segunda-feira, 14 de abril de 2014

Lyon - Juventus. Primeiro quarto de hora.


Os primeiros 15 minutos foram bastante animadores. Sobretudo porque percebeu-se a intenção da Juve em jogar, como faz habitualmente, ainda que se trate de uma eliminatória a começar fora de casa. Pelo que isso abre boas perspectivas para o SLB, na procura dos espaços, uma vez que, abordando o jogo da mesma forma, não terá a Juventus afunilada em 30/40 metros constantemente, a tentar jogar apenas em transição.




Sobre a construção da Juventus nestes primeiros 15 minutos, seguiram aquilo que é o seu padrão normal nessa fase do jogo:

1- Procura dos alas no corredor lateral, ou de um médio que baixa para pegar enquanto ala vai na profundidade. Quando o consegue, tem no máximo um apoio próximo ou uma cobertura. Se recebe no último terço, solução é o cruzamento. Nota-se isso pelo movimento dos médios a avançados assim que o ala recebe a bola nessa zona do campo. Quando o ala recebe no segundo terço do campo tem o apoio, normalmente, de apenas um médio. Pelo que dá para aproveitar a falta de apoios próximos que o ala tem criando superioridade nessa zona para recuperar a bola, e sair rápido em transição.

2- Poderá também surgir alguma combinação com um avançado para rodar para o lado contrário, ou o jogar na cobertura para um médio de um médio. O que Conte tenta fazer para ligar o jogo entre centrais e avançados é afastar os interiores para os corredores laterais, com um movimento de ruptura por forma a aclarar espaços para os centrais terem maior sucesso no passe, e os avançados terem apenas pressão nas costas.

3- Procura da profundidade. Quer pelos avançados, quer pela entrada de médios vindos de uma segunda linha. Nesse momento haverá um movimento de aproximação do avançado para contrastar com o de ruptura do médio, por forma a confundir a linha defensiva. Rodrigo e Lima serão muito importantes neste momento do jogo para condicionar o momento de construção de Bonucci, bem como o de Pirlo. A minha solução passaria por fechar Bonucci e pressionar os outros centrais, obrigando-os a jogar nos alas, que sem apoios seriam "presas fáceis" para a recuperação de bola por estarem entregues à sua capacidade individual.



Nos próximos dias, analisaremos o que sobra deste jogo.
Sobre as individualidades, já analisadas, aqui.

11 comentários:

Henrique disse...

Excelente. Parece-me, pela análise feita agora e no passado, que o Benfica tem capacidade para discutir a eliminatória com a Juve.

João disse...

Não conhecendo muito a Juve, fiquei algo desiludido com estes primeiros 15 min de processo ofensivo. Muitas bolas longas, poucos apoios e ignorando o Pirlo...

Esperava que o Pirlo fosse pegar no jogo atrás, iniciando ele a construção.

Aguardo pelo resto da análise!

Roberto Baggio disse...

João,

O Lyon colou um gajo a fazer perseguição ao Pirlo.

Ricardo Perna disse...

Sim, nota-se claramente a "sombra" do Pirlo. O facto é que, sem ele, as jogadas parecem básicas, básicas... será que no campeonato italiano ninguém se lembrou de fazer isto, ou eles têm outras soluções que não demonstraram ali?

JoãoMPN disse...

ui.. gostei do que vi... cheira me que vamos discutir isto. nao vai ser tao facil para eles com o Pirlo pensa..
ja tou a ver o Jasus no final a dizer que tem pena pkausa do Pirlo. hahaha

FranciscoB disse...

Parabéns pelo post.

Penso que a eliminatória se vai decidir na capacidade de aproveitar as oportunidades... neste aspecto, os avançados da Juve são muito fortes e falham pouco... mesmo com uma rotina de jogo básica e c/ poucas oportunidades a Juve pode marcar facilmente...

Anónimo disse...

Pelos 15min analisados, seria importante jogar bola na lateral e a partir daí orientar para dentro e progredir para o centro. Assim, batem a contenção, e atraem novos adversários. Caso consigam libertar para zona certa e no tempo certo, deverão criar oportunidades.

O problema é se o Jesus coloca Sulejmani e Salvio, que são jogadores mais exteriores e mais verticais. Continua a ter outras soluções (Siqueira, Maxi, Enzo), mas fica mais limitado.

Além disso, acredito que o AV mais longe da bola tenha preocupações mais acentuadas com o Pirlo, embora este não vá estar sempre marcado. Também é preciso ter cuidado com o Pogba e Marchisio, que são também grandes jogadores.

Roberto Baggio disse...

Ricardo,

O Pirlo acaba sempre por tocar na bola, o Tévez acaba sempre por enquadrar, o Pogba acaba por rematar de longe, um dos médios ou avançados conseguem sempre explorar a profundidade, um cruzamento acaba por ter destino feliz.

No fundo, eles só atacam assim. Mas, têm mais qualidade individual que todos os outros em Itália.

Andrea Pirlo disse...

Eles se continuam assim na próxima época, a Roma pode ser campeã. Será o 2º ano com o Rudi Garcia, e também de alguns jogadores que chegaram, que pro ano ainda estarão melhores. Se contratarem 1/2 jogadores de Top tem todas as condições.

Ricardo Perna disse...

Sim, Baggio, mas isso é fazer fé mais nas individualidades que propriamente no coletivo. Num campeonato, com equipas mais fracas, talvez seja suficiente. Mas num jogo a eliminar, com toda a concentração, o Pirlo pode nunca tocar na bola, o Tévez pode nunca enquadrar... e eles ficam sem soluções.

Não apanharam nenhuma equipa boa? Bom, quer dizer, foram eliminados da Champions como o Benfica, portanto apanharam com certeza...

Ricardo Cunha disse...

Há uma clara preocupação de um dos avançados do Lyon em tapar a linha de passe do central para Pirlo...