sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Fifa Puskas Award. O golaço de Neymar.





A análise não pretende de forma alguma desvalorizar o enorme golo que o brasileiro obteve. Apenas tecer algumas considerações sobre o grau de dificuldade que enfrentou Neymar, relativamente ao grau de dificuldade que teria de enfrentar num contexto diferente.

É uma situação de 1x5, da qual apenas o defesa na imagem mais à esquerda parece descartado, pela distância a que se encontra de Neymar.

Com cinco jogadores atrás da linha da bola será normal que Neymar finalize a jogada, depois de apenas driblar um adversário? Tal seria possível em qualquer liga europeia? Muito dificilmente.

A primeira abordagem, do defesa mais à direita, é absolutamente ridícula. Nem sequer chega a incomodar o prodígio. Não lhe tapa o corredor central e corre à toa. Não chega sequer a colocar-se entre Neymar e a sua própria baliza. E se percebe que não daria tempo para tal, então deveria ter vindo a recuar no terreno para trás do defesa, oferecendo cobertura. O médio centro corre atrás, mas sem nunca ajudar em nada. Se o defesa já estava em contenção, o centrocampista não tinha nada de continuar a correr atrás de Neymar procurando pressioná-lo. Deveria, e dava mais que tempo para isso, correr para trás do defesa, para que quando este fosse driblado, estivesse numa situação de cobertura, pronto a sair à bola



O próprio central livre, e ainda antes de perceber que o médio não iria ajustar correctamente o seu posicionamento face ao que a situação de jogo sugeria, deveria ter recuado um pouco mais para uma posição de cobertura, em vez de continuar unicamente preocupado com o adversário directo sem bola.



Acredite que numa equipa que defenda com qualidade, numa situação de 1x5, o portador da bola para ser bem sucedido numa jogada individual, terá de passar pelos 5, e mais do que uma vez, porque após o drible, quem ficou para trás, poderá ter tempo para recuperar para uma posição de cobertura, dependendo da abordagem do colega que ficou agora com o portador da bola.

Neymar tem um potencial tremendo, e num bom modelo de jogo numa boa equipa europeia será bem sucedido. Tem todas as condições para ser um jogador importante na Europa. Porém, se espera vê-lo a ter a notoriedade de Messi ou Cristiano Ronaldo, desengane-se. Será apenas mais um excelente jogador no continente europeu. A anos luz dos candidatos à bola de ouro, porém.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Diz-me quanto rematas que dir-te-ei o critério com que jogas

Não é, garantidamente, linear. Não deixa todavia de poder dar azo a especulações e a exercícios menos rigorosos.

Há quem remate muito porque cria muito. Há quem muito remate porque joga sem ou com pouco critério. Porque joga com a fé própria dos que ainda crêem que o jogo está mais nos pés que na cabeça. 

Foi com um misto de pasmo mas também compreensão que soube hoje que o Sporting é a equipa com mais remates da liga, decorrido que está o primeiro terço do campeonato (dados do site da Liga). 

Pasmo, porque há muito tempo que não se vê um clube com ambições produzir tão pouco, ser tão fraco no processo de construção de jogo ofensivo e de criação de oportunidades. A cada jogo leonino, parece que é o guarda redes de leão ao peito que mais tem de intervir. Compreensão porque há muito que é notória a falta de critério nas acções de vários jogadores leoninos. Muitos remates não significam apenas muito caudal ofensivo. Pode significar, e significa, ausência de critério a definir a jogada. "Pressa" para chegar ao golo, procedendo a tentativas de finalização condenadas ao insucesso por falta de enquadramento óptimo com a baliza.

Recordei os jogos leoninos da presente época e pensei em Labyad. Não se sabe se há de facto ali o potencial que a Uefa lhe adivinha. Por ora, o que é perceptível é que há demasiada falta de critério e incapacidade para tomar boas decisões e ajudar a equipa. Não é na presente época um jogador com valor para incrementar a qualidade do futebol do Sporting, tão pouco para ajudar o clube a sair da posição desconfortável em que se encontra. Os disparates são contínuos, e a ideia que foi ficando das suas acções foi confirmada com a estatística da Liga. O marroquino remata a cada 18 minutos. Com doze remates para apenas duzentos e vinte e cinco minutos de utilização, é muito provavelmente o jogador da liga que percentualmente mais recorre ao remate. Das suas doze tentativas, três conseguiram chegar à baliza. Alguma delas com perigo? Honestamente, não recordo nenhuma. 

Há não muitas épocas queixava-se Paulo Sérgio da sorte. Estatisticamente ninguém rematava mais que a sua equipa. Se a ideia for continuar com o mesmo "álibi" para o insucesso, é soltar Labyad lá para dentro e no final lamentar o infortúnio de que quem remata sem critério, perdendo sucessivamente a posse, não tem a felicidade de fazer golos...

Não são tempos fáceis para entrar na equipa leonina. Todavia, quanto mais rápido Vercauteren separar os homens dos miúdos, mais rápido poderá chegar ao sucesso.

P.S. - Demasiadas vezes a necessidade urgente de ganhar o próprio espaço, leva bons jogadores a pensar que mostrando-se um pouco mais a nível individual se estará mais próximo de entrar regularmente na equipa. A juventude de Labyad não será "boa conselheira", mas há que trabalhar o miúdo.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Contenção e cobertura defensiva. Uma sessão de treino planeada por José Mourinho.

O jogo para chegar ao objectivo pretendido.







E a surpresa da Liga é... Matic

Surpresa?

Não tanto assim. Surpresa foi vê-lo de 15 a 17 de Julho de 2011, nas primeiras aparições ao serviço do SL Benfica, no torneio do Guadiana.

"Prémio Revelação. Matic. Dificilmente será muito utilizado, e porventura até bem sucedido no modelo de jogo de Jorge Jesus. Apesar da morfologia falta-lhe a imponência tão característica de Javi Garcia, e tão determinante na posição 6 das equipas de Jorge Jesus. Não tendo a mesma disponibilidade física e capacidade de se impor nas primeiras bolas como Javi, será sempre uma segunda opção para uma posição que, tão pouco é a sua de origem. Revelou, contudo, ser um jogador com uma capacidade técnica bem invulgar para atletas com tal morfologia. Fantástica a forma como recebe e passa, sempre de cabeça levantada. Seria uma mais valia em qualquer modelo de jogo que incluísse alguém a ocupar espaços mais próximos do trinco. A capacidade para sair a jogar é notável." Aqui


Desde o primeiro momento que o potencial se adivinhava. A Matic faltava sobretudo aprender e evoluir, no que é possível evoluir desde que bem orientado. O posicionamento e importância do trinco no modelo de Jesus é bastante peculiar. Nada de extraordinariamente difícil, ainda que exigente em termos de concentração e reactividade. 

Hoje, que Matic conhece a posição e é um jogador bem mais reactivo quer na ocupação do espaço, quer na forma como sai ao portador da bola, é justo que se fale num "upgrade" relativamente ao passado. Se defensivamente dificilmente o sérvio conseguirá atingir o nível de Javi Garcia (falhando, contudo, apenas por pormenores como a imponência e controlo da sua zona de acção), é já possível, pelo deve e haver, considerar que Matic acrescenta mais ao SL Benfica que Garcia. A sua qualidade de passe é tremenda e acrescenta um nível que a transição ofensiva encarnada nunca conheceu com Javi. Num segundo já recuperou e serviu o extremo para mais uma saída rápida com espaço e tempo para contra atacar. O seu passe rasga corredores e sectores. Transforma demasiadas vezes situações contra dez adversários, em situações contra somente quatro atrás da linha da bola.

Uma surpresa, pois, pela competência defensiva que adquiriu. Contudo, o potencial sempre esteve todo lá. Naquilo que não se pode melhorar de sobremaneira já o sérvio demonstrava ser competente (qualidade técnica). Em tudo o mais, feliz por ser mais um a encontrar um treinador capaz de o integrar num modelo de jogo bem definido que potenciou as suas capacidades para um nível elevadíssimo. 

É o jogador mais importante do actual Benfica. Porque, não apenas porque não há concorrência, mas muito pela qualidade que mostra a cada jogo. 

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Porque é que o Sporting não consegue ganhar a equipas cuja organização colectiva lhe é semelhante, se até tem melhores jogadores? E o derby. Estará perdido à partida?

A questão é que pelo estatuto que tem, o jogo será, mesmo em termos tácticos, sempre mais difícil para os jogadores do Sporting, que para os seus adversários. 

Enquanto que quem defronta os leões encontra sobretudo, ou demasiadas vezes situações contra 5,6 jogadores atrás da linha da bola, o Sporting enfrenta situações com mais adversários atrás da linha da bola. Logo situações mais difíceis de resolver. 

Um a um, individualmente, é seguro que os jogadores leoninos são melhores que os do Moreirense, ou qualquer outra equipa que por agora esteja próxima na classificação. A questão é que os jogos são mais difíceis de resolver para os jogadores do Sporting do que para os seus adversários, e para além de todos os defeitos defensivos do Sporting (individuais e colectivos) que tanto aqui temos abordado, também ofensivamente os jogadores leoninos não se mostram capazes de resolver as situações (com muita oposição) que enfrentam jogo após jogo. 

E esta é a razão pela qual o Sporting, com uma estratégia adequada não tem de entrar perdedor no derby. O jogo será garantidamente mais difícil para o Benfica que para o Sporting. A questão é perceber se os de vermelho, ainda assim, mostrarão mais qualidade enfrentando situações contra dez atrás da linha da bola, que os leões contra apenas quatro, cinco ou seis. 

Basta relembrar o derby de Alvalade da época passada para o perceber. 

domingo, 25 de novembro de 2012

Super FC Porto, super James.

Aparentemente apenas um longo infortúnio físico de James poderá impedir o FC Porto de se sagrar tricampeão em Portugal. A versão 2012/2013 de Vitor Pereira tem se apresentado a um nível estupendo. Uma qualidade de posse de bola extraordinária, e sempre em espaços de potencial perigoso enorme. 

É uma equipa competente defensivamente (qualidade individual e colectiva em todos os sectores) em todos os momentos. A facilidade com que James recebe e sempre com imensa qualidade entre sectores faz toda a diferença. O colômbiano mostra a cada toque na bola que é jogador de nível mundial. 

Peseiro definiu bem o actual FC Porto. "É uma equipa que tem um grande jogo interior".

Há uns anos atrás, reclamava para os seus, Jesus, um futebol atrativo como o Barcelona. Na presente época, e mesmo que a pontuação ainda não espelhe a diferença na qualidade de jogo de uns e outros, é o FC Porto quem encanta. 



Luisão. Um dos centrais mais rápidos da Liga.

Há uns bons textos atrás comparávamos Bruno Alves a Marcos Rojo. De forma bastante simples, afirmámos que um não tem a mínima noção do que faz em campo, enquanto que o outro sabe o que deve ser feito, mas é demasiado lento a reagir mentalmente.

"...Bruno Alves é diferente. Tem imensas virtudes, mas tem também um defeito grave que o impede e por muito, de entrar na galeria dos grandes defesas centrais europeus. É demasiado lento. Não lento na passada, mas lento no que mais importa ser rápido. Na leitura das situações de jogo, o que naturalmente lhe retarda as acções. Bruno Alves demora a perceber o que o jogo pede. Ele sabe, ocupa o espaço, mas perante situações que fogem ao padrão normal as suas respostas são demasiado tardias." Aqui.

Hoje, apresentamos por video, o exemplo de um central que sendo lento na passada, é rapidíssimo naquilo que mais convém ser rápido. Nas respostas posicionais a dar a cada situação de jogo. Mesmo nas mais inesperadas. 

video


Repare como quase de forma intuitiva, pela velocidade extraordinária a que o faz, Luisão anula um ataque de enorme perigo do adversário. Pense. Qual seria o comportamento da maioria dos centrais da liga perante tal situação? Defender o adversário mais próximo da baliza, ficando uma situação de 2x2, com o avançado do Olhanense a poder receber a bola bem próximo da baliza adversária. Num centésimo de segundo, Luisão transforma a situação em 1x2. Bastante bem também Garay a adaptar o seu posicionamento à decisão do seu capitão. Assim que Luisão pega no portador, Garay baixa um pouco para cobertura. E de repente o jogador mais avançado do Olhanense passa de uma situação de poder receber a bola em excelente posição, para não a poder receber de todo. E ter de voltar para trás, para sair do fora de jogo, acaba por impedir até que seja possível uma desmarcação de ruptura.

Pequenos pormenores no comportamento de uns e outros jogadores que fazem a diferença e que explicam, tantas vezes, resultados.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Suceder a Mourinho

Deve ser terrível. Aqui

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Da Uefa Champions League ao Brasileirão







A primeira imagem foi retirada de um jogo de equipas de nível médio da Liga dos Campeões (SL Benfica x Celtic), a segunda de um jogo do campeão brasileiro (Fluminense x Cruzeiro).

Sensivelmente no mesmo espaço 20 jogadores na primeira imagem, 11 na segunda. Poderia a exigência ser mais diferente? Espaço é tempo. Mais espaço, mais tempo, mais fácil, mais sucesso. Percebe a diferença táctica de um nível para o outro?

No Brasil joga-se com o talento. E é só. Tacticamente as equipas são inexistentes.

"Agora o treino é jogo e o jogo é jogo" Elias

É bem possível que todas as especulações que foram sido feitas ao processo de treino do Sporting, estejam bem próximas do que foi realmente acontecendo. Não é só a ausência de equipa em Alvalade. São os sinais que chegam das declarações de imensos jogadores.

Já foram inúmeros os posts publicados a sugerir a importância desmesurada que o jogo deve ter no processo de treino (não entenda por jogo, apenas o formal 11x11). Sem jogo no processo de treino, não é possível desenvolver para níveis elevados a performance de uma equipa. É no e pelo jogo que testamos, corrigimos e evoluímos. Para além de todas as considerações que sempre fizemos à sua importância metodológica no processo de treino, as afirmações de Elias deixam também escapar outra (para bom entendedor).

Você, juntaria os amigos para fazerem filas para rematar à baliza?

Quem conseguirá estar de corpo e alma num projecto quando treinar é um suplicio. Um sacrifício decorrente da profissão e não uma actividade que se faz por prazer? Por mais que se seja profissional...

Vai aumentando a expectativa sobre as capacidades de Vercauteren. Veremos que ideias terá o treinador leonino para nos apresentar. E, por favor, que não volte o 442 clássico rígido em poucas linhas do jogo um.

Sobre a periodização. Que modelo a seguir quando a modalidade é colectiva? Algumas citações de José Mourinho. E ainda a oposição no processo de treino. Actualizado.

Muitos são os treinadores de modalidades colectivas que ainda seguem os modelos convencionais ou as adaptações que decorreram da original periodização de Matveev. Pensar que numa modalidade colectiva se deve traçar o caminho em função da componente física é ainda muito comum.

Esquecendo-se, todavia, que numa modalidade colectiva "...A equipa pode estar bem fisicamente e não jogar bem. O estado de forma é algo muito mais complexo do que a forma física”. (Faria 2011).

Sobre o seu planeamento, afirmou em tempos José Mourinho "Às sextas feiras treinamos a defender, aos sábados treinamos o ataque. Aos domingos, treinamos a transição da defesa para o ataque. Às segundas, treinamos a transição da defesa para o ataque e, às terças treinamos os livres."


Ainda outras afirmações interessantes do treinador do Real Madrid e do seu adjunto, Rui Faria.

"Contrariamente aos outros, não considero a estabilidade numa equipa como factor para que o conjunto tenha sucesso. Uma equipa tem de ser ensinada de forma correcta pelo treinador, para que possa jogar à imagem dele e para saber desempenhar a sua função suficientemente bem para a executar de olhos fechados - e isto não implica ter as pessoas a trabalharem em conjunto durante anos. Trata-se de o treinador fazer as coisas certas, de trabalhar arduamente e de as sessões de treino serem proveitosas

"Quando estamos há quatro meses a trabalhar no 4x3x3 e há quatro semanas a trabalhar no 4x4x2, só numa situação muito pontual poderei fugir disto, colocando em campo um terceiro central ou mais um avançado." 

"No "flash interview" ouvi falar de quebras físicas e logo dei por mim a pensar que a minha cruzada vai ser mesmo difícil. É que não consigo mesmo que se perceba que isso não existe. A forma não é física. A forma é muito mais que isso. O físico é o menos importante na abrangência da forma desportiva. Sem organização e talento na exploração de um modelo de jogo, as deficiências são explícitas, mas pouco têm a ver com a forma física". 

"Por exemplo, há dez anos, o Eusébio era treinador de guarda redes do Silvino no Benfica. O Eusébio colocava a bola à entrada da área e rematava com o intuito de treinar o guarda redes. O problema é que o Silvino não conseguia treinar porque as bolas entravam todas na baliza. Ele simplesmente não treinava porque os remates eram descontextualizados daquilo que é o jogo. Quando trabalho a finalização dos meus jogadores, coloco-lhes oposição, porque é isso que acontece no jogo. Ou seja, antes de rematar, os meus jogadores tiveram adversários pela frente." 

"Eles não têm de correr uma única volta ao campo, mas mesmo assim, estão mais cansados no fim da sessão do que estavam anteriormente. Todos os dias preparo os exercícios, a sua duração, o tempo de repouso entre os exercícios. Penso que eles começam a perceber a especificidade do treino. Os bons jogadores adaptam-se facilmente." 

"No campeonato, quero jogar sempre igual, seja qual for o rival. A minha ideia é ter um padrão de jogo definido, capaz de jogar de olhos fechados. Na liga portuguesa, poucas vezes vamos defrontar equipas superiores a nós" 

"Não acredito nos sistemas de jogo que têm a sua origem no gabinete, na reunião, na palestra com os jogadores. Acredito no treino, na explicação, na repetição sistemática." 

"... não temos tempo para treinar aquilo que é fundamental para nós, quanto mais para treinar coisas que não fazem parte da nossa forma de pensar o treinoportanto elas não fazem parte da nossa natureza mesmo que tivéssemos tempo e que fique bem claro que elas não existem na nossa forma de treinar!" Rui Faria

"Para nós, a adaptação concreta a partir das situações de jogo permite direccionar muito melhor a preparação do jogador, tendo em vista a competição. A questão é esta: cada um opta pelo caminho que está mais direccionado para o seu objectivo final. O nosso é colocar a equipa a jogar segundo o nosso modelo de jogo.” Rui Faria

Citando um comentário na última caixa de comentários, sobre o que o treinador leonino supostamente pensava que poderia ser a sua época "...Supostamente a partir do 1º terço do campeonato o Sporting mostraria a sua pujança.", fica a questão. Afinal por onde caiu o Sporting? Foi pela capacidade física? Compare-se os últimos posts com imagens dos jogos de Sporting, FC Porto e SL Benfica, e perceba-se a organização táctica de uns e outros. Ter Rojo mais rápido e mais resistente faria como que o argentino deixasse de se deslocar para a linha lateral em perseguição de um adversário, abandonando o centro do jogo? 

"Nesta fase do campeonato a minha equipa já decidia com perfeição o que deveria fazer e neste esquema, o Costinha foi um jogador fundamental, com decisões sempre acertadas. Portanto, quando se dizia que nós estávamos melhor preparados fisicamente que os outros, ou até que a nossa preparação era diferente, eu sempre respondi que não se tratava nada disso..."  José Mourinho.


terça-feira, 20 de novembro de 2012

Treinar só jogando. De Sá Pinto a Vercauteren.

"Agora fazemos muitos treinos com alta intensidade, com muita bola e pequenos jogos competitivos." Schaars. 

Então, com Sá Pinto era tudo à Educação Física da década de 80? Circuitos, filinhas com fartura e exercícios estritamente técnicos?

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Fluminense. Campeão do Brasil 2012. Post 1.










Referências individuais do post 1.

1. Diego Cavalieri. Várias exibições verdadeiramente assombrosas do ex guarda redes do Liverpool. É um gigante na baliza e rápido a sair ao chão fora dela. O flu é à data a defesa menos batida da prova e Cavalieri é a titulo individual o grande responsável pelo facto. Inúmeras foram as vezes em que teve de intervir compensando o habitual mau posicionamento colectivo dos defensores do tricolor.

2. Carlinhos. Tipíco lateral brasileiro. Velocidade, força e qualidade técnica. Dinamiza com qualidade o seu corredor. Com tanto espaço que sempre há para jogar, destacam-se sempre no brasileirão os laterais com atributos físicos e técnicos relevantes. 

3. Jean. Em 2008 passou de suplente na Liga Vitális (Penafiel) para titular do gigante São Paulo. Joga a passo, sem qualquer intensidade. Todavia, a sua qualidade técnica e capacidade para definir, quando tem espaço para o fazer é notável. Peça determinante no meio campo do Fluminense, sobretudo na fase ofensiva do jogo.

Zlatan Ibrahimovic. Um dos melhores de sempre.

A sua influência bem expressa aqui

Outrora apelidado no "Lateral Esquerdo" de "one man show", pela sua influência em todos os momentos do jogo da sua selecção aqui.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Outra vez James Rodriguez. E porque difere tanto de Carlos Martins? Actualizado.

Jogar para si ou para a equipa?





James apesar de muito jovem já joga a um nível estratosférico. Soberbo tecnicamente, tem mil e uma formas de receber e enquadrar mantendo sempre a bola colada ao pé. É rapidíssimo a perceber o jogo e sobretudo joga com a linguagem corporal dos colegas. Sabe o que eles pedem e tem qualidade para os servir da forma mais ajustada a cada situação.


Consegue imaginar a tomada de decisão de Carlos Martins na presente situação? O português que ocupa espaços parecidos ao colombiano tem sempre a mente no espaço e é inegável que encontra demasiadas vezes óptimas possibilidades para servir os colegas em tais situações. Porém, é muito raro encontrá-lo a jogar com o que a linguagem corporal do colega pede. Sempre que vislumbra "uma aberta" na defensiva adversária, bola para lá. Mesmo que ninguém esteja em condições (pelo movimento anterior) de receber a bola no espaço que idealizou. James não. É diferente. Joga de cabeça levantada e procura sempre o êxito colectivo, mesmo que tal signifique um passe aparentemente banal. Martins nesta situação a dar a bola no pé? Só se fosse com bola picada por cima do adversário, dificultando a recepção ao colega, obrigando-o a perder tempo precioso para se isolar...

P.S. - Naturalmente que com uma desmarcação diferente (movimento horizontal ao longo da linha defensiva) de quem faria golo, o lance pediria bola no espaço aberto isolando no corredor central o colega. Mas, não foi ai que Cuadrado pediu a bola, e nisso James não tem responsabilidade.

Adenda. Repare no número de jogadores que a tabela de James deixou para trás. De X contra 7, passou para X contra 3. Numa única acção.

Por vezes mesmo a mais espectacular das técnicas falha...

Ao ver os cinco passos tão coordenados para trás e os três pulinhos para o lado nunca me passou pela cabeça que não fosse golo. Uma técnica tão espectacular... por favor, não me digam que os pulinhos é só mariquice e que não contribui de forma alguma para o sucesso


quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Manchester oferece 162 mil semana a James Rodriguez

E oferece muito bem que aquele pé esquerdo e aquela cabeça merecem tudo.

Ainda que bastante jovem, James é de uma maturidade incrível. Fabuloso na procura incessante de linhas de passe, o colombiano está sempre em jogo. Uma tomada de decisão muito acima da média, e uma criatividade ímpar, conciliada a uma capacidade técnica extraordinária, que lhe permite receber, enquadrar e dar seguimento às bolas que lhe chegam aos pés, mesmo quando o espaço é diminuto fazem de James não só o mais importante, como também o melhor jogador, a larga diferença de todos os outros, da Liga portuguesa.

Talvez seja precisamente a sua criatividade e capacidade para jogar entre sectores de que o Manchester de Ferguson carece. É importante, todavia, que o colombiano perceba o que se espera dele, numa possível transferência. James é demasiado bom para se cingir ao duplo pivot de centrocampistas do United, e demasiado inteligente e criativo para ficar preso ao corredor lateral. Seria interessantíssimo, todavia, poder ver do mesmo lado Rooney, Van Persie, Nani, Cleverley e James. Numa liga onde tantas são as equipas que continuam a dar demasiado espaço entre defesa/meio campo, James teria tudo para continuar a dinamitar as defesas adversárias, tal como o vai fazendo a cada jogo da Liga portuguesa.

domingo, 11 de novembro de 2012

442 Losango do FC Porto.













Notas curtas.

Não há avançado direito. Porém nunca faltam linhas de passe sobre o lado direito ao portador. É possível que a troca de Lucho por Moutinho ao intervalo, se deva à tal necessidade do interior direito fazer mais km para oferecer linhas de passe diferentes.

James oferece-se sempre para receber no espaço entre sectores do adversário, no corredor central. A sua qualidade técnica assombrosa permite-lhe receber com qualidade mesmo em espaços curtos. É um inteligente e sabe sempre quando procurar o pé ou o espaço à frente dos colegas. Desequilibra totalmente o jogo. Pelo espaço que pisa e pela qualidade que oferta quando recebe.


Mecanizadíssimos os médios portistas no momento defensivo. Sempre contenção / cobertura e o terceiro elemento (Lucho ou Moutinho) a oferecer equilíbrio e pronto a sair à bola se esta rodar para outro espaço. 

Jackson não terá tocado mais de 5, 6 vezes na bola em todo o jogo. É a James que cabe receber a bola à frente da defesa. O avançado não entra na primeira ou segunda fase do jogo. Não participa a construir ou a criar, mas logo que a bola entra no bloco adversário mostra-se exímio na movimentação.

João Moutinho, Lucho e Defour (Fernando). Excelente capacidade de passe e primazia pela circulação da bola. Com James são todo o centro da equipa. São as linhas de passe que oferecem (sempre em redor e próximas do portador) que fazem a equipa progredir de forma apoiada. Defour é menos agressivo que Fernando, mas mostra-se também totalmente integrado do ponto de vista táctico. Inteligência é a palavra que define o meio campo do FC Porto.

P.S.- Há um erro na imagem 6. Um avançado no corredor esquerdo, outro no central. Assim é que está correcto.

sábado, 10 de novembro de 2012

FC Porto. O fabuloso James, as permutas com Lucho e a arte de bem defender.

Primeira parte do FC Porto x Marítimo.











Para onde acelera Otamendi?

video

Para a cobertura (entre o colega e a sua baliza), pois claro.