quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Clássico de nível mundial


Tremendo do ponto de vista táctico o clássico.

Dentro daquilo que os seus treinadores idealizam, duas equipas de nível mundial, na ocupação dos espaços. Nas permutas, nas referências para as acções, na velocidade a que se respondem (posicionalmente em conjunto com os colegas) às situações que mudam a cada segundo.



E se podemos classificar de nível mundial os comportamentos colectivos de FC Porto e SL Benfica, porque razão o sucesso a nível europeu não tem maior continuidade? Menor qualidade técnica, e de decisão e criatividade nas individualidades comparativamente com os grandes da Europa? Claramente que sim. Mas não só. E talvez não sobretudo por tal diferença. Muito passará pelo estímulo. Remetendo para o post das equipas B. Mais forte será quem mais e maiores estímulos enfrentar. Quantos jogos desta exigência competitiva (sem espaço para jogar, um segundo mais tarde, um metro mais ao lado, e o jogo está perdido) enfrentam FC Porto e SL Benfica a cada ano? Na presente temporada apenas Celtic (na forma como retirou espaço de jogo ao adversário) e Barcelona tinham colocado semelhantes dificuldades aos lisboetas, e Paris SG e Braga aos nortenhos. 

Quando chega a hora de competir contra jogadores/equipas que estão habituados a níveis de concentração altíssimos todo o ano, fim de semana após fim de semana, é natural que quebre por quem enfrenta menor competitividade ano após ano. O que para uns será um esforço maior (mental/concentração/velocidade a reagir às diversas situações) por um jogo diferente, para outros será uma espécie de "just another day at the office".

Talvez mais pela natureza atípica da partida do que propriamente pelas qualidades técnicas dos seus intervenientes, muitos erros técnicos (foi um jogo intenso, apaixonante. Diferente de bem jogado) e risco quase zero dentro do bloco.

E a excelência táctica do jogo e das equipas passa sobretudo por ai. Inacreditável como se consegue jogar em tão pouco espaço. Ter a última linha tão subida e ainda assim não se ser surpreendido com bolas em profundidade nas costas. Em noventa minutos apenas três bolas ousaram ultrapassar as últimas linhas, sendo que duas direccionadas para os corredores laterais (Uma para Defour, outra para Varela e a da perdida de Cardozo).




Natural pela quase total ausência de espaço que emergissem os defesas (todos, os oito, com prestações muito muito boas defensivamente). Muito mais fácil pressionar, não deixar enquadrar e desarmar do que construir em poucos metros povoados por imensas pernas. 

Faltou dentro do "bloco" James Rodriguez. Mostrou-se Jackson. Que qualidade formidável. Foi o único jogador do FC Porto capaz de jogar sem espaço. Segurou todas as bolas, entregou-as quando e para onde devia entregar. Temporizou, escolheu a melhor opção. Enquadrou quando possível. Quando não, também não perdia a posse. No actual modelo do FC Porto mostra-se bastante mais nos movimentos a procurar a finalização. Contra Estoril (Taça da Liga) e SL Benfica, sem James, teve de adaptar-se e participar mais nas fases de construção. Mostrou ser um ponta de lança completo. Extraordinário em todas as fases. Técnica, muita inteligência, qualidades físicas interessantes. A tudo isto alia a excelência como também finaliza os ataques da sua equipa, e é fácil perceber que estamos perante mais um avançado fabuloso no FC Porto.

No SL Benfica, enquanto outros "chumbavam" emergia Matic. Se o nível for constante (e tem sido), é claramente o melhor médio da Liga portuguesa. Sem espaço, tudo o que fez ofensivamente foi brilhante. Não existiu Benfica sem o sérvio. De todas as vezes que o Benfica chegou ao último terço com bola dominada, Matic foi decisivo no início da jogada. Foi sempre o sérvio que desequilibrou o adversário na fase de construção. Foi o único capaz de, não só conservar a posse como construir dentro daquele espaço tão reduzido que as equipas ofereceram para jogar. Não é só a sua óbvia e inegável qualidade técnica. É a inteligência e criatividade que mostra quando tem a bola. Tem uma pequena singulariedade que por norma apenas se observa em jogadores com baixo centro de gravidade. O atrair para soltar. Não é só a qualidade do gesto técnico que faz a diferença quando solta a bola. O timing com que o faz é notável. Não se atemoriza e segura, segura, segura, chama a si um, dois, três adversários e faz a bola seguir pelo espaço de onde retirou os adversários. Fê-lo por diversas vezes. E faz bem Jorge Jesus a não conferir ao sérvio o típico papel de "6" nas suas equipas. Seria um desperdício não aproveitar a criatividade de um jogador desta natureza. É dez vezes mais jogador que Javi Garcia, e começa a incomodar que continuem a perguntar ao sérvio se será capaz de fazer esquecer um jogador que lhe é bastante inferior. 


39 comentários:

João disse...

Muito boa a análise PB! O que achaste que, ou quem, faltou ao Benfica para conseguir ganhar este jogo? AO FCP faltou James, que se tivesse jogado provavelmente decidiria o jogo para eles...

DC disse...

Já tinha referido aqui que o Jackson é fantástico nos apoios. É o melhor ponta de lança que vi em Portugal a receber, segurar e dar a bola, muito melhor que Falcao, por exemplo.

Na altura disseste que só o tinhas visto participar na fase de finalização, mas para quem o vê regularmente e principalmente ao vivo, é um jogador impressionante.
Junta a isso uma capacidade física enorme e um leque de opções de finalização muito alargado. Como é possível só aos 26 anos chegar à Europa?

Anónimo disse...

Concordando com tudo o que disseste....penso que os meio campo de ambas equipas , devido a intensidade a meio da segunda parte, estavam mortos....dai o jogo ter seguido outro rumo....e tambem justificacao do cardozo ter conseguido isolar.se, penso que pela qualidade absurda do aimar, que poderia muito bem ter entrado antes do carlos martins. O porto, tem mais qualidade de posso que o benfica. Os medios conduzem a bola de uma forma mais sustentada. O benfica e mais explosivo.

Estas duas equipas estao a leguas de todas as outras do campeonato,isso e obvio, podendo o braga estar perto, se tivesse maior qualidade tecnica.

Ricardo Lima disse...

Estão a esquecer-se do lance do Toto Salvio que, lançado pelo Carlos Martins, opta pelo remate quando tinha o Tacuara Cardozo sozinho e em boa posição para finalizar (67 minutos).

Ricardo Lima disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
No.Worries disse...

As duas imagens da movimentação dos centrais (primeiro a "baixar" e depois a "subir") mostra bem a sintonia com que as movimentações defensivas são feitas. E não esquecer que sem o capitão Luisão! O que só mostra o excelente trabalho de Jesus com Jardel, que é muito mais do que um supelnte de luxo.
O Matic enche mesmo as medidas de quem gosta deste desporto... está em todo o lado, tem uma qualidade técnica invulgar, e, como aqui já o disse, está a estrear uma nova posição no futebol: um 8 (ou um 10) disfarçado de 6. Jesus pode muito bem jogar com ele à frente de um dos Andrés. Brutal jogador.

Nuno Aleixo disse...

Mais um grande post. Devia ser obrigatório ler o que escreves. Talvez se valorizasse o importante no futebol. O trabalho dos treinadores e dos jogadores.

zdamen disse...

PB,

Tenho uma ideia algo diferente.

Concordo que o Porto esteve à altura do epíteto de equipa de nível mundial. O SLB acho que nem tanto.

Mas acho que não é uma análise fácil de se fazer:

Por um lado o FCP apresentou-se num formato algo diferente, muito porque não tinha James, mas também porque queria contrariar o SLB. Acho que com James disponível, o VP jogaria com o Defour na mesma e prescindiria do Varela. Nunca o saberemos.

Depois, acho que se é verdade que o FCP condicionou a dinâmica (não o modelo) de jogo habitual do SLB, este sempre teve a capacidade de utilizar um formato diferente, o tal jogo directo no Cardozo. Não vejo mal nenhum nisso, aliás é isso que é treinar, liderar uma equipa: aproveitar as suas forças e esconder as suas fraquezas.

Foi aqui que na minha opinião o FCP esteve muito bem: condicionou a alternativa de jogo do Benfica, anulando muito a ligação do Cardozo com o Lima em primeira instância e com os alas.

Posto isto, fica exposta a grande fragilidade do SLB 2012/2013: a inexistência de um transportador de bola (Aimar e C. Martins estão off desta temporada), alguém como o Witsel que viva bem nas duas dinâmicas naturais do SLB, mas que quando tudo o mais falhava conseguia encontrar uma outra alternativa para carburar o jogo ofensivo.

Finalmente, a única coisa que posso apontar ao FCP e ao seu treinador foi, na minha opinião a falta de ambição. Teve sempre o jogo controlado e não quis dar o passo a seguir, assumir algum risco e tentar ganhar. Em defesa de VP, reconheço que o plantel é muito curto...

PB disse...

Nuno, mt obrigado pelas palavras

Ricardo, tens razão! é pq ainda só tive tempo de rever a 1a parte

PB disse...

Nuno, mt obrigado pelas palavras

Ricardo, tens razão! é pq ainda só tive tempo de rever a 1a parte

Pedro disse...

Mais uma lição do mestre PB.

Já reparaste que os elogios a JJ são basicamente os do costume? Excelente ocupação de espaços principalmente nas movimentações defensivas?
Acho que diz tudo.

Percebes onde quero chegar! :)

Anónimo disse...

Ah ótimo...Varela liberta-se da oposição e Jardel e Garay baixam rápido...Muito bom...afinal a mascara caiu e o adversário já serviu como referência para o posicionamento defensivo....

Bruno Pereira disse...

Caro PB, mais uma vez muito obrigado pela lição! Devia realmente ser obrigatório ler o que escreves, pelo menos para os adeptos de futebol. Parece-me que o Benfica podia ter apresentado uma outra dinâmica, com um estilo de jogo que não o direto utilizado na 2ªparte (explicado aqui). Achas que sendo o espaço útil de jogo tão reduzido, mesmo assim, tal seria possível?

Obrigado!

PB disse...

ahahahah espertalhão este anónimo looool

O adversário que tem a bola! Quando se fala em referência: colegas e bola, pensas o q? q se lá tiver uma bola no campo e n houver ng com ela, q interessa? looooooooooooooool mt bom. Com este nível de interpretação/inteligÊncia como queres ousar discutir futebol com quem quer que seja? loooooool

Ricardo disse...

Excelente a forma como explicas a elasticidade da defesa consoante a libertação ou não de um jogador adversário. É interessante rever os jogos também por estes pormenores: a capacidade que Garay tem e Jardel nem tanto (embora neste jogo tenha cumprido) em constantemente abrir ou fechar.

"Natural pela quase total ausência de espaço que emergissem os defesas (todos, os oito, com prestações muito muito boas defensivamente)."

Aqui discordo. O Melgarejo esteve, mais uma vez num jogo grande, em mau plano. Para além das dificuldades ofensivas, destaco dois lances em que se viu a sua (ainda?) fragilidade defensiva: no golo do Mangala - não cumpre a linha defensiva e mete em jogo o jogador do Porto - e num fora-de-jogo mal assinalado ao Defour, em que, afastado da linha dos restantes defesas, mete em jogo 3 jogadores do Porto. Contra o Braga, foi o que foi. Neste jogo, outra vez. Apesar de ter evoluído bastante, ainda está verdinho.

O Jackson mostrou que um ponta-de-lança de grande nível tem de saber fazer muitas outras coisas para além de rematar bem ou ter um fantástico pé esquerdo.

Sobre Matic, tudo dito, tem uma qualidade inegável. Gostava de vê-lo uns metros mais à frente, com alguém nas suas costas - Almeida, por exemplo. É uma pena que tenha de ser o último homem. A qualidade de transporte, a visão de jogo, o remate (que golo!), a facilidade em queimar linhas, excelente nos passes de ruptura, gritam por uma função menos atrelada às exigências defensivas que tem. O meio-campo do Benfica e a normal fragilidade que o miolo tem por estar despovoado mudariam radicalmente se o Matic tivesse um apoio nas costas.

Sérgio disse...

Parabéns pelo Blog e pelo Post.

Pelo que deu para perceber o FCP anulou a dinâmica do SLB, mas ao mesmo tempo anulou-se a ele mesmo já que apenas marcou dois golos fortuitos e sem mais lances de perigo. Quer isto dizer que o Vitor Pereira preferiu anular o adversário mesmo correndo o risco de se anular a ele próprio? Sei que jogadores como o James (concordo com o título de melhor do campeonato) são dificeis de substituir, mas não achas que em equipas desta dimensão e tendo o FCP uma clara supremacia psicologica sobre o SLB, deveriam jogar sempre da mesma maneira e a tentar ganhar o jogo?
Não sei se me fiz entender.
Obrigado

Bernardo disse...

para o pessoal que crucifica o melgarejo no lance do primeiro golo, parece-me que ele fez aquilo foi treinado para fazer. em várias repetições dá para ver que a preocupação não é por ninguém em fora de jogo mas sim ganhar o espaço e o melga arranca antes e dá uma volta por trás para vir atacar o lance de frente. na segunda parte num livre semelhante a movimentação foi igual. por isso penso que a culpa não foi dele, embora circunstancialmente tenha posto em jogo o jogador que fez o golo. sobretudo para uma equipa que defende à zona este tipo de lances, a bola nunca poderia ter percorrido a área toda sem ser interceptada por alguém, nem que esse alguém fosse o guarda redes.

PB disse...

Sim Bernardo o Melgarejo fez o q era suposto fazer, como o Maxi faz do outro lado. O lance resulta sobretudo da ausência de jogador do SLB (era o Jardel no caso) a lutar pela 1a bola (q o Jackson qs toca). É isso que leva tb ao "azar" do Garay. É um lance extremamente atípico a bola bater no chão sem ter sido tocada por ninguém. A falha é na luta pela 1a bola. Onde o Jardel, curiosamente até costuma ser fortissimo.

Sérgio, eu acho que o FCP foi igual a si próprio. Jogou como joga ofensivamente. Apenas pensou um bocado melhor o processo defensivo para anular a construção do sLB. Faltou-lhe quem faz a diferença.

Sérgio disse...

Obrigado pela resposta.

Numa equipa destas, um jogador deveria fazer assim tanta diferença? É o melhor em Portugal, mas não é um CR7 ou Messi...
A qualidade de um treinador não se vê também aí? O JJ por exemplo tem adaptado e adaptado e adaptado. Apenas julgo que o FCP deveria ter jogado melhor ofensivamente (e só não o fez para anular o adversário) já que no restante esteve 5*

Cumprimentos

DC disse...

PB e a escolha de Guardiola? Quanto tempo achas que demora até que Robben e Ribery sejam dispensados? :D

Nº 8 disse...

Utilizando o que alguém lá em cima disse em relação ao Matic: "uma nova posição no futebol: um 8 (ou um 10) disfarçado de 6." , o Mangala foi um 3 ou um 4 disfarçado de 8 ou 10 também. Pela maneira como iniciava as jogadas, como corria com a bola e atraía os adversários para ele. Então aquela que ele ganha a bola em esforço a um atacante do benfica, mete a mota pela ala esquerda, metros antes da linha do meio campo, faz a tabela para o meio com o Lucho (se não estou em erro) e só é parado depoisdo meio campo por mais uma falta do Maxi Pereia é o melhor exemplo disso.

Isto está cheio de "iluminados".

POC disse...

Reafirmo: JJ out, PB in.
Mozer a adjunto, não vá o PB vacilar ali ao pé de tanta estrela ;)

Blessing Lumueno disse...

PB ele não percebe o que significa a bola ser uma referência... Mas aqui fica uma curta explicação: Significa que se a bola estiver em condições de "bater" a nossa zona de pressão e ser colocada de forma horizontal ou diagonal nas costas da nossa defesa, preferencialmente pela zona central, a equipa estará desequilibrada e é uma situação de grande risco! Ou seja: Nesse instante, os defesas devem garantir imediatamente a profundidade de forma a não serem surpreendidos com bolas nas costas! Após isso, a bola é recolocada, não está em condições de bater a nossa zona de pressão imediatamente pela referência "bola" a equipa encurta os espaços novamente para não ficar com espaços entre-linhas! Vê o video do Sacchi Senhor Anónimo, pode ser que percebas melhor!

PB estive a rever a final do mundial de 1994 e realmente a Itália tinha os comportamentos defensivos iguais aos que o homem treinava. Um bom exemplo de um modelo de jogo que foi bem passado aos jogadores. Um bom exemplo de treino/aprendizagem através da sistematização!

Um abraço

André disse...

DC um bom treinador não chega a uma equipa e impoe a sua maneira de jogar. Primeiro com os jogadores que tem cria um sistema tactico que melhor encaixe cm os jogadores q tem.Obviamente que tem uma ideia de jogo mas provavelmente o Bayern não vai jogar como o Barcelona joga.
Por isso duvido que esses 2 grandes jogadores sejam dispensados.

Fernando disse...

Quem é que me explica porque é que o Porto fez um jogo tam fantastico, tao dominador, tao exuberante tacticamente, com os seus jogadores a serem melhor pontuados e eu nao consegui ver uma unica oportunidade criada por eles? que raio, sera que eu nao vi o mesmo jogo?
Vi o Benfica a cada golo que sofreu ( claras ofertas) a reagir com classe e a marcar e ainda vi que foi a unica equipa que criou ainda mais uma grande oportunidade que daria o 3a2, e nao me recordo de um unico movimento ou remate perigoso efectuado pelo Porto. Mais, foram tao dominantes, tao avassaladores e o resultado estatistico pende claramente para o lado do benfica, basta ver no numero de cantos marcados.
Mas voces é que sao os experts do futebol...

DC disse...

André, acho que vai ser um misto das duas coisas.
Acho que Guardiola vai impôr as suas idéias mas que saberá que não pode ter tudo o que tinha no Barça porque não há Messi, nem Xavi nem Iniesta.
Mas jogadores tão individualistas como Robben e Ribery, ou têm motivação e abertura para aprender e mudar a sua forma de jogar, ou não acredito que joguem com o Pep.

Há que recordar que Ronaldinho, Deco, Eto'o entre outros também foram dispensados sem grande cerimónia.

João Arem disse...

Pirlo foi o 1o que como 6 pautava o jogo todo. Meio campo com pirlo,gattuso, seedorf e ambrosini. O seu a seu dono

João Arem disse...

No Porto 5 Benfica 0 o Benfica teve mais cantos tb..e as oportunidades,quando São antecipadamente cortadas(vide os 3 foras de jog mal tirados) tb ajuda à estatística

Blessing Lumueno disse...

O Anónimo tem lata lol... Nenhuma máscara caiu... Se você não compreende o que significa a bola ser uma referência, questione antes! LOL
Esse movimento da equipa do Benfica já era dominado pelas equipas de Sachi, vejam então o quão, a frente do seu tempo ele estava. Aliás quem olhou para o vídeo do treino que o Karlos deu ao PB encontrou logo semelhanças.

Off-topic PB Vi o vídeo, completo, da final do mundial de 1994, do Sachi... Acho que ele realmente conseguiu passar o modelo aos jogadores, uma vez que eles o replicavam de forma incrivelmente fiel ao que ele transmitia. É um grande exemplo de sistematização e de trabalho de campo de um treinador.


Grande abraço

PP disse...

Caro PB,

Gostei muito desta tua análise ao jogo, embora noutro artigo sobre o Vítor Pereira, já não tenha concordado tanto contigo pois a meu ver o tal "pontapé para a frente" que se referia era uma das estratégias que o Benfica de Jesus tinha de esticar esses 20 a 30 metros de "campo".

Escrevi exactamente sobre esse tema aqui:

http://o-guerreiro-da-luz.blogspot.pt/2013/01/epa-calma-isso-nao-e-bem-assim.html

Fico a aguardar a tua opinião na caixa de mensagens. :P


Sobre as individualidades, do Matic disseste tudo. Para mim é um jogador ímpar no futebol mundial. Em termos físicos, coordenação motora e técnicos faz-me lembrar um jogador do Leeds da década passada: Tore André Flo. Isto apesar de o norueguês ser um avançado e o sérvio um meio-campista. Mas, a fisionomia e o estilo de controlo de bola, faz-me lembrar dele.

Quanto ao Jackson Martinez, de facto fez no jogo aquilo que esperava que o Cardozo e até mesmo o Lima fizessem, mas que nenhum deles conseguiu.

Contudo fica aqui a reflexão: nem Garay, nem Jardel tiveram a impetuosidade que Otamendi e Mangala tiveram em campo. Gostava de saber se Jackson fosse sujeito a tais marcações se teria o mesmo rendimento...

A propósito das marcações mesmo defendendo que o Cardozo e o Lima deveriam ser mais aguerridos face à adversidade, fez-me muita confusão aquela entrada de Mangala sobre o Cardozo que o leva a sangrar da cabeça, não ser punida...

KARLOS disse...

PB

Na primeira foto, a linha de defesa do benfica está bem posicionada e pronta pra correr...

Mas faltou uma pressão no portador da bola (zagueiro do Porto), se essa bola fosse lançada para Cristiano Ronaldo, Pato e tantos outros avançados velozes, não há defesa q os alcance...

Portanto, ao meu vê, foi o único erro dessa foto!!

PS

E o link do video q ti mandei, quando farás uma análise? acho q seria bom pra muitos q ainda não entendem...

Abraço
;)

PB disse...

Viva Karlos, n está esquecido. Esta semana tem sido difícil. Queria ter trazido mais coisas sobre o clássico mas n tive tempo.


Para todos: por vezes não comento ou n respondo, mas n é por maldade. Qd aprovo os comentários estou sem tempo nenhum. E depois a coisa passa e esqueço-me. Ou surgem outras coisas. Acreditem q n é por maldade.

KARLOS disse...

Viva Blessing Lumueno,

Tive a mesma idéia kkkkk

Também dei uma olhada no video da final da Copa de 94 (não com o olhar de torcedor ou de criança q era na época!)

E realmente ele conseguiu fazer o q tu dissestes...

Grande abraço
;)

João Miguel disse...

Quanto à parte inicial do post em que referes que as equipas portuguesas estão mais talhadas para perder confrontos europeus devido à falta de exigência competitiva no nosso campeonato, na maior parte dos jogos, estou totalmente de acordo. Acho que a solução passaria por aquilo que uma vez foi referido que se poderia fazer, pena que não seja totalmente exequível. Falou-se em tempos (não me lembro a pessoa em concreto mas acho que foi um dirigente da Liga Espanhola ou da Federação)da criação de uma Liga Ibérica. Com a qualidade que apresentam algumas equipas espanholas, exemplos de Valência,Atlético de Madrid,Atletico de Bilbau, Málaga e os óbvios Real Madrid e Barcelona, se este projecto se concretizasse, certamente que as equipas portuguesas teriam desafios mais exigentes que aqueles a que estão sujeitos quando estão apenas a jogar contra as equipas portuguesas mais fortes. Não que seja fácil uma deslocação à Mata Real ou ao D.Afonso Henriques, não é, mas os adversários que mencionei acima seriam muito mais dificeis. É devido à falta de exigência competitiva que referiste que o campeonato português é definido pela regularidade (todos são assim mas ainda mais o português) porque sabemos que é muito menos provável perder pontos num jogo que não um derby ou Clássico do que nestes últimos. Mais uma vez um bom post. Continua com o o bom trabalho.

ped.ribeiro disse...

Parafraseando-te: Post "de nível mundial". Obrigado !
Para além da "nata" do conteúdo, a tua postura tem sido sempre irrepreensível e isso, na blogosfera actual, é cada vez mais escasso. Basta ver contrapontos como este: http://emjogo.blogs.sapo.pt/288761.html

Um abraço.

ped.ribeiro disse...

Parafraseando-te: Post "de nível mundial". Obrigado !

Para além da "nata" do conteúdo, a tua postura tem sido sempre irrepreensível e isso, na blogosfera actual, é cada vez mais escasso. Basta ver contrapontos como este: http://emjogo.blogs.sapo.pt/288761.html

Um abraço.

PB disse...

obg. Ped.Ribeiro
grande abraço

Rearviewmirror disse...

PB

dizes isto:
" eu acho que o FCP foi igual a si próprio. Jogou como joga ofensivamente. Apenas pensou um bocado melhor o processo defensivo para anular a construção do sLB. Faltou-lhe quem faz a diferença."

O FCP, depois dos 2 golos (para mim oferecidos), teve um remate aos 60 min por Lucho (que eu não me lembro, mas vinha no site do record e da bola), ou seja um remate em 80 minutos de jogo.
Parece um paradoxo, mas na segunda parte, embora o FCP parecesse ter o jogo controlado,o Benfica teve 4 ocasiões de golo (Cardozo, Aimar, Melgarejo, Salvio), contra zero do Porto.

Como se explica isto, esta ausência de futebol ofensivo do campeão Nacional no estádio da luz?
A base do jogo, o objectivo dele, são golos. E para se ganhar jogos, normalmente tem-se de rematar á baliza. Isto ensina-se aos miúdos, desde sempre.
O FCP, apesar de ter uma equipa caríssima, o plantel mais caro do futebol português, simplesmente não o fez. Nem na pequena área, nem na grande-área, nem fora da área. Mas mesmo assim, este aspecto do jogo (para mim importante, como apreciador de futebol) parece passar completamente ao lado das análises desportivas. Aliás, vi António Oliveira a dizer que se houvesse um vencedor teria de ser o Porto.

Mas como é que se marcam golos sem se chutar á baliza?

Emanuel Bento disse...

Estou completamente de ascordo contigo quando dizes que uma das diferenças é o estimulo ou a falta dele. Já à muito tempo que digo que a meu ver o campeonato devia ser reduzido e haver play off, que pensas disto ? Era uma forma de haver mais jogos entre os grandes ..