quarta-feira, 17 de outubro de 2012

O Ponta de Lança e a razão pela qual se iniciou o "lateral esquerdo" já lá vão 4 longos anos

"el nueve clásico, qué hace?

Tener paciencia. Es complicado jugar. Debes fijar al central, es un papel secundario, pero es lo mejor para el equipo. Es un lujo jugar en esta selección. Aquí suele pasar que te vas más contento tú del partido, aunque no marques, porque es lo que necesita el equipo. Hay días que piensas: ‘Qué partido he hecho, ojalá juegue así siempre’, … y te dan hostias por todos lados. Y el día que sabes que has estado espeso, lento, mal, y has metido dos goles, te aplauden. He aprendido a vivir con eso." Fernando Torres.

Entrevista soberba do avançado espanhol. 

Desde o primeiro momento que o propósito do "lateral esquerdo" foi dar a conhecer uma nova visão do jogo e do treino. Fundamentada sempre no conteúdo táctico. A técnica, o físico e o lado psicológico complementam aquilo que deve ser sempre a visão primordial. O comportamento táctico.

O jogo não mais são onze jogadores soltos às suas próprias iniciativas individuais. Os carregadores de piano como Jaime Pacheco os designa, a fazer o trabalho árduo, a correr por quatro ou cinco, os dois extremos bem abertos e dribladores, sempre com o intuito de ganhar o 1x1 para cruzar para a área, onde um avançado espera finalmente o seu momento para entrar no jogo. A finalização. 

O jogo é um conjunto de situações díspares que podem ser resolvidas de forma mais ou menos eficiente. Aos jogadores cabe interpretar a situação (quantos atrás da linha da bola? Quantas opções de passe à direita, ou à esquerda? Quantas linhas de passe atrás da linha da bola, quantos movimentos de apoio ou de ruptura requer determinada situação, com X número de jogadores à frente e atrás da linha da bola?) e dar-lhe as melhores respostas. Pode um jogador passar pelos noventa minutos sem tocar uma única vez na bola e ser considerado o jogador fundamental da partida? Sem dúvida que sim. Em cada situação há quem tenha o que Torres considerou um "papel secundario". Todavia, para que alguém usufrua do "papel principal" é certo que na grande maioria das vezes é preciso haver todo um papel secundário por trás, dando opções, libertando espaços, arrastando marcações.

Poucos dias depois de celebrarmos os quatro anos de existência, uma entrevista fantástica de quem está por dentro daquilo que é ou que deve ser o futebol nos dias de hoje. Em quatro anos de escrita, muito há de arrependimento. Muitas coisas são agora diferentes. Porém, o essencial permanece imutável. Estamos numa era em que perceber o futebol é muito mais complexo que o que na realidade parece. Há onze jogadores, e todos devem ser responsáveis por tudo dentro do campo. Uns dias ganhas notoriedade, noutros parece que o jogo te passa ao lado. Há é que decidir bem a cada instante. Se assim for, a equipa estará sempre mais próxima do sucesso.

10 comentários:

JL Martins disse...

"O jogo não mais são onze jogadores soltos. "

Com esta frase confusa a ideia que pretendes passar fica um pouco truncada.

PB disse...

tens razao. devia tar distraido, ou entusiasmado!

Mike Portugal disse...

Lembrei-me do teu post dos defesas centrais ontem, assim que vi o Pepe a "deixar passar" o jogador da Irlanda que nos marcou o golo. lol

Fiquei a pensar: mas porque será que este gajo foi atrás do outro jogador que (e muito bem) arrastou a marcação do B.Alves?

M. disse...

Mike, a ideia que tenho do lance é que o Pepe foi -- bem -- fazer a contenção. O B.Alves é que, tendo o apoio ao lado, devia ter ido à bola.

Anónimo disse...

Nao sei se a entrevista e a mesma que li mas se for o Torres diz outras coisas fundamentais, nomeadamente quao negativo e o 'alheamente' dos jogadores do grupo.

Diz a dada altura que nao se sentia(m) parte de grupo e para alguns jogadores do Chelsea era indiferente ganhar ou perder.

PB, enquanto treinador nao achas plausivel um mesmo bom treinador dono da mesma boa competencia tactica e tecninca de que falas ter trabalhos / resultados diferentes (bons e maus) em epocas diferentes pelo facto de em ultima analise serem os jogadores quem vai (primeiro) interpretar (bem, ou mal), (segundo) dar corpo a essas ideias (bem, ou mal) e (terceiro) transforma-las em jogo fazendo uso das suas (boas e mas) valias enquanto futebolistas?

Sem bons treinadores uma equipa nao jogara bom futebol - uma afirmacao que tera 99% de verdade.
Mas quanto de verdade tera a possibilidade de bons treinadores comandarem equipas que nao jogam bom futebol e nao ser essa uma responsabilidade maioritariamente sua. De 0 a 100 que numero responderias?

Mike Portugal disse...

M.,

Eu concordaria contigo se o Pepe é que estivesse do lado para o qual o jogador os arrastou. Mas quem estava desse lado era o B.Alves, que, bem, ficou a marca-lo. O Pepe não foi fazer nada para lá e deixou a "auto-estrada" aberta. Depois há pessoal que ainda culpa o João Pereira, achando que ele é que deveria ter conseguido acompanhar o arranque do outro jogador.

Magö de ÖzZZz.. disse...

É triste ver El Niño completamente perdido em campo,parece que o gajo já não sabe jogar a bola!

Uma coisa é certa,neste Tiqui-Taca Español cada vez mais apurado(e onde portanto exija-se uma extrema precisão nas transmissðes),acho que ele já não se enquadra muito bem naquilo...

É que eu até sempre fui um fã incondicional deste rapaz!No Liverpool(e mesmo no Atléti nos seus "debuts")lá sozinho na frente(em profundidade),o gajo sempre arrumava a coisa num lance individual de génio.. Magnífico!.. Fabuloso!...

Mas agora!!.. Parece o seu FANTASMA(já não tem aquele "gás",aquele poder de explosão que lhe permitia resolver)!!
Mesmo triste...

Ainda o vi entrar em jogo contra a França terça-feira,meu deus!
Foi patético... Parece que nem uma recepção de bola simples já sabe fazer!
Horrível... :'(

É que a Roja entrou tanto numa nova galaxia em termos de futebol que para responder a isto é preciso tecnicistas de outro mundo!
Daqueles bem meticulosos,com vivacidade tremenda(na forma de pensar como na execução)...

Por isso,acho que Pedrito e David MaraVilla(até mesmo o Fabregol de "falso 9",como esta sendo utilizado)correspondem mais ao perfil adequado!

RIP El Niño Torres... (lol)

Foste um "CRACKAZO",mas já não o és... (mas ainda tenho fé,esperanças,em que voltas a ser aquela Máquina dos primeiros tempos no LFC!.. -Com StevieG!!...QUE PUTA DE DUPLA MARAVILHA MEU!!.. "MAGNIFICENT!!")

You'll Never Walk Alone,Fernando... ^^

Magö de ÖzZZz.. disse...

Só pra acrescentar(precisar)mais uma coisa!
Quando dizes,"Há é que decidir bem a cada instante"...

Sim,claro... e até acho que o Torres continua a "decidir bem"
Ele toma na maioria das vezes as boas decisões,porque é de facto um jogador inteligente!Cerebral...

O problema é que penso que ele já não tem os meios das suas ambições!
Sobretudo em termos físicos...
Parece que o futebol inglês(a forma de jogar do Benitez no Liverpool)o desgastou bastante...

É que ele andava lá na frente sozinho a correr,correr,correr.. Era "sprints" atrás de "sprints"(OMFG)!

E aquilo o "matou" um pouco... Como refiro adiante,parece que já não tem aquele "gás",aquele "fulgor",que lhe permitia fazer a diferença com uma facilidade tremenda!Individualmente...

Agora a questão que eu me pergunto é:Fernando Torres podera mesmo renascer das suas proprias cinzas tal o Phoenix?

Resposta(!):Não é com aquele futebol medroso do Roberto Di Catenaccio que isso vai acontecer!^^

Mas... Talvez com o HAZARD,MATA,OSCAR(que são jogadores muito inteligentes;cérebros!)ao seu redor poderemos lá assistir ao "Come-Back" d'El Niño!

Toque agora ao técnico italiano pôr os ARTISTAS(hazard-mata-oscar)EM CAMPO!
Encontrar a "fórmula certa"...

A ver vamos!.. (Força Torres!!)

DC disse...

O Ozzil tocou aqui num ponto que acho que é o fundamental em relação ao Torres: ele tem uma capacidade técnia algo limitada, na minha opinião.
Tenho reparado que ele falha MUITAS recepções! É um ponta de lança tremendo a desmarcar-se, a jogar em profundidade, de frente para a baliza, mas a jogar em apoio parece-me muito limitado.
Já há algum tempo que venho a reparar nisso, no número de recepções que falha por jogo. Não me parece que isso tenha a ver com a quebra psicológica que teve.

Edson Arantes do Nascimento disse...

Passei a ser admirador deste jovem, em 2004, durante o Euro, numa entrevista exclusiva e mais ou menos longa que ele deu ao Diário de Notícias (se não me engano).

Fiquei com a sensação que é uma pessoa com a sorte de ter nascido numa família inteligente, que o soube educar com valores - e de forma a pensar pela própria cabeça.

O facto de aos 17 anos ter sido titular do Atlético de Madrid não é um acaso. É um sinónimo da sua valia enquanto jogador mas também de maturidade pessoal.

Para mim, marque 0 ou 50 golos, continuará a ser um excelente atleta.