domingo, 31 de Julho de 2011

De que massa é feito um Capitão de equipa?

"Ponto prévio: antes de continuar a ler este texto, façam o seguinte:

1.º ver o tributo a Figo num texto mais abaixo;
2.º encontrem na nossa selecção um jogador com perfil de capitão;
3.º vejam se a vossa escolha (caso encontrem um) é a mesma do(s) seleccionador/jogadores;
4.º Pois é... a Figo (apreciem ou não) ficava-lhe mesmo bem a braçadeira...

A escolha do capitão de equipa é de vital importância para a equipa. Ao pensarmos neste papel, não só no futebol, mas na maioria dos desportos colectivos, a nomeação para este "cargo" deverá ser criteriosa...

Esta selecção tem de ter em conta as especificidades de cada modalidade, e, podemos encontrar vários critérios e tradições:
- a idade, o jogador mais antigo do plantel, a experiência, o número de internacionalizações, a vedeta, o jogador mais apreciado pelos colegas, a forma como demonstra "sentir" o clube, ter bigode...

Depois surge também a dúvida (e quem não se lembra do episódio entre Hélder e Simão em 2003): -"deve ser eleito pelo grupo?; escolhido pelo treinador?; por indicação da estrutura directiva ou presidente do clube?"...

No seu segundo ano teve o caso da braçadeira, com Simão, no polémico estágio de Jerez de la Frontera...
... falo disso à vontade, toda a gente sabe como foi: o Benfica tinha perdido o capitão, Drulovic. Camacho entendeu que devia votar-se três capitães. Ganhei, mas o Simão não aceitou. 90 por cento dos jogadores não queriam que o Simão fosse capitão. São águas passadas, hoje percebo que talvez ele precisasse desse estatuto para poder render, mas na altura a nossa amizade ficou beliscada e eu, mais tarde, talvez tenha perdido a minha posição no Benfica devido a esse episódio. O Simão renovou, tornou-se a imagem do Benfica, veio apoiar-me mais tarde, eu tive respeito por ele, mas aquilo marcou--me. Não fiz campanha, apenas viram em mim a pessoa para liderar o balneário. Se alguém do clube me tivesse dito que "o Simão vai renovar contrato, será a imagem do clube, precisa de ser capitão", isso seria outra coisa.

por Filipe Duarte Santos, Publicado em 19 de Setembro de 2009(www.ionline.pt)

Entendemos que o capitão assume extrema importância numa equipa, sendo o principal factor, o objectivo principal - o sucesso do grupo e o seu funcionamento como uma organização.
Desta forma, resta-nos concluir que a escolha recaia sobre a equipa técnica, tendo o treinador principal, um papel de relevo nessa mesma decisão, uma vez que é ele o "gestor" do grupo, conhecendo as particularidades de cada um dos seus elementos.

Contudo, há ainda treinadores que vêm o capitão de equipa como aquilo que alguns baptizaram de "corta-fitas", assim, no exercício desta função, o elemento designado para esta tarefa tem a função de cumprimentar os árbitros, o capitão da equipa adversária, escolhe campo ou bola, troca galhardetes, e... ostenta a braçadeira... depois... é vê-lo a discutir (mais do que os colegas - porque tem esse estatuto) com os árbitros...

Pelo menos, para quem está habituado a acompanhar o futebol jovem, a todos os níveis, verifica com facilidade, primeiro pela cópia do futebol dos adultos e depois pelo contexto que ainda se vive, que o capitão de equipa (que é o filho do director, ou de um pai fanático/influente) já mostra esses "tiques" no que toca a falar com os homens do apito...

No entanto, considera-se que continua a não existir um desenvolvimento de metodologias respeitantes à forma de escolha do capitão, bem como do desenvolvimento das "competências" desse mesmo elemento e "educação" de todos os intervenientes na equipa sobre o papel do mesmo...

Ao Capitão, melhor que a braçadeira, deve assentar-lhe a qualidade de LIDERANÇA! Para além de ser um líder, deve exercer essa liderança com inteligência e acima de tudo, com naturalidade, sabendo sempre os terrenos que pisa. A forma como usa essa liderança, deve estar muito relacionada com a comunicação. Ele deve funcionar como um "PBX", muitas vezes tendo de "filtrar" informação entre grupo, staff técnico, dirigentes e massa adepta.

A essas qualidades deve juntar-se um forte carácter, aqui não no sentido de ser um tipo sério ou "patrão" da equipa, mas no sentido da forma como lida com momentos de pressão... como ajuda a liderar a equipa nos bons e nos maus momentos, sabendo influenciar os colegas num espírito consistente e ganhador...

- Será também fundamental que entre o capitão e o treinador, exista um clima de total confiança pessoal;
- O capitão deve para além das competências acima mencionadas, possuir uma boa capacidade de lidar com conflitos, agindo com a maturidade de alguém que já os viveu e ultrapassou anteriormente (mesmo que nunca se tenha visto nessa situação), competências estas que são treináveis...;
- A sua imagem dentro e fora do campo deve ser coerente com a de um líder (segundo Curado,2002, possuir os 3 C´s - Concentração, Compostura e Confiança) abstendo-se de comportamentos inadequados (deverá ser um integro respeitador do regulamento interno do clube, no qual este deve ter papel activo na sua elaboração e aprovação);
- Será importante que os colegas de equipa, enumerem as qualidades que um capitão de equipa deverá possuir, e, que as revejam no "seu" capitão".

Ainda sobre este tema, no passado sábado, 3 de Outubro, Carlos Queirós, em entrevista à RR, referia-se a Cristiano Ronaldo e ao processo da escolha do capitão. Sobre esta escolha os argumentos baseavam-se em:

1- CR já fazia parte da lista dos capitães de Scolari;
2- Como treinador que o treinou de "dia e de noite" conhece-o muito bem, pelo que CR tem todas as qualidades de um capitão;
3- Queirós em 30 anos de carreira já treinou muitos capitães bons e muitos maus, muitos jogadores bons e maus, mas nunca viu nenhum com a capacidade de trabalho e de profissionalismo de Cristiano Ronaldo (aqui parece que o exemplo do trabalho de CR é consensual);
4 - depois apresentou um argumento que se relaciona com a projecção mediática de CR, e aqui já mais discutível, na medida em que o atleta estrela apresenta muitas preocupações, muitas delas de âmbito egocêntrico que não compatíveis com a de um capitão e líder de um grupo de jogadores;
5 - A experiência internacional do atleta...

(entre outros)

Resta-nos saber se o grupo concorda com esta escolha e se revê em CR a imagem de um capitão... quanto ao argumento do exemplo pelo profissionalismo, não há dúvida, CR é um obstinado pela perfeição, pela repetição e pelo trabalho...

mas será que nos momentos de liderar ele apresenta essa competência?"
O post é do Rodrigo Rodrigues e foi primeiramente publicado em Outubro de 2009.

Por me parecer francamente bom, pela recente polémica em torno de Luisão, e pelo choque que é ver João Pereira capitão do que quer que seja, ainda para mais do Sporting, resolvi recuperar o texto, esperando as vossas opiniões.

Que grande trambolhão


Ponto prévio. Mérito a quem o tem. O Valência apresentou um futebol arrasador, mereceu inteiramente a dilatada vantagem. O resultado é desmoralizador, mas pode até ser importante. Quando se perde, procura-se com maior afinco perceber o que falhou.

Por não ser verdade, é impossível afirmar-se que uma diferença tão grande de uma equipa para a outra fosse expectável. Há, porém, alguns sinais de que ainda há muito para trabalhar. E esses mesmos sinais, foram até aqui sugeridos em tempo de vitórias.

Entre muitos elogios, haviamos também referido algumas lacunas, possívelmente não tão preocupantes quando estivermos de volta à realidade da primeira liga. Preocupantes, contudo, se percebermos que este será possívelmente um campeonato que se resolverá no detalhe.

"Obviamente que há ajustes a fazer. É importante obrigar o adversário a bater o pontapé de baliza longo, e há que ser mais pressionante sobre a bola quando esta está no lateral adversário (uma saída que se revelará ser relativamente fácil para colocar a bola nas costas da equipa do Sporting, passará por fazer a bola chegar a um lateral, que aproveitará a desmarcação do avançado adversário, através dum movimento horizontal deste, ao longo da linha defensiva, nunca caindo em fora de jogo, mas beneficiando de já se mover a uma velocidade considerável para chegar primeiro à bola quando esta for colocada nas costas da defesa. Exemplo. Bola no central adversário, enquanto este faz o passe na direcção do defesa direito, o avançado percorre em corrida o caminho que vai desde o central direito (Carriço?) ao central esquerdo (Oniewu?). Se o lateral não for suficientemente apertado, e revelar-se capaz, não será difícil colocar a bola nas costas entre o espaço do central e o lateral esquerdo leonino, onde aparecerá o colega já em passada rápida, contrastando com a posição mais fixa e expectável dos defesas)." Retirado daqui.

Haviamos sugerido uma possível forma de contornar muito facilmente o posicionamento alto do Sporting. Equipas como o Valência, por jogarem numa Liga em que semana após semana, defrontam adversários habituados a usar a armadilha do fora de jogo, têm um sem número de "truques" e combinações ofensivas para o fazer.

E o Sporting falhou rotundamente por dois pontos.

a) A pressão sobre o portador da bola. Na primeira parte, os defesas do Valência tiveram sempre tempo para poder levantar a cabeça e decidir com assertividade. Tal como mencionado no texto anterior, para defender ali, é obrigatório que o adversário saia em pontapé longo. Se não o faz, e se não se é suficientemente rápido a cair sobre o lateral (muitas vezes no caso do Valência, sobre o central, uma vez que à semelhança de tantas outras equipas, os centrais abrem bem nos corredores laterais, e é um dos médios que baixa para a posição de central), há que mudar posicionamentos. O que nos leva para o segundo ponto a ser corrigido.

b) O mais importante para quem defende à zona, é perceber a distância que a linha defensiva deve ter para a bola. Tal como nos jogos anteriores, quer a bola estivesse na marca de pontapé de baliza, ou no defesa lateral adversário, sensivelmente a meio do meio campo ofensivo do Sporting, a linha defensiva posicionava-se exactamente na mesma zona do campo. Há todo um jogo posicional do quarteto defensivo, que ainda não é feito. Exemplo. Bola no lateral adversário, não tem ninguém à sua frente, a defesa tem de descer. O lateral passa para o corredor central, onde quem recebe a bola é apertado. Defesa sobe. Bola volta a alguém sem oposição, mesmo que a meio do meio campo defensivo, defesa baixa. Falamos de deslocamentos de 4,5,6 metros. Mas, absolutamente decisivos se se pretende interceptar a bola, ou obrigar a que o passe longo, seja o suficientemente longo para cair no raio de acção do guarda redes.

Do ponto de vista ofensivo, já haviamos referido. O Sporting (ainda) não entusiasma. Cremos que, possivelmente, Domingos no seu processo de treino, ainda nem se terá preocupado em demasia com isso. Porque individualmente ainda faltam aqueles que prometem ser os melhores recursos do Sporting (Capel, Bojinov, Matias, e possivelmente outra contratação), quem está não demonstra muita capacidade. Deficit de creatividade, genialidade e essencialmente de definição dos lances, que será seguramente disfarçada quando o entrosamento for outro.

Demasiadas vezes, é nas derrotas que se torna mais fácil perceber, e corrigir o que está mal. O caminho é longo, mas promete estar a ser trilhado.

sábado, 30 de Julho de 2011

Carlos, o futebol mudou tanto...

"Desde os tempos de Enakharire que o Sporting não tinha um central de marcação tão forte." Carlos Xavier.

Evoluiu imenso o jogo em Portugal, particularmente nas melhores equipas. Carlos Xavier, tal como milhentos outros não sabem, mas nem o Sporting, nem equipa nenhuma de topo na Europa precisam de ter um central forte de marcação. Especialmente se pensarmos que nenhuma equipa de topo joga, na actualidade, com o bem antigo método de um central a marcar e um líbero para as compensações. As referências defensivas são na actualidade os colegas e a bola. Joga-se com central direito e central esquerdo, e qualquer um pode "pegar" no avançado adversário, dependendo da zona onde o tal avançado cai para receber a bola.

É por isso que visualizar o video de um exercício de treino de Domingos que corre o youtube, cujo principal objectivo identificável é a aprendizagem do posicionamento defensivo, em função da bola, e dos próprios colegas, uma vez que não há sequer oposição no tal exercício, fará imensa confusão aos mais "antigos".

Se Rodriguez chegou ao Sporting, tal não tem minimamente nada a ver com a relação que dentro do relvado estabelece com os adversários. Antes, com os restantes colegas.

"Rinaudo encaixa bem. O Sporting precisava de alguém que pensasse o jogo desde a saída do Moutinho." Carlos Xavier.

Na verdade, não é só o Sporting que precisa de jogadores que pensem o jogo. Todas as equipas precisam. Contudo, ao contrário do que é crença geral, e particular de Carlos Xavier, não pode ser um jogador específico a fazê-lo. Terão de ser os onze. O tradicional jogador que baixava para receber a bola e progredia com ela em direcção ao meio campo, e à baliza adversária já não existe. Hoje, são precisos onze a pensar o jogo. E pensar o jogo, faz-se muito mais sem bola. É quem não a tem, que tem de trabalhar para que esta vá progredindo. Há que perceber e realizar desmarcações, por forma a garantir sempre várias opções ao portador da bola (triângulos ao seu redor, para que este possa ter linhas de passe à direita e à esquerda, tornando o seu jogo imprevisível). Mais que nunca importa realmente pensar o jogo. Mas, quem tem a bola chega até a ser dos menos responsáveis por isso. Aquele jogo de dez jogadores parados, ou nove, com o décimo a procurar desmarcar-se nas costas da defesa adversária enquanto somente um progride com a bola, e procura ele próprio inventar algo, já não existe.

O futebol mudou de sobremaneira. O Barcelona é o expoente máximo de tal afirmação. Porém, e mesmo que de forma bem menos competente que a da Catalunha, todas as outras equipas de nível o percebem.

sexta-feira, 29 de Julho de 2011

Ricardo Quaresma. O Talento.

"Perceber que Quaresma é tecnicamente e físicamente um atleta de nível mundial, está ao alcance de todos.

A irregularidade, a ausência de disponibilidade para se entregar ao jogo, ou o incumprimento táctico no plano defensivo, são os defeitos apontados, e usados como explicação, sempre que Quaresma não é bem sucedido.

Porém, o handicap de Quaresma, vai muito para além da entrega, ou do incumprimento táctico. Da acomodação. Quaresma é um jogador bastante sofrível numa das vertentes mais importantes do jogo moderno. As tomadas de decisão.

A ausência de percepção dos momentos em que deve prender, ou soltar a bola e para quem soltar. A indefinição nos timings com que efectua as suas acções, prejudicam-o e não raras vezes prejudicam a sua equipa. As suas limitações na parte táctica do jogo, prendem-se, essencialmente, com o raciocinio. Não com a ocupação de espaços.

Contudo, Quaresma é tão dotado tecnicamente, que várias vezes, mesmo tomando a opção incorrecta, é bem sucedido. Agora imagine, se alguém com tamanha qualidade, tomasse boas decisões.

Video aqui

Pare a imagem no segundo 13. Situação de 4x1. As probabilidades de o lance terminar em golo, se resolvido da forma mais eficiente, poderão estar bem próximas das 99%. A resolução é fácil. Quaresma só tem de "atacar" o adversário directo, e fazer o passe (para qualquer um dos colegas, uma vez que tem soluções à sua direita e esquerda) para as costas do defesa. de 4x1, a situação passará a 3x0+GR, e quem recebeu a bola após encarar o GR, só tem de a endossar ao colega que vai correndo ao seu lado.

Agora, imagine. Em 10 lances, resolvidos da forma como Quaresma o fez, quantos terminarão em golo? 4,5? Eventualmente 6?

Ao longo de cada jogo, Quaresma vai somando más decisões. Algumas (como esta), são disfarçadas com lances de génio. Outras, prejudicam toda a envolvência atacante da sua equipa. Sempre que não obtém um golo, ou uma assistência, a exibição de Quaresma aproxima-se do zero, pois, por certo, que também não contribuiu com mais nada.

Consiga percebê-lo, e não se sentirá tão injustiçado, por ser sempre preterido em função de Simão, e até de Nani.

P.S. - Tivesse resolvido da forma mais eficiente, o lance documentado no video, Quaresma teria somado menos um golo na sua época. Tão pouco seria sua, a assistência. Percebe agora, como podem ser tão enganadoras tais estatisticas?"
Já lá vão dois anos e meio desde que o texto foi escrito.

De lá para cá, Quaresma não conseguiu provar o seu enormíssimo potencial. A principal razão é facilmente identificável no texto. Porém, o talento está todo lá. Mesmo optando demasiadas vezes pelo caminho errado, é garantia de espectáculo e de desequilibrio.

Falta hoje menos um dia que ontem, para que o seu regresso ao futebol português fique consumado. Por cá, estamos sempre dispostos a receber de braços bem abertos quem nos entusiasma. Mesmo que por vezes o faça de forma intermitente. Talvez seja Ricardo a chave creativa que falta, numa Liga que promete mais que nunca ser a três.

Individualista, Jesus?!


"...analisando todos os movimentos do extremo-esquerdo durante os 36 minutos em que ele esteve em campo, é possível constatar que Nolito jogou quase sempre ao primeiro ou ao segundo toque. Nas 15 acções em que a bola lhe passou pelos pés frente à equipa turca, o espanhol apenas por três vezes tentou a jogada individual, optando quase sempre por combinar com Aimar, Saviola e Emerson. No fundo, confirmou aquilo que já se esperava dele: tirou o "curso" na escola do Barcelona, onde o futebol apoiado em muitos passes, o chamado tiki-taka, é quase um modo de vida."

"...E mais: de acordo com o levantamento feito por O JOGO, a maior parte das acções de Nolito teve um ou dois toques. Com os caminhos quase sempre tapados, também optou algumas vezes por cruzamentos largos para o poste mais distante." In Jornal o Jogo.

Não tendo confirmado a sua veracidade, os dados avançados pelo jornal fazem todo o sentido. Se há algo que impressiona no espanhol, mais que a imensa capacidade técnica, é a forma como define os lances. De louvar também o extraordinário trabalho para receber a bola. Não só pela forma como simula sempre a profundidade e volta rápido para receber no pé, mas porque, à semelhança do tiki taka catalão, procura sempre os espaços ao redor (à direita ou à esquerda) do portador da bola. A recepção, que por si só já beneficia do trabalho prévio que realiza, é fantástica e garante-lhe enquadramento com a baliza adversária a uma velocidade supersónica, que não raras vezes deixa desde logo o defensor em desvantagem. Não espanta minimamente que seja das suas botas que nascem os lances de maior perigo do SL Benfica. E nenhum, resultante de uma vantagem adquirida num drible em situação de 1x1.

Ninguém saberá ao certo o que pretendeu Jorge Jesus com tais afirmações. Pelo conhecimento que se vai tendo do treinador encarnado, acredita-se que terá sido somente mais uma falta gritante na comunicação, com possíveis consequências também em aspectos relacionados com a gestão do grupo. É que é difícil aceitar que pense exactamente o que disse.

quinta-feira, 28 de Julho de 2011

Génios à solta

Fraco, ainda, o colectivo do SL Benfica. Apenas o tradicional 4+1 defensivo demonstrou eficiência. O que não deixa de ser de se louvar, se pensarmos que Garay tem dois dias de trabalho com Luisão, e Emerson é também um novato.

A ligação com a restante equipa continua insuficiente. Particulamente nos momentos em que a fadiga se instala. Ontem, a partir de determinado momento, a equipa voltou a partir-se ao meio. Nota-se, também, uma nova tendência em Jesus, diferente do que o levou ao sucesso em Belém, em Braga e no Benfica. Parece agora consciente, que a aproximação ao trinco deve ser feita pelo número dez, e não pelos interiores. Onde no passado se via Amorim, Alan, Peixoto, Ramires e Di Maria, preocupados em fechar dentro, agora parece existir um novo conceito. É o dez que baixa, para um 442, não clássico porque Javi continua a ligar os sectores. Uma nova tendência que francamente, não parece trazer nada de benéfico em relação ao passado, mas, que com um jogador do nível elevadíssimo de Witsell, pode poderá perfeitamente funcionar. Particularmente na realidade da liga portuguesa, claro.

O entrosamento ofensivo foi praticamente nulo, e ajuda a explicar os poucos lances de finalização que o Benfica teve, especialmente se nos lembrarmos da qualidade individual que abunda como nunca.

Dificilmente tal entrosamento não chegará. No passado, Jesus já demonstrou competência, e até excelência nesse campo, e seguramente que o entrosamento chegará, e que no Estádio da Luz será possível assistir a exibições entusiasmantes e a golos sem fim. A questão é se tal acontecerá em tempo útil. Tal foi o tempo desperdiçado na pré-época.

Destaques individuais

Enzo. Aqui foi comparado a Simão. No jogo com os turcos, voltou a demonstrar o porquê dessa comparação. Não sendo um jogador de classe, como nunca foi Simão Sabrosa, é um atleta de rendimento. Muito rápido, boa técnica, é um verdadeiro desequilibrador. Ao contrário de outros colegas, aparentemente mais talentosos (Gaitán, à cabeça), parece garantia de maior regularidade, sempre a um patamar de rendimento elevado. Não engana, paulatinamente perderá a timidez e será um jogador de futuro imenso num Benfica que se pretende muito forte.

Garay. Novamente a um nível elevado. Imponente fisicamente, intransponível no ar e rápido sobre o portador da bola, tem tudo para marcar uma era no Benfica. A qualidade técnica é um extra muito apreciável, que se revelará importante na saída de jogo dos encarnados.

Gaitán. Génio! Mas, tal como tantos outros, é displicente e irresponsável. Difícil confiar no argentino. Dribla quando não deve (em momentos em que não há um apoio atrás capaz de sair para pressionar rapidamente o portador da bola, quando o drible é mal sucedido), e passa imenso tempo longe do jogo. Numa perspectiva de talento bruto e creatividade é inegavelmente dos jogadores com mais classe que já passaram pelos relvados portugueses. É um sonho para todo o adepto de futebol, mas não necessariamente para qualquer treinador.

Nolito. Não se pode concordar quando Jorge Jesus garante que Nolito joga de forma demasiado individual. Não foi esse Nolito que vimos nos primeiros jogos. Quem vimos, responde e procura a tabela, solta a bola e joga para a equipa. Teme-se, porém, que o continúo estatuto de suplente possa alterar o seu jogar, na tentativa de maior notoriedade. Impressionante a forma como recebeu, enquadrando com a baliza, no meio de dois turcos, momentos antes de soltar em Aimar, na jogada que terminaria com a bola ao poste de Saviola. Joga e faz jogar, é um caso de sucesso rápido.

Witsell. Nota-se que ainda não está bem enquadrado e que procura, com a ajuda dos colegas perceber que espaços ocupar. Mas, também se adivinha uma qualidade ímpar. Extraordinário do ponto de vista físico, tem grande mais valia técnica e sabe definir com muita categoria os lances. É o provavel titular na posição à frente de Javi Garcia, e é também um dos grandes candidatos a jogador do ano em Portugal.

Emerson. A primeira impressão foi horrível. Porém, o jogo de ontem mostrou outro Emerson. Aparentemente melhor do ponto vista das capacidades condicionais e tecnicas do que, o que a primeira aparição fazia antever. A rever.

quarta-feira, 27 de Julho de 2011

terça-feira, 26 de Julho de 2011

Melhor reforço da Liga Portuguesa

A poll estará, ao longo dos próximos sete dias, por cima da publicidade na coluna do lado direito.

É seleccionar. Não o que mais desejam que triunfe, mas aquele que no final da Liga terá sido o que demonstrou mais qualidade. No fundo, pretende-se um exercício de predição.

P.S.- A foto é daquele que revelou ser o melhor reforço na época transacta.

Realidade paralela, muito comum em determinados grupos jornalisticos

"Kléber voltou a agitar, a driblar, a partir para cima dos adversários..."

"Pontos Negativos. Algum egoísmo". Frases de Matilde Rocha Dias, no diário Correio da Manhã.

Mesmo não sabendo exactamente em que realidade paralela habitam determinados jornalistas, não parece que inventar situações inexistentes deva ser o caminho para qualquer crónica. Mesmo que de um jornal cuja secção desportiva não prime especialmente pela sua credibilidade.

Ao longo dos setenta e dois minutos em campo, Kléber não deu nunca mais de três toques consecutivos na bola. Em cerca de noventa por cento das suas intervenções libertou a bola após dois toques (um para receber, outro para passar). Na única vez que recorreu ao drible, tal verificou-se por manifesta falta de opções. Recebeu, no meio de três uruguaios e sem qualquer opção de passe, desviou de um e sofreu falta. Mesmo nesse lance, usou apenas dois toques para definir a jogada.

Talvez o Correio da Manhã tenha definições diferentes para o "driblar", "ir para cima dos adversários" e especialmente "egoísmo". Da última vez que no planeta terra se definiu a palavra "egoísmo" seguramente que esta não estaria associada a mais de noventa por cento das opções tomadas por Kléber. Quer com bola, onde após a recepção, passou sempre a bola aos colegas. Quer sem bola, onde se desmarcou mais vezes em apoios, em movimentos de aproximação ao portador da bola, que aquelas em que procurou a profundidade, para beneficiar, ele próprio, de possíveis situações de finalização.

Provavelmente a caríssima Matilde, autora de tão brilhante crónica, não viu sequer o jogo. E honestamente, que o jornal beneficiaria imenso em abdicar de inventar disparates. O mais injusto de tudo, é que demasiados leitores que não puderam seguir o jogo, serão enganados.

segunda-feira, 25 de Julho de 2011

72 minutos a seguir Kléber

30''. Baixa em apoio frontal, recebe mal, mas não perdendo a posse de bola entrega de novo no defesa central;
5'. Recebe após lançamento de linha lateral, mas apertado perde na tentativa de enquadrar com a baliza adversária;
7’. Recebe na profundidade, após boa solicitação de Rúben Micael, e remata para defesa do guarda redes adversário;
8’. Livre longo batido na sua direcção. Ganha a primeira bola de cabeça, oferecendo-a ao extremo mais próximo (Hulk);
9’. Aparece para a recarga a um remate de Hulk. Sem tocar na bola, é decisivo por dificultar o adversário, levando-o ao auto golo;
12’. Salta para a 1ª bola , após livre de Helton, mas não chega sequer a tocar-lhe;
14’. Desmarca-se na profunidade, mas Hulk não solta a bola;
17’. Pressiona o guarda redes do Penarol, que acaba por chutar contra o seu pé, fazendo a bola chegar a Varela;
19'. Baixa para apoio frontal mas não recebe;
20’. Em situação de contra ataque, recebe no corredor lateral, onde instantes antes o FC Porto havia recuperado a bola, dribla o adversário e sofre falta;
22'. Faz falta na tentativa de finalização ao segundo poste;
24’. Pressiona o defesa fazendo falta;
29’. Após lançamento de linha lateral, recebe de cabeça mas entrega mal;
33’. Recebe após lançamento, enquadra e remata de fora da área com muita potência;
37’. Recebe do extremo e devolve a Varela, que quase recebe a bola em óptima posição;
38'. Recebe em apoio frontal, mas entrega mal para Moutinho e a bola segue para o adversário;
45’. Ataca o primeiro poste após cruzamento de Varela mas não chega, por muito pouco, à bola;
45’. Inicia a 2nda parte;
45’. Recebe em apoio frontal sobre o lado direito de Micael, e entrega em Moutinho que está de frente para o jogo;
45’. Recebe, roda para a baliza, percebe que não tem opções mais adiantadas, e entrega em Micael mais atrás;
46’. Ataca o primeiro poste após cruzamento de Varela, e remata para defesa do guarda redes uruguaio para o segundo poste;
46’. Mau alivio do defesa deixa Kléber só perante o guarda redes adversário. Com a cabeça desvia a bola do guarda redes, mas em queda remata ao lado;
48’. Aproxima de Hulk, recebe e devolve na profundidade ao colega;
48’. Recebe de Moutinho e entrega de primeira em Sousa que está de frente para o jogo;
49’. Baixa para receber do central, mas o passe não sai;
50’. Recebe de costas e entrega em Moutinho de frente para o jogo;
63’. Desmarca na profundidade, arrastando dois defesas, abrindo espaço para Hulk aparecer e finalizar;
72’. Substituído.

Igual a si próprio. Joga habitualmente a dois toques. Um para receber, outro para passar. Jogador interessante no apoio frontal e na forma como entrega a bola em que está de frente para o jogo. Aproveitar o espaço decorrente da saída do defesa central adversário da linha defensiva, para pressionar Kléber quando este baixa para receber, pelas penetrações de Hulk e Varela, poderão revelar-se excelentes combinações ofensivas. Sabe, também, procurar a profundidade no momento oportuno. Impressiona pelo perfil sóbrio e pela importância que dá à posse, não a colocando em risco. Tem facilidade na finalização. Há que trabalhar, porém, o primeiro toque, pois demasiadas vezes quando recebe, a bola foge em demasia do seu raio de acção. Mas, convenhamos que não é fácil receber nas zonas em que Kléber o faz. Seguramente que será uma boa opção, caso se confirme a partida de Falcao.

domingo, 24 de Julho de 2011

Adivinha quem voltou


E foi, novamente, nos momentos defensivos que o Sporting voltou a demonstrar alguns períodos de excelência.

Exactamente como na partida anterior, a defesa bem subida e o campo bem curto permitiu somar um número considerável de recuperações de bola, muitas das quais ainda no meio campo ofensivo. Esse foi, indubitavelmente, o principal catalizador para a percentagem avassaladora de posse de bola que se verificava ao intervalo. Não esquecendo, todavia, a importância que o critério e a capacidade de passe de Schaars e Rinaudo tiveram na preservação da mesma.

Jogar tão alto tem necessariamente riscos. Relembre o golo de Del Piero, e mais uma ou outra bola bem colocada entre as costas da linha defensiva do Sporting. É, todavia, um risco claramente compensatório. Mesmo nos dias de menor inspiração (e há que realçar que com bola, o Sporting ainda não entusiasma), jogar tão próximo da baliza adversária catapultará a equipa para o golo. Mais bola, significará mais livres, mais cantos, mais remates, e seguramente que mais golos. Se pensar no quão frágil é a qualidade da Liga portuguesa, ainda mais compensatório o risco parecerá. Não será nada fácil em Portugal, ter muitas equipas a conseguir coordenar bons passes longos, com boas desmarcações nas costas da defesa leonina.

Claramente que este é o caminho. Obviamente que há ajustes a fazer. É importante obrigar o adversário a bater o pontapé de baliza longo, e há que ser mais pressionante sobre a bola quando esta está no lateral adversário (uma saída que se revelará ser relativamente fácil para colocar a bola nas costas da equipa do Sporting, passará por fazer a bola chegar a um lateral, que aproveitará a desmarcação do avançado adversário, através dum movimento horizontal deste, ao longo da linha defensiva, nunca caindo em fora de jogo, mas beneficiando de já se mover a uma velocidade considerável para chegar primeiro à bola quando esta for colocada nas costas da defesa. Exemplo. Bola no central adversário, enquanto este faz o passe na direcção do defesa direito, o avançado percorre em corrida o caminho que vai desde o central direito (Carriço?) ao central esquerdo (Oniewu?). Se o lateral não for suficientemente apertado, e revelar-se capaz, não será difícil colocar a bola nas costas entre o espaço do central e o lateral esquerdo leonino, onde aparecerá o colega já em passada rápida, contrastando com a posição mais fixa e expectável dos defesas).

Destaques individuais.

Rinaudo. Excelente surpresa o argentino. Não só é forte e agressivo como tantos outros trincos, como sabe passar a bola, e mover-se para criar apoios para a saída desta. A nível individual é um dos grandes responsáveis pelo domínio que o Sporting vem exercendo sobre os adversários.

Schaars. Uma espécie de Hugo Viana do Braga de Domingos. Muito assertivo e capaz no passe e no trabalho para receber a bola. Menos criativo que o formado em alvalade, mas mais presente no jogo. Schaars não se esconde e não tem medo de mostrar disponibilidade para receber a bola, mesmo que apertado. Pelo seu critério em posse, tal como Rinaudo é determinante para a elevada percentagem de posse que o Sporting vem almejando.

Yannick. Muito difícil emitir opinião sobre Djaló. Quando menos se espera, aparece. De facto, ser mexido e aparecer é algo que não se lhe pode negar. A sua inconstância e incapacidade para aparecer qualitativamente de forma regular, mesmo que numa visão mais colectiva, será um entrave à entrada no onze. É que ninguém saberá qual será o dia "Sim" de Yannick. Difícil confiar num jogador assim.

Onyewu. Não se percebe o rol de críticas a que foi sujeito durante a transmissão televisiva do jogo. Talvez Luís Freitas Lobo o conheça como ninguém, e tenha partido com uma ideia pré-concebida, que possívelmente até se poderá tornar real. No jogo da última madrugada, porém, nada se pode apontar ao central americano. A falta de agilidade é tão latente, quanto comum em atletas da sua fisionomia, a cada início de época. Tal não significa que não seja algo alterável.

Ricky. Novamente o reforço em menor destaque. Muito possívelmente, porque Domingos ainda estará a tratar dos momentos defensivos (e que diferença se nota nesses mesmos momentos!). Não será fácil manter o lugar no onze, com a chegada de Bojinov e até Matías. A rever.

sábado, 23 de Julho de 2011

Patito Rodriguez, a estrela emergente do futebol argentino, e a selecção de jovens talentos em Portugal

"Sempre fui pequeno e tive dificuldades por isso. Na formação, passei seis anos no banco. Mas, nunca desisti." Patricio Rodriguez. Nove internacionalizações aos 21 anos de idade.

Formação em Portugal. Algo que poderá importar reflectir

"A propósito do sistema de quotas que visa quantificar o acesso de miúdos não-nativos a escolas de formação de futebol em França.

"...visa quantificar o acesso de miúdos não-nativos a escolas de formação em França... O problema não era de natureza rácica, como podia parecer, mas futebolística. O que estava em jogo não era a diversidade étnica nos escalões de formação, mas a ausência específica de jogadores que se possam distinguir pela técnica e pela capacidade de drible. O problema, nomeadamente em relação aos miúdos de ascendência africana, é que atingem uma maturação física precoce, quando comparados com outros miúdos, o que os deixa em vantagem num processo de selecção não regularizado. A introdução de quotas visaria assim suportar essa "injustiça" e assegurar que o potencial é o principal critério a privilegiar. Pode-se discutir, evidentemente, a aplicação prática de um sistema deste género, pelo tipo de injustiças e discriminação que pode possibilitar, mas a ideia, em termos teóricos, além de profundamente democrática, é futebolísticamente sensata. A formação, em futebol, deve ter em conta uma única coisa: o talento. E a selecção do talento, por não ser um atributo tão visível quanto isso, deve ser impermeável às restantes características dos atletas, características que muitas vezes, em determinadas idades, os favorecem "injustamente"." Pelo Nuno do Blog Entredez.

Se espreitar as melhores equipas de formação em Lisboa (talvez em Portugal, mas a realidade que conheço é a lisboeta, pelo que não pretendendo generalizar algo que poderá até não ser generalizado) reparará que uma percentagem muito elevada de jogadores são de ascendência africana. Não foi apenas num, ou em dois, Sporting x Benfica que pude constatar que metade dos atletas em campo são de etnia negra.

Pergunto se as idades correspondem. Garantem-me que os miúdos chegam com os documentos legais. Quer num quer noutro lado, por vezes chega-se a duvidar um pouco da idade dos jovens, mas dizem-me que não se pode cortar as pernas aos miúdos. Não tendo a certeza se a data de nascimento real corresponde à do documento, não há que ser preconceituoso. Concordo.

Vejo as equipas de formação, e desde há um bom par de anos que reparo que os negros são (quase) sempre os melhores das suas equipas. Aqueles que fazem a sua equipa chegar às vitórias, e até aos troféus. Espreito os melhores portugueses da actualidade e fico espantado (ou não, na verdade) sobre como é possível termos tão poucos jogadores de ascendência africana nos melhores 40 ou 50 jogadores nacionais. Quando há imensos anos, que são eles que "brilham" na formação.

E isto relega-nos para aquilo que o Nuno escreve no seu blog. Que há que repensar uma série de coisas na formação, não duvide. Jovens que fazem a diferença pelos traços físicos, habituam-se a resolver dessa forma as situações de jogo. Quando chega o momento em que a diferença física começa a ser atenuada, sobressai o talento. Quem não foi estimulado a definir as situações de jogo pela técnica ou inteligência, acaba normalmente por não conseguir reagir e adaptar-se.

P.S. - Por favor seja mais inteligente do que isso, e não considere sequer a hipótese de este ser um post de cariz racista."


Retirado daqui.










sexta-feira, 22 de Julho de 2011

Fábio Coentrão e José Mourinho. Uma história de sucesso que se adivinha.

"...tamanho talento será um desperdício construir carreira como lateral. É o jogador português mais talentoso pós Nani. Agora, que ao talento alia capacidade de decisão, tem condições para jogar onde quiser, por quem quiser. As necessidades dos seus treinadores ditarão o seu percurso;". In Lateral Esquerdo. Retirado daqui.

"Coentrão a médio dá outra dinâmica à equipa. Não ia sujeitar a Direcção do Real Madrid a comprar um jogador por 25 milhões de euros ou um valor próximo para ser suplente do Marcelo. O Fábio é um polivalente, pode jogar em várias posições no campo, mas nunca tinha jogado nesta posição. E é um jogador diferente de todos aqueles que temos no meio-campo. Ele está habituado a jogar em posições mais laterais e jogando no centro dá uma dinâmica diferente à equipa." José Mourinho Aqui.

Fábio é bem capaz de ser o melhor lateral esquerdo mundial na actualidade. Todavia, pelas suas características únicas, que vão desde o talento às suas capacidades físicas, é demasiado bom jogador para passar uma carreira inteira a jogar tão longe da baliza adversária. Felizmente que aqui não somos os únicos que percebemos isso. Imagine o que teria sido a carreira de Futre, Chalana ou Figo se tivessem jogado como defesas laterais. E não duvide que teriam tido carreiras igualmente bem sucedidas.

Jorge Jesus, Garay e os passes verticais

“É muito forte. Tem um passe vertical muito interessante". Jorge Jesus sobre Garay.

Jorge Jesus pode ter imensos defeitos enquanto treinador. Porém, não perceber de futebol, seguramente que não é algo que se deva apontar ao treinador português.

Se do seu discurso procurar retirar o conteúdo, esquecendo a forma, certamente que terá muito a aprender. Muito pertinente a forma como destacou a importância que Garay previsivelmente terá no modelo de jogo encarnado. Particularmente nos momentos ofensivos. Até porque, na partida com o Toulouse, a incapacidade para sair para o ataque com qualidade e bola no relvado, bem visível na primeira parte muito se deveu à forma, por vezes atabalhoada como Fábio Faria procurava solicitar os colegas à sua frente, ou como os restantes colegas de sector (Javi, André e Emerson) não demonstraram capacidade para fazer a bola progredir, que não de forma lateralizada.

A grande vantagem de um passe vertical a “queimar” sectores, é precisamente as situações que proporciona a quem recebe a bola. Uma bola que entre directamente dos defesas centrais, num apoio frontal de Saviola ou Cardozo, retira da situação de jogo mais de metade da equipa adversária. Rapidamente de uma situação de 11x11, poderá passar-se para uma de 4 (Alas e avançados do Benfica)x 4, eventualmente 5, dependo da dinâmica que o treinador adversário pretenda dar ao seu médio defensivo e da interpretação que este fará da situação de jogo.

Com bola no corredor central, o seu portador tem inúmeras opções, seja à direita, à esquerda, ou até à frente, dependendo da situação de jogo, seja no explorar da possível profundidade, conferida por movimentos de rupturas dos alas, ou até na procura do pé de um dos colegas (alas ou avançado sem bola) para tabelar. Num corredor lateral, para além de bem longe da baliza a imprevisibilidade da acção do portador da bola é nula. Dali, a bola terá de seguir necessariamente na direcção do meio. É que para o outro lado, termina o campo.

Recorde, a título de exemplo, que a incessante lateralização ofensiva do seu jogo, foi sempre a causa maior de tão pouca imprevisibilidade do futebol do Sporting de Paulo Sérgio.

De Garay importa referir que pela sua classe e imponência no jogo aéreo, tem tudo para marcar uma era no SL Benfica. Previsivelmente, voltará o Benfica a ter um central capaz de ser importante na saída de bola, tal como David Luiz havia sido. Com uma vantagem nesse campo, porém. A saída em passe, será bastante mais segura que a feita em progressão com a bola. É que um passe vertical mal direccionado, não deixará o seu autor ultrapassado e fora da situação de jogo. Uma perda de bola, sim.

P.S. – Na movimentação colectiva, talvez deva Jorge Jesus considerar a hipótese de se estar a expor demasiado ao risco. Em situação defensiva, envolver demasiados jogadores na primeira linha de pressão, poderá trazer dissabores se o adversário for o suficientemente qualificado para ultrapassar a tal linha com a bola dominada no pé, e não em futebol directo, onde já se sabe, Javi, Luisão e Garay serão capazes de na primeira bola devolve-la ao meio campo adversário, enquanto os colegas recuperam. Em situação ofensiva, é de louvar a colocação de tanta gente em zonas de finalização. Todavia, e confirmando-se que não há elementos que pela sua velocidade e disponibilidade recuperem rapidamente metros no campo de jogo para assegurar uma boa transição defensiva, talvez não seja má ideia não envolver tanta gente nas imediações da grande área contrária.

Texto previamente publicado aqui.

terça-feira, 19 de Julho de 2011

Que campo tão curto, Domingos!

E foi esse o principal mérito e a principal diferença do novo Sporting. Repetindo o exercício iniciado durante a visualização das gravações dos jogos da época transacta, premindo o botão de pausa, e conferindo a distância entre sectores do Sporting, o resultado foi completamente diferente.

Do jogador mais avançado no campo de jogo, aos mais recuados (esqueça o guarda redes), não sobrou muito espaço para jogar. Mais que pela fraca capacidade do adversário, foi pela proximidade entre todos os seus jogadores que o Sporting foi capaz de consentir pouquíssimos ataques e remates. Não esquecendo também uma percentagem de bola já assinalável. Com todos mais próximos, torna-se bastante mais fácil recuperar a bola. E se essa mesma recuperação for realizada ainda no meio campo adversário, e tal sucedeu por diversas vezes, mais próximo continuará a estar a equipa leonina de chegar ao golo.

Para qualquer equipa que se pretenda dominadora, jogar com os defesas tão próximos da linha do meio campo, é um risco claramente compensatório, se os restantes jogadores se mantiverem concentrados e capazes de impedir que o adversário tenha demasiado tempo para decidir e executar. Jogar tão alto, retira imensa capacidade para poder ser clarividente ao adversário. Ninguém, particularmente quando a qualidade não abunda, arrisca em zonas demasiado recuadas. Não raras vezes, após a perda de bola, se torna a recuperar rapidamente a sua posse, somente porque o adversário se vê obrigado a jogar longo e sem nexo, por forma a não arriscar perdas em zonas tão recuadas do campo. E esta é indubitavelmente a fórmula correcta para subjugar os adversários. Mesmo em dias menos inspirados, estar sempre tão próximo da meta, poderá revelar-se determinante.

Destaques individuais:

Rinaudo. Se ao campo curto juntarmos a agressividade sobre a bola do argentino, teremos rápidas recuperações de posse da bola. Na senda dos grandes médios defensivos argentinos, Rinaudo promete não deixar tempo nem espaço para os adversários decidirem e executarem na sua zona de acção. Interessante o jogo de coberturas ofensivas (linha de passe atrás do portador da bola) a dar seguimento aos ataques. O segundo golo nasce de uma bola que volta atrás, para dos seus pés sair na direcção de Postiga, antes de Schaars solicitar Ricky.

Schaars. Recebe, passa, procura linha de passe. Jogador de processos simples. Aparentemente culto tacticamente, pela facilidade que parece demonstrar nos gestos técnicos, e disponibilidade para oferecer opções de passe aos colegas, promete tornar-se num jogador importante no novo Sporting. Uma espécie de relógio suiço. Jogador fiável e com extraordinária capacidade de colocar a bola. A rever.

Hélder Postiga. O melhor. Os golos fazem-lhe tão bem. Não precisa deles para ser útil, mas são os golos que lhe dão confiança para tudo o resto. O golo cedo libertou-o. Bastante forte a oferecer linhas de passe e a dar seguimento à bola de cada vez que a recebia, está também na origem do segundo golo. É ele que baixa para receber a bola de Rinaudo. De patinho feio a titular importante é apenas um saltinho, que dependerá apenas da confiança com que abordar cada lance.

Izmailov. Joga muito. Esteve pouco participativo, mas percebe-se que a qualidade continua toda lá. Será determinante, assim continue com as capacidades intactas.

Ricky. Pouco participativo. Demonstrou potência num remate interceptado e mais técnica que a que poderia ser expectável face à sua fisionomia. A rever.

Evaldo. Que consiga ser útil a defender, porque a atacar é um desastre. Tal como todos os laterais de terceira divisão, tem a irritante mania de passar o jogo todo a passar a bola somente para o extremo esquerdo, mesmo que o deixe em apuros, apertado entre a linha lateral e o adversário directo. Já foi feliz com Domingos, e se não comprometer defensivamente, mesmo prometendo ser o elo mais fraco, poderá não ser um entrave à ambição leonina.

André Martins. Pouco tempo em jogo, mas o suficiente para se perceber que o miúdo mexe na bola! Possível candidato a surpresa, assim fique no plantel.

Yannick Djaló. Nunca será um extremo de qualidade. Se algum dia render o suficiente para justificar fazer parte de uma equipa do nível do Sporting, será a avançado, explorando a profundidade nas costas da defesa adversária.

P.S. - Não irrita um bocado chamarem "cicatrizes" ao holandês!? Respondam-me os entendidos. Será mesmo assim que se pronúncia!?

segunda-feira, 18 de Julho de 2011

SL Benfica. Prémios Torneio Guadiana

Prémio Melhor Jogador. Javier Saviola. Mais participativo, foi o jogador a que nos habituou. Não tem velocidade suficiente para explorar as costas das defesas adversárias com a mesma acutilância de Franco Jara. Todavia, e ao contrário do compatriota, é exímio a jogar em espaços curtos, e determinante na forma como permite à equipa progredir de forma apoiada para o ataque. Promete estar de volta, num momento em que Jorge Jesus se preparava para experimentar outras soluções.

Prémio Revelação. Matic. Dificilmente será muito utilizado, e porventura até bem sucedido no modelo de jogo de Jorge Jesus. Apesar da morfologia falta-lhe a imponência tão característica de Javi Garcia, e tão determinante na posição 6 das equipas de Jorge Jesus. Não tendo a mesma disponibilidade física e capacidade de se impor nas primeiras bolas como Javi, será sempre uma segunda opção para uma posição que, tão pouco é a sua de origem. Revelou, contudo, ser um jogador com uma capacidade técnica bem invulgar para atletas com tal morfologia. Fantástica a forma como recebe e passa, sempre de cabeça levantada. Seria uma mais valia em qualquer modelo de jogo que incluísse alguém a ocupar espaços mais próximos do trinco. A capacidade para sair a jogar é notável.

Prémio Adaptação. David Simão. O miúdo tem classe. No actual modelo de jogo não terá condições para atingir o sucesso como defesa esquerdo. A equipa expõe-se em demasia no ataque, fica dividida ao meio e demasiado dependente das características físicas dos jogadores que ficam atrás. David Simão, também por ser lento, é demasiado débil nas abordagens defensivas às situações de 1x1, e tal havia ficado patente, até na partida com o grupo de amadores suiços. Estivesse numa equipa mais capaz de se proteger essencialmente nas transições defensivas, e contando com uma cobertura defensiva próxima, tal não seria um problema. Ofensivamente é francamente bom, e faz lembrar alguém, que mesmo não sendo reconhecido, é um jogador tremendo. Maxwell, do Barcelona. Demasiado cerebral para o que é comum na posição, ficou na retina a tabelinha com Nolito e posterior cruzamento para o golo que definiria o vencedor do torneio.

Prémio Não Serve. André Almeida. É jovem e poderá, eventualmente, mudar o seu destino. Na actualidade não demonstra capacidade para jogar no SL Benfica. Pela forma incessante com que foi batido, fosse por mau posicionamento, ou por más abordagens às situações de 1x1, e pela forma como não tem capacidade técnica para contribuir em termos ofensivos, foi novamente o elo mais fraco da equipa. Será sempre um sobressalto se tiver de jogar.

Prémio Pior Jogador. Javi Garcia. Não tem capacidade para ocupar a posição de defesa central. Rotinado e experimentado, até poderá dar bem mais que o que demonstrou. Todavia, a lentidão com que demora a perceber o que se vai passando à sua volta, quando joga mais recuado é exasperante. A passada lenta, impede-o de dominar na profundidade defensiva.

Prémio Estou maluco para te ver jogar de novo. Nolito. Não sabendo com quem treinava (se com a equipa A se com a B), não deixou de ser impressionante o estilo de jogo do espanhol. Interessantíssima a forma como trabalha para receber a bola, sempre em movimento ao redor do portador da bola, garantindo com a sua movimentação os triângulos (portador da bola no vértice mais recuado, Nolito num dos vértices, direito ou esquerdo) tão característicos do modelo de jogo catalão. Invulgar a sua extraordinária recepção de bola, enquadrando sempre com a baliza adversária ao primeiro toque na bola, foram inúmeras as vezes em que saiu imenso perigo das suas botas. Participou em três dos cinco golos encarnados no torneio (nos outros dois, não estava em campo) e em vários lances que terminaram com os colegas na cara do guarda redes adversário. Um verdadeiro achado.

domingo, 17 de Julho de 2011

Planeamento de José Mourinho

"Uma equipa tem de ser ensinada de forma correcta pelo treinador, para que possa jogar à imagem dele e para saber desempenhar a sua função suficientemente bem para a executar de olhos fechados - e isto não implica ter as pessoas a trabalharem em conjunto durante anos. Trata-se de o treinador fazer as coisas certas, de trabalhar arduamente e de as sessões de treino serem proveitosas" José Mourinho.

"Pedro Léon, Canales, Drenthe e Lass por não entrarem nas contas de José Mourinho para a próxima época, não viajaram até Los Angeles e têm treinado no centro de estágio em Madrid." Notícia Correio da Manhã.

sábado, 16 de Julho de 2011

Nolito


"Tem técnica para arriscar mais. Devia ser mais egoísta." António Pereira, Correio da Manhã.

Poucos conhecerão realmente as capacidades de Nolito. O conhecimento que tenho do ex culé não difere da generalidade dos que assistem a jogos de futebol. Do espanhol vi apenas noventa minutos. Quarenta e cinco dos quais, frente a um grupo de amadores.

A primeira impressão foi positiva. Sentimento partilhado por todos quanto os que tiveram a possibilidade de ver as habilidades de Nolito. Parece impossível garantir que a primeira impressão será efectivamente real, tão pouco se teremos Nolito a ser bem sucedido.

Todavia, se há algo que ficou na retina, e se confirmado com mais minutos e mais jogos de observação, me levará a garantir o selo de qualidade de Nolito, é precisamente a capacidade que demonstrou, para mesmo sendo exímio em situações de 1x1, não fazer delas a sua única arma. Se algo impressionou, principalmente por inesperado, foi a aparente boa capacidade de decisão de Nolito. A forma como procurou sempre conduzir a bola somente na direcção do corredor central, como quando longe dos colegas, temporizou esperando pelo apoio, como procurou inúmeras vezes a tabela com o colega avançado, e como raramente forçou a solução individual.

Seria importante vê-lo integrado no onze principal, para poder confirmar a tendência. Até por temer que Nolito mude o seu jogar, na procura de maior reconhecimento público. Que como sabemos, chegará com os dribles, mesmo que se revelem inconsequentes, como quase sempre acontece quando se defrontam equipas bem dispostas em campo, e capazes de garantir situações de cobertura defensiva, tornando sempre os lances em Nolito contra dois.

quinta-feira, 14 de Julho de 2011

Dúvida pertinente


Porque a pré-época não é, ou não deverá ser somente correr e jogar à bola, a menos de 15 dias do inicio oficial da época, fica a questão.

Quando começa a pré-época no Benfica?

sábado, 9 de Julho de 2011

Há coisas que de tão evidentes, se percebem até a jogar contra os empregados do hotel


- Bruno César é craque, e será indubitavelmente, mais tarde ou previsivelmente mais cedo, um dos mais valiosos jogadores em Portugal;

- André Almeida e Roderick nunca terão qualidade suficiente para jogar no SL Benfica;

- Nolito não pareceu tão rápido quanto o esperado. Contudo, deu a sensação de ser incrivelmente mais inteligente do que seria previsível para quem tem tanta facilidade em resolver situações de 1x1;

- Cardozo e Aimar. São os dois jogadores de quem o SL Benfica não pode de forma alguma abdicar. A transferência do paraguaio será o maior tiro nos pés de que há memória. Com tamanha qualidade ao seu redor, apostaria em mais de uma vintena de golos na Liga, de autoria do suspeito do costume;

- Jara ainda não percebeu que não joga sozinho. Quando marcar aquele golo especial, todos se esquecerão das dezenas de jogadas que morreram nas suas botas. Nós, não.

sexta-feira, 8 de Julho de 2011

Sporting. Vamos lá refrear um pouco os ânimos

Saíram Valdés, Simon Vukcevic, Pedro Mendes e Maniche.

Apesar do fraco rendimento de cada um deles, (momentos interessantes aqui e ali, não justificaram de todo o valor das transferências e os seus presumíveis elevados vencimentos) ninguém pode negar que são jogadores de notória qualidade e com potencial de rendimento elevadíssimo, desde que devidamente enquadrados. E desde que assim também o desejem, claro.

Por tal visão, permitam-me que não esteja tão optimista quanto a restante blogosfera. O Sporting contratou imensos jogadores. Todavia, não consigo deixar de concordar com o Filipe Sá, do jogo directo, e parceiro do Letra1. É-me, no imediato, impossível concordar com a ideia de que o Sporting esta temporada está individualmente mais apto que no passado.

Rinaudo, Schaars, Onyewu e Ricky terão de provar superioridade face aos dispensados. E talvez porque aqui sempre se valorizou mais o jogador leonino que em muitos outros espaços, não cremos que seja tão fácil assim.
Dos miúdos de dezoito, dezanove e vinte anos, desconfiamos sempre. Tão jovem, nem Cristiano Ronaldo teria maturidade suficiente para uma época ao nível da ambição e do tamanho do coração do Sporting.

Honestamente que o plantel levanta agora mais dúvidas que no passado. A diferença, porém, é que esta época teremos Domingos no teste da sua vida. O treinador leonino deve ser tido como o principal reforço. É nele que recai toda a esperança de mudança no futebol do Sporting. Espera-se que ajude os novos jogadores a confirmarem a percepção que os mais optimistas deles têm.

P.S. - Há que elogiar a organização leonina. A forma como foi capaz de definir o plantel o quanto antes, e como soube proporcionar ao seu treinador as soluções para que este inicie o seu trabalho, desde logo com o objectivo de chegar rápido ao jogar pretendido, é de louvar.

P.S.II - Não deixe de espreitar no jogodirecto, as análises aos novos reforços. Concordando ou não, não se pode deixar de elogiar a minuciosidade que tão bem caracteriza o Filipe Vieira de Sá.

quinta-feira, 7 de Julho de 2011

Há falta de portugueses nos clubes grandes?

Este é de caras.

quarta-feira, 6 de Julho de 2011

SL Benfica. Desorganização, bagunça ou confusão?

Defina você o termo que melhor caracteriza a pré-época do SL Benfica.

Esta notícia apenas confirma o que já se pensava.

Desde o primeiro dia de trabalho, que há toda uma conveniência em trabalhar o modelo de jogo a adoptar. Há toda uma movimentação e princípios colectivos que devem ser aprendidos o quanto antes, para que depois se possa passar para a fase de desenvolvimento e consolidação das tais ideias do treinador.

Parece quase inconcebível que se inicie a pré-época com inúmeros jogadores que não farão parte do plantel. O caso torna-se particularmente grave quando se percebe que muitos dos que não podem ficar são velhos conhecidos do treinador.

É chocante e impossível de compreender porque seguiram para estágio jogadores, cuja probabilidade de fazer parte do plantel é nula.

O mais curioso de tudo é que ainda que trabalhando tão mal, o SL Benfica arrisca-se a ter o melhor plantel de que a memória recente nos permite alcançar. Assim, se confirme o real valor de quatro ou cinco reforços (Nolito, Bruno César, Garay, Enzo, principalmente) que tanto prometem.

A forma como o Benfica atravesserá no início da época tão mal programada pré-época poderá determinar toda a temporada. Uma certeza porém, não parece que seja pelos jogadores que tudo poderá quebrar.

terça-feira, 5 de Julho de 2011

SL Benfica. Oito ou oitenta?

Conjunto de afirmações bastante válidas que colocam o esboço da versão 2011/2012 do SL Benfica entre o céu e o inferno.

Oito. Inacreditável a forma como o plantel está completamente indefinido, nomeadamente o sector defensivo.

Oitenta. À data é possível afirmar, que o Benfica está apenas a um defesa central de ter o melhor plantel das últimas décadas.

Oito. Dificilmente a equipa estará definida e em boa condição para jogar a pré-eliminatória da Liga dos Campeões. Um bom sorteio será absolutamente determinante.

Oitenta. Enzo, Aimar, Bruno César, Nico Gáitan, Nolito e Urreta. Compare com Menezes, Jara, Weldon e Peixoto, que por mais de uma vez foram utilizados no meio campo ofensivo na última época.

Oito. Têm sido perdidos treinos potencialmente muito importantes, em treinos de conjunto para aferir a qualidade de jogadores que não deveriam sequer ter-se apresentado.

Oitenta. Manutenção de Aimar e Cardozo. Ambos serão fundamentais.

Oito. O plantel não parece estar fechado quanto a saídas.

Oitenta. A possível contratação de Garay e Ansaldi permitirá ao SL Benfica ter um dos onze mais fortes de que a memória recente nos permite alcançar. Na época em que se sagrou campeão, o onze inicial era realmente bem mais forte. Repare onde está hoje David Luiz, Ramires, Di Maria, e para onde caminha Fábio Coentrão. Todavia, ninguém seria capaz de o prever ainda na pré-época.

Oito. Não é certo que as alternativas defensivas aos titulares, sejam de qualidade elevada. De todos, apenas Jardel parece um substituto com potencial para almejar algo mais. Mesmo no ataque, não se sabe exactamente o que Rodrigo e Mora poderão acrescentar.

domingo, 3 de Julho de 2011

Futuro ponta de lança de Sporting e SL Benfica?


Trinta e três golos. É esta a soma do número de golos marcados por Bojinov, em conjunto com Bendtner nas últimas quatro épocas, nas Ligas em que participaram.

Até aqui, onde nem se valoriza em demasia determinados dados, como o número de golos e assistências obtidas, ficamos preocupados. Os números podem ser de facto assustadores. Mais ainda se pensarmos que o jogador que o SL Benfica tem preparado para substituir Cardozo, obteve nas últimas quatro épocas menos golos (vinte e um) que os que o paraguaio somou somente na última. Ou se nos recordarmos que se crê que Postiga não serve, precisamente porque não é um finalizador de excelência.

Os dados não podem, obviamente, servir para traçar a qualidade dos jogadores. Não é a capacidade de finalização que determina o valor do jogador. Essa deve ser vista como um extra. Todavia, se nos recordarmos do perfil de avançado que quer Sporting, quer Benfica pretendem, não serão os alvos definidos verdadeiros tiros nos pés?

Jorge Jesus já referiu inúmeras vezes que gosta de ter um avançado que sirva como referência na área. Alguém capaz de finalizar com elevada qualidade o caudal ofensivo, criado por outrém. Domingos se pretende de facto outro avançado, dificilmente tal não pode ser dissociado da percepção que terá da menor capacidade de finalização de Hélder Postiga. É que o português é bastante apto em tudo o mais.

Importante reforçar que o texto não pretende, de forma alguma desvalorizar o valor quer de Bojinov, quer de Bendtner. Como poderia tal ser verdade, se nunca foi possível assistir a um minuto que fosse de um jogo em que o búlgaro tenha participado. E de Bendtner, a imagem guardada até é extremamente positiva.

sexta-feira, 1 de Julho de 2011