segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Um tiro nos pés do tamanho do mundo


É certo que o plantel do Benfica é bestial do meio campo para a frente. Todavia, as alternativas aos titulares no sector defensivo estão bastante longe da qualidade dos principais. Rúben era a única alternativa verdadeiramente credível aos titulares.

Numa fase em que os jogadores do sector mais recuado começam a estar tapados por cartões (e depois da acumulação de cinco cartões amarelos, o castigo seguinte é para ser cumprido logo após o oitavo cartão), perder um jogador da qualidade de Amorim é uma decisão verdadeiramente lamentável.

Ganha o Sporting de Braga um reforço de qualidade imensa. Leonardo Jardim começa a ameaçar mais que o pódio. Muito interessante o leque de jogadores do Braga. Quase todos se distinguem mais pelas suas capacidades intelectuais que físicas.

Mais um miúdo magrinho no meio campo


Era um adolescente quando em 1991 Portugal se sagrou bi campeão do Mundo de Juniores. Lembro-me de antes do torneio se iniciar de conhecer o nome das grandes figuras portuguesas. O Figo, o Peixe, o Gil, o Rui Bento, o Paulo Torres, o Toni e claro, o João Pinto.

Para além destes, havia por lá um miúdo magrinho no meio campo de quem eu nunca tinha ouvido falar. Jogava no Fafe, e talvez porque a informação não chegava tão rápido quanto hoje, eu nem fazia ideia que o miúdo tinha ligação ao Benfica. Ser um médio e jogar com o número cinco, também não ajudava, e na minha mente parecia mais que certo que o miúdo magrinho seria seguramente o elo mais fraco de tão grande constelação de estrelas.

Mas, depois vi-o jogar.

"Passes com sugestão". Recordo um post relativamente recente no Centro de Jogo. Foi a melhor definição que encontrei até hoje para aqueles passes que aliam à qualidade técnica, uma tomada de decisão extraordinária. Aquele tipo de passe que indica o caminho. Que mesmo quando colocado no espaço como que pára no local exacto, à hora correcta.

Aqueles vinte minutos de ontem do outro miúdo magrinho valeram o bilhete. Detesto parecer fundamentalista, mas sei do que falo. Há vinte anos atrás, do alto da minha adolescência, não teria dado oportunidade a um dos melhores futebolistas que alguma vez vi jogar. Era magrinho e o seu nome não era (ainda) famoso.

Não matem o miúdo porque já lá vão muitos anos desde o último talento destes em Portugal.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Lamento, mas o matulão não é, nem será nunca jogador para o Sporting


E se com aquele nível de habilidade motora fizer carreira na primeira divisão, já será uma vitória pessoal importante.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Campos de dimensão reduzida, mas não só.

Com pouco espaço para jogar, não é apenas a qualidade técnica que poderá fazer a diferença. Um dos maiores pormenores (pormenor porque demasiadas vezes inexistente ou invisível) do jogo é o trabalho para receber.

Porque haverá jogadores que conseguem enquadrar sempre que recebem? Será apenas pela qualidade do gesto técnico na recepção? Indubitavelmente que tal é fundamental. Há porém algo tão determinante quanto o gesto técnico para garantir o enquadramento com a baliza adversária, após cada recepção. E relembre a importância do enquadramento na recepção, para a progressão da equipa no campo.

Diz-nos o PMCR, que há alguns anos atrás foi jogador do José Peseiro, que com o treinador português havia uma rotina definida para alguns momentos do jogo. Dois passos em aproximação, significavam que a bola deveria ser colocada na profundidade. Quatro passos na direcção da baliza adversária significavam que o jogador iria voltar rapidamente para receber no pé.

A simulação é uma das mais importantes acções no jogo moderno. E está presente tanto com bola, como sem ela.

Em Santa Maria da Feira, Nolito poderá ter um papel importante no processo de construção do SL Benfica. É que em Portugal ninguém é tão bom quanto o espanhol neste tipo de acções.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Reproduzir metodologias para obter o sucesso de um treinador bem sucedido.

É certo que a informação está ai para todos quanto os que a queiram absorver.

É perfeitamente possível perceber um modelo de jogo e pensar "Quero isto na minha equipa". Mas, será possível replicar a metodologia para obter o mesmo resultado?

Impossível.

Mourinho ou Guardiola, pensando nos melhores, quando criam os seus exercícios têm propósitos. Só entrando nas suas mentes seria possível perceber e poder replicar os seus exercícios. Um 6x6 é diferente de um 6x6, se diferentes forem os treinadores. O propósito é diferente, o objectivo é diferente, o critério de êxito é diferente, o feedback é diferente, a especificidade é diferente e o resultado será seguramente diferente. Mesmo que na visualisação tudo pareça igual. São 6x6 afinal.

Crer que é possível replicar uma metodologia, ou um modelo de sucesso é um erro tremendo. Quem pensa que tal pode de facto acontecer, será sempre quem nas primeiras contrariedades pensará que o inêxito se deve à incapacidade dos seus jogadores para colocar no relvado as suas ideias. Nada mais errado. Para que as ideias (boas ou más) surjam no campo de jogo, é necessário saber operacionalizar. E a dificuldade de tudo isto é precisamente a operacionalização.

Perceber o jogo não tem de ser tão complicado assim. É no operacionalizar do exercício por forma a levar os atletas a reproduzirem em cada momento o que se pretende que está a dificuldade.

Não, não é possível replicar modelos, conceitos ou ideias. A menos que sejam ôcas.

Aquilo que se vê no relvado e que diferencia Mourinho, Guardiola, entre outros bem sucedidos dos demais, é irreplicável, porque nasce na mente do treinador. Só Mourinho sabe o que pretende, a condicionante que coloca para obter o que pretende, o critério de êxito que coloca a cada exercício seu.

Saber é fácil e está disponível para todos. Operacionalizar não.

Uma dica. Se está a copiar exercícios de algum lado (livro, colega, etc), já está errado. Se as ideias são suas, como pode um exercício noutro lado servir o seu propósito?

E isto, será sintoma de quê?

Barcelona X Real Madrid

Não vi. Mas diz que por vezes, a melhor forma de ganhar um jogo de futebol é jogando futebol.

Confirmam?

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

"Detesto treinar, tal como todos aqui" Take II


A suposição que se pretendia deixar no ar no post anterior, era a seguinte:

Será possível um número elevado de jogadores detestar treinar, se o processo de treino estiver direccionado para a parte táctica, para a aprendizagem e desenvolvimento de um jogar comum a todos os elementos do grupo? Se o processo de treino tiver qualidade e promover a evolução individual e colectiva?

As declarações de Ricky são de facto muito preocupantes. Todavia, não foi o grupo de atletas do Sporting que mais pode ter sido colocado em causa.

A questão não é termos treinos curtos ou longos. Ou se a parte física está ou não bem pensada ou trabalhada. O que está em causa é o trabalho táctico e a qualidade do mesmo. Será que há quem desgoste de treinar futebol quando se desenvolve algo de interessante e importante? Quando se está a aprender?

"Detesto treinar, tal como todos aqui" Ricky

"You know a huge difference with Holland….? In Holland, they say “you play like you practice…” Hence my coaches at Utrecht being livid if I tried something flash. Here, they hardly train. It’s all focused on being in the zone on matchday. I love it! We practice an hour a day. Stretching, a bit of fooling around. A bit of tactical stuff. Done! And before the matchday, it’s massages and all that. Hours long! Lovely, haha. I hate practice and everyone here does." Ricky.

Perdão?!

E isso será sintoma de quê...?

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Opções técnicas de Domingos

As opções técnicas têm o valor que têm, que não é muito. O treinador conhece melhor que ninguém os seus jogadores e o momento que atravessam. Todos somos capazes de colocar no papel um onze, mas é impossível aferir com rigor quem escolhe o melhor.

É por isso, que por aqui se debatem menos este tipo de opções, e muito mais as tácticas. Há todavia, atrocidades que não podem passar em claro.

O onze que subiu ao relvado em Olhão revela um Domingos desnorteado, um Domingos que duvida de tudo, um Domingos incapaz de seguir um plano. Antes, um Domingos ao sabor da maré. Um treinador que se limita a atirar os dados e a esperar pela sorte.

A opção Renato Neto em detrimento de André Martins é própria de um treinador de infantis que precisa de um matulão que consiga fazer a bola chegar ao meio campo adversário. Inqualificável.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Eu quero ser Aimar

"Temos a sorte de jogar numa grande equipa, com grandes jogadores. É muito difícil entrar no onze. Mas, quem fica de fora tem de perceber que entrando também pode ajudar a equipa".

Há uma década que o mundo desfruta do seu encantador futebol. Mas, por cá, apenas há alguns anos se percebe a magnitude da sua aura. Invejo-o. É o último dos românticos.

Lamento Guardiola não saber que ainda não é tarde.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Liverpool ainda preso ao jogo em poucas linhas.



Não ocupar o espaço imediatamente à frente dos centrais continua a ser um erro crasso bem comum ao modelo de jogo de uma grande quantidade de equipas britânicas. É possível jogar em 4x4x2, mas com uma ocupação do espaço mais eficiente (repare no exemplo da dinâmica do SL Benfica quando Javi coabita o relvado com Witsel).

É pela ausência de um clássico número seis, que os centrais são demasiadas vezes obrigados a intervir, saindo da posição, proporcionando imenso espaço no corredor central. Onde tudo acontece.




O caso Bojinov

Talvez por ter "ouvido" na rádio em directo o que se passou, e só depois ter visto as imagens, não creio que seja algo que deva ter a importância desmesurada que Domingos e os dirigentes do Sporting lhe atribuem.

Preparado para o pior, depois de um "agressão entre colegas de equipa" radiofônico, as imagens não me pareceram extraordinárias. Não consigo vislumbrar qualquer acto de agressividade por parte de Bojinov. Insubordinação com a decisão do treinador, sim. Agressividade ou mau trato por colocar a mão no peito do colega, dando a entender que aquele penalty era para ele, não.

O búlgaro merece internamente um reparo por desrespeitar uma indicação do treinador, mas situações idênticas são às centenas. Com a diferença de que a bola entra e já ninguém quer saber.

Parece-me claro que a decisão de afastar Bojinov poderá estar muito mais relacionada com o rendimento obtido e o esperado, até pelos valores seguramente elevadissímos que o búlgaro aufere, que propriamente pela gravidade da situação.

O acto de Bojinov foi seguramente bem menos gravoso que a forma como João Pereira em Aveiro desrespeitou Matias, sem sequer lhe tocar. Estou seguro que quem andou lá dentro percebe em que situação Matias se sentiu mais melindrado.

P.S. - Se a bola entra, é possível que se estivesse a falar da reabilitação de um jogador. Não estou certo que Domingos deixasse o caso tomar a proporção que tomou.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Revoltante

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Sporting. Incapacidade para controlar a aleatoriedade do jogo. Um caso concreto.

"...deu para perceber que o FC Porto é uma equipa mais adulta. Mais preparada tacticamente para enfrentar cada situação de jogo. Mais apta a lidar e a controlar os pormenores, a aleatoriedade do jogo." Daqui.

No primeiro golo do Sporting de Braga, é possível encontrar inúmeros erros individuais de jogadores do Sporting. Apontar criticas de forma individual é fácil, e em determinados lances ou momentos talvez até não sejam injustas. Há todavia algo mais importante a resolver que a componente individual.

O Sporting não está enquanto equipa, preparada para jogar com assertividade e de forma colectiva as diversas situações que o jogo proporciona.

Quando pensamos em aleatoriedade no momento especifico de disputar uma primeira bola, pensamos na impossibilidade que é saber quem vencerá o duelo e principalmente em que zona, independentemente de quem tocou a bola, a bola cairá em seguida.

Mesmo para um momento aparentemente tão pouco importante e específico do jogo, é usual definir-se a zona e o jogador a disputar o lance, bem como os posicionamentos de todos os outros dez jogadores precavendo a perca da bola, ou procurando aproveitar possíveis zonas por onde sair, depois de garantida a bola. Procura-se delinear e treinar estratégias para reduzir ao máximo o que não se sabe que poderá acontecer.

Este é o posicionamento do Sporting na primeira bola, depois do pontapé de baliza de Rui Patrício. Dez segundos depois, o Braga já vencia.


Honestamente. Desde termos Matias(?!?) a disputar a primeira bola, até à distância da equipa para o local onde o lance foi disputado, passando pelo posicionamento completamente aleatório dos seus jogadores, parece-lhe que o Sporting está preparado como equipa para cada situação de jogo? Não está. Os jogadores jogam o que o jogo lhes dá. E a qualidade individual no Sporting continua a ser superior à colectiva.

P.S. Está a decorrer a votação para melhor blog do ano 2011. Como estamos entre os nomeados, fica aqui o link para votarem em nós. Obrigado.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Melhor do ano?

Soubemos agora que está a decorrer uma votação para blog do ano, e que alguém (que se acuse...) fez o favor de nos inscrever.

E já que lá estamos, porque não promover-mo-nos um pouco?

Votem aqui. E obrigado a quem nos considera dignos de tal epíteto.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Solta do clássico

Capel. Tão próximo da bancada, mas tão longe da equipa.

O lance documentado na imagem até terminou com uma finalização de Ricky. Podia, porém ter sido bem mais perigoso, se Capel se ligasse mais com a equipa.

Quem comentou a partida na Sportv lamentou o mau passe de Elias que saiu demasiado largo. Não foi, porém, por Elias que a jogada não se tornou mais perigosa. O passe saiu perfeito, a rasgar. Bem próximo do lateral do FC Porto, mas o suficientemente longe para não ser interceptado. O problema esteve sempre em Capel, que não se mostrou capaz de realizar um movimento interior, que lhe permitiria receber a bola nas costas do lateral portista, e já enquadrado com a baliza. 

Podia ter sido assim:


Mas, a inexistência de um movimento interior a pedir a bola por parte do extremo leonino levou a que fosse assim:

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Curtas

- Nunca se saberá o que poderia ter sido, mas que ninguém negue a falta que Izmailov, Matias e Rinaudo fizeram e fazem ao Sporting de Domingos;

- O plantel do Benfica é dos mais fortes de que há memória em Portugal. E o Benfica faz questão de o provar a cada ausência. E mesmo sem contar com Enzo;

- Treze golos nos últimos três jogos sem Gaitán, mas com Nolito;

- Clássico intenso, com inúmeros lances para golo. Justifica-se o empate. Porém, deu para perceber que o FC Porto é uma equipa mais adulta. Mais preparada tacticamente para enfrentar cada situação de jogo. Mais apta a lidar e a controlar os pormenores, a aleatoriedade do jogo;

- Terá mesmo o Sporting menos qualidade individual que o FC Porto? Seria o onze leonino mais fraco em individualidades que o onze que Vitor Pereira fez subir ao relvado? Com Maicon, Djalma e Rodriguez nos corredores laterais? A diferença (seis pontos), está bem mais nos processos colectivos que na qualidade individual.

- Melhora a coordenação entre Javi e Witsel a cada jogo. Cada vez mais parecem uma parede intransponível quando juntos no corredor central;

- Matias poderá ser o toque de imprevisibilidade que o jogo ofensivo do Sporting carece. Há que saber enquadrá-lo, todavia.

P.S. - Voltaremos mais pormenorizadamente ao clássico.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Estrelas emergentes em Portugal

And now for something completely different...

Pelos feedbacks que vão chegando, sabemos que muitos dos que nos vão lendo, estão ligados ao futebol jovem em Portugal. É nesse sentido que gostaria de vos pedir caso tenham conhecimento suficiente, que nos enviem ou para o lebloggers@live.com.pt, ou mesmo para a caixa de comentários, uma lista, ou apenas um ou dois nomes de miúdos do futebol português até 17 anos, que considerem ser enormes promessas.

Desde já, um grande agradecimento.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Jogada ensaiada?!



segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Frank Lampard's late goal against Wolves



Always keep an eye on your teammates. Defense it's all about your teammates and the ball.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Best of 2011.Portugal.


Melhor Jogador:

1 - Falcao
2 - Hulk
3 - João Moutinho

Melhor Treinador:

1 - André Villas Boas
2 - Domingos
3 - Jorge Jesus

Jovem do ano:

1 - James Rodriguez
2 - André Carrillo
3 - Rodrigo Moreno


Momento do ano:

1 - Conquista da Liga Europa pelo FC Porto
2 - FC Porto campeão invicto
3 - Eliminação do SL Benfica na semi final da Taça de Portugal depois de uma vitória por 2 a 0 no Estádio do Dragão

Contratação do ano:

1 - Witsel
2 - Garay
3 - André Carrillo

Flop do ano:

1 - Roberto
2 - Alex Sandro
3 - Maniche

Underrated do ano:

1 - Nolito
2 - Alan
3 - Kléber

Overrated do ano:

1 - Gaitán
2 - Capel
3 - Rolando

Swansea goal against Tottenham





A última linha defensiva não deve nunca estar alinhada pela bola. O mau posicionamento defensivo de Kaboul (#4) determina todo o lance.

It is Kaboul bad positioning that allows a goal scoring oportunity. The last depht line should never be at the same level in the pitch as the ball.