sexta-feira, 23 de maio de 2014

William Carvalho. Estudo da tomada de decisão.

As jogadas que não têm qualquer comentário, foram as que me deixaram dúvidas sobre a intencionalidade dos lances, ou nas que existiram erros técnicos que impediram o lance de ter seguimento. Pelo que nessas, dou o benefício da dúvida.
Também me parece importante dizer que, em alguns lances, antes de eu ter parado a vídeo já ele decidiu uma data de coisas, bem. Como proteger a bola, procurar as linhas de passe, aguardar que cheguem apoios e perceber a colocação do adversário, etc.
Por fim dizer que ele toma globalmente boas decisões, apesar de não serem sempre as melhores. Poderá parecer difícil perceber, mas não tomar as melhores decisões, não significa que as decisões sejam más. Há boas decisões, más decisões, e as melhores decisões.

28 comentários:

Anónimo disse...

O William é fraquito, toma más decisões e o camandro, bom mesmo é o André Gomes claro:

https://www.youtube.com/watch?v=qzNYCg8d2Sc

Anónimo disse...

Deixem lá o André Gomes, mas quem é que falou do André Gomes?

Voltando ao post, é fácil dizer: "A solução de william é pior que a minha" quando estamos a ver o jogo sentados. As soluções encontradas por ele têm de ser classificadas como boas ou más de acordo com o objectivo de colocar a equipa mais perto do golo e sempre tendo em conta a pressão de executar rápido. É só um reparo, obrigado.

Roberto Baggio disse...

Hehehehe

João Silva disse...

Pois o William não presta, o (jogador que o LE exaustivamente tem analisado e elogiado, indo já no seu trigésimo post seguido, pela sua extraordinaria capacidade de tomada de decisão e inesgotável fonte de estamina, força e velocidade mas que infelizmente se encontra numa outra equipa que não é a nossa e como tal não merece a mesma quantidade de respeito e consideração que o nosso jogador) é que é bom né?! Fg sinceramente não sei porque raio venho cá todos os dias ao blog sem falhar se no final só leio disparates. Começa a ser dificil disfarçares essas palas (cor que seja de um clube adversário ao nosso, de preferencia rival) que tens nos olhos Baggio!

Cumps ;)

Roberto Baggio disse...

Hehehehe muito bom João,
De resto, para completar o teu comentário, dizer que com uma dupla pirueta, um triplo mortal encarpado, ele resolvia o jogo todo :)

Abraço

Carlos Rodrigues disse...

Para começar, dizer isto: eu tomo excelentes decisões no sofá de minha casa, mas lá dentro sou dos jogadores mais limitados, até em termos de definição do lance.

Dito isto, naturalmente que é muito mais fácil decidir sentado e com o vídeo à frente, do que lá dentro, com o sangue a mil à hora. Mas é um exercício que tem que ser feito, porque os melhores decidem bem com o sangue a mil à hora.

Olhando para o exercício do tópico, o que mais me entusiasma no William não é o facto de ele tomar sempre a melhor decisão: aqui e ali dava para ir por outro caminho, se calhar até mais rápido, mas onde o William marca a diferença (para mim), é na velocidade brutal com que toma sempre boas decisões e na segurança das suas opções, pois é raro perder uma bola perigosa.

Olhando para o que o William faz, dá sempre para dizer que aqui e ali podia ter feito melhor, mas a verdade é que ele nunca (forma de expressão) decide mal e decide o que fazer ainda antes de a bola lhe chegar - se isto é chavão com muitos jogadores, com o William é quase uma constante e há até um GIF do jogo no Dragão onde ele, com Jackson e Lucho a menos de metro e meio, tira os 2 da jogada sem sequer tocar na bola.

Na minha opinião, é esta vertiginosa capacidade de raciocínio e de leitura que marca o jogo do William. Depois, pode-se sempre dizer que dava para ter ido pela esquerda e não pela direita, mas raramente alguém pode dizer "mal jogado". E tudo isto numa fracção de segundo...

Uma nota final: nos últimos lances fala-se muito na opção pelos corredores como "menos boa" do que uma opção pelo corredor central. Mas era essa a primazia no jogo do Sporting... o jogador erra porque prefere o corredor em vez do centro ou o jogador decide bem porque é essa a opção global da equipa?

O William apareceu do nada e foi facilmente um dos jogadores com maior impacto no campeonato. Na minha opinião, com a saída de Matic não restam dúvidas quanto ao melhor médio-defensivo do campeonato e eu sou um dos que sempre admirou o Fernando.

Roberto Baggio disse...

Carlos,

O exercício que faço é mesmo genuíno. Acredites ou não, seriam mesmo aquelas as opções que tomaria no lugar dele. Isto baseado nas minhas opções enquanto jogador. Nos constrangimentos ao nível da execução que tenho, da minha morfologia, e capacidades físicas (velocidade, força, agilidade).

Devo também dizer, acrescentando ao teu comentário que concordo com quase tudo que disseste. E ainda mais, a forma como ele se procura posicionar por forma a receber sem pressão, as vezes que enquadra quando nada o fazia prever, o sentido posicional é mesmo muito bom.

Discordo, apenas, da parte final do comentário onde falas do modelo de jogo. Sendo certo que o modelo potencia mais jogo pelos corredores, havendo linhas de passe melhores no meio, não há porque não jogar para lá. Isto é, o modelo vai dar mais linhas de passe pelo corredor, e em profundidade, que no meio em apoio. Mas estando lá a linha de passe, a decisão é do portador da bola.

De resto, gostei bastante de te ler

Rui Dias disse...

Antes de mais quero dizer que me faz muita confusão que se leiam os comentários ao video como que havendo a obrigatoriedade de se conseguir fazer o que se considera mais correcto, ou seja, quando é escrito que "eu fazia x ou y" se tenha que tomar a afirmação como literal! Eu deduzi que o que o autor quer dizer é que a solução que entende ser a melhor e a x ou y e não que a conseguiria executar (ainda que possa conseguir....podemos estar a ler o toure :D !

Quanto ao William confesso que esta época me fez engolir em seco algumas opiniões que tive sobre ele nos primeiros jogos! As primeiras vezes que o vi não acreditei que tivesse a capacidade que tem! É um jogador de alta rotação e desempenha uma função no SCP que preenche totalmente o meio campo da equipa (recupera, desarma, guarda, lança...)! Olhando ao fisico do jogador, essa não era uma característica evidente! Digo isto pois fisicamente (não estou a falar de altura, largura, etc....) não evidenciava aquela resistência física toda! A fibra nos músculos das pernas era quase inexistente (á vista obviamente) e olhando aos jogadores que são TOP nestas posições é por demais evidente o desenvolvimento físico que apresentam. Obviamente que em duas ou três épocas vai acontecer o mesmo com o William se se mantiver ao mais alto nível….

Quanto á sua qualidade de jogo realço duas coisas! Por um lado uma grande capacidade de antecipação nos lances defensivos e por outro lado a sua grande vontade de se tornar um criador! Se por um lado me parece já um óptimo especialista nas cobertura e contenções, não creio que já seja de TOP na criação. Mas tem muita vontade de ser e tem uma visão de jogo muito desenvolvida para o tempo que de jogo em alta competição pelo que vai atingi-lo rapidamente (se tiver o treinador certo!).

Ainda assim é muito difícil fazer esta avaliação de um jogador com tanto potencial quando este está inserido numa equipa e num modelo que jogo que não considero de grande qualidade. Acredito claramente que o William inserido num modelo de jogo que privilegie mais os apoios frontais e menos o lançamento de bolas longas nas alas o favorecerá muito mais! Ter um médio centro (pena o André Martins não ter tido muito minutos….) que jogue em apoio frontal ao MD iria permitir-lhe decidir melhor muito mais vezes pois teria muito mais linhas! Neste caso, e o vídeo utilizado demonstra-o bem, o jogador é demasiadas vezes forçado a virar-se para se enquadrar com o jogo ofensivo da equipa muito por culpa da falta de linhas de passe disponíveis quando recebe (ou rouba) a bola.

Parece-me que muitas vezes a opção tomada pelo William é fruto da indicação que recebeu no balneário. Isto é evidente pois desde o slimani começou a ter mais minutos foi evidente a maior tentativa do William de lançar bolas na ala e nas costas dos centrais adversários. Creio que essa opção fez parte da estratégia do Leonardo jardim por forma a aproveitar a maior velocidade dada pelo slimani na frente…. No incio da epoca, quando ainda víamos o André Martins jogar regularmente, ele soltava muito mais a bola ao primeiro toque.

Na próxima época (seria muito importante para ele não sair de Portugal!!!!) penso que iremos vê-lo com uma capacidade de decisão na entrega da bola muito superior e que irá ser natural vê-lo lançar menos bolas longas pois não acredito que Marco vá manter a mesma ideia de jogo do Leonardo jardim! Penso que irá optar por um jogo muito mais apoiado, com linhas mais juntar e, creio, com um avançado centro e um médio muito ofensivo o que permitira á equipa criar muito mais linhas quando o William recuperar e enquadrar!

Para bem dos adversários do Sporting é bom que o Marco não leve com ele o Evandro  caso contrário o SCP teria um super meio campo! Se a estes se juntasse o Montero como “médio ofensivo”…..upa upa!

Cumprimentos

Roberto Baggio disse...

Rui, deixa-me só deixar a minha opinião sobre um ponto: Ao nível do posicionamento, defensivo, ainda não me parece que esteja ao nível exigido para ser top. Por culpa, óbvia, do modelo em que está inserido, e consequente menor exigência do treinador.

Cumps

Norberto disse...

Gostei do Video, no entanto gostaria de deixar alguns reparos: Acho que sempre que tomas como " Má " ou " pior" uma decisão do William numa saida de bola jogar, ao lado, em vez de jogar num " André Martins" ou no Gerson de Costas está errado, jogar no A.Martins de costas só tem 1 fundamento.. Receber de novo o passe! Passar ao Lado tem muitas mais vantagens. Um dos princípios básicos de um MDefensivo na saída de bola é nunca jogar a um colega de costas para o Jogo ofensivo no seu meio campo. Pode sofrer uma antecipação e o adversário fica de frente para a baliza em velocidade. Posto isso, por exemplo a decisão do William aos 18 segundos do video é MUITO MELHOR que a Tua, alias a tua não só é pior como está errada. Abraço e continua essas analises!

Rui Dias disse...

Se tivermos como "bitola" um Touré ou um Busquets concordo contigo!

Mas para um miudo que no ano passado andava a brincar ao futebol...parece-me que é a sua qualidade mais inata.

Podemos estar perante um dos melhores de sempre em Portugal nesta função num futuro nao muito proximo!

Imagino o que o JJ faria com um potencial destes....

Schmeichel disse...

Baggio, o Carlos Rodrigues e o Rui Dias "roubaram-me" de certa forma o comentário. Eu também penso que muitas vezes ele privilegiava o jogo nas alas porque era essa a movimentação que estava mecanizada pelo treinador.
Recordo-me de um jogo em que o Sporting faz o movimento típico de baixar o ala para entrar o médio interior nas suas costas e o adversário já conhecendo a movimentação desloca o médio defensivo para esse espaço abrindo uma cratera no centro que o Carlos Mané explora com uma rotação simples (em vez de jogar no lateral para ele colocar no espaço onde o médio iria entrar, conforme estipulado). Ele conduziu a bola à espera de fixar um adversário e soltar, mas a jogada não teve sucesso porque nenhum colega lhe deu solução de passe... Quero com isto ilustrar apenas o que penso do Sporting do Leonardo Jardim tinha uma limitação (que no início do campeonato foi uma força) que era ter um futebol demasiado padronizado (e creio que em parte esteve na base da progressiva dificuldade da equipa em vencer os seus jogos).
Como Sportinguista preocupavam-me a incapacidade da equipa circular a bola, a quase total ausência de jogo interior e de apoios frontais (com Slimani seria muito difícil, com Montero seria bem mais fácil, reconheço), para lá de alguns aspectos defensivos, claro.

Roberto Baggio disse...

Norberto,

" Um dos princípios básicos de um MDefensivo na saída de bola é nunca jogar a um colega de costas para o Jogo ofensivo no seu meio campo. "

outro princípio é que não devem jogar a mais de 2 toques! 1, 2 toques no máximo! E pelo tom irónico da minha intervenção, já podes depreender que não concordo nem com uma, nem com outra. Não concordo que o médio defensivo tenha qualquer limitação ao nível de jogo (princípios específicos), do que os seus colegas mais adiantados, ou mais recuados. Isso são chavões do futebol "antigo", com os quais não estou de acordo.

Por exemplo, no lance do segundo 18, que falas, a minha opção parece-me melhor, por melhorar as condições de ataque que o passe do William. No passe do William, há as opções todas para onde o central pode jogar. No meu passe, para além de existirem menos jogadores adversários, há a opção de receber e enquadrar (caso o adversário não aperte), de tirarr a contenção do caminho, ficando só com a linha defensiva pela frente, eliminando 6 jogadores, de passar para o extremo do lado direito, que está numa situação de 1x1, com espaço nas costas do defesa, de devolver em William, ou para os centrais, caso a contenção não deixe enquadrar, e aí, aproveitar o espaço que o jogador em contenção abandonou (nas costas de A.Martins). Portanto, não vejo como o central que recebe de William, tenha condições melhores para resolver o lance que A.Martins. Se eu estiver sempre a pensar que um jogador vai perder a bola, meto só 3 no ataque e 7 a assegurar a transição defensiva. Exagero, claro. Mas só para que se perceba a minha posição.

Rui, "Se tivermos como "bitola" um Touré ou um Busquets concordo contigo!"

O Touré é fraco ao nível do posicionamento. O Busquets aceito. Outra referência é o Matic. Estou a dizer que ainda não tem o nível exigido para ser top. Mas, com o treinador certo, com tempo, irá ter.
E sim, poderá se um caso único na posição de Mdef. Mas, por exemplo, não me parece ao nível do P.Sousa, quanto a mim o melhor nacional da posição de sempre. Mas terá nível para chegar lá bem perto!!!!! O que significa nível mundial!!!!!

El_tigre disse...

Em termos tácticos eu diria que o melhor nacional nessa,posição era,o costinha apesar das imensas debilidades na construçÃo de jogo, que num meio campo como do porto eram disfarçadas pela capacidade do maniche e do déco na construçÃo. Sim o Paulo Sousa era o mais completo pena as inúmeras lesões

Paolo Maldini disse...

baggio, alertaram-me que há um problema no video...

Anónimo disse...

O Costinha também é o melhor a vestir.

Nuno Rodrigues disse...

Bom dia,

Acho que é das primeiras vezes em que aqui comento, apesar de ser um leitor regular deste óptimo blog. Ficam desde já os meus parabéns pelo bom trabalho.

Quanto ao post: não concordo com este tipo de análise de 'decisão do jogador' versus decisão do analista sentando em frente ao PC a ver e rever lances.
Não nos podemos esquecer que em jogo as decisões são tomadas em fracções de segundos, por isso é natural que nem sempre sejam aquilo que diz a teoria. No video que colocaram reparei em pelo menos 2 exemplos que referiram que a vossa opção era diferente da do William, mas não consideram por exemplo o movimento que o William está a fazer, que é contrário ao que deveria ser na vossa opção, ou o sentido de movimentação dos jogadores adversários.

Com este tipo de análise acho que nem o Xavi reuniria consenso.

Continuação de bom trabalho

Roberto Baggio disse...

Caro Nuno Agradeço. Mas achas mal. Cumprimentos

Anónimo disse...

ahhhhhhhhhhh gaaaaaaaayyyyyyyyyyyy

Alexander Sweden disse...

A análise sobre a melhor opção de passe no contexto "óculos de massa no nariz e rabo sentado numa confortável poltrona enquanto se bebe um gin tónico" versus contexto "atleta no relvado condicionado pelas indicações prévias do treinador e do momento e vicissitudes do jogo versus 10 atletas de alta competição da equipa adversária que espumam da boca até lhe tirarem a bola" pode produzir avaliações injustas porque pode beneficiar ou prejudicar o avaliado. Não obstante contextos completamente distintos, parece-me, ainda assim, um bom exercício, porque permite analisar em teoria quais os jogadores que tomam supostamente as melhores decisões.

Há no entanto várias falhas na análise: a melhor decisão considerada pelo analista tem em conta que parâmetros? O dever de atacar em rápidas transições (onde o passe para o lado pode destruir a estratégia); obrigar os adversários a avançar no terreno (onde o passe para trás poderá ser melhor opção que fazer um passe brutal de 30 metros), etc, etc.? Outro ponto importante: quando se faz a análise na poltrona temos de ter igualmente em conta as indicações do treinador. Ex: Jardim pode ter referido ao WC que em certos momentos de jogo é preferível jogar invariavelmente pelas alas em detrimento do jogo central ou vice-versa. Resumindo, no contexto gin tónico e óculos de massa poderá levar-nos a pensar que num determinado lance haveria melhor decisão a tomar, mas no contexto momento de jogo e indicações precisas do treinador a opção do jogador poderá ter sido a decisão perfeita.

Quantas vezes os treinadores não ficarão insatisfeitos com um jogador porque não obstante parecer aos comuns mortais que tomou a melhor decisão, fê-lo contrariando um princípio de jogo, logo, na ótica do líder não terá enveredado pelo melhor opção?

Assim, concluo que este tipo de análises, não obstante interessantes, são ingratas para o analista porque não consegue contextualizar a realidade, já que não tem forma de saber quais as indicações prévias e precisas do treinador. Além do mais saber o contexto do jogo no momento em que o passe foi realizado dá muito trabalho (importa saber se naquele momento a equipa está a perder, ou a ganhar, se falta pouco tempo para o jogo terminar, se o atleta está em inferioridade física porque levou uma porrada à dois segundo e é preferível fazer o passe para atrás do que inventar, etc. etc.). É igualmente ingrato para o atleta porque está a ser avaliado sob parâmetros completamente distintos daqueles a que se vê obrigado enquanto profissional de futebol. Pensar que um jogador de futebol pode fazer o que lhe dá na real gana desde que não perca a bola é demasiado redutor. O futebol hoje em dia é quase uma ciência. Não conhecendo as leis que regulam essa ciência (decretadas entre as quatro paredes de um balneário) torna qualquer análise pouco credível. Por ex. se no contexto universitário eu corrigir um exame de um aluno não sabendo de antemão o que o professor especificamente lhe pediu nem a forma como as aulas foram ministradas, fundamentando-me apenas no conhecimento que eu tenho sobre a matéria vai seguramente sair borrada.

Roberto Baggio disse...

Nunca vi ninguém queixar-se das análises tácticas aqui feitas, uma vez que não estamos em posse do modelo do treinador, e do pormenor estratégico ao nível de treino.
Entretanto, dizer que não percebeste que a minha opção não é a de sofá. É a de quem conhece, viveu, experimentou, durante anos, o contexto futebol nos vários níveis. Portanto estou em condições de perceber exactamente o que faria em cada situação que descrevi.
Por último, como se vê, pelas comparações, percebem-se claramente quais as minhas limitações à todos os níveis, comparativamente com o William.
Quanto ao exemplo das aulas, considero infeliz. Se não, o que dizer dos exames nacionais? Ou os exames de final semestre? Iguais para todos os alunos, independentemente do que o professor pediu? Corrigidos por outros que não conhecem o processo (que se passou dentro da sala de aula e avaliações nesse contexto).

Futebol é um pouco assim. Tem uma linha comum que guia todos. Apesar das óbvias diferenças de interpretação dessas linhas. Mas aí, é alguém dizer-me discordo, porque isto, ou aquilo. E pronto. Cada um fica com a sua opinião e amigos na mesma.

Roberto Baggio disse...

Quanto aos treinadores que protestam por o seu jogador ter tomado a melhor decisão, são treinadores burros.
No futebol, manda quem tem bola. Quem tem bola são os jogadores. E eles, devem optar pelo que eles acham melhor sempre. Independentemente das regras, burras, que o treinador possa meter.

Alexander Sweden disse...

Mas os exames nacionais têm em conta programas semelhantes, onde os professores que ministram o conhecimento sabem previamente o que o avaliador pretende do avaliado e onde a cartilha é a mesma. Estava-me a referir a um qualquer exame do dia-a-dia das escolas, mais precisamente do ensino superior na área das ciências sociais, onde a prova é naturalmente avaliada pelo próprio professor de acordo com o modo como deu a aula, segundo o programa que ele próprio decidiu e em consonância com as dicas que foi dando aos alunos durante o semestre. No futebol cada treinador tem a sua própria cartilha e conceito de futebol, sabendo de antemão que os seus "alunos" não vão ser avaliados por uma entidade externa que aplica os mesmos critérios de avaliação, mas sim por ele, logo a comparação que fiz aos exames parece-me pertinente.

Quanto ao "nunca vi ninguém a queixar-se", isso não significa que a realidade seja imutável. O dia de amanhã é sempre um novo dia. Acho a análise interessante, no entanto parece-me que é alvo de algumas críticas. Tentei rebater de forma construtiva, com algum humor, no sentido de demonstrar o outro lado da questão. Pode ser um método importante, porque permitirá que os treinadores demonstrem aos seus jogadores, de forma pragmática, como e onde podem melhorar no capítulo da decisão, mas sempre de acordo com os critérios daqueles, da visão que têm e do tipo de futebol que pretendem implementar na equipa, ou seja numa tónica subjetiva, não de uma perspetiva objetivista (mesmo que feita por alguém que foi praticante).

Temos o exemplo o José Mourinho que nitidamente dá indicações precisas a cada jogador do que deve fazer em campo, que tipo de passes realizar e para quem, que opções tomar perante as mais variadas situações de jogo. O Jesus idem. O jogador deve jogar de acordo com as diretrizes que lhe dão, até porque na relação jogador/treinador, este último é que é o superior hierárquico. Daí não ser estranho que alguns treinadores se incompatibilizem tecnicamente com certos jogadores. Vid. o caso do David Luiz, um jogador claramente indisciplinado que gosta de ir para além do previamente projetado. Não deixa de ser um bom jogador, mas subjetivamente, tendo em conta a perspetiva do treinador JM, é dispensável porque não cumpre escrupulosamente com o que lhe é pedido. Num negocio de milhões é natural que o futebol se venha a assemelhar cada vez mais com uma grande empresa, onde cada funcionário deve cumprir na íntegra com o projetado e não inventar muito. Para inventar estão lá os gestores, no caso o treinador e equipa técnica. Podemos não concordar com esta tónica, mas o futebol caminha cada vez mais nesse sentido. Mesmo a criatividade, que terá sempre lugar, é utilizada dentro de um colete-de-forças previamente definida pelo treinador. Exemplo: Jogador X pode driblar, mas não quando lhe apetece, apenas em determinadas situações e depois cruzar para o primeiro poste onde estará o jogador Y . Se todos fizeram como indicado estará lá alguém para cabecear. Se não estiver, o erro de decisão não foi do jogador X, porque tomou a melhor decisão (na perspetiva subjetivista do treinador, mas que na nossa pode parecer uma má decisão), mas sim do avançado que decidiu ir para o segundo poste porque lhe pareceu que teria mais hipóteses de marcar golo. Analisar as decisões de um jogador em concreto, desconhecendo o aspeto subjetivo, para mim é injusto e potencia o erro de análise.

Roberto Baggio disse...

A mim não parece que potencie erro nenhum. É uma análise, baseada em determinados conceitos de jogo que eu domino. Traduzindo: opinião. Podes discordar. Claro. Como disse atras, e amigos na mesma. Mas não podes dizer que é subjectiva. Porque de subjectiva não tem nada. É do mais objectivo que se pode ser, tendo em conta o que este blogue sempre fez. E tendo em conta o que é possível fazer com a informação que nos é disponibilizada.

RB disse...

Off topic

O Moyes é um sortudo...
Depois de treinar o United consegue treinar o Real...

É ele, certo?

Gonçalo Matos disse...

Não te parece que o William tem uma aversão em jogar no apoio frontal quando enquandrado?

Nunca tinha feito este tipo de análise mas há uma preferencia por passar a redondinha para os flancos. De qualquer forma, eu diria que também poderá ser devido ao modelo do Jardim. Que achas?

Roberto Baggio disse...

Ele e 90% dos jogadores :) sobretudo os que jogam em posições mais recuadas.
Não me parece que o Jardim tenha peso nisso. Antes de ele estar com o Jardim, já tinha este perfil ao nível da tomada de decisão.

Gonçalo Matos disse...

acho que é por aí que tem de evoluir o modelo do Sporting e o William, também. É tão fácil jogar no apoio frontal