quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Quando és demasiado bom mudam as regras pelo que consegues

Na verdade não se sabe concretamente se foi ou não por Arrigo Sachi que a regra do fora de jogo foi, e bem, revista. Pode-se, seguramente, acreditar que o italiano influenciou fortemente tal decisão, sem se cometer um erro grotesco.



E não será por acaso que nos dias de hoje muito se ouve, mesmo que em surdina, falar, e mal, da possibilidade de limitar o tempo de ataque das equipas de futebol.

 

29 comentários:

POC disse...

Lembro-me de ser miúdo e ficar doido a ver esta dança da defesa. Era do camano! Sempre fora-de-jogo! O futebol estava a cair a pique...

A questão do Barcelona, bom, como é que definimos uma possível jogada de ataque? Porque do nada ela aparece. E isso também tem magia.

Sim, eles jogam à rabia, mas são 11 contra 11, se os outros pudessem, fariam o mesmo, mas não têm essa capacidade de passe ou a equipa não é assim treinada desde há anos.

Lembro-me de estar em Setúbal e festejar o 5º e último golo (Sokota, vindo de lesão horrível) depois do Benfica ter trocado a bola durante 3 horas seguidas, nas quais fez 42837429 passes. E fiquei doido com o golo.

PB, estás sempre em grande. E ainda não me disseste se tens mãos para o Benfica, mas assim a frio, como diria o outro, não sei bem o que diga. Mas já disse. Mas também posso acrescentar que, teoricamente, é mais fácil tirar a bola do que trocá-la. Portanto corram, cubram e recuperem a bola. E deixem o Barcelona fazer carrocel.

Abraço.

zdamen disse...

Esse "e mal..." tem muito que se lhe diga...

O basquetebol, penso, foi a primeira modalidade a adoptar essa restrição, na organização ofensiva, e já tem alguns seguidores como o andebol e o hóquei.

O que se passa no andebol poderá ser um bom ponto de partida para o futebol, ou seja, não ser um critério tão quantificativo mas sim mais qualitativo.

Ás vezes é difícil de entender que o jogo do Barcelona, é muito ou todo ele, em particular depois de estar em vantagem, bastante especulativo.

Questão muito interessante.

A alteração na lei do fora de jogo, alterou para muito melhor toda a dinâmico do jogo em si. Aquilo que o AC Milan de Sachi fazia, hoje seria impossível, ou seria um Desportivo das Aves desta vida.

A única alteração às regras com maior impacto nos últimos tempos foi a questão dos atrasos ao guarda redes. Alguém ainda se lembra como era possível jogar nessa altura? O nível de anti-jogo que era alcançável?

PB disse...

ahahah POC! Eu tenho mãos para tudo! Agora pensa! loool

Claro que concordo totalmente ctg e não com o "tem mt q se lhe diga" do zdamen!

PB disse...

"Portanto corram, cubram e recuperem a bola." É isto! N gostam? Vão lá roubá-la, ou borram-se de medo de levar 9 ou 10 se sairem lá de trás?

Mike Portugal disse...

Tempos de ataque não fazem sentido em futebol pois é um jogo mais lento que os outros que se jogam em ringues mais pequenos.

POC disse...

@PB, deixaste-me em lágrimas. Começo a treinar onde? No Avaí? No Riachense? Falo de iniciados.

Mais a sério, fico contente que concordes.

Aquilo que tiraste do meu texto fica complementado com o facto de ser mais fácil procurar bola (sem ela, óbvio) do que transportá-la com qualidade.

Aquilo que o Barcelona faz é magia. Eu prefiro futebol total, ataque. Isto somente ao nível de espectáculo como espectáculo, tipo ir ver um concerto, quero ver cenas loucas. Mas porra, não se perceber que aquilo do Barcelona é mágico...

POC disse...

Se quiseres, só para eu ficar mesmo mesmo inchado, podes mandar estampar uma t-shirt com o meu nome e sair à rua com ela durante 2 semanas.

Manda estampar 2 t-shirts, por causa da lavagem, é muito tempo para uma só.

PB disse...

ahahahah e p onde mando a foto a comprovar??

POC disse...

Para o mail do Goucha!

Abraço :)

Hattori Hanzo disse...

Curioso que no outro dia estava a ver o offcourt da NBA e o Kenny Smith falava de precisamente isso, mas pelo outro sentido: se mudam as regras por causa de ti, então é porque és mesmo muito bom e tem de se criar uma regra para equilibrar.
De facto Sachi fez um grande trabalho no Milan nessa altura. Sou capaz de considerar como melhores treinadores que conheci Sachi, Capello e agora Mourinho.
Nunca tinha ouvido falar dessa possibilidade de limitar o tempo de jogo. Percebo que se possa pensar para fluir mais o jogo e torná-lo mais rápido e apelativo ao espectador normal (basta ver a quantidade de pessoas que diz que o futebol do Barcelona actual é monótona e lhes dá sono por exemplo.) No entanto não sei se iria resultar e se seria uma boa medida...

PB disse...

Hattori, colocar tempo de ataque só faria com que as equipas se metessem todas acantonadas na sua defensiva, esperando q o tempo passe. Se já o fazem qd jogam por exemplo c o barcelona, imagina se forem beneficiadas por isso? Querem a bola, vão roubá-la! Está nos pés, não nas mãos de ninguém!

E claro iria tornar os ataques muito trapalhões. Seria futebol de 3a divisão para toda a gente!

Seria a morte do futebol! Que tudo o q de bom o Barcelona fez pelo futebol não resulte numa regra tão estupida!

Cantinho do Morais disse...

Sem exageros, vi esse jogo (o 1º no vídeo) em San Siro, na 2ª mão da Taça dos Campeões Europeus, entre o Milan e o Real, mais de 15 vezes!! Lembro-me que o meu pai gravou o jogo (RTP 2) e eu via a cassete pelo menos, 1 x por mês. Isso é as meias-finais. Mas também vale a pena ver os quartos-final entre o Real e o PSV de Hiddink (Koeman, Romário, Gerets, Bosman, Van Breukelen, etc). Grandes jogos. Tempos é que só as grandes equipas jogavam na Champions. Como um tal Benfica que me enfeitiçou em Londres, com um Kulkov diabólico...

O Milan de Sachi, o Barça de Cruyff (o que ganhou a Taça dos Campeões Europeus), o Barça de Guardiola (o da "manita" ao Real), a Holanda de 1988 e o Liverpool da década de 80 são as minhas equipas de eleição (por diferentes razões).

A mudança da lei de fora de jogo é a do fora de jogo posicional, correcto?

Voltando ao assunto, creio que mudar o tempo de ataque não se enquadra no futebol de 11. Mas gostaria de ver testado partes de 30 minutos cada, com paragem do relógio a cada interrupção. Talvez deixassem de existir "ronhas", lesões de guarda-redes, pontapés de baliza demorados, substituições parvas, fugas de jogadores que vão ser substituidos mas que vão para a zona oposta do campo, cumprimentos aos árbitros, etc. 30 minutos para cada lado. Tempo útil de jogo: 1 hora.

PB disse...

Sim, cantinho. Essa lei mesmo. Eu gostava q pelo menos o fdj fosse tirado por tecnologia. Já se limpava mt o jogo...

obrigado pelo comentário.

Rui Monteiro disse...

Meu caro,

Não sou um grande entusiasta do jogo do Barcelona. Pode ser arte pura, não sei. Só que não gosto de todas as formas de arte. Mais, arte por arte prefiro a literatura ou outra coisa qualquer do género. Aliás, vejo futebol para fugir à arte. Ver jogar uma só equipa dá um tédio imenso.

Enfim, não sei se a ideia do tempo é uma boa ideia. Acho que não. Mas, porventura, impedir que a bola seja atrasada para cá do meio-campo depois de ter atravaso a linha, pode ser uma ideia a estudar.

PB disse...

Rui, o problema não está no Barcelona. O problema está no medinho que as outras têm de ir lá roubar-lhes a bola...

Eles são tão bons que se os outros se tentarem dividir o jogo serão sempre goleados. O Barcelona n tem culpa que por ser melhor, os outros não tentem tirar-lhes o rebuçado com medo...

Tu n gostas dos jogos do Barcelona, mas percebe que não é pelo Barcelona. É pela postura dos adversários.

Anónimo disse...

Caro PB:

Tenho apreço pela qualidade do seu trabalho neste espaço e agradeço a oportunidade que me deu de aprender algo mais.
Digo-lhe uma coisa: em alguns palcos, se o clube da casa fizesse este tipo de jogo com passes laterais e atrasados ouvir-se-ia um monumental coro de assobios.
Seria impossível praticar este futebol sem educar primeiro os adeptos.

Em relação a regras não me espantaria que surgisse a regra da impossibilidade de voltar em posse para trás do meio campo (limitar o espaço do meiinho)ou impossibilitar mais que, por exemplo, 2 passes sem ser em progressão (acabar com o vai não vai especulativo)

Cumprimentos,
4starstarget

Marco disse...

Eu pessoalmente detesto ver jogos do Barcelona, claro que isto acontece devido à postura do adversário. Mas futebol ainda não é jogado por robôs nem tem substituições ilimitadas como o Futsal, por isso o Barcelona também tem culpa porque não quer perder a bola de maneira nenhuma, porque é a filosofia deles, e como têm uma qualidade de passe muito acima da média quando pressionados mais a frente rodam a bola para trás várias vezes.

Centro de Jogo disse...

Para isso inventem uma linha que não deixe as equipas defender atrás da mesma, assim já eram obrigados a tentar fazer alguma coisa em vez de somente rezar!
Criar uma linha de "anti-jogo" (estilo hóquei) estragaria o futebol. Anti jogo faz quem não o quer jogar com bola... mas até que se perceba isso!!!

Abraço, Jorge D.

Anónimo disse...

Limitar o tempo de ataque das equipas de futebol é perfeitamente idiota. Quem disser essa baboseira, mesmo que em surdina, devia ser enrabado pelo Shaquille O'Neal.

LMGM disse...

Só para baralhar as opiniões, comparar futebol com desportos de pavilhão (futsal incluido) é diminuir o futebol. No Rugby só se pode passar para trás e é o desporto mais ofensivo que existe.

Agora vamos ao Braça, das coisas que gosto mais no Barcelona actual é a sua capacidade de recuperação de bola e não a sua capacidade de passe.

A reacção da equipa à perda, a pressão imediata sobre a bola é fenomenal. Parece que o adversário quando rouba a bola relaxa, respira fundo do esforço de concentração que o Barcelona obriga pela sua movimentação com bola e pelo contrário o Barcelona ganha "nervo" e cai em cima da bola.

Depois de recuperar a bola, descançam, tiki-taka, tiki-taka, tiki-taka...

KARLOS disse...

PB

Grande Arrigo Sacchi, dos melhores q vi, engraçado q o video q ele fez sobre como treinar um time táticamente, ainda pode ser usado perfeitamente...

Guardadas as devidas proporções, vejo algumas coisas do Arrigo Sacchi no Barcelona, principalmente no q diz respeito ao "fora de jogo" (lembrando q parecer, não é ser igual!!)

No caso do barcelona, eles deixam o jogador fora de jogo, mas não dão as costas para sua baliza (ficam de lado), facilitanto assim a recuperação da jogada, caso não seja marcado o "fora de jogo"...

No segundo 45 desse video pode ser melhor observado, PERFEITO!!

http://www.dailymotion.com/video/xoxzqz_offside-trap_creation?start=16#.UObYiKz_2ZQ



É por isso q prefiro condicionar um defensor rápido, do q contratar um lento q só saiba se posicionar, vai q o assistente não marque o "fora de jogo"...

PB disse...

a lei do fora de jogo é tão determinante tacticamente que já devia ser feita por computador...

KARLOS disse...

LMGM

Concordo contigo

"...das coisas que gosto mais no Barcelona actual é a sua capacidade de recuperação de bola e não a sua capacidade de passe"

Claro, muito embora a capacidade de passe seja extraordinária...

Mas acredito q seja mais fácil copiar a forma com q eles recuperam do q a forma com q eles passam a bola... como pode ser visto nesse video:

http://www.youtube.com/watch?v=M55nSglr95M

Mas a maioria das equipes facilitam a vida deles recuando...

Abraço
;)





Jalex disse...

Não faz sentido(e nunca tinha ouvido essa história de querem limitar o tempo de ataque).Na altura mudou se as regras porque o Milan conseguiu arranjar uma maneira de as contornar que funcionava quase sempre na perfeição.

No caso do Barcelona é diferente,aquele tipo jogo depende imensamente dos seus intervenientes.Basta ver que na ausência de "pedras" fulcrais nesse tipo de jogo(como foi no embate recente com o Benfica)não o conseguem executar da mesma maneira.

E alguns desses jogadores não são propriamente fáceis de substituir no futuro.

O caso do Milan era diferente pois Sacchi descobriu uma maneira de se aproveitar das regras e aquilo seria o começo para se desvirtuar por completo a competição.

São situações que nem sequer são comparáveis(e mais uma vez digo que esta é primeira vez que vejo a trazerem este assunto a baila).


Tudo tem o seu tempo, o Barceleona de Messi(ou melhor, de Inesta e Xavi para sermos totalmente justos)não vai durar para sempre.Para já são a melhor equipa do mundo,de futuro haverá outras equipas alvo de grande escrutínio e analises profundas...são ciclos do futebol.

Rui Ribeiro disse...

Podem explicar-me como era antes a lei do fora de jogo? Na lei actual, todos aqueles lances estavam claramente em jogo. O que mudou? Sería pelo facto de estarem sempre jogadores atrás da linha defensiva, e mesmo sem intreferirem na jogada, tería de ser assinalado fora de jogo?

PB disse...

Sim Rui. Bastava estar alguém em fdj, mm q a bola n fosse p si para a jogada ser parada. Fora de jogo posicional era fora de jogo

JS disse...

"colocar tempo de ataque só faria com que as equipas se metessem todas acantonadas na sua defensiva, esperando q o tempo passe. Se já o fazem qd jogam por exemplo c o barcelona, imagina se forem beneficiadas por isso? Querem a bola, vão roubá-la! Está nos pés, não nas mãos de ninguém!"

Isto.

Seria a morte do futebol criativo colocar tempo.

MrGonyalo disse...

Adoro futebol, amo mesmo. Joguei federado muitos anos. Agora sou treinador. Contudo, é mais empolgante/interessante ver um jogo de hoquei de infantis Nafarros Vs Salasianos do Estoril do que um Beira-Mar Vs Rio Ave. Gosto muito de ver Andebol também.

É consensual que o futebol é menos intenso do que a maioria das modalidades colectivas de pavilhão e que também tem muitos menos golos (momento mais interessante).

Apresento algumas medidas (não da minha autoria ou ideia) que podem alterar esta realidade no futebol, tornando-o mais interessante (na minha perspectiva):

1º substituições (mais ou ilimitadas e sem necessidade de parar o jogo): pretende-se que o jogo seja mais intenso (jogadores entram com disponibilidade física)
2º compensação/penalização por golos marcados/golos sofridos. Por exemplo: uma equipa que ganhe por 5 golos de diferença ganha 4 pontos (invés de apenas 3) e a equipa que perde por 4 golos de diferença perde 1 ponto (invés de 0)
3º acumulação de faltas dará direito a uma espécie de livre directo ou penalti.

Todas estas sugestões poderão agravar mais o anti-jogo (perca de tempo, por exemplo), mas acho sinceramente que bem regulamentadas e pensadas, contribuiriam para um espectáculo MUITO mais interessante.

Gostava que discutissem as minhas sugestões.
Adoro o "Lateral-Esquerdo". Continuem com as análises.
Cumprimentos a todos

zdamen disse...

Aqui, antes de mais nada, há que fazer uma distinção de filosofia, ou se quiserem, da forma como se olha para o desporto.

Nos EUA, de uma forma completamente oposta à europeia, o desporto é antes de mais business, negócio, se quiserem show business.

É um produto, e a grande preocupação dos agentes é a qualidade do mesmo e logo a rentabilidade.

Se olharmos ao formato dos desportos profissionais, as regras são pensadas essencialmente para melhorar e aumentar a competitividade. Exemplos:

O recrutamento é feito via draft, que é nada mais nada menos que uma pool de jogadores, onde as piores equipas de uma época têm prioridade na escolha dos melhores jogadores. Por outro lado, todas as equipas têm um tecto salarial o que limita os enviesamentos por estarem em mercados (estados) com mais ou menos capacidade financeira.

O que esta regra provoca é que ciclicamente as equipas de topo vão alterando e vai cabendo a vez a todas (obviamente umas mais que outras) o que, como está provado, aumenta a aderência de publico e a qualidade do espectáculo.

Por outro lado, e esta questão mais relacionada com o post em si, as regras são alteradas, sem qualquer complexo, se existir alguém individualmente ou colectivamente a ter grande vantagem. alguns exemplos:

Defesas zonais muito condicionadas;

Penalização de faltas que impeçam contra-ataques

Limitação temporal à permanência de defesas dentro da área restrita

P.S. Só mais um dado interessante: uma equipa da NBA, os Spurs, foram multados em 250.000 dólares por terem "descansado" 4 dos seus jogadores, os melhores, num determinado jogo. Tudo porque a organização, a NBA, achou que vai contra o espirito competitivo da prova e porque priva aqueles que compram bilhetes de terem acesso ao espectáculo pelo qual pagaram