domingo, 13 de abril de 2014

Liverpool. Os melhores 45 minutos da Premier.


Dez vitórias consecutivas na Premier, o corolário do trabalho de duas épocas com a hipótese de lutar pelo campeonato até ao fim. Sendo que, tendo vencido o Manchester City fica com o título nas suas mãos, o maior desafio está ainda por chegar. O Chelsea, de Mourinho, é a equipa mais competente do campeonato inglês, em organização defensiva. Pelo que será difícil parar um Chelsea que se preparou durante toda à época para este tipo de jogos. Os jogos dos detalhes, da estratégia, e onde quem defende melhor (com e/ou sem bola) costuma vencer.

As semelhanças:

Carências ao nível da organização da linha defensiva e da linha média. City e Liverpool precisam de melhorar muito a sua organização defensiva, para que no futuro possam competir por títulos europeus. Competições essas que estão talhadas para o detalhe, sendo que a organização defensiva é um "detalhe" muitíssimo importante nessas provas.

Ao nível da organização ofensiva, são duas equipas que procuram construir para criar no corredor central. Como aqui defendemos, a predilecção pelo corredor central é a melhor forma de criar situações de golo por ter mais e melhores opções. Não quer isto dizer que as duas equipas não tenham optado por jogar pelos corredores laterais. Quer apenas dizer, que na maior parte do tempo, na criação, a bola entrava/saia do corredor central.


Em transição defensiva, a intenção das duas equipas é tentar recuperar a bola na zona onde ela foi perdida. Mais o Liverpool que o City. Talvez por uma melhor apreensão por parte dos seus jogadores daquilo que o treinador pretende, por estar no seu segundo ano no clube.

Duas equipas com criatividade, e construídas de forma a que os mais criativos se possam expressar da melhor forma.

As diferenças:

Sobretudo a transição ofensiva. O Liverpool procura/ou sempre explorar as transições de uma forma muito vertical. Acelerou invariavelmente para a baliza contrária assim que recuperava a bola. Ainda que fossem lances de bola parada, Mignolet procurava lançar sempre o contra-ataque assim que agarrasse a bola.
Ao nível da organização ofensiva, o Liverpool procura jogar em ataque rápido. Troca bem a bola, procura o corredor central, mas na maior parte do tempo em "explosão".

O Manchester City, mais calmo ao nível da transição ofensiva, com um bom critério entre saídas para contra-ataque, ou para organização ofensiva. Mais paciente na forma como organiza o ataque, procurando empurrar o adversário para os últimos metros, e depois decidir o melhor rumo para o ataque seguir.

O Jogo:

O Liverpool tem os melhores 45 minutos da Premier League. Entra sempre muito pressionante, no campo todo, com transições fortes (ofensivas e defensivas), e com critério na forma como constrói os seus ataques em organização. Não é de estranhar o elevado número de golos que consegue marcar, consecutivamente, antes do intervalo. É no entanto impossível manter os índices de agressividade por mais tempo do que isso, sem que a equipa se revele competente na gestão do jogo, com bola. O Liverpool não o sabe fazer. Sai sempre em contra-ataque, ou em ataque-rápido, pelo que os jogadores estão constantemente em grande esforço físico, e mental.
Assim, emerge o City na segunda parte, com uma entrada mais calma do Liverpool em jogo. Com menos pressão, com linhas mais baixas, o City, com a qualidade individual que tem, e com os bons princípios ofensivos ao nível da construção e criação, tomou conta do jogo.

Individualmente podem elogiar-se, no Liverpool, Mignolet, Glen Johnson, Suarez, Gerrard e Sterling. Coutinho e Sturridge estiveram longe do nível que têm demonstrado, sobretudo ao nível das decisões nas zonas de criação. As suas más decisões poderiam facilmente ter custado a vitória à equipa. Por outro lado Suarez mostra-se cada vez mais competente na relação com os colegas, e não se poupa a esforços para os servir. Sterling mostra muita qualidade técnica, e física. Procura espaços interiores, assim como o corredor lateral, mas sempre com a cabeça levantada na procura dos colegas. Gerrard enorme com e sem bola. Fundamental em zonas recuadas de construção, e nos ajustes quando a equipa perde a bola. No City pode falar-se de Kompany, Silva e Nasri. Todos ao seu nível habitual.

Resta-me desejar sorte a quem, com muito menos recursos, consegue desafiar as probabilidades e operar um verdadeiro milagre, ao nível da qualidade de jogo e dos resultados.

15 comentários:

Anónimo disse...

Basicamente, se não aprenderem a gerir a possa de bola, para o ano estouram cedo. Este ano tiveram a vantagem do Sporting, de não ter Europa a complicar.

Roberto Baggio disse...

Ou baixar o bloco e pressionar à entrada do meio campo. Qualquer uma vale.

Edson Arantes do Nascimento disse...

Realmente a organização defensiva do Liverpool é muito fraca. Acho que no ano passado perderam apenas 2-1 em Manchester mas eu tenho a certeza que foram para dentro de campo com referências individuais. Foi ridículo.

No resto: é o melhor futebol de Inglaterra. A todos os níveis. Com bola então são excelentes. O Sterling é um bom exemplo. Em 12 meses deixou de ser um rapazinho com tendência para ser armar em Carl Lewis agarrado à linha, de cabeça no chão, para se tornar num atleta super-perigoso, porque é forte tecnicamente e super-ágil a receber e enquadrar para onde mais se impõe, mas quase sempre para o corredor central.

Grande trabalho do Rodgers a todos os níveis, colectivo e individual (a vossa referência à evolução do Suarez é mais um exemplo concreto). Se conseguir perceber o caminho a trilhar pode ser o primeiro treinador inglês realmente fantástico.

Só gostava agora de ouvir o Mourinho sobre as possibilidades do Chelsea. Anda há dez meses com um choradinho sobre a sua equipa, quando tem jogadores fantásticos. Então o que dizer do Liverpool?

Com metade dos recursos do Chelsea está a dar-lhe um bigode.

chakra indigo disse...

Kompany???esteve nos 3 golos do Liverpool.

Roberto Baggio disse...

Sim. Kompany.

Henrique disse...

"Pelo que será difícil parar um Chelsea que se preparou durante toda à época para este tipo de jogos. Os jogos dos detalhes, da estratégia, e onde quem defende melhor (com e/ou sem bola) costuma vencer." A questão é mesmo esta. Eu concordo com a maioria da abordagem teórica que fazem ao jogo, mas depois há este tipo de equipas. Claro que não há um Guardiola ao virar que cada esquina...

Roberto Baggio disse...

E depois há os outros jogos todos (a maioria). Preparar para a maioria? Ou para o resto? Isto pensando que, " Claro que não há um Guardiola ao virar que cada esquina..."

Henrique disse...

Mas o "problema" é que a qualidade individual do Chelsea dá para ganhar a maioria dos jogos, como a realidade comprova, mesmo sendo uma equipa normal em organização ofensiva.

Roberto Baggio disse...

A realidade comprova que ganha a maior parte dos jogos. Certo. Mas a realidade também comprova que os que não ganha, são jogos que tem obrigação teórica de ganhar. Contra equipas com pior qualidade. Ou seja, ganhou 23 jogos, e não ganhou 11, de 34. Dos 11, 9 foram contra equipas piores. Sendo que fez 6 jogos contra equipas de igual ou maior valia individual (City, United, Arsenal) E empatou com o 1 com o United, e 1 contra o Arsenal.

Agora vamos lá fazer outras contas. Mete 6 derrotas, nesses jogos grandes que tem, onde não tem à partida obrigação de ganhar. Agora, dos 34 jogos, mete-o a ganhar 28, que são os jogos que ele tem contra equipas piores. Quantos pontos teria? Em que posição estaria no campeonato?

Gandaia disse...

Aí há uns posts atrás alguém referiu na brincadeira um pacto do Mourinho com o diabo.

Pois bem, Ibrahimovic lesionou-se e não jogou a 2ª mão.

Agora é Diego Costa que se lesiona e que provavelmente não vai jogar nenhum jogo contra o Chelsea.

DC disse...

E Josué hoje? Classe e mais classe!

hertz disse...

E o Skrtel? A linha defensiva organizada e ele começava a recuar e deixava todos em jogo. Mau demais.
O Liverpool terá de reforçar aquela defesa.

Roberto Baggio disse...

Josué precisa de quem o guie nesta nova etapa. Com a liderança certa, vai impor-se. Mas sim. Muito bom jogo, tirando uma decisão na 1ºparte. PS: Tenho visto o Gonçalo P. e YES! estou muito esperançado :)

Hertz,

Precisa de reforços sim. Mas precisa antes disso de melhores princípios colectivos.

Anónimo disse...

Mas o Suarez nao era aquele jogador que se não fosse o físico seria jogador de distrital? Que não tem qualidade técnica nem boa tomada de decisão? Que só joga bem contra as equipas "pequenas"? Viu-se hoje. E vao 29 golos e 21 assistencias deste jogador fraco

Pedro disse...

Suarez é um jogador do 8 ou 80. Um jogador do caraças como os seus números de assistências e golos demonstram mas ao mesmo tempo um enorme fução que faz qqr um perder a paciência. Tantas e tantas vezes que tenta o 1x2 ou 1x3 com colegas bem posicionados.