sexta-feira, 30 de setembro de 2011

O Sporting está de volta

No processo de crescimento enquanto equipa há pormenores que fazem toda a diferença. Os jogadores precisam de confiar no trabalho do treinador. Ao nível elevado a que se joga, é determinante que estes reconheçam competência no trabalho semanal. Demasiadas vezes ouvimos os treinadores afirmarem que com tal jogador iriam para a "guerra". Com os atletas passa-se exactamente o mesmo. Não o podem afirmar, mas sentem-o.

É decisivo que percebam o porquê de determinados exercícios. Que percebam de que forma o treinador os está a ajudar a enfrentar a competição enquanto equipa. É geralmente quando há uma simbiose entre equipa técnica e plantel que se percebe que no relvado os jogadores dão mais. Há jogadores obstinados por natureza, que estarão disponíveis sempre. Outros, precisam de reconhecer a competência para se entregarem de corpo e alma.

Contra a Lázio, para além de se perceberem upgrades individuais relativamente ao passado recente (sublime a movimentação ao atacar o primeiro poste e o gesto técnico de Ricky Wolfswinkel. Incrível upgrande também, e apesar de ter terminado a prejudicar o Sporting neste jogo, a contratação de Insua. Um jogador que pela sua capacidade técnica e percepção do jogo nos momentos ofensivos, é infinitamente superior a Evaldo), percebeu-se que a equipa está unida, motivada e com ambição.

Quando assim é, e perante a qualidade individual que efectivamente abunda como nunca num passado recente, pode-se esperar algo de importante. O jogo de Guimarães será possivelmente ainda mais complicado. Rui Vitória conhece o Sporting, e tem armas suficientes para colocar em risco o Sporting. À alegria contagiante do seu jogo (na primeira parte, foram vários os momentos em que a bola circulou com velocidade), Domingos terá que exigir concentração e responsabilidade.

P.S.- Onyewu. As primeiras impressões foram péssimas. Todavia, fomos sempre dizendo que "a sua falta de agilidade é tão latente, quanto comum em atletas da sua fisionomia, a cada início de época. Tal não significa que não seja algo alterável". Pensávamos essencialmente em Luisão. Jogador morfologicamente muito próximo de Onyewu e que também sente imensas dificuldades a cada início de época, ou a cada recomeço após paragem por lesão, mas cuja qualidade de jogo é totalmente diferente nos momentos em que fisicamente está mais rotinado. Talvez seja cedo para afirmar que Onyewu é também um upgrade em relação ao passado recente. É, porém, garantidamente um upgrade em relação ao jogador que se deu a conhecer em Agosto, e tem sido bastante útil em determinados momentos. Parece hoje bem mais dominador no jogo aéreo, e mais confortável a enfrentar a oposição, mesmo que a bola esteja na relva.

P.S. II - Comentário do ano. "A Lázio tem muitos jogadores do lado da bola e deixa o resto do campo destapado. O Sporting pode aproveitar para fazer transições rápidas por esse espaço". Nuno Luz. Ah esses nabos dos italianos, onde tinham eles a cabeça para decidirem jogar com muita gente do lado da bola.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

O estranho caso de Jorge Fucile

Foi uma enorme sensação quando chegou a Portugal. De desconhecido a melhor lateral da Liga foi um ápice.

Posicionamento, agressividade, concentração, técnica e rendimento nos dois corredores. Aos vinte e dois, vinte e três anos, parecia certo que o seu futuro passaria por ligas mais competitivas. As propostas chegaram, diz-se. Todavia, Fucile nunca partiu.

Ainda que seja um exercício meramente especulativo, e porque há claramente um antes e um depois no rendimento do uruguaio em Portugal, até que ponto permanecer em Portugal não o tornou menos ambicioso, audaz e competente?

O Fucile determinado e determinante das primeiras épocas, que teve possibilidades de sair por somas avultadas, deu lugar a um jogador desconcentrado, que soma erros infantis (o número de expulsões que soma é absolutamente invulgar num clube como o FC Porto), e que chegou mesmo a perder o lugar para Sapunaru. Um colega cujo potencial é infinitamente inferior ao seu.

A justificação para a sua quebra parece estar mais na cabeça que nos pés. Se há problemas, há que os resolver. Aos vinte e seis anos, não é tarde.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Técnica de passe. Aimar, Belluschi e... Bruno César.

Um excelente passe é muito mais que fazer a bola chegar ao destino. Para além da qualidade do gesto técnico, envolve qualidade na decisão. Bola no pé, ou no espaço? A decisão varia sempre em função da situação de jogo. Demasiadas vezes, que importa chegar ao destino se vem "com picos" e retirará tempo a quem terá de o receber?

O próprio gesto técnico é realizado com maior qualidade por uns que por outros. Independentemente de a bola chegar ao destino ou não. Não são muitos os jogadores capazes de "passar no limite" como o Centro de Jogo referiu, pensando em Carrillo.

Um excelente passe difere de um bom passe, não só pela tomada de decisão, mas muito também pela qualidade do gesto técnico. A velocidade que se imprime na bola, é determinante. Um passe feito no limite, leva por vezes, os defesas a crerem que o podem interceptar, e tantas vezes se desposicionam nessa vã tentativa. São pouquíssimos os capazes de rasgar sectores ou corredores, com um passe veloz mas garantindo que a bola chegue bem redondinha ao colega.

video

São dezenas os jogadores da Liga portuguesa com imensa qualidade de passe. Há, todavia, três que emergem de todos os outros. Aimar, Bruno César e Belluschi.

Who will get it?

Defendemos o quê? Exemplos do Otelul x SL Benfica

Esta deve ser a primeira pergunta que se deve colocar, quando se pretende definir o método defensivo.

Se não há certo ou errado, garantidamente que há melhor e pior.

Afinal devemos defender o quê? A melhor resposta é seguramente, a que afirmar que se deve defender a baliza. Não o adversário. A baliza. O posicionamento defensivo que se centra no tapar o caminho para a sua baliza, é francamente melhor que aquele que pretende defender os adversários.


O exemplo do Benfica. Uma equipa que defende a sua baliza. A linha de quatro bem alinhada, o trinco à frente desta linha, e o interior posicionado do lado da bola.


video

O exemplo do Otelul. Repare no comportamento dos defesas centrais. Autênticos homem sombra de Cardozo e Saviola. Repare no espaço em que Bruno César recebe a bola. Mesmo na zona central da baliza, na entrada da área. E os defesas centrais? Pois. O treinador do Otelul lamentará o descuido que o seu lateral direito teve, permitindo que Bruno César mais rápido, chegasse primeiro. Se fosse o SL Benfica a consentir tal golo, é certo que Jesus responsabilizaria os centrais por estarem desalinhados e longe da zona à frente da baliza.

Conceitos diferentes. Um dos principais indicadores da evolução do jogo, é precisamente a forma como na actualidade as melhores equipas defendem. Os olhos nunca estão centrados no adversário. É o espaço, a bola e os colegas que definem o posicionamento.

P.S. - Segunda parte magnífica de Bruno César. A sua capacidade de definição dos lances, mesmo que no último terço do campo é algo que está ao alcance de muito poucos. Pela sua velocidade de execução, de passada, pela sua inteligência e técnica, é certo que marcará o futebol português. Mesmo que não no imediato.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Hugo Viana, Nuno Gomes e Alan.

Não voltarão a jogar naqueles clubes a que tradicionalmente se coloca o epíteto de grande.

Se há que perceber que pelo deteriorar das suas capacidades físicas, tal faz sentido no caso do avançado, deve-se lamentar a opção de quem apenas contrata ao potencial, esquecendo a habilidade actual quando se pensa em Hugo Viana ou Alan.

Quem os entende, sabe que juntos, em Braga, proporcionam espectáculos de categoria para quem gosta daquilo que é realmente o jogo. A forma como Nuno se desmarca, a primazia que dá pelo jogo colectivo, tornam-o um parceiro de qualidade para todos quanto os que entendem o jogo como ele.

Alan e Hugo Viana, são jogadores com características tão díspares, e qualidades tão próximas. Muito boa capacidade técnica, e excelência na tomada de decisão. Viana mais hábil a fazer a bola circular, e Alan sempre ofensivo e desequilibrador, sem nunca descompensar a própria equipa.

Interessantíssima a forma como o Sporting de Braga vai construindo o seu plantel ao longo dos anos mais recentes. Ao comando de Leonardo Jardim, são um claro candidato ao último lugar do pódio da Liga Zon Sagres.

P.S. - Texto publicado há quinze dias atrás, no site Futebol Portugal.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Adoro o jogo. Mas, sinto falta do romantismo.

A propósito disto.

O jogo continua a ser apetecível, e a possibilidade que algumas equipas, pelo seu poderio económico têm de formar planteis verdadeiramente assombrosos, permite-nos assistir a jogos com uma qualidade que provavelmente não teríamos no passado.

É, todavia, bastante chocante perceber que nos dias que correm, as probabilidades do Real Madrid vencer por cinco o campeão da Holanda, aparentemente são maiores que esperar uma vitória do outrora poderoso Ajax.

domingo, 25 de setembro de 2011

Agir ou reagir? Curta táctica do clássico.

A análise não pretende de forma alguma esconder a genialidade de Saviola ou a excelente finalização de Gaitán.


FC Porto 2-2 SL Benfica

Simão | Myspace Video

Repare na postura expectante de Fucile. Aparentemente o uruguaio terá pensado a todo o instante que os seus colegas recuperariam a bola, e parecia já ter a mente no movimento seguinte de saída para o contra-ataque. Pouco rigoroso, facilitou, e foi obrigado a reagir, tentando ocupar o espaço onde estaria se partisse do princípio de que a bola ficaria na posse do Benfica. Demasiado tarde, porém.

O minuto em que o Benfica poderia até ter ganho o clássico

Consideramos oportunidade de golo quase todo o remate que vá na direcção da baliza. Mesmo aqueles cujas probabilidades de êxito, pelo enquadramento de onde é feito, sejam quase nulas. Nunca cremos ser oportunidade de golo, lances em que a bola esteja longe da baliza. Não é uma critica, é um facto.

Foi ao minuto oitenta e oito no Dragão que o Benfica esteve mais próximo de até ganhar um jogo que pareceu perdido. E porque aqui sempre consideramos o primeiro, o segundo ou o terceiro passe do ataque, tão decisivo como o último ou como o remate final, procuraremos agora demonstrar o porquê desse pensamento.

Mesmo no término da partida, Bruno César numa situação aparentemente pouco importante, erra o passe que poderia ter feito a felicidade de Jorge Jesus.


Repare na situação que se criava se o passe de César, cuja dificuldade não era tão elevada quanto isso, chegasse ao destino. E a titulo de curiosidade como desenvolveria o resto da jogada o SL Benfica.


O principal propósito do post não é sequer dar a entender que mesmo por baixo durante tanto tempo, o Benfica esteve próximo de ser feliz. Apenas fazê-lo valorizar todo e qualquer passe. Mesmo os que lhe parecem menos interessantes. A assistência é algo que está demasiado sobrevalorizado. Tem exactamente a mesma importância que todos os passes que a antecedem. Sendo que demasiadas vezes, têm até um grau de dificuldade bem menor, que o trabalho prévio para lá chegar.

Maravilha de Carrillo e o caminho é sempre o da baliza. Só se vai ao corredor lateral quando o meio fecha.

É sempre bom perceber que é a cabeça e não o pé dominante que determina a tomada de decisão. O miúdo é uma pérola.

É só para dizer


Que se houvesse um medidor de classe, a "cueca" teria de ter sempre, e justificadamente, uma importância desmesurada.


video

sábado, 24 de setembro de 2011

Mobilidade, categoria, jogo fantástico e poucos golos para tanto futebol.

Era enorme a expectativa para o Sporting x Vitória de Setúbal. Pelo contexto e pelas características das equipas.

Contextualmente tudo a favor do Sporting. Uma oportunidade única de renascer, numa liga que chegou a parecer perdida, mesmo que a procissão ainda mal tenha saído do adro. Relembre que há poucas semanas atrás, chegou a parecer que teríamos Sporting a dez pontos da liderança.

As próprias características de Sporting e Setúbal fariam prever um jogo de enorme emotividade. São equipas com imensa qualidade individual do meio campo para a frente, gostam de ser muito ofensivas, e ambas têm demasiadas lacunas defensivas. As do Sporting expressas na má ocupação do espaço pelos seus médios. O Vitória à má ocupação do espaço pelos jogadores que jogam à frente da defesa, alia também um péssimo comportamento da sua linha defensiva.

Quarenta e um remates em noventa minutos (24x17) como que comprovam a emotividade que o jogo prometia. Segundo a estatística do jornal A Bola, foram vinte e cinco as oportunidades de golo (15x10). Muito provavelmente um recorde em jogos da Liga.

Ofensivamente, foi entusiasmante o jogo do Sporting. Quando se está a crescer, são este tipo de exibições que nos fazem acreditar e crer que o caminho correcto está a ser trilhado. Foi muita a qualidade ofensiva, fruto de uma maior capacidade de definição dos lances, comparativamente com os anos transactos. Há, porém que desconfiar. Equipas organizadas defensivamente e que saibam, como sabe o Vitória de Setúbal jogar, colocarão sempre o Sporting em risco. A próxima jornada e Nuno Assis, serão um duro teste.

Nolito. O melhor do clássico em Video.

Nolito é um jogador de rendimento. Não há jogo em que das suas botas não saiam inúmeros lances de potencial perigo. Ao contrário de tantos outros extremos, não se perde por caminhos inócuos. Objectividade, inteligência e capacidade técnica. Eis o extremo que personifica tudo aquilo que sempre defendemos.


video

P.S.- Esteve bem Jorge Jesus ao optar pelo espanhol em detrimento de Rúben Amorim. Sem a capacidade de Nolito para sair a jogar e a oferecer um pouco mais de ofensividade ao futebol da sua equipa, teria sido engolido.

Curta táctica do clássico.


Se o primeiro princípio defensivo do jogo é a contenção (colocação de um jogador entre o portador da bola e a sua própria baliza), o segundo é o da cobertura defensiva (colocação de um defesa entre quem faz a contenção e a sua própria baliza). O objectivo da cobertura é claro. Precaver a eventualidade de o colega ser driblado.

Nas equipas cujo método defensivo passa pela marcacação HxH, tais coberturas ficam geralmente a cargo do defesa central livre. O líbero.

Equipas mais evoluídas defensivamente organizam a sua defesa com base em referências zonais. As referências para ocupar o espaço são os próprios colegas de equipa e a posição da bola. A forma de contrariar possíveis situações de 1x1, sempre vantajosas para os avançados, por norma mais rápidos e melhores jogadores que os defesas (nem todos, claro), passa por formar uma linha defensiva atrás do jogador que está em contenção. Ou seja, não recua somente o líbero, mas restantes colegas do sector.

O objectivo é garantir que traçando uma linha paralela à linha de fundo, que passe pela posição do defensor em contenção, essa linha jamais deverá ser a última linha da equipa (a excepção prende-se quando o portador da bola está demasiado próximo da linha de fundo.


FC Porto 1-1 SL Benfica

Simão | Myspace Video

Super clássico e super campeonato

Creio já o ter referido anteriormente. É difícil recordar uma Liga com tantos jogadores de qualidade. Apesar da certeza na qualidade individual e colectiva do SL Benfica, e da certeza na qualidade individual do Sporting, temeu-se uma reedição da pouca competitividade da Liga da época anterior. As contas seriam demasiado fáceis de fazer. Duas vitórias nos dois jogos que empatou, e ainda que seja bastante cedo, provavelmente já ninguém ultrapassaria mais o FC Porto. O que prometia ser uma liga fantástica em termos de competitividade, poderia facilmente transformar-se em novo ano de sentido único. Não sucedeu assim, porém.

O resultado do Dragão é benéfico para todos quanto os que, não apoiando nenhum clube, tenham a expectativa de ter uma Liga disputada a vários candidatos até ao fim.

Não se sabe exactamente se o Sporting crescerá o suficiente para poder incomodar seriamente os dois da frente. Mas, sabe-se que uma vitória frente ao Setúbal, pelo contexto em que surge o jogo, trará a motivação e confiança que escassou no início da época. E tal, desde que a equipa evolua no seu jogar, poderá ser decisivo. Não se sabe também, quanto poderá dar o Sporting de Braga, mesmo que se preveja que não seja pouco. Porém, pela qualidade de excelência dos intervenientes no primeiro clássico do ano, há que esperar incerteza até ao fim.

P.S. - Não foi possível ver o jogo. Quando tiver, se tiver, oportunidade de rever a gravação, voltarei ao clássico.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Casaria a minha irmã contigo, Román


As cinquenta e uma internacionalizações por uma das mais encantadoras selecções do futebol mundial, quase o dementem. A falta de troféus na Europa, como que o confirma.

Riquelme, um dos mais brilhantes futebolistas da última década passou pelo jogo sem que lhe reconhecessem um terço do mérito. Sozinho deu expressão a um pequeno município em Espanha. E ainda que em 2000 tenha ganho o Mundial de clubes, ou que em 2008 tenha almejado a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim, nunca teve a notoriedade que fez por merecer. A notoriedade que se adivinhava quando em 1997, no maior Estádio da Argentina, o Monumental de Núñes, casa do River Plate, substitui Maradona no seu último jogo.

Quando se retirar, Riquelme saberá que o seu nome não fará parte do almanaque do futebol europeu. Todavia, pela inteligência que demonstra em cada acção, pelas suas mil e uma soluções para ultrapassar os adversários, pela sua técnica assombrosa, pela classe que sempre passeou em cada relvado a que subia, pela sua criatividade ímpar que tanto nos fez sonhar, Riquelme precisa de saber que perdurará eternamente no coração daqueles que sempre perceberam com exactidão o que ofertava, e oferta a cada minuto que passava e passa num campo de futebol.

Para ti Riquelme, um obrigado.

Texto previamente publicado no Letra1.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Sectores distantes e posicionamento dos médios na primeira bola.

Os circulos marcam o local onde a primeira bola é disputada.







Olhando para as imagens, em quais lhe parece, tendo em conta o número de jogadores e proximidade entre eles, que a equipa esteja mais próxima de sofrer golo?

Num dos lances documentados nas fotos, do pontapé do guarda redes até à bola entrar na baliza adversária, vão quinze segundos. Quinze segundos depois do pontapé longo, a situação continuava a ser de apenas de X contra 5 jogadores defensivos. Poder-se-à afirmar, e correctamente, que quinze segundos deveriam ser mais que suficientes para que os médios recuperassem, e que se não o fizeram foi essencialmente por falta de disponibilidade. Porém, se pelo seu posicionamento tão adiantado, se mostrarem sempre disponíveis para fazer inúmeras piscinas, sem possibilidade de gerir o esforço, dificilmente durarão mais de setenta, setenta e cinco minutos.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Jesus, tu mudaste!

“Juntando a capacidade defensiva de Jesus à ofensiva de Peseiro teríamos um treinador de topo mundial." Carlos Freitas.

A zona defensiva de Jorge Jesus, é pelo menos desde os tempos de Belém, uma das melhores da Europa. A dinâmica que o trinco das suas equipas estabelece com o quarteto defensivo é uma ideia extraordinária, e uma das principais causas porque as suas equipas foram sempre fantásticas do ponto de vista do comportamento defensivo, e consequentemente também da performance (número de golos sofridos).

Porém, com brinquedos novos e de qualidade nas mãos (leia-se extremos), Jesus tem paulatinamente alterado o seu sistema táctico preferencial. Ainda que deva ser tido em conta inúmeras condicionantes, talvez não seja fruto do acaso que o único jogo em que o Benfica não sofreu golos na Liga, foi aquele em que Jesus considerou previamente, como o teoricamente mais difícil de todos os disputados até à quinta jornada. Tendo na altura, recorrido a um médio interior que pudesse ajudar o trinco a fechar o corredor central.

Não mudamos a ideia de que o SL Benfica tem um treinador fantástico do ponto de vista táctico. Porém, se valorizasse todos os adversários por igual, garantidamente que estaria mais próximo do sucesso.

Melhor reforço da Liga. 4º Lugar. Garay.

São inúmeros os jogadores credenciados que chegaram esta temporada a Portugal. Garay, pelo seu percurso, é talvez o de maior estatuto. Não necessariamente o melhor reforço, obviamente.

Jesus afirmou desde bem cedo que o argentino traria qualidade ao processo ofensivo do Benfica. As suas declarações fazem todo o sentido, e comprovam que no jogo actual, todos devem ser importantes em todos os momentos.

Garay destaca-se da generalidade dos defesas centrais, precisamente pela excelente capacidade técnica. Com a bola nos pés, é um jogador de categoria. Tem uma precisão de passe fantástica, e não se coíbe de ter a bola no pé quando é necessário sair para o ataque.

É um jogador com imensa força, e ainda que tenha sido batido inacreditavelmente por Edgar do Vitória de Guimarães, num dos golos sofridos pelo Benfica na Liga, é imponente no jogo aéreo. Veloz o quanto baste, e ágil tem nos seus traços individuais características interessantíssimas. Tem, todavia, que melhorar e bastante, o entrosamento táctico com Luisão e restantes colegas de sector. Demasiadas vezes parece preso a referências individuais, ao contrário do que pretende Jesus. Posicionalmente nem sempre reage de acordo com os princípios colectivos da equipa. Quando sair à bola? Para onde se dirigir quando um colega de sector sai à bola?

Jogador com um potencial individual incrível, tem porém, algumas lacunas no que de mais importante tem o jogo. A boa noticia é que o que faz menos bem, é passível de ser alterado pelo treino, e pode estar relacionado com o ainda pouco tempo que leva a jogar ao lado de Luisão.

domingo, 18 de setembro de 2011

O grande erro de Verão

De todos quanto os que podendo, não pagaram.

James Rodriguez


Não foi propriamente arriscado o vaticínio avançado no verão, enquanto decorria o torneio de Toulon, de que o jovem colombiano dar-se-ia a conhecer à Europa na presente edição da Liga dos Campeões. Na verdade, garantidamente que os mais atentos clubes europeus já possuíam um vasto conhecimento dos seus atributos.

"James tem talento, e gosta de trabalhar o seu talento" Vitor Pereira.

Foi precisamente a sua maturidade que impressionou logo desde a primeira impressão. Que é um jogador talentoso, com um pé esquerdo de qualidade, facilmente se percebe. Que revela mestria no momento de finalizar, e que é um jogador capaz de criar desequilíbrios individuais também é bem perceptível. E muitos são os jogadores da idade de James que possuem iguais traços.

James, destaca-se dos demais pela maturidade com que define cada jogada. A sua capacidade de definição dos lances não é comum em jovens de vinte anos. Percebe perfeitamente que o drible é um recurso e não uma arma, sabe que espaços atacar com bola, e quando o fazer. Sabe progredir e também sabe quando deve rodar a bola.

Com Varela a depender demasiado do momento anímico que vai vivenciando (é sempre assim. Os jogadores com menor capacidade técnica têm sempre fases, em que confiantes, disfarçam lacunas), James é a solução perfeita para o lugar de extremo do FC Porto.

Vitor Pereira agradecerá.

sábado, 17 de setembro de 2011

Uma proposta de jogo sem igual e a percepção de Oriol Romeu

"Em Espanha está a formar-se uma geração de futebolistas difíceis de ver noutro país". Oriol Romeu.


"Uma proposta de jogo sem igual.

Espanha vive o tiki taka catalão. Será, porventura, impossível de reproduzir com igual qualidade, mas as cópias prometem qualidade suficiente para enfrentar os desafios vindoiros.

A selecção espanhola no Mundial de Sub 20, caracteriza-se precisamente pela imensa técnica, e excelente capacidade de decisão de cada um dos seus intervenientes. Se a uma cultura táctica extraordinária, seja na ocupação do espaços, seja na forma como decidem o que fazer a cada momento com a bola, ou sem ela, na sua movimentação, aliarmos uma criatividade ímpar em determinados elementos, chegamos a uma das mais encantadoras equipas de futebol jovem de que há memória.

Os espanhois, numa perspectiva de campionite, poderão não ser bem sucedidos no imediato, poderão até nem conseguirem levar o ceptro para casa. Nestas idades, os traços físicos são decisivos como nunca. Todavia, arriscaria com enorme margem de segurança predizer que de todas as selecções em prova, aquela que terá mais jogadores com maior percentagem de sucesso no futebol sénior será indubitavelmente a de Espanha.

Referências individuais.

Marc Bartra. Defesa central e capitão da selecção, o catalão transpira classe. Sabe jogar e é o primeiro atacante da equipa. Posicionalmente culto e muito capaz na leitura que faz das diversas situações, é possível vê-lo a dobrar a preceito os colegas. Há imensos jogadores para ver. É, porém e à data, o central que demonstrou maior qualidade no torneio.

Recio. Habitual suplente, é um luxo de jogador o centrocampista que ocupou a posição de pivot defensivo no jogo com a Austrália. Técnica espantosa, como é apanágio nos médios daquela nacionalidade.

Oriol Romeu. O habitual titular na posição de Recio. E tal, só por si, já é garantia de qualidade. Autêntico líder em campo, tirar-lhe a bola não é tarefa possível. Sabe tudo sobre o jogo, é imponente fisicamente e claro, tem uma técnica aprazível. Seguramente que o futuro do jogo estará também nos pés do agora jogador de Villas Boas.

Sergio Canales. Passeia classe e criatividade. Descobre linhas de passe inimagináveis para o comum dos jogadores, e também sabe jogar simples quando assim se impõe. Um verdadeiro talento.

Isco. Traços bem próximos dos de Canales. Para além da criatividade e da imensa técnica, é de uma velocidade de execução extraordinária. Mais um dos que estará em breve no topo do mundo.

Koke e Sergi Roberto. Também centrocampistas de qualidade imensa. Talvez num patamar abaixo de Isco, Canales e Recio, somente porque a criatividade não parece tão acentuada. Sabem tudo sobre o jogo, ainda assim.

Daniel Pacheco. Não é comum assistirmos a raides dos extremos espanhois, e Pacheco não é excepção. Essencialmente, por à semelhança da equipa, preferir caminhos mais colectivos. Mas, porque é veloz e de drible fácil, também sabe ir para cima.

Rodrigo. Está longe de ter a classe de muitos dos seus colegas. É todavia, um avançado com caracteristicas extraordinárias para o tipo de jogo que a Espanha se propõe a fazer. É muito rápido e eficiente a explorar a profundidade nas costas das defesas adversárias, através de desmarcações de ruptura inteligentissimas, essencialmente movendo-se no espaço que vai de um central ao outro. Encaixará que nem uma luva, no recente esquema de Jesus, que contempla um único avançado.

P.S.- Todos os outros jogadores espanhois que não foram aqui mencionados, demonstraram também uma qualidade e maturidade bastante acima da média do torneio. Não foi tarefa fácil manter o texto curto."

O video é de Setembro, já nos sub 21. O texto é de Agosto, ainda nos sub 20. Não se sabe o que se passa na formação em Espanha. Mas, sabe-se que os espanhóis são campeões da europa e do mundo. E sabe-se que têm desde já, a transição assegurada nos pés de uma das mais encantadoras selecções de futebol jovem de que há memória. Há que descobrir a fórmula.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Jogar em poucas linhas, dificulta as coberturas. O exemplo do Sporting.

Várias são as desvantagens para as equipas que jogam em poucas linhas. Ofensivamente a principal dificuldade reflecte-se no formação de apoios próximos ao portador da bola. Defensivamente, poucas linhas dificultam imenso a formação de coberturas (apoios atrás do jogador que saiu à bola na posse do adversário).

Temos sido um pouco críticos com o actual sistema táctico de Domingos, precisamente pela sua opção táctica. Já referimos em textos anteriores, que é demasiado fácil para uma equipa que se prepare convenientemente, fazer a bola chegar à frente da defensiva leonina. É demasiado fácil, porque bastará um passe, ou um único drible (como veremos no video mais à frente) para ultrapassar mais de metade da equipa do Sporting, e ficar desde logo com a bola contra a ultima linha leonina no campo. E é precisamente essa a razão que nos leva a afirmar que os defesas do Sporting têm o triplo do trabalho dos que jogam no FC Porto e/ou SL Benfica.

As imagens e videos são de lances da segunda parte, pois foi esse o período em que o Zurique optou por sair a jogar com a bola rasteira, colocando dessa forma maiores dificuldades ao Sporting.

video

Em organização defensiva, o Sporting tem onze jogadores atrás da linha da bola. Um único drible, e o defesa central adversário, portador da bola, fica numa situação de 5x5, tendo desde logo como adversário mais próximo o defesa central adversário. Tal situação só é passível de acontecer, pelo alinhamento horizontal da linha de médios. Rinaudo, o único jogador responsável pelas coberturas defensivas em toda a largura do campo, por ter estado segundos antes no corredor lateral contrário, onde a jogada atacante do Zurique se iniciou não chega, nem poderia chegar a tempo.

Foram vários os lances em que também um único passe do central adversário, colocou em risco toda a defesa leonina. A bola que termina na barra de Rui Patrício é um exemplo claro. A falta é cometida por Rodriguez. O Sporting estava em organização defensiva, e um simples passe vertical do central, deixou o Sporting numa situação de apenas quatro jogadores entre a bola e a baliza.



A imagem mostra o Sporting em organização defensiva. Estão dez jogadores atrás da linha da bola. O quarto elemento da linha de quatro não aparece na transmissão televisiva. O portador da bola vai tabelar com o avançado que baixou, para receber, colocando-se entre a linha de quatro defensiva e a do meio campo, e a situação de X contra 10

transforma-se numa situação de X contra 4. Ainda para mais, com um central desposicionado, por ter ido acompanhar o movimento do avançado que baixou e tabelou. O portador da bola agora é o mesmo. Se olhar para a imagem, parece mesmo uma situação de contra-ataque, certo? Mas, não é. É o Sporting em organização defensiva.

P.S.- Aparentemente não é possível colocar mais do que um vídeo (pelo menos dos que se carregam do próprio computador) no mesmo post. Optei por colocar o vídeo da situação do drible, porque parece ser a quem melhor justifica as criticas que vão sendo feitas.

P.S. II - Os golos que se marcam na Liga Portuguesa no momento de organização ofensiva são pouquíssimos. Essencialmente, porque para além de ser o momento mais difícil para chegar ao golo, pela inferioridade numérica,  há também uma incapacidade ofensiva gritante da generalidade das equipas da nossa Liga. As deficiências latentes do modelo de Domingos neste momento podem, portanto, ser menosprezadas. Porém, o número de vezes em que são os defesas do Sporting os jogadores forçados a recorrer à falta e tantas vezes em zonas próximas da grande área, para parar os ataques adversários, obriga a que a equipa seja suficientemente forte também nas bolas paradas. A titulo de exemplo, seis das quinze faltas do jogo na Suiça foram cometidas pelo trio defensivo do eixo central.

Os 12 kms de Witsel, os 11 de Javi e Amorim no corredor direito, irrelevante no processo defensivo e ausente no ofensivo

Os dados chegam e é cada vez mais difícil perceber a opção de Jesus.

Por um lado, por ter apenas dois jogadores em três espaços (o do trinco, o do interior direito e o de interior esquerdo) obriga Witsel e Javi a fazerem em conjunto 23 kms. Para além do risco que sempre é falharem as permutas. Risco esse que, relembra-se, foi aqui previsto e que viria precisamente a dar origem ao golo do United. Por outro, a única perspectiva que poderia trazer alguma vantagem ao Benfica, o jogar com apenas dois médios centro, em três espaços, seria unicamente ter a possibilidade de ser uma equipa mais acutilante em termos ofensivos, pela presença de mais jogadores em espaços potencialmente mais ofensivos. Depois, coloca-se num espaço praticamente irrelevante em termos defensivos, mas que poderia ser importante do ponto de vista ofensivo, um jogador que não chega à frente.

Reafirmando, Amorim jogou a ala/médio/extremo direito (pode optar pela que preferir. Mas, não a interior. Quem o afirmar, está errado. Rúben jogou precisamente no mesmo espaço de Gaitán após a entrada de Nolito) E se não chegou mais à frente, foi porque tal, fruto das suas características nunca se proporcionou.

P.S.- A ideia de ter Amorim no onze inicial é óptima. Porém, apenas se fosse para jogar num sistema táctico igual ao do FC Porto, com a dinâmica defensiva dos três médios centro exemplificada aqui.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Parvoíces de Jesus, Domingos e tantos outros. E problema corrigido?


Não pode ter outro nome, que não "parvoíce" a ideia que leva um treinador, na tentativa de ser uma equipa mais segura defensivamente a optar por jogadores deslocados da sua posição. Se se percebe que há que ser mais seguro defensivamente, então há que mudar posicionamentos. Não jogadores por outros, que depois acabam a ocupar o mesmo espaço.

Há que concordar com o onze inicial que Jesus fez subir ao relvado. Porém, nunca no sistema táctico apresentado. Se a ideia era ser mais seguro e mais capaz de controlar o espaço defensivo, Amorim tal como Witsel deveriam ter jogado como interiores, à frente de Javi Garcia.

Você crê realmente que se jogar com um guarda redes a ponta de lança, e com dois defesas centrais a extremos, fica mais seguro defensivamente? É claro que não. Interessa é o espaço que se ocupa. No golo do United valeu de alguma coisa ter Amorim a extremo direito? Pois não. Mas, e se lhe garantir que jogando a interior, Rúben seguramente que estaria, na situação em que o Manchester chega ao golo, no espaço que Giggs aproveita. Acredita? É que tal teria mesmo acontecido.

Se a ideia era jogar com dois extremos, Amorim nunca deveria ter subido ao relvado. O que se ganha em termos defensivos, por ter um médio centro, mesmo que muito culto tacticamente a ocupar uma posição de extremo é irrelevante. Porém, é demasiado gritante o que se perde em termos ofensivos. E não surpreende que a entrada de Nolito tenha coincidido com os melhores lances do Benfica no jogo da Liga dos Campeões.

Não foi a primeira vez que Amorim jogou com Jorge Jesus a extremo. Em Twente, depois da sua entrada em campo, para a posição de extremo, também correspondeu ao período em que os holandeses mais atacaram, tendo inclusive chegado ao golo do empate por aquele lado.

Reforçando. Jogar com atletas de características mais defensivas em espaços ofensivos é uma parvoíce. Pouco ou nada se ganha para o muito que se perde. Se há que defender melhor, então a ideia terá de ser mudar a ocupação do espaço defensivo. E não trocar as peças.

Há, também, boas novas. O problema posicional do Benfica, identificado neste espaço há um mês, parece corrigido. Felizmente para Jesus, demorou somente cerca de um mês, quarenta e cinco minutos, e um golo sofrido a ser corrigido.

"Houve um desposicionamento do Witsel numa saída do Javi" Jorge Jesus.

Parece que adivinhámos o golo. Era um problema premente que urgia ser resolvido. E se até à data o Benfica não tinha pago pelo mau posicionamento de Witsel quando Javi sai à bola, muito se deve ou à fraca qualidade dos adversários, ou à incapacidade que revelam para perceber os erros de Jesus.

Lance do golo do United.



Imagem da segunda parte do jogo.

P.S.- Supõe-se que Domingos com Schaars, tem tido exactamente o mesmo pensamento que levou Jorge Jesus a optar por Rúben Amorim numa posição mais ofensiva. Já Quique Flores levou um ano a tentar disfarçar um mau modelo defensivo, com peças defensivas em espaços que poderiam ser mais ofensivos.

P.S. - Enorme jogo do Benfica. A qualidade individual ao serviço de Jesus é uma maravilha. E se Jesus, se mostrar capaz de valorizar todos os adversários por igual, é o homem certo no lugar certo.

Sabe, quando joga xadrez?

As peças movem-se tal e qual você define. Certo?

Por vezes, e pese embora a possível imodéstia, sinto-me a jogar xadrez com a mente, enquanto observo o Barcelona.

A propósito da incapacidade táctica que as equipas portuguesas revelam no momento em que têm de reagir às arrancadas de Hulk, foi publicado aqui a quinze de Agosto, a melhor forma de parar o incrível. Seja pelo comportamento a adoptar logo quando recebe a bola, ou na forma como reagir depois deste ultrapassar o primeiro defensor e ficar com apenas três adversários à frente da linha da bola.

"impõe-se que um central saia rapidamente ao caminho de Hulk, colocando-se entre este e a bola, enquanto que o central que ficou, e o lateral direito, garantem uma linha de cobertura. Impõe-se que quem defende, ou seja os três que ficaram, consigam formar um triângulo. No vértice mais avançado o central que saiu a Hulk, e nos mais recuados, o central e o lateral que continuam a formar a linha defensiva. O posicionamento dos dois mais recuados terá de ser o suficientemente próximo entre eles para que nunca seja possível que a bola passe entre os dois, e o suficientemente afastado do vértice mais ofensivo, que possa permitir controlar a profundidade defensiva.".

video

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Cuidado Benfica!

"Mas afinal, de que forma jogou o SL Benfica?

Imagine o losango. Retire-lhe o interior esquerdo. Javi jogou na posição de trinco, Witsel jogou como interior direito, Aimar a dez, dois extremos e um ponta de lança. Ou seja, sem médio interior esquerdo.

Foi pela ausência de alguém no espaço à esquerda de Javi que por diversas vezes, foi possível ver o espanhol a ocupar espaços muito pouco habituais em si. Fê-lo sempre bem e quando assim se impunha. Verificou-se, todavia sempre que saía sobre o lado esquerdo do meio campo, um vazio no espaço imediatamente à frente dos dois centrais. E é nessa coordenação que o Benfica terá de crescer, se o sistema táctico estiver para durar. Quando Javi sai, Witsel deve ocupar o espaço imediatamente à frente dos centrais. Não o fez, contudo. Permaneceu sempre a jogar ao lado do espanhol, e não baixando um pouco para trás deste, e para a frente dos defesas centrais, quando Javi não estava na posição 6.

Ou seja. É possível garantir um bom equilíbrio defensivo da forma como Jesus jogou na Holanda. Há, todavia, que preencher sempre de forma correcta o espaço. A posição seis, terá de ser sempre ocupada, e a de interior do lado da bola também. Com a bola sobre o corredor lateral esquerdo do adversário, Witsel permanece e bem na sua posição de interior direito, e Javi na posição de seis. Se a bola roda até ao outro lado, Javi terá de sair para a posição de interior esquerdo, e Witsel terá de descer ainda mais e ocupar a posição seis, impedindo um vazio numa zona tão decisiva do campo de jogo.

Foi essencialmente pela ausência de permutas por parte do belga, que por vezes pareceu que jogavam ao lado um do outro. Quando tal não aconteceu. Apenas momentaneamente, e fruto de erros posicionais de Witsel.

O 4+1 defensivo de Jorge Jesus é muito peculiar, e para continuar a jogar desta forma assimétrica relativamente ao lado esquerdo e direito do meio campo, o treinador do Benfica precisa de ensinar a Witsel a especificidade da posição seis no seu modelo de jogo. Quando tal acontecer, será possível vermos o belga num momento na linha defensiva, e segundos depois, a aparecer junto à grande área adversária. Nada de extraordinário para alguém com tamanha qualidade.

O 4x3x3, com Aimar e Witsel à frente de Javi (na esquerda o argentino, na direita o belga), seria também uma opção incrivelmente interessante. Por não querer abdicar de dois jogadores a pressionarem desde logo a saída de bola dos centrais, Jesus optou por manter Aimar mais próximo do avançado. Diferente do que se tinha por aqui idealizado, mas ainda assim, passível de ser muito bem sucedido. Assim Witsel coordene melhor as permutas com Javi." O texto foi publicado a 17 de Agosto, depois do empate a dois, entre Twente e SL Benfica.

Quase um mês após, o SL Benfica continua, quando joga com Witsel a interior direito, a defender com os seus dois médios centro lado a lado, quando a bola está entre o corredor lateral direito e central do adversário. Quem sair para o ataque por aquela zona do campo, sabe que Javi desocupará a posição seis, e que Witsel não garantirá a cobertura defensiva (colocando-se atrás do espanhol, precisamente no espaço que este libertou).

O espaço que o Benfica liberta é precisamente aquele em que Rooney se move com maior qualidade. Na liga inglesa poucas são as equipas que não jogam no 442 clássico, em três linhas. E são também poucas, as equipas que não caiem aos pés de Rooney. E nem precisa de ser o inglês a chegar ao golo. Permitir que o adversário receba a bola e enquadre com a baliza no espaço imediatamente à frente dos centrais, é provavelmente o que de mais grave se pode consentir. Muito mais quando os adversários têm a qualidade para jogar entre sectores como o avançado da selecção inglesa.


Se Ferguson estudou ao pormenor o Benfica, saberá por onde sair para o ataque. E saberá como libertar o espaço onde Rooney pode fazer a diferença.

Na pobre imagem está representado o até à data, dispositivo táctico do Benfica quando a bola está sobre o lado esquerdo, e sobre o lado direito. Bem como o perigoso espaço (rectângulo azul) que Javi liberta, sempre que obrigado a sair da posição seis, ninguém lhe dá a cobertura defensiva.


E é isto.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Ainda o Sporting. A protecção dos médios interiores ao corredor central e o consequente menor número de intervenções defensivas de centrais e trinco.

"Falemos do momento do jogo, e do comportamento mais aprazível, em termos tácticos do FC Porto.

A dinâmica do trio do meio campo, aquando da organização defensiva.

Sem posse, o triângulo passa a ter dois vértices defensivos. A ocupação do vértice mais ofensivo, depende da zona do campo onde a bola está. Se sobre o lado direito, Meireles sai à bola (contenção), ocupando o vértice mais ofensivo do dito triângulo. Atrás de si, numa linha paralela à linha de fundo, Fernando (sobre o lado direito) e Guarin (à esquerda de Fernando) realizam uma dupla cobertura. Após cada passe, há um reajustar de posições. Se a bola, é passada para um adversário, posicionado no lado direito do corredor central, Guarin sai rápido para a contenção, ocupando ele o vértice mais ofensivo, enquanto que Meireles baixa rapidamente para a linha que Fernando ocupa no campo.

O importante é, a todo instante, garantir o tal triângulo, e impedir, pela proximidade dos jogadores em questão, que a bola entre no espaço formado pelos três centrocampistas do FC Porto. Sem falhas posicionais, e respondendo rápido (pela troca de funções. Contenção - Cobertura) à troca de bola adversária, garante-se que o espaço onde tudo acontece (corredor central) é praticamente inviolado."




O texto é do último dia do ano de 2009, e pretende dar a perceber o porquê de haver defesas centrais que passam pelos jogos quase sem serem notados nos momentos defensivos, e porque há outros que integrados em modelos que não os beneficiam, por não terem médios próximos que sejam os primeiros jogadores da equipa a sair à bola, são forçados constantemente a ter de desarmar o adversário.

Não admira portanto os dados obtidos também nas recuperações de bola.

- No Sporting, são 27 por cento do total de recuperações da equipa, as bolas que os centrais recuperam, e 16% as recuperações obtidas pelo trinco. O eixo central defensivo, composto por três jogadores é responsável pela recuperação de quase metade dos ataques adversários.

- No FC Porto, são apenas 18 por cento as bolas que os centrais recuperam, e 11% as recuperações obtidas pelo trinco. Não chega, por pouco, a um terço do total de recuperações do FC Porto, as que são feitas pelo eixo central.

- No SL Benfica, são 21 porcento as bolas recuperadas pelos defesas centrais e também 11% as recuperações do trinco. Pouquíssimo mais que um terço das bolas recuperadas pela equipa são fruto de recuperações dos três jogadores do eixo central.

Alguns dados ainda sobre as faltas.

Sporting 68 faltas cometidas;
FC Porto 71;
SL Benfica 55.

Percentagem de faltas cometidas pelos defesas centrais do Sporting - 20%
Percentagem de faltas cometidas pelos defesas centrais do FC Porto - 8%
Percentagem de faltas cometidas pelos defesas centrais do SL Benfica - 9%

Percentagem de faltas cometidas pelo trinco do Sporting - 17.6%
Percentagem de faltas cometidas pelo trinco do FC Porto - 12.6%
Percentagem de faltas cometidas pelo trinco do SL Benfica - 5%

Percentagem de faltas cometidas pelo eixo central defensivo do Sporting - 37.6%
Percentagem de faltas cometidas pelo eixo central defensivo do FC Porto- 20.6%
Percentagem de faltas cometidas pelo eixo central defensivo do SL Benfica - 14%



Tivessem estas pequenas curiosidades validade, e somando o elevado desnível percentual quer de recuperações, quer de faltas cometidas (consequente não recuperação) pelo eixo central defensivo de uma e outras equipas, percebe-se o quão desconfortável deve ser ocupar as três posições centrais mais defensivas do Sporting. A equipa simplesmente não é capaz de os proteger e os três estão sistematicamente em jogo.

Os dados relativos às recuperações de bola e faltas foram retirados do Site do Jornal A BOLA, e tal como no texto anterior, há que reforçar "que o estudo tem validade zero. Depende de demasiados factores (desde características dos e do adversário, características dos próprios jogadores, dos árbitros, até às características do próprio jogo) para que possa ser válido. Em suma, mais que um estudo é somente uma pequena curiosidade, cujo resultado pode ou não estar relacionado com a percepção que se tem do jogar leonino.".

P.S. - A imagem escolhida é de um dos treinadores de que há memória que mais tenha desprotegido os defensores.

Uefa Champions Fantasy League

Isto é um pouco em cima, mas aqui vai. O código para aderirem à Liga do Lateral Esquerdo, no site da Uefa é o seguinte:

143594-23658

Lá nos encontraremos.

P.S - Somos cada vez mais. Vamos lá, o quanto antes. http://en.uclfantasy.uefa.com/

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

São necessários defesas rápidos para jogar com o bloco alto


A propósito de uma análise fantástica no blog Paradigma Guardiola, importa aqui recuperar dois posts potencialmente interessantes e respectivas discussões.

Daniel Carriço e Polga são mais lentos que Sidnei, Luisão, Otamendi e Rolando, e é por isso que o Sporting joga bem mais recuado que os adversários

Golo do Estugarda e a ausência do veloz David Luiz



Retirado do magnifico Paradigma Guardiola.

A linha de quatro médios ofensivos do Sporting, tão distantes do trinco e dos defesas.

Já havia sido referido em textos anteriores. Não parece que o actual sistema táctico (4x1x4x1) possa trazer muitos benefícios ao Sporting. Se ofensivamente a linha média mais avançada está demasiado próxima da meta, e sempre demasiado longe da bola (louve-se Elias, que foi sempre capaz de baixar para receber), defensivamente, a distância enorme que os separa dos cinco mais recuados, coloca em risco a equipa. Ainda para mais porque a pressão sobre o portador da bola, é demasiadas vezes inexistente. Não é minimamente difícil, para uma equipa que perceba as lacunas na ocupação do espaço do Sporting, através de um passe, deixar para trás meia equipa leonina e obrigar desde logo a que sejam os defesas do Sporting a terem de parar o ataque adversário.

Foi dessa percepção, que se resolveu fazer um pequeno estudo. Importa antes de mais, referir que o estudo tem validade zero. Depende de demasiados factores (desde características dos e do adversário, características dos próprios jogadores, dos árbitros, até às características do próprio jogo) para que possa ser válido. Em suma, mais que um estudo é somente uma pequena curiosidade, cujo resultado pode ou não estar relacionado com a percepção que se tem do jogar leonino.

A ideia foi confirmar que os defesas e o trinco do Sporting estão mais expostos que os de Benfica e FC Porto, pela contabilização do número de faltas.

Eis os dados obtidos após as quatro primeiras jornadas.

Faltas cometidas pelos defesas centrais do SL Benfica - 5
Faltas cometidas pelos defesas centrais do FC Porto - 6
Faltas cometidas pelos defesas centrais do Sporting - 14

Faltas cometidas pelos laterais do SL Benfica - 14
Faltas cometidas pelos laterais do FC Porto - 20
Faltas cometidas pelos laterais do Sporting - 16

Faltas cometidas pelo trinco do SL Benfica - 3
Faltas cometidas pelo trinco do FC Porto - 9
Faltas cometidas pelo trinco do Sporting - 12

Total de faltas cometidas pelos 5 mais recuados do SL Benfica - 22
Total de faltas cometidas pelos 5 mais recuados do FC Porto - 35
Total de faltas cometidas pelos 5 mais recuados do Sporting - 42

Curiosidades.

Nos quatro jogos do SL Benfica, Aimar esteve três vezes no top 3 dos jogadores com mais faltas do SL Benfica. No único jogo que não fez parte dos mais faltosos, jogou apenas 45 minutos (em Barcelos).Também Witsel fez parte do top 3 dos mais faltosos, nos dois jogos em que somou os noventa minutos. No SL Benfica, são regra geral, os jogadores do meio campo e do ataque (Jara, Cardozo e Saviola também fizeram parte do top 3 de mais faltosos ao longo das quatro jornadas) que mais faltas cometem.

No FC Porto, são por norma os laterais que mais faltas fazem. A forma como defensivamente a equipa de Vitor Pereira tem a preocupação de empurrar e encurralar os adversários no corredor lateral, está obviamente relacionada com o dado apurado. A seguir aos laterais, são os médios interiores que mais faltas cometem (Moutinho e Belluschi aparecem no top 3 dos mais faltosos ao longo dos jogos já disputados).

No Sporting, em Aveiro, foram Yannick, Matias e Ricky que somaram maior número de faltas. Nos restantes três jogos da Liga, o top três dos mais faltosos foi sempre composto pelo trinco, por um central e por um lateral.

Top 3 contra Olhanense:
1. Rinaudo
2. Evaldo
3. Polga

Top 3 contra Maritimo:
1. Evaldo
2. Carriço
3. André Santos

Top 3 contra Paços de Ferreira:
1. Rodriguez
2. Insua
3. Rinaudo

Os dados foram retirados do site do Jornal A Bola.

Reforçando. Os dados obtidos não são suficientes para tirar conclusões válidas. E nem como "estudo" se pode apelidar o que se apurou, pelos inúmeros factores de que dependem os dados apurados.

Não deixa, porém, de ser curioso que é na equipa em que há a percepção de que a defesa está demasiado só e desprotegida, pela ausência de proximidade dos centrocampistas, que deveriam funcionar como que tampão, impedindo o adversário de obrigar os defensores a terem de sair da posição para anular as jogadas, que mais faltas cometem os defensores. O dado mais curioso, contudo, é obtido pela comparação de faltas entre colegas da mesma equipa. Será por acaso que no Sporting os defesas cometem muito mais faltas que os restantes colegas de outros sectores? E será normal uma discrepância tão grande nas faltas cometidas pelos jogadores defensivos do eixo central. Vinte e oito do Sporting, contra quinze do FC Porto e oito do SL Benfica?

Se os dados obtidos fossem válidos, a conclusão só poderia ser uma. É incrivelmente mais fácil ser defesa central ou trinco no SL Benfica ou FC Porto, do que no Sporting, onde demasiadas vezes é necessário intervir. E se tal fizer sentido, o problema não estará no modelo que Domingos vai implementando?

P.S. - Há a enorme curiosidade para perceber como poderá a qualidade individual de Elias compensar o mau modelo (recorde que no Brasil era comparado a Ramires, pela disponibilidade que demonstrava para recuperar ou ganhar metros nas transições). Todavia, e mesmo que aqui e ali Elias, consiga de facto, elevar o Sporting para um patamar de segurança bem maior que aquele que vai demonstrando, não há muitas razões para estar optimista. E a qualidade individual que parece abundar como nunca nos últimos tempos...

domingo, 11 de setembro de 2011

Gaitán. Há que o adorar.

Mas, apenas se não fizer parte da sua equipa. Tê-lo no adversário de ocasião, também não será necessariamente interessante, porém. É que se assim for, há o risco de a qualquer momento ter de engolir a opinião. O argentino tem laivos de génio, e pode desequilibrar o jogo num instante. Quem vê o jogo despreocupadamente, seguramente que passará um bom bocado com Gaitán. É ímpar a forma como trata a bola, e extraordinariamente belas as soluções que por vezes inventa.

Está, contudo, bastante longe de oferecer o rendimento que se exige numa equipa que pretenda sagrar-se campeã. A sua displicência com a bola nos pés, e a pouca disponibilidade para as tarefas defensivas são traços imperdoáveis no seu jogar. O número quase pornográfico de perdas que soma a cada jogo, e tantas em zonas e situações delicadas para a equipa, como que permite concluir que apostar em Nico é um acto de fé.

Ainda que tenha talento como ninguém, a sua presença no onze é absolutamente injustificada quando um jogador ainda que menos talentoso, e menos rápido, mas com um rendimento muito superior, fruto das suas capacidades cognitivas como Nolito fica de fora.

P.S. - "Nolito é um agitador. Bruno César é mais cerebral" Jorge Jesus. "Gaitán é um agitador. Nolito é mais cerebral" Lateral Esquerdo.