quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Trabalho de Jesus é táctico


"No último jogo o Benfica ficou com menos um jogador a meia hora do fim. Quem saiu foi o lateral-esquerdo, acabando por ser eu a fazer a posição. Essa situação era impensável quando estava no Boca, mas entretanto cresci muito tacticamente."

Uma das grandes qualidades de Jesus é o potenciar da capacidade de muitos jogadores. O crescimento dos jogadores que passam pelas suas mãos, dentro daquilo que ele melhor controla (Trabalho táctico defensivo), tem sido fabuloso. Tem conseguido transformar os mais "selvagens" atletas, em futebolistas extremamente competentes ao nível do rigor no posicionamento e agressividade defensiva.
Sendo que na Europa nem todos trabalham com o rigor defensivo de Jesus, Gaitan deixa sinais claros que na Argentina o trabalho que teve não passou por aí.

"Em termos de marcação é ‘tramado’, nada fácil. Tento sempre ajudar a equipa. Posso jogar bem ou não. Compete ao treinador corrigir as movimentações e a mim... melhorá-las. "

No treino, onde não nos cansamos de dizer que 80% do trabalho é feito, Jesus corrige os erros do jogo anterior. Cria contextos de variabilidade (dentro dos exercícios) necessários para um maior transfer dos princípios de jogo. Obriga a agir e reagir, a adaptar e readaptar, cada comportamento (sobretudo defensivo) a determinado contexto. Sabendo o quanto Jesus é exigente com o cumprimento posicional, o resto fica sob responsabilidade de quem tem o privilégio de aprender com ele.
Fica mais uma referência às aprendizagens que o treinador do Benfica possibilita aos que consigo trabalham.

"Tenho de estar atento à forma como jogam os colegas, mesmo os laterais e centrais, pois nunca se sabe o que vai suceder no jogo"

Exacto. O jogo é caótico. E independentemente do espaço, e posição, que ocupamos mais vezes no decorrer do jogo, as estruturas modernas organizam-se por forma a que todos os jogadores, num determinado contexto, pisem terrenos desconhecidos. Exige-se, dessa forma, que todos os jogadores conheçam o funcionamento global da estrutura. Isso, para que se possam integrar em todos os momentos, sem comprometer a estabilidade e relação harmoniosa da organização.

O mais difícil de treinar, em organização/transição defensiva são os ajustes. Ou seja, o posicionamento que se deve adoptar consoante o colega que saiu na bola, ou que foi ultrapassado, nas situações em que temos menos tempo para agir/reagir.

Situação de treino. Exercício em situação de jogo

Momento do jogo: Organização defensiva e transição defensiva.

Objectivo geral: Tomada de decisão na organização do processo defensivo. Tomada de decisão em transição defensiva.

Objectivo específico: Criação de losangos e triângulos defensivos, de contenção e cobertura. Agressividade inteligente na contenção. Critério na contenção, defendendo sempre os espaços interiores. Baixar rapidamente para trás da linha da bola.

Critério de êxito: Defender bem, sem sofrer golos. Com a bola no corredor central, cumprimento rigoroso do posicionamento zonal, fechando linhas de passe, à esquerda, à direita, e apoio frontal, ao portador da bola. Cumprimento rigoroso do posicionamento zonal quando a bola está no corredor lateral, formando triângulo defensivo. Ocupação racional dos restantes espaços, fechando sempre os espaços mais importantes. Criação de zonas de pressão nos corredores laterais, em bolas divididas, nos passes para trás. Reacção forte à perda de bola, pressionando logo o portador. Recuperação rápida para trás da linha da bola. Critério na contenção, com objectivo de não deixar enquadrar, progredir, ou rematar. Em inferioridade numérica leitura correcta da situação, e bom timing de contenção/pressão.

Forma: GR+7x7+GR.

Espaço: Dois terços do campo.

Tempo: 20 minutos.

Condicionantes: O jogador que mete a bola fora sai para ir buscar. A equipa adversária segue com qualquer uma das bolas dispostas corredores laterais. O jogador que foi buscar a bola deve coloca-la no local de onde a equipa adversária seguiu a outra bola, por fora do campo, para não atrapalhar quem está dentro. Depois de colocar a bola no sítio certo, volta para dentro de campo. Cada vez que uma equipa fizer um golo, o GR da equipa que sofreu deve pegar nessa bola e coloca-la na baliza adversária. A equipa que marcou segue com a bola da sua baliza. O GR da equipa que saiu com bola não pode fazer golo, enquanto o GR adversário estiver a repor a bola. Caso a equipa, sem GR, sofra um golo antes que este tenha conseguido voltar para à baliza, deve ir outro jogador qualquer repor essa bola na baliza adversária.

12 comentários:

Pedro disse...

"Jesus corrige os erros do jogo anterior"

Só se for dos jogadores pq os dele não corrige.

masterzen disse...


Olá Comandantes do grande Lateral Esquerdo!

Que bom ver este blog de novo a funcionar e a todo o ritmo.

Sobre a forma como Jesus descobre e redescobre alguns jogadores estamos falado e tem sido sensacional em muitos casos.
No caso de Gaitan a defesa esquerdo é apenas um desastre esta adaptação!
A estatística diz que Gaitan sempre que teve de jogar a defesa esquerdo ou o Benfica empatou ou perdeu.
O orçamento é demasiado grande para não termos uma pessoa nem que seja a ganhar o salário mínimo a fazer as estatísticas da equipa. É mau demais o treinador não saber que este dado estatístico existe se é assim a organização profissional é profundamente incompetente.
Se o treinador tem este dado e continua nesta aposta então é completamente louco. As estatísticas no futebol ao contrário de muitos desportos parece-me que ainda não passou a idade da infância onde se avalia a posse de bola, remates e faltas.

Comandantes não parem de escrever, o artigo que expões Baggio em termos da sua organização por critérios é formidável.

Abraços a todos os escribas

Rui Freitas disse...

Masterzen não me parece que possa ser feita uma associação tão literal entre o facto de Gaitan ter jogado a defesa esquerdo e as derrotas do Benfica. Nada nos garante que a causa da derrota reside nesse facto ... Não pode ser uma mera coincidência? Ainda há bocado li um artigo que dizia assim "So our general concern isn’t with statistics per se, but the use of statistics to make claims they don’t have the power to make". Abraço

Dennis Bergkamp disse...

Jogo das 7 bolas!

Já visto por vários sintéticos deste Portugal!

Constantes adaptações defensivas porque a bola pode sair quase de qualquer lado.

Masterzen,
O Gaitan a LE é sempre uma opção de recurso, para não queimar uma substituição, ou para o caso de já as 3 substituições terem sido realizadas. O facto de o Gaitan já ter sido preparado em treino para isso, só revela que as soluções de recurso não são só de boca, são vividas no treino e isso faz toda a diferença. De resto, é óbvio que o SLB tem pessoas que fazem toda essa análise ao jogo, e enviam os relatórios para a equipa técnica. Tal como o SCP, o FCP e mais um ou outro clube em Portugal tem. Os restantes... ou são os próprios elementos da equipa técnica que fazem esse trabalho, ou têm pessoal que "faz esse favor"


Em relação a entrevista do Gaitan, realço também "Tenho de estar atento à forma como jogam os colegas, mesmo os laterais e centrais, pois nunca se sabe o que vai suceder no jogo" Que mostra a consciência de que o seu comportamento/posicionamento em campo está sempre dependente e relacionado com o dos colegas.

Roberto Baggio disse...

Pedro,

"Só se for dos jogadores pq os dele não corrige."

Tem corrigido muitos erros dele ao longo do tempo. Tu sabe-lo tão bem quanto eu. Claro que não corrige todos, porque há alguns que ele não considera erros.

Masterzen,

"No caso de Gaitan a defesa esquerdo é apenas um desastre esta adaptação!"

Talvez seja porque, quando ele joga nessa posição a equipa normalmente está a perder. Mas não tenho conhecimento estatístico do que estou a dizer, é só uma suposição.

E já agora, obrigado.

Bergkamp,

"Jogo das 7 bolas!

Já visto por vários sintéticos deste Portugal!

Constantes adaptações defensivas porque a bola pode sair quase de qualquer lado."

E o grande segredo está no feedback. Em como se guia os jogadores na resposta às dificuldades.

Dennis Bergkamp disse...

O segredo esta sempre na intervenção do treinador.

As receitas não valem nada se não souberes o que fazer com elas

Anselmo Damásio disse...

Não corrige os erros dele, nem os dos jogadores. E a prova disso, são 4 anos sem títulos e um campeonato ganho ao Braga na ultima jornada no ano que o Pinto da Costa andou ocupado a tratar de por o apito dourado em águas de bacalhau.

kaká disse...

Salve baggio

Muito bom o retorno do lateral esquerdo!!

Onde está o Miguel e o PB?

Ainda bem q vc mantem o nível!!

Abraço.
;)

Roberto Baggio disse...

Kaka,

Eles estão por aí. Administram e gerem o blogue, e vão de certeza lançar artigos ou comentar.

Pedro disse...

Baggio, basta rever o jogo em Barcelos para ver que ele não corrige erros. Ou pior, como tu disseste, ele nem os considera erros o que, para mim, encerra o assunto sobre as mais valias de JJ.

Miguel Pinto disse...

Parabéns pelo Blog.

Miguel Pinto disse...

Em relação ao post, apenas questiono a função desempenhada pelos olheiros do Slb pois se é um facto que a adaptação de um qualquer jogador que venha de um país diferente com tudo o que poderá estar inerente à sua (não) integração no novo clube, leva o seu tempo, entendo que apesar disso, não se podem cometer erros de casting como o Bruno Cortez. Mais valia terem ficado com o Melgarejo(JJ mais uma vez enalteceu a sua mestria ao afirmar , a dada altura, que conseguiu fazer dele um bom LE)mas a paciência, para quem põe e dispõe a seu belo prazer de todas as condições que a maioria dos treinadores não têm, continua a ser uma grande virtude e, nesse aspecto, JJ demonstrou que não sabe valorizar da melhor maneira o seu próprio trabalho. Em relação a Gaitan apenas pergunto: a dinâmica da equipa ganha ou perde com essa adaptação?