A propósito disto.
E também dos recentes episódios de racismo entre jogadores. Não entre público e jogadores. Esse é bem diferente.
Não é uma questão de puritanismo. Valorizar o que é dito no campo de jogo é mesmo uma questão de estupidez e desconhecimento.
"What happens on the field stays on the field" é um código não oficial, mas bem antigo entre atletas. Surpreende-me e desgosta-me bem mais vê-lo quebrado, que qualquer afirmação por mais grave que pareça proferida no terreno.
E o mais parvo de tudo é que na quase totalidade das vezes, tais afirmações não revelam ideologias ou preconceitos. Apenas pretendem desconcentrar ou motivar. Chegar ao objectivo final, a vitória.
P.S. - Episódio deste fim de semana. Houve quem tenha sido insultado do primeiro ao minuto oitenta e cinco. A cinco minutos do fim, enquanto se dirigia para o meio campo defensivo para que a bola pudesse seguir ao meio, depois de ter feito o golo da vitória, o jogador "martirizado" passou por quem o insultou incessantemente e soltou um "Toma filho da puta". O que penso dessa reacção? Óptima! Desde que o árbitro não oiça...

24 comentários:
Nada a acrescentar. Concordo a 200%. Só quem nunca andou por ali vai recriminar o que se diz.
Ninguém acha realmente que as mães dos adversários ou do árbitro "alugam o corpo".
Nem ninguém realmente acha que o adversário é homossexual. E se for, não ha mal nenhum nisso.
É jogo, faz parte do jogo. Não há que censurar.
Não resisto a comentar. Assino por baixo. Quem está por dentro, sabe bem que é assim, a saudável crueldade e humor que há no "interior" das modalidades de futebol e futsal. Claro que muitas das "coisas" aqui ditas, individual e separadamente, são alvo de contraditório e discutíveis. Mas o "pacote", como aqui colocado é, também na minha opinião, exactamente assim. É que isto de ser sério e idóneo, não é uma questão de preconceito; é uma questão de opção!
E mesmo dos adeptos em relação aos jogadores...tirando casos pontuais, facilmente identificáveis pq vêm de claques assumidamente de extrema direita, a maioria dos insultos não é contra a raça do jogador mas sim contra o jogador, o adversário.
mesmo sabendo que a maior parte das vezes não passa de um desabafo acho ridiculo os jogadores/treinadores pensarem que têm direito a insultar os adversários durante todo o jogo... e então a utilizar história do "what happens on the field stays on field" para justificar o injustificavel?!?!?
a não ser que se queira perpetuar a ideia de que o jogo de Futebol/Futsal é para ser praticado por arruaceiros sem formação...
Ricardo Nascimento
polémicas destas seriam admissiveis no campeonato nacional do Vaticano. Mais que isso é um tremendo abuso de autoridade... ou então não se defende as progenitoras dos jogadores e dos árbitros da mesma forma que se defendem as raças e as orientações sexuais. Pode soar um pouco racista e homofobico o que vou dizer (acreditem que não é): as palavras "branquela" e "machão" também são levadas em conta pelos púdicos da bola ou estas passam na boa?
Admito que este tipo de insultos possam criar espanto e desgosto em quem nunca jogou à bola, mas ver tipos ligados à modalidade andarem nestes prantos é algo que só se entende por um qualquer surto de hipocrisite aguda.
Abraço.
Nao concordo.
Nunca gostei ou concordei com a trash-talk e outro tipos de comportamentos que considero anti-desportivos, de enfiar os dedos pelas costelas dum gajo nas bolas paradas a dar coteveladas.
Uma coisa e jogar duro outra coisa e ser porco.
Gosto muito do desporto feito com respeito pelos colegas, adversario e arbitros, e de conceitos como desportivismo.
Mesmo para quem nao concorde comigo acho que toda a gente concorda que ha um limite para esses comportamentos. Nao deve ser desde que ninguem veja tudo bem. Pode-se enfiar os dedos nos olhos do adversario? Puxar cabelos? Partir o nariz com uma cotovelada? Se ha limites para a agressao fisica, porque e que nao havera para a agressao verbal? Porque nao admitir apenas "trash-talk" mais inteligente. Por exemplo relembrar ao Torres as suas estatisticas no ultimo ano devera ser mais eficiente do que chamar-lhe "filho da puta" Esses limites terao a ver com aquilo que a sociedade decidir admitir e estarao relacionados com o desenvolvimento da sociedade.
O exemplo que trazes e diferente, e fora de campo, e, a meu ver, e um termo homofobico reflexo de uma sociedade homofobica. E normal que a instituicao em questao se queixe.
Jorge, das exemplos de comportameno anti desportivo, mas exemplos fisicos. Sobre esses, há que os abominar.
PB, vieste mesmo tocar num assunto sensível. Na minha opinião, concordo plenamente contigo apenas porque sei que tu te referes à maioria dos jogadores profissionais e adultos.
O problema é que muitos desses adultos não tiveram bons exemplos e a educação necessária em jovens para saber quando devem parar, ou saber que o adversário só quer distraí-los. Jogadores como o Balotelli e João Pereira deixam-se influênciar pelas emoções e em vez de distrair o adversário acabam por se distrair a eles próprios e acabam por fazer mal as coisas. O que acaba por acontecer, no caso do João Pereira, é que o feitiço vira-se várias vezes contra o feiticeiro e ele é que acaba por errar.
A grande razão destes comportamentos exagerados em alguns jogadores deve-se, sem dúvida, aos maus exemplos de treinadores/dirigentes/pais na formação que em vez de se ensinarem os jogadores a ignorarem e concentrarem-se no jogo, ensina-se os jogadores a responderem na mesma moeda porque é o orgulho que está em causa. Na minha opinião, só quando os jogadores já conseguem ouvir tudo e mais alguma coisa sem se desconcentrarem é que se deve deixar o jogador ter o mesmo tipo de reacções.
Atenção que fala-se no post de futebol sénior.
Alguém se incomodar com este comentário do Mourinho é que é mesmo uma mariquice :))
PB
A agressao verbal e diferente da fisica, mas e tambem uma forma de agressao. Os objectivos sao os mesmos somente o tipo de violencia e que e diferente. Assim o limite que tu tracas pode nao admitir agressao fisica dentro do campo (inlcuindo cuspidelas) mas ha pessoas ou sociedades que possam por um limite ao nivel das agressoes verbais que seram permitidas. O campo tambem e uma plataforma social e o que se admite dentro do campo estara relacionado com aquilo que se admite fora do campo. Portanto e natural que uma sociedade que encare o racismo com seriedade tambem o faca "dentro do campo."
Jorge, como disse o BC, este é um tema sensível.
A minha opinião é a de que quem está lá dentro é que sabe como as coisas funcionam ou devem funcionar. Há códigos de conduta que só percebe quem os sente. Como referi, o que se diz no campo de jogo não reflecte nunca ideologias ou preconceitos.
E acho sinceramente que quem nunca mexeu o rabo e se limita a ver o espectáculo que outros proporcionam não tem legitimidade para "rachar lenha" :)
PB
Nunca a este nivel em que o jogo e mais que um desporto e em que a exposicao mediatica expoe todos os seus aspectos.
Isto é normalíssimo! Estás a falar de um insulto como qualquer outro! Agora, os insultos racistas são diferentes porque jogam com uma característica da própria pessoa. Isto é, chamar filho de puta a alguém porque sei que a mãe dele é uma prostituta é diferente do insulto que se faz às mães dos guarda-redes. Quando chamo preto de merda, estou a usar uma característica da própria pessoa, já é mais maldoso. Não me choca propriamente, mas percebo melhor...
ENTREVISTA MARINHO NEVES
http://cabelodoaimar.blogspot.com/2012/02/entrevista-marinho-neves.html
PS: desculpa a pub, depois pago-te uma mine ^^
Pb, concordo em absoluto. Uma das coisas extraordinárias a este respeito é aquilo que passou a acontecer há uns 3 ou 4 anos, com os jogadores profissionais, precavidos contra a ideia de estarem a ser filmados a tempo inteiro, passarem a comunicar uns com os outros, quando estão no campo, com a mão à frente da boca.
Cânticos racistas são coisas bem diferentes de insultos entre jogadores. Para ser sincero, os insultos verbais ofendem apenas quem quiser. Aprendi isso ao longo da vida. Nos últimos anos, por exemplo, aprendi a "vencer" este tipo de coisas. Quando me insultavam, em campo, passei a responder quase sempre de uma forma inesperada, e desarmava quem quer que me quisesse destabilizar. Em vez de retribuir insultos verbais, alinhava na história, ou respondia de forma inteligente. Não imaginas, por exemplo, em que situação fica alguém que chama nomes à tua mãe, esperando uma reacção violenta, quando a resposta é qualquer coisa como "Pois é, pá, tens razão. Eu até já lhe disse para parar com isso!" Lembro-me de pôr artistas desses a gaguejar, por exemplo.
PB,
bela imagem que passas para os miúdos que treinas...
gostava de saber que argumentos é que utilizarás quando fores questionado por um atleta teu de 12/13 anos que tenha lido esta bela ***** que escreveste aqui...
é esta forma totalmente retrógreda de encarar um jogo de futebol/futsal, que infelizmente tem tantos defensores, que transforma a maior parte dos jogos que tenho todos os fins de semana em espectáculos degradantes...
Ricardo Nascimento
claro que deveremos treinar os nossos jogadores para não ligarem aos insultos que ouvem... até porque vêm de pessoas que desconhecemos e como tal não fazem qualquer sentido, mas defendê-los e considerar que são normais é das coisas mais ridiculas que já li e que deveria ser atacada e erradicada do Futebol...
Ricardo Nascimento
Lamento Ricardo, mas vieste bater à porta errada. Se leres os comentários que ficam para trás, perceberás.
Mas, louvo-te o raciocinio. Porque percebe-se que treinas jovens. E estou de acordo ctg ai.
Nunca treinei jovens...treino Seniores há mais de 15 anos.
O que não me respondeste foi como é que vais explicar a um dos teus atletas jovens se alguma vez te confrontar com o que escreveste aqui...
volto a referir que não serão insultos de estranhos a alterar-me nem vale a pena valorizar em demasia a sua existência...
mas acho que de uma vez por todas deveríamos todos trabalhar para que desaparecessem dos nossos jogos porque NÃO É NORMAL PESSOAS MINIMAMENTE EDUCADAS INSULTAREM-SE QUAISQUER QUE SEJAM AS CONDIÇÕES OU A SITUAÇÃO ... e NINGUÉM TEM QUE ATURAR ESSE GÉNERO DE LINGUAGEM MESMO QUE NÃO NOS INFLUENCIE!!!
Ricardo Nascimento
Ricardo, parece-me q estás com evidentes dificuldades de interpretação. Este n é um blog sobre futebol jovem ou q fale de futebol jovem.
já agora, diz-me lá que equipa treinas...?sff
Esquece... já percebi que tens dificuldade no 2+2...
e de qualquer forma já há muito que desisti da ideia de que é possível não ter que aturar grunhos ao fim de semana.
Vamos continuar com a máxima de que macho que é macho tem que chegar ao fim de semana e insultar o adversário...
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