terça-feira, 14 de outubro de 2014

"São os jogadores que jogam" Fernando Santos

Aproveitar as palavras de Fernando Santos para recuperar um texto antigo

"Avaliação do trabalho dos treinadores. O processo e o resultado.

Desde sempre, mas talvez com maior relevância desde o fenómeno Mourinho que o público em geral tem a tentação de elevar os treinadores à condição de deuses. Não necessariamente no bom sentido, mas no sentido de que as vitórias e as derrotas passam apenas pela sua performance, ignorando que são homens / mulheres que jogam o jogo e não máquinas comandadas por estrategas.

É por isso que nas caixas de comentários continuam os argumentos de que X é bom porque venceu 3 campeonatos, ou Y é mau porque em 5 anos apenas venceu 2. Como se o jogo fosse treinadores contra treinadores, quando são jogadores contra jogadores.

O treinador deve ser avaliado pelo processo. Pela organização da sua equipa. Nunca pelo resultado, não ignorando que com organização garantidamente que obterá bons resultados para o contexto que exerce.

Na época transacta, por exemplo, viu-se Jorge Jesus ser considerado responsável pelos únicos pontos que perdeu em toda a segunda volta até se sagrar campeão nacional. Num jogo em que o seu avançado falha um penalty no último minuto. E se Cardozo tivesse acertado na rede. O treinador era bom? Ou o exemplo perfeito. Quando há dois anos Vitor Pereira foi incompetente durante uma época inteira depois de Jackson ter perdido 4 pontos em penaltys, para voltar a ser um bom treinador, depois de Artur Moraes ter tornado um belíssimo treinador num incompetente (que perdeu um jogo em trinta e contra uma das melhores equipas de toda a história em Portugal, que alinhava com Hélton, Danilo, Alex, Mangala, Otamendi, Lucho, Moutinho, Fernando, James, Jackson, Varela. Coisa / Milhões pouca / poucos). Para o público em geral só há um treinador bom por cada Liga. E só se percebe quem é o bom quando acaba o campeonato. Nada mais errado, obviamente. Estes erros de avaliação grosseiros revelam não só um total desconhecimento do que é o trabalho do treinador, como surgem maioritariamente associados a uma incapacidade gritante para perceber a qualidade dos jogadores. Normalmente os “seus” jogadores são todos craques e melhores que os do adversário. Logo, a incompetência será sempre do treinador. Por exemplo, Jesus foi tornado réu por não ter sido campeão num ano em que do seu plantel inteiro só um, dois, máximo dos máximos três jogadores do seu onze entrariam na equipa de quem se sagrou campeão. Claro que na altura bateram muito por aqui. Sobretudo quando se elegia James como estratosférico e o melhor da Liga. Hoje, apenas porque alguém pagou um valor estapafúrdio talvez já seja bom. Antes não era…

Ao treinador compete dar armas (organização) para que os seus atletas sejam mais do que individualidades no campo, mas que se saibam relacionar entre si, com princípios colectivos. Que ocupem o espaço e se movimentem com e sem bola, ofensivamente e defensivamente, de acordo com ideias comuns. Neste espaço valorizamos os que para além de conseguirem criar estes princípios, o façam em todos os momentos do jogo. Tratem todos os momentos com a devida importância, e que como tal tenham a equipa preparada para jogar o que o jogo der. Conseguindo isso, o melhor treinador do mundo pode perfeitamente perder com o pior. É que são humanos que jogam o jogo.

E é em função disso, que ainda na época passada, naquilo que será garantidamente um choque para quem não vê o jogo com olhos de ver, declarei aqui que Jorge Jesus é bastante superior a José Mourinho enquanto treinador de futebol. Porque as suas equipas estão muito mais preparadas para o jogo que as do mais titulado treinador português.

Se alguém se der ao trabalho de analisar jogos de um e outro perceberá facilmente que ofensivamente as equipas de Jesus têm movimentações que permitem mais linhas de passe ao portador, que oferecem mais, mais variadas e mais próximas soluções para prosseguir as jogadas (em apoio, em ruptura, à esquerda, à direita, em cobertura). Que defensivamente o jogo de controlo da profundidade que permite a equipa manter-se mais compacta, mais próxima e ainda assim não consentir bolas nas costas é bastante superior em Jesus do que o que é nos últimos vários anos de Mourinho. O controlo da largura. Não há um momento do jogo em que Mourinho se superiorize a Jorge Jesus. Mourinho que continua ano após ano a pescar jogadores saídos dos colectivos de Jesus, para que pouco depois pareçam apenas banais nas suas equipas.

E é porque a generalidade do público não percebe o que é o trabalho do treinador que o futuro de Marco Silva no Sporting pode tornar-se preocupante. Em poucos dias, viu-se organização. Ideias. Jogar colectivo. Enfim, competência. Todavia, a herança pontual e de classificação é demasiado grande para a qualidade individual da sua equipa. Se Leonardo Jardim entrou (e saiu) na hora perfeita, Marco Silva fá-lo num dos anos mais difíceis de agradar à massa adepta leonina. Não interessa se naquilo que o treinador controla Marco mostra credenciais. Se pela qualidade individual que têm os jogadores do Sporting não conseguirem a percentagem de pontos da época transacta (e tal não se afigura nada fácil), o mais fácil será pedir-se responsabilidades a um treinador que até apresenta mais argumentos que o seu antecessor. Não desprezando qualidades óbvias que Jardim tem.

Quem segue o blog há muitos anos recordará os textos com imagens a expor a falta de organização do Sporting de Sá Pinto. Tudo aleatório, jogadores sem se relacionarem entre si, enfim, tudo à deriva. Total desvalorização das individualidades porque não haviam ideias. Bastava ver aquela organização para se poder classificar de mau o trabalho do treinador. Independentemente do resultado dos jogos. Marco Silva por seu lado mostra qualidades precisamente porque naquilo que controla mostra organização. Se há décima jornada tiver zero pontos, a opinião será a mesma. Há organização. Naquilo que o treinador controla o treinador do Sporting é bom. Mas, não é o treinador que joga. Falta só perceber-se os detalhes (restabelecimento de equilíbrios, um pouco de maior encurtamento do espaço em largura, e jogo posicional de controlo da profundidade na última linha, defensivamente. E número de caminhos (movimentações) para a baliza adversária, ofensivamente) que são no fundo o que separa os bons dos óptimos.


P.S. - Mourinho gera amores e ódios. Não tome a opinião actual sobre o trabalho de Mourinho, como algo relacionado com a sua personalidade. Apenas o que mostra no campo. Para que perceba que não há amores / ódios, basta consultar as etiquetas com o seu nome para perceber a influência grandiosa que teve em tudo o que por aqui se escreveu / escreve desde sempre.  E era mais fácil elogiá-lo agora que priva quase diariamente com um dos autores que iniciou o blog comigo."

P.S. - As considerações à qualidade individual da equipa do Sporting são anteriores à chegada de Nani. É apenas um jogador, mas e como referiu o treinador do SL Benfica, faz toda a diferença no jogar de toda a gente.

49 comentários:

Gonçalo Mano disse...

Maldini,

Excelente artigo, como sempre.

Mas deixa-me que te diga que é uma batalha perdida, o Sporting empatou dois jogos com golos dos adversários nos últimos minutos e ouvi logo um amigo meu: "Este Marco Silva é outro Paulo Sérgio"

Enfim, não percebem nada do que é o trabalho de um treinador.

Não sou treinador (Longe disso até), mas perceber toda movimentação global, ofensiva e defensiva, de um grupo de seres humanos (usando as tuas palavras), bem como a lógica inerente a essa movimentação, é um dos meus grandes prazeres a ver futebol.

Mas nunca poderemos, como disseste, dissociar o factor "Qualidade" do jogador que executa as instruções do treinador.

Mais uma vez, parabéns pelo artigo.

PS: O que acharias deste meio-campo da selecção: William, Tiago e Danny?

JD disse...

Admito que o que dizes em relação a JJ ser melhor do que o Mourinho seja verdade.

Mas não estarás só a fazer uma comparação entre o que é visivel, isto é, o jogo jogado?

Não é Mourinho muito superior na outra componente da actividade de treinador? por exemplo, na gestão das emoções do plantel? Na motivação e foco que coloca os seus jogadores? Na pressão que coloca nos seus adversários? Ou seja, não é Mourinho muito superior no inner game dos seus jogadores e adversários?

É que pode por si não ganhar campeonatos, mas que ajuda...ajuda.

FXF disse...

Quando inicialmente "postaram" este texto, referi que há uma componente que o treinador não controla mas dá uma preciosa contribuição que é na parte mental da sua equipa.

E aqui podem-se ganhar jogos e até competições com uma boa força mental! Basta pensar nos exemplos de Scolari em Portugal ou Mourinho no Inter... Não tenho uma dúvida que poucos treinadores conseguirão pôr um jogador com o Eto'o a fechar o lado esquerdo da defesa como se fosse o Materazzi.

É aqui que reside a diferença de Jesus para Mourinho... Jesus é muito bom tacticamente / tecnicamente, mas, tenho sempre a impressão que as suas equipas não estão 100% comprometidos com ele...

O misto de Jesus e Mourinho era o melhor treinador do mundo.

Pedro disse...

O que tu teimas em aceitar é que muitas críticas são ao trabalho do treinador. Mas adiante é discussão já gasta.


rochacj85 disse...

Muito bom!

Anónimo disse...

Tudo certo mas continuam a neglicengiar uma grande parte do que também é o trabalho do treinador hoje, dentro e fora do campo. Senão fosse assim hoje já não faltam bons manuais, que por acaso também foram os grandes responsáveis pelo salto qualitativo de JJ, antes e depois de Belém. Como o próprio já está farto de admitir.

Edson Arantes do Nascimento disse...

Ya... claro. E no ano passado, por exemplo, o Benfica ganhou não sei quantos jogos com menos um jogador em campo. Deve ser porque eles não estão "comprometidos" com o treinador.

E depois quando saem dizem que foi o que lhes mais ensinou (J. Garcia, Aimar, Matic, A. Gomes), ou vemos agora o N. Oliveira a voltar para ser treinado pelo Jesus. Enfim. Quando é para falar à toa vale tudo menos tirar olhos.

E em relação ao Mourinho: então a tal facilidade "mental" não serviu no Real? Então é assim que um treinador "impecábel" na gestão do balneário - seja lá o que isso significa - diz que o CR7 "não é o verdadeiro Ronaldo"?

Bom, devemos ter parâmetros diferentes para analisar as coisas. Na boa.

Quanto ao texto: muito obrigado, Maldini. O que aprendi aqui ao longo dos anos não tem preço. É um prazer.

Mordomo do Império disse...

Primeiro e mais do que tudo, bom artigo.

No entanto, e indo de encontro ao que alguns já aqui comentaram, não me revejo na totalidade do artigo.

Exemplos não faltam onde outros factores são muito importantes para além da capacidade 'técnica' dum treinador. E uma delas passa obviamente pela liderança e gestão do grupo. O que Simeone tinha à sua disposição o ano passado estava, por exemplo, ao mesmo nível que o Benfica tinha quando entrou na Champions em 2013. Aliás, nem o próprio Simeone não parece ter a mesma capacidade de JJ na construção dum modelo de jogo. No entanto o espírito de superação, adequação aos meios disponíveis, disciplina, crença foram os factores que levaram a que o Atlético tenha tido a época que teve. JJ não tem essa capacidade, e as suas equipas demonstraram isso muitas vezes. É claro dizer que JJ é melhor treinador que Simeone? Também é algo que diferencia muito Mourinho de JJ.

A real beleza do futebol é as diferentes formas de se poder ganhar o jogo, goste-se ou não desses modos, uma importante forma de avaliação do treinador é o que obtém com os meios disponíveis. Por essa razão respeito a adequação de modelos de jogo 'feios' aos meios disponiveis numa equipa.

zdamen disse...

Totalmente de acordo.

Mas permite-me que lance uma questão, que pode ou não ter enquadramento neste post:

Um treinador deve sobretudo aproximar a equipa o mais possível do sucesso, e tendo isso em conta, deve construir um modelo maximize as características dos jogadores que tem ao seu dispôr. E quando, para atingir este objectivo, tem que colocar em causa o seu modelo? Quando existem circunstancias tais, que o caminho mais directo (e de maior probabilidade) para o sucesso implica abdicar dos seus princípios?

Um exemplo leigo:

Tenho um Jardel (o avançado!) na equipa. Sei que bombeando/cruzando bolas para a área a probabilidade de marcar e vencer jogos é muito elevada. O que fariam por exemplo vocês?

Anónimo disse...

eheheh.... Ò Edson, não se faz!
Dar banho de água gelada ao que vai restando do argumentário para desvalorizar Jesus.
São os mesmos que acusavam Jesus de esgotar a equipa com o decorrer das competições. Os tontos dos jogadores davam sempre o seu melhor, até exaurirem e cairem para o lado, diziam eles, porque "não" estavam "comprometidos" com o treinador.

Ele há com cada uma.

Baresi disse...

"O que Simeone tinha à sua disposição o ano passado estava, por exemplo, ao mesmo nível que o Benfica tinha quando entrou na Champions em 2013"

A exigência competitiva que uma equipa como o Atlético tem, semana após semana, na Liga Espanhola, só encontra paralelo quando o Benfica joga com FCP, SCP ou BRaga...

António Jorge disse...

Ninguém detém a verdade, mas a vossa opinião é do mais lógico e sustentado que se pode ler sobre futebol em Portugal. Parabéns.

Dennis Bergkamp disse...

Zdamen,

Se tens um avançado desses, o modelo de jogo deve servir para tirar partido disso.

Agora.. é diferente correr a Capel e cruzar de olhos fechados de criar condições para que quando a bola é metida na cabeça do menino ele esteja nas melhores condições para o fazer.

Se através da circulação de bola e dos desiquilibrios que consegues criar no adversário, conseguires ter 1x1, 2x2 ou até superioridade numérica na area... a melhor opção pode ser o cruzamento, e podes claramente tirar partido das caracteristicas do avançado.

O jogo tem possibilidades infinitas de sucesso, quem tem unhas para tocar a guitarra vai sempre tirar partido das caracteristicas dos jogadores.

Era uma imbecilidade desperdiçar o que de bom o Jardel (ou outro como ele) pode dar a equipa.

O modelo de jogo é uma "coisa" em permanente construção, influênciada por imensas coisas.

Não há one size fits all =)

Joao disse...

Excelente texto maldini, mesmo.

Sem falar do seu trabalho actual no chelsea 2014/2015, mourinho mudou muito desde os seus tempos no... chelsea.
O seu ultimo ano no chelsea, depois Inter, real madrid e agora o seu primeiro ano no chelsea foram terriveis.
É como se fosse outra pessoa. Ficou só a personagem.

Bruno Pinto disse...

'Jorge Jesus é bastante superior a Mourinho enquanto treinador de futebol' Discordo. Percebo o alcance desta polémica afirmação, mas obviamente é muito discutível. E não vou sequer entrar no campo daquilo que cada um ganhou, pois concordo quando se diz que um treinador não deve ser avaliado pelo resultado (mas também), sim pelo processo e organização da equipa. Lembro-me bem da organização do FC Porto 2002-03 e 2003-04, foi das equipas mais competentes em todos os momentos que vi até hoje. Não tenho dúvida que se iria superiorizar ao Benfica campeão de Jesus num campeonato. Se compararmos a organização de uma equipa e outra, logo aqui, cai por terra a afirmação acima. Mas o que quero salientar é que Mourinho tem vindo progressivamente a mudar, de forma CONSCIENTE. Tem abdicado de alguns dos princípios por que se regia no início da carreira, pois acredita que a obtenção de vitórias é mais importante que a forma de jogar das suas equipas. Mourinho quer ganhar, nem que para isso abdique de algumas coisas em que acredita para jogar melhor. E isto leva-nos à discussão de que não há um modelo perfeito para se ganhar. Há um que é considerado o esteticamente mais belo e perfeito, mas para ganhar há vários. Foi isto que Mourinho percebeu desde cedo e que o autor da afirmação não percebe, pois parece acreditar que há um modelo específico que aproxima uma equipa da vitória. Por outras palavras, achar que, neste momento, as equipas de Mourinho jogam um futebol pouco atractivo, por incapacidade deste em pô-las a jogar futebol atractivo, é profundamente redutor. Ele simplesmente acredita que o caminho mais curto para ganhar campeonatos é outro. E, por exemplo, bateu num campeonato a melhor equipa da história do futebol, que foi o Barcelona de Guardiola. Não foi obra do acaso ou da sorte certamente. Cumprimentos

IronMan disse...

Excelente! Concordo com tudo.
Embora hajam muitos outros factores que influenciam o desempenho dos jogadores e consequentemente da equipa.
Vou falar apenas de dois que nunca ninguém fala e que podem afectar seriamente os jogadores e a equipa (directamente o desempenho do treinador), situação familiar e o atraso ou não pagamento de salários.
Ah e tal isso não tem nada a ver com o jogo, com as tácticas ou com modelos de jogo. Tem, tem, são os jogadores que jogam. Sem jogadores não há tácticas, modelos de jogo nem sequer jogo.

Paolo Maldini disse...

"foi isto que Mourinho percebeu desde cedo e que o autor da afirmação não percebe, pois parece acreditar que há um modelo específico que aproxima uma equipa da vitória. Por outras palavras, achar que, neste momento, as equipas de Mourinho jogam um futebol pouco atractivo, por incapacidade deste em pô-las a jogar futebol atractivo, é profundamente redutor. Ele simplesmente acredita que o caminho mais curto para ganhar campeonatos é outro. "


1 campeonato ganho nos ultimos 4 anos... qd até ai tinha uma percentagem astronómica...

e tu vens com o percebeu n sei o q q o faria ganhar...? a sério...?

Bruno Pinto disse...

Sério, a ideia é exactamente a que expus acima e não é um campeonato ganho nos últimos quatro que a torna cntraditória. Só é preciso puxar um bocadinho pela cabeça e perceber o que está escrito.

Bruno Pinto disse...

até porque a mudança de Mourinho começou sensivelmente muito atrás desses 4 anos últimos de que falas...

Anónimo disse...

Na IURJasus só há táctica crlh! Deixem-se mas é lá de tretas. Uma panela de pressão é uma panela de pressão e um Bimbo é um Bimbo!

Mordomo do Império disse...

Baresi,

'A exigência competitiva que uma equipa como o Atlético tem, semana após semana, na Liga Espanhola, só encontra paralelo quando o Benfica joga com FCP, SCP ou BRaga...'

Ou seja, mais me ajudas. No entanto podes sempre medir a diferença de rendimento das 2 equipas na champions. E o Atlético até tinha um grupo bem mais complicado.

joão nogueira disse...

Então agora já respondes a comentários Maldini?

Pedro Manuel Anastácio disse...

Bruno Pinto

Muito poderia ser dito a respeito de Mourinho mas a verdade é que neste momento o seu modelo de jogo está ultrapassado e aprova disso é que em Espanha mesmo com melhores jogadores e mais equipa que qualquer adversário era mais fácil o Real perder do que o Barça empatar.
Porquê?
Simples, é a soma de todas as partes, o Barça tinha e tem um estilo de jogo formatado desde sempre a cabe a cada treinador que lá entrar interpretar esse estilo e dar-lhe o seu cunho, com Rijkard era a magia do seu tridente atacante, com Guardiola era um futebol que obrigava quase que a um jogo de ping pong com os olhos pois não havia marcações que fizessem sentido perante tal estilo, com Vilanova apesar de ainda ter algo de Guardiola tb se notava alguma necessidade de haver sempre uma individualidade, com o actual treinador tudo é canalizado para Messi ou Neymar.
Mourinho tinha e tem um estilo de jogo combativo, que no seu inicio no Porto e no Chelsea fazia sentido, depois alterou esse estilo para algo mais robusto e tático na sua época de Inter, tendo conseguido sempre agarrar equipa pela "vontade", mas cgeha ao Real e tudo muda, apanha um grupo de consagrados, onde reina o Melhor do Mundo, e depois diz-lhes "pessoal isto é futebol mas eu quero é resultados"...dizeres isto a um monte de gigantes consagrados é um crime, é como dizeres a um Musico de Orquestra que agora só pode tocar música pimba...
O grupo do Real perdeu a vontade de jogar pelo Mourinho perdeu o gosto pelo jogo, e tornou-se demasiado mecanizado e sem sentido.

O que torna Jesus diferente para melhor de Mourinho, é a capacidade de para além de extrair o melhor de cada jogador consigar com que o jogador o faça numa posição para a qual não era tido nem achado, e com essa adaptação partir depois para uma inclusão do jogador na sua posição de origem e tu veres o mesmo jogador a jogar e dizeres que não é o mesmo jogador.
Dar te um exemplo prático, Rodrigo antes de ser avançado de referência para o JJ foi extremo esquerdo, foi extremo direito, foi médio ofensivo e foi 2º avançado, isto porque em cada função exige certas e determinadas reações às quais um jogador conseguir se superiorizar.
Não é por acaso que Aimar que trabalhou com muitos treinadores consagrados diz e admite que JJ o surpreendeu pela capacidade de meter a equipa a jogar sem obedecer padrões ou regras especificas, com JJ o estilo de jogo deve ser consoante os jogadores do plantel e não algo que vem nos livros.
Fala-se em táticas e em estratégias mas se leres um pouco do que diz JJ na sua entrevista tens a ideia perfeita do que ele pretende no Benfica,fica-lhe a falta apenas as condições financeiras de poder manter uma equipa durante 3 épocas seguidas para conseguir colocar a equipa no patamar de excelência, ninguem duvida que por exemplo Di Maria se fica mais uma época no Benfica que não se tinha tornado melhor do que é hoje, mesmo Witsel se tem ficado mais um época teria de certeza ido para um campeonato muito superior...

Uma coisa é certa todos os que foram treinados por JJ falam da sua capacidade de por a equipa a jogar um futebol que lhes dá gozo, já de Mourinho elogiam a importância que dá ao grupoo de trabalho apenas

Aza Delta disse...

Sem tomar partido de ninguém, apenas fazendo um pouco de advogado do diabo:

Porque é que o Jesus tem mérito por ir a duas finais europeias porque "aproximou a equipa do sucesso", e não se pode usar o mesmo argumento para o Mourinho, que há anos que chega às meias finais da liga dos campeões? Como se refuta a ideia de que também o mourinho procura aproximar a equipa do sucesso, e fá-lo com algum sucesso, pois chega sempre às fases de decisão da época?

Porque é que para o Jesus o ter ganho 2 campeonatos em 5 não significa nada, e para o Mourinho (o mesmo número de campeonatos nos últimos 5 anos) já significa?


Baresi disse...

Não percebeste o que quero dizer.
Com todo o respeito com os Boavistas e Belenenses deste campeonato, tirando 3/4 equipas do nosso campeonato, todos os outros jogavam para não descer de divisão em Espanha.
O que faz com que os jogadores do Atlético joguem sempre a alta-rotação a época inteira, porque se assim não o fizerem, perdem o jogo.
É isso que falta ao campeonato português (estruturalmente não tens cidades de 1-2 milhões de pessoas que sustentem o negócio futebol como há em Espanha), e é algo que não irá mudar.
Para seres melhor, tens que jogar contra os melhores.
Os 3 grandes portugueses passam 1-2 meses a jogar contra equipas fracas, e depois querem que elas estejam num patamar de competitividade altíssimo quando vão jogar para a Europa. Na Champions existem umas 10 equipas superiores a qualquer equipa portuguesa, e outras 10, com tanta qualidade que a nossa.
Podes ir ver os jogos do Chelsea, e ver quantas vezes é que eles tiveram tanta oportunidade 1x0 como tiveram em Alvalade.
Por isso é que eu digo, que nenhum dos nossos clubes é favorito quando apanha na Europa equipas de Inglaterra/Espanha/Alemanha.
E isso ainda dá mais mérito áquilo que JJ tem conseguido na Liga Europa, eliminando sistematicamente equipas de campeonatos bem melhores que os nossos.

Agora, milagres no futebol, isso pra mim já não existe

Anónimo disse...

"1 campeonato ganho nos ultimos 4 anos..."

Contra quem? Não era contra a melhor equipa da história do futebol? (Fora a última época, mas ainda com muitos automatismos, o Tito era da casa e aí o balneário do Real já estava todo fodido, culpa do Mourinho mas não é isso que estÁ em questão).

Paolo Maldini disse...

oh joão nogueira, alguma vez deixei de responder? estás parvo ou fazes-te?

AzaDelta, quem disse que o titulo do Mou em 4 conta? Só contrariei a ideia de que ele evoluiu pq p se ganhar era preciso outras coisas. Então pq deixou de ganhar, se evolui pq p ganhar era preciso outra coisa? Qt ao chegar às decisões. Com aqueles orçamentos até o Di Matteo foi campeão europeu. Vale o que vale.

GC disse...

"Mas o que quero salientar é que Mourinho tem vindo progressivamente a mudar, de forma CONSCIENTE. Tem abdicado de alguns dos princípios por que se regia no início da carreira, pois acredita que a obtenção de vitórias é mais importante que a forma de jogar das suas equipas. Mourinho quer ganhar, nem que para isso abdique de algumas coisas em que acredita para jogar melhor."

O futebol é o único desporto onde se acha que para ganhar se pode/deve jogar pior. O único. É incrível.

Pensem num desporto colectivo. Alguma vez alguém se lembrou de dizer "joga pior para ganhar" quanto ao andebol? Quanto ao voleibol? Quanto ao basket?

Desportos individuais - "joga pior para ganhar" no ténis? Na natação? No ping pong?

Desportos "intelectuais" (por assim dizer) - No poker? No xadrez?

A sério, o futebol é maravilhoso, mas a partir de certa altura as frases feitas e os clichés são insuportáveis. Pensem antes de falar, por favor!

Gonçalo Matos disse...

Já agora, pegando no titulo do artigo, se são os jogadores que jogam, também é verdade que é o treinador que escolhe quem entra em campo. E de facto, escolher os que melhor jogam, aproxima mais a equipa de ganhar. Especialmente em selecções, com a qualidade individual da portuguesa.

Grande artigo!

Anónimo disse...

O Bruno Pinto já descobriu este blog?
Oh meu deus...
Ia tudo tão bem...
Volta para o 4-4-2... please...

Carlos Vivas

Anónimo disse...

Muito Bom texto.

No entanto, penso que para além da componente técnica, em que concordo Jesus actualmente é superior a Mourinho. A componente psicológica penso que ainda faz de Mourinho um treinador globalmente superior a Jesus.
Outro aspecto muito importante em que Mourinho é superior a Jesus (se bem que acho que Jesus está melhor neste aspecto a nivel interno) é a resiliencia que ele mostra em mudar certos elementos que estão claramente em baixo de forma (Artur por Oblak), insistencia no Emerson e Bruno Cortês (Dificilmente as alternativas faziam pior, mesmo que estas viessem da equipa B).Estas teimosias já custaram muitos pontos.

Além disto o Jesus tem uma tendencia de cometer erros tácticos (ou de escolha do 11 titular) em jogos grandes principalmente internacionais ex: vs Leverkusen (Cristante, continuo sem perceber a opçao de estrear um elemento e ainda por cima como titular numa posiçao que nao é a sua num jogo tao importante como este ), vs Liverpool na sua 1a epoca no Benfica (David Luiz a defesa esquerdo, erro que repetiu nos 5-0 contra o porto), vs Sevilha (na final da liga europa onde pos Ruben Amorim e André Gomes e eu julgo que com Ruben Amorim, André Almeida tinha obtido um melhor equilibrio defensivo apesar de o A.Almeida nao ser grande 6 sempre é melhor que o A.Gomes),etc.
Claro que isto quando as coisas nao saem bem é facil falar e que quem tá lá dentro é que sabe , mas às vezes é tao obvio que vai correr mal...

Cumprimentos,
Mário Horta

facepalmjpg disse...

Bruno Pinto, promovendo a ignorância futebolística desde 1982. Compre já, no LIDL mais perto de si.

João D. disse...

O Jesus tem os defeitos que tem, como todos sabemos, mas eu não me posso esquecer do que era o Benfica antes de JJ e o que é agora. Nós em em várias épocas, nesta altura já olhávamos para o campeonato com uma lupa. Champions? lembro-me de perdermos com bastias e halmstads da vida, lembro-me dos sete em vigo. O Benfica foi melhorando, mas o salto a sério foi dado com JJ! Não percebo como é que há povo que sequer tem dúvidas disso.

Lembro-me do Camacho ter sido eliminado pelo Getafe. Se fosse o Jesus tinha tudo caído em cima dele! O JJ , pela sua qualidade, aumentou em muito o grau de expectativas dos adeptos. È verdade que o glorioso é um clube enorme, mas isso não chega nem nunca chegará num país periférico como o nosso. O Mourinho teve altas épocas, teve sorte no sorteio da champions também (na eliminatória do United que mérito teve ele em passar? foi um lance de bola parada podia ter dado ou não. e depois lyon, corunha e mónaco não eram o arsenal ou o chelsea que ele podia ter apanhado) mas é óbvio que tem enorme mérito e continua a ser um grande treinador a meu ver. O ano passado foi uma vergonha para o futebol, mas enfim.

E não me lixem, boa liderança é ser competente. em qualquer coisa. Tu até podes nem gostar do teu patrão, mas se ele for competente interessa mais alguma coisa? O trabalho e o exemplo é que definem os líderes. O resto...pá podem ser bons motivadores, mas isso não é necessariamente ser líder. O Jesus é porque os jogadores sabem que podem aprender com ele, que ele é competente. Não acho que interesse mais alguma coisa.

e o Mourinho em madrid teve mais problemas com jogadores que me lembro o JJ ter tido no Benfica até hoje...

Ricardo Offsetlis disse...

Realmente, o Mourinho ganhou o que ganhou por sorte. Já o Jesus, coitado... O azar persegue-o! Pfff

GV disse...

Baresi, mto bom o teu comentário das 19h42!
Cumps

Bruno Pinto disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Bruno Pinto disse...

Os experts que frequentam este blog que definam 'jogar bem', 'jogar mal', 'jogar melhor', 'jogar pior'. Talvez quando falei em 'jogar melhor', devesse ter dito 'jogar um futebol esteticamente mais atractivo, porque senão torna-se complicado para algumas cabeças. a única coisa que procurei transmitir e repito é que Mourinho foi mudando a longo dos anos, de forma consciente, em virtude da pressão dos resultados. Se não concordam, digam então quais as razões. Perdeu qualidades? Sabe menos hoje do que sabia no início? alguém me explique por que é que, em vossa opinião, ele regrediu.

outra pergunta: quem consideram melhor treinador: José Mourinho ou Fernando Valente?

Bruno Pinto disse...

Só mais uma achega: eu não disse que concordo com a atitude do Mourinho. Penso até que se continuasse no mesmo caminho que estava no tempo do FC Porto e primeiros tempos do Chelsea, talvez tivesse ganho mais que o que ganhou. Penso que a carreira dele é soberba até agora, mas chegou a prometer ainda mais. O que acho é que ele mudou em função da pressão de ganhar, não porque estagnou, regrediu ou ficou estúpido.

Anónimo disse...

Monsieur Homais de volta depois das surras do Nuno no Entre Dez kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Henrique disse...

Bruno Pinto, jogar bem é, através de processos colectivos, ter mais "ocasiões de golo" que o adversário e consentir menos. Para mim é isto, de uma forma geral, que deve ser utilizado para classificar uma exibição colectiva.

Anónimo disse...

Hahahahahah o Nuno que faça mais artigos, porque se não começa tudo a virar-se para isto. Mandem o gajo às etiquetas como fazia o Baggio.

PicaretaLeonina disse...

Bruno Pinto, numa pergunta não relacionada, o que achas do Binya?

João D. disse...

o mourinho não ganhou o que ganhou por sorte. o porto era alta equipa. mas teve obviamente sorte em old trafford com o united. e o costinha é que a meteu lá dentro, não o mourinho.

Interior-Direito disse...

João D., teve tanta sorte em Manchester como teve azar no jogo em casa, totalmente dominado pelo FC Porto. Falharam várias ocasiões e mereciam ter ganhado por mais golos.

Pedro Manuel Anastácio disse...

Bruno Pinto...

Alguma vez viste uma equipa de Mourinho dar espectaculo com jogadas de laboratório ou daquelas que nascem mesmo da qualidade dos seus jogadores ...resposta.....não.....



Mourinho priveligia o colectivo, mas acima de tudo é o resultado, ele está se a c**** d'alto para o espectaculo ele quer simplesmente ganhar, nem que para isso tenha que ser ele a ir marcar o golo.
Jorge Jesus quer igualmente vencer mas coloca a equipa a jogar de uma forma muito mais atractiva valorizando 1º o colectivo depois o individual e por fim o resultado, e por isso é que JJ consegue manter sempre o Benfica minimamente activo em jogo mesmo perdendo as principais armas da equipa.
Eu já vi o Benfic aganhar sem Gaitan sem Salvio sem Lima sem Enzo sem Luisão....
Mas a Mourinho tiras o Matic tiras o Ramires tiras o Fabregas ou tiras o Diego Costa e vais ver o que acontece à equipa....


Jesus trabalha o grupo para ser reactivo às falhas.
Mourinho trabalha os jogadores para serem activos no grupo.

São diferenças.....torna um melhor que o outro nem por isso, torna sim um mais util que o outro...para mim o melhore treinador do mundo seria 50% Mourinho 50% Jesus, mas como não é possivel então o melhor do mundo .....é o Lopetegui...ahahahahahhahahahahahaha
Just Kidding

JJ for the win é o mais maior enorme :)

Bruno Pinto disse...

O FC Porto de Mourinho foi em si mesmo um laboratório. Em 2 anos e meio formou uma equipa do zero, com 2 ou 3 jogadores extraordinários, tendo o resto sido potenciado, e ganhou tudo a nível europeu. Não me lembro no futebol europeu de muitos trabalhos tão meritórios quanto este, quanto mais falar de Jesus... Mas enfim.

Outra questão é aceitar que Mourinho mudou desde o início da carreira, o que me parece evidente. Razões? Para muita gente foi porque ele afinal não é tão bom, parou de evoluir. Para mim, foi pela pressão dos resultados, que o levou a adaptar certos conceitos e a incorporar algumas mudanças no seu modelo. E para mim um treinador que formate a equipa para ganhar, desde que organizada, é sempre competente, independentemente de não jogar o futebol que eu preconizo e atractivo.

Muitos acham que a sua passagem por Espanha foi um fracasso. Não acho. Competiu com a melhor equipa da história, no seu auge, e bateu-a num campeonato. Não por sorte. Não porque tinha qualidade individual, mas porque teve um treinador de excelência. Um outro qualquer tinha perdido os campeonatos todos para o Barcelona facilmente. Então se fosse o Jesus nesse Real Madrid... Ehehe... Estás a ver filme, não estás?

Eu gosto do Jesus. É um grande treinador de futebol; e quando ele estava no Braga era a minha opção para suceder a Jesualdo no meu FC Porto. Mas não é melhor que Mourinho, santa paciência... Nem sequer melhor que o Villas Boas, com o qual tem um historial de resultados francamente negativo.

Em relação ao Lopetegui, acho cedo ainda para nos rirmos do seu trabalho. Vamos aguardar...

Bruno Pinto disse...

Pedro anastácio,

Já tentei rebater o que disseste, procurando promover uma discussão saudável. Mas os administradores do blog não o publicaram; ao que parece não passou no controlo de qualidade... LOL.. Enfim.

Roberto Baggio disse...

Bruno Pinto, o que os administradores aceitam ou rejeitam na caixa de comentários não é da sua conta. Se for preciso, e porque existe, para alguns, uma vida fora do blogue os comentários ficaram por aprovar uma semana. Parece que você tem muito tempo livre, e se acha no direito de ter os comentários aprovados assim que os publica. Mas como qualquer outro, vai ter comentários rejeitados, apagados, e em fila de espera, para ver se o conteúdo não é nocivo. Do tipo "Bruno de Carvalho bla bla bla", como se este blogue falasse de questões administrativas.

Os meus cumprimentos, e é sempre muito bom e divertido tê-lo por aqui.

Bruno Pinto disse...

Roberto,

Sim, eu vivo em função deste blog. Hoje, por exemplo, pus o relógio a despertar bem cedo, só para conseguir vir aqui comentar às 6 da manhã; a minha vida já deixou de fazer sentido sem este blog de eleição.

A minha estranheza foi causada por um simples facto: vi um comentário meu apagado (não rejeitado, apagado depois de publicado), em que falava do post e falava de futebol apenas; ao mesmo tempo que vejo comentários aprovados de uma série de mentecaptos que não dizem nada, apenas com insultos e alarvidades. Ora, quando fala em conteúdo nocivo e as opções do blog são essas, estamos conversados. Ou seja, Bruno de Carvalho não, mas insultos gratuitos sim. Está certo.

Cumprimentos e retribuo o elogio, é sempre muito divertido vir aqui ao blog.

:)