quinta-feira, 2 de abril de 2015

Problemas defensivos de Peseiro em Manchester - Primeira parte

"Por todos os clubes por onde passou obteve sempre melhores resultados que qualquer outro. Porém, porque as expectativas talvez tenham estado sempre mais elevadas do que o que o potencial das suas equipas fazia antever, há uma certa descrença sobre as suas capacidades."

Este Braga, na qual eram sempre diagnosticados problemas defensivos, jogava com jogadores sem grande qualidade individual nas linhas mais recuadas, e ainda assim, com o pouco tempo de trabalho que teve, conseguiu ir a Manchester jogar com um bloco médio e com a linha defensiva a reagir a profundidade e a largura colectivamente, como não se vê, por exemplo, hoje no Sporting. Claro que há erros, mas nota-se em cada lance a tentativa da última linha se comportar como um sector, a guiar-se pela bola (pressão ou não) e pelo colega. Quando chegaram as lesões, e os remendos, tudo desabou logicamente, tão altas eram as expectativas iniciais criadas pelo futebol praticado por esta equipa. Mais uma vez Peseiro saiu desvalorizado de um projecto que ele elevou, e depois não teve a sorte de conseguir levar a bom porto.


Mais sobre José Peseiro, aqui.

21 comentários:

Cole disse...

Ainda existe muita dificuldade em julgar a qualidade dos jogadores. Quando um coletivo é forte, tende-se a sobrevalorizar jogadores com limitações evidentes. No Benfica de Jesus, por exemplo, isso é recorrente, com especial evidência este ano.
O Braga do Peseiro tinha peças de muito boas (Viana, Amorim, Alan) mas outras que hoje, sem o enquadramento que o treinador proporcionou através de uma equipa bem organizada e com princípios bem definidos, vê-se por onde andam.

João disse...

Tenho uma óptima ideia do Peseiro, não sendo contraditório o que vou dizer, pareceu-me numa entrevista há 1 ano e meio que ele facilita a saída muitas vezes. Disse que era o primeiro a reconhecer que não tinha condições para continuar no Braga (um pouco como o Sporting).

Sei que o trabalho metódico supera as questões de motivação, mas este ponto levado ao extremo deve ter uma importante preponderância, suponho.

Fica a ideia que desiste facilmente. Por ex., o Jesus após aquela época mais difícil em 2013, renovou e não deitou a toalha após a 1ª derrota no campeonato. E deu a volta. E mesmo que não gostemos, um Sérgio Conceição com as veias a sair do corpo numa conferência de imprensa vende mais que um jogo bonito e bem estruturado aos presidentes dos clubes.

É verdade que se o Luisão não marca em 2005 ou o Sporting até vence a Liga Europa, tudo tinha sido diferente, mas até que ponto não tem condicionado a carreira este factor?

J. Saro

Islander disse...

O Peseiro muito aguentou aquele presidente, isso sei de fonte segura.... Pedir jogadores com certas características e qualidade e receber tudo ao contrário na altura de escassez em que ele lá teve não foi fácil. Estava louco para sair de lá. Infelizmente foi uma oportunidade perdida para se reafirmar em Portugal, não sei se volta a ter uma semelhante.

Futebol disse...

Tenho para mim que o José Peseiro é dos melhores treinadores portugueses da atualidade, as suas equipas apresentam sempre um dinâmica de posse muito interessante, mas esquece-se de um momento de jogo tão ou mais importante que o saber ter bola é saber não ter bola... a mentalidade das equipas dele em termos defensivos é muito macia, tem sempre o cérebro ligado para o ataque e quantos mais golos melhor. Já foi publico que o próprio prefere ganhar por 5-4 do que ganhar por 1-0, isto diz muito da mentalidade que um treinador tem sobre o jogo.
Se o Peseiro tem a felicidade no ano do "quase tudo" que teve José Mourinho em ganhar tudo no seu 1º ano (Campeonato, taça e liga europa), a sua carreira hoje era de titulos atrás de titulos.

Roberto Baggio disse...

"Já foi publico que o próprio prefere ganhar por 5-4 do que ganhar por 1-0, isto diz muito da mentalidade que um treinador tem sobre o jogo."

E também Guardiola... E isso diz o quê?!


Futebol disse...

coloca aqui o link disso!

Roberto Baggio disse...

Se colocar o link muda a tua ideia sobre peseiro ou a tua ideia sobre guardiola?
E o link do peseiro esta Onde?

Fernando Antunes disse...

Era um treinador com uma ideia de futebol que poderia projetar o Braga para disputar títulos em Portugal com frequência e quiçá para sucessos episódicos a nível internacional. Não esquecer que o único título alcançado pelo Braga desde 66 foi alcançado pelo próprio Peseiro: Taça da Liga. Ironicamente esse título terá provavelmente funcionado como maldição para Peseiro, em vez de benção.
Mas a verdade é que com ele, o Braga jogava como uma equipa grande. Fez um excelente jogo na Luz logo no princípio do campeonato (2-2) em que mostrava ao que vinha. Quando estava 1-1 em vez de se ver um Benfica a pressionar para chegar à vantagem, era só o Braga que tinha a bola, era o Braga que melhor jogava e com enorme personalidade. Não havia cá 'recuos estratégicos'.
O problema indisfarçável de Peseiro era a sua debilidade a lidar com derrotas ou infortúnios. Notava-se ali uma incapacidade psicológica para rumar contra a maré em certas situações. A equipa que foi a Istambul silenciar os adeptos do Galatasaray com uma exibição soberba e vitória tranquila por 2-0 dominando todos os aspetos do jogo, umas semanas depois caía em casa após estar em vantagem, repetindo o que acontecera duas vezes com o Man Utd.
Era o grande problema do Braga, não sabia gerir os momentos do jogo e quebrava muito nos minutos finais. Acho que isso não era só culpa dos jogadores...

Lenhador Pai disse...

Concordo Futebol. Não fosse o comportamento dos "maiorais" nos comentários, mesmo quando têm razão, e o blog ainda seria mais agradável. Parece que cada questão ou contra-ideia lhes belisca o ego.

Roberto Baggio disse...

Lenhador Pai, ainda bem que concordas com o artigo. Não fossem comentários que não dizem nada como o teu e isto seria bem mais fixe. Tenho a certeza que há por aí um milhão de blogues mais agradáveis para ti, onde não ter opinião sobre os temas discutidos tem relevo.

Futebol, não vi nada, só os links. E assim que tiver tempo tratarei de procurar o que me referia.
Eb não, não entendi o que é que uma coisa tem a ver com outra. O que é que ter a bola tem a ver com preferir marcar 5 e sofrer 4 do que marcar 1 e sofrer nenhum. Nem percebi o que é que Vítor Pereira tem a ver com peseiro e guardiola. Se calhar, quem não percebeu a mensagem dos que dizem isso foste tu. A mensagem é simples, se queres saber, beneficiar o jogo, o espectáculo, o público. É isso que significa gostar de marcar muitos golos. É essa a mensagem. Não é como queres insinuar gostar de sofrer golos. É uma outra máxima que Guardiola utilizou na altura em que o criticaram no início do seu Barcelona por sofrer muitos golos - "desde que marquemos mais que o adversário não há problema". E de certeza que ninguém com juízo interpreta isto como gostar de sofrer golos. Ou outra velha máxima dele - "vamos sofrer golos de certeza, então temos de ir marcar" -. E outra - "não somos muito bons a defender, então temos de sair ao ataque" -. Como se percebe, são mensagens que nada têm a ver com negligenciar o momento defensivo, e sim com a ênfase que se quer dar ao momento mais importante de todos, o ofensivo. mas como disse ainda não abri os tais links, quando tiver tempo o farei e nessa altura também meto o que tenho.

Dipeca disse...

Interessante ver como os comportamentos eram até bem definidos. Estes jogos, onde a concentração é máxima mostram bem aquilo que o treinador consegue incutir nos jogadores. Depois, se os resultados não surgem, aí já vem a descrença e os erros individuais por falta de concentração que, claro, acabam sempre por ser culpa do treinador.. Mas, desportivamente, Peseiro deve falhar é no discurso interno. E se não for aí, então é na relação com os media e empresários.. Tem de ser. Não pode ser só azar..

Roberto Baggio disse...

"aqui ninguem é dono da verdade!"

Errado! Eu sou dono e senhor da minha verdade.

Quanto ao resto, quando tiver o tal tempo para abrir os links respondo.

Pedro Almeida disse...

Isto era tão mais saudavel quando os textos e comentarios eram do PB... este Baggio é um garoto..

Lenhador Pai disse...

É o que deixa transparecer. Responde ao meu comentário com um insulto e depois censura a minha resposta que não tinha qualquer conteúdo ofensivo.
Na minha opinião, e daquilo que eu conheço, não existe nenhum outro blog/site tão desafiante sobre futebol quanto este (isso para mim nunca esteve em causa), no entanto a maneira arrogante como o baggio se expressa é extremamente deselegante. O "garoto" julga que é o Mourinho.

Lenhador Pai disse...

Não estou aqui para lamber as botas a ninguém...

Roberto Baggio disse...

WoW, adoro estes psicológicos. Castigadores da arrogância. Polícias das boas maneiras lol.
Então e sobre os temas do blogue? LololoL
Eu é que não estou aqui para receber lições de moral de qualquer um.
Mourinho? A sério? LoooooL

Pedro Ribeiro disse...

Não tenho por hábito comentar ultimamente porque acho que não estou sequer á altura de discutir futebol convosco. O que não significa que não tenha a minha opinião. Mas em relação à época de Peseiro em Braga, mesmo não tendo o vosso conhecmento, tenho certamente mais informação porque vi todos os jogos dessa época o que, creio, não se terá passado com o Baggio. E não concordo nada com esta apreciação do Peseiro, que se baseia acredito, na análise de um ou dois jogos. É efectivamente verdade que o seu Braga era do ponto de vista ofensivo muito atractivo, com um futebol de combinações e imaginativo - e com um volume de jogo ofensivo quase sempre muito grande. Mas a verdade é que, em praticamente todos os jogos, a sua equipa permitia um par de lances (às vezes mais) ao adversário, daqueles de golo cantado. E por isso, muitas vezes o ouvimos dizer após empates e derrotas, que "tivemos azar" porque "o adversário foi apenas uma vez lá abaixo e marcou". O jogo paradigmático do que era o Braga de Peseiro foi, para mim, um Braga-Olhanense que terminou com um empate 4-4. Para um espectador neutro foi um jogo de mão cheia: um Braga avassalador que poderia (sem exagero) ter marcado uns dez golos mas que permitiu que o adversário em cada contra-ataque que desenhou marcasse, o que obrigou sempre a sua equipa a correr contra o prejuízo. Esse jogo permitiu-me perceber de onde lhe vinha o rótulo de azarado. As suas equipas são, por norma, más na reacção à perda de bola, o que deveria ser um pressuposto de uma equipa que quer assumir o jogo e ser uma equipa de pendor ofensivo, como é a sua ambição. Ele teve ao seu dispor aquele que considero ser o melhor plantel que o Braga alguma vez teve (e provavelmente terá), incluindo (atenção ao momento das suas carreiras) Custódio, Rúben Amorim, Rúben Micael, Hugo Viana, Mossoró, Alan e Éder (o de antes da lesão, não a caricatura do que foi que infelizmente, sobretudo para ele, hoje é). Ainda havia Leandro Salino, Ismaily. Os centrais não eram nada de especial (mas ainda hoje se vêem equipas grandes com um quadro de escolhas idêntico ou pior). Mas, sinceramente, olhando para o padrão das escolhas de Peseiro nas suas equipas, tenho dúvidas de que seja apnas um problema dos recursos que são colocados ao seu dispor. Ainda me lembro que o grande central do seu Sporting era um tal de Enakarire, que era não passava de um "madeireiro".

A única lesão que efectivamente acabou por fazer real mossa na segunda fase da época foi a de Éder que era realmente o homem golo da equipa e que teve efeito na capacidade ofensiva da equipa. As restantes lesões, cá atrás, enfim... não eram os nomes que estavam em causa, com uns ou outras os problemas defensivos mantinham-se.

O grande erro do presidente do Braga foi ter despachado (por soberba e ignorância) no final da época anterior Leonardo Jardim. Com Jardim ao leme o Braga ter-se-ia apurado para a Champions via campeonato "a brincar". Um campeonato em que, recordo, o Sporting ficou em sétimo...

Isso não invalida que o Braga tenha tido grandes momentos com Peseiro (o jogo de Istanbul foi, para mim, o melhor). Mas bons momentos não chegam para fazer uma época. Só de me lembrar que perdemos duas vezes com o Cluj... de Paulo Sérgio, sofrendo cinco golos nos dois jogos da fase de grupos da LC...

Roberto Baggio disse...

Pedro, grande comentário!!!!

" tenho certamente mais informação porque vi todos os jogos dessa época o que, creio, não se terá passado com o Baggio."

Crês bem. Tens mais informação que eu certamente. Não vi todos. Mas vi, completos, 10. E outros com menos atenção :)

"Mas a verdade é que, em praticamente todos os jogos, a sua equipa permitia um par de lances (às vezes mais) ao adversário, daqueles de golo cantado."

Também o Benfica de Jesus... Que é praticamente perfeito a defender permite um, dois... Desde que crie mais do que esses um, dois, não vejo grandes problemas nisso. Os outros também jogam, é esta a minha explicação para tal suceder.

"O jogo paradigmático do que era o Braga de Peseiro foi, para mim, um Braga-Olhanense que terminou com um empate 4-4. Para um espectador neutro foi um jogo de mão cheia: um Braga avassalador que poderia (sem exagero) ter marcado uns dez golos mas que permitiu que o adversário em cada contra-ataque que desenhou marcasse, o que obrigou sempre a sua equipa a correr contra o prejuízo."

Lembro-me muito bem desse jogo! Muito bem mesmo! Se calhar até melhor do que estarias à espera. E sim, poderia ter marcado muitos. Mas por exemplo, não me lembro dos golos terem sido marcados todos em transição defensiva (para o Braga)... O primeiro por exemplo erro do central que fechava o cruzamento e que deixa o avançado aparecer à sua frente, isto depois de um gajo ter ido embora num 3x1 no corredor lateral... O segundo golo numa grande sorte do Ivanildo, remata e bate contra o defesa enganando o Beto. Sim era contra-ataque, mas bem interpretado e defendido. Mas onde está a falta de competência nisso? O terceiro golo, não foi transição novamente. Novo lance de organização, do mesmo lado que o primeiro (o do Helder Barbosa), novamente com superioridade no corredor, sai cruzamento e novamente o defesa a deixar-se antecipar e o Ivanildo a ganhar-lhe a frente. Quando estava bem posicionado... Portanto, dos 4 golos, concedo culpas colectivas a um. Esse jogo foi muito discutido por aqui, e noutros blogues. Daí me lembrar tão bem dele.

"As suas equipas são, por norma, más na reacção à perda de bola, o que deveria ser um pressuposto de uma equipa que quer assumir o jogo e ser uma equipa de pendor ofensivo, como é a sua ambição."

Estou em desacordo. Totalmente em desacordo.

"Ele teve ao seu dispor aquele que considero ser o melhor plantel que o Braga alguma vez teve (e provavelmente terá)"

Aqui é uma questão de gostos. Eu gostava mais do Braga do Domingos, em termos de plantel. Ou se quiseres, de 11 inicial.

"As restantes lesões, cá atrás, enfim... não eram os nomes que estavam em causa, com uns ou outras os problemas defensivos mantinham-se."

Estou em desacordo. Totalmente. Como é que queres trabalhar comportamentos colectivos, de um sector, se esse sector está sempre a ser alterado e remendado? Impossível. Nem colectivamente, nem individualmente. Porque eles não ficam competentes colectivamente, logo não há tempo para corrigir o individual.

Grande Abraço, e saudades dos teus comentários! Saudades mesmo!

Roberto Baggio disse...

Não invalida que esse Braga lá na frente não fosse muito forte... Era-o!

Lenhador Pai disse...

Visto que os temas do blog não estão abertos a discussão julgo que não é produtivo gastar tempo a debatê-los contigo. A falar de bola és muito bom, mas a necessidade que tens de ridicularizar aquilo que os outros fazem, dizem ou escrevem não abona nada a teu favor.
Aqui há uns tempos era só bater na malta que não tinha a mínima ideia do que significava decidir bem no terreno do jogo. Era post, atrás de post, atrás de post,... Não sei de quem tenha mais pena. Se dos tipos que mesmo com tanta informação ficaram a nadar, se de ti. Martelar em burros e no mesmo assunto apenas numa demonstração arrogante do "eu sei mais que tu" e toma lá mais um post. Eu sou muita bom e vocês são umas bestas. O cúmulo foi ir buscar um texto de outro blog ou coisa que o valha apenas para denegrir o seu autor. Ridículo, quaisquer que fossem as baboseiras que o dito autor tenha escrito (saliente-se o facto de o texto em questão se tratar de diarreia cerebral).

Paolo Maldini disse...

oh lenhador, fodasse... tanto blog por ai...move on