segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Dinâmica defensiva do meio campo

Possível dinâmica defensiva do meio campo, quando a equipa se encontra com apenas 6 jogadores atrás da linha da bola.




A troca de funções (contenção / cobertura) é determinante para que se possa chegar mais rápido à bola, e para que se possa garantir uma ocupação do espaço defensivamente mais segura. Em momento algum o espaço à frente dos centrais deve estar livre. Também o médio que faz a cobertura deve alinhar com a bola e a sua baliza. É, também, muito pela troca de funções entre os centrocampistas que se consegue gerir o esforço dos jogadores. Longe vão os tempos em que cabia apenas ao trinco pressionar todo e qualquer adversário com bola.

P.S. - Atenção ao miúdo que está na foto. Tom Cleverley.

sábado, 29 de outubro de 2011

O problema de Sissoko da Académica.

Segundo o que nos afirma o comentador da Sportv, o problema de Sissoko é o facto de noventa por cento das vezes em que tem a bola no corredor lateral vem para dentro.

Por aqui que nunca se viu com a mínima atenção a performance do atleta, e que não se tem a mínima percepção sobre as suas qualidades, faz agora mais sentido pensar nas noticias recentes do possível interesse de SL Benfica e FC Porto no jogador.

Depois de tal afirmação, é certo que por cá, o costa-marfinês merecerá um pouco mais de atenção.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Rinaudo e Matic versus Javi e André Santos

Ponto prévio. No actual sistema de jogo, parece claro que Rinaudo tem de jogar sempre. A sua reactividade defensiva, e as coberturas ofensivas mais próximas da bola, que lhe permitem reagir mais rapidamente à perda, ou ligar os corredores após um passe atrasado que chegue na sua direcção, justificam-o.

Pensa-se em Matic e crê-se que poderá dar uma dimensão ofensiva ao SL Benfica que Javi não dá. É certo que defensivamente está a milhares de léguas do espanhol. Na ocupação do espaço, na imponência do jogo aéreo (situação tão importante na Liga Portuguesa, porque raras são as equipas que tentam sair a jogar) e na tomada de decisão relativa ao posicionamento ou reacção às diversas situações defensivas do jogo (como reagir quando estamos com cinco atrás da bola? ou quatro? ou apenas três?)

Porém, porque tecnicamente é dez vezes mais jogador que Javi Garcia, poderia supor-se que ofensivamente teria algo mais para acrescentar. Luis Freitas Lobo referiu-o antes de se iniciar a partida do último fim de semana. Todavia, a meio da primeira parte já tinha mudado a sua opinião.

Há jogadores assim. Porque na tomada de decisão são menos fortes que o que seria de supor, serem hábeis tecnicamente chega a prejudicá-los. Numa posição onde demasiadas vezes se exige que se mude o centro do jogo, que se retire com rapidez e assertividade a bola da zona de pressão, Matic age demasiadas vezes contranatura. Gosta de ter a bola e não se coíbe de correr com ela, procurando ele melhores soluções ofensivas, não soltando a posse enquanto não vislumbra uma linha de passe mais ofensiva. É pela sua tomada de decisão que por vezes o jogo do Benfica se torna mais lento. Não esquecendo as perdas que vai somando, por passar demasiado tempo com a bola no pé.

De Rinaudo a André Santos, o caminho é bastante próximo ao dos centrocampistas do SL Benfica.

Os traços de Rinaudo batem aos pontos André Santos. Todavia, na tomada de decisão com bola, é o argentino que tem a aprender com o português. O argentino tal como Matic, gosta demasiado da bola. Quer tê-la e conduzi-la. Quando perceber que as suas acções ofensivas de condução são estéreis, tornar-se-à mais jogador. É muito invulgar termos Rinaudo em situações de jogo em que se imponha mais de um, dois, três toques na bola. Correr com ela como o faz permite ao adversário ter mais tempo para se organizar, além de que uma possível perda poderá apanhar o Sporting desposicionado no campo de jogo.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Capel versus Carrillo

Diego Capel é um jogador entusiasmante. Um agitador. As suas arrancadas, a forma rápida como conduz a bola contagia os adeptos e os próprios colegas. É e será um jogador importante em determinados momentos, de determinados jogos. Os seus impulsos já ajudaram a desbloquear jogos, e continuarão a ajudar. É, todavia, também um jogador com acções muito desadequadas, que por vezes prejudicam a fluência do jogo ofensivo leonino. Não faz sentido vê-lo, que nem miúdo de sete anos, a correr com a bola de corredor lateral a corredor lateral, passando por cima dos colegas de equipa, e permitindo o reajustar das defensivas contrárias. Independentemente do momento do jogo, a sua opção passa por transportar a bola. E se nas transições toda aquela velocidade, mesmo que por vezes direccionada para o sentido errado (fuga da baliza), é uma mais valia, nos momentos em que o adversário está organizado o jogo de Capel chega a ser prejudicial ao Sporting.

Já Carrillo é jogador dos pés à cabeça. Sabe jogar em todos os momentos. Talvez precisemos de vê-lo jogar vários jogos consecutivos para perceber a sua regularidade. Talvez as possíveis dúvidas que possamos ter sobre a tal regularidade derivem apenas de um preconceito para com a sua juventude. Porém, as suas exibições, mesmo que em curtos espaços temporais são verdadeiramente entusiasmantes. O miúdo sabe passar, sabe quando passar, sabe desequilibrar e quando o fazer, sabe tabelar, sabe jogar fácil e sabe progredir quando a situação o impõe. Sabe quando procurar o espaço ou o pé dos colegas. É muito veloz, e com imensa qualidade técnica. É certo que se tivesse outra nacionalidade já hoje se falariam em imensos milhões de euros. Na verdade, um talento deste nível, nunca custaria ao Sporting menos de quinze vezes o valor que efectivamente custou, se tivesse vindo do Brasil.

À atenção dos tubarões europeus. O miúdo tem pouco estatuto e eventualmente, pouco valor monetário. É agir rápido, porque mais tarde, quintuplicará o valor da transacção. É pós Nani a grande figura a crescer em Alvalade.

P.S.- Quando daqui por um mês o Sporting visitar o Estádio da Luz, queira Jorge Jesus persistir na sua desequilibrada táctica, e queira Domingos insistir no peruano, e quem sabe se com toda aquela velocidade e capacidade para definir os lances, Carrillo não obtém então o reconhecimento que o seu potencial indicia. O miúdo não engana.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Curtissima de Alvalade

Percebe-se perfeitamente o entusiasmo que Capel transmite para a bancada e para os colegas, com tudo o que de bom daí advém. Porém, é Carrilo quem me enche as medidas. Se ainda não o é, será um jogador fabuloso. Não é comum aquela capacidade de definição em miúdos da sua idade. E a velocidade e a classe?

É claramente a arma leonina mais letal para as transições.

domingo, 23 de outubro de 2011

David Silva. Porque a tomada de decisão é o traço mais louvável que se pode possuir.


Faltam palavras que façam justiça à qualidade de mais um baixinho espanhol.

Jogadores com uma capacidade extraordinária de definição, capazes de tecnicamente colocarem na relva tudo o que as suas brilhantes mentes alcançam estarão sempre no nosso coração.

Silva faz valer o preço do bilhete. Seja ele qual for. É certo que está no restrito lote dos melhores do mundo.

Um dia lixas-te, Jesus!


E lá vai seguindo Jesus na sua loucura de partir a equipa em dois. Cinco defendem, quatro atacam, um (Witsel) tenta fazer de tudo. A incapacidade para controlar defensivamente o corredor central é assustadora, de todas as vezes em que o treinador do Benfica opta por um sistema táctico totalmente desadequado (dois alas tão distantes e por isso incapazes de fechar o corredor central, e dois avançados).

Defender com tão pouca gente um espaço tão grande torna jogos previsivelmente fáceis em autênticas lotarias. Com tanta qualidade individual, por vezes fica a sensação que só a teimosia do seu treinador poderá levar a mau porto tal aventura.


A imagem é apenas um dos inúmeros momentos em que o SL Benfica defendeu em inferioridade ou igualdade numérica. Ou mesmo que em superioridade, foram demasiadas as vezes em que estavam somente quatro, máximo cinco jogadores a controlar metade do campo.

É atroz a incapacidade de quase todas as equipas / jogadores da Liga portuguesa para decidir bem, e definir com assertividade as jogadas que beneficiam. Só pode estar a trabalhar-se mal na formação. É quase inconcebível ver o Benfica não sofrer golos num jogo em que concede tanta facilidade no seu meio campo defensivo.

P.S. - Mérito a Jesus num pormaior. A sua equipa é em termos posicionais das melhores da Europa, quando tem de reagir a situações em que fica com apenas quatro ou cinco jogadores atrás da linha da bola (Com Javi, incrivelmente melhor que com Matic na ocupação dos espaços). Contudo, numa Liga qualitativamente superior, passar tanto tempo com tão poucos jogadores atrás da linha da bola, traria dissabores em catadupa ao treinador do SL Benfica.

sábado, 22 de outubro de 2011

Por vezes, também me diverte.

Mesmo não sendo o Messi.

Rodrigo Moreno. Movimento de ruptura típico.


A dez de Agosto de 2011 descobríamos Rodrigo no Mundial de sub 20. "É muito rápido e eficiente a explorar a profundidade nas costas das defesas adversárias, através de desmarcações de ruptura inteligentíssimas, essencialmente movendo-se no espaço que vai de um central ao outro" Aqui.

Uns meses após, e vários minutos depois, não só no SL Benfica, mas principalmente no escalão seguinte (sub 21) da selecção espanhola, Rodrigo Moreno promete mais do que nunca. Pelo seu potencial pode-se esperar que ano(s) mais tarde siga carreira num todo poderoso da Europa. A sua velocidade, inteligência na movimentação, capacidade técnica e capacidade de remate fazem de si um dos principais avançados do futebol mundial da sua geração.

Hoje trazemos por imagens o seu movimento característico que lhe permite explorar com tanta qualidade as costas das defensivas adversárias.


Movendo-se na horizontal, Rodrigo não cai no fora de jogo. Quando o passe sai, beneficia de já se deslocar a uma velocidade assinalável, chegando sempre primeiro à bola nas costas dos adversários, que os próprios, que parados e de frente para o jogo, ou interceptam o passe, ou terão imensa dificuldade em recuperar a posição.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

O genial Matias e o seu amigo peruano

O Domingos que continue a tratar de formar um colectivo forte, que possa projectar as individualidades para patamares superiores, que o Matias e o Carrillo encarregar-se-ão de encher Alvalade. De talento, e de admiradores nas bancadas.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Carrega Hulk

Não me foi possível ver o FC Porto. O jogo está gravado, mas não é certo de que o possa ver mais tarde. Vi o resumo, todavia.

Tudo o que no presente texto for afirmado é portanto, facilmente alvo de desmentido, e a caixa de comentários está ai para isso mesmo.

No resumo alargado que me foi possível visualizar, deu a sensação de que uma percentagem avassaladora dos ataques / oportunidades do FC Porto, foram fruto de jogadas individuais de Hulk, que trazendo a bola da direita para o meio, acabou a rematar de meio do meio campo.

Depois do resumo visto, a primeira preocupação foi espreitar o onze inicial do FC Porto. Belluschi de fora, como suspeitei.

Não sei qual será a ideia de Vitor Pereira, e não sei se não estarei a ser injusto, contudo, se no FC Porto se pensa que se pode voltar à formula antes Villas Boas, em que Hulk jogava sozinho (na altura por livre vontade, agora, provavelmente porque Vitor Pereira não consegue condicionar o jogo a seguir por outro lado), talvez seja boa ideia parar para pensar bem no que se pretende.

P.S.- A caixa de comentários está ai. Seguramente que quem pôde ver o jogo, pode confirmar ou desmentir esta tendência.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Um Benfica Europeu

"Um Benfica Europeu.

Extraordinária a forma como o Benfica se bateu contra aquela que está seguramente nas três melhores equipas mundiais da última década.

O incremento da qualidade dos atletas do Benfica, chegou com a presença de Rui Costa a funções directivas. O incremento na qualidade do seu jogar, chegou com Jorge Jesus no banco.

Não há como não perceber a evidência. De há quatro temporadas para cá, têm chegado época após época, jogadores de qualidade superior a Lisboa. De Reyes a Witsel, passando por tantos outros, e até mesmo aqueles que demorando um pouco mais no seu processo de afirmação, serão seguramente mais valias no futuro do Benfica. Penso em Enzo e Bruno César, essencialmente.

Com Jorge Jesus, exímio na arte de potenciar o que de melhor os jogadores podem dar (relembre Di Maria, David Luiz, Fábio Coentrão), o SL Benfica paulatinamente têm-se tornado uma equipa vencedora. E se os três troféus em dois anos, não o indiciam totalmente, a percentagem de vitórias por jogo, subiu de forma vertiginosa nos dois anos de Jesus. Não terá sido por acaso a presença, vinte anos depois, numa semi final europeia.

A forma aparentemente fácil com que o vice-campeão holandês foi batido, e a forma tranquila com que o Benfica discutiu palmo a palmo o jogo com o Manchester United, comprovam uma clara mudança, relativamente ao Benfica da década de noventa e ao Benfica da última década.

O trilho da qualidade está a ser percorrido. E a aposta na qualidade trará sempre benefícios. Financeiros, pela valorização dos jogadores, e necessariamente desportivos.

É um grande Benfica o dos dias de hoje. Resista ao poderosíssimo FC Porto, no Estádio do Dragão, à sexta jornada da prova, e teremos condições para presenciar um campeonato memorável, disputado ao milímetro entre Porto e Lisboa."

O texto foi publicado a 16 de Setembro. Pouco mais de um mês depois, percebe-se que está, de facto, a crescer uma grande equipa no Estádio da Luz. Pelas suas soluções individuais (que começam logo na baliza) e colectivas, este Benfica assume-se indubitavelmente como uma equipa temível.

domingo, 16 de outubro de 2011

Resolver um 2x1. O exemplo de Walter.


Não é difícil, porém, muitos são os jogadores que não dão a melhor resposta a tão fácil situação.

Há que atacar o adversário, fixá-lo, obrigá-lo a parar e a sair ao portador da bola, e depois fazer o passe para o espaço, e nunca para o pé do colega, para que este não tenha que interromper o seu deslocamento e esperar pela bola.


Pero Pinheiro 0-1 FC Porto - Defour 30'

Simão | Myspace Video


Walter poderia até ter "atacado" um pouco mais o defesa, para que não sobrasse tempo absolutamente nenhum para este recuperar a posição. Todavia, um passe com tamanha qualidade ajudou a resolver a situação.

Belluschi


Epa, desculpem lá a sobreposição de posts, mas ainda não tinha visto isto!

Nem quero saber se de que divisão eram os tipos. Continuem a menosprezar o maior talento do FC Porto...


Pero Pinheiro 0-2 FC Porto - Walter 33'

Simão | Myspace Video

sábado, 15 de outubro de 2011

Ramires. O rei da transição.



szólj hozzá: C3-0E

Repare na posição inicial do brasileiro. Em sete segundos atravessa mais de meio campo e aparece junto à baliza adversária a finalizar. E fá-lo jogo após jogo, minuto após minuto, independentemente do adiantar ou não do relógio.

Bruno César. Prognósticos arriscados.

Quando na sua primeira aparição se tentou, aqui, adivinhar o seu potencial, nunca pareceu que se estava a fazer um prognóstico arriscado. Mesmo sabendo da forte concorrência que há para os lugares ofensivos no SL Benfica, e mesmo percebendo que pela sua morfologia não iria cair nas boas graças dos adeptos, aquele toque de bola, aquela capacidade de passe e a forma assertiva como define as jogadas foi perceptível logo no primeiro jogo, mesmo que o adversário fosse quem foi.

Porém, mesmo que por cá se tenha mostrado desde logo demasiado optimismo com as suas qualidades, não percebemos desde logo o verdadeiro alcance do potencial de Bruno César. Hoje que se percebe, que à inteligência e capacidade técnica, alia uma velocidade de execução extraordinária, uma velocidade de passada bem assinalável e uma capacidade de finalização fantástica, ousa-se traçar um prognóstico, este sim, bem arriscado.

Se no final da temporada Pablo Aimar partir, Bruno César assumir-se-à como o jogador mais determinante do SL Benfica.

P.S. - Em algumas épocas, Rodrigo Moreno jogará onde quiser jogar.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

É isto


"Comigo à frente da Selecção, a qualificação teria sido absolutamente natural, normal, consistente, e estaríamos agora na fase final do Euro" Carlos Queirós.

Há que concordar. Queirós deve ter definido perder somente 5 pontos ao longo de toda a qualificação. Como os perdeu logo nos primeiros dois jogos, daí para a frente seria tudo vitórias. Foi pena ter saído...

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Um problema de cobertura




Repare no tempo que João Pereira é abandonado pela equipa.

E se puder rever o jogo, verifique quantas situações de 1x1 consentiram os dinamarqueses ao ataque português.

P.S.- Outra solução seria o central aproximar e dar a cobertura, baixando um pouco mais Meireles, para a linha defensiva.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Deus foi assassinado em 1994.

“si yo fuera Maradona
viviria como él
Si yo fuera Maradona
Nunca m’equivocaria”

Tudo em Maradona é uma lenda.

Foi em noventa e quatro, que a FIFA destroçou, definitivamente todo um sonho de criança que virara adolescente.

Era uma criança oito anos antes, mas já Argentino. Eles têm o Maradona, não se cansava de repetir o meu mais velho, e mais astuto primo Sérgio.

Os telejornais abriam com os feitos de um baixinho que dominava o mundo. Foi o meu primeiro melhor jogador do mundo, e todos sabemos quão especial isso é. Os seus golos no México, as suas infindáveis jogadas que destroçavam todos quanto os que cruzavam o seu caminho. Ainda que de baixa estatura, de tão brilhante que é salta mais alto que Peter Shilton e de cabeça elimina a Inglaterra. A nossa Argentina sagrara-se Campeã Mundial. Como poderia ser diferente? Nós temos o Maradona!

Três anos depois, quis o destino que o caminho do Napoli se cruzasse com Portugal. O Maradona vem a Portugal. Recordo perfeitamente a emoção que foi saber que tal aconteceria. De facto, impossível é recordar um outro momento em que alguém com maior importância por cá tenha passado. É em oitenta e nove que pela primeira vez me desiludo. Não com Maradona. Nunca com ele. Alberto Bigon deixa o astro sentado no banco de Alvalade, e ainda hoje não percebo porque não se colocou aquele banco no museu do clube. Maradona entra, mas é o dezasseis. O melhor dezasseis da minha vida, garantidamente. Mas Maradona era o dez, e desde então que não esqueci mais o nome do treinador italiano que me atraiçoou. É nessa eliminatória que alguém comete o maior feito que recordo. Ivkovic, guarda redes do Sporting, defende um penalty de Maradona.

É em noventa e quatro que se comete a mais terrível injustiça de que há memória. Maradona está de volta, está bem e recomenda-se. Volta a carregar um país nos seus ombros. Joga, marca, faz jogar. Vamos ser outra vez campeões, penso. Temos o Maradona!

Já depois de destroçada a selecção grega, o telejornal volta a abrir com Diego. A infame FIFA volta a castigá-lo. O uso de cocaína é a mentira avançada para retirar do torneio o seu mais brilhante astro. É claro que uma organização maior teme o que pode almejar a Argentina nas asas de Maradona. Uma enorme mentira, que será um dia corrigida. Ainda hoje estou certo disso.

Nao. Maradona nunca me desiludiu. A culpa esteve sempre nos que à sua volta gravitavam.

Texto previamente publicado no Letra1

sábado, 8 de outubro de 2011

Stijn Schaars. O geómetra.

Pode, pela primazia que dá à circulação da bola, até nem se dar muito por ele. É, porém, um dos jogadores em destaque no crescimento do Sporting. Sabe relacionar-se com o espaço e percebe claramente os momentos em que deve sair para pressionar o defesa adversário portador da bola, e os momentos em que se impõe que baixe para o apoio ao trinco.

Boa técnica de passe, bem visível essencialmente quando opta por manter a bola na relva, Schaars sabe quando entregar no pé, ou no espaço. Está sempre disponível para receber e dar seguimento à posse.

Ainda que não tenha um histórico importante de golos, percebe-se que tal pode ser fruto da posição que ocupava no campo em épocas passadas. É que Stijn demonstra muita qualidade no pé esquerdo quando tem de bater a bola.

Com a lesão de Izmailov, parece claro que terá ao longo de toda a época um papel importante no Sporting 2011/2012.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Perseverança, lealdade e liderança. Eis Rinaudo.

"Todo o texto será, quem sabe, e como tantos outros, um exercício meramente especulativo. O autor não conhece pessoalmente Rinaudo, e especula com base no que lhe foi permitido ver no jogos de pré temporada.

"Enorme reforço pelo jogador que é, e o homem que aparenta ser." in Lateral Esquerdo, 8 de Agosto de 2011.

Em Portugal a cultura desportiva é inexistente. O clubismo tolda a mente de todos, o que é algo perfeitamente natural e compreensível. Todavia, com um pequeno esforço de todos, o clubismo não teria de viver em oposição à tal cultura desportiva.

Isto a propósito do epíteto de trauliteiro que Rinaudo rapidamente adquiriu em Portugal. Associar maldade ao comportamento do argentino em campo, é por si só um exercício de uma maledicência notável.

Rinaudo certamente que será amarelado inúmeras vezes, e muito provavelmente todas justificadas. Poderemos até vê-lo sair mais cedo de campo, após um cartão vermelho. Terá, obviamente, de moderar a sua impetuosidade, mas que nunca se associe o seu comportamento a maldade. O argentino é um vencedor. Os vencedores são perseverantes, obstinados. São esses os traços da sua personalidade que lhes permitem exercer uma forte liderança sobre os colegas e sobre o próprio jogo. Mas, são sempre leais.

"Aqui na Argentina havia árbitros que no final dos jogos pediam-lhe a camisola. Gostavam dele e isso mostra bem como é correcto em campo. Só assim se justifica que os árbitros o respeitassem tanto". Pai de Rinaudo ao Jornal A Bola."

O texto é de Agosto de 2011.

Ao contrário do que afirma Rui Santos, a imprudência não dá cartão vermelho. Há, porém que moderar o seu ímpeto. Que não se negue, todavia, as qualidades humanas de um atleta cujo carácter contagia.

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terça-feira, 4 de outubro de 2011

Infelizmente para o Nuno Assis, o Alex não é o Saviola.

É tão famosa a expressão, "estar no sítio certo, à hora certa", quanto lamentável estar uma carreira quase inteira com os colegas errados.

Se tem dúvidas, confirme os primeiros meses da época em que jogando a interior esquerdo, pôde partilhar o relvado com Simão, Miccoli e Nuno Gomes. Ainda hoje, Fernando Santos garante que seria campeão se pudesse contar com o génio de Assis até ao fim.

Quem pensa o jogo colectivo, acaba demasiadas vezes por depender da qualidade dos colegas para obter o justo reconhecimento. Quando daqui por uns anos, Nuno Assis olhar para trás, deverá lamentar não ter ido mais além. Porém, terá de saber que a maior responsabilidade por tal não ter acontecido, nunca foi sua.

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Nolito. Porque tudo o que fazes é futebol.

Não há como não o admirar.

Se há jogadores que devem ser valorizados são os que sendo particularmente inteligentes, têm capacidade técnica para colocar na relva o que a mente alcança.

Há quem creia que Nolito é demasiado individualista. Jorge Jesus até faz parte do lote dos que têm uma percepção errada sobre as capacidades do espanhol. Se há algo porque se destaca é precisamente pela sua competência colectiva. São os timings para soltar a bola, é o trabalho para receber a bola, na forma como simula a profundidade para vir receber no pé, ou como se desmarca em ruptura quando o espaço à sua frente assim exige.

Dos seus pés, é certo que a bola sairá jogável. A sua capacidade de decisão de tão boa chega a ser invulgar nos jogadores que jogam no corredor lateral. É louvável a forma objectiva como joga, e aprazível a sua incessante procura do corredor central, onde as opções se multiplicam, a cada momento.

Menos rápido e menos talentoso que tantos outros, é a sua capacidade para definir com assertividade os lances que o tornam um jogador de eleição. É uma das figuras da Liga. De lamentar somente que tal se perceba somente pelo número de golos que já obteve. É que o seu jogo vai muito para além da sua competência na hora de finalizar.

Texto publicado no site Futebol Portugal, após o FC Porto x SL Benfica.

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A cada toque na bola, a cada passe, a cada decisão, Nolito justifica pelo rendimento que tem, um lugar no onze do SL Benfica. Coabitando com Witsel e Aimar, o jogo ofensivo do SL Benfica é absolutamente encantador. Jorge Jesus, um dos mais brilhantes técnicos portugueses na vertente táctica do jogo, na ocupação dos espaços, na movimentação e posicionamento, não parece perceber quão importante é a tomada de decisão no jogo moderno. É a única justificação que se encontra para a preponderância dada a Gaitán, cujo rendimento fica a anos luz do de Nolito. Independentemente dos golos e assistências que o espanhol vai somando.

sábado, 1 de outubro de 2011

Capacidade de definição. Um dos muitos handicaps de Evaldo. Quando o Sporting esteve próximo de matar o jogo, mesmo jogando com dez.


A imagem e o video são de um lance não contabilizado como oportunidade de golo, mas cujo potencial para ter terminado em golo era incrivelmente superior a tantos outros lances que consideramos como tal.

O porquê de valorizarmos tanto a tomada de decisão, e a capacidade para definir bem os lances, está bem expresso no presente texto. Jogadores inteligentes criam situações de golo iminente só porque sabem como reagir a cada situação de jogo.


Não se encontram muitas situações potencialmente mais próximas do golo que a que Evaldo experienciou já bem próximo do fim do jogo perante a Lázio. Situação de 3x3, com bola no corredor central e imenso espaço para progredir com a bola. Ao contrário dos momentos em que o adversário está organizado e em que se impõe que a bola circule, esta é uma clara situação em que o portador da bola deve conduzir a bola atacando o corredor central, por forma a obrigar um adversário a ter de parar e sair ao seu encontro para travar a progressão. É então, já bem próximo do adversário que se fixou, que o passe deve sair para as costas de quem está em contenção. É determinante que o timing do passe seja o correcto. Se fosse, seria certo que de três jogadores atrás da linha da bola, a Lázio passaria a ter somente dois.

A imagem demonstra uma possível forma de resolução do lance. Não se pode afirmar que se resolve sempre desta forma, porque a tomada de decisão depende sempre do comportamento dos defesas. Porém, é garantido que em noventa por cento dos casos, é absolutamente determinante conduzir a bola, e fixar o adversário directo.

E o que fez Evaldo?

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Em um segundo reduziu para metade as probabilidades de o lance terminar em golo. Ainda assim, depois da péssima decisão que foi colocar a bola no corredor lateral quando havia espaço no central para progredir, poderia a situação ter sido resolvida de uma forma mais eficaz?

Fica aqui uma sugestão, que garantidamente tornaria o lance bem mais perigoso.


Quando Rinaudo recebe a bola, as possibilidades de resolver com sucesso o lance já haviam diminuído. Continuava porém a ser um lance de muito potencial. Tivesse Rinaudo assumidamente atacado o corredor central, e tivesse Evaldo realizado uma desmarcação pelas costas, e ficaria completamente isolado, e ainda que sem enquadramento suficiente para poder finalizar com qualidade, teria um colega a aparecer ao segundo poste e o próprio Rinaudo a receber, posteriormente, atrás da linha da bola.

Uma situação destas com jogadores capazes de interpretar com qualidade o jogo, termina maioritariamente em golo. Quando temos alguém incapaz de definir bem o lance, são dezenas as jogadas potencialmente perigosas que nem consideramos como oportunidade.