A suposição que se pretendia deixar no ar no post anterior, era a seguinte:
Será possível um número elevado de jogadores detestar treinar, se o processo de treino estiver direccionado para a parte táctica, para a aprendizagem e desenvolvimento de um jogar comum a todos os elementos do grupo? Se o processo de treino tiver qualidade e promover a evolução individual e colectiva?
As declarações de Ricky são de facto muito preocupantes. Todavia, não foi o grupo de atletas do Sporting que mais pode ter sido colocado em causa.
A questão não é termos treinos curtos ou longos. Ou se a parte física está ou não bem pensada ou trabalhada. O que está em causa é o trabalho táctico e a qualidade do mesmo. Será que há quem desgoste de treinar futebol quando se desenvolve algo de interessante e importante? Quando se está a aprender?

20 comentários:
PB,
Na segunda feira pela 1ª vez tive oportunidade de ver o aquecimento do Sporting para o jogo.
Pelo aquecimento facilmente constatas o tipo de treino que devem fazer á semana...Só faltou mesmo o mister em frente á area a tocar bolas para o jogador que vem embalado chutar á baliza (curiosamente o Olhanenses fez isso :-))
PB, depende daquilo que entendes como (ou traduzes) "practice". Se Ricky andou a ser treinado na Holanda por "professores de educação fisica" (ou pelos Jaimes Pachecos lá do burgo), com 30 min de corrida, mais secção fisica de abdominais, etc., em cada treino deve estar perfeitamente boquiaberto se Domingos fizer aqui algo como isto:
http://www.bragafut.com/artigos/art16.pdf
Claro, que para latinos, principalmente depois de uma derrota, tudo o que for inferior a um treino de comandos é pouco.
Era por a malta toda a rastejar pela mata, pá!!!
O Ricky, não jogou no AZ, nem no PSV e muito menos no Ajax...
A abordagem diferente do treino para ele é uma surpresa, a forma descontraida como fala disso um crime.
LMGM, isso é de uma escola de futebol em Braga...
O Domingos pelo que tenho constatado não tem feito nada parecido com isso...podes mesmo ver videos da "pré época" e relatos de treino fisico intenso com circuitos, elasticos, etc.
Não há uma fórmula certa para vencer no entanto se trabalhares bem estás mais perto de o conseguir...pelo que o VW diz na entrevista, os holandeses estão mais certos...."tu jogas como treinas", logo o resultado está á vista...
Mas LMGM ele diz q detesta treinar. Acreditas que se fosse correr meia hora e fazer abdominais ele gostaria?
Não é a questão do ser pouco ou muito. É a do não gostar.
Vou citar uma frase de um jogador que tem tido imensos atritos c o Jesus "Passar um ano c Jesus é fantástico. Aprendemos todos os dias, sentimo-nos cada x mais jogadores. Dois já é mt cansativo"
Eu não acredito que haja mais de 5 porcento de jogadores q n gostem de treinar c o Mourinho, por exemplo. Porque sentem q o treino está a ensina-los algo sobre o jogo, está a prepara-los, está a evolui-los. Agora se o treino é fisico, ou só técnico (passar e rematar desfasado do jogo), quem é que gosta? Nem os miudos.
Mas, isto são tudo suposições.
Por exemplo, há uns tempos o Jorge D. do Centro de Jogo perguntava-me se eu ja tinha feito um exercicio q o Domingos fez. Dizia que é o pior que podem fazer a um jogador. Andar a correr para estacas. Eu disse-lhe que compreendia aquele exercicio como uma demonstração, e q depois aplicaria o q estava a querer mostrar ali com oposição, dando riqueza ao exercicio (e obviamente motivação). Agora já não sei...
já agora, eu n depreendi em momento algum, das palavras dele que gostava de treinar na Holanda. Ele dá a entender q la´se treina melhor, pq é mais rigido. Mas, n me parece q tb gostasse de o fazer lá.
Talvez um dia encontre um treinador diferente, q trabalhe tacticamente de forma exaustiva (e bem...) que o faça aprender, em vez de jgoar só pelo instinto. E ai quero ver se ele gosta ou não de treinar. E talvez ai tb perceba q afinal se calhar tb n é na Holanda q se treina bem.
Eu acho que eles detestam é ser treinados pelo domingos, e não tanto detestarem de treinar. Se calhar (e olhando para o ultimo parágrafo do post) sentem que não estão a aprender nada, e a verdade é que ali, em vez de se assistir a uma evolução na qualidade do jogo, acontece precisamente o contrário...
Vejam a capa do jornal de hoje do jornal AS...
Pepe e estacas...
Para concluir.
Eu acho que o facto de ele não gostar de treinar em Portugal, e depreendi que na Holanda tb n gostava (mas como era mais intenso, ele parece achar q lá era melhor) é possivelmente pq ainda n teve qualidade suficiente no treino. Ainda n percebeu para que serve realmente o treino que não para manter a forma fisica ou técnica para jogar ao fim de semana.
MAs, isto é uma suposição que pode ser totalmente falsa, como é obvio.
RG, aquilo é um exemplo, ser de Braga, de Évora ou Barcelos é irrelevante.
Eu dizer que detesto treinar é ... nada, porque num treino há diversos "treinos".
Eu não gostava nada de fazer cangurus ou suicidios, podia dizer que não gostava de treinar (o que não era verdade). Parece-me que não haverá muitos atletas que prefiram treinos de pré-época a treinos "lúdicos" de jogo.
Tens os mais variados relatos de jogadores que não gostam dos treinos do Van Gaal e de jogadores que gostam dos treinos de Mourinho.
Exemplo, houve uma recente reportagem onde Drogba dizia que adorava Mourinho porque se ele tivesse rendimento nos jogos lhe dava folgas (chegou aos 3 dias de folga) dizendo, "Tu não precisas de treinar precisas de descansar para o jogo. Vai para casa."
Claro que isto é gerido, não é uma regra nem se aplica de modo igual a todos os jogadores. Principalmente aplica-se quando há rendimento, quando se ganha e tudo são sorrisos.
Rui Jorge também se pegou com Boloni por achar o treino excessivamente puxado fisicamente. O Ricky teve cá uma realidade diferente daquela que conhecia (e julgo que ninguém andou a ver treinos do Utrech...).
O erro dele foi falar disso em Novembro para um belo dia de Janeiro ser utilizado contra o grupo.
Depois queixam-se dos jogadores falarem por monosilabos e darem entrevistas que são copy/paste de outras anteriores.
Decorria o minuto 55 do jogo com o Gil Vicente, no último domingo na Luz, e os gilistas teimavam em não ceder e mantinham o resultado empatado. Jorge Jesus chama de pronto Pablo Aimar e entre a euforia que se gera nas bancadas, o técnico perde menos de 1 minuto a dar indicações ao camisola 10 encarnado. Quando se encaminha para a linha divisória, o médio argentino recua e invertem-se os papéis: parece que é ele quem está a dar indicações ao treinador. Estranhamente, Jesus acena com a cabeça como que dizendo: “Tens razão, é isso mesmo.” O pormenor, que terá passado despercebido à maioria, é um sinal claro da sintonia que existe hoje em dia entre Jesus e Aimar que leva, inclusive, a que o experiente jogador o considere o melhor treinador que teve em toda a carreira
PB,
1-tenho sérias duvidas de que a entrevista seja verdadeira
2-ele refere claramente que prefere o modelo de treino que encontrou em Portugal do que aquele a que estava habituado na holanda.
3-não tenho tanta certeza de que a maior parte dos atletas seja adepto de um modelo de treino inteligente e que os obrigue a pensar - por muito estranho que isso nos pareça - acho mesmo que o que eles querem é dar umas corridinhas, andar meia horita a correr atrás de uma bola e banhos e massagens.
Ricardo Nascimento
PB afinal em que ficamos? É que a tua opinião do Domingos já mudou tantas vezes que vais acabar sempre por dar o dito por nao dito
"O erro dele foi falar disso em Novembro para um belo dia de Janeiro ser utilizado contra o grupo."
LMGM:
Estou esclarecido. O habitual, portanto... Nem vale mais a pena perder tempo com isto... mesmo se desiludido com o que a equipa de Domingos (não) apresenta nos JOGOS.
Só uma ultima questão: se a entrevista foi em Novembro, quem é que garante que Wolswinkel mantém a opinião?
Ricardo
"3-não tenho tanta certeza de que a maior parte dos atletas seja adepto de um modelo de treino inteligente e que os obrigue a pensar"
Não há quem não goste de saber jogar o jogo. Acredita em mim. E não há quem não goste de treinar quando se está a aprender a jogá-lo.
Se lerem bem o significado dele, quando diz "I hate practice a everyone here does.." é pelo facto de ser muito mais intenso que na Holanda, pois ele antes diz que gosta dos treinos "Here, they hardly train. It’s all focused on being in the zone on matchday. I love it!"
O inglês pode ser usado para varias interpretações, assim como as expressões da interpretacao que se faz dela.
E ele diz sempre bem em quase em toda a entrevista de Portugal e de como o deixam jogar, como esta mais forte, mais confiante...
Penso que estao a fazer uma ideia errada das palavras do Ricky.
E uma questao de ler bem a entrevista e entender o que quer dizer...
Alias ele ate diz isto na entrevista "“I think I impressed the coach in the pre-season. I felt so strong and confident. And here, in Portugal, they look at your strength and don’t have that attitude we have in Holland. In Holland, there is always a “but”. “He can score but he can’t sprint” or “Van Bommel always lets his man unmarked” or “De Jong is too aggressive”. Here they focus on your strengths and forgive you your weaknesses. So for me, it’s about scoring and that was what I did! From day one. And I scored goals I didn’t expect me to score, haha. Things went really well for me. And I noticed that my team mates accepted me and the coaching staff and within a few months you’re not longer the new, young kid but you’re one of the mainstays.”
Van Wolfswinkel says he never felt that kind of support at FC Utrecht. “I scored goals in Utrecht, I was the same Ricky, but I always felt that if I didn’t score within the hour, the coach wanted to sub me. I was always looking at the bench. I never felt the credit I have here and somehow people always lacked confidence in me. Why? No clue. I asked the coach (Du Chatinier) but he never explained it to me…. He decided that the way to handle me was to scold me at practice and yell at me and all that. And that simply didn’t work for me. I’m a fan of the game. I need to feel good. I need to feel supported. They didn’t push the right buttons for me. When we trained on thursdays, we’d practice scoring. I sometime want to play around. Do a trick or try a back heel or something. I wouldn’t necessarily do that on matchdays, you know. But they’d attack me for it. But hey, I don’t want to be negative. I love FC Utrecht and would love to return there one day.”
Vejam bem do que diz do seu treinador no clube anterior...
Abraco
Eu acho estranho é a quantidade de lesões musculares que o sporting tem, claro que a do rinaudo é traumática, mas a generalidade das lesões são musculares ou nalguns casos ligamentares, reflexo de uma condição física inadequada face ao tipo de esforços que os jogadores efectuam. Não sei se é aquecimento inadequado, se foi a preparação física de início de época que foi desadequada, mas acho isso devia ser motivo de reflexão.
Quanto ao gostar ou não de treinar, acho que efectivamente ele deveria estar mais habituado a treino físico e provavelmente a peladinhas nas quais os treinadores iam corrigindo o que achavam mal ou como se deveria movimentar a equipa.
Não sei se é mais adequado ou não que o treino do choramingas, mas a generalidade dos treinadores holandeses que tem sucesso, são aqueles que têm uma experiência que vai para além do campeonato holandês, que á semelhança do belga ou do escocês é muito pobre tacticamente, mais baseado na velocidade, na força e no caso holandês em alguma técnica, do que na cultura táctica.
As lesões no plantel do Domingos são causa do Jesus! Não foi o que ele disse em Braga?
Por acaso gostava de saber como é que Domingos está a gerir o treino dos jogadores do SCP. Com a quantidade de lesões que existem pergunto-me se os jogadores tiveram sobrecargas de treino, se os treinos físicos intensivos não foram bem geridos no início e ao longo da época ou se são mesmo os jogadores que não tomam atenção suficiente aos estiramentos iniciais e finais dos treinos.
Também gostava de saber se Domingos realiza os treinos em relação à realidade do jogo. Esse é uma das características mais importantes dos treinos, em quaisquer escalões e modalidades, e é um dos erros mais frequentes dos treinadores exagerarem na quantidade de exercícios que não consideram as situações reais em jogo. Existe uma quantidade de exercícios enorme para se trabalhar um ou vários objectivos em situação real de jogo e quando não se encontra o que se quer é da responsabilidade de um treinador ter criatividade suficiente para criar os seus exercícios.
Eu penso que Domingo deve sem dúvida trabalhar isso, mas será que faz tudo correcto? Ninguém é perfeito. Eu já sabia que Domingos não ía ter bons resultados durante muito tempo, mas pensava que já estaríamos a melhorar no fim de Janeiro. Sem dúvida que as lesões, as entradas e as saídas inesperadas de jogadores a meio da época vai complicar o trabalho (pouco, só 6 meses) de familiarização entre o jogo que o treinador quer e as capacidades dos jogadores, entre o treinador-jogador e entre os próprios jogadores. Pelo menos têm muito treino psicológico, pelo que o VW diz, embora não tenha ajudado muito o Bojinov.
"Em termos pessoais, apesar dos 32 anos, Aimar garantiu: «Estou bem, trabalho para isso. Gosto muito de treinar. Muitas vezes ouvi outros jogadores dizerem que acabariam quando deixassem de desfrutar e isso acontece comigo. Creio que no dia que não desfrutar vou abandonar.»"
Este ainda gosta de treinar...
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