quarta-feira, 22 de abril de 2015

Curtas sobre o verdadeiro futebol europeu

Incontestavelmente o melhor futebol da Europa esteve em acção ontem. Aproveitem por isso, e não deprimam hoje, tal vai ser a diferença entre a qualidade dos jogos de um dia para o outro. O futebol é diversidade, é de várias ideias e concepções de jogo, dizem. Jogar contra o Bayern com linhas subidas e levar 6 é suicídio, jogar com Bayern e levar 6 com linhas baixas é estratégia. A diferença entre a estratégia e o suicídio está na cabeça de quem acha que no futebol só existe estratégia na defesa. Muito por culpa dos novos filósofos do futebol, que acham que até podem ter 1% de posse de bola, desde que ganhem, está tudo bem. É só ir para a conferência de imprensa, dizer que controlaram o jogo, que souberam gerir as próprias expectativas, que não permitiram oportunidades de golo, que criaram o suficiente para ganhar, que estrategicamente foi assim que prepararam o jogo e todos dizem que sim. Fala-se bem, com eloquência, e vai-se destruindo o futebol e jogadores verdadeiramente talentosos porque o treinador não acompanha nas ideias a qualidade dos jogadores. Não se diz que a jogar em casa o adversário criou mais do dobro das ocasiões e só não teve a sorte de as finalizar. Assim serão jogados os jogos de hoje, nada divertidos, interessa é ganhar. Enfim.

Hoje o mundo acorda normal. Mais uma grande demonstração de Guardiola, mais um dia em que os profetas do final do melhor futebol - treinador - do mundo ficam enfiados num buraco. Não há nada melhor do que fazer calar os seguidores do treinador especial 95% do tempo, dando-lhes três semanas de falsa alegria e 10 meses de sofrimento real. 

O terceiro golo do Bayern é o golo do Lateral Esquerdo - Treinador com ideias de qualidade, jogadores inteligentes na execução. Assim caminha a melhor equipa do mundo ainda que não tenha os melhores jogadores. Se tiver que escolher, continuo a preferir Lewandowski. Se Jackson é top 5 este é top 3.

Por falar em méritos, tenho a certeza que Guardiola treinou Muller para chutar contra Indi, sabendo que Fabiano tinha dificuldades e ia comprometer; e ainda treinou a pressão sobre Marcano, sabendo que ele ia chutar contra Lahm, preparando o posicionamento para posteriormente aproveitar o lance como no quinto golo. E espantem-se, a estratégia deu frutos!

Lopetegui diz, e bem, que o Porto não conseguiu ter bola na primeira parte e pagou isso caro. Mas não devia ter pensado nisso, o treinador, quando decidiu lançar a equipa no jogo como a lançou? Ainda está, para mim, difícil de digerir o postura tão menos agressora (com e sem bola) do Porto em Munique. Mas nem tudo é mau. Jackson continua a valorizar-se, apesar de Guardiola ter, desta vez, trabalhado o posicionamento de Alonso para que não fosse tão pressionado pelo colombiano, com bola Jackson continuou a mostrar o nível elevadíssimo a que se pode exibir. Mesmo quando a equipa não aparece para o acompanhar, ele aparece sempre para puxar pela equipa.

O PSG, fraquíssimo colectivamente como já se tinha afirmado por aqui, deu mais uma prova da sua enorme categoria futebolística ao permitir à Iniesta criar um golo digno de Maradona. Dizia eu que 1x1 já não existia no futebol, que era coisa do século passado, que o futebol tinha evoluído e que as melhores equipas já não deixavam esses espaços. E quando pensas que já nada pode surpreender surge Blanc a demonstrar exactamente o contrário. Diz ele que tem grandes jogadores, mas que para fazer frente ao Barcelona é preciso estar a 120%. Eu digo que para fazer frente ao melhor jogador espanhol de sempre é preciso ser forte colectivamente. Alguém acha, de verdade, que aquele lance é de um grau de dificuldade elevado? Exceptuando o último passe, não há nada ali que qualquer outro jogador que saiba conduzir a bola não consiga fazer. 

David Luiz diz que na próxima época o PSG vai lutar pela Champions. Contigo da defesa, David, isso é que vai ser uma luta hein!

Pirlo, não abandones já. Mas quando fores está garantido que o lugar fica bem entregue. Até lá, ficarei a torcer pela oportunidade de ver-vos juntos em campo mais tempo. Por isso, por vocês, estou disposto a fazer um esforço por ver o horrível futebol que se pratica em Itália. Do filme Anões que Apaixonam, Verrati surge a jogar com a cabeça e a dançar com os pés.

30 comentários:

DC disse...

É jackson, Lewa e Ibra o top3 :)

Quanto ao Verrati é bom saber que o Barça está atento.

José disse...

Sobre a noção da estratégia só ser valorizada na defesa:
http://www.abola.pt/nnh/ver.aspx?id=544220

R.B. NorTør disse...

DC, o Benzema não cabe nesse top 3? Dos poucos jogos que vi do Real tem sido de longe o melhor jogador deles, mas isto na minha opinião.

Quanto ao jogo de ontem, bem que fui enganado por tudo o que se disse aqui do Porto. Tirei eu tempo para ver este jogo, em parte para ver aquela segunda parte do Dragão, e depois uma das equipas não aparece? =P

Dejan Savićević disse...

já te tinha dito isso do Verrati!!!
que mude rápido para a baviera ou para a catalunha!!

Roberto Baggio disse...

R.B NorTor, eu avisei que um jogo não eram jogos, que ia ser duro na volta. e foi.

DC disse...

Pronto, Benzema e Aguero a completar o top e a rodar de acordo com os momentos de forma :)

R.B. NorTør disse...

Sim, nunca tive ilusões que iam ser favas contadas, mas daí ao que se passou ontem vai uma longa distância!

Nairo disse...

E o Porto a defender HxH nos cantos? O que acham dessa estratégia?

Gonçalo Matos disse...

Verratti é top, mas já não é de agora.. Ele desde que apareceu que tem como papel ser o novo pirlo. Este psg é ridiculo.. Deve ser a equipa menos agressiva no último terço do campo da Europa..

E que bom, o regresso do thiago!

Berna disse...

"Eu digo que para fazer frente ao melhor jogador espanhol de sempre é preciso ser forte colectivamente."

Então e o Xavi?! Ai, ai, ai. rsrs

Roberto Baggio disse...

O Iniesta é uma evolução do Xavi hahahaha

Mindfuck disse...

Benzema?

Mindfuck disse...

Acho que já escrevi aqui mais que uma vez. O Lopetegui nao sabe montar a equipa para jogar em bloco baixo. Ontem foi mais uma prova disso.

Depois, a decisão de na primeira parte nunca dar apoio com os laterais, sim estava sem laterais, mas aqueles que jogaram nessa posiçao,quando em posse fez com que o porto nunca conseguisse encontrar soluções de passe quando tinhan a bola. Quaresma e Brahimi nunca tinhan ninguém a dar linha de passe.

Miguel Pinto disse...

"Lopetegui diz, e bem, que o Porto não conseguiu ter bola na primeira parte e pagou isso caro. Mas não devia ter pensado nisso, o treinador, quando decidiu lançar a equipa no jogo como a lançou? Ainda está, para mim, difícil de digerir o postura tão menos agressora (com e sem bola) do Porto em Munique". R. Baggio

A postura até foi agressiva, pelo menos nos duelos a meio campo, mas o Bayern ao variar a sua 1ª fase de construção, alternando passe curto com passe longo, provocou a meu ver dúvidas na cabeça dos jogadores do FCP, principalmente dos médios (em relação às distancias que deveriam guardar, quer para o portador da bola do Bayern, quer para a cobertura ofensiva deste e quer para a cobertura defensiva dos laterais do FCP).
No dragão foi mais fácil porque o Gotze e o Lahm pisaram zonas mais centrais e estavam mais à mercê da pressão imediata dps médios do FCP porque invariavelmente recebiam a bola já no corredor central ao passo que neste jogo partiam quase sempre do corredor lateral para dentro.
O Casemiro esteve sempre fora de jogo, faz 2 faltas durante o jogo todo (atenção que a agressividade da equipa não se mede pelo nº de faltas mas sim pela capacidade em condicionar o jogo do adversário e roubar-lhe a bola) porque esteve mais preocupado em tentar fazer cobertura ao Oliver e ao Herrera do que sair de cima dos seus colegas centrais e tentar ser ele a ligar o jogo como muito bem fez o Ruben Neves na 2ª parte.
Para aqueles que afirmam que o Lopetegui errou ao colocar o Reyes em vez do Ricardo eu só pergunto: quantos golos o FCP sofreu com o Ricardo em campo? É sempre giro arranjar um bode 'respiratório' nestas alturas. O treinador disse que ganhava mais um jogador para os duelos aéreos quando justificou a enr«trada do mexicano no onze... eu também o colocaria a jogar, pois se tenho um resultado favorável na 1ª mão para que é iria meter um jogador com características mais ofensivas? Até parece que se jogasse o Danilo o FCP pudesse criar 5 oportunidades de golo por aquele corredor.
O Bayern ganha porque é melhor em todos os momentos do jogo, ponto final.

Abraço

Roberto Baggio disse...

Miguel, vou rever o jogo por culpa do teu comentário... a primeira parte, claro :)

Luis Santos disse...

Baggio, qual é a tua opinião sobre o Rúben Neves? Eu gosto muito mais de o ver a jogar do que ao Casemiro. Por mim era sempre titular a "6".

jorge gaspar disse...

Do que me lembro daquilo que vi em directo:
A defesa esteve sempre muito longe dos médios e avançados e o Bayern colocava facilmente a bola nos jogadores mais avançados e sem sofrerem grande pressão avançavam facilmente no campo. Para além disso, os centrais bávaros saiam a jogar como queriam sem qualquer tipo de pressão, contenção, o que quer que fosse.
Depois, o Jackson passou o jogo todo a perseguir a sombra do Alonso, e portanto, sem bola o Porto jogou com 10, esqueci-me do Herrera, jogou com 9.

Ainda assim, apesar do posicionamento horrível do Porto e do facto de ter defendido com 9, o Bayern e Guardiola têm muito mérito pelo jogão que o Bayern fez.
Mas isto são as memórias que tenho daquele inferno que durou meia hora.

Miguel Pinto, acabou 6-1 porque a partir dos 5-0 o Bayern fingiu que continuava a jogar. Se tivessem continuado a massacrar poderia ter ido bem além do 10 a 0, e não há treinador no mundo que não tenha responsabilidades perante tamanho descalabrado. E não, não só os números que interessam. Os números até foram simpáticos para com o Porto, tendo em conta aquilo que se passou em campo.

R.B. NorTør disse...

Miguel, em relação ao Lahm, fiquei com a impressão que os movimentos dele neste segundo jogo foram ao contrário, ou seja, vinha ao meio, recebia a bola no meio, normalmente em apoio ou como apoio do Alonso, e abria nas laterais, ou transportando ou colocando num companheiro. Digo isso porque com a entrada do Rode para essas funções o Lahm passou a jogar mais encostado à linha (direita salvo erro) e o Porto ganhou, ou pareceu ganhar, algum fôlego a meio que lhe permitiu durante breves minutos ter a ilusão de equilibrar o jogo. Baggio, já que vais rever o jogo... ;)

Quanto à questão do Reyes no lugar do Ricardo, é como aqueles que falam das adaptações do JJ: de certeza que o tipo não acordou de manhã e pensou "olha, sabem o que era fixe?", de certeza que houve trabalho no treino, simplesmente não resultou. Culpar um jogador pelo que se passou é simplesmente idiota!

Roberto Baggio disse...

Eu não tenho dúvidas sobre o posicionamento de Lahm e Gotze, que jogaram bem mais largos do que seria de esperar, recebendo fora e trazendo dentro. tenho duvidas é sobre o que isso causou nos jogadores do porto, relativamente a pressão que faziam na primeira fase de construção

Roberto Baggio disse...

Luís, acho um bom jogador

Miguel Pinto disse...

"Eu não tenho dúvidas sobre o posicionamento de Lahm e Gotze...tenho duvidas é sobre o que isso causou nos jogadores do porto, relativamente a pressão que faziam na primeira fase de construção". R. Baggio

Pareceu-me que o Bayern ao alternar na 1ª fase de construção entre o passe curto e o passe longo criou um pequeno dilema aos médios do FCP. Se repararem há momentos em que ninguém sai ao Boateng ou ao Badstuber porque prevêm que estes batam longo e noutros momentos saem na pressão à toa, ou seja, estavam com receio de dar espaço aos jogadores do Bayern que jogavam nas suas costas. Acho que a linha defensiva do FCP foi sempre muito estática, não acompanhava a subida da linha média mesmo quando o portador da bola do Bayern estava condicionado ou era obrigado a jogar para trás. Mas , independentemente disso, o maior problema do FCP foi quando ganhava a bola, aí raramente existiu qualidade nos seus jogadores para conseguirem saír da pressão com ela jogável e nesse particular faltou discernimento ou experiencia ou talento nesses momentos. É a diferença maior entre os 2 modelos de jogo, entre estar submetido à pressão do adversário e saber lidar com isso, ter soluções e colocá-las em prática e do outro lado esse estímulo ainda não estar devidamente potenciado, quer pela qualidade dos jogadores não ser tão grande ou pelo processo de treino seguir um caminho diferente em função das características dos jogadores.
De resto a forma como sofrem os 5 primeiros golos (à excepção do 3º) não é de todo fruto duma colossal avalanche atacante do Bayern mas sim de erros circunstanciais que potenciaram essas situações de finalização (quem tem bola tem sempre +1% de vantagem em relação ao adversário).
Agora estou curioso para saber quem será a próxima vítima do Bayern e até gostava que fosse o Real Madrid para que as pessoas pudessem perceber que a diferença que separa o Sérgio Ramos do David Luiz é a marca das chuteiras, o resto é igualzinho :)

Abraço

Roberto Baggio disse...

Miguel, no Dragão, o Porto tbm deixou o Bayern circular entre centrais, e só os pressionava quando identificava marcadores de pressão. De resto, estive a rever o jogo no dragao, e vou agora rever a primeira parte em munique. obrigado pelo teu comentário, que me fez ir rever os jogos.

Abraço

Dejan Savićević disse...

pormenores, mas david luiz e sérgio ramos ate na marca de chuteiras são iguais!!!

Miguel Pinto disse...

Dejan Savicevic, não sabia, lol

Gonçalo Matos disse...

Calma malta, que o Sérgio Ramos agora virou médio!

Miguel Pinto disse...

Vejam as diferenças entre o 1º e o 2º video.
https://vimeo.com/125302280

https://vimeo.com/125682161

Talvez ajude a explicar alguma coisa...

O Pep Guardiola não é tão bom como querem fazer crer, ele é MUITO BOM!!!

Abraço

Baresi disse...

Por acaso tinha reparado esse "pormaior" durante o jogo, Guardiola deixou a defesa a 4, e jogou com uma defesa a 3 na saída de bola.
Normalmente ele faz essa variação baixando o Xabi Alonso, mas deste vez adoptou Rafinha-Boateng-Basturber.
Tendo Xabi Alonso à frente da defesa, e embora ele não seja um recuperador de bolas nato (Guardiola diz que ele está no Bayern para pensar e pautar o jogo), fez com que o FCP tivesse muito mais dificuldades para lançar o seu jogo.

Guardiola adaptou-se, Lopetegui não.

O que devia ter feito o espanhol do FCP, fica a pergunta...

Luis Santos disse...

Melhor que o Casemiro?

Roberto Baggio disse...

Com bola sim. Parece-me

Filipe disse...

Concordo inteiramente com o que o Miguel Pinho referiu. Foi essa a impressão com que fiquei do jogo. O Bayern variou a saída de bola e isso deixou o Porto perdido/hesitante.
No entanto, acrescento outros três fatores:
1) O Porto pareceu-me sempre mais retraído em termos de pressão e não sei se isso se deveu ou não 100% à estratégia do Bayern. Jogar com Indi e Reyes também pode ter condicionado uma pressão mais alta. Eu acho que isso aconteceu.
2) O Bayern jogou com Badstuber e não Dante. Confesso que tinha boa opinião do alemão, mas já não o via jogar há tanto tempo que quase me esquecia da diferença para o Dante. Seja qual for a estratégia, ter o Dante em campo é um pesadelo. Não lhe vejo qualidade nenhuma para jogar a tão elevado nível.
3) O Bayern explorou muito as alas do Porto. Deu pena ver o Brahimi e o Quaresma completamente à toa ("pressiono ou recuo?"). As bolas entraram muitas vezes entre os alas e os laterais. O posicionamento do Lahm e do Gotze foram novidades para mim. Talvez o Bayern já tenha jogado assim, mas eu nunca vi e fiquei com a ideia que era uma estratégia para, por um lado, sair da zona de pressão de Casemiro/Oliver/Herrera, e por outro lado, procurar explorar as fragilidades de Indi e Reyes, e a distância entre estes e os alas do Porto quando os últimos esboçavam uma tentativa de pressão alta.