quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Melhor reforço da Liga. 7º Lugar. Schaars.


Mais um jogador de nomeada que chega à Liga portuguesa. Internacional holandês, finalista no ultimo Mundial na África do Sul, Schaars é um futebolista de qualidade.

Louvável a primazia pela rapidez com que faz a bola correr de corredor a corredor, o holandês é um centrocampista muito interessante, capaz de retirar a bola das zonas de pressão, e iniciar com assertividade o ataque da sua equipa. A qualidade do seu pé esquerdo é evidente, e confere-lhe capacidade para colocar a bola onde mais pretende, para além da mais valia que acrescenta nas bolas paradas.

As dificuldades sentidas nos primeiros jogos da Liga, partem mais das vicissitudes do modelo de jogo experimentado. A Stijn Schaars tem sido pedido que jogue mais adiantado, numa linha próxima do avançado, numa zona de construção bem adiantada. Por não primar pela criatividade, o seu jogo torna-se previsível numa zona onde se exige um pouco mais de ousadia.

É o típico jogador que dividirá opiniões, meramente em função dos resultados da sua equipa. Será adorado, pela sua capacidade para fazer rodar a bola, quando a equipa ganhar, ou detestado quando perder. Não acrescenta nada, dirão.

O seu sucesso dependerá mais das opções de Domingos que propriamente da sua qualidade. Porque essa, é evidente. Esteja o Sporting a ganhar, ou não.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Organização ofensiva. Baixar para receber e paciência. Muita paciência.

Anatomia do primeiro golo do Benfica na Madeira.

Artur defende um remate de Rondón, e a TV mostra-nos a repetição. Terminada a repetição do lance:

- Witsel baixa, recebe, é apertado, não consegue enquadrar, entrega em Jardel e sobe novamente;

- Aimar baixa, recebe. Pressionado não consegue enquadrar, devolve a Jardel e sobe;

- Jardel dá em Luisão;

- Luisao levanta a cabeça, procura opções mais ofensivas. Não há, devolve em Jardel;

- Jardel procura alguém que baixe. Ninguém o faz, devolve a Luisão;

- Witsel baixa, recebe de Luisão e enquadra, com espaço livre conduz a bola até próximo do defesa adversário fixando-o, e entrega em Gaitán que fica com espaço, muito pela acção de Witsel que atacou o defesa que teria de sair ao argentino, obrigando-o a sair a si;

- Cruzamento do argentino e golo de Cardozo.

Nem só a qualidade individual expressa nas competências técnicas determina o sucesso/insucesso das acções de uma equipa. Perceber a paciência que é preciso ter com a bola quando o adversário está organizado, e preparar movimentos de "abaixamento" dos centrocampistas para receberem a bola e darem continuidade à saída para o ataque é decisivo para quem pretende ter um jogar inteligente.

Saber esperar é uma virtude, dizem. E no futebol, claramente que compensa saber discernir os momentos em que se deve ou não investir de forma mais ou menos veemente ou veloz, nas acções que se tomam. Forçar sistematicamente o ataque, mesmo quando condenado ao insucesso só retirará qualidade e possibilidade de êxito ao jogo ofensivo da equipa. Tivesse Aimar, ou Witsel forçado o enquadramento quando pressionados e provavelmente teria havido uma perda de bola, que inviabilizaria tudo o que sucedeu após. E é também por isso, que a assistência de Gaitán, tem o valor que tem. Que ainda que seja muito, e mesmo que registado estatisticamente, não teve uma importância superior à participação de Aimar e, muito menos à de Witsel em toda a jogada.

Bruno César e Emerson

Procuro a opinião generalizada sobre os dois brasileiros, e é com enorme espanto que percebo que enquanto um é apelidado de gordo e incapaz, ao outro são reservados elogios. Defende bem, não compromete e por vezes até sobe e acaba a cruzar para a área.

O futebol é isto. Por vezes, basta a fisionomia para convencer o adepto. Outras, só depois de a bola bater na rede, se muda a opinião do mais indefectível.

Os dois brasileiros não enganam. Bruno César é um jogador interessantíssimo, com um potencial imenso. Emerson é do piorzinho que tem passado pela lateral esquerda do Benfica.

Um tem boa técnica, uma velocidade de execução estonteante, e até na passada é dos mais rápidos em Portugal. Para além disso, é forte na tomada de decisão. Joga simples quando se impõe, corre com a bola, quando o espaço à sua frente assim determina. Não tivesse tapado por um dos maiores talentos que já passou pela Liga (Aimar, pois claro), e garantidamente que seria uma das revelações da Liga. Assim, há que ficar contente de cada vez que mesmo tendo pouco tempo para jogar, faz golo. Não que os golos lhe definam a qualidade. Mas, é a única forma de convencer quem é incapaz de ver mais além. Na Madeira, passou quase quarenta e cinco minutos a jogar a dois, três toques. Das três vezes que encontrou espaço à sua frente, conduziu, conduziu, conduziu até isolar Cardozo, até obrigar um adversário a ver segundo amarelo, e até fazer golo. Nada mau para um gordinho, hein?

Emerson nos últimos dois minutos de descontos no jogo da Madeira, entregou por duas vezes o ouro ao bandido. Salvo seja. Uma performance notável, ao alcance de poucos. Nos seus pés a bola chora. É certo que é um jogador abnegado, capaz de lutar por cada bola como se a sua vida disso dependesse. Há quem aprecie e se sinta feliz por ter alguém assim na sua linha defensiva. Porém, para além das insuficiências que ainda demonstra mesmo no momento defensivo, de cada vez que tem de ter a bola nos pés, é o SL Benfica que está em risco.

Um talento que é olhado de esguelha, e um cepo que faz as delícias de muitos. Diga-me. O que há para não adorar neste jogo?

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Quebrar preconceitos

Quão interessante seria ver o Vitória de Setúbal ser orientado por um treinador que privilegiasse a componente táctica do jogo.

Os trintões Hugo Leal, Neca e Zé Pedro, coadjuvados pelo quase trintão Pitbull, demonstrariam o quão preconceituosa é a ideia de que o futebol termina aos trinta.

Juntos formam um dos meios campos que mais futebol produz em Portugal.

P.S.- No outro lado esteve Alan. Próximo dos trinta e dois, é ainda um dos melhores jogadores da Liga portuguesa. Se ao contratar, a opção fosse pelo rendimento imediato, em detrimento do potencial, ou de um possível futuro encaixe financeiro, é certo que teria lugar no plantel da equipa que escolhesse da Liga Sagres.

Curtas do modelo e das individualidades ao dispor de Domingos

- Não há meio campo. O Sporting joga num 4x1x4x1. Há cinco jogadores estacionados nas imediações da grande área adversária, bastante longe dos colegas de equipa. Se a eles juntarmos inúmeras vezes a subida dos laterais, ficam sete jogadores (bem) à frente da linha da bola. Demasiado longe dos colegas e sem trabalho para receber, percebe-se o porquê de aos vinte minutos de jogo, já os centrais leoninos terem por uma mão cheia de vezes solicitado os distantes colegas em passe longo;

- Se ofensivamente, jogar com quatro médios ofensivos, coarcta a possibilidade de a bola chegar com assertividade às zonas mais adiantadas do campo, defensivamente o Sporting não melhora em um milímetro. Se exceptuarmos o espaço imediatamente à frente dos centrais, que é ocupado pelo trinco, há um buraco enorme entre os defesas e os médios. E não admira que os defensores leoninos tenham sido mais vezes chamados a intervir que os madeirenses. Enquanto num lado, os médios servem de "tampão", sendo eles os primeiros responsáveis por sair à bola, no Sporting, defensivamente, os quatro do meio campo estão sempre a jogar contra a maré. Sempre a procurar recuperar metros, face ao adiantado posicionamento inicial;

- Ainda defensivamente, e comparativamente por exemplo, com o que Jorge Jesus faz quando joga com um único médio, o Sporting torna-se ainda menos seguro. Porque a sua linha da frente não faz pressão e deixa desde logo o adversário chegar com mais qualidade ao espaço entre sectores, ou porque quando faz e obriga o adversário a sair de forma directa, os cinco que ficam atrás são incapazes de matar o ataque logo na primeira bola. Mesmo quando a ganham, demasiadas vezes a bola fica a "pingar" no espaço defensivo. Com os médios tão longe, é difícil impedir o adversário de ficar com a sua posse, após o primeiro duelo no ar;

- Se lhe parece que Schaars joga próximo do trinco, está enganado. Por vezes, quando a bola é colocada no espaço descoberto entre sectores, é o holandês que recupera mais rápido. Somente por isso lhe pode dar a sensação que o Sporting joga com alguém próximo do trinco. Schaars joga nas costas do ponta de lança, ladeado de outro médio centro ofensivo, e de dois extremos;

Não parece que este modelo tenha possibilidades de levar Domingos ao sucesso. Ainda assim, se for para manter, talvez algumas alterações nas suas opções pudessem melhorar o jogo do Sporting. Assim:

- Rinaudo tem de jogar. Duas razões emergem para que tal seja uma obrigatoriedade. O trinco joga demasiado longe dos restantes médios, e é por vezes obrigado a controlar toda a largura do campo naquela linha. O argentino tem uma reactividade que André Santos jamais terá. Chega muito mais rápido ao adversário que o português, e será, individualmente, mais capaz de suprir as deficiências do modelo de Domingos. Também ofensivamente, mostra-se mais capaz de ligar os corredores. As suas coberturas ofensivas foram sempre mais próximas da bola, e revelou-se sempre mais apto para dar seguimento às jogadas ofensivas, quando a bola tem de recuar. Contra o Maritimo, e porque havia demasiada gente à frente da linha da bola, de cada vez que era preciso jogar num apoio, a bola tinha de recuar inúmeros metros até aos defesas centrais, permitindo dessa forma respirar e restabelecer a organização madeirense. Ao contrário de André Santos que pareceu mais preso ao corredor central, Rinaudo mesmo que demore um pouco mais a decidir, está sempre mais próximo da bola;

- Schaars não tem características que o possam fazer jogar no actual modelo. O problema estará sobretudo no modelo, mas insistindo nesta forma de jogar, o holandês terá de ficar de fora. É o tipo de jogador que pode encaixar com grande categoria num 4x3x3, com médios interiores. Para jogar tão próximo da grande área adversárias, falta-lhe criatividade. Naquela zona, nem sempre importa jogar a um, dois toques. Demasiadas vezes, especialmente quando se criam situações de superioridade númerica em determinada zona, impõe-se o transporte de bola, atacando o adversário directo, para posteriormente soltar a bola para as costas deste, na direcção de um colega. Schaars, não tem outra solução que o passa e recebe. É demasiado curto para quem joga tão adiantado.

P.S.- No lance do segundo golo do Marítimo, há uma histeria colectiva crucificando o passe de João Pereira. É óbvio que tudo nasce do erro técnico de João Pereira. Há que perceber, contudo, que erros técnicos acontecem, e irão continuar a acontecer. E é óbvio que quanto maior for a qualidade do interveniente, menos erros dessa natureza cometerá. Todavia, é muito mais preocupante o comportamento do lateral no momento seguinte ao mau passe, que propriamente o erro técnico, que reafirma-se, ninguém está a salvo de cometer. Pereira não soube reagir. Desatou a correr na direcção do portador da bola de forma desenfreada, quando deveria ter recuperado rapidamente para a linha defensiva, e somente uns segundos mais tarde adoptou o comportamento que se impunha desde o início. Demasiado tarde, porém. Sami já tinha recebido a bola com total à vontade no espaço desocupado, e já se dirigia para o corredor central preparando o remate.

Uma questão de herança?

Já aqui cometemos a terrível injustiça de crer que tudo o que de bom o Sporting de Braga alcançara com Domingos, tinha "dedo" de Jorge Jesus.

Hoje, é fácil perceber que há em todo o seu percurso um mérito que não pode, de forma alguma, ser dissociado das suas competências.

Seria expectável que com o tempo de trabalho que já leva, o Sporting apresentasse um pouco mais de futebol? Naturalmente que sim. Recorde-se que em Braga, e apesar de ter caído bem cedo na Europa, Domingos somou sete vitórias nas primeiras sete jornadas.

Fica aqui, contudo, uma frase que desde que proferida vai para quatro meses, parece ter sido das mais assertivas sobre o que poderia/poderá ser o caminho de Domingos no Sporting.

"Agora também vos digo: não é DE TODO a mesma coisa herdar uma equipa do JJ (tenha o Domingos o mérito que tiver, que o tem) ou herdar este conjunto que se equipa com a camisola do Sporting, que não tem quaisquer princípios de jogo". A frase é de um estimado leitor (Petinga) e foi proferida aqui.

Domingos precisará de mais tempo para que se possa avaliar de forma justa o seu trajecto. Ter herdado um grupo que parte do zero, não ajuda. Há, porém, vários treinadores que conseguiram triunfar desde logo. E reafirmando. Triunfar não terá de ser necessariamente almejar o troféu mais desejado. 

domingo, 28 de agosto de 2011

A inexistência ofensiva do FC Porto no Monaco

A "previsão" avançada pelo Centro de Jogo.

"Para nós, desde a última temporada, existiu uma regressão comportamental em Hulk. Era um jogador que já se preocupava em valorizar situações onde a cooperação era a “ordem máxima”, mas nestes primeiros jogos da época, tem-se visto um Hulk com más decisões, umas atrás das outras, imprevisível no espaço que ganha, mas previsível por optar demasiadas vezes pelo espaço errado. Perde a bola em demasia, mas quando não a perde, pouco tem acrescentado, passemos a explicar.

Hulk, tem demonstrado neste inicio de época falta de Capacidade de Decisão, principalmente quando não há espaço nas costas da defesa para poder acelerar. O mesmo acontece em momentos que recebe entre linhas mas existe um rápido ajuste defensivo, com as coberturas interiores a chegar perto da saída do drible (quase sempre para dentro), acção que nesta fase, está a privilegiar em excesso. Isto faz com que perca consequentemente a bola, embora o resultado não seja sempre esse. Quando não a perde, ficando então em posse da mesma, escolhe afastar-se das suas coberturas, ou seja, fica longe de quem se movimentou para o auxiliar, centrando com isso o jogo nas suas acções, o que facilita a (re) organização defensiva e a consecutiva a recuperação de bola. Mais que perceber como pode ter sucesso, deve entender como poderá a equipa ter sucesso se alterar a sua leitura de situação, se deixar de ser somente imprevisível para “um defesa”, e o passar a ser para “onze defesas e suas dinâmicas”, a denominada Organização Defensiva".

A estatística final da partida

Hulk

Passes certos - 42%
Fintas conseguidas - 4
Fintas falhadas - 7
Perdas de bola - 11

Se ao melhor pressing do futebol mundial, o do Barcelona, pois claro, juntarmos jogadores cujo habitat natural é o jogo com imenso espaço, e cuja capacidade para jogar em espaços curtos é diminuta, percebe-se que seria tremendamente difícil ao FC Porto construír com assertividade jogadas de envolvência ofensiva. E se defensivamente, Vitor Pereira revelou ser um dos mais duros ossos que Guardiola teve que enfrentar, a proposta de jogo do FC Porto acabou por condicionar a sua própria transião ofensiva. E sobre as capacidades de Hulk em organização, estamos conversados...

P.S. - Há uns posts atrás lamentávamos a saída de Fábio Coentrão para o Real Madrid. O português é Barcelona da cabeça aos pés, e a Catalunha deveria ser o seu destino de sonho. Já Hulk, representa o protótipo de jogador que prejudicaria de sobremaneira o jogo culé. Porém, pelas suas características, tem obviamente capacidade para ser decisivo em outro tipo de modelo de jogo que o potencie, mesmo que numa Liga bem superior à portuguesa.

sábado, 27 de agosto de 2011

Resquícios do Mundial sub 20.


Davila reforça Chelsea.

É de espantar que aparentemente, em Portugal não tenha havido prospecção suficiente em tão interessante competição.

Davila foi um dos jogadores marcantes da competição. Apesar de neste espaço, não ter sido nomeado para a equipa do torneio, houve o cuidado de referir aqui, a 22 de Agosto, que apenas ficou de fora pela opção de "convocar" apenas um único número dez (Lamela, que tal como Davila chega esta época à Europa, foi o escolhido).

Há, todavia, um leque de jogadores admiráveis, que continuam acessíveis aos clubes portugueses, e é verdadeiramente espantoso que Luque, Óscar e Ortega continuem longe dos holofotes europeus.

Vitor Pereira no Monaco

"Eu devo-lhe dizer que trabalhamos, sempre em todos os nossos microciclos, a contenção, as coberturas e os equilíbrios defensivos. Mas existem coisas fundamentais para além destas, como por exemplo a identificação de referenciais de “pressing”, existe o atacar o adversário pelo “lado cego”, promover a organização de uma zona pressing inteligente e organizada, no sentido de levar o adversário a sair a jogar de determinada forma na primeira fase de construção, retirarmos espaço e tempo de execução ao adversário, é importantíssimo saber defender por linhas, e estas são as nossas principais preocupações que temos no nosso trabalho semanal."

"Pressionar o adversário pelo lado cego é o aproveitamento dum mau posicionamento do adversário, dum deficiente ajustamento dos apoios na recepção da bola que normalmente “fecha” o campo. O que é que eu quero dizer com isto, imaginemos o adversário a sair a jogar pelo corredor lateral direito com o médio centro ou o pivot defensivo a receber passe interior com os apoios virados para esse corredor, voltados para essa lateral, portanto está-nos a dar o “lado cego” e normalmente isso acontece sempre, acontece na linha defensiva ou na linha média. Recebem quase sempre a bola dando “lado cego” e é isto que temos de aproveitar com uma aceleração, com uma acção pressionante sobre o “lado cego”, mas para isso temos de convidar o adversário a entrar na “zona pressing” que estamos a organizar, para depois acelerarmos sobre o adversário e recuperar a posse de bola."

Sobre as referências usadas para pressionar.

"Passe devolvido entre central e lateral, passe longo do adversário, passe devolvido pivot defensivo central, são momentos que nós queremos aproveitar colectivamente para “saltarmos” em cima do adversário. Nós no fundo tentamos promover determinada forma de construção de jogo do adversário e posicionamo-nos para que esses momentos que são referenciais de pressão para nós surjam, para nos aproveitarmos colectivamente, através de uma identificação colectiva. Não queremos pressões individuais, porque isso desgasta e abre o nosso bloco defensivo. Nós pretendemos que momentos como passes devolvidos, receber de costas, passes longos lateralizados sejam identificados como referenciais de pressing colectivos, sejam identificados como momentos em que temos de “saltar” em cima do adversário. Não queremos um tipo de pressão constante, se pressionarmos constantemente o adversário, ele não sai a jogar, o adversário bate a bola na frente, não nos permite criar condições para..então nós temos que diferenciar ritmos defensivos, ou seja, nós temos de lhes dar a ideia de um momento calmo para um momento rápido." Vitor Pereira.

Não se sabe de que forma Vitor Pereira operacionaliza as suas ideias. Não será seguramente com palavras, ou com insípidos exercícios que terá as suas equipas a comportarem-se como define teoricamente. Todavia, e mesmo que o estigma de André Villas Boas perdure, percebe-se que com maior ou menor capacidade de operacionalização, Pereira sabe do jogo.

Surpreendente o posicionamento defensivo do FC Porto no jogo da Supertaça Europeia. Sabendo da forma como demasiadas vezes progride o Barcelona no campo de jogo (formando triângulos no campo, sendo o portador da bola o vértice mais recuado, ficando com opção de passe sobre a sua direita e esquerda, nos vértices mais adiantados), o FC Porto, mais do que garantir a contenção (posicionar alguém entre a bola e a sua própria baliza), procurava, dependendo do espaço onde a bola estava, fechar as linhas de passe. Tapava as arestas, convidando o jogador culé a progredir com a bola no pé, uma vez que a oposição oferecida ia mais no sentido de cortar as linhas de passe dos tais triângulos que o Barcelona sempre forma.

Fosse o Barcelona uma equipa formada por jogadores que ao invés de perceberem o jogo, o tivessem decorado, isto é, fosse o Barcelona uma equipa com as combinações ofensivas definidas como que de forma mecânica, e a surpresa teria sido bem maior. O problema de enfrentarmos adversários super inteligentes é que mesmo que os possamos surpreender, eles revelam-se sempre capazes de reinventar o jogo.

Foi um FC Porto surpreendente nos momentos em que não teve a bola, mas ainda assim incapaz de travar o seu destino. Há que continuar a explorar estratégias para parar a melhor equipa da história. E a menos que passe a ser permitido entrar com quinze jogadores, para ao mesmo tempo cortar linhas de passe e impedir a progressão culé, ou não está nada fácil descobrir a fórmula. Valeu, ainda assim, a louvável tentativa. Vitor Pereira demonstrou que trabalha.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Messi

Descobri-lhe o segredo. Não a forma de o parar, porque é coisa que todos sabemos que não existe. Mas, o seu segredo. O porquê de se mover como ninguém. O porquê das mudanças de direcção humanamente impossíveis.

Messi é invertebrado. Acredite. Não pode haver outra explicação para alguém serpentear de forma tão bela e cativante.

"Ah e tal, na Argentina, nunca fez não sei o quê". Epa, Não me lixem.

Quando Capel a traz para o meio




O jogo ofensivo do Sporting ganha dimensão.

O espanhol tem capacidade para conduzir a bola a grande velocidade. Progredindo na direcção do corredor central, liberta-se do adversário directo, obriga o adversário a desposicionar-se (e relembre como será complicado para quem defende com referências individuais, orientar-se no campo, quando um defensor diferente do previamente programado tem de sair ao adversário) por invadir um espaço diferente, e fica com opções à sua direita e esquerda, tornando a sua acção seguinte imprevisível.

Capel e Jeffrén têm qualidade técnica e velocidade que pode ser facilmente explorada da forma como Domingos mais pretender. E se desde a saída de José Peseiro, que não vemos um Sporting letal na transição ofensiva,  não há, todavia, e face à qualidade, ou potencial individual dos novos alas do Sporting, hipótese de na presente época  não crescer exponencialmente no momento ofensivo em que mais se chega ao golo. Palavra a Domingos.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Vendaval de bom futebol

Terá Jorge Jesus percebido o caminho, depois de mais uma inequivoca demonstração de força dos onze que subiram ao relvado?

Nem tudo está perfeito. O posicionamento defensivo de Witsel nos momentos em que Javi sai ao adversário com bola, continua a precisar de ser revisto. Tal como havia sido previamente afirmado aqui, e como foi detectado logo no intervalo do jogo que teve lugar no Estádio da Luz pelo Miguel do Centro de Jogo.

Independentemente das modificações que urgem operar para garantir uma maior segurança defensiva, é decisivo que Jorge Jesus perceba que este é o caminho.

A força do Benfica no momento ofensivo havia sido identificada com enorme clareza por Co Adriaanse. "O Benfica tem jogadores muito inteligentes e técnicos". Queira Jesus parar de persistir com o seu 4x2x4, e retomar a formula com um médio interior próximo do trinco, que o levou ao sucesso, e terá uma oportunidade única de voltar a ser feliz. É que mesmo nos momentos ofensivos, a equipa ganha uma dinâmica muito mais interessante com a presença de Witsel e Aimar em simultâneo, em detrimento de ter quatro jogadores estacionados junto aos defesas adversários directos.

Destaques individuais.

Nolito. Nestes três anos de blog, fomos tentando dar a entender as características que nos prendem nos extremos, que são por norma jogadores tão próximos dos adeptos, quanto longe dos colegas. Três anos depois chega à Liga portuguesa o tal extremo que personifica tudo o que cremos que deve ser o jogador que ocupa o corredor lateral ofensivo. Muita inteligência na forma como decide cada lance, e muita capacidade técnica que lhe permite colocar em prática o que a mente decide. Nolito enche as medidas a qualquer um. Personifica a vitória da inteligência, até sobre o talento. É um jogador e tanto. Ele, Aimar e Witsel fazem valer o preço do bilhete na Luz.

Aimar. É o caso tipíco do jogador que tem tudo para ser mal compreendido, assim os colegas ao seu redor não acompanhem a sua qualidade. Aimar não resolve sozinho. Se não tem ao seu lado quem respeite as tabelas, quem saiba por onde desmarcar, quem lhe acompanhe o raciocínio parece que se apaga. O problema, porém, nunca está nele. Com Nolito e Witsel por perto, está a rubricar as melhores exibições desde que chegou a Portugal. Mas, Aimar foi sempre o mesmo... É um sonho de jogador.

Witsel. Talvez os grandes europeus quisessem perceber a sua qualidade numa realidade diferente da Liga belga, ou talvez apenas meio mundo tenha estado a dormir. Não interessa. Witsel é um dos mais apaixonantes médios que passaram por Portugal na última década. E não interessa sequer, se é demasiado cedo para o afirmar. Há que aproveitar para o ver enquanto por cá está. É um portento físico, dotado de excelente capacidade técnica, com uma tomada de decisão fortíssima. Faz parte do novo trio maravilha que se está a formar no Benfica. Voltar a sentar-se no banco, ou até ser encostado ao corredor lateral direito, como Jesus fez nos últimos minutos com o Twente, será um atentado ao futebol.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

"...na segunda temporada ele recusou-se a melhorar os aspectos menos bons no sistema de jogo"

"Klinsmann chegou ao Bayern como um herói depois do brilhante Mundial de 2006 que a Alemanha fez. Treinávamos quase em exclusivo a componente física, era raro abordar questões tácticas";

"Tivemos jogadores que se reuniam para discutir, antes dos jogos, como iríamos jogar. Seis ou oito semanas após o início do campeonato, todos os jogadores já sabiam que Klinsmann não ia ficar no clube. No resto da temporada os objectivos eram apenas limitar os danos";

"Louis van Gaal teve o mérito de ter implementado uma filosofia de jogo que foi extremamente bem-sucedida na primeira temporada. Por outro lado, na segunda temporada ele recusou-se a melhorar os aspectos menos bons no sistema de jogo" Philip Lahm, na sua autobiografia.

Deve ser algo de terrível para um jogador inteligente, particularmente na compreensão que tem do jogo, ter de lidar com treinadores incapazes de abordar a vertente táctica do jogo, ou de mudar um milimetro que seja as suas ideias iniciais, mesmo quando todos percebem que o caminho escolhido não os conduzirá ao sucesso. Talvez um dia, tenhamos biografias suficientemente interessantes de jogadores que tenham passado ou pela Liga, ou pelas selecções nacionais, que nos revelem a percepção que foram tendo das atrocidades a que por vezes foram/são sujeitos.

E se tivessemos o Xavi no Sporting?


Não lhe reconheceriamos valor.

O presente texto, para não cair na possibilidade de cometer uma terrível injustiça com o novo Sporting que está a ser construído, pretende fazê-lo reflectir sobre o que poderiam dar as individualidades no Sporting das últimas duas épocas. Ainda que possa também, ser associado aos dois últimos jogos.

Consegue imaginar Xavi no Sporting dos últimos dois anos?

Não há movimentação. Se crê que Xavi descobre os colegas em excelente posição, está enganado. Xavi é realmente capaz de colocar a bola onde mais deseja, mas a equipa não mexe, e deixa-o sem opções. Sem opções e pela sua incrível cultura táctica, não arrisca a posse e mais não fará que receber e passar para trás ou para o lado. Não progride com a bola no pé, nem dribla. Apenas recebe, e passa para o lado. Eventualmente acaba por se entender com Postiga. Mas no futebol, não chegam dois para dançar o tango. Em três meses, é descredibilizado. De que serve ter alguém em campo que não acta, nem desata, pensa todo o topo sul de Alvalade.

O treinador cede, acaba por substituí-lo por alguém que progride com a bola no pé. Por alguém com um bom remate, que de tempo a tempo acerta na barra e até faz um ou outro golo. Um alívio muito grande não termos agora aquele jogador que mais não faz que passar curto, desmarcar em apoio, receber e voltar a passar. Desde que saiu, e entrou alguém que 'abana' o jogo, parece que a equipa melhorou. Apesar dos maus resultados persistirem.

Por vezes, há ficções que poderiam tão facilmente confundir-se com a realidade. Não há? Agora imagine o que sofrem determinados jogadores com a impotência que seguramente vão sentido, quando mesmo sabendo que não são eles os responsáveis pelo mau estado do futebol praticado, são atirados para a fogueira.

P.S.- Não os conhecendo fica aqui a dedicatória. Ao Postiga, ao Pereirinha e ao Matias. Esperando não ter de o dedicar um dia mais tarde ao André Martins.

P.S. II - Relativamente ao melhor avançado do Sporting, enquanto Bojinov não se mostra, se tivesse que nivelar a sua competência, colocá-lo-ia algures no meio entre a imagem que a blogosfera leonina tem dele, e o que o excelente Entredez  pensa sobre a sua capacidade.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Minuto 31 em Aveiro

Beira Mar com nove jogadores atrás da linha de bola que está na posse de João Pereira, ainda no seu meio campo defensivo. Matias, calmamente baixa no relvado, como que solicitando a bola, para iniciar pausadamente o ataque organizado do Sporting. João Pereira não só não respeita o movimento do colega, como dá um sprint em progressão com a bola colada ao pé, na direcção do meio campo adversário, acabando por a perder. Perdida a posse, barafusta como ninguém com Matias. Indica-lhe de forma veemente o espaço onde deveria estar para receber a bola.

O minuto 31 do Beira Mar x Sporting, acaba por personificar o que ainda é o Sporting nos momentos ofensivos. Não há um pensamento e um jogar comum. João Pereira não sabe, mas o momento ofensivo, ainda para mais quando estão nove adversários à frente da linha da bola, não se faz aos repelões. Ainda que o drible que tentou tivesse sido bem sucedido, que vantagem retiraria dele? Será compensador arriscar um drible para depois deste continuar a ter oito adversários à frente da bola? Sabendo até que o mesmo, mal sucedido, deixará o adversário com apenas quatro defensores até à baliza?

Acedo a admitir que Matias ainda não teve o rendimento que o seu potencial faz adivinhar. Não será, porém, seguramente fácil para o chileno coabitar com colegas com ideias diferentes. Matias tem o jogo todo na cabeça, mas são demasiados os que não o acompanham. Há ainda o handicap da sua catalogada falta de intensidade que o deixa embaraçado perante os adeptos, e o impede de ser mais extrovertido em campo.

Talvez Domingos ainda não tenha aflorado o processo ofensivo, e talvez seja essa a razão para que nem todos tenham a mesma ideia de movimentação/posicionamento na mente. Fica no entanto o conselho. As coisas podem não estar a sair ao chileno, mas garantidamente que sabe mais do jogo que quase todos os outros. Percebe os momentos em que se deve progredir com bola e sabe quando deve baixar para nesta pegar e progredir em consecutivos passes.

Se há algo que se deve saber é que particularmente no momento de organização ofensiva, não se deve forçar a que as coisas aconteçam de forma demasiado rápida. Há que ter paciência, rodar a bola em sucessivos passes no pé do colega, esperando o momento certo para fazer a bola progredir não no pé, mas na profundidade. Se temos na equipa um jogador que de cada vez que pega na bola, vai para cima, sabemos que estará no coração do adepto, mas tão longe da necessidade que temos de jogar com qualidade.

P.S.- Poucos minutos depois, Fernandez é substituído. Se percebeu o porquê de ser ele a sair, a caixa de comentários está ai.

O melhor reforço da Liga. 8º lugar. Capel.

Internacional em todas as selecções espanholas, o que por si só é um indício de qualidade, Diego Capel foi eleito por vós o oitavo melhor reforça da Liga. Relembrando que Jeffrén, por chegar mais tarde, não foi a votos.

A velocidade a que conduz a bola, e o seu excelente cruzamento parecem ser os pontos mais fortes de Capel. Dele se diz, e aparentemente com assertividade, que é um extremo à moda antiga. Alguém capaz de desconcertar o adversário directo, e cruzar a preceito. As suas características tão apreciadas, conservá-lo-ão no coração dos adeptos.

Todavia, e para que possa ser o mais útil possível a Domingos, há que perceber que o caminho da linha de fundo nem sempre será o ideal. Toda aquela velocidade a que conduz a bola, se direccionada no caminho certo, o da baliza, e principalmente aquando da transição ofensiva, dar-lhe-à uma preponderância que ainda está longe de ter.

Se Domingos o ajudar a crescer, indubitavelmente que terá condições, pelo potencial técnico e físico que apresenta, para ser uma das figuras da Liga. Porém, se o seu jogo continuar a resumir-se à procura incessante da linha de fundo, garantidamente que o futuro do Sporting passará muito mais por Jeffrén, que por Capel. Talvez, e pese embora um certo exagero, se deva lamentar não ter durado um pouco mais a sua passagem pela Catalunha.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Mundial sub20.


Melhor 11 em 4x3x3. Mika (Portugal); Danilo (Brasil), Nuno Reis (Portugal), Bartra (Espanha), Planas (Espanha); Oriol Romeu (Espanha), Óscar (Brasil), Isco (Espanha); Luque (Argentina), James (Colômbia) e Nélson Oliveira (Portugal).

Banco em 4x4x2. Andrada (Argentina); Cédric (Portugal), Juan (Brasil), Franco (Colômbia), Quinones (Colômbia); Récio (Espanha), Ortega (Colômbia), Canales (Espanha), Lamela (Argentina); Rodrigo (Espanha) e Muriel (Colômbia).

Melhor Jogador - Óscar (Brasil)

domingo, 21 de agosto de 2011

It's 'Olivera' against the world. Curtas do Mundial de sub 20.

- Verdadeiramente deplorável o critério (se houve algum) na nomeação dos melhores do Mundial. Se não há capacidade para perceber o óbvio, talvez seja boa ideia proceder às nomeações só no final do último dia. O melhor jogador do torneio, e a léguas de todos os outros, desde a primeira à última jornada foi sempre o mesmo, e foi indicado aqui, logo desde bem cedo, como o mais impressionante jogador na Colômbia. Como somente chegou ao golo, e por três vezes, no último dia, ficou fora do lote. Óscar é dez vez mais jogador, e foi dez vezes mais importante que os nomeados Coutinho, ou Henrique. Lamentável a sua ausência na entrega dos prémios individuais;

- Ainda nas nomeações. Inacreditável a nomeação de Hugo Mallo. Do onze inicial da selecção espanhola, é claramente o menos capaz. O critério arcaico de valorizar quem tem três dribles para oferecer, persiste numa nova era. Valorize-se ainda assim, a presença do argentino Carlos Luque no lote. A par de Óscar, é a grande figura do Mundial. Daqui por algumas épocas estarão no clube que decidirem estar;

- É possível que hoje o seleccionador brasileiro seja apelidado de genial, pelas alterações que promoveu ao intervalo. Na verdade, Franco Ney concedeu aos portugueses uma oportunidade quase única de serem felizes. Tivesse a selecção nacional uma, uma única que fosse, saída para o contra-ataque treinada e rotinada, e dificilmente não teria percorrido com êxito a enorme auto estrada que Ney abriu na sua defensiva;

- Não deixa de ser irónico que depois de ter chegado tão longe na prova sem uma única combinação ofensiva treinada, para além do 'corre Nélson', e com uma dose de sorte (misturada com imenso mérito de Mika) bem acentuada em quase todos os jogos, que Portugal possa hoje lamentar o grande azar que foi perder Cédric. Pensar que foi a lesão do grande lateral direito português que nos impediu de almejar a glória, é mais do que legitimo;

- Nelson Oliveira fez as delicias de todos os comentadores não portugueses que exerceram a sua actividade no site da Fifa, e na final do torneio, no canal Eurosport. Justificadamente. Sozinho desafiou o mundo e esteve bem próximo de ser bem sucedido. Força, velocidade, determinação, capacidade técnica e facilidade na finalização. Nélson é o avançado cujas características nos permitem recordar os enormes pontas de lança italianos e alemães, com que nos deliciávamos na juventude. É aquele avançado que sempre nos lamentámos não ter. Garantidamente que terá sucesso. Mesmo que tenha de ser fora de Portugal.

Mudasti

"O treinador tem uma percentagem muito elevada de responsabilidade no comportamento defensivo. No ofensivo, depende mais dos jogadores". Jorge Jesus, no primeiro ano de SL Benfica.

"Olho mais para o jogo ofensivo do que defensivo. Prefiro ganhar 3-1 do que por 1-0. O mais importante é ganhar e agora há que pensar já no próximo jogo". Jorge Jesus, depois da sofrida vitória ante o modesto Feirense.

É cada vez mais incerto saber se ter jogadores de qualidade tem beneficiado a evolução de Jesus enquanto treinador. Uma coisa é certa, desde que às suas mãos chegaram extremos de valia incondicional, Jesus tem mudado o jogar com que foi tão bem sucedido em Belém, em Braga e principalmente no primeiro ano de Benfica.

Podemos hoje crer que se na época 2009/2010 para além de Di Maria, tem tido Gaitán ou Nolito no plantel, dificilmente teria tido sucesso?

O 4x2x4 (que em determinados momentos se aproxima de um 4x1x5) que vem apresentando desde há imenso na Liga, impossibilita-o de ter o controlo das partidas, independentemente de por vezes estar a vencer por um, ou até por dois. A grande questão é que todos já perceberam de que forma pode o Benfica evoluír para outro patamar de segurança e rendimento. Por ser algo de óbvio para todos, e porque Jorge Jesus sempre teve imensa dificuldade em admitir o que por todos é perceptível, teme-se que o Benfica da presente temporada esteja em risco.

Quem como Jorge Jesus, nos habituou a um patamar de excelência na envolvência táctica das suas equipas, não deveria agora, por teimosia, deitar tudo a perder.

sábado, 20 de agosto de 2011

Sporting na Dinamarca. Algumas tendências tácticas.


Organização ofensiva.

Saída de bola.
Os laterais abrem bem junto à linha, na mesma linha dos médios centro. A equipa forma um 3x4x3. Com Polga, Rinaudo e Rodriguez no sector mais recuado, João Pereira, André Santos, Schaars e Evaldo no meio campo, e Jeffrén, Postiga e Yannick mais adiantados. A posição quer de Jeffrén, quer de Yannick é mais interior que a dos laterais, e são eles por norma que baixam no relvado para receberem a bola. Se conseguem receber e enquadrar, ficam com os laterais a dar linha de passe sobre o lado de fora do campo, e o médio centro a dar linha de passe, sobre o lado interior do campo. Se a bola entra no lateral, o médio do lado da bola, continua a oferecer linha de passe numa zona mais adiantada do campo, sobre o lado de dentro, enquanto que os extremos baixam e dão cobertura ofensiva (posicionam-se atrás do portador da bola).




Organização defensiva.

O Sporting posiciona-se num 4x1x4x1. Jeffrén, André Santos, Schaars e Yannick jogam na mesma linha, e tal impossibilita o Sporting de ser mais seguro, porque permite imenso espaço passível de ser explorado com relativa facilidade, entre sectores. Sempre que um médio adversário baixava no relvado e recebia a bola, um dos jogadores da linha de quatro saía do seu posicionamento e pressionava, dificultando a saída de bola adversária. Contudo, se a saída para o ataque fosse feita pelos centrais ou laterais, a linha de quatro não reagia, e várias foram as vezes em que um simples passe permitiu ultrapassar desde logo cinco jogadores leoninos (os tais quatro, e Postiga).


À atenção de Domingos, se a linha de quatro do meio campo estiver para ficar. Os rectângulos pintados, mostram o espaço onde será fácil fazer chegar a bola, e onde se terá, desde logo, metade da equipa do Sporting ultrapassada. Fazer o extremo, ou o avançado cair naquele espaço, para posteriormente explorar uma desmarcação de um colega nas costas da defensiva leonina não será nada de complicado, para uma equipa que semanalmente se prepare convenientemente.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Coragem mesmo!

Mesmo sem futebol, com uma equipa pensada na base do músculo, da correria, da força, e sem qualquer dinâmica ofensiva, que não dois, por vezes três jogadores sozinhos contra o mundo, Ilídio Vale chega à final do mais importante torneio mundial de futebol jovem.

O jogo tem destas coisas. Nem sempre os capazes, audazes e mais competentes triunfam. Defender com todos, sem ter a mínima capacidade para sair em contra-ataque, é muito diferente de ser-se bom tacticamente. Rezar pela sorte nos penaltys, ou numa qualquer bola parada, não é estratégia ou astúcia. É apenas a negação do que é o futebol. Como milhentas outras equipas, é assim que a de Ilídio Vale se apresenta nos campos por onde passa. Ao contrário de (quase) todas as outras que acabam invariavelmente por cair em desgraça, a selecção portuguesa segue o seu caminho, cada vez mais próximo daquele que nos foi permitido ver de tão perto, no Europeu de 2004, pelos comandados de Rehhagel.

O treinador grego não se tornou competente por ter tido a felicidade de sagrar-se campeão europeu, numa equipa sem um pingo de competência. Por vezes, o futebol é mesmo isto. Em tantas equipas que se negam a valorizar o jogo, de muitos em muitos anos, há uma que é bem sucedida. E todos devemos estar gratos à felicidade que é, vermos uma das nossas nesse lote. Em Inglaterra, por exemplo, continuam a ser três as equipas que com um futebol à Ilídio, chegam à Primeira Liga todos os anos. Os treinadores dessas equipas, no ano seguinte voltam aos habituais insucessos. A sorte, por vezes, também acompanha quem não merece. Relembre também Jaime Pacheco.

Mika, Cédric, Nuno Reis, Caetano e Nelson Oliveira mereciam ter prazer no que fazem. Tal tem-lhes sido negado, por um modelo de jogo absurdo, que os faz esperar pelo incerto destino. Eles, e todos os outros que mesmo com menos talento, e à deriva em campo lutam com uma obstinação própria dos campeões merecem o troféu maior. O sacrifício de estarem há mais de um mês sem jogar futebol, deveria ser recompensado. A forma emocionante como celebram cada triunfo coloca cada um dos convocados no coração dos portugueses. A gloria não será fácil, todavia. Impedir o talentoso Brasil de chegar ao golo será tarefa hercúlea.

Dos fracos não reza a história. E todos estaremos cá para seguir os sucessos futuros de quem merece, e avaliar a competência de quem foi à boleia do talento e espírito de entrega de bravos guerreiros.

P.S. - Curiosa a nova corrente de opinião que justifica a incapacidade portuguesa para dar mais de dois passes consecutivos, com a péssima qualidade dos seus intervenientes. Há, é certo, uma inegável e notória falta de talento, particularmente nos centrocampistas, mas somente porque se decidiu levar os fundistas em detrimento dos futebolistas. Tal não poderá servir de justificação para os horrores nos momentos ofensivos a que vamos assistindo a cada jogo. Se por aqui, logo no final da primeira fase, se nomearam cinco portugueses para os trinta melhores do torneio (tantos quanto o Brasil, por exemplo), não foi por patriotismo, ou por se crer que a falta de qualidade seja assim tão acentuada em todos os mundialistas.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Messi Versus Ronaldo

“Ronaldo é mais completo. Há o pé esquerdo e o cabeceamento”. É este o argumento mais utilizado de quem ousa afirmar que o português tem mais qualidade que o astro argentino.

Há algo de verdade, ainda assim. Ronaldo é realmente mais completo que Messi. Todavia, apenas num único momento do jogo. Na finalização, e ainda que com muito menos classe na forma como o faz, Cristiano tem de facto mais argumentos que o argentino.

E esgota-se ai a superioridade de Ronaldo. A questão é que para grande infortúnio do português, o jogo é tão mais do que isso.

O golo dá notoriedade, alimenta a discussão e justifica o epíteto de segundo melhor jogador do mundo. Mas, não é tudo. E todo o trabalho que há que ser feito, para que se possa chegar ao momento de rematar à baliza? Ainda que menos notório, será tão pouco importante assim? Não será a assistência, ou o passe que antecede a assistência, ou até o passe que antecede esse mesmo passe, tão decisivos para o sucesso quanto a bola que bateu na rede? Sem todo o trabalho prévio, haveria sequer oportunidade para poder finalizar?

Retire o golo a Ronaldo, e não terá um jogador capaz de ser tão bom quanto outros quinze ou vinte mais talentosos e mais inteligentes que o português.

Agora retire o golo a Messi.


Exactamente. Continua bem à frente do todos os outros, como o melhor jogador do mundo. Os golos não o tornam apenas no melhor da actualidade. Mas sim, no melhor de sempre. De sempre, meu caro. De sempre!

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

O estranho jogo de Javi Garcia

Não foi estranho, na verdade.

Mantendo o olhar somente sobre a bola, Javi perdeu a referência dos colegas da defesa, que baixaram e bem no relvado, quando perceberam que o portador da bola adversário estava sem pressão, e se preparava para realizar um passe longo. Perdida essa referência, manteve-se na mesma posição, não respeitando o 'abaixamento' da linha de quatro, acabando por ficar demasiado longe da mesma, e impossibilitado de respeitar o tradicional movimento colectivo defensivo, que garante em todos os momentos uma linha de quatro, atrás de quem saiu para a contenção pressionando o portador da bola. Ou seja, ficou impossibilitado de garantir os habituais cinco jogadores atrás da linha da bola, e foi um dos principais responsáveis pela forma como o Benfica consentiu o primeiro golo.

Foi a única distracção em noventa minutos de jogo, e não reflecte minimamente a opção táctica diferente da habitual nas equipas de Jesus. Foi um erro individual, de quem por ser extremamente culto na ocupação dos espaços, não nos habituou a tal. Somente isso.

Mas afinal, de que forma jogou o SL Benfica?

Imagine o losango. Retire-lhe o interior esquerdo. Javi jogou na posição de trinco, Witsel jogou como interior direito, Aimar a dez, dois extremos e um ponta de lança. Ou seja, sem médio interior esquerdo.

Foi pela ausência de alguém no espaço à esquerda de Javi que por diversas vezes, foi possível ver o espanhol a ocupar espaços muito pouco habituais em si. Fê-lo sempre bem e quando assim se impunha. Verificou-se, todavia sempre que saía sobre o lado esquerdo do meio campo, um vazio no espaço imediatamente à frente dos dois centrais. E é nessa coordenação que o Benfica terá de crescer, se o sistema táctico estiver para durar. Quando Javi sai, Witsel deve ocupar o espaço imediatamente à frente dos centrais. Não o fez, contudo. Permaneceu sempre a jogar ao lado do espanhol, e não baixando um pouco para trás deste, e para a frente dos defesas centrais, quando Javi não estava na posição 6.

Ou seja. É possível garantir um bom equilíbrio defensivo da forma como Jesus jogou na Holanda. Há, todavia, que preencher sempre de forma correcta o espaço. A posição seis, terá de ser sempre ocupada, e a de interior do lado da bola também. Com a bola sobre o corredor lateral esquerdo do adversário, Witsel permanece e bem na sua posição de interior direito, e Javi na posição de seis. Se a bola roda até ao outro lado, Javi terá de sair para a posição de interior esquerdo, e Witsel terá de descer ainda mais e ocupar a posição seis, impedindo um vazio numa zona tão decisiva do campo de jogo.

Foi essencialmente pela ausência de permutas por parte do belga, que por vezes pareceu que jogavam ao lado um do outro. Quando tal não aconteceu. Apenas momentaneamente, e fruto de erros posicionais de Witsel.

O 4+1 defensivo de Jorge Jesus é muito peculiar, e para continuar a jogar desta forma assimétrica relativamente ao lado esquerdo e direito do meio campo, o treinador do Benfica precisa de ensinar a Witsel a especificidade da posição seis no seu modelo de jogo. Quando tal acontecer, será possível vermos o belga num momento na linha defensiva, e segundos depois, a aparecer junto à grande área adversária. Nada de extraordinário para alguém com tamanha qualidade.

O 4x3x3, com Aimar e Witsel à frente de Javi (na esquerda o argentino, na direita o belga), seria também uma opção incrivelmente interessante. Por não querer abdicar de dois jogadores a pressionarem desde logo a saída de bola dos centrais, Jesus optou por manter Aimar mais próximo do avançado. Diferente do que se tinha por aqui idealizado, mas ainda assim, passível de ser muito bem sucedido. Assim Witsel coordene melhor as permutas com Javi.

Gozem agora com o seu gémeo

... que joga no Sporting.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Melhor reforço da Liga. 9º lugar. Iturbe.


Um dos mais jovens jogadores presentes no Mundial de sub 20, e logo numa equipa de nomeada. Facilmente se percebe o seu incrível potencial. Muita velocidade de execução, boa técnica bem visível a cada recepção, e um remate muito interessante para alguém da sua idade. Iturbe tem mais do que potencial para ser o possível substituto de Hulk no FC Porto. Há, todavia um longo caminho a percorrer. Na actualidade, e apesar de ter capacidade para ser útil em determinados jogos, particularmente nos momentos de transição, muito dificilmente terá muitos minutos de competição.

Ainda que não pareça que possa acrescentar nada no imediato, é muito interessante a forma como o FC Porto começa desde bem cedo a acautelar possíveis transferências. Ainda que não no imediato, pela concorrência e pelo muito que tem para crescer na forma como se relaciona com os colegas no jogo, Iturbe é um previsível caso de sucesso.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O 3x4 do FC Porto. Haverá forma de parar a saída para contra ataque mais letal dos campeonatos europeus?

Por diversas vezes, já aqui mencionamos o perigo que é o FC Porto aquando da recuperação da posse de bola, se a esse momento lhe seguir um passe rápido que chegue aos pés de Hulk, no corredor lateral contrário ao seu pé dominante.

O movimento ofensivo é simples. Hulk recebe, conduz a bola desde o corredor lateral direito até ao corredor central, enquanto Kléber (ou Falcao) inicia uma desmarcação de ruptura, através de um movimento iniciado de forma horizontal, ao longo da linha defensiva adversária, atravessando o defesa central direito adversário, até ao esquerdo. Se os adversários acompanharem o movimento do avançado portista, são arrastados na direcção do corredor lateral, e Hulk prossegue a jogada pelo meio, finalizando ele próprio a jogada que iniciou. Se os centrais permanecerem estáticos, a bola entrará nas suas costas, possibilitando uma situação de 1x0 contra o guarda redes adversário.

Num único jogo quatro foram as oportunidades flagrantes do FC Porto com o mesmo movimento. Pode confirmá-las aqui, no 9'', 43'', 2'28'' e 2'47''do video (não só em momentos de transição. Mas, mostram as duas soluções que Hulk invariavelmente e bem toma. Ir até ao fim, quando avançado arrasta as marcações, ou o passe, em profundidade quando este consegue libertar-se)


Que Hulk é praticamente imbatível com metros e tempo para correr, já todos o sabemos. Haverá, no entanto forma de condicionar a sua acção, levando o FC Porto a ser menos vezes bem sucedido?

Claro que sim. O primeiro comportamento defensivo que deve ser alterado, é o do defesa esquerdo adversário. Ser inteligente, é perceber que Hulk passará. Não há que tentar evitar o inevitável. Há que, dentro do inevitável, optar pelo que pode ser melhor para a sua equipa. Ao defesa que sai a Hulk, caberá nunca libertar o corredor central. Mais que tentar interceptar a bola, ou recupera-la, importa dar o lado de fora ao brasileiro. Posicionar-se de forma a convidar Hulk a prosseguir a aventura pelo lado de fora. Mesmo que isso implique uma maior facilidade na forma como este ultrapassará o defensor. Como já vimos, passando pelo centro, Hulk ficará com mais opções para definir a jogada. Opção de passe à sua direita, beneficiando da desmarcação do avançado, opção de passe à sua esquerda, geralmente com Varela, para além de ficar também enquadrado com a baliza e apto a finalizar ele próprio o lance que iniciou.

Obrigando Hulk a sair do drible pelo corredor lateral, a probabilidade de êxito reduz-se drasticamente. Depois de sair da finta, estará bem mais próximo da grande área adversária, numa posição lateral, que impedirá o tradicional movimento do avançado, cortando para a sua direita, mantendo a imprevisibilidade na decisão de Givanildo. Sobrarão duas hipóteses. Ou volta para dentro, mas aí, o espaço para jogar já será substancialmente menor, pelos metros que já foram percorridos, logo enfrentará uma situação de resolução muito mais complicada, ou termina o lance num cruzamento para a área, que terá necessariamente menor probabilidade de ser concluído com êxito, que as opções anteriores.

E se, logo no início da jogada, o defesa distraído, for incapaz de dar o lado de fora a Hulk, e o brasileiro conseguir mesmo seguir com a bola pelo corredor central, torna-se impossível impedir o FC Porto de chegar à finalização?

Não. Para além do erro que sempre é, conceder o lado de dentro ao brasileiro, nota-se também uma incapacidade quase geral das equipas da liga, para depois responder com assertividade à nova situação de jogo. Essencialmente porque os três defesas que continuam a trás da linha da bola, não adequam a sua movimentação ao que o lance exige.

Depois de ultrapassado o lateral esquerdo adversário, impõe-se que um central saia rapidamente ao caminho de Hulk, colocando-se entre este e a bola, enquanto que o central que ficou, e o lateral direito, garantem uma linha de cobertura. Impõe-se que quem defende, ou seja os três que ficaram, consigam formar um triângulo. No vértice mais avançado o central que saiu a Hulk, e nos mais recuados, o central e o lateral que continuam a formar a linha defensiva. O posicionamento dos dois mais recuados terá de ser o suficientemente próximo entre eles para que nunca seja possível que a bola passe entre os dois, e o suficientemente afastado do vértice mais ofensivo, que possa permitir controlar a profundidade defensiva. Se assim for, Hulk poderá até servir com perigo Kléber ou Varela. Mas, sempre de uma forma em que o portador da bola termine numa posição lateralizada face à baliza.

A Luta contra o destino persiste. E os miudos merecem.

Um guarda redes enorme, um defesa direito muito culto, um central de classe, um avançado a fazer lembrar os grandes nomes italianos ou alemães, um pequeno talentoso, e mais um lote de jogadores disponíveis para abdicar do prazer de jogar futebol, fizeram por merecer o apuramento para a semi final do torneio.

E para já, esse é o grande mérito do seu treinador. Mesmo tratando-se de uma competição muito importante, não deve ser nada fácil convencer um grupo de jogadores de vinte anos de idade (nem todos, claro) a abdicarem de ter prazer no que fazem, em nome de uma causa maior. Supõe-se que será mais ou menos assim que a equipa técnica os convence. Há que louvar o espírito de sacrifício, a disponibilidade e entrega de todos. A emocionante festa no final do jogo, é justificada por valores tão nobres quanto os que os portugueses põem no seu jogo.

P.S.- A História confirma-nos que antes, já uma equipa que abdicou de tudo o que o futebol é, concentrando-se somente em defender e rezar pela sorte nas bolas paradas, ou pelo génio individual de um dos poucos autorizados a transpor a linha de meio campo, logrou atingir o ceptro. Foi em 2004 que pela última vez a sorte bafejou quem abdica de jogar, como todos tão bem sabemos.

P.S. II- Porque será que começo a ter a sensação de que os admiradores de Ilídio nunca o foram de Scolari? E porque não? Questiono.

domingo, 14 de agosto de 2011

Anfield...... at last!!!!



Primeira vez em Anfield... Finalmente!
Depois de ter estado nos arredores de Anfield em Dezembro do ano passado para o jogo ser adiado...devido a neve! Desta vez tive oportunidade de ver "in Loco" tudo o que se diz deste magico recinto!
E tradicao antes do inicio da partida de ouvir se o hino do liverpool: " You'll never walk alone" todo o estadio canta o hino e mostra uma fervorosa paixao!
Isto estende -se aos jogadores do Liverpool que no balneario antes de entrarem em campo, literalmente 3 minutos antes do arbitro tocar a campainha, o hino e ouvido dentro das quatro paredes, e desta vez Pepe Reina mostrou o seu descontentamento as responsaveis desta logistica porque o hino comecou 30 segundos depois do horario previsto....... o que levou a que a musica nao chega-se ao fim ....!!! Daqui pode se ver a intensidade e paixao que esta musica transmite para jogadores e adeptos.







Mas vamos ao jogo propriamente dito:

Apesar da ausencia da estrela da equipa, Steven Gerard por lesao, a expectativa era muito grande para ver Downing, Suarez e companhia.
O nosso portugues Raul Meireles comeca a partida no banco de suplentes. Charlie Adams e Lucas tem a tarefa de comandar as operacoes no meio campo, se na primeira parte o Liverpool este muito bem nas transicoes ofensivas, imprimindo velocidade e trocas de flanco com especial destaque para as movimentacoes de Luiz Suarez e os rasgos de Stewart Downing! Enquanto Charlie Adams estava fresco, o Liverpool comandava o jogo a seu belo prazer.
Nos primeiros 15m, os Sunderland, poderia estar a perder por 3-0 mais devido a desorientacao dos jogadores do Sunderland do que da exibicao do Liverpool.
Luiz Suarez ( um luxo ver este jogador) desperdicou uma grande penalidade logo no inicio do jogo e o Referee perdou o cartao vermelho a Kieron Richardson ( adaptado a defesa esquerdo). No meio campo do Sunderland Jack Colback e Lee Cattermole ( o Paulinho Santos ca do sitio, bate em tudo o que mexe) nao estavao a dar conta das movimentacoes de Downing e a intelgencia de Charlie Adams, na frente um possante Gyan e Larson na lado esquerdo no meio campo nao conseguiam produzir lances de perigo para as redes de Reina.
Liverpool chega a vantgagem atraves de um livre, onde Luis Suarez consegue desviar a bola para o fundo das redes. Era o delirio e o coroar do melhor periodo do Liverpool. Assim depois Downing recebe a bola no seu meio campo e tem uma arrancada onde toca na bola 10 vezes tirando 3 adversarios para no 11 toque na bola rematar a barra! Depois pouco mais se viu do Liverpool.
Na 2 parte tudo foi diferente, onde pudemos ver um sunderland completamente transfigurado para melhor, a passar a ter mais posse de bola apesar de sempre procurar pelo futebol directo, mas comecou a ganhar as segundas bolas e a passar mais tempo no meio campo do Liverpool ( comecou se a perceber que Charlie Adams nao tinha a disponibilidade fisica necessaria, Lucas comecou a falhar passes atras de passes e miudoJohn estava um pouco nervoso no lado direito da defesa, contribuiram para o declinio do Liverpool).
Os lances de bola parada tem uma influencia enorme no futebol ingles, o Sunderland mostrou que tinha o trabalho de casa bem feito, e o SR. 50 Milhoes de Libras ( Andy Carrol) nao teve vida facil. Em todos os cantos e livres, o marcadores directo de Carrol era o Lee Cattermole, que quase que lhe dava pela cintura, mas esta tactica foi deveras eficaz pois ora o Wes Brown ( a meu ver Man of the Match) ou o Ferdinand ficavam soltos, nao marcavam ninguem mas sempre ao lado do Cattermole e do Carrol, pois quando a bola fosse direccionada para aquela area eles atacavam a bola. Desta forma o homens de Steve Bruce fazia a vida dificil a Carrol pois este teria de desenvencilhar se do " Paulinho Santos" e ainda ganhar a bola nas altura a Wes Brown ou Ferdinand.
Larson marcou um golo de belo efeito, que iria colocar o resultado final em 1-1.
Muitos dizem que o futebol ingles e fraco tacticamente e que os sistemas sao muito estaticos, Kenny Dalglish foi fiel a isto e nas mexidas que teve nao mudou o sistema que acredita ser o melhor para o Liverpool, quando o Meireles entrou para o lugar do Suarez, ja Kuyt estava em campo ocupando o lugar de Henderson (muito apagado na direita), Meireles foi colocado no lado esquerdo do meio campo. Tudo o que se viu do Meireles foi receber a bola no lado esquerdo procurar o seu pe direito para tentar servir Carrol, nao fazendo uso das melhores caracteristicas que possui, que sao as entradas no ultimo terco nas costas dos avancados para poder finalizar. Creio que os dias de Meireles estao contados na cidade dos Beatles! Com outras opcoes em campo, podendo colocar Downing a esquerda, Kuyt na direita e Meireles ao lado de Charlie Adams com Lucas a fazer a cobertura defensiva destes dois. Mas nao, Dalglish nao arriscou muito, Sunderland estava dono e senhor da partida e o ambiente esfriou em Anfield!
Liverpool precisa de Gerrard como nunca, mas o medio estara fora dos revaldos mais um mes!
Carragher e o lider desta equipa e apesar de ja nao estar ao mais alto nivel ainda e o patrao da defesa , e tem uma influencia enorme!!!
Resultado justo!

Next stop: Craven Cottage!!!


Adorei rever-te

O melhor jogador do Sporting e seguramente um dos melhores da Liga voltou, e aparentemente sem limitações. E todos devemos estar felizes por isso. O russo tem soluções para tudo, e ainda oferece a criatividade e espontaneidade que tem escassado. Não foi só o golo que somou. Foi o golo e as combinações que promoveu que deram mais qualidade ao jogo do Sporting. No meio campo, no ataque, no corredor central ou no lateral, Izmailov tem o toque de classe, que o leão não pode abdicar.

O número de ataques, remates, oportunidades e até cantos, demonstra um domínio avassalador. Uma capacidade para asfixiar o adversário no seu meio campo defensivo, que nunca fôra vista na época transacta, e só passível de ser concretizada pela forma próxima como os onze jogadores leoninos jogaram no momento defensivo, e pela atitude reactiva na forma de pressionar, bem diferente de jogos anteriores. Verdade, que a opção (obrigação!?) em sair sempre em pontapé longo por parte do Olhanense, facilitou o jogo a quem o pretendia dominar. Nunca conseguimos colocar bolas nas costas, à distância a que se bate o pontapé de baliza. Teve, porém, a vantagem/desvantagem, dependendo da perspectiva, de nunca os algarvios terem corrido o risco de perder a bola na proximidade da sua grande área.

Quem pretende almejar a glória, garantidamente que não pode ceder mais de um, dois, três resultados desta natureza na sua casa. Há, ainda assim, imensos pontos positivos a reter. Todavia, nem só o resultado deixa de ser apreensivo.

- Pela ocupação do espaço, o Sporting voltou a ser dominador, e quem joga todo o jogo no meio campo adversário está sempre próximo do golo. E o Sporting, indubitavelmente esteve mais próximo do que nunca;

- Rodriguez começa a assumir-se como um reforço determinante. Domina como poucos o seu espaço. É forte, concentrado, e sabe tudo sobre o posicionamento defensivo. Não tem a classe de outros, mas defensivamente é o mais fiável dos quatro centrais;

- Muito bom o jogo de coberturas (apoio atrás do portador da bola, no caso da ofensiva, ou apoio ao colega que está com o adversário portador da bola) de Rinaudo, e determinante a sua reactividade a cada perda. É também muito pela forma como "cai" imediatamente sobre a bola, ou recuperando, ou travando desde logo o ataque adversário, que o Sporting se mantém subido;

- Autêntico caso de "Dr Jekyll and mr Hyde" a prestação de Yannick. Enquanto confiante estava a ter um desempenho muito positivo. Mesmo nas suas acções técnicas, que tantas vezes o traem. Subitamente, após a desvantagem no resultado, pareceu de volta ao registo habitual. Incapacidade gritante para definir todo e qualquer lance que lhe passasse pelos pés;

- Schaars e André Santos. Boa técnica e interessante simplicidade de processos. Posicionalmente pode-se contar com ambos para tudo. São abnegados, e é também muito pelas suas acções que a bola circula melhor. André Santos tem, e Schaars aparenta também, um déficit de criatividade. São óptimos quando se impõe jogar a dois toques. Parecem, contudo, incapazes de progredir com excelência, quando o espaço à sua frente assim o recomenda. Talvez se exija, num meio campo a três, jogadores com outro tipo de características. Matias e Izmailov, ou até André Martins, assim continue a demonstrar qualidade, serão previsivelmente jogadores importantes se Domingos pretender um pouco mais de rasgo criativo num sector tão determinante;

- Apesar de alguma falta de capacidade pare definir bem as jogadas no ultimo terço do campo de jogo, foram imensas as oportunidades de golo criadas. Essencialmente fruto do bom posicionamento leonino, que por si só, obriga o adversário a ver a meta de longe o jogo todo. Não deixa, porém, de ser preocupante perceber que demasiadas vezes, pareceu incapaz o Sporting de se aproximar do golo no momento de organização. E essencialmente pensar que a ineficácia no jogo de hoje, poderá não ter sido fruto de uma má noite, mas sim uma tendência mais do que confirmada, pelo histórico de golos de quem foi desperdiçando sucessivamente a hipótese de ser feliz. Bojinov ainda não se estreou, mas começa a perceber-se que poderá ser o reforço mais importante de todos. Assim os seus traços sejam o que continua em falta no sector ofensivo. Capacidade de definição, criatividade e eficácia na finalização.

P.S.- Quando há pouco menos de um ano atrás vi Wilson Eduardo, também num jogo contra o Sporting, pensei que jamais fosse capaz de fazer um golo daquela natureza. Então em Aveiro, em dez minutos rematou por três, quatro vezes. Em todos os remates, o gesto técnico e a potência do remate se assemelhou ao de um iniciado. Um golo, seja de que natureza for, não define minimamente a qualidade do jogador, e não se pretende aqui tecer qualquer juízo ao valor de Wilson, apenas deixar uma referência ao inesperado feito. Talvez, quando voltar a acontecer, já não seja inesperado.

sábado, 13 de agosto de 2011

Ainda a liderança de Jesus.

Estatística do Gil Vicente x SL Benfica

Remates (à baliza) 11(6) x 14(6)
Cantos 8 x 6
Oportunidades de golo 3 x 4

Dados retirados do site do Jornal A Bola.

Justificação de Jesus para o empate, no final do jogo. "Jara falhou um golo de baliza aberta que nos teria dado o terceiro golo".

Se alguém encontrar tiradas de José Mourinho, como as de Jesus a sacudir a água do capote e a desvalorizar os seus próprios jogadores, independentemente da razão poder ou não lhe assistir, a caixa de comentários está ai.

P.S.- Na eventualidade de o jogo ter terminado com um resultado favorável ao SL Benfica de 2-1, parece-lhe que Jesus teria creditado a vitória nas defesas de Artur?

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Jesus mata o Benfica

Se tivesse que estabelecer percentagem sobre a importância de cada uma das tarefas do treinador, provavelmente não atribuiria mais de dez porcento às opções técnicas. Todos temos as nossas opções. Todos somos capazes de escolher um onze, bem próximo daquele que será o mais forte.

É essa a razão, porque muito raramente se debatem aqui tais opções.

Todavia, é impensável não as dissociar da péssima exibição dos encarnados na estreia da Liga. Acredite, quando lhe digo que no momento que vi o onze previ uma percentagem de insucesso maior que a expectável. Pode até espreitar aqui os comentários. A teimosia persistente de Jesus num modelo de jogo com dois extremos, e dois avançados, irá conduzi-lo à porta da rua. Particularmente quando não há em campo jogadores com a capacidade de Witsel, capaz individualmente de disfarçar uma lacuna à tanto tempo identificada. Estranha-se que um treinador competente quanto o do Benfica, prefira cair a ter de dar o braço a torcer. Reafirmando o comentário no Centro de jogo. Perde ele, e perde o Benfica.

Enquanto Aimar jogar em oposição a Witsel, e vice-versa, não parece que o Benfica tenha capacidade para poder lutar até ao fim pelo primeiro lugar. Como previsível, desde o momento em que se iniciou a péssima preparação encarnada, o Benfica volta a entrar mal, e poderá entregar o ouro desde bem cedo.

P.S.- Não deixa de ser interessante, para quem não viveu na década de sessenta podermos observar o que era o futebol por essa altura. Quatro defesas, um médio, e tudo lá frente. Se não aprender, e é tão fácil que aprenda, Jesus nem terá condições para prosseguir a aventura.