quinta-feira, 7 de março de 2013

Beira Mar de Costinha

Parte para o último terço da Liga em último lugar. Porém pelas indicações do último jogo é expectável que os comandados de Costinha consigam ultrapassar a péssima época até à entrada do actual técnico. Que recorde-se, soma duas derrotas nos dois jogos disputados.

Surpreendente a boa organização táctica, com claras mexidas do novo treinador. 4x4x2 losango com princípios bem definidos, que urgem ser trabalhados no pormenor. A base todavia parece bastante interessante. Os anos com Mourinho trouxeram-lhe garantidamente sapiência táctica e porventura alguma capacidade para perceber os princípios da operacionalização. Costinha sempre percebeu o jogo. Via-o sempre de frente e sabia relacionar-se com colegas de trás e da frente.

Avançados a bloquear a saída de bola dos centrais, o 10 que na pressão na saída de bola adversária encosta no trinco impossibilitando-o de sair com bola pelo chão. Sempre muita proximidade junto da bola fruto de uma boa basculação defensiva e de um sistema com 4 médios. Interiores a saírem aos laterais adversários, trinco em cobertura e o aproximar do interior do lado contrário. Tudo enquanto o 10 (jogo surpreendente de Rúben. Confiante a demonstrar muita qualidade técnica e colocar dificuldades ao SL Benfica) baixa para trás da linha da bola. 

Ofensivamente, apesar do losango a meio campo jogo sempre com largura. Conferida pelos avançados em transição, ou pelos laterais em organização ofensiva. Rúben, o dez, com liberdade para aparecer em toda a frente do ataque. 

Se defensivamente pela boa organização e concentração sobre a bola a performance poderá desde já ser interessante ( importante controlar um pouco melhor as variações de corredor do adversário, para que os interiores não tenham de fazer demasiadas "piscinas" do corredor central ao lateral a bloquear os laterais adversários), ofensivamente há a clara limitação de ter centrais sem qualidade técnica para jogar apoiado. Hugo e Bura muito disponíveis fisicamente, mas sempre sem qualidade ofensiva para iniciar o ataque. O jogo directo para dois avançados poderosos fisicamente é o recurso possível. Passível de ser bem sucedido, pelas qualidades físicas de Yazalde e Camará, e pelo aproximar rápido sobre a bola que o sistema de Costinha preconiza. Fica por perceber se a qualidade evidenciada se deve sobretudo à motivação por se enfrentar um adversário de renome ou se o Beira Mar se prepara a médio prazo para fazer pontos e subir na tabela. Porque as modificações foram sobretudo tácticas, arrisca-se a segunda hipótese. 

11 comentários:

Miguel insan disse...

Espero realmente que sim. Também fiquei surpreendido. Para seguir com mais atenção.

Mas o calendário não é fácil. Vão esta semana à Mata Real, o que poderá ser um encontro bem interessante. E ainda lhes falta jogar um jogo com o Sporting

Diogo Laranjeira - Victor Silva disse...

Criaram dificuldades ao Benfica na saída de bola, mas tiveram muita dificuldade em controlar mudanças de corredor (principalmente na 1ª parte, e da direita para a esquerda). Alguns problemas, onde o Benfica é mais forte.

Mas foi um jogo muito interessante.Gente próxima, e a largura não ficou comprometida. A acompanhar, sem dúvida.

Diogo

No.Worries disse...

Uma questão que eu tenho com este sistema de 4-4-2 em losango é de quem é que dá a profundidade nas alas. Os laterais sim, mas têm que ter uma grande cultura táctica e principalmente um grande pulmão. Falas nos avançados em transição, isso refere-se a que um dos avançados "cai" na ala onde se está a atacar? Se sim é preciso que estes avançados sejam bastante móveis, certo? E os interiores, podem juntar-se ao lateral para atacar?

Miguel Nunes disse...

Podem! O problema é que como eram os interiores q defendiam os laterais adversários, n ha pulmão p andar sp de corredor lateral para central, e depois ainda correr em profundidade...

Outra possibilidade seria ter como Cabo Verde, por exmeplo, os av a controlar os laterais, e o 10 a sair ao central.

A dinâmica de ter alguém a dar linha de passe sobre o exterior n depende do sistema táctico, mas sim da movimentação e inteligência dentro do sistema.

Às x tens 433 em q o extremo recebe e fica sem linha de passe sobre o exterior.

Netking disse...

Sem dúvida que a força táctica e técnica do Beira Mar me surpreendeu com exibições extraordinárias e surpreendentes de Nildo, Ruben e Helder Lopes, apenas para destacar aquelas que considerei melhores. Mas Sampaio, Dias e os avançados tb foram brutais.

No entanto, o que mais me surpreendeu foi a força física do BM que lhes permitiu jogar em pressão alta durante os 90 minutos. Não só uma disponibilidade enorme mas sobretudo uma capacidade de reacção muito acima do normal, que lhes permitiu ganhar praticamente todas as segundas bolas e a maioria das bolas divididas.

Se não foi resultado de uma semana de laboratório, estou seguro que escapará à descida como tenho a certeza que estaria entre os cinco (no mínimo) melhores classificados do campeonato.

Blessing Lumueno disse...
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Miguel Nunes disse...

fico mm À espera? Conheces alguém da equipa técnica dele? Eu conheço! Mas a intimidade não é grande...

Blessing Lumueno disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Manuel Humberto disse...

Quando estava no Sporting dissera numa ocasião (em forma de auto-elogio) que Mourinho achava-o com qualidades para ser um óptimo treinador, mas que acabara por optar pelo (salvo erro) St. Liége e carreira de dirigente. As referências do «post» aos anos com Mourinho e subsequente capacidade de opeacionalização no treino deixam-no confortável naquilo que para um técnico é o mais importante: essa mesma capacidade de operacionalização ou como afirmou em 1997 o internacional transalpino com mais jogos na história do Milan, citando por sua vez o antifo capitão Demetrio Albertini, jogar mais recuado permite-te perceber coisas que nunca apanhas se jogares mais adiantado. Vês o jogo todo. Sabes de tudo. Se a isto somarmos alguma vocação e 3 épocas com José Mourinho, estão os ingredientes somados para uma tarte de qualidade.

Que Miguel Nunes, Maldini e Albertini afinem pelo mesmo diapasão é tudo menos surpreendente. Mas como afirmaria Louis Van Gaal no auge dos anos 90, acabamos todos onde começámos e águas tumultuosas jamais reflectirão imagem, só os donos de paz interior saberão transmiti-la aos outros. Jesualdo por sua vez subscreveu e partiu para as montanhas onde escreveria com a visão mais apurada do mais apurado falcão com olhos para os desertos do Novo México o B-A-BÁ das dinâmicas do 4-3-3 à luz da (hum hum) basculação dos 6 mais recuados em função dos princípios de transição desenvolvidos por Jimmy White dissecados em 1992 por John Parrott no ano onde venceu Stephen Hendry na final do Humo Masters de Berlim, por 6-3. O resto é história e sobrevivemos para contá-la ...

Miguel Nunes disse...

Ahahah boas declarações essas do Albertini.

Há n mt uma pessoa que jogou como defesa central (qualidade q nc mais acaba) no meu modelo de jogo (essa pessoa espreita isto, n sei se n vem aqui responder) virou-se para mim num treino e disse que estava preparada para jogar em qualquer posição pq sabia o q eu (e equipa) pedia a cada uma das posições/situações :)

E tenho a certeza q quem jogava mais adiantado n teria essa capacidade...

hertz disse...

Gostava que fizesses um post sobre o Paços. É incrível o trabalho do Paulo Fonseca. Aquela equipa sabe e gosta de jogar bom futebol. Não sei se tiveste oportunidade de ver o 2º golo do Paços no último jogo. Aquela jogada foi uma autêntica obra de arte.