quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Fluminense. Campeão do Brasil. Post 2.

Campeão porque ofensivamente soube exprimir melhor o seu talento. Defensivamente o nível do Brasileirão está a anos luz do que se produz no futebol europeu. Agravado pelas dimensões sempre largas e profundas de praticamente todos os relvados. Independentemente do jogo, é bastante raro encontrar situações contra onze adversários concentrados num curto espaço do campo. O jogo tende sempre a partir-se em defesas e médio defensivo / médios ofensivos e avançados. Ocasionalmente há defesas laterais que participam em todos os momentos do jogo. 


É o futebol no seu estado mais puro. Citando um treinador brasileiro, justificando o facto de Jean, um dos melhores do Brasileirão ter tido insucesso na Liga Vitális em Portugal "Lá os jogadores se dão bem porque o treinador não chateia. Cada qual faz como quer".

É difícil prever o sucesso do jogador brasileiro nos campeonatos europeus. Sabendo, porém, que "se vocês (europeus) se adaptam e são capazes de jogar com pouco espaço, como não nos vamos adaptar nós (brasileiros) se somos mais talentosos?". 

No jogo retratado na imagem, Éder Luiz, ex SL Benfica, faria dois golos, ambos a receber a bola na profundidade. É também muito pela qualidade que o brasileiro demonstra no passe de ruptura que pelo Brasil se apelida de "linha burra", alguns dos comportamentos defensivos zonais dos melhores campeonatos europeus. De nada adianta ter uma linha defensiva bem direitinha se o controlo das distâncias não é o mais adequado e se o portador da bola não é incomodado. 

Referências individuais do post 2.

1. Deco. Extraordinária a percentagem de vitórias do Flu com o maestro em campo. Numa liga onde a capacidade física não é tão requisitada (demasiadas vezes é necessário correr mais, porque colectivamente os espaços não são encurtados. Todavia, há muito menos contacto, que será porventura a principal causa, para além da alternância da velocidade da passada, de desgaste ao longo de um jogo de futebol. Daí, surgir a resistência específica, e daí não haver forma melhor de treinar o físico para um jogo de futebol que jogando futebol) quanto no futebol europeu, Deco foi sempre um dos melhores da Liga, quando esteve apto. As suas qualidades técnicas e de tomada de decisão estão intactas, e só isso ajuda a perceber a diferença que é ter um jogador de tal nível num campeonato onde o espaço abunda. Não é o homem do campeonato pelos longos períodos de indisponibilidade.

2. Wellington Nem. Velocidade e objectividade. Nem foi quem mais desequilibrou a favor do Flu. Muito forte individualmente, quer pela velocidade a que se move quer pela qualidade técnica. Os seus vinte anos fazem predizer que chegará a uma boa equipa europeia sem dificuldades de maior. Quando atingir uma maior maturidade, integrado num modelo de jogo que potencie as suas qualidades, chegará à canarinha. É uma das boas promessas do futebol brasileiro. Há que o seguir com bastante atenção.

3. Fred. Goleador. Grande qualidade no momento de finalizar. Fred tem um remate fantástico. Nem sempre participativo no processo ofensivo, e totalmente alheado do defensivo. Todavia, tem mil e uma formas de receber, enquadrar e finalizar. O ponta de lança típico que beneficiando do bom trabalho dos colegas de equipa chega com relativa facilidade ao golo. Aos vinte e nove anos, não mais faz sentido outra aventura europeia. Não deixa, contudo, de ser uma das mais valias do Brasileirão.

4 comentários:

Anónimo disse...

É verdade que a "linha burra" diz tudo sobre o processo defensivo no Brasil. Mas também é verdade que a fig.2 só ilustra um erro, alguém não ter chegado a tempo para pressionar o portador da bola, algo que acontece em qualquer parte do Mundo. Apesar do caminho para a baliza estar aberto para a bola, o lateral está bem aberto a defender as costas do extremo e o central idem com o avançado. Se a bola entra nas costas dos defesas vai depender de quem corre mais, normalmente são os avançados.

Eu só pretendo dizer que sem erros não há golos e depois uns erram e outros acertam, é o futebol. O que é que se defende aqui? O futebol do 0-0 matava o jogo!

Há muito que o fora de jogo devia ter sido abolido. Até os puristas já deviam ter percebido que o futebol pode e deve ser muito mais que um jogo, um espectáculo, entretenimento puro que requer outros requisitos, como mais momentos de emoção, mais golos.

RSP disse...

LOL sem fora-de-jogo uma Noruega era bem capaz de golear o Brasil.

Edson Arantes do Nascimento disse...

Essa do fora-de-jogo é muita boa! Então agora acaba-se com o futebol, é isso?

É que futebol sem fora-de-jogo não é futebol, é outra coisa completamente diferente. Opá... vou só ali atirar-me de uma janela. Volto já.

KARLOS disse...

PB
É bom q se diga, q o único titular era o Bruno (lateral direito). Todos os outros eram reservas, os titulares não fariam muito diferente, mas teriam mais qualidade...

Abraço
;)