sábado, 15 de novembro de 2014

Portugal 1-0 Arménia

Fernando Santos, treino. Desde a chegada do novo seleccionador que tenho dado especial atenção as declarações dos jogadores, sobretudo antes do jogo. E das mesmas retiro uma grande mudança na selecção no que à gestão do tempo de trabalho diz respeito. Sempre dissemos que não há tempo para treinar grande coisa na selecção, e que por isso é fundamental ter os melhores em campo. Mas não ter tempo para treinar grande coisa é diferente de não treinar nada como se fazia com o antigo seleccionador, que só treinava o seu modelo de jogo antes das grandes competições. As declarações de Nani (entre os jogos com a França e a Dinamarca) e agora de Moutinho, mostram que o seleccionar quer implementar uma ideia de jogo, ainda que não tenha muito tempo para gerir esse processo. Treinar alguma coisa é bem melhor do que não treinar nada e lançar os jogadores soltos em campo.

Coragem. Fernando Santos gosta de um bom futebol de ataque. E vai de certeza, ainda que não garanta melhores resultados, divertir quem como eu gosta de bom futebol. Mas alguma vez alguém pensou em escalonar no mesmo onze inicial Raphael Guerreiro, Bosingwa, Tiago, Moutinho, Nani, Danny, Ronaldo e Postiga? Então e o jogo aéreo, fica todo para Carvalho e Pepe?! Como disse o seleccionador, e bem, nestes jogos pede-se que a selecção jogue na maior parte do tempo em 3x3x4. Porque vai ser dominante, porque tem mais qualidade que o adversário, e como tal, devem jogar aqueles que mais qualidade têm no momento em que a selecção vai jogar na maior parte do tempo. A escolha deste onze não foi um acaso, e poder-se-à esperar o mesmo atrevimento contra adversários do mesmo perfil.

Gostei. Raphael Guerreiro. É craque. Qualidade técnica, tomada de decisão, velocidade. Procura de desequilíbrios em apoio, procura do corredor central ainda que o lance não acabe com um granda cruzamento. A minha única dúvida prendia-se com a sua personalidade, no que toca a responder com qualidade à responsabilidade de um jogo desta natureza. Não desiludiu. Este não engana.

Não gostei. Éder. Mas será possível que nem depois de quatro toques a bola fique redonda?! Mostra debilidades em todos os jogos que faz pela selecção. Ali, no meio dos melhores, a jogar contra os melhores, percebe-se que não está ao nível que se exige.

Nota. Hoje percebe-se melhor que os atritos dos jogadores com Paulo Bento, e dele com os jogadores retiraram muita qualidade a selecção. Carvalho, Danny e Bosingwa acrescentam muito, são titulares de caras. E com Tiago, ainda que não se tratasse de um problema, deveria ter-se feito o mesmo que com Figo no passado.

PS: O facto do mais criativo em campo ser um arménio não deveria preocupar os portugueses? Principalmente os portugueses que formam...

6 comentários:

Gonçalo Matos disse...

Vi o jogo sem mta atenção. mas houve algumas coisas que me chamaram a pouca atenção que tive. A primeira foi a qualidade do Ricardo Carvalho em comparação com qquer outro central que tenha passado pela selecção nos ultimos 4 anos. A segunda foi a capacidade de posicionamento do meio campo, o Moutinho está melhor agora que com Paulo Bento.

João disse...

Existem alguns jogadores com criatividade nas selecções mais jovens, o Bernardo é um caso desses. Assim que ele consiga ter mais tempo de jogo no Mónaco (se conseguir) há que imediatamente levá-lo aos A, por exemplo.

Mas sim, nota-se muita falta de talento puro nos jogadores portugueses. Por mais incrível que pareça, ter um jogador incrível como o Ronaldo pode ser um péssimo 'sinal' à formação em Portugal, porque pese embora seja um fabuloso jogador, é a vertente 'atleta' que mais capta a atenção dos adeptos e dos profissionais que gravitam à volta do futebol português. E que, estupidamente, associam a grande futebol.
No caso do Ronaldo, sim, na generalidade dos outros jogadores, não!

ricnog disse...

João Mário poderia acrescentar alguma coisa a este meio campo...

Sandro Barbosa disse...

Eu acho que para o estilo de jogo adoptado, Danny, Nani e Ronaldo funcionam melhor. Corrijam-me se estiver errado, mas pareceu-me haver instruções para concentrar o jogo mais nos flancos, forçar as sobreposições e\ou cruzamentos recuados. Mesmo ao jogar por dentro houve mais tendencia dos avançados em procurar aparecer em zonas de finalização do que dar apoios frontais e fazer jogo entre linhas. O ronaldo foi aparecendo algumas vezes mas poucas, e esse não é o seu forte.

Penso que talvez se deva ao tempo limitado que há para meter tanto jogador de equipas\campeonatos diferentes a jogar num sistema mais complexo. Mais uma vez talvez esteja a dizer barbaridades, mas parece-me que o futebol que se jogou contra a arménia é mais fácil de perceber\implementar, do que jogo entre linhas, apoios frontais, tabelas e triangulações.

Já agora, nota para o golo, numa jogada em que Nani "isola" quaresma, que decide rematar. Novamente Nani serve Ronaldo no ressalto, que à segunda marca. A imprensa de hoje fala da dupla Quaresma-Ronaldo, curiosamente.

Blog de Portugal disse...

Essa constatação quanto ao Mikhtaryan é muito pertinente.

Embora seja um jogador muito criativo, não havendo assim muitos ao seu nível, a verdade é que é um pouco constrangedor.

Mas, honestamente, não me preocupa isso. Preocupa-me, em formação, é continuarem a existir grandes obstáculos, e à imagem do que é o país no geral, o que fazemos de bom acontece em boa parte por acaso, porque calhou.

No caso da formação, não por sermos um bom país formador de jovens futebolistas, mas vejo mais porque os que chegam lá normalmente virem de contextos em que acabam por praticar muitas horas. O acaso também é importante, mas em Portugal é mesmo assim: é ao calhas.

Na minha opinião, vejo dois grandes obstáculos na formação, e aqui refiro-me aos melhores das camadas jovens, aos que realmente têm hipóteses de chegar a algum lado:

1 - Barreira cultural da nossa formação. Continua a ser mais importante ganhar o Nacional de Juvenis e não desenvolver ao máximo os jovens.

2 - Empresários, comissões, dirigentes e muito dinheiro por trás. Um jogador estrangeiro jovem que venha para um dos grandes movimenta muito dinheiro, e só assim o empresário e um monte de dirigentes fica contente, porque de alguma forma o dinheiro cai nos seus bolsos.
Se for um jovem promovido dos júniores, não há custos de contratação, não há prémios de assinatura, os salários são muito baixos...

Ilustra muito bem o que é o país no geral. Vamos continuando a ser bons nalgumas coisas devido ao trabalho individual e não à criação de boas condições para esses indivíduos se desenvolverem.

deoliveiros disse...

Concordo plenamente com os grandes méritos no que toca ao método de selecção. Mas tenho muitas dúvidas quanto aos aspectos tácticos e o bom futebol. O que tenho visto são indícios do oposto. Contra a Arménia viu-se muita bola para a área e fé no Ronaldo, e contra a Argentina foi o vazio de princípios de jogo. Mas explico tudo aqui para quem quiser ler: http://rredonda.wordpress.com/2014/11/19/tacticomio-a-fragil-solidez-de-portugal/