terça-feira, 28 de Fevereiro de 2012

Conduz para o corredor central, James. Para o central.


Porquê? Porque garantirá mais linhas de passe (à sua direita e à sua esquerda), aproximar-se-à mais da baliza, tornará a sua decisão mais imprevisível e o passe é sempre de uma precisão muito mais fácil de executar que um cruzamento.


FC Porto 2-0 Feirense por simaotvgolo12

sábado, 25 de Fevereiro de 2012

Estamos apresentados...


"Temos de mudar a nossa maneira de entrar em campo, pois tem faltado concentração" Sérgio Conceição.

A última linha deve ser uma linha de cobertura. FC Porto derrota SL Benfica.


Nunca alinhada pela bola, a menos que se esteja para lá da marca da grande penalidade, e muito menos à frente da linha da bola.

Isto sim. Verdadeiramente inaceitável e intolerável.


E é lá que se disputará uma das mais importantes competições mundiais de futebol!?

Se não diferencia o "what happens on the pitch stays on the pitch" deste tipo de situações, é melhor nem comentar...

É no exercício que evoluimos. Não na palestra. Take II.


"Matic tem muita qualidade mas o Javi tem uma vantagem, principalmente quando a equipa não tem a bola, pois sabe muito bem do que a equipa precisa nesses momentos...O Javi é mais evoluído que o Matic, também porque tem mais tempo de trabalho comigo" Jorge Jesus.

quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2012

Dar tempo ao tempo. É no exercício que se evolui. Não na palestra.

Também relacionado com isto.

Como mencionado num comentário "As ideias podem e devem ser copiadas. Isso é fácil e possível. Dificil é saber operacionalizar por forma a acontecer o que se quer que aconteça. É fácil ter boas ideias, e perceber o jogo. Difícil é colocar isso na prática. Não pense que é só dizer, olha quero assim e as coisas acontecem...".

Faz uma certa confusão haver quem se precipite ofertando desde já opiniões sobre o (mau) futebol do Sporting de Sá Pinto. Até porque o futebol do Sporting de Sá Pinto, ainda não existe. Este é o Sporting de Domingos, ou o Sporting de ninguém, se preferir.

Entre viagens e competição quantas sessões de treino já orientou a nova equipa técnica? No futebol, o mais fácil é escolher um onze e muito raras vezes faz sentido discutir a competência dos treinadores com base nas suas opções técnicas. Essas, qualquer um as poderia fazer, e ninguém poderá garantir com grau de certeza elevado que umas são ou seriam melhores que as outras.

É verdade que verbalmente na palestra se podem mudar algumas coisas (apenas aspectos gerais, nunca pormenores, que no fundo é o que mais importa e o que faz a diferença). E é verdade que só por aí se pode perceber que os jogadores tentam fazer as coisas diferentes em relação ao passado recente. Todavia, o desempenho de um treinador (incremento da qualidade de jogo da equipa) só pode ser aferido após um período relativamente longo de inúmeras sessões de treino.

Reafirmando. O perceber o jogo e o pedir o que se pretende é fácil. Difícil e determinante é operacionalizar no exercício para chegar onde se pretende. E aí, Sá como qualquer outro, precisará de tempo para no treino promover as necessárias alterações.

Quem está de fora racha lenha?


A propósito disto.

E também dos recentes episódios de racismo entre jogadores. Não entre público e jogadores. Esse é bem diferente.

Não é uma questão de puritanismo. Valorizar o que é dito no campo de jogo é mesmo uma questão de estupidez e desconhecimento.

"What happens on the field stays on the field" é um código não oficial, mas bem antigo entre atletas. Surpreende-me e desgosta-me bem mais vê-lo quebrado, que qualquer afirmação por mais grave que pareça proferida no terreno.

E o mais parvo de tudo é que na quase totalidade das vezes, tais afirmações não revelam ideologias ou preconceitos. Apenas pretendem desconcentrar ou motivar. Chegar ao objectivo final, a vitória.

P.S. - Episódio deste fim de semana. Houve quem tenha sido insultado do primeiro ao minuto oitenta e cinco. A cinco minutos do fim, enquanto se dirigia para o meio campo defensivo para que a bola pudesse seguir ao meio, depois de ter feito o golo da vitória, o jogador "martirizado" passou por quem o insultou incessantemente e soltou um "Toma filho da puta". O que penso dessa reacção? Óptima! Desde que o árbitro não oiça...

quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2012

O rascunho de Villas Boas no Hotel em Napoli


Esquecimento ou "mind game" infrutífero?

terça-feira, 21 de Fevereiro de 2012

Partir o jogo ao meio, para ganhar nas individualidades.

Não há na Liga portuguesa ninguém com o nível de conhecimento táctico que Jesus tem do jogo. Por vezes fica a sensação que de tanto dominar o que deve ser feito em termos posicionais a cada situação de jogo, Jesus acaba por tornar-se displicente.

O treinador do Benfica sabia perfeitamente o nível de dificuldade que encontraria em Guimarães e não parece crível que o onze que subiu ao relvado no Estádio Dom Afonso Henriques não fizesse parte de uma estratégia. Todos sabemos como gosta de surpreender ou de tentar inovar.

Que terá passado pela mente de Jesus no momento de traçar a estratégia para tão difícil jogo?

Quando vi a constituição da equipa não pude deixar de pensar que a ideia seria convidar o Vitória a atacar, a ter bola, a investir mais no ataque. A estratégia provavelmente passaria por deixar o jogo partir. Entrar numa toada de ataque resposta, que naturalmente beneficia mais quem tem mais qualidade técnica e de decisão na frente. Todavia, torna o jogo mais aleatório e menos passível de ser controlado.

O exercício é puramente especulativo, mas é difícil pensar em algo diferente. Com jogadores de enorme qualidade, Jesus tornou-se um pouco diferente dos tempos passados em Belém e em Braga. Passou a adorar o risco e a delinear estratégias bem menos seguras. Próximas do tudo ou nada. Entusiasmou e entusiasmou-se com a exibição em casa frente ao Nacional. Quanto das duas derrotas consecutivas foram fruto da última exibição caseira?

Na liga jogando no Estádio da Luz apenas em um jogo não consentiu golos. Quando em Braga ou Belém fazer-lhe golos parecia tarefa hercúlea...

As loucas ideias de Jesus vão funcionando. Todavia, apenas porque tem melhores jogadores que os demais. Quando a dificuldade sobe, Jesus tem de regressar ao passado. Ou o sucesso passará a depender de factores que não controla.

segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2012

Tomada de decisão.

Num momento em que o jogo é do ponto de vista técnico e físico, cada vez mais equilibrado (longe vão os tempos em que só os grandes clubes treinavam), as tomadas de decisão surgem como um dos traços mais decisivos no jogo moderno.

Por tomadas de decisão, deve entender-se, as opções que cada jogador toma a cada momento (com ou sem bola). Para onde deslocar? A que velocidade o fazer? Que espaço ocupar? Para onde desmarcar? Quando soltar a bola? e para onde? Quando progredir com a bola?

Cada situação de jogo tem uma forma mais eficiente de ser resolvida. Tal não significa que optando pelo pior caminho, se estará sempre condenado ao insucesso. Tão pouco que, optando bem, se será sempre bem sucedido. Significa somente que, optando bem, está-se sempre mais próximo de ser bem sucedido.

Exemplo simples. Numa situação de 2x1, o portador da bola deve progredir com a bola no pé, no sentido da baliza, soltando a bola, no timing correcto (bem próximo do defesa), para que a bola saia para as costas do defesa. O passe deve ser efectuado para o espaço (e não para o pé do colega, por forma a que este não trave a corrida). Ou seja, de uma situação de 2x1, pretende-se passar para uma de 1x0.

Se em dez situações de 2x1, o portador da bola (no momento inicial, antes do passe), for capaz de as resolver dessa forma, provavelmente a sua equipa fará 8,9 golos, ainda que nenhum marcado por si (uma vez que acabará por fazer o passe para o colega de equipa).

Se na mesma situação, o portador da bola optar por driblar o defesa, e mesmo partindo do princípio que os seus traços individuais são bastante bons, provavelmente, em dez lances, marca 4,5 golos.

Os jogos em que, optando mal, se chega ao golo, são óptimos. Porém, em termos globais, a equipa sai prejudicada. Os 5 golos marcados dão notoriedade aos olhos do comum adepto. Mas, não são o que de melhor poderia ter dado à equipa.

Quem toma as melhores decisões a cada momento, tem a sua equipa, sempre mais próxima do objectivo (marcar, não sofrer, ganhar). Mesmo que não obtenha tanta notoriedade.

A situação descrita é uma situação de finalização, por ser de mais fácil compreensão. Porém, é importante perceber-se que as decisões se aplicam em todas as situações do jogo. Por mais banais que lhe pareçam. É que, para se chegar a uma situação de finalização, há todo um trabalho prévio, tão importante quanto o último momento (que nunca surge, quando a fase que antecede a finalização não é eficiente).

Numa equipa desorganizada, talvez seja interessante ter jogadores que, jogando só para si, sejam capazes de tempos a tempos criar algo. Num colectivo que se pretende forte, tal não faz sentido.

Ontem, em determinado momento do jogo em Alvalade, Pereirinha identificou uma situação clara de 2x1 num determinado espaço. Decidiu bem. Procurou fixar o defesa para depois entregar a bola nas suas costas, criando um desiquilibrio deixando João Pereira sem oposição. O passe saiu um centésimo de segundo mais tarde que o que seria o ideal, e somente por isso foi interceptado.

Se passasse haveria algumas possibilidades de o Sporting ter criado um lance de perigo, num jogo que foi um verdadeiro deserto nesse aspecto. Não passou e Pereirinha foi brindado com um coro de assobios. Talvez para a próxima o miúdo dê logo a bola no pé. É certo que não falhará o passe se o fizer sem enfrentar a oposição, e assim não terá de se expor a uma situação seguramente indesejada. É também certo que não haverá desiquilibrio e que uns segundos depois do passe sair o Sporting estará provavelmente a ganhar um qualquer lançamento de linha lateral aplaudido por todos. Ficam todos felizes. Não peçam é resultados...

sábado, 18 de Fevereiro de 2012

Demoraste dez anos, Viana!

Ou talvez tenha sido eu a demorar tanto a encantar-me contigo.

Há dez anos atrás estava a conhecer pela primeira vez Viana. Era o "menino bonito" do seu treinador numa das selecções jovens portuguesas. Tantos e tantos elogios ouvidos antes de o ver, talvez tenham elevado demasiado a fasquia. Enquadrado numa equipa de sonho (João Vieira Pinto, Jardel, Pedro Barbosa, Quaresma, entre outros) deu nas vistas e saltou para uma liga mais competitiva. Contudo, o seu percurso acabou por não seguir o prometido rumo.

Hoje estará, porventura, no melhor momento da sua carreira.

Coloca a bola onde mete os olhos. Viana está a apresentar-se a um nível soberbo. Técnica de passe verdadeiramente espantosa, objectividade e um conhecimento fantástico sobre o jogo. Defensivo e ofensivo. Viana não precisa de ser agressivo para fazer a diferença. É um jogador completo.

O rapaz tardou em comprovar o que bem cedo prometeu. Porém, o momento é agora. Que Paulo Bento perceba que o que pode ofertar Viana ao jogo, não tem paralelo com o que mais nenhum centrocampista português pode oferecer à selecção.

É actualmente o melhor médio de nacionalidade portuguesa. Espera-se que não seja prejudicado por jogar no Sporting de Braga. Até porque este Braga mais que ter o lugar no terceiro lugar mais que consolidado, começa a ameaçar seriamente um melhor lugar no pódio.

P.S. - Depois há Alan, cada vez mais jogador. Há Lima, e cada vez mais aparecerá Rúben Amorim. Este Braga não atingirá uma final europeia, e provavelmente não conseguirá lutar pelo primeiro lugar até à última jornada. Todavia a qualidade do seu jogo é francamente superior à de um excelente passado recente.

Jorge Castelo. O adjunto de Sá Pinto.

Sei que uma das pessoas que conheço mais capacitadas em termos de compreensão do jogo e operacionalização no treino para chegar ao que pretende no jogo tem uma opinião francamente negativa do Castelo. Contudo, e isso é algo que procurarei esclarecer o quanto antes, a negativa opinião pareceu-me prender-se bastante mais pela forma como Castelo teoriza em demasia as suas preleções, do que propriamente sobre o conhecimento que tem sobre a forma como Castelo operacionaliza o processo de treino.

Fomos alunos na faculdade onde Castelo viria a leccionar uns anos mais tarde. Não chegámos, portanto, a ter o prazer de conviver, trocar ideias ou beber dos seus conhecimentos.

Supondo-se que a Castelo caberá operacionalizar no treino / exercício, as ideias de Sá Pinto, parece claro que o perfil é bastante correcto. O perfil. Não necessariamente a figura de Jorge Castelo, que repetindo, não tivemos o prazer de conhecer.

Pudéssemos nós intervir no processo de escolha de um adjunto para Ricardo Sá Pinto, escolheríamos exactamente o mesmo tipo de perfil que o Sporting procurou, porque é certo que a parte mais difícil de tudo isto, é precisamente aquela em que duvidamos seriamente da competência do actual treinador do Sporting (a operacionalização no exercício). Se Jorge Castelo é o homem certo no lugar certo, não sabemos. Se escolhêssemos nós? Garantidamente o mesmo perfil, mas e porque desconhecendo a competência efectiva de Castelo, o primeiro nome a ser contactado seria garantidamente, Francisco Silveira Ramos!

sexta-feira, 17 de Fevereiro de 2012

"Os jogadores estão de consciência tranquila" Pereirinha.

Claro que estão.

Domingos também estará. Citando Vitor Frade, numa frase recentemente relembrada pela MC no excelente "A minha bola", "Ninguém sente necessidade do que desconhece".

Continuará a ser um pouco de técnica, um pouco de físico e no final um pouco de táctica, e provavelmente servida em forma de prelecção(?!). Quem gostará de treinar assim?

terça-feira, 14 de Fevereiro de 2012

A rapaziada do Sá Pinto




P.S.- Obrigado ao RG.

domingo, 12 de Fevereiro de 2012

Tomada de decisão em superioridade numérica. Demonstra quem sabe.

É possível que em noventa por cento do jogo se imponha que se jogue simples e que não se prenda a posse. Há, todavia, determinados momentos em que se exige o contrário.

Ainda ontem, nesta caixa de comentários se falava numa possível condicionante ao número de toques que cada jogador poderia dar na bola em determinado exercício.

A opinião dada foi esta. "...Por norma não gosto de limitações de toques porque nem sempre se deve soltar rápido. Acho que prejudica a tomada de decisao. Mas, é certo que em muitos momentos é vantajoso e ajuda a equipa a jogar melhor. E conheço exemplos práticos disso.

Por exemplo, na transiçao nunca colocaria limite de toques porque quem leva a bola em vantagem númerica tem de fixar o defesa. Se o defesa for recuando para ganhar tempo esperando os colegas, o portador da bola tem de dar mais toques...se o limito ele vai decidir mal."

Um dia depois há quem demonstre na prática exactamente o que pretendia dizer. Tinha de ser Aimar, pois claro.

Elefantes numa loja de cristais

"Um elefante numa loja de cristais". Foi há quase uma década que associei pela primeira vez a expressão a um jogador de futebol. Em Luisão tudo era demasiado mau. Dificuldades técnicas evidentes. Total ausência de habilidade motora. O brasileiro parecia um imóvel. Era tudo menos um jogador de futebol. Quase dez anos depois, a opinião inicial, porque não era errada, não se alterou. Foi Luisão que evoluiu. Tanto que mesmo não sendo o melhor central da Liga, é bem capaz de ser o mais importante para o modelo de jogo em que está inserido.

Se um elefante numa loja de cristais cria danos. Imagine dois.

Há quem goste assim. Dois centrais enormes, e é indesmentível que a altura é um extra importantíssimo. E podemos facilmente pensar nos golos/pontos que Onyewu já ofertou ao seu clube. Não há que o negar. O americano é decisivo nas bolas paradas. Cabe a Domingos perceber se compensará de facto não ter um mínimo de qualidade na saída para o ataque desde o sector mais recuado, para poder estar mais forte em tal momento específico do jogo.

Na Madeira dez segundos antes do Marítimo chegar ao dois a zero, um central madeirense, pressionado por Ricky bem junto à linha lateral decidiu e operou o que seguramente Onyewu ou Xandão jamais fariam. Pisou a bola, arriscou um pouco a posse, rodou por trás e fez a bola sair pelo lado oposto. É possível que noventa por cento dos centrais da Liga tivessem colocado aquela bola fora sem hesitar. O maritimista não fez o trivial. Arriscou, saiu a jogar e dez segundos depois numa jogada desenvolvida no corredor lateral oposto, o Marítimo já vencia com maior conforto.

Basicamente deve ser esta a equação que Domingos terá de fazer na sua mente. Compensará jogar com atletas que se limitam a impedir ataques. Ou terá mais a ganhar jogando com outros que mesmo perdendo em aspectos específicos se revelam capazes de mais do que roubar, recuperar e iniciar o ataque? O número de golos obtidos e a imponência defensiva nas bolas paradas que os "grandes" oferecem compensará tudo o que retiram ao jogo? Talvez por gostar demasiado da beleza do jogo, sei o que decidiria. Preferia ter André Martins ao lado de Daniel Carriço no sector defensivo, do que uma dupla de jogadores incapazes de dominar uma bola sequer.

P.S.- Xandão é um miúdo em estreia na Europa. O jogo é muito mais rápido e o central pode perfeitamente evoluir e tornar-se um jogador bem diferente daquele que parece na actualidade. Uma dúvida. Teve treinos suficientes para perceber a dinâmica da equipa e poder ser lançado de início, ou não há dinâmica colectiva definida e trabalhada, e qualquer um pode entrar em qualquer momento? Quanto da responsabilidade de Domingos há na opinião negativa que agora tenho do central do Sporting?

P.S. II - No dia em que à frente desta dupla de centrais, Domingos colocar Renato Neto, fica aqui prometido que desligo o televisor.

P.S. III - Independentemente da feroz critica à qualidade individual dos jogadores aqui mencionados, percebeu-se ontem que o Marítimo é uma equipa muito mais trabalhada que o Sporting. Desde as saídas para o ataque com a bola jogável, à mobilidade ofensiva, passando pelos equilíbrios defensivos percebe-se que há trabalho de Pedro Martins. Superior ao de Domingos, acrescente-se.

P.S. IV - Porque é que só os grandalhões é que escorregavam? Eram os únicos com pitons errados, ou tal poderá de alguma forma estar relacionado com inabilidade motora?

Há mais Benfica na Luz

Verdadeiramente entusiasmante o SL Benfica no processo de criação de jogo ofensivo. Muita velocidade, qualidade na tomada de decisão, qualidade técnica presente em cada passe e recepção, e um trabalho verdadeiramente notável na mobilidade com que todos os jogadores se desmarcam em apoio ou em ruptura a cada instante, garantindo inúmeras opções ao portador da bola para dar seguimento a cada jogada.

Jesus continua crente que defender com apenas cinco é suficiente para os jogos na Luz. Os resultados têm provado que está certo. Eu nunca arriscaria tanto, ainda assim. Muitos são os lances em que os adversários que visitam a luz têm demasiado espaço para pouca oposição, e não parece que este tipo de táctica ou abordagem aos jogos seja suficiente para vencer jogos de elevado grau de dificuldade. Todavia, a péssima capacidade de definição no último terço de quase todos os jogadores/equipas da nossa Liga, vai permitindo demasiadas facilidades.

Ainda assim, continuo convicto. O Benfica golearia o Benfica.

Esquecendo o risco que sempre é deixar partir a equipa em dois, é bastante aprazível poder assistir a futebol ofensivo deste nível. Em quinze segundos a bola passa por uma mão cheia de jogadores, percorre todo o comprimento do campo e termina em ocasiões flagrantes de golo na baliza adversária.

Só em lances criados com finalização em situações extremamente vantajosas o resultado podia ter-se avolumado até aos dois dígitos. E sempre com qualidade elevada nas combinações ofensivas.

A inteligência e a qualidade técnica tornam a fazer a diferença na Luz.

Destaques individuais.

Garay. Para o nível da nossa liga, o argentino é um central soberbo. Incrível capacidade técnica e imponente no jogo sem bola. É o primeiro avançado do Benfica e é dos seus pés que nascem muitas das jogadas mais interessantes que vão sendo construídas.

Emerson. Péssimo. Inacreditável o número de perdas que soma. Destoa completamente dos restantes colegas. E pensar que Capdevilla é o tipo de jogador que encaixaria que nem uma luva neste modelo de jogo (primazia pela posse de bola, inteligência e excelente capacidade de passe). É que Emerson não é sequer assim tão veloz que justifique por uma única característica o lugar...

Witsel. Discreto na lateral direita, soberbo no meio campo. Parece um adulto a jogar contra crianças quando protege a bola. Enorme na ocupação do espaço e na capacidade de passe, recepção e desmarcação. Notável.

Aimar. O lance que termina com a bola no poste enviada por Cardozo ajuda a classificar Aimar. Fabuloso na tomada de decisão. Sabe tudo sobre o jogo e se há uma mínima hipótese de se poder chegar com perigo à baliza adversária, Aimar saberá explorá-la.

Nolito. Por vezes parece que está menos em jogo. Porém, se se der ao trabalho de quantificar o número de desequilíbrios que os seus passes provocam, perceberá que é um jogador determinante no pendor ofensivo do SL Benfica. O passe que isola Rodrigo no terceiro golo do Benfica é um clássico do espanhol. Na jornada anterior saiu igual e também para Rodrigo. Deu penalty e vitória em Santa Maria da Feira, e já no Dragão havia dado golo a Cardozo. A sua capacidade de definição aproxima-o de Aimar. E não recordo elogio maior que se lhe possa fazer.

Gáitan. Classe, classe e mais classe. Pouco trabalhador, com perdas irresponsáveis. Tem de estar mais em jogo e definir com mais qualidade para justificar o lugar num onze de inegável categoria. Quando em dia sim, a sua qualidade técnica e criatividade deslumbram qualquer um. Tem recortes técnicos de nível mundial. Imagine o argentino com a disponibilidade e definição de Nolito...

Rodrigo. Já é um dos grandes avançados do futebol europeu a explorar a profundidade nas costas das defesas adversárias. As suas desmarcações de ruptura revelam uma inteligência incrível para esse momento específico sem bola. É muito forte, muito rápido e tem um remate extraordinário. Acrescenta algo que mais nenhum avançado do plantel dava ao estilo de jogo encarnado. Vale golos. Muitos golos. E é certo que jogará num "tubarão" europeu.

Matic. Melhor jogo pelo SL Benfica. Qualidade de posicionamento outrora desconhecida. Pela primeira vez não só pareceu fazer esquecer Javi, como em determinados momentos, a sua capacidade para sair a jogar superou largamente a do espanhol. Menos complicativo, mais jogador.

sábado, 11 de Fevereiro de 2012

Verdadeiramente fabulosa


A exibição do SL Benfica.

Com outro tipo de acerto na finalização, o resultado de "curtos" quatro golos, poderia até ter subido aos dois dígitos. Uma exibição deste nível merece uma crónica. Está prometida.

E a vossa impressão?

Situação de treino. Exercício. Um exemplo.

Aspectos a ter em conta:

Momentos do jogo a trabalhar
Objectivo geral
Objectivo específico
Critério de êxito
Estratégia para o uso de feedbacks
Tempo
Material

Exemplo

Momento do jogo: Organização e Transição ofensiva.

Objectivo geral: Tomada de decisão no processo de construção de jogo ofensivo em organização. Com e sem bola. Tomada de decisão na movimentação em transição ofensiva.

Objectivo específico: Movimentação do avançado (em organização e em transição) e ligação dessa movimentação com as penetrações dos extremos e médios. Timing para soltar a bola em situação de transição (vantagem numérica).

Critério de êxito: Número de desiquilibrios conseguidos pela movimentação do avançado. Mesmo quando não tocando na bola, permitiu espaço para os colegas desiquilibrarem. Número de linhas de passe diferentes (sobre a sua direita e esquerda) que o portador da bola tem a cada instante. Em organização não explora apenas a profundidade, mas também baixa para apoio frontal, arrastando marcação e permitindo a entrada do extremo do corredor oposto ao da bola na zona entre central que fica e lateral. Dá linha de passe sobre o exterior se estiver próximo do extremo, permitindo as penetrações de um interior na zona do avançado. Em transição desmarca para o corredor da bola, enquanto o extremo conduz na direcção do corredor central, fixando o defesa antes de tomar a decisão.

Forma: GR+8x10+GR. (Ataque organizado x Transição ofensiva).

Condicionantes. Ataque organizado joga com 2 centrais, sempre no meio campo defensivo. Trinco, médios interiores, extremos e avançado. Só os centrais e trinco do ataque organizado defendem. Ataque organizado depois de recuperar a bola, tem de faze-la entrar no seu meio campo defensivo, permitindo a reorganização defensiva da equipa da transição. Na equipa da transição os extremos e o avançado não defendem. A equipa da transição tem 10 segundos para finalizar após cada recuperação de bola.

Feedback: Direccionado somente para os objectivos específicos. Utilizado como reforço. Prescritivos e descritivos.

sexta-feira, 10 de Fevereiro de 2012

Another day in the office


Enviada pelo Sir Luis, só para fazer inveja.

quinta-feira, 9 de Fevereiro de 2012

Perseverança, alma e coragem. Sobretudo coragem.

O minuto 17 na Choupana não só marca o jogo e a eliminatória. O minuto 17 define Rinaudo.

O golo é notável, mas é algo que provavelmente não será repetido tão cedo. O que verdadeiramente impressiona é a coragem de um jogador que após longa paragem por uma fratura arrisca imprimir toda aquela velocidade no membro inferior, quando o adversário está por perto e entra duro tentando impedir o remate. É possível que muitos outros pudessem ter almejado aquele golo. Não acredito, porém, que outro atleta depois da paragem a que foi submetido, arriscasse o que Rinaudo arriscou naquele lance.

A ausência de Rinaudo não foi a causa de todos os males. Tão pouco a sua presença será suficiente para que tudo altere vertiginosamente. O Sporting continua a precisar de evoluír em todos os momentos do jogo e nenhum jogador do mundo de forma isolada consegue dar o que outros dez não fazem.

Todavia, a presença de Rinaudo é um "boost" importantíssimo. Conseguirá algum colega ficar indiferente quando a seu lado alguém luta até ao limiar das suas forças por um resultado comum? Mais que o atleta, Rinaudo é o profissional que contagia.

Ao contrário do que se pensava há algumas épocas atrás, não creio que os grupos devam ter personalidades tão fortes para chegarem ao sucesso. Trata-se de fazer as coisas certas no momento certo. De adquirir os conhecimentos e de os sistematizar da melhor forma possível. Todavia, se o caminho não vai sendo o melhor só há uma possibilidade de minimizar os estragos. É pelo individuo. Pelo reunir das "tropas".

Enquanto, não vai pelo colectivo, a presença de figuras como Rinaudo é absolutamente determinante. Ontem até Elias parecia outro. Contagiado por uma vontade de vencer que o torna mais disponível.

Quis o destino que um golo do argentino se revelasse determinante no jogo mais importante da época leonina. Muito justamente, há que o reconhecer.

segunda-feira, 6 de Fevereiro de 2012

As temporizações de Nélson Oliveira. Um diálogo ficcional.


"O Nélson é um menino, que vai aprendendo, ainda não sabe muito bem fazer temporizações, é tudo a 100 a hora, mas tem uma disponibilidade fisíca impressionante." Jorge Jesus.

Jesus - Nélson, tens de perceber em que momentos deves temporizar...
Oliveira - Como assim, Mister. O que é isso do temporizar?
Jesus - Imagina. Recebes a bola e não tens qualquer colega à frente da linha da bola. Ou tens a equipa longe. Segura a bola. Espera que os colegas cheguem antes de tomares a decisão. E quando decides entregar a bola, tens de perceber em que momento o deves fazer. Se o colega se desmarca para determinado espaço e tu queres dar-lhe a bola no pé, não sejas demasiado rápido. Deixa-o chegar, virar-se para ti e só depois soltas a bola. Tens de facilitar a recepção ao teu colega e nem sempre ser demasiado rápido a dar-lhe a bola é a melhor opção, porque o vais apanhar desenquadrado.
Oliveira - Mister, não percebo nada disso. O Ilíado dizia-me que sempre que conseguisse apanhar algum dos chutões que vinham lá de trás, para correr, correr, correr, ir para cima dos quatro ou cinco defesas. Não havia cá essas parvoíces de a equipa aproximar. Mesmo que eu esperasse, nunca aparecia ninguém. Eu é que tinha de ir para cima e resolver tudo sozinho... e mister, olhe que fomos vice campeões mundiais...


domingo, 5 de Fevereiro de 2012

A classe de Lucho e o futuro de Rodrigo & Oliveira


O futebol passa por Portugal. A Europa que nos siga!

Sobre a possível continuidade de Quique Flores há alguns anos atrás, recordávamos José Mourinho. Na época seguinte o SL Benfica foi campeão.


"Contrariamente aos outros, não considero a estabilidade numa equipa como factor para que o conjunto tenha sucesso. Uma equipa tem de ser ensinada de forma correcta pelo treinador, para que possa jogar à imagem dele e para saber desempenhar a sua função suficientemente bem para a executar de olhos fechados - e isto não implica ter as pessoas a trabalharem em conjunto durante anos. Trata-se de o treinador fazer as coisas certas, de trabalhar arduamente e de as sessões de treino serem proveitosas". José Mourinho. 2 Maio de 2004.

Hugo Viana e César Peixoto. O meu querido e underrated pé esquerdo.




E na semana em que por diferentes razões voltam a estar em destaque, fica aqui um texto de 2009

"Newcastle sign £8.5m Viana – 'the new Figo'" ("The independent".2002).

De over a underrated. De forma bastante simples, se sintetiza a carreira de Hugo Viana. Os permanentes rótulos, colocados pela imprensa, ainda que possam ter ajudado na sua vertente financeira, poderão ter-lhe limitado a carreira.

Bastante bom tecnicamente, e com excelente percepção sobre o que é o jogo, a Hugo Viana faltou, sempre, velocidade (não só na sua vertente mais pura. A passada. Como também na execução), para poder justificar a avolumada soma paga pelo Newcastle.

Contudo, mais bizarro que os 8.5 milhões de libras, pagos pela sua transferência, é o facto de, aos 26 anos, voltar para a Liga Sagres para representar o Sp. Braga. Pelas suas limitações, dificilmente seria titular num dos 3 maiores da Liga Sagres. Porém, seria, indiscutivelmente útil.

Aos 29 anos, César Peixoto volta a um dos grandes do futebol português.

Jogador pouco consensual, Peixoto, tal como Viana, tem na ausência de velocidade o seu principal handicap. Tal característica, e as permanentes lesões (e quão graves) diminuiram uma carreira que poderia ter sido bem mais notável (não esquecendo, ainda assim, o seu rico palmarés).

Bastante inteligente, e com um excelente pé esquerdo (impressiona a forma como entrega, sempre, a bola jogável), César é um jogador de classe. A objectividade do seu jogo, aliada aos excelentes recortes técnicos (a quantidade quase infindável de "cuecas" e "cabritos" aplicados na partida ante o Celtic, foram, desde logo, bons motivos para seguir o jogo) são imagem de marca.

P.S. - Longe de serem prodígios, Hugo Viana e César Peixoto, mereciam ter construído uma carreira mais condizente com o seu valor.

P.S. II - Dúvida pertinente. Teremos Viana, tal como Peixoto, de novo num clube grande, aos 29 anos de idade?

quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2012

Movimentos dos extremos

Há extremos com golo. Outros há, que mesmo tendo um potencial técnico mais elevado precisam de uma carreira inteira para somar o número de golos que os primeiros cumprem numa só época.

Há um imenso número de factores que o próprio jogador não controla que condicionam o número de golos, ou o número de oportunidades em que o extremo surge em situação de finalização.

Mais do que ter maior ou menor capacidade de finalização, é a movimentação que os aproxima mais ou menos do golo.

Temos os que procuram unicamente movimentos verticais, ao longo da linha lateral, que mesmo quando recebem a bola nas costas da defesa adversária estão sempre demasiado longe da meta. É o tipo de extremo que desequilibra individualmente, mas cujas acções são vezes demais inócuas. Procuram sempre alguém na área, esquecendo que chegar ao golo é tarefa que deve ser repartida por onze. E que eles próprios não podem abster-se de nenhuma das fases do jogo.

Outros, mais astutos, jogam com a oposição. Simulam movimento para dentro para receber com mais espaço e tempo fora. Ou desmarcam-se na horizontal, ao longo da linha defensiva, beneficiando do facto de já se moverem a velocidade considerável, para chegarem primeiro que os defesas (parados), a uma bola colocada nas costas do sector defensivo adversário. Procuram movimentos interiores que lhes possibilite receber a bola entre centrais e laterais oponentes. A variedade de movimentos com e sem bola conferem-lhes uma imprevisibilidade que acaba sempre por beneficiar o jogo da sua equipa.



O primeiro tipo de extremo é vulgarmente, e bem, apelidado de extremo à moda antiga. O segundo é um jogador moderno. Independentemente do talento ou qualidade técnica de um ou outro, é o lado cognitivo que faz a diferença.

Na Liga portuguesa, há dois extremos espanhois com um potencial técnico imenso. Aquele que até aparenta maior habilidade e velocidade, e com tudo o que de subjectivo há neste tipo de comparação, tem dezaseis golos em duzentos e vinte e quatro jogos enquanto sénior. O outro já somou cinquenta e dois golos em apenas cento e noventa e quatro jogos. A diferença de rendimento de um para o outro? A tomada de decisão. Com e sem bola.