quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Treinadores que se limitam a seguir a lógica do jogo...

...Treinadores que jogam cada jogo para ganhar. Treinadores que perdem tempo com a bola em campo, metendo-os na rabia. Treinadores corajosos, sem medo de proporcionar aos seus jogadores - seja qual for o contexto, seja qual for o tempo de jogo e o resultado - aquilo que os fez apaixonarem-se pelo jogo em primeiro lugar: o contacto com a bola.

"No long ball. Play!"

O jogo não diz que quem não sofrer ganha. Diz, sim, que quem marcar mais ganha. E para marcar, para ganhar, é preciso ter a bola... no pé. Se metes longo, de quem é a bola? Se metes no colega garantes que é tua, que é dele, que é nossa. É convencer os jogadores disso desde o primeiro minuto, e o primeiro passo para ter uma organização ofensiva marcante está dado. Há quem opte por outros caminhos, e diz-se ser uma questão de gosto. Eu cá, continuo a acreditar, por uma questão de lógica, que quem tem a bola arrisca-se a duas coisas: marcar e não sofrer. E custa-me sempre ouvir, ou ler, que uma determinada equipa, um determinado treinador, abdicou de jogar, de ter bola. Sem que se tenha consciência de que, sem bola - ainda que não se queira marcar - esta-se sempre mais perto de sofrer. Por isso sou adepto do Tottenham de Pochettino, por ser uma equipa que me diverte quando em posse. Hoje, sou adepto de muito poucas porque os que me divertiam antes têm o mesmo nome mas não são os mesmos de ontem.

20 comentários:

José Moreira disse...

E o que achas da sua organização defensiva? Eu tb tenho gostado desta parte da equipa de Pochettino. Parece-me um treinador para voos mais altos.

Marco Morais disse...

Ainda dizem que os treinadores não jogam. Este golo é dele.

Rafael Antunes disse...

Got to love this guy!!!

:D

Rafael Antunes disse...

Got to love this guy!!!

:D

nonameslb disse...

Antigamente os Spurs eram conhecidos como a equipa que jogava bom futebol,estatuto esse que perderam para os Gunners desde que Arsene veio para Londres,pois parece que os bons tempos voltaram.

nuno leão disse...

Acho um conceito que todos os treinadores (e jogadores) deviam ter na cabeça: se tenho a bola não sofro golos.

Fez-me lembrar esta conversa:

"Desse tempo, ficam célebres as discussões com o mago gaulês, ao intervalo, nos balneários: “Mister, vamos avançar no terreno, se tivermos a bola mais longe da nossa área arriscamos menos”, dizia Platini, “Bravo, Michel, tudo bem, mas para eu fazer isso, faz-me primeiro ver a bola sempre lá na frente e não a equipa sozinha sem ela”, respondia o Trap sentenciando a discussão."

GC disse...

"Hoje, sou adepto de muito poucas porque os que me divertiam antes têm o mesmo nome mas não são os mesmos de ontem."

Um grande pau no colo do recto do Mourinho e do Van Gaal.

Nuno Duarte disse...

Vários são os posts que detêm interesse neste blog. Os temas são modernos e as abordagens positivas, mas o que toca a este post a abordagem é extremamente redutora.

A premissa de ter bola remete-nos para domínio da ação, mas antagonizar "ter bola" c/ "bola longa" é insensível.
Por outro lado, não ter bola não significa impotência. Poder está na capacidade de estarmos preparados para todas as instâncias do jogo e não deslumbrarmo-nos sobre um princípio geral do jogo (que atenção, abraço na totalidade). Entendo o post mas acho que a lógica que ele segue, nada tem haver com a lógica do jogo. Porque o que é lógico para um, não é lógico para outro. As nossas lógicas baseiam-se nas nossas crenças e experiências e não são certas nem erradas. Algumas vezes aproximam-nos da natureza do jogo, outras vezes, como é caso do post, turvam a nossa perspetiva.

Baresi disse...

Pochettino está a fazer um bom trabalho, como já tinha feito no Southampton.
Foi a surpresa da competição a época passada com o Everton, venderam 5/6 jogadores de grande qualidade, e ganharam uma pipa de massa. Mas a base ficou lá, e incrivelmente conseguem estar a fazer ainda melhor.
Ele poderia ter ficado lá mais um ano, mas com a tradição que há em Inglaterra de manter os treinadores por alguns anos à frente dos clubes que treinam, as 5 equipas de topo não iriam mudar de treinador assim tão cedo, decidiu aceitar o Tottenham.

Como equipa/plantel, tem menos qualidade e potencial que um City/Chelsea/United/Liverpool/Arsenal, mas já fizeram 8 jogos contra eles e discutiram 5 deles até ao fim.
Acho que as derrotas de inicio da época em casa com Newcastle, Stoke e West Browich fazem diferença na pontuação geral da temporada, mas por exemplo, ao contrário do United de Van Gaal vê-se uma evolução constante no jogar da equipa.
Engraçado estarem a jogar sem extremos agora, quando o Walker dá pouca ou nenhuma profundidade ao flanco direito.
Com 3/4 contratações cirúrgicas, para o ano jogam para o titulo.

Ah, já agora, o que dizer daquele 3-4-2-1 do Brendan Rodgeres, que tem metido o Markovic a fechar o lado direito da defesa?

POC disse...

Touché.

Nuno disse...

Eu gosto muito do Pochettino. Já tinha gostado muito do trabalho dele no Espanyol. E há tempos escrevi brevemente sobre o seu Tottenham. Na altura, as coisas não estavam a correr bem, em termos de resultados, e parecia que os jogadores não acreditavam sequer muito nas ideias do treinador. Mas, apesar dos resultados e apesar da desconfiança com que alguns jogadores se apresentavam em campo (Adebayor, por exemplo), a equipa desenvolvia um futebol muito agradável. Afinal, foi uma questão de tempo e uma questão de começar a deixar de fora aqueles que não se sentem confortáveis senão a jogar à inglesa, o que são muitos, naquela equipa. Pochettino herdou um Tottenham feito por Villas-Boas, formatado para um jogo de pressing e resposta rápida, e aos poucos está a transformá-lo numa das melhores equipas da Premier League. E isto sem qualidade individual quase nenhuma. Há apenas 3/4 jogadores, a meu ver, capazes de jogar em melhores equipas: Lloris, Verthongen e Lamela, sobretudo. Continuo a achar que o Eriksen é muito certinho, mas que lhe falta alguma criatividade. E começo a gostar mais do Kane, agora. Com alguns acertos, 3 ou 4 contratações significativas, para o ano poderá lutar pelo título.

João Duarte disse...

Recordo uma entrevista do Artur Jorge, personagem que considero sinistra e que muito mal fez ao Benfica, aquando pela sua passagem pela Luz em que dizia duas coisas:
1. Enquanto a bola for nossa ninguém nos marca
2. Reposições de pontapé de baliza era sempre em passe curto para um defesa. Começava-se a construir daí.

De facto, é possível dizer tudo bem e depois fazer muita coisa mal, como dispensar um dos jogadores que melhor tratava a bola com apenas 28 anos - Vitor Paneira.

Roberto Baggio disse...

José Moreira, não me debrucei sobre isso. Nem acho tão importante neste caso.

Nuno Duarte, se é isto é turvo então quer dizer que se temos bola podemos sofrer golos e quando não temos bola podemos marcar, é isso?!

Nuno, Sobre o Pochettino não conhecia o trabalho dele no Espanyol. Só o comecei a ver, com olhos de ver, no Southampton a época passada. Houve um jogo que vi, entre ele e o Swansea do Laudrup que me marcou e os fez seguir sempre. Aquilo não parecia um jogo da premier, era pssse, passe, passe, passe. Sem bolas no ar. Sempre muitos apoios, muitas linhas de passe perto, onde a bola entrava invariavelmente, isto por parte das duas equipas. Foi dos melhores jogos que me lembro de ter visto o ano passado, em todos os campeonatos europeus, pelo futebol praticado pelas duas equipas- E pasmem-se era um Southampton - Swansea. Não tinha Messi, Ronaldo, Iniesta, Xavi, Isco, Modric, Aguero, Silva, Thiago, Kroos, Robben, Ibra, Verrati, Pirlo, Neymar, Ozil, Kompany, Hummels, Pique... Tinha executantes que ninguém dava nada por eles, mas que tentavam acima de tudo jogar bom futebol. Centrais sempre abertos para receber e construir o processo com cabeça tronco e membros.

No início desta época, e por o ter visto a+i, escrevi na altura da transferência de Dier, http://lateral-esquerdo.blogspot.pt/2014/07/o-sporting-perde-o-seu-melhor-central.html

"Se o Tottenham é o clube certo para Dier dar o salto? Sim. Sem dúvida. Para mim Pochettino será a revelação desta temporada na Premier, com o seu cheiro á La Liga. E que modelo melhor do que o do treinador argentino, para potenciar tudo o que Dier pode dar ofensivamente à uma equipa? Se tudo correr normalmente, tendo em conta o que Pochettino pede dos centrais, Dier vai rebentar."

Não tenho a menor dúvida de que o próximo ano vai ser melhor.

Há muitos outros dos quais ele se está a tentar livrar, e vai ter que operar uma verdadeira revolução na equipa para que possa verdadeiramente competir pelo título com as mesmas armas de outros. Tu dizes 3,4 eu digo 6,7. Para o plantel ter a profundidade que se pede numa época longa e a um verdadeiro candidato ao título da premier.

Eu gosto muito do Eriksen, e parece-me bem mais que certinho. Certinho é o Moutinho, e o Kroos (este com mais técnica, mas n muito diferente na tomada de decisão). Eriksen parece-me procurar soluções bem diferentes destes dois. Parece-me gostar muito de tabelar, como se impõe num médio critivo para jogar em posse, gostar de apoios frontais, gostar de vir dentro, e n tem problemas no 1x1 e em resolver situações em espaços reduzidos. Não se esconde fora do bloco, e não tem medo de jogar aí. Tem tbm qualidade técnica assinalável. Claro que se a comparação for Lamela que "tudo" o que faz é criatividade fica dificil... Quanto ao Kane, ainda não me convenceu. Continua cheio de pressa para fazer tudo, e não oferece ainda as linhas de passe em função do contexto (nomeadamente apoios frontais), procurando invariavelmente a profundidade... Que tb poderá ser ordem do treinador para fazer recuar a linha defensiva do adversário, mas continuarei a seguir com atenção para o perceber.

Mark Rodriguez disse...

Tenho visto muito deste Tottenham e a evolução tem sido maravilhosa. A tudo o que foi escrito acresce uma notável aposta na formação - têm alinhado regularmente Kane, Mason, Bentaleb e Townsend, além das estreias na primeira equipa dadas ao Winks e ao Onomah. Destes, o Kane tem sido uma tremenda revelação, e o Bentaleb e o Onomah são jogadores com imenso potencial (ainda que em fases de evolução diferentes, o argelino já é uma peça fundamental na equipa e na selecção). Quanto à qualidade individual, acho que pintam um quadro demasiado negro. Faltará alguém para jogar na esquerda do ataque e um médio à altura de acompanhar o Bentaleb no duplo pivot, e defensivamente o Rose também parece insuficiente. Quanto ao Eriksen, acho que tem potencial para ser top mundial, embora perca muito quando é empurrado para a esquerda como no jogo de terça-feira - por agora, tem revelado bastante mais inteligência na execução do que o Lamela, que tem tido dificuldades na adaptação a Inglaterra.

Mark Rodriguez disse...

Já agora, fica aqui a análise do Carragher ao Harry Kane no Monday Night Football. Não duvido que muitos dos frequentadores deste blog já a tenham visto, mas tem algum interesse: https://vid.me/MhOj

Gonçalo Matos disse...

Ha uns tempos vi um resumo de um jogo deles em que o Eriksen jogou mais pelo corredor central mas na linha avançada e meu deus! e também acho que ele é muito mais que certinho, sinceramente vejo nele coisas de top mundial, como a capacidade de acelerar o jogo em espaços muito curtos. quem eu acho certinho e bastante bom é o Mason.

R20 disse...

Muito interessante :) http://www.martiperarnau.com/tactica/mirar-ver-y-comprender/


O muito falado neste blog e no posso ...
“Para mí, ese trabajo supone enriquecer al jugador, y esa es una cualidad de los entrenadores que no te quieren imponer todo, sino darte las herramientas y las facilidades para que tú puedas jugar mejor o interpretarlo mejor”

Xabi Alonso

Interior-Direito disse...

Este jovem é reforço garantido para a próxima epoca:

http://m.youtube.com/watch?v=LfUvqb_EOmA

vidairada disse...

Vale a visita:
http://www.footballorgin.com/2015/02/tv-show-documentary-greatest-teams-by.html?showComment=1423843203014#c6546398968672086788

Edson Arantes do Nascimento disse...

Este vídeo é muito bom. Excelente mesmo.

Também gosto do Pochettino. Vi algumas coisas no Espanyol, sem atenção, mas que me interessaram, e depois no Southampton mesmo vendo quase nada notava-se que havia ali trabalho para apreciar nas calmas.

E realmente, como tenho um fraquinho pelo Tottenham (nem consigo explicar porquê, não, não tenho nada a ver com judeus) tenho visto muita coisa - como em quase todas as épocas - e a evolução tem sido super-interessante.

Também adoro o Eriksen. Acho-o mesmo um óptimo jogador: é fortíssimo a jogar curto, dentro do bloco. Difícil encontrar jogadores assim.