segunda-feira, 27 de Junho de 2011

Primeiro treino no SL Benfica

Foi hoje, e o plantel está completamente indefinido.

Em muitos anos de vida, não recordo uma única vez em que um clube grande tenha iniciado a pré-época com tamanha indecisão. Na próxima semana, decorrerão captações no caixa futebol campus.

Inacreditável e inaceitável que não se conheça o valor real dos atletas. A situação torna-se particularmente grave porque a competição começará mais cedo para os de Jorge Jesus. O amadorismo grassa na estrutura do futebol benfiquista. Pela forma como vai desperdiçando tempo de trabalho, quem sabe, não estará já bem cedo, o SL Benfica a condenar o seu futuro no resto da época.

domingo, 26 de Junho de 2011

Processar o treinador

Provavelmente tal não é juridicamente viável.

Porém, foi precisamente essa a atitude mais sensata que me passou pela mente enquanto assistia ao jogo que culminou com a despromoção do River Plate.

Não foi sequer pela opção pelo futebol directo, algo que deveria ser contra natura a um clube da grandeza do River. O que mais impressionou negativamente, foi o perceber que não há uma única ideia de jogo. Não há em campo, dois jogadores que tenham sequer um pensamento comum. Com a bola em sua posse, no meio campo adversário, nunca, em momento algum foi possível perceber mais que uma opção de passe ao portador da bola. E quando a tal opção existia já não era nada mau.

Seguramente que nem na terceira divisão em Portugal se consegue encontrar uma equipa em que não há uma única desmarcação, seja de apoio ou ruptura, um único movimento para tentar receber a bola. Colectivamente, do calibre da equipa do River, só um grupo de amadores.

Imagine a sua equipa de amigos, que funciona à base das jogadas individuais de um e outro colega, que somente soltam a bola quando percebem que a estão prestes a perder. E por vezes, nem isso. Tudo isso é o River Plate! Ainda que, pelo que é possível retirar de um único jogo, pareça justo ilibar os jogadores. Não pareceu nunca falta de vontade. Apenas de orientação.

P.S. - Sempre torci mais pelo Boca. Assistir a um jogo na Bombonera é bem capaz de ser o mais próximo do céu que um Europeu poderá estar. Esquecendo o assistir semanalmente aos jogos em que Messi participa, claro.

terça-feira, 21 de Junho de 2011

A capa do jornal Record e o alegado interesse em João Moutinho


Não deixa, no entanto, de ser curioso que João Moutinho possa vir a jogar ao lado de um jogador, que celebrou ontem o seu tregésimo terceiro aniversário e com o qual já tecemos algumas comparações. Frank Lampard.

Dentro do relvado, seja a treinar ou a jogar, seguramente que não há português neste mundo que se possa sequer comparar com João Moutinho. Só alguém com um entusiasmo muito grande pelo treino, e com um sentido de profissionalismo muito próprio, consegue passar épocas a fio a jogar sempre a um nível elevado, sem parar. Obstinado e preparado para no relvado fazer tudo, mesmo que o tudo acabe demasiadas vezes por passar despercebido, em prol de uma entidade colectiva, só mesmo João Moutinho.

O pequeno grande jogador do FC Porto, pode não ter a potência de remate do inglês, todavia pelas suas qualidades, é seguro que está apto para partir para um grande da Europa.

segunda-feira, 20 de Junho de 2011

E a próxima Liga promete ainda mais



O poder do FC Porto em Portugal é de tal forma elevado, que há nos dois lados da segunda circular um temor verdadeiro de ficar sem treinador.

quinta-feira, 16 de Junho de 2011

Nuno Gomes. O homem que fez jogar um país. Mas, já não faz.

Em 22 de Março, escrevia assim:

""Sei perfeitamente os momentos de jogo onde o Nuno Gomes pode render mais: quando a equipa adversária está cansada, com menos concentração, e não tem tanto rigor táctico" Jorge Jesus.

Nuno Gomes foi um avançado de elevado rendimento. Mas, já não é. A verdade é que o ponta de lança de Amarante foi dez vezes mais jogador do que a opinião pública sabe, ou pensa que sabe. Nuno foi o avançado perfeito na selecção portuguesa. Com ele, Luis Figo, João Pinto e Rui Costa brilharam. Com uma compreensão fantástica do que é o jogo, Gomes está na mais encantadora selecção portuguesa a que a memória recente nos permite chegar. E muito do encanto da equipa que disputou o Euro 2000 estava precisamente no seu ponta de lança. A ganhar espaços, a tabelar, e nesse Europeu até a finalizar. Tudo girava em seu torno. À sua volta, os seus colegas pareciam ainda mais galácticos. Foi quando se abdicou dele por Pauleta, que o encanto começou a desvanecer.

Mas, na actualidade, somente a inteligência de Nuno Gomes permanece intacta. As suas capacidades físicas são demasiado débeis até para uma primeira liga. Nuno não é forte, não é veloz, não é ágil. Ainda que tenha marcado inúmeros golos, não é também um finalizador de excelência. Muito dificilmente se consegue enquadrar este Nuno Gomes, numa equipa que se pretenda vencedora. Jesus tem razão, quando afirma que percebe em que momentos Nuno mais pode render. Pedir mais minutos para o português, em jogos que não estejam resolvidos não é na actualidade uma decisão sensata.

Todavia, é sempre bom vê-lo marcar golos e a alimentar o mito. Ele merece. E muito."

É o lado emocional que nos prende a tão maravilhoso desporto. É precisamente pela quantidade infindável de vezes que a emoção supera a razão, que poderia fazer sentido a permanência de Nuno Gomes na sua equipa de sempre. Jorge Jesus, já se sabe, não é dado a sensibilidades nem a questões de bom senso, e decidiu de forma racional. Ao menos, na sua decisão de afastar o capitão, louve-se a coragem. Com uma simples decisão conseguiu aumentar exponencialmente a pressão que se abaterá sobre si no Estádio da Luz.

P.S. - Há que ter, o quanto antes, a mesma coragem na definição do plantel. Seguir para a pré-época em ritmo de captções, com um número demasiado elevado de jogadores, será tempo de treino com qualidade perdido. 

P.S. II - Foi sempre a falta de qualidade à sua volta que impediu Nuno Gomes de ter uma carreira repleta de troféus, de glória e até de unanimidade em relação às suas capacidades.

domingo, 12 de Junho de 2011

Um pouco de Enzo Perez


Não terão sido mais de sessenta minutos. Mas, para tão pouco tempo, foi impressionante a prestação do argentino.

Tantas e tantas vezes a primeira impressão não corresponde a amor efectivo. Ainda para mais quando se refere a uma impressão de sessenta minutos. Todavia, não há muitas primeiras vezes tão marcantes como a de Enzo.

Excelente capacidade técnica, capacidade de explosão, e boa definição dos lances em que se viu envolvido.

É difícil predizer que Perez almejará na Europa um nível de influência tão elevado quanto o que se percebe ter no Estudiantes. Com tão pouco tempo de observação, arriscaria dizer que sim. Talvez não logo no imediato. Porém, percebeu-se em gestos simples como a recepção, e a velocidade, quer na passada, quer a executar, na forma como guarda a bola, não a perdendo, nem mesmo quando assume uma atitude mais ofensiva, que Perez é diferente. Com a qualidade que facilmente se adivinha, chegar à Europa aos vinte e cinco anos bem poderá ser uma garantia de sucesso imediato.

Para quem gosta de comparações rápidas, foram sessenta minutos a fazer recordar um dos melhores jogadores do SL Benfica na última década. Simão Sabrosa.

82 minutos a ver Daniel Wass

Pouquíssimo tempo de observação. Ainda para mais em contexto totalmente oposto ao que encontrará em Portugal. 

Na primeira jornada do Europeu Sub-21, o jovem lateral direito do SL Benfica ocupou o lado direito do meio campo dinamarquês durante quase toda a totalidade da partida. Outros escassos minutos foram passados no corredor esquerdo.
Se a sua colocação num sector mais adiantado poderia indiciar um nível de criatividade mais elevado que o de um comum lateral da Dinamarca, tal não foi passível de ser confirmado no tempo que Wass esteve em campo. 

A maturidade talvez tenha sido o principal indício positivo a reter. Ao longo do tempo de jogo, pareceu sempre que Daniel Wass, percepcionando aquelas que poderão ser as suas limitações (criatividade e capacidade para desequilibrar individualmente, pelo drible), não se expôs em demasia. Jogou sempre de forma simples. Impressionou a forma como não perdeu por uma única vez a posse de bola, mas tal não pode ser dissociado da sua opção demasiadas vezes ser pouco ofensiva.

Em suma, louve a forma simples como decide, mas duvide da ausência de criatividade. Se é verdade que não primar por tal característica não é necessariamente um handicap, muito menos para um defesa, também não é menos verdade que os criativos são melhores que os que não o são.

sexta-feira, 10 de Junho de 2011

Uma estrela em Toulon

E joga em Portugal.

À velocidade, e à capacidade de drible, James acrescenta um invulgar conhecimento, sobre o que é o jogo e sobre como resolver as diversas situações. A forma como privilegia a circulação de bola, em detrimento do incessante recurso ao drible,  a ênfase e importância que coloca na manutenção da posse de bola, bem como a condução da mesma na direcção do corredor central, procurando garantir mais opções para prosseguir as jogadas, são características admiráveis e pouco comuns em jovens da sua idade.

A época de 2010/2011 terá sido determinante para o colômbiano. Ter tido a oportunidade de evoluír numa equipa que nunca lhe exigiu rendimento máximo imediato, permitiu-lhe crescer. Para o futuro de um jovem talentoso, não há nada como poder conviver com colegas com maior estatuto, e consequente maior responsabilidade.

A maturidade e a aparente perseverança fazem-o emergir dos restantes talentos da sua idade.

A pérola que a europa promete descobrir na próxima edição da Liga do Campeões, é agora associada ao Inter. Ainda que pareça cedo, James chegará lá.

domingo, 5 de Junho de 2011

Paulo Bento é primeiro, com muita categoria, mas pouco espectáculo.

Muita categoria, pela forma brilhante como manteve quase sempre o adversário bem longe da sua baliza. Menos espectáculo que aquele que se poderia supor, porque não foram muitas as situações de finalização, ainda que Portugal tenha chegado com relativa facilidade às imediações da grande área adversária.

Sempre se percebeu que a entrada de João Moutinho na equipa incrementaria o rendimento global da equipa. A sua ausência no Mundial foi uma das decisões mais atrozes de que há memória, só passível de ser tomada por alguém ou demente, ou ao serviço de outrem. O enorme jogador do FC Porto, impõe uma dinâmica elevadíssima em todas as acções.

Muito acertada também, ainda que não surpreendente, a utilização de Raul Meireles como jogador mais recuado do meio campo. Meireles, ainda que não faça o seu futebol primar pela criatividade, é um jogador notável em aspectos tão simples, como a recepção, o passe, e a assertividade com que faz a bola correr. Não admira o pouco tempo que prende a bola consigo, para tanto jogo que lhe passa nas botas. Com a Noruega, para além da simplicidade e categoria com que joga com bola, impressionou igualmente a inteligência e disponibilidade revelada na forma como compensou diversas vezes o posicionamento dos colegas. Ainda que num breve momento não tenha sido feliz, Meireles foi provavelmente o jogador mais importante no jogo que levou Portugal ao primeiro lugar.

Muito bom o trabalho da dupla de centrais ao longo de quase todo o jogo. Ainda que o lance da segunda oportunidade de golo dos noruegueses, tenha revelado um pouco de inépcia, não acção de Bruno Alves, na forma como não só não garantiu uma correcta cobertura defensiva (posicionamento imediatamente atrás do jogador que está com o portador da bola), como não atacou devidamente o jogador que recebeu a bola nas costas de Fábio Coentrão. É nesta posição que Portugal se encontra melhor servido.

Sinal menos para Nani. Quem segue os noventa minutos das partidas, consegue perceber porque é que mesmo sendo português, é suplente de um coreano, e de um equatoriano. O seu talento é inversamente proporcional ao tamanho do cérebro. Repare, Nani nem sequer prima por decidir invariavelmente mal. O problema parece ser outro. A percepção que tem de que é bastante melhor, do que realmente é. Tal percepção prejudica-o de sobremaneira, tal como prejudica a sua equipa. São mais que muitos os lances em que não solta a bola, preferindo fazê-la chegar ao destino, depois de três dribles, quando a mesma, se fosse por um passe, teria chegado cinco segundos mais cedo. As perdas de bola, mesmo quando tem apoio livre para receber e dar seguimento à jogada, sucedem-se a um ritmo maior que o que seria desejável. Nani parece crer que tem de ser o próprio e de forma individual a resolver os jogos. Está a perder-se um talento extraordinário. É de lamentar.

No corredor oposto, é também de lamentar que apesar de individualmente termos o melhor corredor lateral esquerdo do mundo, não se aproveite o mesmo para criar desequilíbrios. E aqui, a "culpa" terá de ser toda atribuída a Cristiano Ronaldo. Tantas e tantas vezes, optou por não dar seguimento às tabelinhas e às desmarcações do "caxineiro". Sem jogo de equipa, aquele corredor fica entregue apenas à inspiração momentânea de um e outro. Ronaldo garante desejar Fábio no Real. Não se percebe bem porquê. Na selecção raras são as vezes em que lhe dá a bola, e com tantas e tão boas oportunidades que tem para o fazer. Também Coentrão, quando refere que apenas trocaria o Benfica pelo Real, deveria ser bem mais inteligente do que isso. Fábio seria o jogador perfeito num modelo de jogo como o Barcelona. A forma como privilegia a troca de bola e as tabelinhas no corredor lateral, numa equipa como a dos catalães, onde o colectivo está sempre acima dos egos pessoais, fariam de si, pelo talento e persistência que tem, um dos melhores laterais esquerdos da história do jogo.

Referência final para Hélder Postiga. Muito boa a movimentação. Muito boa mesmo. Quer nos apoios frontais, ajudando a selecção a chegar mais à frente, quer na forma como caía nos corredores laterais, para oferecer mais opções de passe ao portador da bola, essencialmente em situações de contra-ataque. Menos bem nos gestos técnicos. Por mais de uma vez, foi a sua incapacidade para receber bem a bola, que o impediu de chegar ao golo. Também algo que deva ser considerado e alterado no seu jogo, é a forma como recentemente passou a optar por rematar sem critério. Somar remates somente para a estatística é apenas parvoíce! Não sendo uma enorme mais valia, Postiga é de longe o melhor avançado português.