As cinquenta e uma internacionalizações por uma das mais encantadoras selecções do futebol mundial, quase o dementem. A falta de troféus na Europa, como que o confirma.
Riquelme, um dos mais brilhantes futebolistas da última década passou pelo jogo sem que lhe reconhecessem um terço do mérito. Sozinho deu expressão a um pequeno município em Espanha. E ainda que em 2000 tenha ganho o Mundial de clubes, ou que em 2008 tenha almejado a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim, nunca teve a notoriedade que fez por merecer. A notoriedade que se adivinhava quando em 1997, no maior Estádio da Argentina, o Monumental de Núñes, casa do River Plate, substitui Maradona no seu último jogo.
Quando se retirar, Riquelme saberá que o seu nome não fará parte do almanaque do futebol europeu. Todavia, pela inteligência que demonstra em cada acção, pelas suas mil e uma soluções para ultrapassar os adversários, pela sua técnica assombrosa, pela classe que sempre passeou em cada relvado a que subia, pela sua criatividade ímpar que tanto nos fez sonhar, Riquelme precisa de saber que perdurará eternamente no coração daqueles que sempre perceberam com exactidão o que ofertava, e oferta a cada minuto que passava e passa num campo de futebol.
Para ti Riquelme, um obrigado.
Texto previamente publicado no Letra1.

17 comentários:
Devia ter entrado no Barcelona umas épocas mais tarde...
parafraseando o Toni:
Se o Riquelme tivesse um circo até o anão crescia.
Um carreira recheada de 'malasuertes' na Europa deste fenomenal jogador
Abraço
Aquele penalti falhado no ultimo minuto frente ao Arsenal nas meias finais da Champions...
Caro PB,
Chegasse agora a Barcelona e outro Galo cantaria...
Caro PB,
Chegasse agora a Barcelona e outro Galo cantaria...
Pena não teres aqui ainda aqueles add-ons de partilhar no facebook, ou no google+, senão tinha feito "like" neste post.
Apesar de não haver ( ainda porque acho que vai la chegar ) muito para dizer, reforço a qualidade do detalhe em todas as acções individuais.
Classe pura!
Abraço,
Miguel P.
Gigante! Já agora PB, o que achas de "la brujita" Verón?
Kleber (FC Porto ) na Seleção do Brasil. A vergonha da convocatória em http://benfica2000.blogspot.com/
Antes de mais nada gostava de deixar os meus parabéns aos autores deste blog.Custou-me a perceber que vocês são isentos mas é como diz o provérbio mais vale tarde que nunca.Dito isto já me sinto mais livre para comentar aqui seja o que fôr.Ctos.
Que é um excelente jogador é óbvio. Mas que não tenha tido reconhecimento, especialmente em Argentina onde teve um trato de favor enorme, já não estou de acordo.
E no Barcelona actual? Pois francamente, nessa equipa não tem lugar um futebolista que exige ser o protagonista e que todos joguem para ele -para que ele seja o único director do jogo-, e a seu ritmo. Sinceramente, acho que há outros que são igual de bons, -para mim, bem mais imprevisibles- e que não tiveram o reconhecimento devido. Algum está bem perto, obviamente. E dele parece se ter esquecido o mundo, especialmente em Argentina. Não faz falta dizer que me refiro a Aimar, para meu muito superior e muito pior tratado.
E entre os mais jovens, Pastore parece ter mais recursos ainda que ainda tenha muita margem de melhora.
Riquelme é insuperable em jogos contra equipas lentas e que não lhe fecham espaços -por isso joga bem contra quase todas as selecções americanas-. Mas a coisa muda em frente a equipas européias rápidos, fortes e com mecanismos defensivos.
Visitem http://apaixaofutebol.wordpress.com/ e acompanhem a nossa página do Facebook ( fundo da pagina ) . Vejam também o nosso novo artigo sobre o Sporting .
Obrigado .
Poucos foram os jogadores q me encheram os olhos, e o Riquelme faz parte desse seleto grupo... comparar ele ao Aimar, é uma blasfêmia...
Concordo em parte com o texto, mas também concordo com todo o comentário do Joan Carles.
O Riquelme tem o síndrome da estrela, do protagonista que sabe, e decide, tudo. Mas como o Lateral Esquerdo sempre frisa, este jogo tão simples mas que nos complica tanto a vida (no bom sentido), sempre foi jogado por 11 mais 11 intérpretes. O Riquelme, infelizmente para ele, raramente se apercebeu disso.
Por estes dias, o Nico Gaitán mais rapidamente receberia um convite da minha parte para vir jogar à bola em minha casa, só pra curtir, do que o Riquelme - mesmo que o Youtube nos possa convictamente deliciar com jogadas inesquecíveis do Roman...
Este foi uma das maiores vítimas da burrice que grassa entre os principais treinadores e comentadores do jogo. A "doença" da intensidade com que nos querem convencer que o jogo moderno tem de ser jogado impossibilitou que tivesse uma carreira melhor. Dele foi dito que era o último dos números 10 à antiga, à Laudrup, e não sei se discordo. Sempre o acusaram de egoísmo e de não se saber moldar às exigências do colectivo e do futebol moderno, mas eu penso exactamente o contrário. Perante um jogador destes, é o colectivo e o futebol moderno que têm de se moldar a ele, para tirar o que de melhor pode oferecer. O que seria o Xavi hoje se tivesse crescido em Madrid, por exemplo? Estaria provavelmente no Rayo Vallecano, ou coisa parecida. A jogadores criativos como ele não deveriam nunca exigir que abdicasse de ser quem é para servir as necessidades de uma equipa. A equipa em que ele joga é que deveria perceber a sorte de tê-lo e arranjar maneira de potenciá-lo.
TLD, o Veron é tb um jogador q me marcou mt.
Primeiramente gostava de agradecer aos autores e escritos deste blog pela excelente oportunidade que é poder aprender mais sobre futebol com vocês.
Em segundo lugar, e tentando ser muito breve, quero falar-vos do Riquelme. Fiz exactamente 20 anos no dia em que postaram esta pequena "homenagem". O meu ídolo do futebol é o Riquelme. Joguei futebol federado durante 6 anos da minha vida num clube da capital de Portugal, algo conhecido por ter, supostamente, formado jogadores como João Pereira, Quaresma, Dominguez, etc. O futebol acompanhou-me desde sempre, incutido pelos meus pais e pelo ambiente socio-cultural em que me encaixo, e que me permitia jogar futebol na rua até não existir mais luz natural a iluminar os passeios e as pedras que faziam de poste. Sempre fui gordo e baixinho. Mesmo assim, decidi tentar a minha sorte no clube mencionado anteriormente, e apesar de ter estado 1 ano sem poder ser inscrito (ainda hoje estou para saber o porquê disso mesmo), comecei a jogar por volta dos 10/11 anos, 1º ano de infantil. Apesar de adorar futebol, sempre soube que nunca poderia ter a hipótese de conseguir almejar o meu sonho, ser futebolista e proporcionar uma boa qualidade de vida aos meus pais. E se em parte nunca consegui isso, foi devido a ter tido treinadores, durante os 6 anos que joguei, que nunca perceberam o que é a essência de um jogo de futebol. Como baixo e gordo que era, por mais recepções que soubesse fazer, por mais técnica de passe que tivesse, por mais disciplina táctica que possuísse ou por mais leitura de jogo que interpretasse, fui sempre ultrapassado por outros miúdos como eu, que eram maiores, mais magros e consequentemente mais rápidos. Vivi na angústia imberbe de sentir que era melhor que os outros e saber que nada do que fizesse alterava as opções do treinador. Apesar de ter resistência física, era sempre o último a terminar o sprint,assim como era o único que não sujava os calções no pelado porque o meu espírito de sacrifício e resiliência nunca se expressaram em carrinhos num terreno enlameado ou numa ferida aberta num dos joelhos. Vi sempre o Riquelme (desde os tempos do Barcelona) como um génio incompreendido, tal e qual como eu - estabelecendo as comparações e sabendo interpretar o que aqui está escrito. A maneira como entendia o jogo, a maneira como se desmarcava, a maneira como conduzia a bola, a maneira como tabelava, a maneira como rematava ! Tudo no Riquelme era inspiração para o meu estilo de jogo. Vejo no Riquelme o exemplo máximo da expressão (aqui tantas vezes enunciada, se bem que doutra forma) "a inteligência deveria ser privilegiada no futebol", e a verdade é que não foi; tem vindo a aumentar a percepção intelectual que o jogo tem de ter, mas ainda não é totalmente. Fico felícissimo por terem feito este meu post, sobre um dos meus poucos ídolos, no meu dia de aniversário e que só hoje tive hipótese de o ler. Tenho a esperança de que, um dia, por mais longíquo que possa ser esse mesmo dia, reconheçam a classe, a postura e a inteligência como os 3 adjectivos que melhor caracterizam um "bom jogador de futebol". Um bem hajam e continuem o bom trabalho que tem vindo a ser feito e que eu já sigo há vários anos. Um abraço para vocês todos.
Francisco, o teu comentário é altamente inspirador.
Obrigado.
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