segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Pode um passe certo ser um passe errado?

Por video a demonstração do quão pernicioso poderá ser valorizar em demasia dados estatísticos quando o tema é futebol. E por video a demonstração, porque apesar de ser um lance único, é uma situação que se repete inúmeras vezes, de que o espanhol Rodrigo é não mais do que banal quando não joga como o jogador mais avançado da sua equipa. A sua tomada de decisão é bastante sofrível. Joga um jogo apenas seu sem nunca perceber a linguagem corporal dos colegas que o rodeiam. Imagina Cardozo a não colocar aquela bola onde André Almeida a pedia?

video

domingo, 30 de dezembro de 2012

Treinar só jogando. Take cinco mil quinhentos e trinta e dois...


É bem possível que sejam pouquíssimos os treinadores que considerem o jogo como uma forma de chegar ao que pretendem. Há treinadores que não sabem sequer o que pretendem. 

Centrando-nos nos primeiros. Não basta transmitir oralmente o que se pretende. É decisivo criar-se situações no treino o mais próximo possível da realidade do jogo, com condicionantes que potenciem o máximo de repetições daquele que é o objectivo principal.

E para aproximar o treino da realidade do jogo só há uma hipótese. Jogar. Ter oposição, ter um critério de êxito próximo da realidade do jogo (seja o golo, seja o chegar com a bola dominada a determinado espaço), e considerar sempre pelo menos dois momentos do jogo (organização / transição). 

Jogar com inferioridade / superioridade numérica pode eventualmente ser interessante, como forma de promover mais repetições de determinadas acções em determinados espaços, e de dar sucesso ao(s) grupo(s). Defender as transições ofensivas com inferioridade é sempre interessante (jogando com as posições dos jogadores que defendem. Por exemplo, defendem apenas centrais, trinco e lateral do lado oposto onde a bola foi recuperada, obrigando-o a "fechar" muito rapidamente), para que se percebam os posicionamentos a adoptar em função do (escasso) número de jogadores atrás da linha da bola, desde que se limite o tempo de ataque.

Exemplo de uma possível situação de treino, já vista aqui.


Aspectos a ter em conta:

Momentos do jogo a trabalhar
Objectivo geral
Objectivo específico
Critério de êxito
Estratégia para o uso de feedbacks
Tempo
Material

Exemplo

Momento do jogo: Organização e Transição ofensiva.

Objectivo geral: Tomada de decisão no processo de construção de jogo ofensivo em organização. Com e sem bola. Tomada de decisão na movimentação em transição ofensiva.

Objectivo específico: Movimentação do avançado (em organização e em transição) e ligação dessa movimentação com as penetrações dos extremos e médios. Timing para soltar a bola em situação de transição (vantagem numérica).

Critério de êxito: Número de desequilíbrios conseguidos pela movimentação do avançado. Mesmo quando não tocando na bola, permitiu espaço para os colegas desequilibrarem. Número de linhas de passe diferentes (sobre a sua direita e esquerda) que o portador da bola tem a cada instante. Em organização não explora apenas a profundidade, mas também baixa para apoio frontal, arrastando marcação e permitindo a entrada do extremo do corredor oposto ao da bola na zona entre central que fica e lateral. Dá linha de passe sobre o exterior se estiver próximo do extremo, permitindo as penetrações de um interior na zona do avançado. Em transição desmarca para o corredor da bola, enquanto o extremo conduz na direcção do corredor central, fixando o defesa antes de tomar a decisão.

Forma: GR+8x10+GR. (Ataque organizado x Transição ofensiva).

Condicionantes. Ataque organizado joga com 2 centrais, sempre no meio campo defensivo. Trinco, médios interiores, extremos e avançado. Só os centrais e trinco do ataque organizado defendem. Ataque organizado depois de recuperar a bola, tem de fazê-la entrar no seu meio campo defensivo, permitindo a reorganização defensiva da equipa da transição. Na equipa da transição os extremos e o avançado não defendem. A equipa da transição tem 10 segundos para finalizar após cada recuperação de bola.

Feedback: Direccionado somente para os objectivos específicos. Utilizado como reforço. Prescritivos e descritivos.


Por aqui, crê-se que mais de oitenta porcento do êxito (expectativa realista / resultado obtido) passa pelo trabalho de campo, durante a semana. O fim de semana é para divertir. 

Post de Outubro, recuperado agora com video de alguns momentos de uma sessão de treino do Paços de Ferreira de Paulo Fonseca.


Cordas! Tragam as cordas!

Há uns anos atrás, era o Liverpool de Rafael Benitez uma das equipas mais competentes defensivamente da Europa, o treinador espanhol exemplificou numa formação de treinadores em Inglaterra um exercício pouco ortodoxo a que por vezes recorria quando pretendia ensinar o posicionamento defensivo. Sobretudo aos seus defesas, mas também aos médios. Recorde que o Liverpool jogava em duas linhas bem rigidas de 4, quando se sagrou campeão europeu. 

Bastante curiosa a forma como Benitez ajudou os seus defesas a perceberem os seus conceitos defensivos, nomeadamente a distância a que deviam jogar uns dos outros. Contou Benitez que em alguns treinos levou cordas e amarrou os 4 defesas na mesma corda, a um distância um dos outros pré-definida pelo treinador espanhol. Sempre que um se movia, todos os outros eram puxados e obrigatoriamente tinham de definir o seu posicionamento em função dos colegas. Não havia a minima possibilidade de alguém se perder ou afastar em campo, porque acabava arrastado pela corda.

Vercauteren não vai mudar a dupla de centrais. Importava atá-los para estancar a enxurrada de golos que a equipa sofre e continuará a sofrer jogando com as peças nocivas. Nocivas por não terem a miníma noção do que fazem no campo de jogo.

Se ontem, jogassem atados, mantendo a distância entre eles, não teriamos a equipa a deslocar-se para o lado da bola e um dos seus elementos do corredor central a olhar para o lado contrário e a ficar preso ao segundo poste. 

Aqui fica um posicionamento alternativo. Teria sido obrigatório se os elementos da defesa leonina estivessem de facto atados e consequentemente obrigados a manter as distâncias entre si. E curiosamente teria sido suficiente para naquele determinado momento, manter as redes de Patrício invioladas.






Vercauteren não tem sido capaz de corrigir colectivamente muitos dos problemas do Sporting. Mas mesmo que o consiga fazer, bastará alguém perdido numa zona tão importante do campo para a todo instante a sua equipa estar em risco. Urge evoluir colectivamente, como urge afastar quem coloca em risco todos os ganhos que a equipa possa obter. Não o percebendo só aumentará a frustração de toda a gente. Só o treinador leonino pode mudar a situação do clube.

sábado, 29 de dezembro de 2012

Bayer Leverkusen. Ao cuidado de Jorge Jesus.


Equipa tipo: 1. Leno  (GR); 20. Carvajal (def.dto);  21 Topral (def.cent) 4. Wolscheid (def.cen) 14. Osogai (def.esq); 3. Reinartz  (Trinco), 6.  Rolfes (interior esq), 8. Bender (Interior dto); 9. Schurrle (10); 27. Castro (av. Dto), 11. Kiebling (av.Esq)

Outras opções. 2 Schwaab (def dto), 24. Kadlec (def esq), 7. Junior Fernandes (av), 38. Bellarabi (av dto); 13. Hegeler (int esq)

Sistema tactico: 442 Losango

Estilo: Saídas muito rápidas para o contra-ataque. Equipa muito mecanizada, mas com pouca criatividade.

FASE DEFENSIVA:

Em 4X3X3.
Pressão começa próxima da linha do meio campo. Os avançados cortam linhas de passe, convidando a passe vertical entre ambos. Quando o passe sai o interior do lado da bola é muito reactivo, não deixando quem recebe enquadrar. É a zona do campo onde o Leverkusen consegue mais recuperações e onde inicia mais contra ataques, que são a sua forma preferêncial de chegar ao golo.
Interiores saiem aos laterais, ou a passe vertical entre os avançados. Trinco dá cobertura, e interior do lado contrário dá o equilíbrio. Avançado do lado da bola recua para trás da linha da bola quando está próximo. Defesa sempre subida e junta, mesmo quando não há pressão sobre o portador.

Tendências defensivas








 


















FASE OFENSIVA:

Em 3x5x2 em organização.
Laterais muito subidos, Schurrle a “10”. Há uma notória tendência de procurar a todo o instante Schurrle no corredor central. Os 3 de trás, vão trocando a bola esperando linha de passe para o “10”. Esporadicamente saiem pelo lateral. Pressionados jogam directo em Kiebling. Se Schurrle consegue enquadrar depois de receber há movimentação de ruptura dos avançados. Em dois passes o Leverkusen pretende eliminar 10 adversários da jogada. E consegue-o sempre que Schurrle enquadra e a linha defensiva não reaje (baixando para controlar a profundidade ou subindo para deixar Castro e Kiebling em fora de jogo). Quando a bola entra no lateral, movimento pré-definido do avançado do lado do lateral a desmarcar para o corredor lateral para dar linha de passe sobre o exterior. Se arrasta marcação, aclara espaço para Schurrle voltar a receber no espaço à frente dos centrais.
É nas recuperações altas que o Leverkusen consegue os ataques mais prometedores. Recuperam e saiem rápido com os três da frente. Se a bola vem do jogador mais à esquerda dos três, o do meio (geralmente Kiebling) desmarca em ruptura no sentido de onde vem o portador da bola. Se arrasta marcação, Castro (no outro lado) fica só para receber e finalizar.


Tendências Ofensivas

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Bolas Paradas













 






REFERÊNCIAS INDIVIDUAIS

4. Wollscheid Muito alto. Central muito seguro. Muito forte na primeira bola se esta for direcionada para a sua zona.

14. Hosogai Lateral muito dinâmico. Dextro, que por vezes joga no corredor esquerdo. Revela lacunas no jogo aéreo quando bola cruzada para o segundo poste.

3. Reinardtz. Trinco. Jogo sempre em coberturas. Capacidade de passe vertical muito forte. Procura constantemente Schurrle.

6. Rolfes. Capitão. Médio interior esquerdo. Também pode jogar a trinco. Excelente compleição e disponibilidade física. Pouca criatividade mas boa capacidade de passe. Muito dinâmico defensivamente na ocupação e na forma como pressiona.

8. Bender. Médio interior direito. Grande capacidade de passe. É com Reinardtz quem mais serve Schurrle, quando baixa para receber. Quando há espaço para o portador, não se coíbe de procurar receber na profundidade. Muita disponibilidade física.

13. Hegeler. Médio interior esquerdo. Habitual suplente. Primeiro a entrar quando alguém do meio campo sai. Muito reactivo e pressionante na recuperação da bola. Fisicamente muito forte e bom na ocupação do espaço.

27. Castro. Muito habilidoso. Joga como avançado direito. É dinâmico e tem boa condução de bola. Jogador individualmente capaz de provocar desequilíbrios
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38. Bellarabi. Avançado direito. Por norma não é titular. Muito rápido e com boa qualidade técnica. Algumas dificuldades em definir bem os lances, mas as suas arrancadas descompensam as defensivas adversárias.

9. Schurrle. É o jogador nuclear da equipa. O primeiro passe é sempre para ele. Joga a 10, atrás de dois avançados. Os colegas procuram-o incessantemente e sempre no corredor central. Sempre que enquadra procura servir na profundidade os avançados. Boa capacidade de remate e condução com velocidade. Sem espaço para enquadrar, o Leverkusen perde metade da sua força ofensiva. A outra metade é resultante das recuperações altas.

11. Kiebling. Muitas desmarcações de ruptura. Quase sempre no sentido de onde vem o portador da bola. Sempre a procurar a profundidade. É a referência para a primeira bola quando a equipa sai a jogar em futebol directo. Em situação de cruzamento procura finalizar ao primeiro poste.