terça-feira, 5 de agosto de 2014

"Alguém com as características do Ronaldo ou o Messi vão ter sempre um envelhecimento pior que um Xavi... porque ambos os casos a capacidade física é mais preponderante... enquanto no caso de Xavi é a leitura de jogo e capacidade de passe que fazem a diferença"

Sobre a opinião de alguns leitores, acerca da preponderância da excepcional capacidade física que Messi tem no seu jogo...

O que distingue Messi não é a velocidade. Ou melhor, é a velocidade. Velocidade com que toma decisões acertadas. Qualidade na leitura da situação de jogo, se quiserem. O que distingue Messi dos demais velocistas é precisamente o facto de ele não precisar da velocidade para desequilibrar. Ele usa algo melhor, como usam Xavi e Iniesta.

Retirado de um artigo passado do Posse de Bola, de um jogo de Messi na época passada, veja-se a capacidade de resolver situações complexas, no treino.

22 comentários:

Gonçalo Mano disse...

O Messi quebra contenção de forma extraordinária, mas aquele defesa direito Deus nos acuda...

Alexis não conseguiu fazer isso com o defesa esquerdo.

Dipeca disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Dipeca disse...

Antes de mais, espetacular foi encontrar isto:
"DC disse...
O incrível é a facilidade com que parece que ele faz isto. O Tello ainda vai fazer uma transferência milionária à custa destas bolinhas do Messi.
Acho que até eu conseguia enganar muita gente se tivesse estas bolas a cair-me nos pés."

DC, achas que o Tello conseguiu a tal transferência ? ;).

Baggio, este é o Messi com menos notoriedade (mas com a mesma qualidade), e é para isto que ele vai evoluir qdo o físico começar a falhar. Aqueles dribles incríveis que abrem telejornais vão deixar de acontecer.. Por aí a frase sobre o envelhecimento ser pior é compreensível. Mas acho que custará mais ao CR7. Contudo mesmo o CR7 vai encontrar outras soluções, como jogar mais posicional e com menos correrias (como o Ibra talvez)..

Dipeca disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Miguel Pinto disse...

Sem dúvida que o Messi alia a sua capacidade técnica ao timing da sua decisão como poucos o conseguem fazer. E se tiver pela frente linhas defensivas como esta que mais parecem os bonecos que o lopetegui trouxe, melhor será para a conclusão da jogada. Lembro-me que o Rui Costa também adorava este tipo de jogada e recordo aqui o Anderson, antes de ir para o M. United, que a meu ver poderia ter sido quase tão bom como o Messi não tivesse o Ferguson castrá-lo tão precocemente.

DC disse...

Hehe Dipeca o Tello conseguiu ser emprestado ao melhor clube possível.

Mas olha que acho que este ano vamos ver, pelo menos no Dragão, bastantes vezes este movimento do Tello.

Anónimo disse...

por mais que ele use a cabeça, faz muito a diferença com a mudança de velocidade aliada à capacidade de mudar de direcção sem a bola descolar do pé.

usa muito mais a vertente física que o xavi.

Matic disse...

Boas pessoal,

00:49 - Independentemente do comportamento desta linha defensiva. Reparem, bola descoberta no pé do messi à entrada do setor 4. Complicado. Até que ponto é que este estímulo deve traduzir-se no garantir da profundidade? Não sei. É que a velocidade do Tello, que vem de trás, quando comparada com a da linha defensiva (velocidade relativa) é muito superior. Para mim, em determinadas situações como esta, parece-me que este estímulo deveria ter uma resposta diferente do que se postula. É que se esta linha de 5 sobe, bem concentrada, mesmo que a contenção seja quebrada, os espaço inter-defensivos são reduzidos, o que complica a vida ao portador da bola (é que ele nem está enquadrado). Mesmo que o passe saísse, o Tello vindo de trás àquela velocidade, com grande probabilidade, era colocado fora-de-jogo.

No fim de contas, o que coloco em questão é a adaptação da relação estímulo-resposta no controlo da profundidade da linha defensiva em determinada zonas do campo, em determinados contextos. É que no lance imediatamente seguinte, a bola está coberta e, claro, a linha defensiva sobe, garantindo o fora-de-jogo. Mas a mim tem-me parecido que a primeira referência talvez não devesse ser o facto de a contenção estar ou não lá. Parece-me, sim, que nestas situações, a referência deveria estar no homem que desmarca em rutura. Na sua velocidade e distância para a linha defensiva.


Aguardo feedback.

Abraço,

Bruno Estanque Viegas disse...

Para realçar as características que querem evidenciar no Messi este é um muito mau exemplo. Basta ver que os 3 lances seguem um padrão, o que evidencia muito mais debilidades do Levante do que propriamente a mente criativa e capacidade de decisão do Messi.

Roberto Baggio disse...

Dipeca, para quem acha que o jogo do Messi é aquilo, sim. É compreensível só desse ponto de vista. Para quem, como eu, vê o Messi e o vê a cada cem bolas entregar 90 aos colegas, em passe simples, ou para tabelar, não o é. Porque Messi quando envelhecer vai ser o Iniesta. Ou se quiseres, o Zidane.

Matic, discordo. Isso ia desalinhar a linha defensiva. Porque nem todos controlam os que se desmarcam na profundidade.

Bruno, sim. Seguem de facto um padrão. No Mesmo jogo, Messi e mais 2 ou 3 contra muitos conseguiu criar sem recorrer à velocidade. É de facto um padrão.

Lica disse...

Mas é claro que fará uma enorme diferença a perda das capacidades fisicas. Messi nunca mais será Messi...mas será um Iniesta ou Xavi o que já é fabuloso!

Mas discordo quando relativizam a importancia do fisico. Messi so foi Messi porque tinha tudo o que Iniesta ou Xavi tinham, mais a enorme velocidade e agilidade. Ou era tudo o que um Di Maria ou outro grande driblador era, mais a enorme capacidade de decidir sempre bem consoante o que o jogo lhe pede. Era o facto de aliar tudo, que o fazia um extraterrestre, o melhor de todos os tempos. Mas esse Messi não existe mais, e não existirá mais. Penso que é isso que a maioria pensa. E por isso houve tanta discórdia com a vossa opinião durante o Mundial.

Lica disse...

Quando falei é Di Maria. É Di Maria + golos de um CR7...

Matic disse...

Baggio, concordo. Foi a primeira coisa que pensei. Ainda assim, penso que é possível com referência em que controla a desmarcação na profundidade, e sem descorar a referência que é a bola, manter o alinhamento da linha defensiva. Acho que a comunicação verbal tem um forte contributo para a coordenação interpessoal. Agora, é só um pensamento, as coisas são sempre mais difíceis fora do pensamento e no momento de operacionalizar.

Matic disse...

E deixa-me acrescentar que nesta zona do campo, dada a menor profundidade do próprio campo, o passe para a profundidade, por norma (como nos dois últimos lances do filme), tem sempre um indício: O enquadramento do portador da bola. Outra referência.

Roberto Baggio disse...

Lica, eu não relativizo nada. Eu digo é que não é, nem nunca será, o aspecto marcante do jogo dele.

Messi se não tivesse as extraordinárias capacidades físicas que tem era só o Zidane. Só. Pelo que, se percebe, que o jogo dele não ficará particularmente afectado sem velocidade, porque ele não faz uso regular da velocidade nos jogos. As acções dele são muito mais do tipo Iniesta (90 bolas por jogo) do que do tipo Robben. Portanto, se o jogo dele vai ficar afectado como o do Ronaldo, Robben, ou do Di Maria, não. Vai ser tão afectado quanto o Iniesta, o Silva, ou o Xavi, ou o Zidane...

Matic,é uma ideia. Que não vejo como possa resultar, porque os jogadores que estão na bola, estão na bola, sem hipótese de fugir ao posicionamento que adoptam em função dela, daí serem eles a marcar o FDJ. Os outros depois alinham por eles. De outra forma, só vejo mesmo confusão, e linhas de profundidade diferentes no corredor central ou lateral. Quanto à verbalização, penso que é importante, mas mais ainda o é ter alguém a comandar. E não vejo que possa ser alguém no corredor lateral a fazê-lo. E mais, isso para mim traria problemas como uma maior distância das coberturas ao portador da bola. Mas como disse, sou eu que não concordo. Não é o mundo. Pelo que é uma questão de na prática verificares se isso funciona, e depois vai-me dando feedback.

O GR e o Lateral direito, na minha opinião deveriam ter estado muito melhor. O DD mais fechado, e na linha de profundidade dos colegas já chegava para causar verdadeiros problemas ao Tello, ou mesmo cortar fácil o lance. Nos outros lances, ele baixou sozinho, sendo que deveria manter a referência dos colegas no corredor central para se posicionar.

Shield from Tyrrany disse...

Benfica lineup will be virtually the same as last year. Those who say otherwise are blatant liars - http://thesoccerprophet.blogspot.pt/2014/08/benfica-starting-lineup-will-be-much.html

Benfica will handily win

Gonçalo Matos disse...

Já agora, alguma ideia de um exercicio para conseguir treinar esse comportamento, Matic? É que ias depender ainda mais da capacidade de decisão dos teus jogadores da linha defensiva, de interpretar quando deveriam subir. é que tendo um jogador como referencia, tens de ter um olho no burro (bola) e outro no cigano (Tello)...

Sui Generis disse...

Mentalidades... (1º parágrafo)

http://visaodemercado.blogspot.pt/2014/08/criancas-esquecam-ronaldo-e-messi.html

Não há um lateral esquerdo francês? xD

Mais um excelente texto,

Abraço

Rafael Antunes disse...

A questão que o Matic põe até é pertinente... E eu penso muitas vezes sobre isso...

Garantir profundidade até à linha de golo Baggio?

Roberto Baggio disse...

Rafael, tu sabes o que penso sobre isso. e quando é que, no meu modelo, a defesa começa a alinhar na linha da contenção, e não pela cobertura :)

Anónimo disse...

Chego tarde a esta conversa mas discordo totalmente. Aquilo que distingue os grandes jogadores é precisamente essa capacidade de conseguirem-se sempre reinventar depois dos 30. Há dezenas de exemplos. Quantos querem?

Os hitóricos mais antigos: As posições que Gérson, recuando para médio, ou Zagallo, evoluindo de extremo para interior, tiveram depois dos trinta no Brasil. O modo como Puskas se reinventou com trinta anos e trinta kilos a mais no Real Madrid. Até Di Stéfano teve um final de carreira assim. Mais para a frente nos anos oitenta os exemplos abundam: Schuster, e o seu recuo no terreno em fim de carreira, o melhor jogador de sempre Diego Armando Maradona, que ameaçou em 1994 já quase veterano fazer o seu melhor mundial de sempre mais recuado no terreno, não fosse a bodega do dopping, e Matthaus, que jogou os últimos da sua brilhante carreira a libero como na célebre final de 99 da Champions, que seria o seu último jogo( o facto mais insólito do jogo, que poucas vezes vejo alientado: foi substituido ao minuto 89 para os aplausos. Como bom alemão baixou a cabeça, e aceitou a decisão, mas no seu olhar viu-se que não concordou... A sua equipa ganhava por 1-0. Nos descontos perderam 2-1...).

Mais modernos: o excelente final da carreira de Luís Figo, que não tendo a velocidade do inicio da carreira compensou isso com uma coisa que deus lhe dotou chamada massa cinzenta. O excelente final de carreira de Ryan Giggs, que sim também ele foi um velocista.

Abundam exemplos destes pelo que discordo totalmente do post. A arte de um génio, como o são Ronaldo e Messi, está em saber reinventar-se quando as suas pernas já não reagem da mesma forma. Como sportinguista lembro-me sempre de um exemplo especifico. Última época de Vítor Damas à baliza. A idade avançava, e ele não ia para novo. Já quase que não se mexia, simplesmente as bolas iam sempre ter com ele. Mentalmente nunca vi um guarda redes mais forte na minha vida.

Moral da história? Um grande jogador não pode ficar como Dorian Gray agarrado ao retrato que tinha do passado, quando era jovem. Tem que saber viver e aprender as virtudes das rugas!

SL

Pedro Pita

Anónimo disse...

Chego tarde a esta conversa mas discordo totalmente. Aquilo que distingue os grandes jogadores é precisamente essa capacidade de conseguirem-se sempre reinventar depois dos 30. Há dezenas de exemplos. Quantos querem?

Os hitóricos mais antigos: As posições que Gérson, recuando para médio, ou Zagallo, evoluindo de extremo para interior, tiveram depois dos trinta no Brasil. O modo como Puskas se reinventou com trinta anos e trinta kilos a mais no Real Madrid. Até Di Stéfano teve um final de carreira assim. Mais para a frente nos anos oitenta os exemplos abundam: Schuster, e o seu recuo no terreno em fim de carreira, o melhor jogador de sempre Diego Armando Maradona, que ameaçou em 1994 já quase veterano fazer o seu melhor mundial de sempre mais recuado no terreno, não fosse a bodega do dopping, e Matthaus, que jogou os últimos da sua brilhante carreira a libero como na célebre final de 99 da Champions, que seria o seu último jogo( o facto mais insólito do jogo, que poucas vezes vejo alientado: foi substituido ao minuto 89 para os aplausos. Como bom alemão baixou a cabeça, e aceitou a decisão, mas no seu olhar viu-se que não concordou... A sua equipa ganhava por 1-0. Nos descontos perderam 2-1...).

Mais modernos: o excelente final da carreira de Luís Figo, que não tendo a velocidade do inicio da carreira compensou isso com uma coisa que deus lhe dotou chamada massa cinzenta. O excelente final de carreira de Ryan Giggs, que sim também ele foi um velocista.

Abundam exemplos destes pelo que discordo totalmente do post. A arte de um génio, como o são Ronaldo e Messi, está em saber reinventar-se quando as suas pernas já não reagem da mesma forma. Como sportinguista lembro-me sempre de um exemplo especifico. Última época de Vítor Damas à baliza. A idade avançava, e ele não ia para novo. Já quase que não se mexia, simplesmente as bolas iam sempre ter com ele. Mentalmente nunca vi um guarda redes mais forte na minha vida.

Moral da história? Um grande jogador não pode ficar como Dorian Gray agarrado ao retrato que tinha do passado, quando era jovem. Tem que saber viver e aprender as virtudes das rugas!

SL

Pedro Pita