sábado, 30 de Abril de 2011

Curta do Real x Barcelona. A Queironização de Mourinho.

Antes de prosseguir espreite a etiqueta. Mourinho.

Já está? Verdade, José Mourinho é a maior referência que se pode ter como treinador de futebol.

Talvez por isso, custe tanto a aceitar os onzes iniciais que Mourinho vem apresentando nos jogos com o Barcelona. Mesmo para a segunda melhor equipa do mundo, perder para o Barcelona é algo natural. É que os culés são a melhor equipa da história. O que não pode ser tido como natural é que perante um desnível não tão acentuado assim de individualidades (o estratosférico Messi é a excepção), Mourinho remeta o Real a uma postura tão defensiva quanto a que qualquer outra equipa de terceiro escalão adoptaria.

Se se deve aceitar sem sobressalto o já expectável triunfo dos catalães na Liga, parece que o Real teria obrigação de dar mais luta numa prova a eliminar que aquela que parece disposto a dar.

Mourinho ficou a dever-nos um grande jogo no Bernabéu. Todos percebemos que a melhor forma de parar o Barça é conseguir em todos os momentos muita concentração sobre o lado e o portador da bola. Será que tal só se consegue com jogadores de características defensivas? Honestamente, abdicar de Kaká, Ozil (no jogo da Liga) e de jogar com um avançado centro para colocar Pepe no meio campo, ao lado de Lass e Alonso é uma decisão quase criminosa. Perdeu o espectáculo e perdeu o Real.

terça-feira, 26 de Abril de 2011

There must be something about Alex


E não é Queiróz. Como em tempos, cheguei a pensar. Confesso.

segunda-feira, 25 de Abril de 2011

O SL Benfica na final da Taça da Liga

Positivo:

- Boa dinâmica ofensiva na primeira meia hora;

- Exibição de Pablo Aimar. Disponível para participar em todos os momentos do jogo, impressiona a forma como orienta os seus colegas. Apesar do seu elevado estatuto denota ser quem mais quer vencer. Um exemplo como poucos no mundo do futebol;

- Maxi Pereira. Joga sempre nos limites. Por isso, concede demasiados livres e vê muitos cartões. Todavia, a intensidade que coloca a cada jogada contagia a equipa e o público. É um exemplo de entrega de quem não sendo talentoso, conquistou um espaço muito importante no SL Benfica;

- Fábio Coentrão. Nem foi dos seus melhores jogos. Ainda assim, tem energia que nunca se esgota. O seu talento e persistência tem permitido ao SL Benfica chegar ao golo por diversas ocasiões. O golo de Jara foi mais um;

- Demonstração de que em caso de necessidade, Javi e Airton serão capazes de "fechar" um jogo. O brasileiro entrou e ofensivamente o SL Benfica como que desistiu do jogo. Todavia, a equipa reorganizou-se com mais gente próxima da linha defensiva. A partir desse momento, não mais o Paços de Ferreira foi capaz de chegar às imediações da grande área de Moreira. Quando por entreajuda Javi juntava à linha defensiva, por Airton, o Benfica continuava a ser dominador no espaço imediatamente à frente dos centrais.

Negativo:

- Ansiedade demonstrada pelos jogadores. A partir do momento em que se sentiu que o jogo poderia mudar de sentido, sucederam-se as más decisões com bola. Facto que impediu o Benfica de continuar a ser dominador. E quando não se tem a bola, por melhor que se defenda, há sempre a possibilidade de consentir golo;

- Franco Jara. Tem golos. Mas, há que desconfiar. Todas as suas perdas de bola e todos os lances em que expôe em demasia a equipa pelos seus erros, serão compensadas pelos golos que vai marcando? Honestamente, não parece.

- Cardozo. Não entrou no jogo. Demonstra ansiedade, mas foi sempre capaz de sair destes momentos com golos. Há que confiar nele.

- Poucas soluções face às lesões de Amorim, Salvio e Gaitán. Situação à qual não foi alheia a subida de Fábio Coentrão no campo de jogo.

domingo, 24 de Abril de 2011

O vencedor da final da Taça da Liga (Curtíssima)


Foi ele. Melhor em campo, terá ganho um lugar no plantel da equipa vencedora. Este é um talento que não se pode desperdiçar.

quinta-feira, 21 de Abril de 2011

E tudo o Villas Boas levou

Do clássico de domingo haviamos dito ter sido um dos mais desequilibrados de sempre. Pois bem, eis que ontem no Estádio da Luz, tal voltou a acontecer.

Não é possível gostar da versão revista e aumentada (pela interligação que Javi faz com a linha defensiva) do 442 de Quique Flores. Haviamos referido que as lesões de Gaitán e Sálvio poderiam ser benéficas, se levassem Jorge Jesus a optar por um triângulo a meio campo. Não o fez, contudo. De que serve ter alas se não é nos corredores laterais que decorre o jogo. Ainda para mais quando sendo incapazes de provocar um único desequilibrio (Peixoto) não têm apoios perto. Ou mais grave, quando oferecem incessantemente, pela má tomada de decisão contra-ataques ao adversário (Jara).

Parecia óbvio que a possibilidade de equilibrar o jogo teria de passar pelo aproximar de Martins e Peixoto a Javi, deixando Aimar nas costas dos dois avançados.

Não se concentre porém a análise ao jogo da Taça de Portugal, nas debilidades do SL Benfica. É que do outro lado esteve uma equipa absolutamente fantástica!

Mérito para Villas Boas. Tacticamente, o FC Porto chega próximo da perfeição. Deixa o adversário sem tempo nem espaço para poder sequer respirar. Sem bola, o campo fica tão curto, que nem mesmo os mais talentosos jogadores conseguem encontrar espaços. O bloqueio às saídas para o ataque do adversário funciona na perfeição (reparou como a bola não saiu por Javi uma única vez?). Todavia, na segunda parte, foi o comportamento com bola que impressionou. A velocidade com que a partir de determinado momento o FC Porto foi capaz de circular a bola, só tem paralelo em equipas de Ligas muito superiores. Fazer rápido é possível. Fazer bem, também. Rápido e de forma tão assertiva, são poucas as equipas na europa que o conseguem. A permanente troca de bola, o explorar de todas as opções, estejam elas no corredor central ou nos laterais, o jogar colectivo bem presente na forma como ninguém precisa de levantar a cabeça para saber onde estará o colega, dizimou por completo a equipa de Jorge Jesus.

Nos três clássicos ganhos de forma superior, foi possível aferir a competência deste FC Porto. A lamentar a ausência na Liga dos Campeões. Com todo este futebol e com sorteios favoráveis (essencialmente no evitar de Barcelona e Real Madrid) esta equipa poderia ter chegado ainda mais longe.

P.S. - Quando Villas Boas partir, João Moutinho será muito provavelmente o primeiro pedido especial ao novo presidente.

quarta-feira, 20 de Abril de 2011

As lesões de Gaitán e Sálvio

Se no jogo com o FC Porto, servirem para que Jesus aproxime dois interiores de Javi Garcia (Peixoto e Martins!?), abdicando do tradicional 4x1x3x2, e também do alternativo 4x4x2, com dois médios centros lado a lado no corredor central, e dois alas (utilizado no jogo anterior com o Beira Mar. Martins e Airton lado a lado, com Jara na ala direita, e Aimar a avançado), serão até positivas para as aspirações do SL Benfica.

terça-feira, 19 de Abril de 2011

Competência e confiança.

Um FC Porto arrasador, ainda que o resultado não o tenha demonstrado e pudesse até ter sido diferente.

No Futebol valoriza-se, e bem, em demasia os aspectos psicológicos. Não se pode é pensar que tal factor de rendimento é mais decisivo que a competência táctica. Isto porque, a confiança chega essencialmente fruto da tal competência. Ainda que, por vezes determinadas equipas vivam do momento, as melhores são as mais regulares. Essas, não dependem dos factores anímicos. Pelo contrário, a tal confiança e superioridade psicológica advém da percepção que cada jogador tem do seu valor e do da sua equipa.

Se o FC Porto é hoje uma equipa extremamente moralizada e crente das suas capacidades, é porque o modelo de jogo implantado nos treinos por André Villas Boas tem correspondência nos jogos.

A forma como o clássico decorreu (na sua vertente técnico-táctica) legitimou todo o avanço que o FC Porto tem sobre o seu rival directo. Poucas vezes num jogo desta natureza pareceu haver tão grande desnível. Ainda que já tenhamos presenciado resultados mais expressivos.

Em traços gerais, parece ser correcto afirmar que o jogo de domingo resumiu a época de uma e outra equipa. Competência - Confiança. Incompetência - Desconfiança (das suas próprias capacidades).

Notas individuais:

Rui Patrício. Relembro com algum orgulho que o guarda redes leonino vem percorrendo o caminho que já aqui haviamos traçado algumas épocas atrás. Não haverão muitos guarda redes por esse mundo fora, que com a idade de Patrício estejam ao seu nível. O jogo do Dragão também resume a sua época. O melhor jogador do Sporting.

Falcao. Faltam adjectivos para definir o quão bom o colombiano é na zona de finalização. Na área é um verdadeiro fenómeno a nível mundial. Os trinta milhões da sua cláusula começam a parecer pouco para tamanha agilidade, capacidade para se desmarcar, simplicidade de processos quando está mais longe da baliza e claro, "faro" pelo golo.

domingo, 17 de Abril de 2011

Do Porto ao Sporting. De Falcao a Postiga.


A diferença é mais ou menos a mesma.

sexta-feira, 15 de Abril de 2011

Jorge Jesus e o bloco baixo. Onde se fala do FC Porto, também.

A pressão alta das equipas de Jesus é absolutamente admirável. Foi campeão nacional, fez e continua a fazer inúmeros golos fruto de tão interessante e espectacular traço das suas equipas.

Todavia, deverá haver vida para além da dita pressão alta. No dragão, por ter menos um elemento em campo, forçado a defender mais baixo e de forma mais compacta, o SL Benfica mostrou que pode ser uma equipa competente mesmo mudando um pouco a sua identidade. Vários são os jogadores que se sentem confortáveis nesse tipo de registo. Luisão, à cabeça. Não esquecer Javi e, até Jardel parece extremamente forte nesse tipo de jogo.

A opção pelo bloco sempre demasiado alto e pressionante é portanto parte integrante de uma estratégia, que não resulta de uma qualquer incapacidade dos jogadores do SL Benfica adoptarem outra.

Jogando alto, obrigando o adversário a sair por futebol directo, o Benfica com o excelente trabalho de Luisão, Jardel e Javi consegue regra geral manter o adversário no seu meio campo defensivo. Contudo, se mesmo bem subido a equipa de Jesus consegue uma performance no momento da organização defensiva notória, há que perceber que nos momentos de transição, o Benfica não está ao nível da forma como defende em organização. O principal perigo em jogos de elevada dificuldade, tem partido dos próprios jogadores encarnados. A cada golo sofrido, o traço comum parece ser uma perda de bola desnecessária.

E se assim o é. Porque não, depedendo do contexto de cada jogo, adoptar uma estratégia diferente? Faz algum sentido com um resultado de 4-1, sofrer-se dois golos em situações de contra-ataque? Fará sentido o SL Benfica adiantar demasiados jogadores para a frente da linha da bola, na partida da próxima quarta feira, expondo demasiado os seus defesas a potencias perdas de bola!?

A pressão alta e o dominio territorial do jogo são características que devem ser muito valorizadas. Mas, há contextos em que tais situações não serão as mais indicadas.

O FC Porto é uma equipa única na forma como explora as transições ofensivas (mérito para os três da frente). O SL Benfica é uma equipa extremamente débil na forma como defende tais situações. Com uma vantagem de dois golos, fará sentido ser surpreendido em contra-ataque, como aconteceu em Eindhoven? Tem a palavra Jorge Jesus.

quinta-feira, 14 de Abril de 2011

Curta de Eindhoven. A estatística.


Minuto 25. Carlos Martins com a bola. Saviola no corredor central, em zona perigosa com dois adversários a pressionarem. Martins endossa a bola para o colega que naturalmente não a consegue conservar. Contra-ataque e golo.

Daí até ao fim, ouviu-se vezes sem conta o comentador referir que Saviola esteve na origem do golo sofrido. Por certo que encontrará inúmeras estatísticas a referir o mesmo. Afinal, não foi Carlos Martins que perdeu a bola.

A recepção e Yannick Djaló.

Talvez seja errado crer que há gestos técnicos mais importantes que outros. Porém, se há um gesto que na técnica deve ser realmente valorizado, esse é o da recepção. Num período em que o espaço de jogo é cada vez mais diminuto, receber a bola não é mais, apenas perservá-la após um passe.

O conceito de recepção dirigida surge precisamente num momento em que para além de preservar a bola, o primeiro contacto com esta deve servir desde logo para desiquilibrar o adversário ou dar seguimento ao ataque.

Yannick Djaló é um jogador com algumas qualidades. Para além da sua velocidade, tem uma facilidade no momento da finalização, que por exemplo Hélder Postiga não tem. Todavia, o seu primeiro toque na bola é regra geral desastroso. Sem capacidade técnica para cumprir com mestria e regularidade tão importante gesto, Djaló nunca poderá ser tido como um jogador importante no onze inicial de uma equipa que pretenda sagrar-se campeã nacional em Portugal. É difícil imaginar que algum treinador no mundo consiga potenciar o ainda jovem jogador do Sporting. Seria mais fácil trabalhar alguém cuja debilidade fosse táctica.

A ser verdade as noticias que chegam de potenciais interessados em Yannick, o Sporting não deverá hesitar. Mesmo que Djaló seja um homem da casa.

P.S. - Mesmo no jogo em que foi extremamente feliz, poucos minutos antes de fazer dois golos de belo efeito contra os estudantes, Djaló teve oportunidade de se isolar perante o guardião adversário. Como em tantos outros lances de tantos outros jogos, foi a sua péssima recepção que o impediu de ser feliz.

terça-feira, 12 de Abril de 2011

Quando o Roberto precisar de moral

É meter o Júlio César. Já resultou uma vez. Resultará de novo?

"Nos treinos é um verdadeiro fenómeno. Nos jogos grandes está sempre demasiado nervoso. Se ultrapassar isso, pode até vir a ser o melhor do mundo". Inside opinion.

domingo, 10 de Abril de 2011

Segunda linha do SL Benfica II

Luís Filipe. A experência de o ter tem sido tão traumatizante que as notícias dão-nos conta da chegada de dois novos laterais direitos. Seguramente que não terão menos classe que Luís Filipe. O último lance do jogo é a cara do jogador. Tempo, espaço. Olha para um lado, olha para o outro e remata desajeitadamente ao boneco. Justiça lhe seja feita, contudo. Apesar da notória falta de classe, não comprometeu tanto quanto é costume.

Roderick Miranda. Diz-se que é um central com um potencial enorme. Talvez seja apenas azar meu. É que dos jogos vistos, Roderick revelou lacunas em todos os aspectos. É fraco técnica e tacticamente, aborda de forma errada a generalidade dos lances e fisicamente também deixa imenso a desejar. Ainda que tal seja um traço comum a jogadores de tão tenra sua idade. Resumidamente, se tem um pingo de pontencial, está a enganar bem.

Carole. A agradável surpresa. Boa técnica e com características físicas interessantes, o francês pela idade que tem e pelo valor pago, foi uma contratação muito interessante. Claramente com valor para permanecer no plantel.

Airton. É um jogador inteligente. Quando joga com a primeira linha não se nota em demasiado a ausência do titular habitual. No meio de tanta mediocridade parece menos bom do que aquilo que realmente é. É uma excelente segunda opção para a posição de trinco no modelo de Jorge Jesus.

Felipe Menezes. Tão poucos e injustificados minutos de competição pelo SL Benfica, e é bem capaz de já ter dado mais toques na bola que aqueles que as botas de Aimar já experimentaram. Esse é um bom indício de que algo não pode estar bem no jogo do brasileiro. As suas decisões são exasperantes. Quando solta a bola, fá-lo sempre demasiado tarde. David Simão é cinco vezes mais jogador que Menezes.

César Peixoto. Copy Paste do jogo da Luz com o Portimonense. "Muito inteligente e com excelente capacidade técnica. Todavia, o físico não consegue mais acompanhar a mente. É nesta fase da sua carreira demasiado lento a executar e a mover-se para poder fazer parte do plantel do SL Benfica. O que é uma pena, porque sabe mais de futebol que qualquer outro."

Carlos Martins. É demasiado complicativo, e não nos referimos ao seu carácter. Somente às suas decisões com bola. Soma perdas de bola a um ritmo elevadíssimo. É óbvio que tem alguns bons traços. Todavia, relembrando o elevado salário, justificará o rendimento de Carlos, a sua permanência no SL Benfica? A ser verdade as notícias que dão como certa a partida de um dos 10 do SL Benfica, jamais poderão haver dúvidas sobre quem deve sair.

Franco Jara. Usasse o cérebro e seria um jogador de nível europeu. Mas Jara simplesmente não o usa. Outro que soma más decisões a cada lance que intervém. Com todo aquele poderia físico, poderia ser um jogador letal. O potencial existe, mas Jara dependerá sempre de um modelo de jogo que procure potenciar as suas características. Pela sua velocidade e capacidade para se libertar dos adversários pode tornar-se útil nas saídas para o contra-ataque. Quando joga com os titulares, por não se sentir tão confortável para optar pelos seus lances individuais, o seu rendimento sobe.

Alan Kardec. No jogo aéreo finaliza com imensa qualidade. Mas, essa é bem capaz de ser a única característica interessante de Kardec. Novamente ausente do jogo. Incapaz de ganhar uma única primeira bola e de a conservar, Kardec por apenas ter qualidade para participar no momento da finalização é um jogador a menos em campo.

sábado, 9 de Abril de 2011

Sidnei e Roberto

Já aqui foram tecidos elogios a um e outro. Acreditamos que tecnicamente, e tacticamente no caso de Sidnei, ambos têm o que é preciso. Por essas características e pela sua juventude, são jogadores com um potencial imenso.

Todavia, um e outro têm cometido erros, que ainda que pontuais, por vezes, se revelaram decisivos. Os bons jogos e até os bons períodos exibicionais que o guarda redes e o defesa central passaram não podem ser esquecidos no momento de avaliar o rendimento de ambos. Porém, num clube da dimensão do SL Benfica, tal é insuficiente para se poder fazer carreira.

Com a transferência de David Luiz, Sidnei teve uma oportunidade de ouro para poder demonstrar a qualidade que o seu potencial adivinha. Contudo, demasiada intranquilidade, bem patente na forma como abordou vários lances, em diferentes jogos, parece tê-lo relegado para o banco. Se por lá continuar, todos teremos consciência que Sidnei poderia ter feito uma carreira diferente.

Em ambos, e porque há qualidades que são inegáveis, o que transparece essencialmente, como factor decisivo para o insucesso é a bem possível incapacidade para lidar com a pressão.

Ambos terão mais oportunidades e poderão provar que não está no terceiro factor de rendimento do futebol o seu principal handicap. Mas, se de momento esse é um pensamento legitimo, a responsabilidade é de Roberto e de Sidnei, que não foram capazes de aproveitar a oportunidade que lhes foi concedida.

P.S. - Impressionou logo nos poucos minutos em Alvalade. Jardel tem agora a oportunidade que Sidnei desaproveitou. Seja capaz de demonstrar que não atravessa somente um bom período, mas que as suas recentes exibições (Paços de Ferreira e PSV) são essencialmente fruto da sua qualidade, e Sidnei dificilmente voltará tão cedo ao onze inicial.

terça-feira, 5 de Abril de 2011

Como Villas Boas contornou a pressão que as equipas de Jorge Jesus sempre fazem

Depois de um Sporting - SL Benfica, extremamente mal preparado do ponto de vista estratégico por Paulo Sérgio, afirmámos que parecia quase inconcebível o Sporting não se ter mostrado preparado tacticamente para a pressão que já se sabe, o SL Benfica sempre faz.


No jogo que consagrou o FC Porto como campeão nacional, André Villas Boas foi mais longe e mostrou toda a sua astúcia.

Preparou o tal passe longo na direcção do corredor lateral onde estava Hulk ou Varela, mas antes, fez sempre a bola entrar no lateral do lado oposto. No fundo, Fucile ou Alvaro Pereira "chamavam" a equipa do SL Benfica e através de um passe longo na direcção do extremo do lado oposto, tiravam a bola da zona de maior concentração de jogadores benfiquistas. Uma opção francamente melhor que sair pelo pontapé de baliza do guarda redes. Isto porque, os laterais recebem a bola uns bons metros mais à frente que a marca da pequena área onde é cobrado o pontapé de baliza, podendo dessa forma fazer a bola chegar mais longe. A qualidade de passe dos laterais será também, um factor importante a ter em conta, quando comparada com a do guarda redes.

P.S. - O jogo da taça promete inovações. Jorge Jesus também gosta de trabalhar na vertente estratégica. Se na ocupação do espaço, seguramente que teremos um Benfica mais equilibrado no corredor central, resta perceber quais serão as diferenças na dinâmica encarnada para mais um confronto de elevado nível táctico.

segunda-feira, 4 de Abril de 2011

Villas Boas prova superioridade na Luz e sagra-se campeão

Excelente a forma como as zonas de pressão do FC Porto funcionaram. Brilhante o comportamento táctico defensivo no momento de impedir que o SL Benfica saisse a jogar com qualidade para o ataque. Tentasse sair pela direita, pelo centro ou pela esquerda, o Benfica encontrou sempre um adversário em vantagem numérica. Percebeu-se que Villas Boas conhece o SL Benfica de Jorge Jesus como ninguém. Mais do que qualquer jogador, a vitória na luz foi a vitória de uma estratégia muito bem pensada pelo treinador do FC Porto.

No plano ofensivo, a maior virtude foi/é a forma rápida e assertiva como os médios são capazes de retirar a bola das zonas de pressão adversária, colocando-a nos pés do extremo do lado contrário. Quanto mais rápido a equipa portista o faz, mais tempo e maior possibiliadde de sucesso para enfrentar as situações de 1x1 Hulk e Varela têm.

Apesar do imenso mérito de Villas Boas, é impossível não considerar algumas más decisões de Jorge Jesus no clássico.

O treinador encarnado, que no clássico anterior parecera ter percebido a fórmula do sucesso para vencer o FC Porto, não foi capaz de a repetir. Nico Gaitán e Salvio são extremos, não médios interiores. Por mais que Jesus queira, os seus extremos, porque estão demasiado longe, e porque nem sempre estão disponíveis mentalmente e fisicamente para o fazer, demoram eternidades a fechar no corredor central junto a Javi Garcia. Muitos continuam a ser os momentos em que na equipa do Benfica, sobram somente 5 jogadores para defender. Se defrontando equipas de segunda linha, tal não se revelou nunca fatidico, jogar desta forma contra o FC Porto valeu três derrotas, em três jogos. Todas elas de forma bastante justa, diga-se.

A ausência de Cardozo foi também absolutamente decisiva. Preso nas suas saídas para o ataque, e sem a habitual e francamente boa referência ofensiva, O SL Benfica ficou sem soluções.

Na segunda parte, com as entradas de César Peixoto e Cardozo, com o corredor central mais preenchido e com a exibição muito boa do paraguaio (até ao disparate final) tanto a receber a bola, como a entregá-la sempre jogável, o SL Benfica conseguiu jogar mais tempo no meio campo adversário. O incremento da qualidade não foi, contudo, suficiente para chegar ao empate.