quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Outra vez James Rodriguez. E porque difere tanto de Carlos Martins? Actualizado.

Jogar para si ou para a equipa?





James apesar de muito jovem já joga a um nível estratosférico. Soberbo tecnicamente, tem mil e uma formas de receber e enquadrar mantendo sempre a bola colada ao pé. É rapidíssimo a perceber o jogo e sobretudo joga com a linguagem corporal dos colegas. Sabe o que eles pedem e tem qualidade para os servir da forma mais ajustada a cada situação.


Consegue imaginar a tomada de decisão de Carlos Martins na presente situação? O português que ocupa espaços parecidos ao colombiano tem sempre a mente no espaço e é inegável que encontra demasiadas vezes óptimas possibilidades para servir os colegas em tais situações. Porém, é muito raro encontrá-lo a jogar com o que a linguagem corporal do colega pede. Sempre que vislumbra "uma aberta" na defensiva adversária, bola para lá. Mesmo que ninguém esteja em condições (pelo movimento anterior) de receber a bola no espaço que idealizou. James não. É diferente. Joga de cabeça levantada e procura sempre o êxito colectivo, mesmo que tal signifique um passe aparentemente banal. Martins nesta situação a dar a bola no pé? Só se fosse com bola picada por cima do adversário, dificultando a recepção ao colega, obrigando-o a perder tempo precioso para se isolar...

P.S. - Naturalmente que com uma desmarcação diferente (movimento horizontal ao longo da linha defensiva) de quem faria golo, o lance pediria bola no espaço aberto isolando no corredor central o colega. Mas, não foi ai que Cuadrado pediu a bola, e nisso James não tem responsabilidade.

Adenda. Repare no número de jogadores que a tabela de James deixou para trás. De X contra 7, passou para X contra 3. Numa única acção.

18 comentários:

Anónimo disse...

Com aquele espaço achas mesmo que o Martins ia pensar em passara bola?

Ia claramente encarnar o Isaias e tentar o remate de longe.

Mais um excelente exemplo.

Miguel P. (Centro de Jogo)

PB disse...

ou isso ou era bola pela linha final...

HerrKommandant disse...

Portanto, continuamos a fazer de conta que no futebol corrupto do porto os jogadores e treinadores não passam de meros figurantes.
Até agora onde esse jogador deu nas vistas desde que está em Portugal foi o ano passado quando agrediu com um murro no estômago um jogador do feirense. Bem, não foi propriamente uma agressão aos stewards como o resto da vara fez, mas foi um gesto técnico perfeito.
E este blogue onde tanta coisa boa é falada, agora está numa de apoiar a corrupção. É uma pena...

Anónimo disse...

PB, não achas que o james encaixava que nem uma luva no futebol do barça?

Anónimo disse...

O Luisão vai voltar aos relvados? Esteve afastado porquê? Pois, agrediu um arbitro... Estrangeiro e tudo... Se o bicampeao te da tanta azia, deixa de ver futebol, ja que o teu clube leva sempre na pá ;)

MM disse...

PB,

Consigo imaginar o Carlos Martins se tivesse tido uma carreira que fizesse jus à muita qualidade que tem: utilização, ausência de lesões, acumular de épocas numa mesma (grande) equipa, percorrer aquelas etapas normais de afirmação, rendimento, maturação ... ele seria hoje um jogador diferente. Ainda melhor do que é.

Sou fã do Carlos Martins, um grande jogador, e/mas trata-se de um Carlos Martins igual ao do Sporting. 100% de repentismo, intuição pura e dura. O tempo parece que não passou para ele. Claro, técnica para dar e vender.

James tem iguais doses de intuição e idêntica ou superior capacidade técnica, mas além de intuição acrescenta-se a capacidade de 'apreciação' que falas. Ele quando tem a bola tem a noção exacta (imagina) como deverá a jogada ideal desenrolar-se, mas não se desliga da realidade, não força nada, o julgamento sobre aquilo que os colegas e adversários (não só colegas) fazem é constante.

Numa imagem:

James lida com o que há, e joga de acordo.
Carlos Martins quando tem a bola faz o filme de como deveria ser, e também age de acordo. O problema é que nem sempre os outros acompanham.

Além das vezes em que falha claro, porque Carlos Martins joga de forma fantástica mas tenta por vezes executar coisas que não consegue. E também por isso James é melhor.

Carlos Martins é muito bom. Em 2008/09 antes de Aimar chegar ao Benfica era por exemplo (tinha condições para ser) o melhor em Portugal, e foi por isso que Rui Costa foi buscá-lo. Rui Costa sabe reconhecer este género de talento que falamos.

James é do melhor que há.

MM disse...

E PB, já agora, é por esta razão que não percebo os elogios a Enzo Pérez. É um jogador que não tem nada disto. Lógico, com a ressalva que sabes ver tudo e percebes à brava disto, portanto se vês muita qualidade é porque tem-na.

Ricardo Faria disse...

PB, sugiro que passes a moderar certos comentários. Não aqueles em que o pessoal possa ter opiniões diferentes, pois isso é legítimo, mas aqueles que vêm com insinuações sempre que fazes um post sobre os bicampeões nacionais.

Fica a dica ;)

PB disse...

sobre o Enzo. Vi-o sempre a jogar sobre uma ala. Como médio centro acho q nem 90' vi dele. E acho q a unica consideração q fiz dele jogando ai foi "corre demasiado c a bola"

Como extremo, o q vi, gostei bastante.

Como médio, um dia lá irei, seguramente.

PB disse...

e obrigado pelos elogios, óbvio. :)

Anónimo disse...

Pq é que o Carlos Martins é chamado à comparação com o James?!

PB disse...

1o, pelo lance em questão, em q Martins optaria 100 porcento das x por meter no espaço entre central e lateral, das quais 90 por cento a bola sairia pela linha final e as outras 10 o gr agarrava.

Depois, pq pisam espaços idênticos no campo. Ainda que agora no 442 do SLB, o Martins apareça um pouco mais atrás (qd está apto)

Anónimo disse...

Mesmos espaços no campo?! LOL

São as mesmas diagonais e tudo :)

Rearviewmirror disse...

Eu vejo a defesa brasileira a dar um lição de como não se deve defender.
Bom video para mostrar aos putos.

PB disse...

q diagonais? loooool

Jorge Sousa disse...

«James lida com o que há, e joga de acordo.
Carlos Martins quando tem a bola faz o filme de como deveria ser, e também age de acordo. O problema é que nem sempre os outros acompanham.»

Isso faz com que não seja um problema do Carlos Martins. Aliás, tudo isso que é dito, vale para o Rui Costa, nos seus anos finais no Benfica. Jogava e via demais. Os outros não conseguiam acompanhar e não conseguiam ler. O Carlos Martins exagera - percebo o que querem dizer - enquanto que o James é mais "pragmático". Mas não é um problema do Carlos Martins, como não era um problema do Rui Costa (num plantel francamente pior e menos inteligente do que actual). É curioso que, noutros desportos, é muito comum falar-se no QI dos jogadores. Cá reduz-se isso a expressões de leitura de jogo e inteligência táctica, quando é muito mais do que isso, como estes elogios ao James reflectem.

MM disse...

Jorge Sousa, os jogadores que jogam desta forma são tão escassos que os que existem deveriam ter via-verde para jogar sempre. Para que possamos ver futebol de qualidade, principalmente por isso. Na perspectiva de um treinador (PB), existirão talvez outros mais importantes, ou qualidades que servem-nos (treinadores) melhor. Recordo por exemplo que Ivan de La Pena não tinha lugar no plantel de Van Gaal.

Por que razão Riquelme era tão bom? Porque não era só visão e talento.

Rui Costa foi um génio, ao nível (para mim) dos melhores de sempre, e o melhor jogador Português de todos os tempos - para o caso de nos primeiros 40 anos de futebol Luso não ter existido igual ou melhor. Rui Costa tinha muito mais futebol que Figo, por exemplo.

Em Portugal, hoje?
Aimar (dizem que está de saída).
Carlos Martins.
James.

O Sporting há muito que não tem nenhum como estes (Matías nunca foi esse jogador, e Izmailov apesar de ser um jogador criativo não o poria neste lote - não é bem a mesma coisa), mas em 2004/05 o Sporting tinha não só Carlos Martins como Hugo Viana, e ainda Pedro Barbosa, e inclusivamente Rochemback que apesar dos rótulos associados à força era um jogador de qualidades predominantemente criativas (o melhor Rochemback, leia-se, orientado por Fernando Santos e Peseiro).

Ainda assim há diferenças. Adoro o Carlos Martins mas ele por exemplo não jogaria no FC Barcelona. James já jogaria. Tal como Rui Costa. E tal como Aimar.

Depois há coisas interessantes como o facto de Aimar ou Rui Costa serem melhores que James, ou melhores que Kaká [James e kajá são (acho) muito parecidos], mas ao mesmo tempo que são-no (melhores), os segundos são talvez mais importantes, e nessa medida, são eles os melhores.

As coisas não são a preto e branco. Rui Costa jogou nos 2 primeiros anos de Milan o seu melhor futebol, mas eu por exemplo gostava mais do Rui Costa da Fiorentina ... e foram futebóis praticados pelo mesmo jogador mas bem diferentes porque ele naturalmente mudou . Os jogadores não são sempre a mesma coisa no tempo todo.

Carlos Martins não, está o mesmo. E ainda bem (na minha perspectiva que gosto imenso dele). Pena que não possa vê-lo jogar tantas vezes quanto gostaria.

PB disse...

Jorge, o Martins mete mais bolas pela linha final num jogo que as q o R.C meteu na carreira inteira