terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

O duplo pivot no meio campo

Não tem de ser o problema que demasiadas vezes se pretende fazer passar. Mais do que o sistema táctico, é tudo uma questão de dinâmica. 

No FC Porto tem sido um problema porque nem sempre bem interpretado (responsabilidades apontadas a treinadores e jogadores?). Um duplo pivot a meio campo não implica necessariamente que os médios mais recuados joguem de forma paralela. É tudo uma questão de dinâmica. A posição 6 poderá estar sempre ocupada. Bola no corredor direito defensivo e o médio centro direito mais pressionante, com o médio centro esquerdo na diagonal em cobertura. E vice-versa do lado oposto. O problema surge quando os médios mais recuados defendem na mesma linha e não controlam os apoios frontais do avançado, ou o espaço entre sectores à frente dos centrais onde aparecem os médios mais ofensivos da equipa adversária, tal como mostramos há uns posts atrás no golo de Rodrigo Moreno no Estádio da Luz.

Ofensivamente poderá colocar-se a questão das linhas de passe. Mas, também essa é facilmente contornada com a dinâmica imposta. Um médio mais baixo, outro a funcionar como interior, e o outro espaço interior onde aparece ou o dez, ou o extremo, e não só há sempre linhas de passe, como a equipa tem dinâmica na sua movimentação para criar dificuldades aos adversários.

Quintero terá previsivelmente demasiadas arestas para limar. Não vale a pena culpar o treinador pela sua não utilização, porque se tal acontece, é apenas porque o jogador nas suas decisões ainda não mostrou conhecimento suficiente sobre o que se pede. Todavia, conseguindo trazer o colombiano para o jogo colectivo, quem sabe não estará nele a chave da época portista? Um extremo que procura as zonas interiores à semelhança do que fazia James.

36 comentários:

DC disse...

Fernando e Defour no duplo pivot, Carlos Eduardo a 10 e Josué na linha a vir para o meio. Quintero a poder ocupar essas duas posições quando evoluir.
Acho que não é pelos jogadores.
Aliás, que garantias deu Licá que Quintero e Josué não dessem?
Se o Quintero perde demasiadas bolas e procura demasiado a profundidade, o Licá esse, poucas vezes sequer as consegue receber e enquadrar.

Estará na cabeça dum treinador que joga com Varela e Quaresma, a intenção de utilizar um extremo a ocupar o espaço interior?

Roberto Baggio disse...

http://lateral-esquerdo.blogspot.pt/search/label/Cleverley?m=0

Funcionamento do duplo pivot, sem bola, ilustrado no link.

Gito Bastos disse...

A equipa do Porto é, hoje em dia, toda ela uma verdadeira anedota.
Começando pela falta de dinâmica na 1ª fase de construção. Central com bola, não há apoios. Só tem duas opções, joga no lateral do seu lado ou bola na profundidade. Onde andam os médios que não procuram bola e os extremos que não fazem apoio ao portador da bola? Parece-me ser esta a principal justificação para o mau momento de Otamendi.
Uma equipa que joga com dois extremos colados à linha, que sem bola não procuram os espaços interiores (Quaresma e Varela). Isto leva a que, para além da previsibilidade em que se tornou o jogo do Porto, os dois laterais (Danilo e Alex) estejam quase sempre fora do jogo.
E depois Quaresma… Inserido nesta equipa, com este treinador e neste modelo, roça o ridículo. Já não sou grande apreciador deste tipo de jogadores, então inseridos em equipas destas, sem ideias, sem dinâmicas… sem nada… tudo piora.
O 3º lugar será tudo o que o Porto poderá alcançar.

Gabriel disse...

A propósito de tudo e mais alguma coisa (lembrado pelo fantástico paradigma guardiola):
"Por creer que en el sitio donde todo el mundo pone a dos centrocampistas defensivos para dar equilibrio, equilibrio, equilibrio, nosotros ponemos a uno sólo porque ese uno hará correr a los dos. Y de paso, tener más equilibrio". Pep Guardiola sobre Luis Aragonés em 2006.

HerrKommandant disse...

Penso que no fcp a questão não é tanto se os 3 do meio-campo jogam com um nº 6 e dois à frente, ou se jogam com o triangulo invertido. A questão ali é mesmo a falta de qualidade dos jogadores (antes mesmo da falta de qualidade do treinador). Qualquer que seja a disposição dos 3 do meio haverá sempre um défice de qualidade dos intervenientes. Quintero pode não ser aquilo que se pensava dele, Josué é jogador para clubes do meio da tabela para baixo, Carlos Eduardo nem no Estoril era indiscutível, etc. E em termos ofensivos essa falta de qualidade é também evidente: Licá e Varela são absolutamente banais, e o Quaresma ainda tem na cabeça que é grande jogador, mas a carreira diz precisamente o contrário. Só que pelos vistos é o novo homem das bolas paradas, o que só dá vontade de rir... enfim, acho que nem o Mourinho conseguia fazer alguma coisa com aquele plantel...

JON disse...

Acho que o diagnóstico é tão fácil de fazer, e todos acima estão tão correctos, que não consigo entender como o Fonseca não vê isso mesmo...

O Porto é mesmo uma tão grande anedota neste momento que só posso acreditar que a mensagem do treinador não passa. Provavelmente nunca passou e de tal forma não passou que os jogadores cada vez mais desconfiam das suas ideias...

PS: a saída do Lucho, posso estar enganado, mas foi o juntar do útil ao agradável para ele. Uma pipa de massa e uma saída airosa enquanto foi tempo... Ele parvo nunca foi!

Anónimo disse...

Exacto HerrKommandant, e o Marítimo este ano vai à Champions, o Estoril vai ser campeão e o Austria de Viena vai ganhar a Champions...
Não há desculpa nos jogadores quando se defronta uma equipa banal como o Marítimo.

Válter disse...

Quem quiser jogar com duplo pivot que veja o jogo entre City e Chelsea de ontem. E como pode funcionar na perfeição...
É claro que o Porto não tem o Matic e o David Luiz, mas não deixa de ser um jogo impressionante de uma equipa com duplo pivot (sistema que eu pessoalmente não gosto)

Manuel Nascimento disse...

Ponto um: podiam ao menos explicar quem é que escreve agora aqui e o que aconteceu ao PB, ou onde anda ele, se faz parte deste "novo" projecto...

Ponto dois: Tinha saudades do LE, claro, mas tenho ainda mais saudades do PB. Desde que parou que parece que tudo deixou de evoluir. A maioria de vocês, bloggers que apareceram depois, é uma geração pós-lateral esquerdo que bebeu do que o PB dizia da forma errada: só para decorar e dizer que sabe. Está tudo a tocar um disco riscado (riscado de verdades, de coisas certas, sem dúvida, mas fala-se sempre, sempre, sempre sobre o mesmo). Deixou de haver conhecimento ou demonstração de inteligência. Só há quem pregue o que ouve dizer.

Ponto três: concordo com o conteúdo do post, como é óbvio. A dinâmica é que interessa. A questão é: e então para que é que escrevem o post? Qual é o objectivo deste artigo? Fazem dele um artigo tão "válido" como seria um artigo sobre jogar em 4-4-2 clássico cheio de dinâmicas. Ou seja: duplo-pivot o caraças. Se existe essa dinâmica, se esse é o objectivo, em quase momento nenhum do jogo se joga com duplo-pivot. Não queiram inventar. Jogar com duplo pivot é estúpido, não é nem coerente nem eficiente na ocupação dos espaços. E o duplo-pivot é uma coisa específica. Se lhe metes a dinâmica que referiram, pura e simplesmente deixa de ser um duplo-pivot, queiras tu continuar a chamar-lhe isso ou não.

João disse...

Em Agosto, no seguimento do jogo do Sporting contra a Fiorentina, defendeu-se neste espaço que a dupla de meio campo do Sporting deveria ser Adrien e André Martins. Em paralelo, considerava-se que William Carvalho não era um jogador de primeira linha.

Passados nem 6 meses, considero que essa apreciação, já na altura o tinha indicado, foi um claro tiro ao lado.

Quanto a William pouco há a dizer. Quanto a André Martins, como se explica o seu menor rendimento? Sempre fui um apreciador deste pequeno grande jogador, mas desde há umas semanas que me parece que está a mais no 11 titular do meu clube.

Saudações e parabéns pelo trabalho.

António Teixeira disse...

Não se pode dizer que os jogadores não têm qualidade quando estão constantemente em situações de inferioridade e sem linhas de passe. O Porto tem equipa para ser campeão (aliás, tem jogadores para ter equipa para ser campeão). O caso do Quaresma bater as bolas paradas é ridículo, ainda para mais quando estão em campo Quintero, Josué e Carlos Eduardo. Este Porto é talvez o Porto dos últimos anos com mais criativos. Mas a equipa não apresenta criatividade nenhuma, com a excepção de alguns momentos de Quintero e principalmente Eduardo.

Não existe falta de qualidade a meio campo, existe sim uma inabilidade absurda de ajustar o modelo aos jogadores. O Fernando é um jogador que, pela sua qualidade, pelo seu peso no balneário, tinha que jogar sempre, e diminuis o jogador ao colocá-lo nesse modelo (ainda para mais sem dinâmica). Idem para a questão da zona de criação/finalização, que a meu ver demonstra que ou não se treina ou treina-se mal.

Maldini, não pode ser incapacidade dos jogadores, porque o Paulo Fonseca teve sempre (excepção Fucile) um grande balneário, e estes jogadores já provaram ser capazes. Se treinares uma equipa e não consegues operacionalizar, mudas o treino ou o modelo. Se não mudas nenhum, olha nem sei se deva opinar o que acho nesta caixa de comentários, mas penso que se subentende.
Eu bem sei as dificuldades que o treinador tem e o contexto em que está inserido (treinador e equipa técnica diga-se), mas são 7 meses a um nível baixo, muito baixo. O Porto NÃO PODE jogar assim, ponto.

Muito sinceramente, tenho andado ocupado e afastado da bola, e felizmente porque senão irritava-me. Mas só de sublinhar que nos primeiros meses os extremos faziam movimentos a oferecer linha na zona frontal da 1a fase, como já discuti com o DC salvo erro. Se ainda fazem não sei, não estou atento.
Dá-me pena pelo Jackson e pelo Mangala, e agora pelo Ota.

Cumprimentos a todos

Anónimo disse...

Laudrup despedido, este é que podia vir para o lugar do Paulo Penedo.

josé carlos disse...

Alguém viu o Bayern esta semana? Pois, Guardiola colocou dois pivots de construção (chamo-lhe assim) com Lahm e Thiago e Goetze pela frente. Inédito ou não, mas foi isso que aconteceu.

Anónimo disse...

manuel nascimento,

pela escrita, parece-me que o paolo maldini é o pb (e miguel nunes xD).

abç

António Teixeira disse...

Caro Manuel, permita-me responder-lhe com todo o respeito:

Pessoalmente, e conhecendo de outros espaços pelo menos o Roberto Baggio, sei que, apesar de poderem existir pontos de intersecção entre o pensamento dele e aqueloutro do blogger que refere, já por algumas vezes discordaram.

Sobre a questão dos artigos, eu compreendo o seu ponto de vista, mas acho que também deve entender que, da mesma maneira que existiram leigos que foram aprendendo com o blogue do PB, também os haverá nesta altura que podem aprender com estes artigos; de qualquer dos modos, penso que as teses subjacentes a cada artigo podem e devem ser questionadas, e será, segundo me parece, intenção dos autores que isso aconteça, tendo em vista o debate.

Por fim, à medida que lia o post pensei no mesmo que você refere na questão da dinâmica do duplo pivot, mas talvez a resposta esteja, por exemplo, nas diferenças entre contenção e cobertura dependendo do corredor? Não sei porque pouco percebo disto, mas o autor com certeza que esclarece.

Cumprimentos

António Teixeira disse...

Errata: Falar em criatividade e esquecer-me do Alex é um daqueles erros xD

Paolo Maldini disse...

sim, António. É isso mesmo! Na minha opinião não deixa de ser duplo pivot. Continuamos a falar de um 4231 (partindo o sistema táctico em mais de 3 sectores...).

Para ser duplo pivot não têm de jogar na mesma linha. Excepto quando a bola está no corredor central e é o 10 que saiu à bola.

cumprimentos a todos.

Roberto Baggio disse...

"Ponto um: podiam ao menos explicar quem é que escreve agora aqui e o que aconteceu ao PB, ou onde anda ele, se faz parte deste "novo" projecto..."

Se ele o entender assim o fará.

"A maioria de vocês, bloggers que apareceram depois, é uma geração pós-lateral esquerdo que bebeu do que o PB dizia da forma errada: só para decorar e dizer que sabe."

Hmmm, pois. Não quer exemplificar?

". Está tudo a tocar um disco riscado (riscado de verdades, de coisas certas, sem dúvida, mas fala-se sempre, sempre, sempre sobre o mesmo)."

Sim, é sempre sobre o mesmo. É sempre sobre futebol. Alguns casos, claro.

"Deixou de haver conhecimento ou demonstração de inteligência. Só há quem pregue o que ouve dizer."

Pode ser que ainda se aperceba, a tempo de rectificar, do tamanho do disparate que está a dizer.

" A questão é: e então para que é que escrevem o post? Qual é o objectivo deste artigo? Fazem dele um artigo tão "válido" como seria um artigo sobre jogar em 4-4-2 clássico cheio de dinâmicas."

Essa questão será respondida, ou não, pelo autor do artigo. Mas até as mentes mais incaustas poderiam responder a isso.
Essas afirmações vindas de quem diz conhecer/perceber o trabalho do PB parecem estranhas. Isto porque este blogue, sempre foi na senda de esclarecer as mentes mais incaustas sobre questões que vinham sendo levantadas em cada momento/contexto. Quero com isto dizer, que anda por aí uma onda que diz que a culpa do mau jogar do FCP é por jogar com dois médios de cobertura. Que mudando para um de cobertura, fica tudo resolvido por magia. Acho fácil perceber esse objectivo. Mas talvez, talvez, tenha decorado isto que disse.

" E o duplo-pivot é uma coisa específica. Se lhe metes a dinâmica que referiram, pura e simplesmente deixa de ser um duplo-pivot, queiras tu continuar a chamar-lhe isso ou não."

Pelos vistos foste tu que DECORASTE mal os conceitos que o PB te ensinou.
Duplo pivot é um termo utilizado para as equipas que jogam com dois médios de cobertura. Cobertura ofensiva, e cobertura defensiva. Ou seja, na maior parte do tempo, jogam atrás da linha da bola. Excepção feita a dinâmica que o Maldini sugeriu com bola. Onde apenas um dos médios joga como cobertura. Depois, passada a 1º fase ofensiva (uma vez que na defensiva a cobertura do corredor lateral e central estão asseguradas, sempre, pelo duplo pivot), volta tudo ao normal, e esses dois médios jogam "sempre" em cobertura, normalmente atrás do médio ofensivo. Vê lá é se o PB também me fez decorar isso.

José Carlos,

Sim, vi. Mas isso foi só para o Thiago pegar mais atrás. Parece-me que por estratégia. Xavi fez isso muitas vezes no Barcelona, sem que com isso Busquets mudasse para interior.

António Teixeira disse...

Baggio e Maldini, uma questão:

Se o 10 faz contenção e os pivots estão em linha, e o 10 é ultrapassado por tabela ou drible, como reagem os pivots (em o.def.)? Sai um na contenção certo?

Sobre as críticas, eu o que tenho visto dos adeptos (e até me tem surpreendido, ainda que muitos não gostem do Vitor Pereira e do seu futebol, fazem a mesma crítica) segue na linha do que disse sobre o Fernando e na alteração de um modelo que tão bons resultados dava a nível defensivo. A meu ver (e não sei como se processa a nível de treino), penso que a solução teria sido alterar algumas dinâmicas na zona de criação e finalização, especialmente na movimentação, preservando o resto. Não seria assim tão difícil, e penso que o Kelvin por exemplo, dada a juventude, aprendia bem... Mas pronto.

Cumprimentos

Paolo Maldini disse...

na minha opinião, sim.

um dos dois sai para a contenção e o outro ajusta em cobertura. é tudo uma questão de quantos atrás da linha da bola temos para ajustarmos.

Roberto Baggio disse...

"Se o 10 faz contenção e os pivots estão em linha, e o 10 é ultrapassado por tabela ou drible, como reagem os pivots (em o.def.)? Sai um na contenção certo? "

Sim, um sai na contenção. Não gosto de passividade defensiva :). Deverá sair aquele que está mais perto da bola, o outro garante o triângulo com os centrais.

Paolo Maldini disse...

António,

no link q o baggio deixou

http://lateral-esquerdo.blogspot.pt/search/label/Cleverley?m=0

2a imagem. seria assim q resolveria um sai outro dá cobertura)

josé carlos disse...

Baggio, sim não digo que não, mas estou a ver o jogo novamente e eles estão lado a lado, em duplo pivot e ajustam o seu posicionamento ofensivo/defensivo um ao outro. Pelo menos é isso que estou a ver, e o Goetze sempre à frente dos dois, como 10. ABraço.

Roberto Baggio disse...

Vais fazer-me olhar melhor para isso, hahahaha

Abraço mister

António Teixeira disse...

Por exemplo, nas três imagens que mandaram, imagine-se que, na primeira e na última, está um jogador na zona de acção do lateral do corredor oposto ao da bola: o lateral mantém-se posicionado na linha ou sai uns metros para a frente e pressiona?

De resto, e uma coisa que nunca entendi bem, se for HxH no sector defensivo, este tipo de dinâmicas é inviável?

Cumprimentos

Manuel Nascimento disse...

Já que no comentário anterior foi por pontos...

Ponto prévio: fui um bocado agressivo, ou pareci um bocado agressivo, e não era essa a intenção. Respeito muito o que se fazia aqui e, pelo que vi desta fase que agora se inicia, continua a existir qualidade. É só uma questão de exigência, eventualmente.

Anónimo: o Miguel Nunes não é o PB (é muito mais fraquinho a muitos níveis). Se o PB é o Maldini ainda não consegui perceber bem, mas não me parece.

António Teixeira: "mas acho que também deve entender que, da mesma maneira que existiram leigos que foram aprendendo com o blogue do PB, também os haverá nesta altura que podem aprender com estes artigos" - Certo.

Roberto Baggio: "não queres exemplificar?" - a ti já te conheço há algum tempo. Gosto do teu perfil e até te louvo o interesse em não parares de aprender, e de quereres, de uma forma ou de outra, partilhar o conhecimento que vais adquirindo. Quando me refiro ao "decorar para dizer" é um bocado à volta daquilo de que há muito tempo que não se fala de coisas novas, que se insiste sempre na mesma ideia, até à exaustão. São muitos exemplos sobre o mesmo, sobre coisas de que já se falaram. Tem qualidade mas não tem, claro, o impacto de uma primeira vez.

"Essas afirmações vindas de quem diz conhecer/perceber o trabalho do PB parecem estranhas" - sim, percebo que o digas. Aqui nem sempre se defenderam comportamentos que para mim fossem muito importantes, por não terem tanto cabimento num "modelo meu", e não era por isso que deixavam de estar certos.

E pegando no que depois continuas a dizer, eu, lendo-me agora, acho que não me expliquei muito bem. O que eu contesto é a etiqueta, é a utilização da etiqueta. Da mesma forma, e hás-de me acompanhar, que é estranho ouvir-se falar de que uma equipa de alto nível joga em 4-3-3 ou 4-5-1 ou 4-4-2, quando durante o jogo uma equipa deve ser um corpo muito mais "líquido" do que "sólido", também me faz confusão o termo "duplo-pivot" utilizado numa coisa que não é um "duplo-pivot". Continuo a achar que não me estou a explicar bem...

Acho que se se quer simplificar ao ponto de se querer usar um termo-etiqueta, como "duplo-pivot", então deve falar-se das situações em que isso se manifesta realmente. E, com bola, uma organização ofensiva em que o 2º médio de cobertura não está em linha com o 1º, deixa de ser um duplo-pivot, se formos rigorosos. Lá está, uma boa equipa é um corpo mais líquido. Se calhar tens ali um momento em que lhe podes chamar duplo-pivot, mas as dinâmicas sugeridas são próprias de um não-duplo-pivot. Um duplo-pivot, se simplificarmos ao ponto de usar este termo, é um duplo-pivot e ponto. A dinâmica faz com que seja possível, eventualmente, jogar com um duplo-pivor, mas no momento em que ela se manifesta o duplo-pivot deixa de o ser!

É estúpido, é um pormenor, mas era isto.

Abraços,

Roberto Baggio disse...

António,

"Por exemplo, nas três imagens que mandaram, imagine-se que, na primeira e na última, está um jogador na zona de acção do lateral do corredor oposto ao da bola: o lateral mantém-se posicionado na linha ou sai uns metros para a frente e pressiona?"

Mantém, para defender cruzamento. Privilegia-se a defesa dos espaços fundamentais de finalização (Lado da bola, corredor central).
Este posicionamento, é portanto, independente do adversário. Mas há um pormenor, que é a forma como o lateral orienta os apoios (dos pés). Deve orientar os pés, por forma a não perder de vista o "lado cego", e reagir mais depressa a uma variação de corredor.

"De resto, e uma coisa que nunca entendi bem, se for HxH no sector defensivo, este tipo de dinâmicas é inviável?"

Sim. É inviável, porque HxH, depende do número de jogadores adversários. Se forem 8,9,7 contra 6, como fazes?!

Enquanto que desta forma, podes defender assim contra 10. 3 em contenção e cobertura, 3 a fechar espaços.

Roberto Baggio disse...

Entendo o que queres dizer. Contudo, o termo tem a ver com as funções que lhes atribuem, dentro do espaço de jogo que ocupam mais vezes. E as funções desses dois médios são muito similares. Ou seja, jogam os dois, na "maior parte do tempo" em coberturas ofensivas e defensivas. Por haver um padrão, daí a generalização, e estereotipo.

Baresi disse...

È muito porreiro falar de sistemas tácticos, dinâmicas, duplos-pivôs, etc, mas quando o(s) jogador(es) não tem qualidade, por muito bom treinador que sejas, nunca vais conseguir fazer dali uma grande equipa.

Como já vi escrito em algum lado, era impensável à algum tempo que o Porto do século XXI, acabasse um jogo que tinha que ganhar, com um ex-Estoril, um ex-Pescara e um ex-Paços de Ferreira no meio campo.
Estes 3 jogadores (Josué, Carlos Eduardo, Quintero) têm, todos juntos 15 jogos entre selecção A e provas Europeias. Markovic tem 40.
Juntas Guilhas e Licá, e está o "ramalhete" montado.

Com Moutinho como segundo elemento do meio campo o FCP conseguia pressionar 10/15 metros mais á frente. Com Lucho a fazer esse papel, nunca o conseguiu.

Como o "el capitan" saiu, Fernando parece que também não conta para o totobola, seria melhor começar a pensar seriamente naquilo que Pinto da Costa quer para este Porto. Claramente sem Paulo FOnseca, embora seja ele a pessoa que tem menos culpa no cartório, na estrutura do FCP.

António Teixeira disse...

Baresi, não me parece que o seu argumento seja muito relevante.
O Porto do Mourinho tinha quantos jogadores de selecção A?
Irrelevante ademais o argumento do Markovic... Justificar a qualidade dos jogadores com chamadas à selecção A nunca pode ser argumento, porque assim o Ricardo era melhor guarda redes que o Baia nos A do Scolari. Como vê, impensável.

Cumprimentos

DC disse...

Se o problema forem as internacionalizações joga-se com Defour, Herrera e Lucho e Varela, Quaresma e Jackson. Está resolvido o problema? Não me parece...

Como disse muito bem o António, já ganhamos uma Champions com vários ex-Leira, ex-Setúbal, ex-Guimarães...

Os jogadores são potenciados por quem os sabe potenciar. Alguns na mão do Quique eram ridículos e nas mãos do JJ foram para o Real Madrid.

Baresi disse...

Eu não falei só convocatórias de selecção A, falei em jogos internacionais, quer nos clubes, quer nas selecções.

Os jogadores do Estoril, Guimarães, Paços de Ferreira, se calhar tiveram mais exigência competitiva nos 6 jogos da Liga Europa que em outros 20 da época passada. As declarações dos seus treinadores assim o confirmam.

Rui Vitória: "Para os jogadores também foi um excelente ensinamento porque jogar na Liga Europa dá maior confiança e maturidade"
Marco Silva: "O crescimento da equipa foi notório. Se começássemos agora, certamente estaríamos mais fortes (...) Estes jogos desgastam muito, mas também nos deram mais competitividade e isso vê-se na Liga"

Jogar com Carlos Eduardo, Josué e Quintero, ex jogadores do Estoril, Paços e Pescara, inexprientes, é a mesma coisa que jogar cm Fernando, Lucho e Moutinho no meio campo? Claro que não.
O James quando chegou ao FCP foi sendo lançado aos poucos, foi titular pela primeira vez à 14ªjornada. Agora faz-se tudo à pressa e mal.
O mais importante de tudo são os jogadores. A inteligência deles, e o que fazem com e sem bola. Senão seria só trocar os jogadores, e qualquer equipa poderia ser campeã. Mas eu acho (acho) que só as camisolas não chegam.

Mesmo ontem o Manuel José disse isso claramente no programa Grande Área: faltam jogadores com qualidade neste Porto, e sem ovos, não se fazem omeletes.

Edson Arantes do Nascimento disse...

Como diz o Valter mais acima, julgo que um bom exemplo da dinâmica pedida no duplo-pivot foi o jogo do Chelsea contra o City...

Matic-D. Luiz sempre bem posicionados e sempre a fazer a dinâmica um como médio-defensivo outro como interior (consoante a posição da bola).

DC disse...

Baresi, mas repara, se assim é resolvia-se com Fernando, Defour e Lucho e os restantes em 7 meses com o treinador iam ganhando rotinas, ou não?

Saiu Moutinho, havia Defour, jogador que aos 19 anos era capitão do Standard a jogar na liga dos Campeões e que recentemente foi titular no apuramento da Bélgica para o campeonato do mundo.
Saiu James e aí sim, podia haver algumas dúvidas. Mas tinha Josué com 1 época já de treino com este treinador.

E depois é aquela coisa, o Jackson Martinez, o Falcao, etc ninguém falou de problemas de adaptação ou de experiência internacional...
O Danilo, Alex, Mangala, 3 dos titulares com VP tinham também praticamente 0 de experiência internacional.

O Javi Garcia, Coentrão, Di Maria, Ramires, etc tinham quanta experiência internacional?

Desculpa lá mas eu não compro essa teoria. Até porque falhar na Champions é uma coisa, perder com o Marítimo e Académica é outra. O Marítimo tem uma péssima equipa, perdeu o melhor marcador e mesmo assim perdeu em descontos no Dragão e ganhou-nos na semana seguinte.

Baresi disse...

Claro que não, porque quiseram fazer de Lucho algo que ele nunca fez nos últimos anos, queriam que ele corresse atrás da bola.
Defour não é Moutinho.
Licá não é James.
Varela está mais velho, e evoluiu para pior.
Josué futebolisticamente falando, poderá ser um suplente para jogar os últimos 5 minutos, nada mais que isso.

As coisas não acontecem só porque sim, porque como disse o Manuel Fernandes "vontade de ganhar têm todos"

Dás o exemplo de jogadores do FCP, que exceptuando um ou outro jogador, todos eles tiveram um grande período de adaptação, ao lado de companheiros mais experientes. Não foram lançados ás feras, como estes todos têm sido.

Alex Sandro foi titular no FCP pela primeira vez à 19ª jornada.
Mangala na primeira época fez 6 jogos a titular para o campeonato.
Danilo foi titular duas vezes, à 18ª e 30ª jornada.
Protegiam-se os jogadores, não se queimavam etapas.

O Carlos Eduardo e o Josué à 2 ou 3 anos andavam pela 2ª divisão portuguesa, o Quintero jogou no ultimo classificado da Liga Italiana.

Perdeu-se e exigência, perdeu-se o enquadramento e paciência que o FCP dava aos novos jogadores, que fazia de qualquer jogador razoável um bom jogador...

Algo que é necessário, e que por exemplo Jesus fez com Matic à 2 anos.

António Teixeira disse...

Baresi mas nisso tens razão claro...

Mas não justifica a fraqueza do futebol do Porto