a percepção que se tem do jogar leonino.".

P.S. - A imagem escolhida é de um dos treinadores de que há memória que mais tenha desprotegido os defensores.

5 comentários:

Vasco Mota Pereira disse...

Como leitor assíduo do vosso blog, permitam-me antes de mais elogiar e agradecer a seriedade e o detalhe das vossas análises. No seguimento desta última, gostaria de vos colocar uma pergunta ignorante: em que parte específica do site de A Bola vos foi possível encontrar todas essas estatísticas?

Obrigado desde já e continuação do excelente trabalho.

PB disse...

http://www.abola.pt/nacional/liga.aspx?id=2021&op=jornadas

Não tem, ou até deve ter, eu é que não encontrei, os valores absolutos.
Tive de ir jogador a jogador, a cada jogo a jogo e a cada jornada a jornada, recolher os dados, e somá-los, ou calcular percentagens.

Vasco Mota Pereira disse...

Muito obrigado pela resposta supersónica e pelas dicas. Se dúvidas houvesse quanto ao vosso empenho, acabaram de ser desfeitas.

Rui Monteiro disse...

Caro PB,

Como costuma dizer uma amigo meu nestas circunstâncias, ainda não estou convencido, mas estou fortemente abalado.

Não tenho dúvidas que tem razão. Pelo menos parte da razão. As faltas têm três tipos de intervenientes: os jogadores que as fazem, os jogadores que são vítimas delas e os árbitros. Por isso, elas também dizem muito sobre a forma como os árbitros as marcam e como as marcam de forma diferenciada entre os três clubes em apreço. Agora, os árbitros nunca explicam tudo. Por isso é que há dias dizia que seria interessante efectuar-se uma análise econométrica que permitisse estudar o contributo de cada um destes intervenientes para a análise que efectua.

Sem efeito do árbitro, admito que a diferença face ao Porto seja, na mesma, grande. Quanto ao Benfica, tenho as minhas dúvidas. Um estudo do tipo que refiro permitia estudar de forma mais conclusiva o que enuncio. Vou ver se desafio um aluno a meter-se numa coisa destas.

Para todos os efeitos, impressiona-me que, face à importância do futebol, não tenham uma outra visibilidade as suas análises. Escreve e pensa com muita clareza. Não conheço ninguém que efectue as suas análises com tanta assertividade e pedagogia. Depois dessas análises, a discussão sobre o futebol tem outra racionalidade u, pelo menos, não permite que se misturem argumentos racionais e irracionais (ou cheios de clubite, como os meus)

Cumprimentos

PB disse...

Rui, obrigado pelos elogios.
É provável que a estatística não prove, nem ajude a perceber nem 10 por cento do jogo. Por isso esta foi a primeira vez em anos, q me dei ao trabalho de recolher alguns dados, q reforço têm validade quase nula, pq seria preciso ir ver falta a falta e recuperação a recuperação, o contexto em que a mm aconteceu.

Mas, numa amostra com tantas faltas e tantas recuperações, acabou por bater certo com a percepção de que de facto com este sistema táctico o eixo central defensivo do Sporting é obrigado a intervir mais vezes.

Mas, e se porventura os dados tivessem dado por outro lado (mais intervençoes defensivas dos centrais do Porto), eu não mudaria a percepção que tenho da forma negativa como o sporting ocupa o meio campo em situação defensiva. Certamente que começaria a tentar magicar possíveis explicações para tal ter acontecido.

Bateu certo, e até faz sentido que assim seja, mas podia n ter batido, pq e reforço...isto das contas n ajuda a explicar nem 10 por cento do jogo.