quarta-feira, 30 de abril de 2014

Formação. "At the early ages the best player is the one who dribles everybody".

Passei uma tarde de Domingo diferente. Numa experiência que me foi proporcionada pelo Maldini, tive a oportunidade de ver dois jogos, de quatro equipas de formação, sendo que duas delas são de grande reputação.

Aquilo vem sendo defendido por aqui, ao nível do treino de crianças, é verdadeiramente uma necessidade emergente. Isto porque, no passado, éramos todos brindados com a obsessão pelo físico. O desenvolvimento dessas qualidades era o essencial no treino. Hoje, voltámos a errar relativamente ao treino de jovens. A prioridade deixou de ser física, para que, desde cedo, se tente desenvolver qualidades "tácticas" que se enquadrem num modelo de jogo. Deixou-se de inundar os miúdos com barreiras, para que sejam afogados com quadros tácticos.

Nas idades daquelas crianças (10 anos), o pensamento táctico é absolutamente castrador do desenvolvimento de qualidades individuais, que lhes vão ser úteis no futuro. Sem falar dos esquemas mentais demasiados complexos, a que os treinadores sujeitam as crianças. Sendo que nem todos apresentam o mesmo grau de desenvolvimento, o foco deverá ser o adquirir de qualidades técnicas, sobretudo. E isso pode, e deve, ser conseguido com jogo/s.
O objectivo, nesta fase de desenvolvimento, é que os miúdos se transformem em monstros técnicos. Capazes de executar, com perfeição, todos os skills do jogo. Relação perfeita com a bola. Sendo que são eles que devem descobrir o jogo, através de tentativa-erro. Sucesso, insucesso. O treinador guia, e cria o contexto: 1x1, 2x1, 2x2, 3x2, 3x3, etc. O jogador descobre a solução, repete, aperfeiçoa.


Amarrar os miúdos a esquemas rígidos, e a padronização de comportamentos, é o que mais castra a criatividade dos jovens jogadores. Ele deve ter liberdade para agir, e descobrir por si a solução mais eficaz em cada contexto. E depois de errar, ele irá perceber que não foi o melhor caminho. Errando sistematicamente, poderá dar-se o caso do treinador ser mais interventivo. Mas não no sentido de castrar o jogador da sua autonomia. Mas sim na criação do contexto de exercitação certo para que a dificuldade apareça, e o jogador encontre o caminho do sucesso por repetição sistemática.

Feedbacks do tipo, baixa o bloco, o Mdef só joga a um toque, cruzamentos é sempre ao segundo poste, depois da bola entrar no lateral para onde segue?, varia o flanco, são, à meu ver, errados para seniores, quanto mais para os que estão a aprender e descobrir o jogo. Para mim, o foco do treinador, ao nível do feedback, deverá estar sempre ligado à necessidade de ajudar o jogador a descortinar a situação em que está envolvido. Não em dar-lhe a solução, mas em ajuda-lo a entender o contexto. De modos, a que eu usaria estratégias simples, no treino e no jogo como: 1x1, João. 3x2. 1x2, tens polícia, tas só , etc.

On-Topic Daniel Alves, fantástico!

38 comentários:

Dennis Bergkamp disse...

Está muita coisa ao contrário. E isso potência o que viste acontecer.

Todos querem ser Mourinhos e Guardiolas. Hoje em dia mais facilmente vês um puto dizer que quer ser treinador, do que dizer que quer ser jogador.

A uns anos falava-se, na formação de treinadores que o treino e o jogo devia ser adequado a criança, não utilizar os mesmos metodos que os adultos e os quadros competitivos deviam ser também adequados e por ai fora.

Esquecem-se de fazer formação de dirigentes. E isso complica tudo.

Qualquer treinador, ou aspirante a treinador, sabe que podes fazer trabalhos excelentes com os miudos, Ensinar o jogo, valorizar o desenvolvimento individual, procurar guiar a tomada de decisão, blalablabla. Mas quem manda, quem decide... esta completamente a #$%# para isso.

E então as pessoas percebem que só "sobes", só és valorizado, se ganhares. E isso vai transformar o processo todo.

Enquanto um treinador de séniores que é pior que zero, e passa os treinos a virar minis ganhar 800€ por mês as coisas não mudam. E é por isso que todas as semanas vais ter malta a castrar a criatividade, a preferir "bater na menina" do que ensinar o jogo.

E andamos aqui todos a enganar-nos uns aos outros =)

ps: Este post, que é deveras importante, vai ter no máximo uns 5 comentários. E isto diz tudo sobre o que realmente é importnate no futebol. Ninguém quer saber do futebol de formação. Interessa é se o Enzo joga ou não.

Roberto Baggio disse...

Sim, o problema é esse. O quadro táctico virou moda. Todos querem ser Mourinho, ainda que trabalhem numa realidade diferente, com objectivos diferentes. Vejo por exemplo o feedback que a equipa de iniados B de uma equipa de renome em Lisboa leva, por pressão dos directores, não pode perder um jogo por estar no distrital com miúdos que vão ser do nacional. Quando o importante é eles estarem a ser preparados para esse nível ao nível de treino e de jogo, independentemente dos resultados. Enfim, tudo trocado mesmo. Depois há malta que ainda se espanta por tão pouco jogador chegar a sénior com qualidade

Andrea Pirlo disse...

Este mundo é invertido até nos mínimos detalhes. E outra coisa, não alimentem o racismo. Estar com esse tipo declarações de ser contra o racismo, só cultiva, alimenta e reforça o tal racismo.

Abraço

Código Futebolístico disse...

http://codigofutebolistico.wix.com/futubi#!criatividade-e-o-futebol/c1ot2

É preciso haver um meio termo, os conteúdos tácticos são importantes, fazem parte do jogo. Quem o quiser jogar vai ter de o perceber. Agora, as coisas tem o seu tempo, a forma com são dadas e introduzidas no treino faz toda a diferença.

Vemos cada vez mais jogadores que a nível técnico nada lhes falta e depois não têm o mínimo entendimento do jogo (Quintero)exmpl. Não é esse o caminho que devemos traçar, a complexidade do jogo deve ser entendida, percebendo a forma correta para transmitir os conteúdos tácticos, mas nunca os ignorando.

Leandro Belmonte disse...

Infelizmente é uma realidade gritante essa que descreves. Há pouco tempo estive no Mundialito e foi absurdo o futebol protagonizado pela maioria das equipas do torneio(Portugueses em especial, para mim), tudo padronizado, desde jogadas a perfis físicos.
O problema é que toda a gente quer ensinar o jogo sem o perceber minimamente. Não sabem princípios de jogo mas querem á força toda que os miúdos os executem, é deprimente o estado do futebol de formação em Portugal mas toda a gente acha que está melhor porque o Benfica foi á final da Champions Lol ..

Roberto Baggio disse...

Leandro, foi mesmo por isso que meti qualidades "tácticas" entre aspas.

Abc

masterzen disse...



Completamente de acordo que o físico e a táctica ( colectiva) estão a matar a criatividade dos miúdos e por isso o seu nível futuro.

Penso que a táctica individual deve estar em todos os exercícios e que é bem diferente da táctica colectiva.

Parece-me que depois fruto desta realidade existe uma certa repulsa por parte do outro lado no ensino da táctica individual de modo a que os miúdos entendam minimamente o jogo sem bola.
Imagine-se uma situação de um lateral direito, este tem que entender que se o extremo está no meio tem o espaço livre pela lateral, mas que se o extremo estiver na linha tem o espaço livre pelo meio quer seja em condução, quer seja apenas em deslocamento.
A descoberta guiada completamente pura, sem questionar que a aprendizagem é significativa, levará uma dimensão temporal de aprendizagem muito grande e que poderá perturbar a evolução da organização com efeitos nocivos quer do ponto de vista da competição porque se forem eliminados não jogam mais, quer do ponto de vista da motivação e anímico.
Não acredito na descoberta guiada 100% pura, penso que os treinadores estão lá para orientar caminhos e nesses caminhos eles fazem as suas escolhas, terão espaço para errar, voltar a errar e através da auto-aprendizagem bem como do feedback do treinador escolher caminhos.

Em relação aos feedbacks do treinador, se este estabelecer uma comunicação aberta com os miúdos e desde cedo ensinar-lhes a fazer uma auto-avaliação penso que há espaço para lhe propor ideias do género " aquela jogada ali há pouco no 1c1, eu teria fintado para dentro, o que propões agora depois de já ter passado o lance?".
Lá está, volto a dizer que não acredito na descoberta guiada 100% pura, e penso que tu também não, porque quando dás o feedback tem policia, estás a interferir também no processo. Nesse caso o miúdo deveria ganhar o hábito de ter um estimulo visual porque olha para trás antes, ou auditivo mas dos colegas ( mais um assunto importante que é o ensinar a comunicar os miúdos, uma equipa que fala joga com 12).

Quanto tudo o resto de Guardiolas e Mourinhos o que me chateia é que a obsessão táctica está lá, mas nem nessa merda eles são bons, apresentando modelos de jogo com grandes lacunas.
Desculpa pelo comentário ser tão longo, mas este tema é para mim muito interessante.

Abraço e continuação de bom trabalho!

Dennis Bergkamp disse...

Leandro,

Viste, decerto o super chocolate que Sevilla, Betis e até Valência deu em tudo o que aparecia a frente.

Equipas super banais de Espanha chegavam a Lisboa e rebentavam com a maioria das equipas que se julgam boas.

Tudo a ver com o que é valorizado e com a competitividade que existe, ou não.

Código Futebolístico disse...

Essas instruções do "estás só" não me parecem em nada benéficas, o jogador tem de ter e criar capacidade para perceber se esta só ou não, se o treinador o fizer ele vai estar sempre à espera dessas ajudas no entendimento do contexto da situação.

Artur Semedo disse...

o problema é que quem manda não sabe ver qual é o verdadeiro resultado da equação. para o dirigente, que nisso acaba por não se distinguir em quase nada do comum adepto, ter resultados significa ganhar. só que ganhar não é o resultado, é a consequência do verdadeiro resultado: saber jogar. se não se aprende em novo, então chegando a profissional, em vez de se elevarem as qualidades individuais à potência do colectivo, vai-se andar somente a corrigir o que já devia estar aprendido.
ensinem primeiro, esperem que a teoria dos grandes números faça o resto: quanto mais jogos fizer uma equipa realmente bem preparada, mais perto ficarão os seus resultados da realidade da sua valia, isto é, das vitórias. ou, ponto ainda de outra forma, ganhar mais vezes é a consequência de se jogar bem sempre; não conseguir ganhar, porém, não quer dizer que se jogue mal, quer apenas dizer que, quem diria, pode haver mais quem saiba jogar...

Jorge disse...

Baggio:

O problema nao esta so ao nivel dos dirigentes e se calhar nao sera tanto ao nivel dos dirigentes.
Acho que os pais serao os maiores culpados. Os pais avaliam a evolucao/sucesso dos miudos e capacidade do treinador pelas vitorias e preferem colocar os filhos em equipas que ganham.
Nos niveis de formacao, uma equipa que trabalhe com o objectivo de formar (tanto em termos de seleccao de jogadores como de treino) ha de perder quase sempre contra equipas cujo objectivo e ganhar. Consequentemente, os pais querem por os filhos nas equipas que ganham, e essas equipas poderao seleccionar os jogadores que lhes dao maiores garantias de vitoria. Acabamos por ter competicoes em que jogadores talentosos sao totalmente dominados por jogadores mais desenvolvidos atleticamente e com "tacticas" trabalhadas. No fim nenhum jogador beneficia deste processo.
Acho que uma forma de evitar que isto aconteca e atraves da intervencao de uma autoridade central (federacao por exemplo) que trabalhe com os clubes para que isso nao aconteca e consiga convencer os pais que o enfase na formacao e melhor para os filhos a medio e longo prazo.
Parece-me que isso tem sido feito na Alemanha e na Belgica recentemente.

Ricsilva76 disse...

Gostava de acrescentar outras duas variaveis que para mim influenciam :
-A morte do "futebol de rua" veio alterar muito as características dos novos jogadores.
-E como o desporto escolar nunca foi aposta seria de nenhum governo e com o fim de muitos clubes de bairro o futebol de formação passou a ser um pouco elitista , pois quem tem dinheiro paga para os seus filhos irem para escolas de futebol ou para clubes de topo.
Antigamente, num clube de bairro de Lisboa, quando era iniciado e juvenil (e posteriormente cheguei a ser adjunto nesses escalões) n se podia pedir dinheiro a ninguém e tínhamos 2 bolas para 20 jogadores.
Quanto ás questões de treino, o trabalho de formação em Portugal só começou a ser notado e desenvolvido pelos exitos nos campeonatos do mundo de sub-20 . E nesse tempo vi uns videos do Prof. Carlos Queiroz em que mostrava o treino dessas situações de jogo 1x1, 2x2 3x2 etc. Não sei se conhecem esse trabalho.

Dennis Bergkamp disse...

Jorge,

Desenvolve, pff essas medidas "centrais".

Roberto Baggio disse...

"Essas instruções do "estás só" não me parecem em nada benéficas, o jogador tem de ter e criar capacidade para perceber se esta só ou não, se o treinador o fizer ele vai estar sempre à espera dessas ajudas no entendimento do contexto da situação."

Isso são coisas que os jogadores usam para comunicar uns com os outros. Eu pelo menos, quando era jogador, estava constantemente a alertar os meus colegas para isso. Pelo que me parece informação relevante, e também, um modo do treinador motivar a comunicação entre eles. Comunicação relevante, claro. Não dando instruções, mas ajudando a perceber o contexto, facilitando assim o processo de decisão. Se o treinador o fizer sempre, ele estará sempre à espera disso, mas não me parece que "relatar um jogo" esteja sequer aqui em equação.

Masterzen,

"Não acredito na descoberta guiada 100% pura, penso que os treinadores estão lá para orientar caminhos e nesses caminhos eles fazem as suas escolhas, terão espaço para errar, voltar a errar e através da auto-aprendizagem bem como do feedback do treinador escolher caminhos."

Eu acredito. Nestas fases de aprendizagem acredito a 100%. Crias o contexto, o jogador erra, erra, erra. Acerta uma, duas, 3. Sucesso. Aplaudes, reforço positivo, repetição, aperfeiçoamento. Importante criar, deixar o jogador adaptar, perceber as suas fórmulas de sucesso, sejam elas em drible, passe, condução, etc. Deixar aperfeiçoar. Se erram, criam um contexto diferente, dar feedback depois de perceber a dificuldade do jogador, e consoante a compreensão das mesmas dificuldades. Um jogador derivado do estado de maturação do seu futebol, e da sua morfologia, pode ter sucesso optando pela solução X, e outro noutro estado pela solução Y. Pelo que não pode haver padrões. A solução tem mesmo que ser deles. E é desse hábito de descoberta de soluções por si que surge a criatividade. Desde cedo, habituas os jogadores a resolver problemas por si. A "analisar e pensar", qual a situação/o que fazer/como fazer.

"Em relação aos feedbacks do treinador, se este estabelecer uma comunicação aberta com os miúdos e desde cedo ensinar-lhes a fazer uma auto-avaliação penso que há espaço para lhe propor ideias do género " aquela jogada ali há pouco no 1c1, eu teria fintado para dentro, o que propões agora depois de já ter passado o lance?"."

Sim. Entendo e concordo. Só que iria sempre no sentido oposto. Perguntar primeiro pela solução dele, para obrigar a pensar. Se ele tiver alternativa que a utiliza. Se funcionar, porreiro, se não funcionar voltar ao mesmo, e sugerir uma outra, mas só, só se ele percebeu o que se passou. Porque o maior problema, ao nível da tomada de decisão é o da percepção. E se estiveres a servir de muletas para eles, sem os deixar ter autonomia na percepção, aí eles começam a decorar e a arranjar soluções únicas, porque o treinador disse (como figura de referência que eles têm).

Como disse acima, o maior problema e a maior dificuldade, parece-me ser a de percepção. Pelo feedback, estou a focar logo o jogador no importante. Contexto. Focar na percepção do contexto. Não vou estar a relatar o jogo constantemente. Isso não é nada. E depois como disse acima, estimular os colegas a utilizarem essa linguagem por forma a ajudar o colega. Os jogadores que ajudam os outros percebem que o trabalho fica mais fácil com o contexto percebido. Os que são ajudados percebem que é essencial essa percepção. Começam a focar na melhoria da percepção. Tornam-se competentes na mesma. De futuro não precisarão tantas vezes de ajuda dos colegas/treinador. Tudo isto em conjunção com a capacidade técnica.

Roberto Baggio disse...

Artur, de acordo.

Ric, e muito mais variáveis poderíamos acrescentar. Como a que o Jorge citou. E concordo, com quase todas que vocês possam trazer.

Anónimo disse...

Quem escreve este tipico texto não sabe a realidade do futebol para os miudos com 10 anos.. Nao basta ver, tem q se vivenciar, treinar... É perfeitamente possível conciliar o táctico q dizem exigente com o doninio de 1x1, 2x1, 2x2, etc... Expirimentem 3, 5 anos treinando e certamente a opinião mudará... Ficarão surpresos com o resultado... Concentrarmos apenas e só na tomada de decisão e jogadas individuais é muito redutor e certamente não vai ao encontro das ideias do blog ;)

Roberto Baggio disse...

"Quem escreve este tipico texto não sabe a realidade do futebol para os miudos com 10 anos.. Nao basta ver, tem q se vivenciar, treinar... É perfeitamente possível conciliar o táctico q dizem exigente com o doninio de 1x1, 2x1, 2x2, etc... Expirimentem 3, 5 anos treinando e certamente a opinião mudará... Ficarão surpresos com o resultado... Concentrarmos apenas e só na tomada de decisão e jogadas individuais é muito redutor e certamente não vai ao encontro das ideias do blog ;)"

Quem escreve esse comentário não sabe o que quem escreveu viu. Viu miúdos que deveriam estar a jogar um jogo com 7 bolas (2 para cada um), por não terem domínio dos gestos do jogo. Ora se os miúdos não dominam passe, recepção, drible, condução, remate (também de cabeça), cruzamento, vão dominar isso quando? Nos seniores? Em que a preocupação é sobretudo táctica? Ou é nesta fase de desenvolvimento, sendo que o volume de treino/pratica não irá ter subidas graduais ao longo dos próximos escalões?!
Nos primeiros anos, é skills. E por skills pode-se entender, também, comportamentos defensivos, como posição de base defensiva, desarme. Ou lançamentos. Na fase seguinte sim, começa-se a introduzir organização.
De resto, o abrir linhas de passe (esquerda, direita, etc), e o colocar-se entre a bola e a baliza, e pelo menos um colega entre a contenção e a baliza é a única coisa simples e fundamental que vejo que tenha de ser ensinada aos jogadores.

Pelo que sim. O blogue defende, e sempre defendeu, que nas crianças o treino é esse. Desenvolver skills, potenciar qualidades individuais, catalisar criatividade. Claro que a coordenação, velocidade, e agilidade não podem ficar de parte.

Ricsilva76 disse...

A escola holandesa previligiava muito essa questão dos skils. Vi algumas cassetes de video realizadas nos anos 80 em que escolas do PSV e do Ajax ensinavam essas bases ofensivas de dominio, condução, passe e remate e quase sempre com adversario. Depois faziam comparação utilizando imagens de craques como Cruif e Beckenbauer a fazer os mesmos gestos. Se encontrar algum exemplos no Youtube coloco aqui

Jorge disse...

Bergkamp:

Nao tendo pensado seriamente no assunto mas acho que um dos papeis de uma entidade central seria a de coordenar o clubes que teem como objectivo principal a formacao de jogadores. Talvez separando-os competitivamente, havendo campeonatos para clubes com os matuloes que chutam de bico e jogos com equipas que dao enfase a formacao.
A autoridade central tambem pode facilitar e incentivar a troca de ideias e informacao entre as entidades envolvidas no processo de formacao.
Deveria/poderia tambem haver uma avaliacao dos processos de formacao dos clubes para que os pais possam fazer escolhas com base nessa informacao.
Por ultimo, a entidade central deveria garantir um fluxo substancial de recursos das ligas profissionais e seleccoes nacionais, que beneficiam a medio e longo prazo da maior qualidade de formacao, para os clubes de formacao.

Jorge disse...

Nao estou a par do que a escola holandesa faz ao longo do processo de formacao mas, ao falar com alguns treinadores que estao a par dessas coisas fiquei com a impressao que priveligiam as "skills" demasiado em detrimento do jogo, treinando muito fora do contexto do jogo.

Por outro lado, a ideia do futebol de rua e interessante, mas no sentido de que o jogador joga o jogo pelo jogo sem interferencia do treinador. O futebol de rua propriamente dito nao e um bom processo de formacao, ja que o miudo franzino com potencial ou senta ou nao toca na bola quando joga com os matuloes do bairro.

Nuno Ferreira disse...

O que que acham desta equipa Sub 11?
Estao a trabalhar bem?


http://youtu.be/DThjb_XyyoU

Dennis Bergkamp disse...

Já conheço esse projecto a um tempo.

São uma espécie de franshising do FCB, volta e meia os treinadores vão a Barcelona fazer formação e tal. Trabalham bem.

E em terra de cegos.... quem tem um olho é Rei.

Se forem ver com atenção o blog deles, mostram-se convencidos de que são os melhores do mundo. Se calhar, tendo em conta tudo o que ainda se passa nos USA em termos de "soccer", até podem ter razões para se mostrarem tão grandiosos.


Atenção que não é um FCB x Arsenal, são jogos entre franshisings.

Nuno Ferreira disse...

Aqui estao a competir com o verdadeiro Ajax
Uma observacao mais significativa?

http://youtu.be/vlJ5OO-jsfA

Dennis Bergkamp disse...

Tens a certesa que é o mesmo projecto?

É que o "jogar" é totalmente diferente.

No 1º video não forçavam o jogo, procuravam a superioridade numérica, atraiam para variar o centro de jogo. Assumiam 1x1 quando a cobertura estava longe.

Ok que o adversário é bem mais agressivo, mas ao fim de 5 minutos de jogo, só se via os miudos a bater na menina e a forçar situações de ataque em inferioridade numérica.

Nuno Ferreira disse...

Sim e o mesmo projecto
Entretanto o Barca ja nao os deixava usar o nome
Aqui jogam com o verdadeiro Barca
E claro que a oposicao conta e muito:

Total Futbol Academy vs FC Barcelona:

http://youtu.be/NifgML2KV-o

filipe disse...

qual a vossa opinião sobre o metodo coerver? abraços

Anónimo disse...

Boas.

Vou deixar a minha opinião, mas queria mesmo salientar que era importante continuar a abordar este tema, pois parece-me ser o aspeto central dos escalões de formação mais jovens em Portugal.

Concordo em absoluto com algumas coisas que foram ditas por aqui, tais como:
- Obsessão por se ser Mourinho e Guardiola
- Pressão para se ganhar, mesmo em escalões muito jovens
- Vontade dos pais em ter os filhos em equipas vencedoras (o que até se compreende), pouco ou nada se importando com o processo de formação

Pelo que eu vejo na maioria dos locais, fala-se muito de formar jovens jogadores, mas na prática faz-se muito pouco (até na parte de formar homens). Um treinador de jovens pode ser uma bela porcaria, mas se vai ganhando os seus jogos vai tudo bem. E isto acontece em algumas boas equipas, pois quando se tem um punhado de bons jogadores, mesmo o treinador sendo mau, alguma coisa de boa sai dali.

Além disso, existem desigualdades físicas em Benjamins, Infantis e Iniciados que em nada beneficiam os que são melhores tecnicamente. Contudo, isto será sempre um problema, pois todos devem ter direito a jogar com rapazes da sua idade, e os melhores jogadores terão que aprender a lidar com gajos muito mais fortes.

Relativamente ao processo de treino de um jovem jogador, na minha perspetiva, vejo-o ideal p/- desta maneira:
- 6 a 8 anos: foco quase exclusivo em aspetos técnicos, mas também ensinando o que para mim é mais básico, ou seja, os princípios específicos de espaço e compactação ("campo grande" e "campo pequeno"). A partir daqui já surge um pouco, de forma natural, as coberturas e tudo o resto.

- 8 a 10 anos: grande foco em aspetos técnicos, ensinando já as coberturas, a penetração/contenção e a mobilidade/equilíbrio.
Também seria aqui uma boa idade para começar a focar em técnica individual defensiva, pois é muito difícil de ensiná-la antes.

- 10 a 12 anos: muito foco em aspetos técnicos, continuando com grande foco nos princípios específicos do futebol, aumentando a sua complexidade - usar situações de 3v2, 3vs3, 4vs3, etc. Também introduzir um pouco de organização coletiva.

- 12 a 14 anos: foco em aspetos técnicos e táticos a nível individual, mas uma organização coletiva já razoável.

- 14 anos para a frente: manter um bom foco em aspetos técnicos, mas ir aumentado progressivamente o foco em aspetos de organização coletiva. Dependendo do nível (falando neste caso do topo da formação), ir já procurando aumentando progressivamente o trabalho de aspetos não tão ligados ao jogo: coordenação, equilíbrio, propriocepção, velocidade, resistência, força, etc. Obviamente que aos 14 esse foco é reduzido e aos 19 já é bem maior. (Nota: confesso que não conheço tão bem a realidade dos 14 aos 19 anos, e por isso também não posso ser tão profundo nela).

Ainda tenho que falar de outros pontos antes de terminar este comentário:

- Com os jogos reduzidos treinamos certos skills com muita propensão (passe curto, drible, receção, etc.), mas é também necessário treinar outras coisas muitas vezes, de modo a que o jogador se torne bom nisso, caso contrário nunca poderemos exigir dele um bom rendimento em algumas áreas, tais como remate, remate de longe, uso do pé mais fraco, passe longo, livres, etc.

- Algo que me faz muita confusão em equipas jovens é ver muitas combinações ao nível de saídas de bola, cantos, saídas desde o GR... Na minha visão, poderá colocar-se isso, mas uma ou outra combinação e chega. Evidentemente que depende do contexto: uma coisa é treinar a equipa da zona em sub11 e outra é treinar os sub15 do FC Porto, por exemplo.

Penso que foi um comentário longo, mas termino-o como iniciei: que se continue a abordar este tema no blog, pois é para mim de fundamental importância discutirmos este assunto.

masterzen disse...


Texto sobre o futebol base do Barcelona, em poucas linhas está muita coisa explicada.

LOS DOCUMENTOS QUE DEFINEN LA FILOSOFIA DEL FUTBOL FORMATIVO

Reuniones aparte, desde hace tres años, existen unos Power Points que definen lo que tiene que ser la filosofía del fútbol que se practica en el club, desde el primer equipo hasta el prebenjamín. En su elaboración han participado todos los entrenadores del fútbol formativo, además de otras personas que están dentro del club como Paco Seirul.lo, Joan Vilà, Víctor Sánchez o Albert Puig. Pero hay que reconocer que si alguien se ha implicado al máximo en la elaboración de estos documentos que marcan el camino a seguir, éste ha sido Tito Vilanova, tanto cuando era el segundo de Pep Guardiola, como la temporada pasada, ya como primer entrenador. Estos documentos se van actualizando periódicamente en las diferentes reuniones del fútbol formativo.

De esta forma, todo el mundo tiene claro dentro del fútbol formativo del Barça cómo hay que jugar. Y con la llegada del Tata Martino, esa filosofía no ha cambiado para nada. "Siempre hay que intentar jugar desde tu portería, pero, claro, eso no siempre es posible. Lo cierto es que los jugadores del fútbol formativo ya se fichan con ese perfil y así es más fácil. Todos seguimos la misma línea", explica uno de los técnicos consultados por SPORT. "Nunca he recibido una bronca por perder, pero si por ganar sin nuestro estilo", cuenta otro de los entrenadores.

Y es que el estilo Barça sigue siendo el que estos últimos años tantos éxitos ha dado al club.


A declaração do treinador de futebol base é priceless.
Um dia quando formos assim em Portugal não precisaremos de ir as compras no Brasil para arranjar jogadores.

Dennis Bergkamp disse...

Filipe,

Se te referes ao método de coerver no seu inicio.. É pobre.

Se estas a falar deles hoje em dia.. É fantástico. O ponto de partida é que é diferente daquilo que nós pensamos/idealizamos. Eles partem da técnica, da relação com bola. Nós partimos dos princípios.

Eles usam o 2x1 para mostrar que quando o defesa fecha a linha de passe podes utilizar a finta X. E criam a situação de treino para fazer emergir aquela acção.

Antes desse 2x1 fazem a mesma finta de forma isolada, e depois com oposição passiva. E vão manipulando o treino para repetir em diferentes contextos aquelas acções.

É giro, tem evoluído imenso graças ao grande Hugo Vicente e.. Sou fan.

Ao mesmo tempo, andamos nisto a tempo suficiente para saber que não ha receitas e que o treinador tem de ser um inventor, um criador, porque todos os contextos sao diferentes

Dennis Bergkamp disse...

Anónimo das 22:37

O ano passado estive presente numa espécie de palestra com os vários treinadores que estiveram no torneio internacional da pontinha e o treinador do FCP disse algo super interessante depois de ver alguns colegas apresentarem plataformas de ensino do jogo semelhantes a essas que apresentaste.

Disse respeitosamente tambem ja tinha trabalhado daquela maneira mas que agora, no FCP, tinham simplificado.. Olhavam para o jogo, tentavam identificar o que estava mal, o que era mais urgente corrigir.. E iam a procura disso. Procuravam o erro e exploravam-no.

Não sei bem o que pensar sobre isso, porque se por um lado faz sentido, porque dependendo dos grupos aqueles patamares de evolução podem ou nao ser adequados, por outro lado.. Não havendo uma linha orientadora.. Nao é facil saber por onde começar..

Nuno Ferreira disse...

Entrevista bastante interessante sobre este topico com um treinador da formacao do Espanyol de Barcelona:

http://footblogball.wordpress.com/2013/11/06/interview-with-rcd-espanyol-academy-coach-enrique-mateo-garcia/

LGS disse...

Bergkamp,

Em relação às medidas "centrais" que a federação poderia implementar, como o Jorge referiu, um exemplo (federação belga) está aqui:

http://www.slideshare.net/MaxRogers2/the-belgium-vision-on-youth-development


Abraço

Paolo Maldini disse...

viva LGS, já tinhamos partilhado muito do q ai está há uns tempos...

abraço

filipe disse...

valeu dennis, vou procurar saber mais sobre o hugo vicente

Schmeichel Jr. disse...

Já há algum tempo que vos sigo, mas nunca tinha tido a ideia de me exprimir sobre algum assunto.
No entanto, este tema interessa-me.

Ultimamente tenho tido umas ideias sobre o futebol que talvez vocês não tenham pensado.
Vou tentar expor a minha de forma clara e, se possível, gostava de ter o vosso feedback sobre a mesma.

Não sendo especialista em nenhum dos temas, gosto de ler e de me cultivar sobre os seguintes temas:
Inteligência Artificial (por exemplo, Redes Neuronais)
Funcionamento do cérebro humano (como assimila e processa informação, como reage a estímulos externos, como evolui face ao conjunto de experiência vivenciados)
Maximizar o potencial físico humano e fazer uso desse potencial (importância da alimentação, das horas de sono e da escolha do treino adequado a cada um)
Jogos de computador/tablets (o que estimula/vicia um jogador)
Futebol (Técnica individual totalmente definida e posterior uso dessa técnica face a estímulos externos)

Na minha óptica,
Tendo um mundo invariante, uma pessoa aprende através da experiência. Mesmo tendo o conhecimento dos nossos antepassados, normalmente só consideramos esse conhecimento como certo, após a experiência. A excepção é o conhecimento guardado geneticamente, que é especialmente importante nos primeiros anos de uma pessoa (e é o resultado de uma imensidão de experiências passadas).
Dependendo da complexidade, o nosso conhecimento pode ser criado a partir de uma única experiência ou a partir da repetição da mesma experiência (ou semelhantes).

Para criar conhecimento sobre algo é importante ter um objectivo, delinear uma estratégia com base no conhecimento atual e agir com base na estratégia. De seguida, deve-se analisar os resultados. Quanto mais diversidade nas experiências se fizer para o mesmo objectivo, melhor entendimento sobre o mesmo (em algumas situações, algo que não faça muito sentido pode mesmo ser a melhor solução do problema).
Este fluxo é usado para treinar redes neuronais e também era usado pelos cientistas que descobriram muito do conhecimento base que temos hoje.

Outra característica que quero salientar das redes neuronais é que é importante treinar uma entidade isolada de outras entidades, de forma a que esta aprenda a lidar com o mundo envolvente e só de seguida aprende a interagir com outras entidades (tirando todo o partido do que já aprendeu).

Isto parece ir de encontro ao que vocês referem. É importante inicialmente treinar a técnica e ir progressivamente adicionando "variáveis" como treinar possíveis situações de jogo. E quando digo treinar, digo perceber. Os jogadores têm de perceber como resolver cada situação. Agir de uma forma sem perceber é extremamente limitativo pois dificilmente as condições vão ser exactamente iguais.

Tinha muito mais para dizer, mas o comentário já vai longo.

Se possível, gostava de ter a vossa opinião sobre uma ideia.
Para quem está a par de jogos de computador, sabe que os jogadores são viciados em "Achievements/Conquistas". Alguns deles requerem a repetição exaustiva de acções chatas e, mesmo assim, há muitos jogadores a fazê-lo.

Faço-vos, então, uma questão:
"Acham que é possível criar estimulo de treino aos jogadores mais jovens a partir de Achievements"?

Ou seja, o clube teria uma base de dados com achievements do que se quer treinar.

Roberto Baggio disse...

"Acham que é possível criar estimulo de treino aos jogadores mais jovens a partir de Achievements"?

Ou seja, o clube teria uma base de dados com achievements do que se quer treinar."

A minha opinião é que o treino deve ser adaptado ao contexto. E o contexto pode ditar que no mesmo clube, no mesmo escalão, equipas diferentes, os jogadores tenham mais dificuldade em interpretar o passe, e maior facilidade com o drible. E na outra equipa os jogadores terem maior dificuldades no drible, e menos no passe. Logo, o treino deverá ser direccionado para à dificuldade do grupo em questão. Do contexto. Pelo que a repetição (criação de contextos que potenciem a melhoria da dificuldade X) deverá estar subjacente à dificuldade do grupo.
Assim sendo, tendo "achievments" standard, não me parece adequado.

E depois outra questão. O que seria um "achievment"?! Seria repetir um determinado gesto N vezes? Como seria medida a eficácia para se poder considerar concluída a tarefa?
Quantos treinadores seriam necessários para acompanhar 1 a 1 cada jogador na "conquista" do objectivo?

Tenho ainda a opinião que, para os miúdos o treino nunca pode ser chato. Tem de ser divertido. têm de tirar prazer do que estão a fazer. E a repetição exaustiva, num treino, do mesmo tipo de situação, é chato, nada divertido, e não estimula os miúdos a procurar por soluções (por iniciativa própria). Quando eles estão envolvidos na tarefa, por iniciativa própria, por gostarem daquilo que estão a fazer, aprendem muito mais depressa. E é esse o objectivo do treino, na minha opinião. Conseguir criar nos miúdos gosto pelo jogo, e desejo de melhorar.

Schmeichel Jr. disse...

Desde já obrigado pela resposta.

Sim, um "achievement" poderia ser conquistado através de repetições ou de um simples acontecimento.

"Por exemplo, acertar a bola com um passe rasteiro num pino a X metros de distância"

No entanto, o "tracking" dos "achievements" seria realmente algo complicado de fazer...

Roberto Baggio disse...

Eu acho que há muita coisa que dizes que tem lógica. Mas há alguns problemas. Não só no tracking, como no tipo de objectivos a alcançar. Qual seria o valor óptimo para considerar que estava concluído o exercício, e etc.... Eu penso que deve haver um maior investimento na individualidade, que é o que passas com a tua ideia. O problema são os recursos....