segunda-feira, 6 de abril de 2015

Once a genius... Balakov e o futebol moderno.


"O futebol mudou muito, há mais dinâmica, as equipas assentam mais no colectivo, com vários jogadores que podem fazer aquilo que eu fazia. É normal ver poucos típicos 10 como eu, mas há outros que fazem isso. Há dois ou três anos gostava muito do Xavi, Iniesta, Messi... todos podem fazer o último passe e marcar" Balakov.

Em 2009 escrevia-se assim:

"Os box to box e os trincos que correm km

É comum afirmar-se que uma equipa deve ser construída através de diferentes características de jogador para jogador.

Ainda hoje, há quem pense que uma equipa deve ser formada por dois ou três "carregadores de piano", dois ou três artistas e um avançado alto e forte. Crê-se que o trinco deve correr kms e que à sua frente deve jogar alguém capaz de transportar a bola pelo campo fora. Que o extremo tem de ser um driblador.

Nada mais falso. Para se formar uma boa equipa, bastam 10 inteligentes jogadores, que sejam capazes de executar um passe e uma recepção, e um treinador com conhecimentos suficientes para transmitir e indicar o caminho a seguir. Nada mais é necessário, para além de tais características.

Na actualidade, o jogo de futebol, não mais, é um conjunto de 10 duelos de 1x1. As (boas) equipas movimentam-se forma harmoniosa e equilibrada por todo o campo de jogo. Em todos os momentos, há algo a cumprir, não só pelo portador da bola, e pelos jogadores que o rodeiam, mas também por todos os outros.

Em todas as ocasiões, há um posicionamento colectivo a ser cumprido, pelo que um extremo pode ter tanta relevância no processo defensivo quanto um defesa central.

Quando observar um jogador, a correr demasiado, tentando ser ele, a pressionar, em todos os momentos, o portador da bola. Quando perceber que determinada equipa sai para o ataque através da condução de bola de determinado jogador. Ou quando, perceber que determinado extremo recorre incessantemente ao drible, desconfie. Provavelmente não são os jogadores que são bons. É a equipa que é má. Tais situações, só são passíveis de acontecer, em equipas cujo colectivo seja débil.

Esqueça a disparatada ideia, de que um Pirlo necessita de um Gattuso. Numa verdadeira equipa, todos experimentam as diferentes funções. Isso é, claramente, algo que as melhores equipas europeias da actualidade nos podem ensinar.

PS - Alan e César Peixoto, dois "puros" extremos, cumpriram, na época 2008/2009, aquela que foi, provavelmente, a melhor época das suas vidas. Ambos jogaram, pela primeira vez, nas suas já longas carreiras, como centro-campistas. Relembre. Basta técnica, inteligência, e um treinador que indique o caminho."

21 comentários:

Gonçalo Matos disse...

"aquela que foi, provavelmente, a melhor época das suas vidas. Ambos jogaram, pela primeira vez, nas suas já longas carreiras, como centro-campistas. Relembre. Basta técnica, inteligência, e um treinador que indique o caminho."

Ouro! Mais vale um ano de bons estímulos que muitos anos de experiência em contextos fracos.

Fonseca disse...

Esta teoria vai completamente por água abaixo quando nos damos conta que o futebol também se joga pelo ar. Assim, ninguém coloca qualquer jogador a central. Tem de ser alto. Ninguém coloca um qualquer jogador a lateral, tem de ser rápido e ser bom de rins. O Porto não poderia jogar com 10 Oliver Torres, por muito jogador que seja (e é). Outra coisa que é preciso desmistificar é que o jogador correr muito e colocar-se bem e tomar boas decisões. uma coisa não invalida a outra.

Fonseca disse...

Esta teoria vai completamente por água abaixo quando nos damos conta que o futebol também se joga pelo ar. Assim, ninguém coloca qualquer jogador a central. Tem de ser alto. Ninguém coloca um qualquer jogador a lateral, tem de ser rápido e ser bom de rins. O Porto não poderia jogar com 10 Oliver Torres, por muito jogador que seja (e é). Outra coisa que é preciso desmistificar é que o jogador correr muito e colocar-se bem e tomar boas decisões. uma coisa não invalida a outra.

Roberto Baggio disse...

No ar a bola é de todos

Paolo Maldini disse...

O ar é de todos!!!!!

e a posse com a bola no ar é de quem?

jogar no ar para mim é o melhor para evitar bolas perdidas no meio campo! GR av, av - gr! Ligação directa como dizia o valter!

Fonseca disse...

Óbvio. É por isso que o Guardiola colocava o Xavi a defesa central e o busquets a extremo direito para as bolas em velocidade. Porque os aspectos físicos não interessam pra nada. ahaha

Rafael Antunes disse...

Maldini, Matrix Reloaded?! :D

Paolo Maldini disse...

e dar mta água aos laterais por causa dos rins...

Jorge Carolo disse...

O Fonseca tem razão...

Olhem se uma equipa tivesse 10 focas??

Era a bonita... Bola no ar e fé em deus.


Roberto Baggio disse...

Já agora, como não referiste, quais são as vacinas que se têm de levar para ser avançado?

Artur Semedo disse...

FUTEVÓLEI <3

MaxiBeça disse...

Isto é verdade, mas também tem interesse ter jogadores fortes ou altos, ou capazes de correr os 90 minutos.
Não me venham dizer que não há vantagem nenhuma em ter um gajo na equipa com 1.95m capaz de ganhar a bola no ar a 99% dos adversários, nem que seja para marcar nos cantos (desde que não seja um cepo completo claro).

O fisico importa, não pode ser tudo só inteligência, convém haver um equilibrio.

Roberto Baggio disse...

Convém haver um desequilíbrio das capacidades técnicas e inteligência... isso é que convém mesmo!
A vantagem de ter um gajo de 1.95? Perguntem aos treinadores do Crouch ou do Mandzukic o porquêde eles ficarem no banco várias vezes.

Fonseca disse...

São todos muito engraçados. É um fartote de rir. Rir a bom rir. Estou aqui que nem posso. Ui que são tão irónicos!
Mas ainda não me explicaram como é que o Rui Barros ganhava a bola nas alturas ao Jardel, se jogasse a central.
Certamente futebol não é futevolei, mas também não futsal.

Roberto Baggio disse...

Achaste engraçado? Então tinhas de ver o tópico que abri no face com a tua frase. Stand up puro :)

Fonseca disse...

que frase? esta?

"Óbvio. É por isso que o Guardiola colocava o Xavi a defesa central e o busquets a extremo direito para as bolas em velocidade. Porque os aspectos físicos não interessam pra nada. ahaha"

Estás à vontade. Reconheço que o mundo não pode ficar sem conhecer as tuas piadas sobre quem discorda de ti. Seria uma perda irreparável. Além disso, espero que te alimente um pouco esse pequeno ego!

Grande abraço.

Artur Semedo disse...

https://youtu.be/ele_SgN1XG4

rui barros marca golaço de tola entre dois moçoilos robustos. <3

Gonçalo Matos disse...

Oh Fonseca não caias no ridículo. Vai às etiquetas deste blog e vais ver que isto foi discutido vezes sem conta.
Não há jogadores de futebol sem determinados requisitos físicos, mas o que tu referes são preconceitos. não há estereótipo de jogador, muito menos no futebol actual onde os jogadores trabalham todos os dias.
O que interessa é se tens indices físicos que te permitam, enquanto jogador, desempenhar o que o modelo de jogo da tua equipa exige,

Roberto Baggio disse...

Oh Fonseca pensava que estávamos todos a brincar, na palhaçada. Se te ofendi, peço desculpa.

Cumprimentos

Pedro Ribeiro disse...

A equipa B do Braga tem lá um gajo que faz isto:

https://www.facebook.com/video.php?v=10153282912905087

Não costumo ver jogos da equipa B mas o Fábio Martins já me tinha chamado a atenção nos jogos que lhe vi com a camisola do Desp. Aves (liguilha de acesso à primeira liga). Isto para ele é "normal". É um virtuoso, extremamente criativo mas não é um extremo "à moda antiga", procura muito espaços interiores e não é propriamente um velocista, e por isso, creio eu, (ainda?) não subiu à primeira equipa. Cada treinador com as suas convicções... Enfim, também não sei qual a consistência do seu rendimento durante os jogos mas a equipa B (já) é um estímulo demasiado curto para ele. Ainda tenho esperança de que venha a ser grande figura da equipa principal, a partir da próxima temporada.

Essa época do César Peixoto foi realmente muito boa. Jogando a partir da meia-esquerda, quase sempre pautava o jogo a partir da faixa central (mais do que Alan que, até pelas suas características, nessa altura, abria mais frequentemente na direita) e muitas vezes quase a par do médio defensivo (Vandinho). Com a perda de explosividade (por força das graves lesões) ganhou critério com bola. E tornou-se fundamental no esquema de jogo do Braga de JJ, que era frequentemente algo assimético, exactamente pelo papel de Peixoto. A profundidade à esquerda era dada pelo lateral e pela movimentação de um dos avançados ou do dito playmaker (sobretudo quando se tratava de Mossoró, ainda que o preferido de JJ fosse Luís Aguiar). A César Peixoto, num esquema diferente, coube nessa época um pouco o papel que nas seguintes coube a Hugo Viana.

Mas nessa equipa, jogava um Vandinho que, este sim, a partir daí fez as suas melhores épocas numa posição nova para si. Nunca pensei (antes) que ele se pudesse tornar num médio defensivo com a qualidade que veio a mostrar (já antes fora tentado e com maus resultados). Desde então, costumo dizer aos meus amigos benfiquistas, sempre muito preocupados com as saídas dos seus números seis (primeiro Javi Garcia, depois Matic), que esse nunca será problema para JJ: ele, de um qualquer cabo de vassoura, faz um bom "trinco"... Já antes, no Belém, tinha feito de um panamiano de que já não recordo o nome (Gomez?) um dos melhores médios defensivos da liga.

Desculpa o off-topic Maldini, deixei-me entusiasmar pelas "saudades" do Baggio...

Blog de Portugal disse...

Só mesmo para picar:

- o Salvio recorre incessantamente ao drible, logo o Benfica tem um mau coletivo e o JJ é mau treinador.

A piada foi seca ou muito seca?