domingo, 30 de Setembro de 2012

Sá dá uma de Jesus e assim, até a Europa fica em risco

Por favor alguém que avise o Sá Pinto que a sua versão Jesus levará o Sporting para fora dos lugares europeus.

Nem é tanto pelas individualidades de um e outro lado, ainda que contar com Salvio, Lima, Rodrigo, Garay e outros que tais confira desde logo vantagem a Jorge Jesus. A questão é mesmo pelo tipo de respostas colectivas que uma e outra equipa estão prontas para dar.

Em tempos Jesus afirmou que a sua equipa era uma das melhores da europa a defender com pouca gente. E é verdade que assim o é. A equipa do Benfica está preparada para posicionalmente responder às situações em que fica com apenas dois, três, quatro, cinco ou seis jogadores atrás da linha da bola. A equipa fica altamente desequilibrada, mas pelo menos tem a vantagem de saber interpretar as diferentes situações de jogo e dar as respostas que são pedidas a cada momento. Aliada à pouca capacidade para definir assertivamente os lances dos adversários que vão aparecendo pela Liga, vai dando para somar inúmeros pontos.

Ainda pior que ter uma equipa organizada num sistema táctico desequilibrado, é não ter os jogadores preparados para interpretar o que o jogo pede. Xandão não se destacaria nem na segunda divisão. Rojo anda à deriva em campo. Os seus traços individuais até parecem bem interessantes, contudo, por vezes fica a sensação que nunca foi sequer defesa, ou pelo menos nunca jogou da forma como lhe é pedido que o faça agora. Parece uma criança a ver o jogo dentro do relvado. Os laterais entram no desespero do resultado que não aparece e jogam (sem bola, essencialmente) sem qualquer critério. A dupla do meio campo tem muita qualidade individual e muita perseverança, mas zero de entrosamento. Não se percebem permutas e o vazio no corredor central faz-se notar. Quando Rinaudo sai à bola, ou é apanhado desposicionado seria obrigatório Izmailov recuar para trás do argentino, colocando-se numa situação de cobertura, sempre entre a bola e a baliza. Um posicionamento indispensável numa dinâmica com apenas dois médios no corredor central, que já havia sido explicado aqui e aqui.

Sem quantidade nem qualidade de entendimento na ocupação no corredor central, basta a qualquer adversário querer sair a jogar no pé quando recupera a bola e qualquer equipa da Liga pode perfeitamente ganhar em Alvalade. Imagine quando for fora de casa...

Enfim, no Sporting tudo parece aleatório e sem dinâmica. Cada um joga por si, sem qualquer entendimento do que é o jogo. O Sporting B venceria o Sporting A, e se Sá Pinto continuar a lançar dados, ao menos que o faça com os miúdos que saíram da formação. É que esses estarão prontos para entre eles resolver tacticamente o que o seu treinador não percebe.

P.S. - Os últimos dois jogos do Sporting mostraram a maior desorganização e desnorte de sempre. Nem na distrital se anda tão à deriva como em Alvalade por estes dias.

sábado, 29 de Setembro de 2012

Este Sporting é mesmo de Sá Pinto

Tudo coração, zero de organização.

Já o havia mostrado no jogo em que sofridamente havia derrotado o Gil Vicente em Alvalade.

Pelo caminho que leva, começa a ser muito difícil imaginar que entre sequer na luta pelo pódium. Todo e qualquer pensamento diferente deste não passa de mera fé.

quarta-feira, 26 de Setembro de 2012

Golo do empate do Campeão Nacional, 1º de Dezembro, na despedida do seu grande treinador, Nuno Cristóvão.

Zero foram os toques na bola que o adversário Fundação Laura Santos deu na bola quando esteve em vantagem no marcador.

video

Um grande abraço ao Professor Nuno Cristóvão, tricampeão nacional.

As bolas paradas defensivas não são o vosso forte, pois não?



Pare a imagem ao vigésimo terceiro segundo do minuto um. Que posicionamento é aquele do Marítimo numa bola parada?! Uma bizarria pouco vista antes, e tão fácil de contornar. Ainda mais fácil do que fazer o que o Estoril fez (jogador em velocidade na direcção do corredor lateral), seria colocar 6 ou 7 jogadores a correrem desde trás na direcção da baliza, garantindo apenas que quando o livre é batido ainda estão atrás das estacas adiantadas dos madeirenses. Em vez de ficar com um jogador isolado no corredor lateral, criariam uma situação de 6 ou 7 x 0 em frente ao guarda redes. É esperar para ver como defenderá as bolas paradas este Marítimo. Pelo sim pelo não, a receita está dada...

domingo, 23 de Setembro de 2012

O Benfica e o FC Porto. E o burro sou eu?

"Esta equipa está extremamente rotinada numa dinâmica com um triângulo aberto no meio-campo. Depois, os alas têm liberdade para ficar nos corredores ou surgirem no centro. Já disse que o coração da equipa está no meio, e aí é preciso recuperar muitas boas, correr atrás dos adversários. Acredito sinceramente que o James, tendo menos desgaste defensivo, pode dar mais», começou por dizer o técnico.
"Se virem quando joga como extremo, ele está grande parte do seu tempo ao centro. É claro para mim que, jogando com ele a 10 e apenas dois médios, perdemos consistência."

«Haverá jogos em que precisaremos disso, mas não estou muito inclinado a mexer no miolo e satisfazer aqueles que acham que o James, jogando a 10, é muito mais jogador. A dinâmica do meio está muito bem assimilada e dá-me gosto de ver o meio-campo assim" Vitor Pereira.

"4x3x3 é sistema de clube pequeno" Jorge Jesus.

P.S. - Conforme mais do que previsto na jornada passada, O FC Porto assume a liderança bem cedo na Liga. Sporting de Braga e SL Benfica prometem luta acérrima pela entrada directa na Champions.

sexta-feira, 21 de Setembro de 2012

Deixar sair a jogar preparando uma armadilha para recuperar ou obrigar a bater longo?

Desvendou, no final do jogo, a sua estratégia, Sá Pinto.

Deixar o adversário sair a jogar com bola no pé para em determinada zona (algures entre o meio do meio campo ofensivo e a linha do meio campo) recuperar a bola para sair rápido para o contra-ataque. Ou seja, a Sá Pinto interessava sobretudo que o adversário não batesse a bola na frente, para poder começar a construir com menos oposição atrás da linha da bola. Uma estratégia que será interessante, dependendo da capacidade e tomada de decisão (no momento em que "aperta" o espaço) dos adversários.

Um grande problema da estratégia é partir do pressuposto que o adversário quererá assumir o jogo em organização ofensiva. E enquanto o Sporting tiver o peso histórico que tem, nenhum treinador de equipa nenhuma em Portugal, ou na Liga Europa (salvo excepções que surgirão mais à frente na fase a eliminar), jogará o jogo que Sá Pinto pretende que joguem.

Ontem o Basel simplesmente arriscou zero. Preferiu não jogar, trocando a bola entre centrais e guarda redes (muito interessante com os pés). Sempre que o espaço fechava, voltava atrás e nunca chegou com bola dominada à zona que Sá Pinto havia idealizado para recuperar. Na Liga portuguesa quando o espaço fechar, não se voltará ao guarda redes, mas irá bater-se a bola longa na frente. E aí, porque já tem as linhas mais recuadas, o Sporting perde até capacidade para jogar mais tempo no meio campo ofensivo. A primeira bola será disputada algures no meio do meio campo defensivo

Um exemplo do que faz Jorge Jesus. Não deixa sair a jogar, posicionando a linha defensiva desde logo na linha do meio campo. A bola é batida longa, e o máximo que os defesas/trinco encarnado recuam para a disputar são dois, três, quatro, cinco metros. Quando a bola é ganha, o jogo continua sempre a decorrer no meio campo ofensivo, e não raras vezes, logo com apenas sete, oito adversários atrás da linha da bola, porque o avançado e por vezes os extremos adversários já estão fora da situação de jogo.

É louvável perceber que há estratégia em Sá Pinto. Preocupante, contudo, perceber que Sá parece convicto que as equipas vão querer assumir o jogo contra o Sporting. Vão querer jogar o jogo que Sá Pinto idealiza.



Maritimo de Pedro Martins

"...mas tenho que destacar que o Marítimo constituiu uma boa surpresa" Alan Pardew, treinador do Newcastle.

Não surpreendem as declarações do treinador do Newcastle. Jogando como havia feito frente ao Sporting, o Marítimo seria sempre surpreendente para qualquer treinador de uma Liga que tende a menosprezar as equipas portuguesas com menos tradição.

Nos últimos vinte minutos do último jogo da Liga foi verdadeiramente impressionante perceber que os madeirenses conseguiam chegar com imensa facilidade à área adversária e sempre com futebol apoiado. Uma filosofia que os defesas centrais e médios centro madeirenses têm conseguido adoptar. Mais do que apenas uma estratégia defensiva como tantas outras equipas, a de Pedro Martins tem um modelo de jogo ofensivo. Contra o Sporting percebeu-se que há até a maleabilidade ofensiva para jogar de mais de uma forma. Da procura do espaço da primeira parte para o jogo no pé da segunda, nada terá surgido por mero acaso. As bolas sempre no espaço do lateral adversário que havia subido, aos apoios e facilidade em libertar os extremos contra pouca oposição, porque se levou os laterais adversários a fechar o meio, depois de se ter tentado "furar" pelo corredor mais importante, os comandados de Pedro Martins mostraram mil e uma soluções para os problemas que lhes eram criados.

Há que seguir esta equipa.

quarta-feira, 19 de Setembro de 2012

Construindo uma forma de jogar

"Este é o primeiro livro da Comunidade Teoria do Futebol (link: http://www.teoriadofutebol.com/). Um grande abraço ao PB pela disponibilidade. Boas futeboladas



       Se você é um dos jovens aspirantes a treinador, ou se é já um conceituado treinador e procura sempre formas de melhorar, certamente que não é o único. Diariamente, milhares de leitores procuram exercícios e aulas gratuitas sobre a organização tática. A vantagem do mundo virtual é a capacidade de libertar toda essa informação, sem qualquer tipo de custos.
       O livro "Construindo uma forma de jogar - Guia de treino para iniciantes", é um ebook em formato digital, completo, dinâmico e gratuito, criado a pensar em todos os treinadores, sejam eles estudiosos ou treinadores profissionais.






Sumário


        

     1)    A importância do treino na formação do atleta e da equipa

     2)    A relação entre o treino e a competição

     3)    A idealização do treino

     4)    Introdução aos princípios do treino

  •   O princípio da individualidade biológica
  •   O princípio da adaptação
  •   O princípio da sobrecarga
  •   O princípio da continuidade
  •   O princípio da interdependência Volume-Intensidade
  •   O Princípio da especificidade
  •   O princípio da variabilidade
  •   O princípio da saúde
  •   A inter-relação entre os princípios

     5)    Exercícios

  •   Exercício 1: passe curto, médio ou passe longo
  •   Exercício 2: combinações directas
  •   Exercício 3: Marcação, desmarcação e combinações directas
  •   Exercício 4: relação com bola
  •   Exercício 5: Posse de bola e saída de jogo
  •   Exercício 6: Posse de bola
  •   Exercício 7: Saída de jogo organizada
  •   Exercício 8: Defesas contra atacantes
  •   Exercício 9: construção de situações de finalização contra saída de jogo
  •   Exercício 10: Mobilidade da equipa
  •   Exercício 11: Mobilidade da equipa
  •   Exercício 12: mini-jogo
  •   Exercício 13: praticar transições
  •   Exercício 14: aprofundar para finalizar
  •   Exercício 15: o comboio
  •   Exercício 16: em profundidade
  •   Exercício 17: finalizar
  •   Exercício 18: transição ofensiva
  •   Exercício 19: na posse da bola
  •   Exercício 20: variar o passe
  •   Exercício 21: levantar a cabeça
  •   Exercício 22: introdução ao equilíbrio defensivo
  •   Exercício 23: cada vez mais rápido
  •   Exercício 24: amplitude máxima
  •   Exercício 25: o percurso
  •   Exercício 26: o losango
  •   Exercício 27: o hexágono
  •   Exercício 28: balizas ao contrário
  •   Exercício 29: com a bola no ar
  •   Exercício 30: as bolas não chegam

     6)    As fases do jogo no futebol

  •   Movimentos horizontais durante a Fase II e Fase III ofensivas
  •   Saída de jogo ou Fase III ofensiva
  •   Inversão de bola durante a Fase II ofensiva
  •   A criação de situações de finalização durante a Fase II ofensiva
  •   A finalização ou Fase I ofensiva
  •   Equilíbrio defensivo ou Fase III defensiva
  •   Recuperação defensiva ou Fase II defensiva
  •   A defesa propriamente dita ou Fase I defensiva

     7)    Esquemas gerais para as várias fases do jogo

     8 )    O controlo emocional no futebol

  •   Mas porque deve o indivíduo ter um elevado controlo emocional?
  •   Que mais pode causar a falta de controlo emocional?
  •   O que o treinador deve instruir ao atleta?
  •   Para o treinador

     9)    A concentração psicológica

  •   Exercícios para melhorar a concentração


Esperamos que aproveitem bem o livro. O que acharam ? Que ideias podem ser implementadas?

domingo, 16 de Setembro de 2012

Rojo e sobretudo Xandão, campeões do chutão.

Ponto prévio. O Marítimo tem uma equipa cheia de excelentes individualidades. Não é crível que muitas equipas consigam ir vencer aos Barreiros.

A mesma estratégia de Pedro Martins para o mesmo adversário. Não se pode criticar. Havia sido feliz uns meses antes, com a opção dos longos lançamentos directos para as costas adversárias, ou para o espaço do lateral que havia subido no relvado. Aqui e ali foi assustando o Sporting. Todavia, e ao contrário do que havia sido o jogo da época transacta, a dupla de centrais do Sporting revelou-se muito capaz no controlo da profundidade. Teria o Marítimo sido mais feliz se optasse nos primeiros dois terços do jogo por explorar o espaço que resultava do "abaixamento" dos centrais leoninos? Muito provavelmente sim. A partir do momento em que em desvantagem explorou um tipo de jogo diferente foi chegando com aparente facilidade às imediações da área adversária.

Não se percebeu o pontapé de baliza directo para o lateral que ofereceu por várias vezes a bola ao adversário, nem se percebe ainda a vantagem de mesmo nos momentos em que o adversário está remetido ao seu meio campo defensivo, o Sporting continua com cinco jogadores (laterais, trinco e centrais) no seu próprio meio campo. O médio ou laterais "pegam" demasiado cedo no jogo e a situação de jogo passa desde logo a ser de 6x10, sendo que Adrien e Elias permanecem demasiado tempo escondidos. Uma inferioridade muito grande que condiciona desde trás o processo ofensivo. As ideias não abundam e chegar à baliza adversária parece tarefa hercúlea. As situações em que a bola ainda ronda as balizas adversárias, nascem de cruzamentos dos laterais altamente condenados ao insucesso, pela pouca presença (em quantidade e qualidade) na área adversária.

Por vezes parece que é a fé em Carrillo que move o Sporting. O peruano é um jogador bestial. Velocidade e drible desconcertante, conduz sempre na direcção da baliza adversária, jogue em que corredor jogar. É ao momento o único jogador leonino capaz de se superiorizar aos adversários seja pelas acções individuais seja pela forma como interage com os colegas. Temporiza e serve quando assim o deve fazer os seus colegas. Sem ele, ofensivamente não existe Sporting. Pelo menos enquanto não se puder saudar em definitivo o regresso de Izmailov.

Xandão não jogaria no Marítimo. Ou mais do que isso, não jogaria numa equipa de Pedro Martins. Inacreditável a falta de classe do central do Sporting. E Rojo em determinados momentos pareceu querer imitar o colega de sector. Há quem pense assim. Os defesas são para defender, e desde que não cometam "gaffes" a sua exibição é perfeita. O grande problema das equipas que jogam com centrais cuja única opção defensiva é cortar e ofensiva "despejar", é que passam demasiado tempo sem a bola. E todos sabemos que não ter bola é o primeiro caminho para consentir ataques e situações de perigo. Talvez Sá Pinto deva sentar todo o plantel a assistir à última meia hora de jogo da equipa de Oceano. Depois de estar a vencer o Sporting B revelou uma maturidade que o Sporting de Sá Pinto ainda não atingiu. E talvez não chegue mesmo a atingir. É que a maturidade começou, curiosamente, desde logo na categoria de Llori e Pedro Mendes, os centrais da equipa leonina que rejeitam/rejeitaram o chutão. Na última meia hora em Arouca e depois de estar em vantagem no marcador, só o Sporting tocou na bola e muito se deveu à primazia dada pela posse. No dia em que Llori ou Mendes perderem uma bola em zona proibida, todos estarão prontos para os "matar". Por aqui, saberemos que só arriscando, mesmo sabendo que aqui e ali um deslize poderá ser cometido, se poderá atingir um nível elevado. E quando o deslize chegar, tudo o que ofereceram para trás já compensou.

Ainda que desfalcados em pontos determinantes (perdido o abono de Vitor Pereira e Jesus que jogará meia época sem meio campo e sem um central de qualidade indiscutível ao lado de Garay), não parece que a luta do Sporting possa ser a mesma de FC Porto e SL Benfica. Talvez uma inesperada (pelo tempo que Sá Pinto já leva de Sporting) evolução e uma resposta categórica daqui por três semanas no Dragão mude opiniões. Mas em Alvalade talvez as atenções devam estar sobretudo focadas naquilo que o Sporting de Braga pode fazer. É que objectivos irrealistas conduzem a frustração. E a frustração conduzirá o Sporting a um lugar ainda pior que o que pode de facto almejar.

P.S. - Poderia o Sporting, de facto, ter chegado ao dois a zero. Em determinado momento tal pareceu possível e expectável. Coincidiu com a entrada de André Martins e sobretudo com o momento em que com mais espaço Carrillo quase resolvia o jogo sozinho. Carrillo. Apesar de tudo, talvez com um jogador igual ao peruano do lado oposto, os três pontos tivessem sido uma realidade.

sábado, 15 de Setembro de 2012

Fantasy da Champions League

Código da Liga

1267542-436477

 

 

quinta-feira, 13 de Setembro de 2012

David Silva, por Javi Garcia

"A sua temporização é letal" Javi Garcia elogiando Silva.

São demasiados os elogios que se podem tecer a Silva, ou outros que tais como Iniesta ou Xavi, à cabeça. É impossível de imaginar, porém, um mais interessante que o que Javi escolheu. Silva é rápido, dribla bem e passa bem. Javi notou-lhe a temporização. O timing para realizar as acções é a marca dos inteligentes. Ao optar por tal adjectivação, também Javi Garcia demonstrou toda a sua capacidade de entendimento do jogo. 

"Temporização". Seguramente que não é por acaso que o pouco talentoso Javi Garcia é um dos nomes importantes do futebol mundial.

quarta-feira, 12 de Setembro de 2012

Oitenta por cento de posse de bola

A selecção da Espanha bateu o record de posse de bola num jogo oficial de futebol. Oitenta por cento.

Para perceber bem o alcance do feito, pense. Se o jogo tivesse noventa minutos de tempo útil (impossível!), a Geórgia só teria passado dezoito minutos com a bola. Como pode alguém ousar sequer fazer um golo a tal selecção? Só se os espanhóis resolverem atacar a sua própria baliza. De outra forma as probabilidades de vermos Espanha consentir um golo são praticamente nulas. Aquela baliza podia até estar entregue a si. Já pensou?

domingo, 9 de Setembro de 2012

Estás a fazê-lo errado, Capel.

"Esse papel é de outro (sobre marcar golos). O meu é um pouco mais aquele que dá a marcar"

"...nos jogos em que as equipas se fecham mais, é mais difícil entrar pelas alas, pelo que temos de entrar por outro sitio" Diego Capel

Diego Capel teria sido um jogador muito importante no futebol, se tivesse vivido o jogo uma ou duas décadas antes. O epíteto de extremo à moda antiga assenta-lhe bem. Não é um elogio, porém. Ao contrário o que se quer fazer crer. O espanhol desequilibra com aparente facilidade no 1x1, mas segue sempre o caminho onde há mais espaço. O do corredor lateral. Entende que o seu jogo é driblar e cruzar. Jogar um contra um com o lateral adversário e servir o ponta de lança na área. 

Percebe-se pelas suas afirmações que reteve pouco da escola da catalunha. Ainda assim, porque as suas qualidades individuais são bastante interessantes, poderia dar mais ao jogo da sua equipa, se fosse criada uma dinâmica colectiva que aproveitasse o facto de ter facilidade em situação de 1x1 com espaço para correr. Até à data, as tentativas para lhe aumentar o rendimento incidiram sobretudo pela alteração nos espaços que pisa. A troca do corredor esquerdo pelo direito seria interessante e tornaria o seu jogo mais imprevisível se fosse criada a tal dinâmica de conjunto que aliasse movimentos de aproximação a outros de ruptura. Tudo o que parece que foi feito foi apenas um jogar numa nova posição, sem alterações nas dinâmicas. Não raras vezes se vê Capel a ganhar o espaço interior, mas a terminar os seus ataques com cruzamentos, desta vez ainda mais inócuos porque feitos no sentido da linha final.

P.S. - No jogo de Alvalade contra o Rio Ave foi demasiado frustrante perceber que não só Capel, mas quase todos os seus colegas pareciam ter como única preocupação despejar bolas para a grande área, ou rematar de todas as maneiras, feitios e distâncias. Foi o Sporting mais paulosergizado de sempre. Desespero pelo avançar do relógio ou algo mais preocupante?

quinta-feira, 6 de Setembro de 2012

Pedro Franco, pretendido pelo FC Porto


Outrora mencionado neste espaço aqui.

quarta-feira, 5 de Setembro de 2012

Bruno Barreiros



Bruno Machado Barreiros.
01-01-1995
Médio atacante.

Algum de vós conhece? O mail é lebloggers@live.com.pt


segunda-feira, 3 de Setembro de 2012

Rúben Amorim

É português, internacional e cheio de qualidade(s). Com a partida de Javi e Witsel é o melhor médio centro (trinco ou interior) do SL Benfica.

Está emprestado ao Sporting de Braga.

Matic e Carlos Martins para uma época inteira. Não parece que Jesus se possa queixar. Afinal, o seu 4x1x1x4, não precisa de centrocampistas.

domingo, 2 de Setembro de 2012

Nas asas de Salvio e... Melgarejo.


"Numa situação de 1x3. Com a bola junto à bandeirola de canto, sofremos inacreditavelmente o segundo golo". Pedro Caixinha.

Talvez sem intenção de o fazer, o treinador nacionalista acabou por explicar a força do Benfica. A única, no momento, e começa a perceber-se que assim será para a época, força do Benfica. As individualidades.

As individualidades vão ganhar jogos. Na luz em duas jornadas, foram os impulsos individuais que ofertaram os injustos quatro pontos somados. Ganharão o campeonato? Muito dificilmente quando há um rival que às individualidades junta o colectivo. 

Recuperando o comentário do Gonçalo Teixeira ao post anterior "Lembro-me duma célebre frase que uma vez pôs aqui. O Benfica golearia o Benfica e é verdade. Se o Benfica tem tido as transições ofensivas que o Nacional teve na primeira parte, teria goleado de certeza.".

O número de ataques que o Nacional dispôs em situações de 4 ou 5 x 5, 4 ou 3, teriam sido suficientes para uma mão cheia de golos se os quatro ou cinco do ataque fossem Aimar, Salvio, Rodrigo, Enzo ou Cardozo. Continua-se para as bandas da luz a não ver a "big picture". A preocupação com as capacidades de Melgarejo chega a ser patética. Não só porque o paraguaio no momento já nem sequer é um lateral inferior ao que ocupa o espaço do lado oposto, mas especialmente porque o problema do SL Benfica não é individual. Muito pelo contrário. Tal como em Setúbal, voltou a ser um rasgo de Melgarejo a desempatar o jogo. 

O problema do modelo de jogo de Jesus é a quantidade infindável de jogadores à frente da linha da bola. É a desocupação do principal corredor do jogo. O central. A cada perda, seguem-se ataques de enorme potencial de perigo do adversário. Com este modelo o Benfica é absolutamente incapaz de controlar o jogo. A cada minuto pode sofrer golo. Seria muito divertido ver esta equipa na Liga Espanhola.

A partida de Javi não teria de ser tão problemática como previsivelmente se irá tornar. Matic tem mais do que qualidade para preencher a posição. O problema é a ausência de colegas próximos. Repetindo. O problema não é individual. É do modelo que Jesus criou na Luz, e esta caminha para ser a pior versão dos Benficas de Jesus.

As individualidades.

Witsel. É melhor 6 que Javi Garcia. Todavia, é demasiado importante para passar o jogo (processo ofensivo e defensivo) todo atrás da linha da bola. Não pode ser ele o trinco do SL Benfica. Não pelo que dá na posição, mas pela imensa falta que faz noutros espaços. Também pela sua ausência o Benfica nunca entrou no bloco nacionalista na primeira parte.

Salvio. Para ser franco não recordava um Salvio tão capaz de desequilibrar. Tem sido o melhor jogador do Benfica na presente temporada. Impressiona bastante a facilidade com que ultrapassa quase sempre o adversário directo, obrigando desde logo a um desposicionar do adversário. Têm sido os impulsos individuais do argentino a empurrar o Benfica para os golos.

Melgarejo. É mais talentoso, tem mais técnica, mais velocidade e mais inteligência que Maxi. Por diversas vezes mostrou um conhecimento bastante aprazível da posição. Não foi somente uma vez em que foi Melgarejo a acorrer ao corredor central evitando que um adversário se isolasse perante Artur. Ofensivamente é a par de Salvio quem mais tem desequilibrado as defensivas adversárias. O futebol do Benfica tem imensos defeitos. Contudo, nenhum passa pela qualidade do seu lateral esquerdo. Mesmo em formação, já é uma mais valia. Depois de Witsel, Rodrigo e Gaitán(?!) é quem mais potencial tem para se tornar numa transferência de valores enormes dentro do plantel do Benfica. A lateral. Não a extremo. E neste momento, esta capacidade de Jesus para potenciar a qualidade individual dos jogadores é a única virtude que ainda o faz permanecer no cargo. Porque em tudo o mais Quiqueflorizou-se.

P.S.- Bastaram três jornadas para FC Porto e SL Benfica deixarem para trás a concorrência. Quantas faltarão para o FC Porto se isolar? Se nada mudar no modelo de Jesus, arriscaria afirmar que dificilmente o Benfica passará em ambas as próximas saídas.

No Benfica há jogadores que sabem muito mais que o treinador

"A primeira parte foi muito difícil, mas a entrada do Matic veio dar uma equilibrada no time". Rodrigo

Quinonez. O lateral esquerdo que o FC Porto contratou.

Já havia sido mencionado neste espaço aqui.

Rápido e de boa técnica. Tem potencial mais que suficiente para se tornar em mais uma transferência bem sucedida do FC Porto.

Curioso o percurso daquele que ainda que ignorado pela FIFA, nos convenceu ao primeiro toque na bola. Um ano depois e já internacional A, Óscar seria transferido por uma exorbitância.

sábado, 1 de Setembro de 2012

O estilo pausado e o estilo mais veloz

"Agora podemos optar. Com Salvio e Rodrigo temos mais profundidade e velocidade, quando colocámos o Aimar e o Carlos Martins ficámos com um estilo mais pausado." Jorge Jesus.

Em tempos Jorge Jesus garantia que o trabalho de um treinador incidia sobretudo no processo defensivo. Ofensivamente a sua preponderância seria mais reduzida, havendo mais ênfase sobre as qualidades individuais dos atletas. 

Pelas suas declarações percebe-se que poderá estar a ponderar dois estilos de jogo distintos. A vertigem da velocidade e a paciência do toque de bola. O que Jesus parece ignorar, é que as equipas devem jogar o que jogo dá. E o que o jogo nos dá não se percebe antes do jogo, independentemente do adversário. Percebe-se segundo a segundo, decisão a decisão. Cada situação é uma situação. Por vezes, porque há superioridade numérica em determinado espaço há que acelerar. Outras, impõe-se mais toque, mais paciência. Uma situação ao segundo dez do décimo minuto de jogo pode pedir uma decisão a explorar a profundidade, outra cinco segundos depois pede outro tipo de decisão. Não faz sentido o estilo mais veloz ou o estilo mais pausado. Há que identificar cada situação de jogo, e são as situações de jogo que determinam a acção que cada jogador deve ter em cada momento. Há que ser veloz quando assim se impõe e há que ser pausado quando é isso que se pede.

Aimar não dá um estilo de jogo mais pausado. Aimar dá o estilo que se pede. Diria que mais que qualquer outro colega sabe interpretar quando o jogo deve mudar o ritmo. Se parece pausado, é porque o Benfica passa demasiado tempo em organização ofensiva. Contra imensos adversários atrás da linha da bola, não se pedem correrias.

E se Rodrigo ainda não interpreta com clarividência os momentos em que deve segurar ou ir para cima, tal apenas significa que tem de evoluir na forma como decide a cada instante, e não que deve ficar guardado para um estilo de jogo mais veloz. A Jesus não se pede que escolha o estilo mais pausado ou o mais veloz. Pede-se que escolha o melhor onze. E garantidamente que o melhor onze será aquele que tenha mais jogadores que saibam identificar e colocar em prática a velocidade ou a "pausa" quando o jogo o pedir.

A titulo de exemplo, considerar o jogo do Barcelona pausado é altamente redutor. É pausado quando o deve ser, mas é veloz, muito veloz, quando assim se impõe. Se a cada segundo houver espaço, tempo e condições de sucesso exequíveis para ser explorado o espaço nas costas da defensiva adversária, ninguém terá um estilo de jogo tão veloz como os catalães. Parece pausado? Pois claro, a maior parte do tempo, contra adversários com oito,nove ou dez atrás da linha da bola assim o exige.

Sporting de Braga, José Peseiro e Mossoró

"Agora temos mais e melhor qualidade de posse de bola. É diferente. O Rúben Amorim, o Micael e o Hélder Barbosa só querem a bola no chão." Mossoró.

Conhecemos José Peseiro desde 1998. Estávamos a entrar para a faculdade, e o Pedro, que contribui aqui para o blog, ainda que não de forma escrita, estava no seu primeiro ano de futebol sénior impressionado com o seu treinador, na altura no Oriental. Por Marvila três segundos lugares. É o treinador do quase, dizem. Contudo, depois de partir, o Oriental de três segundos, passou para último. Peseiro seguiu para a Madeira e por lá duas subidas de divisão seguidas e equipa revelação da primeira liga. 

Por todos os clubes por onde passou obteve sempre melhores resultados que qualquer outro. Porém, porque as expectativas talvez tenham estado sempre mais elevadas do que o que o potencial das suas equipas fazia antever, há uma certa descrença sobre as suas capacidades.

O Braga é a primeira grande sensação da nova época. Não pelos resultados, que poderiam e mereceriam ter sido melhores, mas pelas fabulosas exibições. 

Melhor que o Benfica na Luz (reparou como, e ao contrário dos de Jesus, os bracarenses foram sempre capazes de sair a jogar?) e sobretudo muito superior que a Udinese ao longo de todos os minutos dos dois jogos disputados, não viu traduzidas em vitórias a qualidade exibicional exibida.

No Minho, Salvador reuniu o terceiro melhor onze da Liga em capacidade actual (Muito diferente de potencial. Hoje, do meio campo para a frente, nenhum jogador do Sporting, por exemplo, roubaria o lugar a Custódio, Viana, Amorim, Mossoró, Lima(?!) e/ou Alan. E ainda há Barbosa, infinitamente superior a Capel e que no Minho vai ficando pelo banco de suplentes), com a melhor equipa técnica da Liga.

Em Braga já se percebe o tradicional futebol das equipas de Peseiro. O próprio Mossoró (que desequilibrador que tem estado. Notável!), um dos grandes beneficiados pelo actual estilo de jogo não se coibiu de o referir. Se se recordar, o estilo de jogo e as características dos jogadores bracarenses são muito próximos/as daqueles que outrora Peseiro guiou até uma final europeia.

Muita maturidade e muita qualidade no onze inicial do Sporting de Braga. Falta perceber o que Éder ou Michel podem acrescentar pós partida de Lima. Uma certeza, porém. Quem aprecia futebol, ver o Braga jogar é obrigatório. E se FC Porto ou SL Benfica baixarem um pouco a pontuação habitual nos últimos anos, quem sabe se não poderemos ter novo campeão. É algo improvável, mas uma candidatura muito forte ao podium é algo que já não se pode negar.