sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Um Ciclo de Vitórias

Para quem o título não soou estranho, com certeza recorda-se-à de um episódio do livro, que abordava a segunda mão da meia final da Champions, contra o Deportivo. Nesse mesmo episódio, no final do jogo com o Depor, após vitória por 0-1, Luque dirige-se a Mourinho e diz-lhe: Mourinho, de Puta Madre!
Para os que como eu, não estão familiarizados com o termo, o avançado espanhol referia-se à estrondosa performance do Porto na Corunha. Elogiando a forma com a equipa do treinador português se impôs, perante uma equipa que tinha na eliminatória anterior virado uma derrota por 4-1 fora, para um 4-0 em casa, contra o Milan de Ancelotti.

Alguns anos depois, e também em espanhol, foi carimbada a qualidade de Vítor Pereira.

No site da UEFA pode ouvir-se Isco sobre a dificuldade em jogar contra o FCP.
E um excerto da entrevista de Pellegrini no final do jogo


FCP muito forte do ponto de vista táctico (Organização colectiva). Excelente disposição dos jogadores em campo, boa dinâmica de movimentos com várias trocas posicionais, fantástico controlo dos espaços, grande agressividade posicional, linha defensiva bastante bem trabalhada, bons timings de pressão, reacção muito agressiva à perda de bola, zonas de pressão no campo todo em organização defensiva. Contenção, coberturas, concentração, ajustes, e equilíbrios, sempre presentes.
Bom processo de construção. Predilecção pelo corredor central, transição ofensiva em segurança (normalmente para quem está de frente), boa orientação das linhas de passe.

Processo de criação menos bom. Isto porque a influência do treinador se esgota nos pontos anteriores. A criação é a fase onde entra a criatividade dos jogadores, e a sua qualidade individual. Esta parte do modelo surge depois de terem sido conseguidas (na construção) as condições ideais para os jogadores criarem. E é em 95% trabalho e responsabilidade do jogador.

Já sei que a grande maioria dos comentadores do blogue não o vão perceber, por não terem conhecimento para o fazer. Mas ainda que não o percebam, e para que não venham com a treta do "o que é bom é mérito do treinador, e o que corre mal é culpa dos jogadores", preparei um vídeo com a opinião do treinador mais genial que o mundo do futebol já viu, ao nível da organização ofensiva. Espero é que se dê mais crédito à opinião de Guardiola do que aquele que dão à nossa.


"Eu dou a táctica para que me ataquem pouco (criem poucas situações de golo), e para que assim que seja possível, em campo, encontrar as possibilidades de passe (criação de linhas de passe, posicionamento em posse). Para que nos últimos metros os jogadores mais desequilibradores (criativos, e com qualidade técnica) façam o resto"








Consegue-se facilmente perceber o nível que este FCP conseguiria atingir caso tivesse jogadores tão talentosos na linha da frente, como os que tinha na defesa. Ainda para mais, numa fase da época onde o seu melhor jogador estava lesionado (James). São inúmeros os lances em que jogadores com maior criatividade, e qualidade técnica, teriam com relativa facilidade criado ocasiões de golo.

Do ponto de vista da organização colectiva, naquilo que o treinador controla, o FCP era de nível mundial. O que diz isso sobre o seu treinador?! O Porto marcava um golo, e praticamente o jogo estava ganho. E isto é aproximar a equipa da vitória. É esse o maior mérito de um treinador.

Vítor Pereira, pelas ideias que a sua equipa apresenta em campo (Ignorando o passado, estatutos, e tudo mais), é para mim, o melhor treinador português do momento.

67 comentários:

Atento disse...

Vitor Pereira fez campanhas miseráveis na Europa e com o seu modelo de jogo europeu, ultra-defensivo, aborrecido e monótono de passe para o lado, não conseguiu valorizar jogadores (os que foram bem vendidos já tinham estatuto antes de chegarem às mãos de VP).

Paolo Maldini disse...

grande trabalho

Anónimo disse...

Diria antes que o VP está no top 4 português com Mou, AVB e Jesus. Se o Jesus for campeão esta época passa para 2º, pois quem está no topo não vive do passado.

Paolo Maldini disse...

anónimo, não tem nada a ver com resultados. Não é o treinador que marca os golos! O VP agora é pior que o ano passado, só pq tem jogadores piores?

Jesus é o que é. Ganhe ou não titulos, é aquilo. Agora ou avalias a organização das suas equipas como boa ou má. MAs não é por depois os jogadores acertarem na baliza q ele é bom, ou chutarem ao poste que é mau!

O treinador cria as condições para os jogadores serem bem sucedidos. Depois é com eles. O que se avalia é se o JJ, VP ou qq outro dão bons mecanismos para os seus jogadores terem sucesso, ou não.

O Jesus deu 4 no Villas Boas no 1o confronto (SLB x Académica) e depois levou 5 noutro (FCP x SLB). ENtão, Villas Boas aprendeu, Jesus desaprendeu, ou os jogadores que se confrontaram eram diferentes?

as declarações do Guardiola são mt boas. Ele dá as armas, mas os jogadores é que concretizam ou não! O trabalho do treinador deve ser avaliado pelas armas que dá! Se depois ganha isso depende mais da qualidade dos jogadores que da sua própria!

n se avalia a qualidade de um treinador pelo nº de vitórias! PQ outro inferior se tiver melhores jogadores, pode ganhar mm sendo inferior!

NSC disse...

Mais do que o elogio a VP, o que está subjacente a este post é a desilusão com os novos caminhos traçados por Mourinho.

Vítor Pereira é bom a trabalhar o processo defensivo numa equipa com Danilo, Alex Sandro, Otamendi, Mangala, Fernando Moutinho, Lucho...
Será que com jogadores deste nível atrás, e refiro-me sobretudo aos laterais, o Benfica tinha perdido os últimos campeonatos?
Se, como diz JJ, defender com muitos é fácil, difícil é com poucos, não se poderá também dizer que defender com jogadores de grande nível é fácil, difícil é com jogadores medianos (ex. Maxi, Melgarejo, André Almeida, Emerson...)

DC disse...

Enorme post!

NSC e VP, se em vez de ter que jogar com Defour a extremo esquerdo na Luz tivesse Gaitan, Nolito, Salvio?
Tinha melhores defesas sim, mas tinha muito piores jogadores ofensivos.
E esses defesas, como se viu esta época com o Otamendi e com o Maicon, pareciam muito bons por serem treinados por ele.
Se queres comparar os 2, da os laterais ao JJ, mas tira-lhe os jogadores ofensivos e dá-lhe o Varela, o Kelvin e o Liedson. Ganhava alguma coisa contra VP? Eu duvido muito.

NSC disse...

Mas não estamos a falar da qualidade a preparar o processo defensivo?

Anónimo disse...

mas que saudades porra!!!!

não sei pq me parece que estão a gostar a torturar nos adeptos do FCP... (-;

Hugo disse...

Excelente análise. Em boa altura reactivaram este blogue

Hélder disse...

Eu não vejo o AVB como um treinador top 3 português

Francisco disse...

Eu so vou conseguir dar valor ao AVB quando voltar a ter sucesso. Mesmo no Totenham ele nunca conseguiu ser dominador nem apresentar o estilo que tinha no Porto, onde tinha VP como adjunto.

Gito Bastos disse...

Baggio, parabéns pelo post… está ao nível da qualidade de VP, brutal!!! :D
Isto dá para deixar qqr portista deprimido… ao que chegamos em apenas 3 ou 4 meses, porra!!!
Tudo neste post é brutal mas o reposicionamento do Izmailov, na transição defensiva, impressionou-me. Colocar um médio (ainda para mais um jogador difícil como Izmailov) a fazer este tipo de ajustes deve ser dificílimo.
Só outra nota, olhando para estes vídeos, parece-me que o Benfica, pelo menos este ano, faz melhor o controlo da profundidade. Parecem-me mais coordenados, não sei o que acham…
Baggio, estás em grande forma :D

Pedro disse...

" Agora ou avalias a organização das suas equipas como boa ou má."

É boa, sem dúvida que é boa. O problema não é esse.

"O treinador cria as condições para os jogadores serem bem sucedidos."

Concordo. O problema não é esse.

O que sinto que vocês não aceitam nestas discussões é que o que eu critico em JJ é que a organização e as condições criadas por JJ, apesar de boas, não são boas o suficiente para vencer a concorrência.

Vocês reduzem a análise ao trabalho semanal. Não discuto que é importantíssimo e, aceito, o momento de trabalho mais importante da equipa como um todo. Mas há mais trabalho do treinador: a escolha do 11, a táctica, as substituições, a gestão do plantel, a gestão humana dos jogadores. Estes pontos são importantíssimos e JJ falha muitas vezes neles. E muitas vezes o excelente trabalho semanal é anulado por falhas nestes pormenores.

De que vale ter uma organização fabulosa, um processo defensivo e ofensivo excelente se depois, durante o jogo, o treinador procede a uma substituição que abre uma avenida para o adversário entrar em direcção da nossa baliza?

Não se pode apontar culpas ao treinador nesta situação?

Jorge Vicente disse...

HAHAHAHAHA, o post mais cómico que já li neste blogue. E a frase final é de ir às lágrimas: "Vítor Pereira, pelas ideias que a sua equipa apresenta em campo (Ignorando o passado, estatutos, e tudo mais), é para mim, o melhor treinador português do momento.". Sim, e o andré martins é o melhor médio português do momento. Vocês acham mesmo que o melhor treinador do momento ia trabalhar para as arábias? Que não conseguia arranjar melhor? Que não tinha lugar num clube de topo dos principais campeonatos europeus? Porquê que continuam a ignorar que os ex-treinadores do fcp (excepção ao Mourinho, ele sim o melhor treinador português do momento e de sempre) não dão nada em lado nenhum: jesualdo, corrido do malaga, panathinaikos, sporting e braga; vilas boas, corrido do chelsea e tottenham, e vitor pereira no competitivo aly ahli (nem sei se é assim que se escreve). Porquê? Porque fora do fcp não têm os proenças, não têm a vitamina casagrande, não têm clubes satélites, etc. A sério, é melhor não perderem tempo a falar do que desconhecem...

PepAlves disse...

Excelente post, mais um na verdade.

É um pouco aquilo que já tinha ideia, bem na construção de jogo, mas faltava alguém com mais criatividade, sobretudo mais um extremo criativo (podia ser o James), e um "10" para ir rodando com o Lucho.

Btw, houve aí lances que dá para ver que velhos são os trapos, o Lucho, está sempre bem posicionado e a trabalhar em todo o processo da equipa, ataca e defende, e jogava aí numa posição bastante mais favorável.

Outra nota: Izmailov. Podia ser ainda melhor, mas mostrou bastante sóbrio a defender e percebia o que o treinador queria dele. "Falso extremo" sempre aparecer entre linhas dando a largura para o lateral, mal também na criatividade dos lances...

Ao olhar para isto é caso para dizer; saudades de Vítor Pereira.

Miguel Barata disse...

Curioso no Porto do ano passado, os três desaires em provas a eliminar acontecem em jogos com expulsões para o Porto (Málaga e Braga na TP e TL).

Na altura da expulsão, com o Málaga estava empatado na eliminatória, na taça da liga ficou em desvantagem com o penalty e na taça permitiu a reviravolta (raríssimo).

Falta de preparação para jogar com 10? Uma das coisas que me impressionava no Porto de Mourinho era mesmo nestas situações ser capaz de ir atrás do resultado.

Tsubasa disse...

Excelente post!

Partilho dessa opinião e tenho-a defendido nos meus círculos mais próximos, ainda que correndo o risco de não ser levado a sério. VP é o melhor treinador português e para mim, esse jogo com o Málaga é justamente o melhor exemplo da qualidade que ele conseguiu imprimir na organização da equipa.

DC disse...

Miguel Barata, na taça de Portugal o Braga marca com um autogolo ridículo do Danilo (tinha todo o tempo do mundo para mandar para canto ou até para deixar bater a bola e virar-se). São factores que um treinador não tem como controlar.

E o Porto de Mourinho não teve assim tantas situações contra 10. Que me recorde teve aquele Porto-Benfica em que consegue dar a volta com 10. Mas na final da taça, por exemplo, depois da expulsão do Jorge Costa, perdeu contra o Benfica. E uma outra derrota de Mourinho foi contra o Beira-Mar também num jogo em que teve jogadores expulsos.

Miguel Barata disse...

DC,

Essa final da taça foi precisamente dos casos que me impressionou, o Porto até esteve mais por cima depois da expulsão do Jorge Costa

Tiago Silva disse...

Este post era manifestamente desnecessário... não que não seja extremamente bem fundamentado e minucioso, como é habitual nesta casa, mas porque torna ainda mais lancinante a dor de todos aqueles que, como eu, o subscrevem na íntegra... tenho dito noutra "casa" que foi um erro HISTÓRICO o FCP não ter renovado com VP.. os resultados estão aí (e quando falo em resultados não é no sentido literal do termo mas no completo naufrágio táctico em que navega esta equipa do FCP)...

Jorge Carolo disse...

Excelente post os meus sinceros parabéns!!

Um trabalho muito bem feito, sem duvida...

Quantas equipas não dariam para ter um treinador/adjunto como o Baggio!!

Num comentário que fiz recentemente, relativo à minha preferência para substituir JJ no comando do Benfica, apesar de estar alguns degraus abaixo, referi Marco Silva. Contudo, nesse comentário esqueci-me de referir que este (Vitor Pereira) seria sem duvida quem eu iria buscar, no entanto, dada sua forte ligação ao Porto duvido que aceitasse a proposta do Benfica!!

Talvez 4M€ lhe fizessem pensar 2 vezes!!

Ah e para seu adjunto o Baggio!!

Forte abraço

Roberto Baggio disse...

"não sei pq me parece que estão a gostar a torturar nos adeptos do FCP... (-;"

Não. Aqui no blogue, temos um gosto especial em desfazer mitos. Mitos instalados e propagados pelos jornais, tvs, etc, ou pela blogosfera.

E está por aí instalado o mito de que PF não consegue porque não tem jogadores. Mentira, pois claro. Está também instalado o mito, de que VP não é bom, só porque PF é mau, outras duas mentiras.

Mas, o que me levou a fazer esse post, é no fundo, levar as pessoas a perceberem que durante dois anos tiveram aqui, em Portugal, dois dos treinadores mais evoluídos do mundo (não me lembro de alguma vez isso ter acontecido). E o resultado, foi um equilíbrio estrondoso de forças, de tal forma, que hoje, sem um deles cá, veja-se a diferença pontual. Ou melhor, veja-se que um continua sempre mais próximo de ganhar que os adversários, e que no outro lado os resultados são completamente aleatórios.
Jesus, e VP, qualquer um deles podia ter ganho ou não título. Qualquer um deles podia ter ganho ou não mais jogos ao outro. Mas não é isso que está em causa. Isso não é fundamental. O fundamental é aquilo que se repete aqui, e no Posse de Bola, há anos, APROXIMAR A EQUIPA DA VITÓRIA...

O vídeo que deixei aqui do SLB em Salónica, foi bastante esclarecedor. Com uma equipa de 2º linha, a organização manteve-se, e a equipa esteve sempre mais próxima de vencer que o adversário.
Este vídeo do FCP, de VP, também é esclarecedor. E este ano o SLB já fez jogos brilhantes (Contra o SCP e FCP). Assim como por exemplo no ano passado o SLB fez na final da Liga Europa. Contra uma equipa com muito, mas muito mais qualidade individual, o SLB dominou, e esteve sempre, sempre, mais próximo de vencer que o adversário. Ganhou?! Não. Mas Jesus deu uma prova cabal, de que não é necessário ganhar títulos para ser melhor. Mas é o que as pessoas vêm, porque no fundo as pessoas não olham para o jogo.
Alguém no seu perfeito juízo acha Benitez melhor que Jesus?! Mas é que nem por sombras... No entanto o currículo do espanhol...

Como disse o Maldini, o melhor treinador é aquele que dá as melhores ferramentas à equipa (jogadores) para ser bem sucedida. Se a equipa consegue chegar aos troféus, ou não, é a qualidade dos executantes que define.
Mas essa qualidade só aparece, se as ferramentas forem boas.

A qualidade defensiva está lá. A qualidade ofensiva está lá (da forma como se organizam há opções de passe para fazer melhor, há condições para finalizar melhor), os jogadores não optam pelas melhores linhas de passe, e não conseguem finalizar, e a culpa é de quem?!
É dos desatentos obviamente. E mesmo depois deste vídeo, de outros, das análises fantásticas que este blogue sempre fez com imagens, dos duelos entre VP e JJ, ou das organizações dos dois analisadas no pormenor, a grande maioria vai continuar desatenta.

Anónimo disse...

Conheci o vosso blog recentemente e ainda pouco vi, mas o que vi, fiquei fã.

Cumprimentos e bom trabalho

Roberto Baggio disse...

PS: Também estava instalado o mito que o FCP de VP só jogava para o lado e para trás. Só fazia posse entre os centrais. Isso para não falar do mito que o jogo era chato e sonolento. Claro, que o jogo do FCP era isso tudo, para os desatentos, claro.

Muito obrigado a todos pelos elogios

Anónimo disse...

estava a brincar, sei que não têm intenções clubisticas neste blogue... mas doi tanto não só terem despachado o Vítor Pereira (não era preciso explicarem-mo a mim, adorava ir ao estádio ver a equipa jogar quando só lá estavam os 20/25 mil porque estavamos em 2º lugar) como termos que levar com a nulidade de Fonseca agora.

e o que mais me custa é que mesmo que o plano de jogo dele estivesse a resultar (não é fácil de dizé-lo com a confusão em campo) continuava a sentir-me roubado por ele, porque descaracterizou por completo a nossa identidade em campo. mesmo que resultasse jogavamos à equipa pequena, só que com melhores jogadores (tal e qual como passámos óntem, alias). e isso, para mim, é jogar "à benfica"... mas deve ser a minha clubite a atacar (;

o anónimo das 9:17

Henrique disse...

Portanto, para vocês as lacunas que se observavam a nível ofensivo eram apenas culpa dos jogadores? O treinador não poderia fazer nada para tentar melhorar este aspecto? Não tendo as mesmas competências que vocês para analisar os jogos, fiquei sempre com a sensação que o Vitor Pereira preferia comprometer a sua equipa a nível ofensivo para assegurar uma solidez defensiva fantástica. E o adversário? Esteve bem a nível defensivo? Abraço

Rumo Norte disse...

Sempre achei interessante esta tua ideia de que o VP foi o melhor treinador no ano passado. Ganhou, e o FCP teve uma extraordinária prestação defensiva. Conseguiu expremer tudo daquela equipa, e mais um bocadinho, com uma jogada de sorte ao minuto 92. Mas realças o que me parece indesmentível: ao Porto faltou sempre a capacidade coletiva de criar. Por contraponto, o Benfica consegue desde há vários anos um processo ofensivo estudado e que funciona, condicionado claro pela qualidade dos jogadores e pelas suas decisões dentro do campo, mas com uma estruutra trabalhada por trás. Eu identifico cinco: 1) lançamentos laterais do Maxi, para a entrada de Luisão, Garay, Cardozo e Matic, criando ressaltos que terminam em golos. 2) as tabelas pelo centro, em que as penetrações do médio centro cruzam com o pivot e os alas em diagonal, permitindo o remate; 3) as jogadas em velocidade à linha de fundo, pelo als e/ou lateral, que não só concluem com cruzamentos atrasados, mas por vezes vão com bola controlada junto à linha na direção da baliza, deixando as defesas em pânico; 4) as movimentações do Cardozo entre linhas, em que ele aparece solto para fazer a tabela/passe rasgado, para a penetração de Lima, Gaitan ou Sálvio; não é bem a mesma movimentação em tabela do #2, porque é um movimento específico do Cardozo; 5) as triangulações nas alas em que os triangulos Maxi/Salvio ou lateral esquerdo/Gaitan combinam com um médio ou um avançado que descai para esse lado. Típico destas jogadas, em organização ofensiva (diferente do #3, que é em transição) é a presença do Lima, que depois cruza para a entrada do Cardozo ou do ala do lado oposto (Sálvio e Gaitan marcaram alguns golos assim no ano passado). Há ainda o sexto tipo de jogada de golo, os livres do Cardozo e os livres para a área, em conclusões de cabeça de Garay, Cardozo, Luisão e Matic. O brilhantismo do JJ é que 1) foi ele que concebeu todas estas movimentações, com base nos jogadores que tem disponível; 2) tem tido que refazer estes modelos ofensivos por força das transferências de elementos chave do plantel; 3) com a situação do Cardozo e a dependência que estes modelos têm da sua presença, este ano está a reinventar a equipa sem ele. O VP não chega aos calcanhares do JJ como treinador. Quanto a Guardiola: ele disse tudo. Ele não precisa de inventar modelos ofensivos, porque quem tem Iniesta, Messi, Xavi e Pedro, basta levar a bola lá à frente, que eles resolvem.

Gonçalo Matos disse...

Por acaso tenho ouvido muita gente a dizer que o Porto joga à equipa pequena. Fico sempre na dúvida se é pela falta de qualidade colectiva ou se é pelo duplo-pivot. Há exemplos de equipas com dp com sucesso e que interpretam bem todos os momentos de jogo, como é o caso do Atlético. A minha questão é, será que é mais fácil trabalhar uma equipa com apenas um trinco ou com o duplo-pivot, para por exemplo, assumir um modelo pressionante quando sem bola?

Arrenka disse...

Primeiro que tudo os meu parabéns por este trabalho realizado.
Sou leitor assíduo deste blog (e posteriormente do posse) tem já uns anitos (5?). Sempre foi possível aprender um pouco mais sobre ver e compreender o futebol, bem como mesmo nos torneios e "peladinhas" entre amigos me fez evoluir mais (não tecnicamente obviamente, mas a nível de posicionamento e de condução de bola - o que fazer nesses momentos).

Deste modo gostaria de fazer um repto que é o de, se possível, fazer um glossário de termos que vocês considerem mais relevantes (ex. fixar, enquadrar, cobertura, contenção) e se possível com uma imagem ou pequeno vídeo exemplificativo.

Mais uma vez muitos parabéns e refiro o desejo de que vocês comandem, a curto prazo, a equipa técnica de clubes de primeira liga (por que não do meu Benfica).

PS: Já desde um ano em meio que considero que o Vitor Pereira é um excelente estratega e que talvez por não ter o carisma de outros treinadores não lhe deram o devido valor.
Não me importava nada que fosse o próximo treinador do Benfica (após terminar o ciclo do Jesus - ou Marco Ferreira ou quem sabe um de vós).
Um grande abraço.

NSC disse...

VP nunca será treinador do Benfica pois está demasiado vinculado ao Porto.

Fred disse...

Boa tarde

Boa análise do que era o Porto de VP.

Que software é que voces usam para fazer estas analises em vídeo?

Cumprimentos

Roberto Baggio disse...

Rumo Norte,

São opiniões.

Eu acho que do ponto de vista ofensivo não se podem padronizar lances. Só se devem criar as condições para o portador da bola ter várias soluções de passe (equilíbrios entre desmarcações de apoio e profundidade), isto para facilitar e simplificar o processo de decisão dele, dando-lhe a possibilidade de optar pelo melhor, em cada contexto.

Tu dás mérito a quem padroniza.

E eu, dou tanto crédito à tua opinião, como tu dás à minha. Que sei que é bastante.

Portanto aceito sem discutir a tua posição, referindo que a minha não muda por isso.

Henrique,

"O treinador não poderia fazer nada para tentar melhorar este aspecto?"

Poderia, e fez. Mas há uma coisa que Jesus disse na palestra a FMH, exposta no Posse de Bola, que muita gente ouviu, mas poucos percebem e relacionam. E é uma coisa absolutamente óbvia, para quem segue o futebol com atenção. Um treinador pode ensinar muitas coisas ao jogador, por forma a melhorar a sua performance. Pode melhora-lo ao nível táctico, defensivo, ao nível da criação de linhas de passe, de perceber a necessidade do colega. Mas não pode ensina-lo a ser criativo (isto ao nível sénior, claro, que é o que está em causa). E disse mais, ele só consegue extrair de um jogador, se o jogador tiver algo para ser extraído. Quantos jogadores não criativos se transformaram em criativos? Estamos a falar, na criação, em decisões que se têm de tomar em micro segundos. E ainda por cima, decisões que exigem um nível técnico muito elevado, pela precisão que é necessária na execução. Quantos jogadores com deficiências ao nível do passe e da recepção, tornaram-se verdadeiramente competentes nesses termos? É missão impossível, pelo historial de habilidade motora (qualidade e eficácia da execução), e pelo historial emocional (que permite atalhos ao cérebro para pensar e executar mais depressa) do jogador.

Mudar o historial de 10/15/20 anos de futebol, em 1,2,3,4 anos, é impossível.

Veja-se a entrevista de Klopp, em que ele diz que fala sobre a fraca qualidade técnica de Filipe Santana, sobre as horas e horas depois do treino que eles passaram a tentar melhorar isso, e sobre as melhorias que ele teve ao nível técnico. Melhorou, nada. Muito, muito, muito, pouco. O que aconteceu foi o jogador adaptar-se a essa realidade. Ficou a conhecer melhor as lacunas que tinha, e arranjou estratégias para tentar combatê-las.

rntdcarvalho disse...

Só uma pequena correcção, se me permitem, a mais uma fantástico post. A expressão em espanhol terá de ser "de Puta Madre", sem o "de" seria mais insultuoso.

M disse...

Boas...

espero que tenham a consciência que a reactivação do blog é um atentado à produtividade laboral de muito boa gente.....eu incluido!

:)

parabéns, voltaram em grande!

Roberto Baggio disse...

rntdcarvalho,

Obrigado pela correcção. Está corrigido. Estejam à vontade para fazer esse tipo de correcções que ajudem a melhorar a qualidade dos textos.

Novamente, obrigado a todos pelos elogios.

Anónimo disse...

Geralmente de acordo (por isso quase nunca comento) mas, se me permites, dás um péssimo exemplo, o jogo com o Málaga.
Para muitos considerado o melhor jogo do porto na época passada (engoliu os espanhóis - impressionante!) o que fica desse jogo?
Uma vitória magra, obtida através de um golo irregular, e mais duas (perspectiva optimista) oportunidades de golo em todo o jogo.
"Ah, e tal, não tem unidades de "topo" no ataque"...
Individualmente, este porto era muito superior (repito, muito superior) ao Málaga, por este prisma Pelegrini goleou VP!
O problema de VP não foi a falta de qualidade de Izmailov ou Varela mas sim o de ter sacrificado todos os princípios de jogo à obsessão pela posse. Nada contra se essa posse tiver, como fim último, o que se impõe num jogo de futebol: criar ocasiões de golo. Neste capítulo, o porto de VP esteve muito longe daquilo que se exige a uma grande equipa.

CARLOS disse...

Só o Isco valia pelos 3 da frente do FCP :)

Roberto Baggio disse...

Como já tinha dito anteriormente, em resposta a alguém, ainda assim, com tudo que está aqui exposto, a maioria não o iria perceber. Fica aqui a prova.
O argumento, seria igual se o Porto tivesse perdido. O argumento é a organização colectiva. As ferramentas que treinador colocou à disposição dos jogadores, o padrão que se foi repetindo ao longo da época, jogasse contra quem jogasse.
Como se vê, a equipa era bastante competente, e a posse, era utilizada para criar. Se depois os jogadores têm competência para o fazer, ou não, isso é outra conversa. Quantas situações no vídeo contaste em que uma decisão diferente teria dado uma clara, claríssima, ocasião de golo? Quantas situações contaste, que não foram ocasiões claras de golo por erros técnicos (ao nível da recepção)?
Com Isco no lugar de Izmailov, e Joaquin no de Varela, tudo seria diferente. Dava goleada, para o FCP. Que não aconteceu pelos motivos descritos.

Henrique disse...

Baggio, sim, ninguém vai conseguir fazer de mim um jogador de top :) O que queria perguntar é se achas que não há nada que um treinador possa fazer para uma equipa atacar melhor que o porto de VP. Segundo o que dizes, a forma de atacar era perfeita tendo em conta os jogadores que tinha à sua disposição. A falta de criatividade parece ser a única responsável por uma menor exuberância ofensiva do porto de VP.

Roberto Baggio disse...

A minha questão para ti é, Henrique, achas que as situações de ataque assinaladas (4,5) tinham muito potencial, e com uma decisão diferente dos jogadores poderiam ser ocasiões claras de golo?
Se achas isso, tens aí a tua resposta.
Achas que os erros técnicos, dos dois jogadores que recebem na GA, impedem duas boas ocasioões de golo?
Se achas isso tens aí a tua resposta.

E isso foi só a primeira parte!

Com executantes melhores dava goleada, e já ninguém falava da falta de criação de oportunidades de VP.

Só para finalizar, como é óbvio há coisas a melhorar. Por exemplo, a movimentação de Varela nas costas do Jackson (aqui sim trabalho do treinador), a criação da linha de passe por parte do Jackson, no lance da transição do Danilo (aqui também trabalho do treinador). Tudo coisas sem bola, repara.

Paulo disse...

Antes demais parabéns pelo excelente blog e pela qualidade geral dos "posts" aqui vertidos, desconhecia a existência deste espaço e fiquei fã. Isto posto, não concordo em absoluto com o último parágrafo do post em epígrafe. O Vitor Pereira efectivamente é um excelente treinador, bicampeão nacional e só tendo sofrido uma derrota nesses dois anos. Contudo, uma análise mais profunda ao seu trabalho no Futebol Clube do Porto demonstra uma extrema debilidade nas competições a eliminar. Vejamos, no seu primeiro ano como treinador principal dos dragões, o "VP" foi eliminado na fase de grupos da Champions, ficando atrás do Apoel e Zenit, tendo mesmo somado apenas um ponto, em dois jogos, contra o modesto clube cipriota. Apesar de tudo, assegurou o terceiro lugar do seu grupo e transitou para a liga europa - onde o Porto era o "campeão" em título - e logo na primeira eliminatória caiu, com estrondo, aos pés do City, somando um global de 6-1 na eliminatória. Concedendo que o City tinha um super plantel, aquele clube foi o mesmo que na eliminatória seguinte foi eliminado pelo Sporting do Sá Pinto. Nesse mesmo ano, foi ainda eliminado prematuramente da Taça de Portugal perdendo por 3-0 com a Académica, sendo que na Taça da Liga foi eliminado de uma forma mais aceitável, na Luz, já nas meias finais da prova. No ano seguinte, conseguiu apurar-se no seu grupo da Champions, atrás do PSG e à frente do Zagreb e Kiev, caindo na ronda seguinte contra o Málaga, de forma incrível - tendo em conta a superioridade demonstrada na primeira mão - após alterar a identidade da equipa no jogo da segunda mão, introduzindo o Defour no 11 (acabaria por ser expulso) e tentando defender a magra vantagem trazida da primeira mão. A nível interno mais uma vez caiu de forma prematura na Taça de Portugal e perdeu a final da Taça da Liga para o Braga. Resulta então, que nos dois anos de Vitor Pereira, o Porto a partir de Fevereiro apenas lutou por um só objectivo,com 1 só jogo por semana (Taça da Liga sempre foi encarada como uma competição secundária e desvalorizada pelo próprio clube). Nesses dois anos Vitor Pereira acabaria por ser campeão, sempre vindo de trás, recuperando de desvantagens que pareciam definitivas. No entanto, fica a dúvida, terão esses dois campeonatos conquistados ao "sprint" sido fruto da atitude "never-say-die" introduzida pelo VP, ou do facto de estar a competir com um rival que nesses mesmos anos se viu sempre envolvidos em provas europeias e respectivas taças internas, praticamente até ao eclipse das mesmas? ps: no seu primeiro ano o VP já era acusado da falta de qualidade ofensiva e um ataque com James, Hulk, Jackson, Lucho (a partir de Janeiro) e ainda Moutinho a apoiar está a anos luz de poder ser considerado limitado.

Anónimo disse...

"Com Isco no lugar de Izmailov, e Joaquin no de Varela, tudo seria diferente. Dava goleada, para o FCP".

Com Danilo no lugar de Sanchez, Otamendi no lugar de Weligton, Alex Sandro no lugar de Antunes, Fernando no lugar de Iturra e Jackson no lugar de Júlio Baptista, tudo seria diferente. Dava goleada, para o Málaga.
Esperava mais, Baggio...

Roberto Baggio disse...

Caro Paulo,

Para que se veja como os resultados (golos) nada dizem, nesse ano em que era acusado defalta de qualidade ofensiva, ao contrário do Jesus que nunca o é, foi só o melhor ataque e melhor defesa do campeonato.
Depois, no ano seguinte não teve James na fase fundamental da época. Por final, a mais uma vez falando de resultados, e olhando para eles de forma como os citas, não me lembro da primeira mão no dragão, mas lembro-me da segunda em manchester, e assim por alto, lembro-me de 4 ocasiões claras de golo falhadas na 1º parte... O treinador não faz com que os jogadores marquem golos.... O treinador só pode dar as ferramentas, os jogadores que as utilizem.
Para finalizar, esse City, apesar da qualidade individual, como equipa valia zero. Aliás, já nessa altura se previa que fosse eliminado pelo Sporting, depois do que o Porto fez, em termos de jogo, contra eles.

Henrique disse...

Baggio, sem dúvida que com outros jogadores as jogadas em causa teriam, possivelmente, outro desfecho. O que me transpareceu do post é que tudo o que de errado aconteceu no jogo teria sido por causa dos executantes, mas já comentaste sobre isso.

José Brito disse...

Conheci ontem este blog, e já está nos favoritos. Textos/vídeos fantásticos.

Cumprimentos.

Rafael Antunes disse...

É difícil conciliar a análise do jogo de futebol com perspectivas clubisticas ou de gosto pessoal...

VP é grande treinador pelo que dá à equipa, princípios de jogo colectivos que a aproximam da vitória... JJ é grande treinador pelo que dá à equipa, princípios de jogo colectivos que a aproximam da vitória... Mourinho idem, Guardiola idem...

Gostos pessoais/clubísticos, e concordo com a perspectiva de que por vezes mesmo os resultados, tendem a desvirtuar uma avaliação de competência ao nível do jogo e do treino...
Por um lado pelo síndrome dos 90% aqui falados, pelo outro porque parte dos resultados advêm de acontecimentos que o treinador não controla (já aqui debatido por diversas vezes)...
Também é um facto de que o que fica são os resultados, mas penso que a avaliação de competência do treinador apenas pelos resultados demonstra um pouco o desconhecimento do jogo da tal fatia dos 90%, mas aqui não me fico apenas pelos adeptos e incluo dirigentes e fazedores de opinião...


Parabéns Baggio pelo post!!! Aqui pode aprender-se futebol...

Temos de falar!!!! Muito!!!! :D

Cumprimentos

Roberto Baggio disse...

Anónimo,

"Com Danilo no lugar de Sanchez, Otamendi no lugar de Weligton, Alex Sandro no lugar de Antunes, Fernando no lugar de Iturra e Jackson no lugar de Júlio Baptista, tudo seria diferente. Dava goleada, para o Málaga.
Esperava mais, Baggio..."

Exacto, assim como o Málaga foi goleado pelo Dortmund! Ou se calhar como acabou a fase de grupos sem derrotas é que dizes isso. 3º melhor média da fase de grupos defensivamente. Quem devia esperar mais não eras tu. Está tudo aqui exposto com rigor. Não há mais que isto. Espera-se com a argumentação lógica que isto tem, se tenha capacidade de entendimento vs argumentação. A não ser que, claro, tivesses feito parte da equipa técnica de uma das duas equipas e tenhas informações que não temos.

Rafael,

Estou "sempre" online, no local do costume.
E obrigado.

Andrea Pirlo disse...

Excelente post, grande trabalho Baggio!

Anónimo disse...

Baggio, a propósito de capacidade de entendimento vs argumentação gostaria de te colocar uma questão: Quem (para ti) tinha melhores valores individuais, o porto ou o málaga? É que tua resposta é essencial para que possamos manter um mínimo de coerência no debate.
É que ao trazeres para a discussão a mítica eliminatória com o Dortmund - onde até Eliseu, esse "portento" futebolístico marcou... - só vens dar-me razão.
Ou então estás baralhado e pretendias enaltecer a superior organização colectiva do Málaga levada a cabo por um dos melhores do mundo, Pellegrini...isto apesar dos Antunes, Dudas e Eliseus.

Roberto Baggio disse...

"É que ao trazeres para a discussão a mítica eliminatória com o Dortmund - onde até Eliseu, esse "portento" futebolístico marcou... - só vens dar-me razão."

Nada mais errado. Estava exactamente a desfazer o argumento de que o Málaga tinha uma formação fraca. Que foi o utilizado por ti para tentares defender uma posição que não se percebe qual é. Como disse anteriormente, a questão não é o nome do adversário, ou o resultado. O foco, é a organização do Porto. Que se comportava desta forma contra qualquer equipa do mundo. Tendo a bola, e não dando espaços para que o adversário atacasse.

1 a 1 obviamente que o Porto tinha jogadores melhores em maior número. Mas, só na linha defensiva. No meio campo, é bastante equilibrado, no ataca a superioridade do Málaga era total.

Anónimo disse...

"Nada mais errado. Estava exactamente a desfazer o argumento de que o Málaga tinha uma formação fraca. Que foi o utilizado por ti para tentares defender uma posição que não se percebe qual é".

Era o que temia, há mesmo incapacidade de entendimento. Acabei de dizer que o Málaga tinha uma excelente equipa, fruto de uma "superior organização" mas tu, vá-se lá saber porquê, percebeste que, para mim, o Málaga tinha uma formação fraca...
Partindo de uma premissa errada, é natural que não entendas a minha posição.
Vou tentar simplificar ao mínimo.
O argumento que defendes para justificar a inoperância atacante do porto - falta de qualidade individual - aplicava-se, em doses redobradas, ao Málaga e nem por isso deixaram de ser uns justos vencedores da eliminatória.
É falso que o meio campo fosse equilibrado, e só podes ser levado ao engano pela superior qualidade de Isco e (ainda alguma) de Joaquin.
O porto tinha Fernando, Moutinho, Lucho...e James no banco, em detrimento de Defour (mais posse...).
Podias meter aí também as declarações de Pellegrini no final do jogo em Málaga: "O porto não nos criou perigo". Pois...Eis o porto de VP nas competições europeias.

Unknown disse...

Muito bom artigo, não tinha conhecimetno deste blog em português. A nível de texto e de conhecimento não anda longe dos blogs espanhois que costumo frequentar.

Reltivamente a este Portoe tal como é referido pelo autor, como se consegue explicar que mantendo quase 100% das bases defensivas de uma equipa esta, passe a defender pior, sofrer mais golos, permitir mais ocasiões e portanto causar mais inestabilidade?

Existe de facto um sub-aproveitamento de Fernando, nesta equipa do FCP, onde defensivamente se sente incomodado pelo seu parceiro de turno, que por sua vez torna residual o potencial ofensivo do Polvo. Tal como o autor e refere estes dois aspetos são resposabilidade da equipa técnica.

PS não chego a perceber as razões que levam a considerar JJ melhor que Benitez. Eu tenho a firme convicção que em qualquer pessoa ligada ao desporto, os títulos têm que entrar na equação do in/sucesso

Roberto Baggio disse...

"Podias meter aí também as declarações de Pellegrini no final do jogo em Málaga: "O porto não nos criou perigo". Pois...Eis o porto de VP nas competições europeias."

Pois eis a tua estupidez! Com os lances que o Porto teve de frente para a linha defensiva deles, só por demérito não criou situações de golo. Só na primeira parte, dava para ter goleado. E repare-se que por demérito, entenda-se tomada de decisão, criatividade, qualidade técnica. Faltou tudo isso!

Só não percebe, quem, como tu, não quer.

Entenda-se ainda mais.

"O argumento que defendes para justificar a inoperância atacante do porto - falta de qualidade individual - aplicava-se, em doses redobradas, ao Málaga e nem por isso deixaram de ser uns justos vencedores da eliminatória."

Ai sim?! Qual é o jogador da frente de ataque ou da linha média do Porto mais criativo e com mais qualidade técnica que o Isco? Com mais capacidade de passe, longo que o Toulalan? Com mais qualidade técnica que o Joaquin?! Com mais qualidade entre linhas, e em espaços curtos, que Saviola? Acho que não estás a perceber bem a coisa. A inoperância, era ofensiva, caríssimo. Como vês, não percebeste nada, como sabia, mesmo com simplificação máxima que se fez pelo texto, vídeo de Guardiola, vídeo do FCP, com os lances onde é gritante a falta de qualidade dos jogadores para criar. Inclusivamente Moutinho. Com alguns erros técnicos de Jackson pelo meio. Varela já se sabia, Izmailov é melhor que Varela, mas não é melhor que os do Málaga.

Do meio campo para frente, o Málaga tinha: Joaquin, Isco, J.Batista, Saviola, Roque Santa Cruz, Bounanotte.

E repito, estamos a falar de acções ofensivas. Acções ofensivas.

O único jogador superior, do ponto de vista ofensivo do FCP seria Jackson. De resto, Isco, Joaquin e Saviola, facilmente entrariam no onze do FCP, e Toulalan é uma questão de gosto.

PS: Você não se pode esquecer que James esteve lesionado na fase fundamental da época. Como por exemplo, nesta eliminatória.

E sim, passou justamente, porque o Defour foi um idiota.

Roberto Baggio disse...

"PS não chego a perceber as razões que levam a considerar JJ melhor que Benitez. Eu tenho a firme convicção que em qualquer pessoa ligada ao desporto, os títulos têm que entrar na equação do in/sucesso"

E não vou mais uma vez, pela 100999274763747297489 vez ter essa discussão. Vai conhecendo o blogue, e poderás perceber o porquê. Aliás, basta ires lendo esta caixa de comentários, e perceberás.

Rui miguel fortes disse...

baggio não achas seja o melhor ano de jj no benfica? achas que rogrigo evoluiu ?

DC disse...

Além do Defour ter sido idiota, o Moutinho esteve claramente limitado nesse jogo.

JJ até pode estar num nível semelhante ao de VP, duvido é que conseguisse espremer tanto um plantel como VP. 1 lateral direito, 1 lateral esquerdo, 1 trinco, 1 ponta de lança. Pelo menos nesta posições não havia suplentes. E em muitas outras havia gente ou de 19, 20 anos ou de qualidade duvidosa.

Roberto Baggio disse...

Rui Miguel Fortes,

Não. Acho que o primeiro ano foi o melhor. Não por ter sido campeão, mas por aquilo que a equipa jogava.
Este ano ainda pode vir a ser o melhor, mas para isso tem de continuar a trabalhar as dinâmicas em posse, tentar ser mais dominador nos jogos todos.

Sim. Evoluiu. Por força da confiança que ganhou por ser titular regularmente. De resto, continua igual. De vez em quando lá tira uma ou outra boa decisão na criação, ou construção, mas continua a ser jogador para marcar golos. Posso estar enganado, aqui, e o jogador até poderá estar a evoluir mais nos aspectos em que era mais fraco (relação com os colegas). Mas não me parece.

Unknown disse...

simpatia e cordaliade podiam ser outras. bom trabalho namesma

Roberto Baggio disse...

Unknown,

Peço desculpa pela antipatia e pela falta de cordialidade.

Rui Gonçalves disse...

Boas, quero desde já elogiar o tremendo trabalho que se faz neste blog e no posse de bola. Um privilegio aprender com vocês.
Quando falas na criatividade e que não se pode ensinar a nível sénior, tenho algumas duvidas, por exemplo nalguns lances que mencionaste do Moutinho e do Izmaylov em que ele perdeu a opção de passe mais vantajosa, nessa decisão concordo que exige muita qualidade técnica(precisão) e tem que executá-la muito muito rápido. Mas depois como disseste perdida essa opção ainda resta a opção de conduzir contra o adversário ou bloco para atrair e depois soltar, porque ainda havia tempo e espaço para isso, não achas que dá para o jogador tomar essa tomada de decisão conscientemente, ou seja o jogador alertado para essa opção de tomada de decisão pelo treinador, ou treinar bastante no treino comece a executa-la com sucesso!? É uma informação de conhecimento do jogo, atrair para desposicionar o adversário e depois aproveitar o espaço criado. Condução de bola qualquer jogador o consegue fazer pois tem algum tempo logo não precisa ter imenso controlo e depois o passe também é um passe curto fácil embora este tenha que ser para o espaço ou não. Jogadores como o Moutinho ou Izmaylov ou outro qualquer podia perfeitamente fazê-lo penso eu mas vê se muito pouco pelos relvados fora. Tenho reparado que o Luisão, com conhecimento táctico que tem no jogo neste momento(muito mais), tem muita mais segurança em posse, tanto na eficácia de passe, como na condução de bola a invadir o espaço à frente quando os adversários o permitem ou fecham as linhas de passe próximas, e no entanto não é melhor tecnicamente nem tem melhor condução de bola do que alguns anos.

Dennis Bergkamp disse...

TOP!

Quando for grande contracto o Baggio para meu chefe de scouting =D

Roberto Baggio disse...

Rui Gonçalves,

O problema é a percepção da situação, e o timing do passe, ou drible, no caso de se fechar o passe.

Rumo Norte disse...

Baggio:

"Eu acho que do ponto de vista ofensivo não se podem padronizar lances." Aqui, não acho que estejamos no reino das opiniões; eu diria que estás factualmente incorrecto. A padronização mais frequente de uma jogada ofensiva é o cruzamento à linha, atrasado para o centro da área. Os defesas são apanhados em contra-pé, os avançados de frente para a bola, o GR com a bola a afastar-se. O futebol alemão e inglês viveu décadas em padronizações de futebol ofensivo semelhantes. Nós, latinos, é que achamos que a criatividade resolve tudo. Eu presumo que não acreditas nesta "tese não-padronizadora", e que a forma de sobre-elevar essa componente criativa é fazer a dicotomia organização defensiva/criatividade ofensiva. Diria que mais que uma questão de opiniões, é uma questão de articulação do pensamento.

O que se pode dizer é algo diferente: dentro da padronização de jogadas, a criatividade, técnica e capacidade física do jogador tem influência no desfecho. O Porto, no célebre jogo do K92, andou 91 minutos a tentar bombear uma bola para dentro da área, sem uma ideia definida de como entrar na defesa do Benfica.

O Benfica, ao contrário, utiliza dentro destas seis formas de abordar a defesa a que melhor lhe serve, em cada momento, e isso justifica a capacidade ofensiva da equipa, contra outras muito melhores do ponto de vista técnico (a final da Europa Cup - case in point).

Se hoje falamos do VP como um excelente treindaor, deve-se a esse golo do título marcado numa jogada, excelente, de repentismo e criatividade perfeita. A única coisa que o VP fez para ganhar esse jogo foi meter em campo todos os avançados que tinha; "meter a carne toda no assador", como soi dizer-se.

A beleza do futebol vem da sua natureza multi-variável. Equipas fisicamente fortes ganham a equipas técnicamente superiores, táticas capazes anulam estrelas de milhões de euros, técnica individual arruma com equipas de organizações defensivas impecáveis. O erro e a força bruta também fazem parte do jogo.

Em conclusão: eu discordo da ideia que o VP é o melhor treinador Português. Eu digo: nem lá perto. Muito bom a conseguir resultados com recursos escassos, excelente na implementação de uma ideia de jogo defensiva, e capaz na gestão imediatista da equipa (e foi ficando melhor com tempo, diga-se de passagem): sim. Na capacidade de descobrir talentos, na gestão da sua imagem mediática, no grau de autonomia e personalidade distintiva que conquistou, e na formação de processos ofensivos: muito fraco. Aquilo que teria sido uma época de miséria para o Porto foi fransformada num momento de glória pela força criativa de um jogador manco e outro que nunca mais marcou um golo (para nem falar de jogar na equipa principal).

Um treinador tem que ser capaz de gerir todas estas variáveis, e o VP é competente apenas em algumas (muito bom nessas que apontas). De resto, bom profissional e excelente pessoa, dizem-me. E essas são qualidades que o tornam já um belíssimo treinador. Mas daí até "melhor treinador de Portugal" vai o passo de um gigante, como diria o José Mário Branco.

Abraço e continua. As tuas análises são excelentes, e eu sou leitor assíduo.

Baresi disse...

A defesa do FCP o ano passado tinha custado cerca de 43M€. (Danilo, MAngala, Otamendi e Alex Sandro)
O ataque do Benfica 38. (Cardozo, Salvio, Gaitan e Lima)

Duas maneiras diferentes de se abordar o jogo, as duas perfeitamente válidas, tanto assim que os jogos entre os 2 foram definidos por pormenores. E esses pormenores chamara-se Artur, Helton e Kelvin.

Vamos a números.
Não dizem tudo, mas dizem alguma coisa.
Nas ultimas 3 temporadas o FCP teve um "score" de 212-49 e o Benfica 204-78. Ou seja, nos golos marcados a diferença não é muita, mas nos sofridos são +29 golos!

Em 90 jogos o FCP não sofreu golos em 54 (49v5E, 60%) e o Benfica em 34 (32v2E, 37%).
Curiosamente Jesus consegue ser campeão na única época que sofre menos golos que o FCP (20 para 26).
Coincidência?

Acho que não estou muito errado se usar a velha máxima que os ataques ganham jogos, mas as defesas ganham campeonatos.

Roberto Baggio disse...

Rumo Norte,

"eu diria que estás factualmente incorrecto."

Eu não acho que o esteja. Acho que padronizar é mau, isto relativamente à decisão do jogador com bola. Sem bola, deve-se obviamente "decidir" o posicionamento, a orientação das linhas de passe, os marcadores para a profundidade, o número de jogadores em apoio, as zonas de finalização mais relevantes, etc. Mas nunca, em momento algum, obrigar o portador da bola a escolher a opção X, porque os colegas fizeram o movimento Y, uma vez que ele é que deve perceber consoante o posicionamento do adversário, e o enquadramento do colega, para onde a bola deve seguir. E é nesse sentido que acho a padronização má.

"A padronização mais frequente de uma jogada ofensiva é o cruzamento à linha, atrasado para o centro da área. Os defesas são apanhados em contra-pé, os avançados de frente para a bola, o GR com a bola a afastar-se. O futebol alemão..."

Pois, o problema da padronização, é quando isso não for a melhor opção. Se não se dá ao portador da bola possibilidade de escolher, este golo, isto para dar um exemplo, nunca aconteceria:
http://possedebolla.blogspot.pt/2014/02/comportamento-da-linha-defensiva.html

Portanto, acho que a padronização apresenta problemas à todos os níveis porque transforma todos os lances em decisões iguais. Quando o jogo, raramente pede decisões iguais.
Como disse, deve-se decidir que tipo soluções de passe o portador da bola deverá ter, e a quantidade de soluções consoante a zona do terreno. Mas o resto, para mim, deve ser deixado ao critério do portador da bola.

"andou 91 minutos a tentar bombear uma bola para dentro da área, sem uma ideia definida de como entrar na defesa do Benfica"

Isso não é bem verdade. O Porto perdeu a "paciência" que tinha da circulação a meio da segunda parte. No restante tempo, fez sempre o seu jogo. Claro que não criou muitas oportunidades de golo, mérito óbvio para a excelente organização da equipa de Jesus. Mas teve sempre a bola, e só por isso, mais perto de não sofrer, e de marcar. E depois, os imponderáveis nesse jogo eram incontáveis. A ansiedade que todos foram sentindo com o passar do tempo era notória. E só isso, no aspecto humano, é o suficiente para desvirtuar completamente uma ideia de jogo, levar a que se cometam mais erros, etc.

Roberto Baggio disse...

"Se hoje falamos do VP como um excelente treindaor, deve-se a esse golo do título marcado numa jogada, excelente, de repentismo e criatividade perfeita."

Não. Não é assim comigo. Nunca foi essa a minha opinião. Aliás, e poderás confirmar com malta do blogue, e do Posse de Bola, VP tinha acabado de assinar pelo Porto (0 títulos como treinador principal) e já o considerava excelente treinador, por conhecer o seu trabalho, e as suas ideias. Ao longo do tempo, vendo a forma como ele no FCP foi conseguindo implementar e cimentar de forma rigorosa as suas ideias de jogo, cada vez mais me convencia que estava ali um super treinador. A meio da época passada, quando ia em segundo lugar, sempre o afirmei, e mais uma vez podes ir ver os registos, que o Porto tinha um modelo de jogo superior ao do Benfica, que VP era, para mim, melhor que Jesus. Os resultados, para mim, não mudam a minha ideia sobre a qualidade do treinador. Isto porque a avaliação que faço da qualidade, é sobre as ideias que ele coloca em campo, ao serviço dos jogadores.

" Aquilo que teria sido uma época de miséria para o Porto foi fransformada num momento de glória pela força criativa de um jogador manco e outro que nunca mais marcou um golo (para nem falar de jogar na equipa principal)."

Lá está. Independentemente de ganhar ou perder ou campeonato, a minha ideia não mudaria. Na minha opinião, o Porto atacava bem e defendia bem. Ao contrário, por exemplo, do Benfica. Que no ano passado, defendia bem mas não atacava da melhor forma. O que fazia com que não conseguisse defender melhor. Coisa que este ano parece ter melhorado. Está a atacar melhor, logo consegue defender melhor (fica menos exposto as transições, por conseguir reagir rápido à perda). Não é estranho o facto de neste ano, com basicamente os mesmos jogadores ter sofrido apenas 1 golo, nos últimos 14 jogos.
Como vinha dizendo durante toda à época passada, e mais uma vez tens lá o meu blogue, Posse de Bola, para confirmar a única forma de melhorar o processo defensivo, seria melhorar a forma de atacar. Coincidência das coincidências, isso está a acontecer, as melhorias são evidentes.

"Abraço e continua. As tuas análises são excelentes, e eu sou leitor assíduo."

Obrigado, e sei que o és. São este tipo de discussões construtivas que me têm feito crescer e aprender algo com isto.

Abraço

Anónimo disse...

Os videos não dão. Podes verificar essa situação pf?