O Sporting não fez um bom jogo. Há quem creia que sim, talvez porque ao contrário dos derbys recentes, o SL Benfica nunca esteve confortável na partida. Porém, apenas do ponto de vista defensivo é possível afirmar que o Sporting conseguiu uma performance superior ao esperado. Ofensivamente, há potencial para muito mais. Curiosamente, o jogo do Estádio da Luz, até pode servir para provar isso mesmo.
Ao contrário do esperado, não foi superior na vertente técnica o SL Benfica. E não foi superior porque vários dos seus jogadores estiveram desinspirados (Gaitán e Saviola. Carlos Martins está sempre), e porque técnicamente os jogadores do Sporting são francamente melhores do que a imagem que é tida deles (Simon, que ainda assim não esteve bem, mas principalmente Matías, Postiga e Valdés).
Tacticamente a superioriade também não foi a esperada. Mas, percebeu-se que o SL Benfica é mais equipa. O Sporting conseguiu durante quase toda a partida anular de forma inteligente quer as investidas em ataque organizado, quer as saídas para o contra ataque do SL Benfica. Revelou-se uma equipa bastante bem preparada para o jogo que era esperado pela parte do seu opositor. Não foi, contudo, capaz de se mostrar preparado para a alteração na dinâmica ofensiva que o SL Benfica operou no últimos quinze minutos do jogo.
Sendo incapaz de chegar com frequência e facilidade ao último terço defensivo do Sporting, com a bola controlada (mérito do Sporting), o SL Benfica, tal como havia feito nos derradeiros minutos do jogo da Liga frente ao Maritimo, apostou num jogo mais físico (mais força que velocidade, na realidade). Excelente Cardozo, a receber e a dar seguimento às inúmeras bolas que então lhe passaram então, a chegar pelo ar.
O plano A do Sporting revelou-se capaz o quanto baste, no momento defensivo. Todavia, não foi nunca o suficientemente forte para contrariar a alteração no jogar do SL Benfica. Muito mérito para o Sporting, pela forma como obrigou o SL Benfica a mudar a sua forma de chegar à frente. Muito mérito para o SL Benfica que mesmo forçado a mudar um pouco a sua identidade, mostrou-se qualitativamente preparado para o fazer.
Destaques individuais.
Cardozo. Perdulário (como é possível continuar a atribuir-lhe a responsabilidade de marcar as grandes penalidades!?), mas extremamente influente no jogo. Parece ter ganho todos os duelos em que participou. Pelo chão, ou pelo ar. Foi ele o factor decisivo no jogo. A confiança nos duelos aéreos era tanta, que foi possível vê-lo por diversas vezes a solicitar que o usassem como referência.
Matías e Valdés. Não por terem feito um jogo extraordinário. Valdés jogou breves minutos. Essencialmente porque se percebe que com eles e mais alguns dos actuais jogadores do plantel, o Sporting tem a base para voltar a aproximar aos dois rivais.
Momento do jogo.
Poderia facilmente ser a perdida de Matias que colocaria o Sporting na final da Taça da Liga. Escolhemos, no entanto, o lance do golo de Javi Garcia, somente para que se perceba como pode um jogador que estava a ter um jogo sofrível, ajudar a desbloquear um jogo, somente porque é bastante inteligente.
O que Saviola tem a mais, Jara tem a menos. Inteligência e capacidade de decidir bem. Jara quer receber a bola no pé, mas Saviola sabe perfeitamente que a melhor opção naquela situação é forçar a profundidade, obrigando o cruzamento a sair sem que a defesa esteja de frente para a bola, ao contrário do que provavelmente Jara tinha na mente. Repare no passe de Saviola (mesmo tendo Jara optado por claramente dar a entender que queria a bola no pé). Para que a bola termine no fundo da baliza é necessário mais um sem número de vicissitudes. Porém, não tivesse Saviola tomado a decisão por Jara, e provavelmente teria sido apenas mais uma bola que os defesas de frente para esta, teriam controlado minimamente.