segunda-feira, 6 de abril de 2015

Identifica e resolve. Com Hazard, o fácil é sempre fácil.

No passado jogo do Chelsea, Adam fez um golo que correrá o mundo as voltas suficientes para que se volte a falar de si aquando do prémio Puskas. É porém o segundo golo do Chelsea que serve de propósito a este texto.

Demasiadas vezes se perdem lances de potencial tremendo porque o portador da bola é incapaz de identificar a melhor resposta a dar no lance em si. Isto é, define mal. Ou solta antes, ou solta depois, ou não solta. Tantas vezes o grande público não chega sequer a perceber o potencial da jogada, porque um passe para o lado errado, ou um timing perdido, faz com que não se chegue sequer as possibilidades que aquela situação de jogo trazia. 

Hazard não é Messi. Com o argentino tudo o que pode acontecer, acontece. Ainda assim, o belga está hoje no topo do futebol mundial. Porque tecnicamente é soberbo, mas sobretudo porque sabe sempre que caminho seguir. Identifica o contexto ainda antes de ter a bola no pé, e a partir daí tudo segue conforme deve seguir. Parece fácil. E é. Todavia, só é fácil para quem percebe o jogo. Hazard identifica a superioridade numérica, progride na direcção da baliza atraindo oposição e solta no colega livre. Muito fácil. Mas quantos decidiriam tudo da mesma forma que o belga o fez?

Adam não vai voltar a fazer um golo de trás do meio campo. Já Hazard continuará a oferecer golos ao Chelsea a cada situação de superioridade que encontrar na partida. Com a eficácia dos predestinados.


  • 4 comentários:

    Pedro Carvalho disse...

    Não sei se viram o Marselha-PSG hoje, mas há um lance para lá dos 80 minutos que demonstra bem aquilo que tem sido falado nestes últimos posts.
    Numa situação de contra-ataque, o Matuidi tem a bola no meio-campo com espaço à sua frente e dois defesas depois desse espaço. À sua esquerda o Matuidi tem o apoio do Ibra que acompanhava o lance. Ora, em vez de progredir com a bola, fixar os dois defesas, e soltar no Ibra, transformando uma situação de 2x2 em 1x0, o Matuidi solta imediamente a bola para o Ibra (com demasiada força), o que provocou uma perda de bola.
    Este é um exemplo de como um lance que poderia ter dado golo e acabado com o jogo, resulta numa perda de bola.
    Se fosse o Verrati em vez de o Matuidi com a bola se calhar o desfecho era outro.

    Paolo Maldini disse...

    Pedro, não vi o lance que falas. Mas, serve mm p reforçar q tds os jogos há dezenas de lances q n terminam em perigo ou golo pq se define mal. E mtas vezes por jogadores com mtas debilidades mas q para a critica (q percebe pc do jogo) são craques...

    Bruno Pereira disse...

    E essa é uma das razões porque gosto tanto de ver o Jonas jogar...parece sempre tudo tão fácil...e nem estou a falar daquelas receções que ele faz quando a bola vem bombeada, isso já não é para qualquer um... Bom bom é o simples, o dar linha de passe, o fixar e soltar, o já saber o que fazer antes de receber a bola...(H)Azar(d) tantos treinadores não perceberem isto e haver tão poucos jogadores a aprenderem esta filosofia...

    Roberto Baggio disse...

    Foi este lance do Hazard, um do Raamsey do Arsenal que não deu a bola ao Ozil, e outro do Markovic no mesmo jogo que deu ao Sterliing, e os lances do Leverkusen que me fizeram escrever o artigo sobre o 5x1 no posse.
    Em todos os jogos há situações destas desaproveitadas. Excepto na liga alemã xD