quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Oitenta por cento de posse de bola

A selecção da Espanha bateu o record de posse de bola num jogo oficial de futebol. Oitenta por cento.

Para perceber bem o alcance do feito, pense. Se o jogo tivesse noventa minutos de tempo útil (impossível!), a Geórgia só teria passado dezoito minutos com a bola. Como pode alguém ousar sequer fazer um golo a tal selecção? Só se os espanhóis resolverem atacar a sua própria baliza. De outra forma as probabilidades de vermos Espanha consentir um golo são praticamente nulas. Aquela baliza podia até estar entregue a si. Já pensou?

24 comentários:

Anónimo disse...

era interessante de saber em que zona do campo é que foram esses 20%...

Ricardo Nascimento

PedroF disse...

Daqui a um bocado vai aparecer alguém a dizer que esse jogo é chato, que só fazem passes para o lado e coisas do género.
A Espanha é o exemplo do que se deve fazer nos escalões de formação.

Mike Portugal disse...

Mas do que lhes valeram os 80% se só conseguiram marcar 1 golo?

Manuel Nascimento disse...

O conceito em si é dos mais simples de todos e o que menos gente parece conseguir compreender, em termos de utilidade. É a base de tudo.

Prescindir da bola, de sequer lutar por ela, entregar tudo ao adversário, ao que não controlamos com garantias, é incompreensível.

É abdicar do jogo e ter fé. E a fé é o refúgio dos ignorantes, a sua gruta.


Manuel Nascimento
http://magazamil.wordpress.com

Nuno Silva disse...

o exemplo de espanha é o exemplo de tudo o que se deve fazer em todo o lado.

eles conseguem fazer inclusive com que vários dos jogadores executem simultaneamente bem várias posições no campo de acordo com a dinamica dos momentos... daí que se torna dificil para o adversário fazer uma previsão das posições e marcações em campo... no papel quadriculado é tudo muito bonito mas depois mexem-se e estragam a vida aos treinadores e jogadores adversários...

... mesmo a linha avança é quase indistinta logo não se dão a nenhuma marcação individual, zona ou sequer vigilância priveligiada... todos podem aparecer em zona de finalização e isso acontece. O facto de o Ponta de lança não servir de referência para a equipa, também deixa de ser para o adversário, com as vantagens e desvantagens que isso implica.

deixo ainda um outro ponto para pensarem:
normalmente pensa-se o jogo na longitudinal (posições, losangulos, triangulos, desmarcações, etc...) o Barça e por inerência Espanha fazem a manutenção da posse de bola, o planeamento da jogada e a decisão para finalização no sentido transverso... a bola vai criculando de uma linha lateral em rendilhados até à outra linha lateral e se entretanto surge o momento, o espaço, a desmarcação para deixar o atleta na frente do GR sai o passe...

basculhu disse...

Segundo o jornal espanhol, que duvido que roube % à sua equipa, os dados foram:

79% Posse de bola
5 Remates à baliza
13 cantos
1 golo marcado

Comparando com o jogo de Portugal

% não consegui encontrar a Posse de bola, mas certamente será menos q os 80%
13 remates à baliza
22 cantos
3 golos marcados

Desculpem lá, mas com qs 80% de posse, ter apenas 5 remates à baliza só vem provar que SIM, "os passes são para o lado e coisas do género"

Prefiro mt mais o jogo q a selecção ontem fez, onde teve jogadas com principio, meio, e fim, com as conclusões a serem qs sempre oportunidades de golo.

O jogo da Espanha adormece muitas equipas, e espera por um momento do Iniesta ou um passe do Xavi a isolar alguem, até surgir o 1º golo, o jogo é uma seca.

Anónimo disse...

Para mim é chato. Se preferes ver um Georgia-Espanha que fica 0-1 e uma equipa nem toca na bola a ver um Liverpool-Arsenal 4-4 ...
Claro que a Espanha ganha a qq equipa mas se é chato ou não isso é outra coisa

Passaralho disse...

E Liga da Champions Fantasy? Há?

PB disse...

Precisam de mais do que um golo? há mts anos (salvo raras excepções, como o jogo c Itália na 1a fase) q a Espanha n precisa de marcar mais de um golo para ganhar. pq? Pq nc sofre. Pq nc sofre? Pq o adversário nc tem a bola...

DC disse...

PB. gostava de compreender como este pessoal não compreende esse conceito básico! O que interessa é que a Espanha teve o domínio total e absoluto dos acontecimentos, nunca esteve sequer num risco mínimo de sofrer um golo.
É fantástico e é duma capacidade técnica e táctica fabulosa.

Algumas equipas em Portugal e não só nem a jogar sozinhas conseguiam ter a bola tanto tempo em 90 minutos.

Joel disse...

Mike Portugal, 1 Golo valeu os três pontos...

Joao disse...

Fala-se muito do jogo da Espanha (e do Barcelona) mas ainda não há uma equipa/treinador que tenha encontrado um antídoto para este sistema de jogo...

Claro que este sistema não é infalível mas quer me parecer que Espanha ou o Barcelona perdem mais por intermédio da qualidade individual dos adversários do que por causa de uma qualquer táctica...

Veremos se é o Jorge Jesus aka "Mestre da Táctica" que inventa algo diferente! (é claro para mim que o Benfica perde os dois jogos contra o Barcelona, ainda para mais sem Javi e Witsel...)

basculhu disse...

@PB

Sim, preciso de mais do que um golo. Para mim futebol é espectaculo, golos, emoção. Não é ver uma equipa a trocar a bola sem haver variedade de tentativa de golo.

Julgo que ninguém é cego, ao ponto de dizer q não é eficaz, por alguma razao, a Espanha é bicampeã da Europa e campeã do Mundo.

Mas muito sinceramente, espero que esta escola de futebol esteja a acabar, pois se o futuro passa por termos algumas equipas a ganharem campeonatos do Mundo e outras competições ao vencer os jogos todos por 1-0, e os adeptos a dizer que chega, o futebol está perdido.

Luis Santos disse...

O estilo de jogo espanhol só é chato porque é muito melhor que todos os outros. Se assim não fosse, as outras equipas jogavam de igual para igual e o jogo era mais aberto. A Geórgia jogou com 6 jogadores dentro da área e 3 à entrada! É naturalmente difícil fazer remates ou passes(que criem perigo). A culpa não é do estilo de jogo espanhol, é dos adversários.

Marco Morais disse...

Há Fantasy do Lateral?

PB disse...

Vou ver se crio amanhã! O ano passado houve!

Anónimo disse...

É preciso um desenho?
Não perceber conceitos básicos? Lol
Acho que estão a discutir com quem sabe tão bem como vós que é a melhor proposta de jogo para cumprir o objetivo máximo- ganhar.
É a melhor seleção de sempre.
Mas isso ninguém contestou. Como um neutro prefiro ver um Holanda 2 - 3 Rep Checa do Euro2004 do que o Espanha 2-0 França do Euro 2012
E esta Espanha em 10 jogos contra tais equipas venceria 9 porventura.

Manuel Nascimento disse...

Principalmente para esse tal de busculhu. Tu não gostas é de futebol, gostas de outra coisa qualquer.

Fui roubar isto ao grande Entre Dez e serve-te, a ti e a outros, na perfeição:

Há uma diferença monstruosa entre atacar porque sim e atacar racionalmente, e essa diferença consiste em saber os usos certos a dar à bola. Os palermas que acham que o futebol da Espanha é aborrecido não percebem isso. Como não percebem a racionalidade do futebol espanhol, e no fundo defendem a irracionalidade, são estúpidos. São estúpidos, e um futebol inteligente como o da Espanha, dá-lhes sono. Os palermas, tal como preferem fogo-de-artifício a um livro, preferem uma equipa inglesa (e o futebol electrizante praticado em terras de Sua Majestade) ao futebol mais bem praticado de sempre. A conclusão de tudo isto é que os palermas não gostam de futebol. Gostam das sensações que se habituaram a ter ao ver futebol. E isso é diferente. Aborrecida, esta Espanha? Aborrecida uma equipa em que todos os jogadores estão a pensar ao mesmo tempo? Aborrecido um futebol em que, de minuto a minuto, os jogadores nos mostram habilidades dificílimas e fazem coisas que só estão ao alcance de muito poucos? Aborrecido é ver um jogo com quarenta oportunidades de golo, mas que resultam de choques no ar, de erros infantis dos defesas, de remates violentos, de jogadas com 2 passes, do aproveitamento do muito espaço que existe, etc.. Aborrecido é ver um jogo que só se joga ao pé das balizas, em que ninguém faz nada de extraordinário, para além de pôr a plateia ao rubro, com a eminência do golo. Os palermas não sabem o que é a excelência. Gostam de futebol porque lhes dá comichão, não porque reconheçam o que é excelente.

Link: http://entredez.blogspot.pt/2012/07/euro-2012-sobrevivencia-do-mais-forte.html

Marco Morais disse...

Boa! Lá estarei =)

Anónimo disse...

Ridículo dizer-se que o objectivo do futebol é ter posse de bola. Dizer que o jogo Espanha(que é diferente do Barcelona) é atractivo é dizer que o futebol da Grécia do Euro 2004 foi perfeito pq não sofreu golos. Em mais nenhum desporto colectivo que envolva uma bola existe a possibilidade, seja uma equipa forte ou fraca de ter a bola tanto tempo, só no futebol, graças à Fifa esse organismo corrupto que não defende o desporto.

Aceito perfeitamente que o problema passa muito pelos adversários de Espanha que simplesmente rejeitam discutir o jogo mas aquilo que Espanha joga não é "o" futebol

isto é um jogo de espanha http://www.youtube.com/watch?v=WUGxA-6YseM

cumps

JS disse...

"Em mais nenhum desporto colectivo que envolva uma bola existe a possibilidade, seja uma equipa forte ou fraca de ter a bola tanto tempo, só no futebol, graças à Fifa esse organismo corrupto que não defende o desporto." por anónimo

Mentira e os que usam são desportos que normalmente dá para conservar a bola de uma forma abusiva (desportos jogados com a mão). No futebol, não podes prender a bola, a partir daí ela está disponível para o adversário "roubar facilmente".

As equipas vs Barcelona têm a pressão alta, se quiserem... ou melhor, se souberem. O Barcelona e a Espanha conservam a bola tanto porque as outras equipas demitem-se de jogar.

Mas sim, está na moda malhar neste estilo. Bom bom é um Inter e um Chelsea a defender à andebol.

Nuno disse...

Manuel, obrigado pela referência. De facto, é isso mesmo que acho que se pode dizer a quem acha o futebol da Espanha é aborrecido.

Depois, para aqueles que consideram que deviam ser impostas regras para que uma equipa não pudesse ter tanta bola e dar-lhe o uso inteligente que os espanhóis dão, pessoas que acham inclusivamente que a essência do futebol é outra coisa, devo dizer que o problema dessas pessoas é não saberem o que é futebol. Querem uma lei para impedir isto, como há em certas outras modalidades, mas esquecem-se de que as próprias regras do futebol implicam que o jogo seja diferente de qualquer uma dessas modalidades.

Muito rapidamente, no andebol, no hóquei, no basquetebol, no futsal, o número de jogadores de uma equipa é adequado às dimensões do campo e à dimensão daquilo que se pretende defender, uma baliza ou um cesto. Ou seja, nessas modalidades, é francamente insensato não defender com todas as unidades, o que faz com que o jogo seja basicamente uma sucessão de momento defensivo (em que todos defendem atrás da linha da bola), e momento ofensivo (em que todos atacam contra o adversário que está sempre atrás da linha da bola). Nessas modalidades, os momentos de desorganização são raros. Em râguebi, passa-se o mesmo, embora de maneira diferente. Aquilo que tem de ser defendido é uma linha a toda a largura do campo, e o número de elementos de uma equipa é o adequado para defendê-la estando todos atrás da linha da bola. Embora de um modo diferente, também no râguebi há, portanto, poucos momentos de desorganização.

Nuno disse...

Nessas modalidades, ou se está a atacar uma defesa organizada, ou se está a defender organizadamente. No futebol não é assim, porque existe uma inadequação entre o número de jogadores de uma equipa e as dimensões do campo e do objecto que é preciso defender. Como tal, o jogo não é, como é o jogo nas outras modalidades, um jogo de momentos de organização a que sucedem outros momentos de organização. É essencialmente um jogo de momentos de desorganização a que é preciso dar organização. No futebol, a opção por defender com todos os homens atrás da linha da bola prejudica as intenções ofensivas dessa equipa. Isso não acontece em outras modalidades. Veja-se o caso do andebol ou do basquetebol, por exemplo. Logo, apesar de ser possível defender com todos atrás da linha da bola, isso não é feito, geralmente. E, como não é feito, o jogo passa-se, na sua grande maioria, no meio dos dois blocos adversários, e não no espaço entre eles. Os blocos, em futebol, estão metidos um no outro, e a bola anda nesse espaço. Nas outras modalidades a que se quer comparar o futebol, os blocos estão bem separados. Logo, o futebol é diferente, em espécie, dessas outras modalidades. Essa diferença implica também que é muito mais complexo. As pessoas que querem que o futebol adopte leis dessas modalidades não compreendem essa diferença e essa complexidade. Querem, no fundo, que o futebol seja o que não é, mas queixam-se de que estes espanhóis estão a jogar uma coisa que não é futebol. Permitam-me discordar. Estes espanhóis é que estão a jogar futebol. Estes espanhóis é que estão a mostrar ao mundo a diferença extraordinária que existe entre o futebol e as outras modalidades. Estes espanhóis é que estão a mostrar que o futebol é muito mais complexo do que essas outras modalidades. Aqueles que não gostam do que eles fazem é que não gostam de futebol. Gostam das outras modalidades, e gostam do jogo como se jogava há umas décadas, e que na altura, realmente, era muito mais parecido, em termos de complexidade, com essas outras modalidades. Para mim, a solução é óbvia. Há tantas modalidades menos complexas das quais ser adepto; por que razão é que querem continuar a ser adeptos de futebol? Vejam outras modalidades. Divirtam-se com elas. Por que raio é que têm de se manter adeptos de um jogo mais complexo, se não têm paciência para coisas complexas? Se há tantas modalidades adequadas ao nível intelectual dessas pessoas, por que razão é que é o futebol que tem de se adequar à mediocridade delas e não o contrário?

PB, bom texto. Em tempos, cheguei a pensar que a evolução seguinte do Guardiola seria começar um jogo sem guarda-redes, com mais um jogador no meio-campo, para asfixiar ainda mais os adversários. Não sei se não era menino para isso.

Anónimo disse...

Lol és mesmo arrogante, o teu "nível intelectual" deve ser altíssimo.

E lá por voces serem "pensadores do futebol", um génio pode sair da aula de Física Quântica III, e para desanuviar quer ver um jogo de futebol. Para entretenimento. Nem precisa de estar muito atento enquanto come os tremoços. Só um pouco de bruá, emoção. Se for um jogo da Champions com o Ronaldinho a sacar umas vírgulas, melhor. Mas o seu nível intelectual pelos vistos deixa a desejar.

Sou contra a alteração das regras como se disse aqui, é como quem que abolir o fora de jogo: sao pessoas que ainda nao pensaram bem no que se iria tornar o jogo.

Aceitem que os outros tirem prazer de aspetos diferentes do futebol. E não, Nuno. Não são "estupidos" e "irracionais". E como eu muitos tambem sao da opiniao que o Barcelona foi a melhor equipa de sempre (ainda nao vi com o Tito). E por consequencia a Espanha (com "Scolaris" a treinar, pq o esqueleto do Barça esta la).

Mas foram tantos anos a aperfeicoar o modelo que depois de ver um sem numero de massacres perde a piada ver um jogo tao one-sided. Nao se pode esperar que os outros ganhem com as mesmas armas que tanto tempo demoraram a implementar Catalunha. E como sabemos o futebol sao os resultados, o Hoje. Senao nao ha estabilidade e o projeto vai abaixo.

Daqui a uns anos com a mudanca de dogma, ai sim veremos dois "Barcelonas" a disputar um jogo. E a bola. Vai ser espetacular.