sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Deixar sair a jogar preparando uma armadilha para recuperar ou obrigar a bater longo?

Desvendou, no final do jogo, a sua estratégia, Sá Pinto.

Deixar o adversário sair a jogar com bola no pé para em determinada zona (algures entre o meio do meio campo ofensivo e a linha do meio campo) recuperar a bola para sair rápido para o contra-ataque. Ou seja, a Sá Pinto interessava sobretudo que o adversário não batesse a bola na frente, para poder começar a construir com menos oposição atrás da linha da bola. Uma estratégia que será interessante, dependendo da capacidade e tomada de decisão (no momento em que "aperta" o espaço) dos adversários.

Um grande problema da estratégia é partir do pressuposto que o adversário quererá assumir o jogo em organização ofensiva. E enquanto o Sporting tiver o peso histórico que tem, nenhum treinador de equipa nenhuma em Portugal, ou na Liga Europa (salvo excepções que surgirão mais à frente na fase a eliminar), jogará o jogo que Sá Pinto pretende que joguem.

Ontem o Basel simplesmente arriscou zero. Preferiu não jogar, trocando a bola entre centrais e guarda redes (muito interessante com os pés). Sempre que o espaço fechava, voltava atrás e nunca chegou com bola dominada à zona que Sá Pinto havia idealizado para recuperar. Na Liga portuguesa quando o espaço fechar, não se voltará ao guarda redes, mas irá bater-se a bola longa na frente. E aí, porque já tem as linhas mais recuadas, o Sporting perde até capacidade para jogar mais tempo no meio campo ofensivo. A primeira bola será disputada algures no meio do meio campo defensivo

Um exemplo do que faz Jorge Jesus. Não deixa sair a jogar, posicionando a linha defensiva desde logo na linha do meio campo. A bola é batida longa, e o máximo que os defesas/trinco encarnado recuam para a disputar são dois, três, quatro, cinco metros. Quando a bola é ganha, o jogo continua sempre a decorrer no meio campo ofensivo, e não raras vezes, logo com apenas sete, oito adversários atrás da linha da bola, porque o avançado e por vezes os extremos adversários já estão fora da situação de jogo.

É louvável perceber que há estratégia em Sá Pinto. Preocupante, contudo, perceber que Sá parece convicto que as equipas vão querer assumir o jogo contra o Sporting. Vão querer jogar o jogo que Sá Pinto idealiza.



7 comentários:

Manuel Nascimento disse...

Exactamente. O Sporting depara-se na maioria dos jogos com adversários que não optam pelo ataque organizado, obrigando o Sporting a ter que o fazer. Como não o faz, o jogo torna-se inconsequente: o adversário está preparado para a simplicidade gritante deste processo ofensivo à Sá Pinto.

O Sporting fez bons jogos contra "boas equipas": contra o City, por exemplo, defendeu bem, da maneira certa, e soube sempre sair com perigo e rapidamente para o ataque, com verdadeiro perigo. Mas continua: o jogo do Sporting depende em grande medida do jogo do adversário, e dentro da sua realidade isto é... mau.

E outra coisa, opte-se por um modelo ou por outro: qualquer ideia que se tenha requer gente que decida bem, que tome as melhores decisões. Contra o City havia Pereirinha, André Martins e Matías, Izmailov... e até Schaars, vá. Sempre que se saiu após recuperação (a tal armadilha), todos sabiam onde estar, para onde ir e como lá chegar.

O Sporting de hoje não tem jogadores assim - aliás, tem, mas opta por não os colocar em campo. Além disto, a meu ver, o facto de faltar ali um "degrau" na zona mais importante do campo: Elias vem muito abaixo e Adrien fica muito longe, perdendo-se a ligação. Quando Elias se "solta", solta-se mal na maioria das vezes: esconde-se, sobe de repente, quer ser o próprio destino e não o meio de transporte. Gelson não é forte neste processo e Adrien está tão longe que só pode ficar à espera.

E André Martins, no banco. E claro que a 10 não tem feito a diferença, pois este triângulo foi construído para haver muita "altura", geometricamente falando. Quando apareceu a 6, nos jogos em que entrou para ali, foi logo outra música. Pena não haver quem o acompanhe.

Eu cá espero que, mesmo sem se aperceber das vantagens disso, Sá Pinto, num acto de desespero, lance André Martins para 6 e Izmailov ali para o meio, também. Até pode ser que assim se salve o Cedric.

Manuel Nascimento
http://magazamil.wordpress.com

PB disse...

Excelente comentário. E o Izmailov ontem, em 3 ou 4 toques na bola inventou tantos lances de perigo como os colegas todos em 3 jornadas. Até faz confusão como é que um tipo com o nº de jogos que fez em anos, com o nº de lesões que teve em anos, qd joga demonstra sp ser tão melhor que os outros

Manuel Nascimento disse...

É, é incrível. E além de fazer falta nos jogos, a falta que não faz nos treinos, de certeza. Porque mesmo insistindo nas coisas / ideias erradas, ter um tipo assim (até se pode incluir aqui um Jeffren, pela escola que teve) num treino só melhora quem quiser aprender e o estiver a rodear.

Quão melhor não seria hoje o Ricky se não treinasse diariamente com o Izmailov a 100%. Quão melhor não seria, até, o Capel - nem que fosse assim só um bocadinho, que faria a diferença.

E Elias. E os mais novos, os Adriens e os Martins, e os Labyads, os Cedrics e os Carriços, essa malta toda.

E Carrillo. Lol. Até tenho medo. A diferença que um gajo assim pode fazer.

PLF disse...

PB,

Não tenho a ideia que o Benfica do JJ coloque a linha defensiva em cima da linha de meio-campo. Talvez nos pontapés de baliza, mas quando a bola já está nos centrais ou nos laterais, recua para os 10 metros atrás da linha do meio-campo, como deve.

O que faz é bloquear a progressão e as saídas dos centrais, como já referido aqui e bem, colocando dois jogadores a cair em cima dos centrais adversários para forçar a verticalização.

O Sporting ontem não tinha a defesa excessivamente recuada. Estava era a defender na largura em vez de na profundidade. E o que acontecia era que, como o Basileia não estava interessado em atacar, às tantas saía um jogador do Sporting ao portador sem que fosse acompanhado pelos demais, o que criava um desequilíbrio defensivo, libertava uma opção de passe ao Basileia que lhe permitia continuar a gerir a posse.

Há estratégia no Sá Pinto e há muito por onde melhorar. Os olhos na bancada são, parece-me, decisivos. Mas ontem parece-me que foi um mau dia para avaliar se esses olhos na bancada iriam determinar alguma alteração ao tipo de transição defensiva que o Sporting iria praticar, porque ficou com 10 logo no início da 2ª parte e aí tornava-se ainda mais arriscado pretender limitar a construção do adversário.

Sobre as causas das dificuldade, falei no meu blog e não têm uma única origem.

Bernardo disse...

pb, qual a tua opinião acerca do gelson?

estive a observar com relativa atenção a exibição e sinceramente não percebo como joga num clube como o sporting. tem vontade e pulmão como poucos, mas só isso mesmo.

não oferece opções de qualidade ao portador da bola, não me parece que seja muito preciso a colocar-se a defender e não me parece que perceba o timing das compensações onde muitas vezes se safa à conta de sprints e carrinhos desnecessários.

e quando o andré martins entrou? não tiraram ninguém? parece que tinham 11 outra vez...

Constantino disse...

PB,

Lá está, a opção do Pedro Martins pelos lançamentos longos nas costas da defesa do sporting tinha razão de ser. Tal como referi no comentario a esse post, para o sporting, atacar contra uma 10/9 jogadores adversarios é um desafio demasiado exigente.

Abraço

Edson Arantes do Nascimento disse...

Gostava era de ver o Jesus a treinar uma equipa que jogasse como este Sporting - para ver depois os comentários que a malta faria a respeito.

Eu assumo: o camarada Sá Pinto enganou-me bem. Os jogos do Sporting têm sido pouco mais do que horríveis. Desculpem-me a sinceridade.

PB,

Tens visto o Enzo Pérez a jogar? Acho que tinhas razão mesmo, está ali um jogador de classe... Tenho gostado muito.