quinta-feira, 24 de março de 2011

As criticas de Pepe a Queiroz

Não são novidade.

Há cerca de um mês, depois de um jantar com internacionais portugueses, o nosso Sir Luis (profissional de um clube da Premier League)pouco presente aqui na escrita, mas muito activo na informação e troca de ideias, havia referido em privado que a opinião dos jogadores nacionais sobre Carlos Queiroz e o seu adjunto José Guilherme, que há tão pouco tempo passou pela Académica de Coimbra era lastimável.

Aparentemente um défice muito grande de liderança afectava a selecção nacional. Quando um jogador como Pepe não se importa de em público tecer afirmações tão corrosivas quanto as que fez, percebe-se bem a diferença que separava Queiroz de grande parte do grupo de trabalho.

terça-feira, 22 de março de 2011

Nuno Gomes

"Sei perfeitamente os momentos de jogo onde o Nuno Gomes pode render mais: quando a equipa adversária está cansada, com menos concentração, e não tem tanto rigor táctico" Jorge Jesus.

Nuno Gomes foi um avançado de elevado rendimento. Mas, já não é. A verdade é que o ponta de lança de Amarante foi dez vezes mais jogador do que a opinião pública sabe, ou pensa que sabe. Nuno foi o avançado perfeito na selecção portuguesa. Com ele, Luis Figo, João Pinto e Rui Costa brilharam. Com uma compreensão fantástica do que é o jogo, Gomes está na mais encantadora selecção portuguesa a que a memória recente nos permite chegar. E muito do encanto da equipa que disputou o Euro 2000 estava precisamente no seu ponta de lança. A ganhar espaços, a tabelar, e nesse Europeu até a finalizar. Tudo girava em seu torno. À sua volta, os seus colegas pareciam ainda mais galácticos. Foi quando se abdicou dele por Pauleta, que o encanto começou a desvanecer.

Mas, na actualidade, somente a inteligência de Nuno Gomes permanece intacta. As suas capacidades físicas são demasiado débeis até para uma primeira liga. Nuno não é forte, não é veloz, não é ágil. Ainda que tenha marcado inúmeros golos, não é também um finalizador de excelência. Muito dificilmente se consegue enquadrar este Nuno Gomes, numa equipa que se pretenda vencedora. Jesus tem razão, quando afirma que percebe em que momentos Nuno mais pode render. Pedir mais minutos para o português, em jogos que não estejam resolvidos não é na actualidade uma decisão sensata.

Todavia, é sempre bom vê-lo marcar golos e a alimentar o mito. Ele merece. E muito.

domingo, 20 de março de 2011

Van Basten

Só quem seguiu com atenção e rigor as equipas do holandês pode predizer com maior exactidão o que se pode esperar da sua competência.

Os resultados, mesmo que não brilhantes foram interessantes. Ainda que a Holanda por si treinada tenha caído sempre na primeira eliminatória pós fase de grupos, a performance na tal fase que maior regularidade exige foi muito boa. Em 2006, apurou-se no grupo mais cotado do Mundial, e em 2008 obteve a mesma performance no grupo da morte no Europeu. Nove golos marcados em somente três jogos perante Itália, França e Roménia podem transparecer uma primazia por um futebol ofensivo.

É, contudo, prematuro tecer juízos de valor à competência de Van Basten, sem perceber as suas ideias. A Holanda é historicamente uma selecção que previligia o futebol de posse e ataque. Que valoriza as combinações ofensivas e as constantes desmarcações. Que valoriza não só o que o portador da bola pode fazer, mas também o trabalho de todos os restantes jogadores no apoio a quem tem a bola. E esse é o caminho. Mas, terá de ser bem mais que somente isso.

Portanto, não se sabe se o holandês é competente o suficiente para tamanho desafio. Mas, dê ele primazia ao tal futebol ofensivo e estará próximo de ter o perfil desejado. Nesta difícil fase poderá ser complicado almejar o troféu de campeão nacional. Mas, seguramente que não é utópico exigir bom futebol e uma equipa que chegue o mais próximo do final da Liga com aspirações ao tão ambicionado troféu.

Um modelo de jogo acente em pressupostos ofensivos não só conquistará o respeito dos jogadores leoninos, como galvanizará Alvalade. Mas eu, mesmo não me revendo no seu método defensivo, continuo a admirar José Peseiro...

P.S. - Treinar uma selecção requer competências francamente diferentes das que são necessárias para esquematizar e operacionalizar um ano inteiro de trabalho num clube.

P.S. II - No jogo com o União de Leiria, voltou a perceber-se a pouca sapiência táctica de José Couceiro. As sessões de treino sucedem-se e a equipa continua a jogar sem qualquer articulação. Sem bola, inúmeras foram as vezes em que a defesa jogou a quase vinte metros dos médios. O Nuno no ponto 8, revela como crê que será o futebol do futuro. O do Sporting de José Couceiro é seguramente o futebol do passado.  Os defesas posicionam-se à frente da sua grande área, os médios ficam pela linha de meio campo e os avançados tentam estar próximos da grande área adversária. Assim, o futebol é realmente muito simples. E ineficaz, claro.

P.S. III - Pode o Van Basten ensinar Hélder Postiga a finalizar? É que apesar de tantos defeitos no seu futebol, tivesse o Sporting no seu avançado centro alguém que revelasse mestria no momento da finalização e o número de pontos na Liga seria seguramente diferente. Mas, é bom que ninguém pense que essa é a principal diferença para os rivais.

Assim bem rapidinho, antes de voltar ao assunto


Este menino foi o meu primeiro ídolo internacional. Ele e Paulo Futre preencheram os meus sonhos de criança. Grande curiosidade estarem ambos envolvidos nas eleições do Sporting.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Vitória de Guimarães

Tanto jogador interessante, e tão pouco futebol. Individualmente o Vitória está com larguíssima vantagem sobre os demais no top cinco do futebol português. Colectivamente estará provavelmente no fundo.

Manuel Machado que até tem tido bons percursos, e tem sido um treinador capaz de montar rotinas de transição defesa-ataque interessantes, mantém-se preso às suas velhas convicções. Não evoluí nem pretende fazê-lo. Prefere valorizar a qualidade individual alheia quando perde, em detrimento de uma análise mais efectiva à dinâmica que incute nas suas equipas. Dos doze primeiros classificados, o Vitória é quem mais golos sofreu na Liga. Facto não alheio à forma desorganizada como as suas equipas ainda se apresentam em campo.

É lamentável que o treinador vitoriano, que outrora parecia poder almejar algo mais, tenha abdicado de se valorizar em termos de conhecimento, em detrimento de tentativas descabidas de auto promoção.

Rúben Micael e Carlos Martins convocados para a Selecção


Não há que discordar. Compreende-se e aceita-se a convocatória. Lamenta-se sobretudo a falta de qualidade (em quantidade?!) dos médios portugueses. Agora é esperar que a nova fornada de centrocampistas seja bem mais talentosa que a actual.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Rápida de Paris. Dr. Jekyll and Mr. Hyde


A primeira impressão foi terrível. Mas, Roberto foi-nos conquistando. As dificuldades em lances aéreos, são visiveis e não podem ser negadas ou escamoteadas. Porém, é importante não esquecer que o espanhol tem apenas 24 anos. Não parece assim tão arriscado afirmar que entre os postes, Roberto está ao nível dos melhores do mundo. Em Paris voltou a deslumbrar em dois lances de golo iminente dos franceses que culminaram com duas intervenções tão fantásticas quanto decisivas.

Incremente o seu nível nas saídas aos cruzamentos, e tendo até em conta os largos anos de carreira que ainda tem pela frente, o valor pago pelo SL Benfica pela transferência de Roberto não foi tanto assim.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Segunda linha do SL Benfica

Luis Filipe. "O pior jogador do mundo" foi até uma agradável surpresa. Luis Filipe é um estranho caso de inaptidão. Em clubes "menores" revelou-se sempre uma mais valia. Quem não se recorda do talentoso (!?) e veloz extremo da Académica? Ou até do muito capaz lateral do Sporting de Braga? Todavia, todas as suas exibições no SL Benfica foram uma catástrofe. É possível que baqueie na vertente mental do jogo. Ainda que se tenha mostrado pouco coordenado com os colegas de equipa (o que até é compreensível, face à escassa utilização), a verdade é que se esperava menos de um jogador cujas exibições num grande são sempre aterradoras. VEREDICTO - DISPENSAR.

Roderick Miranda. Lamento pelo penalty que cometeu. É que poderá ficar com a sensação que a critica será feita em função de tal lance, quando a realidade é diferente. Percebe-se a dificuldade que sempre existe na passagem para o futebol sénior. Porém, Roderick ainda não mostrou nem um pouco de qualidade. O jogo contra o Olhanense na Taça da Liga havia sido desastroso. Ontem não foi diferente. Se tem potencial, não parece. Diz-se que Jesus gosta dele. Só por isso não é riscado. VEREDICTO - EMPRESTAR.

Jardel. Tem potencial! É forte e com uma passada suficientemente rápida para se poder impor. Percebe-se que ainda procura melhorar o posicionamento. Precisa de mais tempo de treino para demonstrar a qualidade que se adivinha. VEREDICTO - BOM TERCEIRO CENTRAL.

Carole. Quarenta e cinco minutos são absolutamente insuficientes para tecer juízos de valor. A bola não o atrapalhou e só isso já não é mau.

Airton. Tacticamente tem o mesmo nível de Javi Garcia. E isso é um grande elogio. Sabe quando e onde tem de estar. É um jogador muito interessante para o futuro do SL Benfica. Porém, é incapaz de se revelar tão dominador na sua área de acção, quanto o espanhol. Perde imenso para Javi na forma como aborda a 1a bola. Ao nível do passe é também francamente inferior a Javi. Se alguém lhe assegurar que Airton tem maior percentagem de passes correctos, é somente porque o brasileiro passa metade do jogo a devolver a bola aos centrais, nunca recorrendo ao passe vertical que tantos metros permite galgar no campo de jogo, como Javi Garcia por vezes faz. E decide bem, diga-se. É que de cada vez que opta por um tipo de passe diferente do curto e para trás ou para o lado, a bola perde-se nos pés de um qualquer adversário. VEREDICTO - EXCELENTE SEGUNDA LINHA.

Felipe Menezes. Percebe-se que Jesus ainda não o tenha deixado cair. O brasileiro tem muito boa técnica. É porém demasiado lento. Não na passada, mas essencialmente na decisão. Demora uma eternidade a soltar a bola, deixa passar "n" opções para soltar a bola porque parece incapaz de ver o jogo todo. Felipe Menezes seria por certo um excelente jogador para uma equipa portuguesa de segunda linha. Não serve para um clube grande, porém. VEREDICTO - DISPENSADO.

César Peixoto. Muito inteligente e com excelente capacidade técnica. Todavia, o físico não consegue mais acompanhar a mente. É nesta fase da sua carreira demasiado lento a executar e a mover-se para  poder fazer parte do plantel do SL Benfica. O que é uma pena, porque sabe mais de futebol que qualquer outro. VEREDICTO - DISPENSADO.

Alan Kardec. Uma pré-época de excelente nível parecia adivinhar uma temporada diferente. É óbvio que é tecnicamente demasiado limitado. Não denota capacidade para participar na dinâmica ofensiva do SL Benfica, assente em tabelas e futebol apoiado em espaços demasiado curtos, para o que precisa para dominar a bola. É um bom finalizador, mas nem aí tem sido feliz. Nélson Oliveira é jovem, é português, e seguramente que não renderia menos. VEREDICTO - EMPRESTADO.

Franco Jara. Desde cedo que se percebeu que toda aquela disponibilidade e capacidade física poderia ser bastante útil. Jara tem crescido com Jesus. Não melhorou de forma extraordinária, ao nível da decisão (seu principal handicap), mas também aí incrementou o seu rendimento. Não será nunca um jogador criativo, mas é hoje um jogador que perde muito menos a bola do que no passado. E tal, é absolutamente decisivo. Remata muito forte e com ambos os pés. Não parece que venha a tornar-se um goleador, mas pelas suas capacidades físicas pode, desde que integrado num modelo que o potencie, vir a atingir um nível elevado. Mesmo não sendo habilidoso, nem especialmente inteligente. VEREDICTO - EXCELENTE SEGUNDA LINHA

sábado, 12 de março de 2011

O Sporting precisa de Adebayor

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E muito. Um avançado de qualidade indiscutível e capaz de fazer a diferença é do ponto de vista das individualidades o que mais falta faz ao actual Sporting. Porém, não precisa mais de Adebayor que de um treinador exímio na vertente táctica do jogo.

José Couceiro é uma solução a prazo, e não faz sequer sentido tecer juízos de valor à competência do actual treinador leonino. A menos que alguém possa pensar que fará sentido que este se mantenha em funções para lá da presente época. Na improbabilidade de alguém crer nessa opção, fica aqui o recado. Dificilmente Couceiro é melhor treinador que Paulo Sérgio. Não é pelo seu percurso acidentado, rico em derrotas. É mesmo porque as suas equipas sempre se pautaram pela crise de identidade. Pelo facto de serem somente onze jogadores amontoados em campo, sem qualquer lógica ou modelo pré-definido. José Couceiro nunca foi bom treinador e ainda que actualmente não tenha tido tempo para implementar as suas ideias, e ainda que possa ser muito injusto afirmá-lo tão precocemente, é impossível não crer que com outra capacidade de compreensão dos princípios do jogo e com mestria táctica, mesmo com somente quinze dias de trabalho, seria capaz de ter uma equipa sua a não ser subjugada durante (quase) uma partida inteira.

É bem provável que a principal diferença que separa Paulo Sérgio de Couceiro, seja a boa liderança do ex-treinador do Sporting. Com ele, sempre havia vontade de ir à luta, mesmo que fosse somente para apanhar, como tão bem afirmou.

P.S. - Há que aproveitar como nunca o factor casa. Com as saídas de dificuldade elevada que ainda estão por fazer, tal será determinante.

P.S. II - Como bem afirmou Carlos Brito, não se pode centrar toda a análise do jogo na incapacidade do Sporting. O Rio Ave foi uma surpresa bem agradável. Está de parabéns o treinador vilacondense. O Rio Ave joga bem mais (se for sempre assim) que dois terços das equipas da Liga.

P.S. III - Atenção a Júlio Alves. Primeiro ano de sénior e muita maturidade. É claramente um jogador a seguir.

P.S. IV - Dificilmente o Sporting perderá o terceiro lugar. Todavia, tal não é uma afirmação que mostre empatia pelo futebol leonino. É que quem vem atrás (Vitória de Guimarães) não tem uma ponta de qualidade colectiva. Manuel Machado com a qualidade individual de um Beira Mar desceria de divisão. Mas, atenção ao Sporting de Braga. O Paços joga muito, e tem valorizado muito os seus activos. Todavia, não joga com as mesmas armas.

P.S. V - Mais uma época como a actual, e o Sporting estará preparado para vender Rui Patrício por 20 Milhões. Porém, todos os outros juntos não perfarão um terço do valor do melhor guarda redes português da actualidade.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Curtas europeias

- Três jogos, três vitórias. Performance fantástica em termos de pontuação. Porém, não abre as mesmas expectativas para a segunda mão aos três clubes. O FC Porto como que garantiu o apuramento, num campo difícil e num jogo com um adversário terrível. Resultado não menos extraordinário obteve o Sporting de Braga. Somente a diferença abismal de valores individuais nos permite pensar que o Liverpool continua favorito, apesar de tão interessante resultado bracarense. Menos bom o SL Benfica. Ainda que parta em vantagem na eliminatória, é impossível não pensar no quão difícil será o jogo em Paris. A mesma estratégia de Estugarda precisa-se.

- Com demasiados jogadores a um nível bem diminuto (Gaitán, Salvio principalmente) valeu ao SL Benfica ser uma equipa bem organizada tácticamente. Não fosse a boa distribuição posicional pelo relvado a cada momento, e exibição tão medíocre de tantos jogadores poderia ter senteciado a eliminatória, em desfavor dos encarnados.

- A força do colectivo encarnado ficou bem patente na forma como mesmo com as individualidades em sub rendimento, a equipa conseguiu chegar à vitória. Todavia, é impossível dissociar o melhor momento do Benfica no jogo, com a presença de Pablo Aimar. O argentino é bem capaz de ser o melhor jogador do SL Benfica a ter pisado o relvado do novo estádio da luz. Deixar Aimar sair no final da época será um erro tremendo. E Gaitán não acrescentará um terço da qualidade de definição de Aimar, tão importante naquela zona do campo.

- Muita qualidade e opções variadas no meio campo do FC Porto. A arte de Beluschi, a disponibilidade de João Moutinho, a força de Guarin ou a simplicidade de Rúben Micael, são opções credíveis e valorosas de Villas Boas.

- Confirmando-se a eliminação de Manchester City e Zenit, a Liga Europa fica cada vez mais apetecível. Villareal e Liverpool (!?) serão os maiores obstáculos a uma presença portuguesa na final de Dublin. Mas, o SL Benfica ainda tem uma final para disputar em Paris, antes de poder fazer contas.

terça-feira, 8 de março de 2011

Curtas

- Paços de Ferreira apurado para a final da taça da liga. O futebol agradece. O Paços de Rui Vitória é uma das mais excitantes equipas portuguesas dos últimos anos. Os resultados não têm aparecido por acaso. Há qualidade e há um bom processo de treino. A final da Taça da Liga promete ser um jogo bem entretido.

- Se dúvidas houvessem quanto à possibilidade de o SL Benfica chegar à vitória na Liga, foram todas dissipadas na jornada deste fim de semana. Não há que desvalorizar Jorge Jesus, nem os seus jogadores. A performance na liga tem sido francamente boa, mesmo pensando nos três pontos nas primeiras quatro jornadas. O FC Porto é que nunca cedeu e prepara-se para bater o recorde de pontuação. Quando assim é, não se deve desvalorizar quem termina atrás. Se juntarmos os dezasseis melhores treinadores do mundo na mesma liga, um deles terminará em último. Certo?

- Em boa hora voltou Falcao. É o melhor ponta de lança da Liga. Com uma agilidade extraordinária, o colombiano não tem apenas o condão de finalizar com mestria as oportunidades que vão surgindo. Sabe desmarcar-se (seja em apoio, ou em ruptura) como poucos.

- Algum conforto na luta pelo terceiro lugar para o Sporting. Mais duas vitórias consecutivas (Rio Ave e Leiria) darão uma margem, quem sabe suficiente, para o que ainda se seguirá (Guimarães, Sp.Braga e FC Porto). Ninguém acredita que com o futebol que pratica, o Vitória possa conseguir assim tantos pontos.

- A derrota do SL Benfica em Sp.Braga poderá tornar-se num factor determinante para a boa prova europeia dos clubes portugueses. SL Benfica e FC Porto podem agora centrar-se na prova europeia. Não haverá jogos fáceis, nem eliminatórias com probabilidades diferentes dos tradicionais cinquenta - cinquenta. Mas que não se dúvide que ambos têm qualidade para poder chegar à final.

- Com a recuperação de Valdés e a integração de Matias, é possível que Alvalade volte a ter futebol atractivo. Todavia, nada será obtido sem um bom trabalho de campo durante a semana.

- Roberto outra vez no melhor e no pior. Antes de oferecer o empate ao Sp. Braga terá realizado aquela que é provavelmente a melhor defesa em jogos da Liga na presente temporada. Chegará?

- O Barcelona tem o melhor futebol do mundo. E só por isso, há que desejar que vençam sempre. Porém, não é fácil aceitar a expulsão de Van Persie. Seguramente que numa prova europeia, nunca um jogador culé terminou o jogo mais cedo por igual gesto.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Deu Benfica

O Sporting não fez um bom jogo. Há quem creia que sim, talvez porque ao contrário dos derbys recentes, o SL Benfica nunca esteve confortável na partida. Porém, apenas do ponto de vista defensivo é possível afirmar que o Sporting conseguiu uma performance superior ao esperado. Ofensivamente, há potencial para muito mais. Curiosamente, o jogo do Estádio da Luz, até pode servir para provar isso mesmo.

Ao contrário do esperado, não foi superior na vertente técnica o SL Benfica. E não foi superior porque vários dos seus jogadores estiveram desinspirados (Gaitán e Saviola. Carlos Martins está sempre), e porque técnicamente os jogadores do Sporting são francamente melhores do que a imagem que é tida deles (Simon, que ainda assim não esteve bem, mas principalmente Matías, Postiga e Valdés).

Tacticamente a superioriade também não foi a esperada. Mas, percebeu-se que o SL Benfica é mais equipa. O Sporting conseguiu durante quase toda a partida anular de forma inteligente quer as investidas em ataque organizado, quer as saídas para o contra ataque do SL Benfica. Revelou-se uma equipa bastante bem preparada para o jogo que era esperado pela parte do seu opositor. Não foi, contudo, capaz de se mostrar preparado para a alteração na dinâmica ofensiva que o SL Benfica operou no últimos quinze minutos do jogo.

Sendo incapaz de chegar com frequência e facilidade ao último terço defensivo do Sporting, com a bola controlada (mérito do Sporting), o SL Benfica, tal como havia feito nos derradeiros minutos do jogo da Liga frente ao Maritimo, apostou num jogo mais físico (mais força que velocidade, na realidade). Excelente Cardozo, a receber e a dar seguimento às inúmeras bolas que então lhe passaram então, a chegar pelo ar.

O plano A do Sporting revelou-se capaz o quanto baste, no momento defensivo. Todavia, não foi nunca o suficientemente forte para contrariar a alteração no jogar do SL Benfica. Muito mérito para o Sporting, pela forma como obrigou o SL Benfica a mudar a sua forma de chegar à frente. Muito mérito para o SL Benfica que mesmo forçado a mudar um pouco a sua identidade, mostrou-se qualitativamente preparado para o fazer.

Destaques individuais.

Cardozo. Perdulário (como é possível continuar a atribuir-lhe a responsabilidade de marcar as grandes penalidades!?), mas extremamente influente no jogo. Parece ter ganho todos os duelos em que participou. Pelo chão, ou pelo ar. Foi ele o factor decisivo no jogo. A confiança nos duelos aéreos era tanta, que foi possível vê-lo por diversas vezes a solicitar que o usassem como referência.
Matías e Valdés. Não por terem feito um jogo extraordinário. Valdés jogou breves minutos. Essencialmente porque se percebe que com eles e mais alguns dos actuais jogadores do plantel, o Sporting tem a base para voltar a aproximar aos dois rivais.

Momento do jogo.

Poderia facilmente ser a perdida de Matias que colocaria o Sporting na final da Taça da Liga. Escolhemos, no entanto, o lance do golo de Javi Garcia, somente para que se perceba como pode um jogador que estava a ter um jogo sofrível, ajudar a desbloquear um jogo, somente porque é bastante inteligente.



O que Saviola tem a mais, Jara tem a menos. Inteligência e capacidade de decidir bem. Jara quer receber a bola no pé, mas Saviola sabe perfeitamente que a melhor opção naquela situação é forçar a profundidade, obrigando o cruzamento a sair sem que a defesa esteja de frente para a bola, ao contrário do que provavelmente Jara tinha na mente. Repare no passe de Saviola (mesmo tendo Jara optado por claramente dar a entender que queria a bola no pé). Para que a bola termine no fundo da baliza é necessário mais um sem número de vicissitudes. Porém, não tivesse Saviola tomado a decisão por Jara, e provavelmente teria sido apenas mais uma bola que os defesas de frente para esta, teriam controlado minimamente.

terça-feira, 1 de março de 2011