domingo, 16 de setembro de 2012

Rojo e sobretudo Xandão, campeões do chutão.

Ponto prévio. O Marítimo tem uma equipa cheia de excelentes individualidades. Não é crível que muitas equipas consigam ir vencer aos Barreiros.

A mesma estratégia de Pedro Martins para o mesmo adversário. Não se pode criticar. Havia sido feliz uns meses antes, com a opção dos longos lançamentos directos para as costas adversárias, ou para o espaço do lateral que havia subido no relvado. Aqui e ali foi assustando o Sporting. Todavia, e ao contrário do que havia sido o jogo da época transacta, a dupla de centrais do Sporting revelou-se muito capaz no controlo da profundidade. Teria o Marítimo sido mais feliz se optasse nos primeiros dois terços do jogo por explorar o espaço que resultava do "abaixamento" dos centrais leoninos? Muito provavelmente sim. A partir do momento em que em desvantagem explorou um tipo de jogo diferente foi chegando com aparente facilidade às imediações da área adversária.

Não se percebeu o pontapé de baliza directo para o lateral que ofereceu por várias vezes a bola ao adversário, nem se percebe ainda a vantagem de mesmo nos momentos em que o adversário está remetido ao seu meio campo defensivo, o Sporting continua com cinco jogadores (laterais, trinco e centrais) no seu próprio meio campo. O médio ou laterais "pegam" demasiado cedo no jogo e a situação de jogo passa desde logo a ser de 6x10, sendo que Adrien e Elias permanecem demasiado tempo escondidos. Uma inferioridade muito grande que condiciona desde trás o processo ofensivo. As ideias não abundam e chegar à baliza adversária parece tarefa hercúlea. As situações em que a bola ainda ronda as balizas adversárias, nascem de cruzamentos dos laterais altamente condenados ao insucesso, pela pouca presença (em quantidade e qualidade) na área adversária.

Por vezes parece que é a fé em Carrillo que move o Sporting. O peruano é um jogador bestial. Velocidade e drible desconcertante, conduz sempre na direcção da baliza adversária, jogue em que corredor jogar. É ao momento o único jogador leonino capaz de se superiorizar aos adversários seja pelas acções individuais seja pela forma como interage com os colegas. Temporiza e serve quando assim o deve fazer os seus colegas. Sem ele, ofensivamente não existe Sporting. Pelo menos enquanto não se puder saudar em definitivo o regresso de Izmailov.

Xandão não jogaria no Marítimo. Ou mais do que isso, não jogaria numa equipa de Pedro Martins. Inacreditável a falta de classe do central do Sporting. E Rojo em determinados momentos pareceu querer imitar o colega de sector. Há quem pense assim. Os defesas são para defender, e desde que não cometam "gaffes" a sua exibição é perfeita. O grande problema das equipas que jogam com centrais cuja única opção defensiva é cortar e ofensiva "despejar", é que passam demasiado tempo sem a bola. E todos sabemos que não ter bola é o primeiro caminho para consentir ataques e situações de perigo. Talvez Sá Pinto deva sentar todo o plantel a assistir à última meia hora de jogo da equipa de Oceano. Depois de estar a vencer o Sporting B revelou uma maturidade que o Sporting de Sá Pinto ainda não atingiu. E talvez não chegue mesmo a atingir. É que a maturidade começou, curiosamente, desde logo na categoria de Llori e Pedro Mendes, os centrais da equipa leonina que rejeitam/rejeitaram o chutão. Na última meia hora em Arouca e depois de estar em vantagem no marcador, só o Sporting tocou na bola e muito se deveu à primazia dada pela posse. No dia em que Llori ou Mendes perderem uma bola em zona proibida, todos estarão prontos para os "matar". Por aqui, saberemos que só arriscando, mesmo sabendo que aqui e ali um deslize poderá ser cometido, se poderá atingir um nível elevado. E quando o deslize chegar, tudo o que ofereceram para trás já compensou.

Ainda que desfalcados em pontos determinantes (perdido o abono de Vitor Pereira e Jesus que jogará meia época sem meio campo e sem um central de qualidade indiscutível ao lado de Garay), não parece que a luta do Sporting possa ser a mesma de FC Porto e SL Benfica. Talvez uma inesperada (pelo tempo que Sá Pinto já leva de Sporting) evolução e uma resposta categórica daqui por três semanas no Dragão mude opiniões. Mas em Alvalade talvez as atenções devam estar sobretudo focadas naquilo que o Sporting de Braga pode fazer. É que objectivos irrealistas conduzem a frustração. E a frustração conduzirá o Sporting a um lugar ainda pior que o que pode de facto almejar.

P.S. - Poderia o Sporting, de facto, ter chegado ao dois a zero. Em determinado momento tal pareceu possível e expectável. Coincidiu com a entrada de André Martins e sobretudo com o momento em que com mais espaço Carrillo quase resolvia o jogo sozinho. Carrillo. Apesar de tudo, talvez com um jogador igual ao peruano do lado oposto, os três pontos tivessem sido uma realidade.

14 comentários:

Joao Martinho disse...

E que "jogador igual ao peruano" há no plantel?

RG disse...

PB,

Ilori.....

SL

João Mira disse...

Sinceramente, estou um bocado desiludido com o Sá Pinto. As excelentes exibições do juniores, o ano passado, aliado ao seu discurso, sempre a falar num jogo atractivo, de posse de bola e com algumas referências claras ao futebol do Barcelona, anteviam um modelo de jogo parecido para a equipa principal.

A entrada do Carriço para o lugar do Elias, quando o jogo estava relativamente controlado, foi só mais um sintoma deste estado de espírito averso ao risco que a equipa assume ao longo dos 90min.O que pode ter levado a este 'amedrontamento' do Sá?

Don Andrés disse...

Mais um excelente post, gostei especialmente da parte sobre os centrais.

Tim disse...

Em "Pelo menos enquanto não se poder saudar em definitivo o regresso de Izmailov" escreve-se "puder".

Mike Portugal disse...

A substituição do Sá Pinto de fazer entrar A.Martins pelo Adrien foi acertadíssima, mas borrou a pintura ao fazer entrar o Capel, já que o jogo não pedia o seu perfil e sim um jogador que pudesse temporizar, pensar e jogar colectivamente, como Labyad ou até mesmo Jeffren.

A entrada do Carriço foi mesmo para segurar o meio-campo, mas acho que fez mal em tirar o Elias. Deveria ter saído o Gelson que já tinha amarelo, além de que este jogador é bastante limitado quando a equipa parte para o momento ofensivo.

Quanto a Xandão, até fez um bom jogo em termos de antecipação e posicionamento, mas não se lhe pode pedir para sair com a bola, como ao Rojo por exemplo (que hoje esteve mais chutão que habitualmente). Dito isto, não sei se notaste mas estava a chover bastante e o campo estava uma porcaria para se jogar. Acredito que isso tenha tido impacto na decisão de mandar a bola mais pelo ar.

Pedro Ribeiro disse...

É um clássico mas não resisto: qual a diferença entre o sporting e as reticências? A reticências têm mais pontos...
A verdade é que o scp tem um ponto a mais, pois ontem o maritmo merecia totalmente a vitória. O sá pinto é um bocado isto: muita motivação, por vezes parvamente exagerada (como ter dito depois e perder em casa com o rio ave que não estavam fortes, estavam muito fortes, lol), mas pouco conhecimento tático. E com aqueles jogadores quase todos sem a minima qualidade, a tarefa é ainda mais dificil. Já me tinha sido dito por quem o conhecia que o rojo é fraquinho, e quem fez bem em não ficar com ele tinha sido o slb. Está à vista...

Ricardo Galeiras disse...

EM RELAÇÃO AOS CENTRAIS, BASTA LER A AVALIAÇÃO DO RECORD DE HOJE AO PEDRO MENDES PARA PERCEBER QUE HÁ MUITA GENTE QUE FALA DO QUE NÃO SABE...é complicado mudar as mentalidades!!

Centro de Jogo disse...

PB,

Sá Pinto, tal como Domingos, ainda não percebeu o potencial criativo que esta equipa tem. Rinaudo, André Martins, Adrin, Izmailov e Carrillo (mais adiantado e solto no meio)chegam para ser uma das melhores equipas em Portugal. E ter uma segunda linha com Elias, Schaars, Labyad e Jeffren... é obra.

Cedric, melhora e muito com André Martins em campo.
Pranjic, como já referi, é o melhor defesa esquerdo do campeonato.
Rojo, apesar de ontem ter feito um mau jogo e de cometer muitos erros de posicionamento tem muito potencial.

Depois, Xandão, Gelson e Capel passariam despercebidos na equipa B. Há pelo menos dois centrais melhores que este lá.

Sobre Viola não tenho opinião. Mas Betinho tem qualidades que nunca mais acabam. Chaby, apesar de ser Junior, joga à frente de todos.
Há muita margem para deixar esta equipa a jogar bastante melhor, não fossem os demasiados problemas colectivos que ainda não foram resolvidos, falas em muitos deles todos no texto.

E por falar em D. Centrais, não percebo como Porto, Benfica, Sporting e Braga deixam fugir Neto (ex Nacional) para um clube sem expressão em Italia. Neto é de topo.

Abraço, Jorge D.

Constantino disse...

PB,

Até prova em contrário, mantenho a minha opinião acerca deste sporting sá pintiano: tem perfil para fazer brilharetes contra os 2 grandes e contra o braga, mas vai sentir dificuldades ridiculas contra equipas em que tem que assumir jogo. Fundamento esta opinião no que vi do sporting na epoca passada, portando-se decentemente no dragão e batendo SLB e braga, mas depois claudicando contra equipas de nivel medio/baixo como foi o exemplo da final da taça.

Sá pinto coloca o sporting a jogar com o perfil de clube pequeno, esperando o erro do adversario e o contra ataque (a cena da transição rápida e não sei quê). Penso (e ressalvo já aqui que não sou analista táctico) que a opção do martins pelo jogo mais inglês teve como principio primordial não ser apanhado em perdas de bola na intermediaria. Colocar o sporting a recuperar bolas apenas na defesa, dando-lhes um campo inteiro para ter que atacar e praticamente uma equipa toda para ultrapassar é a melhor forma de o tornar inofensivo. Felizmente para todos os adversarios do sporting, sá pinto nunca será posto em causa pelos adeptos e a direcção nunca terá independencia nem coragem para colocar em causa a sua continuidade.

Abraço

Anónimo disse...

O Rojo tem potencial para acertar nas árvores na mata atrás dos estádios. Não é por acaso que no Spartak nunca calçou.

Mas o Xandão consegue ser pior

xirico disse...

Sobre a equipa B os putos até jogam bem mas neste jogo foi uma roubalheira que só visto.Mas concordo que os centrais estão melhor instruídos pelo treinador(Oceano)e aliás fica claro,pelo menos para mim,que o Oceano tem uma ideia de jogo muito mais inteligente que o Sá Pinto.O Sporting não consegue assumir o jogo e só se safa quando joga na retranca e em contra ataque.Já com o Rio Ave foi a mesma coisa.

Anónimo disse...

Constantino,

Que raio de transição rápida é essa que demora 20 segundos até fazer a bola chegar ao meio-campo?

Que raio de transições rápidas são essas que preferem a lateralização e a abertura de espaços á verticalização à Jesus?

Se a estratégia do Sá Pinto continuar a não dar frutos, não vem mal nenhum ao Mundo. O principal está cá.

E apesar deste mau início, vai dar seguramente para ir à Champions. Por mais que o Sporting de Sá Pinto tenha problemas, tem também virtudes (e individualidades) que vão trazer melhores resultados.

Um pouco à semelhança do ano passado, um início bastante fraco, e uma época que quase garantiu a Champions.

Jalex disse...

O Rojo ainda causa muita comichão a boa gente esta visto(tanto que nem conseguem fazer uma analise imparcial).

É assim o Sporting,longe do que já foi mas inexplicavelmente ainda causa muita inveja.Eu mesmo não sei porque,mas você insistem em dar nos importancia...um obrigado julgo que se impõem nestas ocasiões.

Passem bem e preocupem se mais com as vossas equipas,é a recomendação que deixo.